Percepcao do usuario sobre a droga em sua vida

Percepcao do usuario sobre a droga em sua vida

Autores:

Ruth Irmgard Bärtschi Gabatz,
Michele Johann,
Marlene Gomes Terra,
Stela Maris de Mello Padoin,
Adão Ademir da Silva,
Jane Lilian Brum

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145

Esc. Anna Nery vol.17 no.3 Rio de Janeiro jul./ago. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-81452013000300016

RESUMEN

El abuso de drogas se ha convertido en un grave problema de salud pública, tanto por su epidemiología, como por las consecuencias de este abuso en el medio social, siendo el tratamiento considerado un gran desafío. El estudio objetivó conocer la percepción de los usuarios sobre las drogas. Investigación de enfoque cualitativo, descriptivo y exploratorio. Los datos fueron producidos por medio de una entrevista con ocho usuarios de alcohol y otras drogas en tratamiento en una Comunidad Terapéutica de un pequeño municipio de la Región Noroeste de Rio Grande do Sul, Brasil. Fueron examinados por medio del análisis de contenido temático. Los entrevistados afirmaron que la búsqueda por las drogas muchas veces está relacionada con la incapacidad de lidiar con las crisis y frustraciones de la vida, puesto que sirven como refugio. También fue apuntada como una enfermedad que manipula los individuos y se los lleva a perder objetos, valores y la propia familia. Se concluye que es importante desarrollar este tema en la formación de enfermeros para que puedan proporcionar una atención humana y eficaz a estos pacientes.

Palabras-clave: Enfermería; Drogas Ilícitas; Usuarios de Drogas

INTRODUÇÃO

Universal e milenar é a prática humana de consumir drogas. Consumidas por diferentes povos e culturas em contextos históricos diversos, elas sempre fizeram parte da humanidade, seja para rituais religiosos, lazer, ou ainda para aumentar a disposição e energia, como na antiguidade, para curas ou fins terapêuticos. Entretanto, a conexão entre o uso de droga e os problemas sociais é recente.

Droga é definida como qualquer substância capaz de modificar e desorganizar a função biológica dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento1. Durante algum tempo consideravam-se apenas as substâncias proibidas, e ignoravam-se as permitidas, como a cafeína, o álcool, o tabaco, as medicações. No entanto, existe uma distinção entre lícitas (permitidas) e as ilícitas (proibidas), que varia de acordo com a cultura de cada povo1.

O consumo de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas tornou-se um problema tanto pela magnitude quanto pela expansão do uso, com consequências importantes para a saúde pública. Segundo a Organização das Nações Unidas, 0,6% da população mundial, cerca de 26 milhões de pessoas, são dependentes de drogas ilícitas. Além disso, elas matam 200.0000 pessoas por ano. Na América do Sul, o Brasil representa o maior mercado de opiáceos, com cerca de 600 mil usuários, ou 0,5% da população entre 12 e 65 anos2. Esses números geram um grande impacto econômico e social que tem recaído sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), tanto no que diz respeito à redução do consumo de drogas como no resgate do usuário3.

Pela análise dos dados relativos ao custo do uso de drogas, observa-se que os decorrentes do consumo de álcool são de grande magnitude. Considerando dados referentes ao ano de 2001, houve no Brasil 84.467 internações para problemas relacionados ao uso do álcool, mais de quatro vezes o número de internações ocorridas por uso de outras drogas. Como a média em internação foi de 27,3 dias, estas internações tiveram em 2001 um custo anual para o SUS de mais de 60 milhões de reais3.

A legislação brasileira, por meio da Lei 11.343/06, criou o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (SISNAD), que busca articular as atividades desenvolvidas pelos profissionais da saúde, integrando e coordenando programas de prevenção, promoção, tratamento e reinserção social de usuários de álcool e outras drogas, assim como a repressão ao tráfico4. Embora tenha evoluído muito o tratamento dos usuários de álcool e outras drogas, por meio de leis e da criação de centros de tratamento e reabilitação, o indivíduo ainda é visto como um perigo para a sociedade, concepção esta que perdura desde a antiguidade, o que gera discriminação e dificulta o tratamento e atendimento nesta epidemia. Neste sentido, destaca-se a importância da realização de estudos sobre a temática, visando fornecer subsídios para melhor capacitação dos profissionais que atuam nos serviços de saúde.

Sendo assim, reconhecer o consumidor, suas características e necessidades, exige a busca de novas estratégias de contato e de vínculo com ele e seus familiares, para que se possa desenhar e implantar múltiplos programas de prevenção, educação, tratamento e promoção adaptados às diferentes necessidades3.

A Enfermagem como todas as profissões ligadas à área de saúde têm como meta a preservação, conservação e manutenção da vida, voltando suas ações para manter o corpo humano sadio, solidarizando-se com o indivíduo, grupos, famílias e comunidade, buscando a mobilização e a cooperação de todos para conservar e manter a saúde. Nesse sentido, deve-se ter em mente que a inserção da família é imprescindível na assistência aos indivíduos usuários de drogas, pois ela pode auxiliar na mudança de comportamento e adoção de estilo de vida mais saudável5.

Uma das alternativas utilizadas para o tratamento da dependência química tem sido a internação em comunidades terapêuticas (CT), que tem se mostrado positiva em termos de afastamento do dependente ao uso de drogas. Estudos sobre a eficácia do tratamento da CT indicam que, em média, 30% a 35% das pessoas que fizeram tratamento deixaram de fazer uso de drogas em nível mundial6.

A partir do exposto, tem-se como objetivo descrever como os usuários percebem as drogas em sua vida.

METODOLOGIA

Trata de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória realizada em uma CT de um município de pequeno porte da Região Noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Tal comunidade atende usuários adolescentes e adultos do sexo masculino com prevalência do uso do álcool e outras drogas, como maconha, cocaína, crack e inalantes. Os indivíduos pesquisados tiveram pelo menos uma internação anterior.

A CT conta com uma estrutura para cerca de 40 internos masculinos, sendo que, no período da etapa de campo, havia 30 internos em tratamento. O serviço é administrado por monitores, que também são dependentes químicos que já fizeram o tratamento e outros cursos para se tornarem monitores; eles se dividem na supervisão das atividades, na organização das rotinas, disciplina e coordenação dos grupos. As instalações são novas e organizadas. A rotina diária de atividades baseiase em um cronograma fixo de atividades, sendo os internos divididos em grupos, cada qual com sua função; por exemplo, enquanto um grupo cuida da cozinha, outro fica responsável pela horta, pelos animais.

Os dados foram produzidos por meio de uma entrevista individual, gravada, com oito usuários de álcool e outras drogas, com idades entre 18 e 45 anos, tempo de uso de 4 a 20 anos, que se encontravam internados na instituição no mês de outubro de 2010. Foram considerados como critérios de inclusão: os usuários que estivessem internados na referida comunidade a 15 dias, aqueles que já tinham passado pela experiência da recaída e estivessem lúcidos, orientados e coerentes.

Para preservar o anonimato dos usuários foi utilizada a letra 'P' (P1, P2, P3, P4...) que é a inicial da palavra participante, seguida de um número que não necessariamente foi a sequência das entrevistas. As entrevistas foram encerradas quando as informações começaram a se repetir, por considerarse a ocorrência da saturação dos dados7.

As entrevistas foram transcritas para posterior análise temática dos depoimentos7, que consiste em três etapas: préanálise, em que são selecionados os documentos a serem explorados; a exploração do material, em que este é codificado e o investigador busca as categorias a partir da redução do texto às palavras e expressões significativas7. Por meio desta, foram destacados os núcleos de sentido que compuseram a comunicação cuja presença ou frequência teve algum significado para o objetivo analítico visado. Do tratamento dos resultados obtidos, deu-se a terceira etapa, a interpretação, destacandose as dimensões teóricas sugeridas pela leitura do material8.

O protocolo do projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos da Universidade Federal de Santa Maria, pelo Parecer Nº 0237.0.243.000-10, e contempla as dimensões éticas para a pesquisa que envolve os seres humanos, segundo os termos da Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde9. Foi estruturado, em duas vias, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que foi lido com cada participante que concordou em participar da pesquisa.

DISCUSSÃO DE RESULTADOS

A partir da análise dos discursos das entrevistas houve a congruência de temas e significações que resultaram nas seguintes categorias temáticas para este estudo: entrada no mundo das drogas e suas consequências; busca pela reabilitação e as recaídas.

Entrada no mundo das drogas e suas consequências

A entrada no mundo das drogas está relacionada a diversos fatores, como influência de amigos, dificuldades pessoais, e como facilitador de relações sociais. Ao mesmo tempo em que a droga traz a satisfação momentânea, ela apresenta uma série de consequências aos seus usuários.10 Destacou-se nos depoimentos a incapacidade que os sujeitos têm de lidar com suas frustrações:

[...] entrei no mundo das drogas por não conseguir administrar as crises, as amizades, as frustrações, as crises, eu gostava de uma pessoa e não fui mais correspondido, me fez buscar refúgio novamente na droga, aquele amor doentio [...] a dependência é complicada (P4).

Esse depoimento mostra que a busca pelo uso da droga esteve relacionada à incapacidade de conseguir lidar com as crises afetivas e pessoais. Nesse mesmo sentido, observou-se que, em uma pesquisa realizada com familiares e amigos de usuários de drogas, em 60% dos casos o excesso de estresse e frustrações que geram crises são fatores de risco para o uso de drogas11.

O ato de drogar-se sob a ótica individual-emocional pode ser analisado como uma busca narcisista de prazer. O desejo e o prazer com a droga substituirão qualquer outra vontade ou prazer, e sua necessidade é apontada por impulsividade, agressividade, por urgência de satisfação. É nesta fase de prazeres que a dependência se instala12.

As possíveis razões para o início do uso de drogas podem ser o surgimento de uma oportunidade da escolha pela experimentação por parte da pessoa, o poder de transformar as emoções que a droga possibilita, a influência do grupo no consumo, tentativas de minimizar sofrimentos e sentimentos como solidão, baixa autoestima ou falta de confiança13. O uso indiscriminado de drogas constitui um fenômeno complexo. O dependente diante das dificuldades cotidianas encontra na droga um meio quimicamente efetivo de superar a sua fragilidade e, supostamente, impedir a desestabilização do seu ego13.

Porque tinha uma droga de vida e usava droga para me esconder disso, para sair das dificuldades, dos problemas, quem usa drogas busca prazer (P5).

O uso da droga é justificado pelo depoimento acima, como um refúgio, o local para se esconder dos problemas e das dificuldades, a satisfação plena, e a sensação de prazer ou satisfação estimula mais usos. Sendo assim, a drogadição é uma relação específica entre um sujeito e um objeto, e este detém o poder de prazer o qual o sujeito não consegue deixar de lado14.

Nos depoimentos dos usuários surge a dificuldade de conter o uso das drogas, como se as drogas tivessem domínio sobre eles, manipulando-os.

[...] a droga me manipulava e eu caia direitinho, não tinha noção que ela podia fazer isso [...] (P2).

Os usuários de álcool e outras drogas vivenciam um processo difícil de afastamento da substância, apesar de conhecerem as consequências de seu uso e, assim, visualizam a droga como uma coisa que os manipulava, descrita também em outro estudo como uma energia que seduz. Com o uso frequente das drogas, os usuários apresentam diversas perdas, tanto materiais quanto afetivas13. Diariamente, acompanham-se na mídia escrita e falada casos de filhos que são acorrentados em casa pelos pais para não usarem drogas ou subtraírem objetos para adquirir as drogas, mas as perdas não são apenas materiais. Em todos os casos de uso de drogas, a família é um fator preponderante como proteção ao uso de drogas tanto na prevenção ao início do consumo quanto ao fortalecimento da prevenção da recaída15. P8 aponta as diversas perdas que teve como usuário de drogas principalmente relacionados ao emocional:

[...] perdi muitas coisas, como valores, família, pessoas que amava [...] fiz muitas coisas até quase morrer, [...] foram vários chacoalhões da vida (P8).

As drogas geram um grande impacto na vida dos usuários, levando a perdas físicas e psíquicas. Elas são responsáveis pela perda de emprego, de bens materiais, rompimento dos vínculos familiares e também malefícios à saúde. Manter relacionamentos conjugais, parentais e de amigos é muito difícil, pois o usuário tem a tendência de substituir o relacionamento com as pessoas pelo relacionamento com a droga16.

Busca pela reabilitação e as recaídas

A busca por tratamento ou reabilitação não é uma tarefa fácil, diversos são os percalços encontrados nesse caminho, pois, na maioria das vezes, após uma internação, os indivíduos acabam retornando para o mesmo meio onde começaram a usar as drogas, encontrando as antigas amizades e também as drogas. Destaca-se a necessidade de vínculo e compromisso entre usuário e serviço de saúde de forma a aumentar a adesão ao tratamento17.

A droga foi abordada pelos usuários como uma doença que, para ser superada, são necessários muita força de vontade e acesso a tratamentos.

[...] eu tenho essa doença, para mim me manter é eu mesmo, é garra, disposição, força de vontade, estar sempre disposto (P1).

O depoimento de P1 mostra que o modelo médico identifica o uso de drogas como uma doença do âmbito biológico e genético, assim requer tratamento e reabilitação. Essa visão contribui para manter os usuários impotentes e desarticulados, dificultando a prevenção e a redução de danos decorrentes do uso18. Em contraponto, há evidências clínicas das alterações neurológicas e psiquiátricas decorrentes da dependência química, o que contribui para a grande dificuldade de afastamento da droga, uma vez que tanto o corpo orgânico quanto o psicológico são dependentes da estimulação da droga6.

Para deixarem de usar drogas, os participantes apontaram a necessidade de conscientização, mudança de comportamento e respeito às drogas:

[...] me conscientizar, que não é apenas parar com o uso [...] deixar da droga e do alcoolismo, é uma mudança de atitudes, de comportamento [...] é mudar por completo (P1).

[...] o principal é cortar as velhas amizades quando voltar ao convívio social. [...] eu posso falar que não vou mais usar drogas, mas se dentro de mim não é o que realmente quero, então quando voltar lá para fora vão cair às máscaras (P4).

Observa-se nos depoimentos que a atitude de mudança necessita emergir do próprio usuário; se ele não estiver de acordo com a mudança, esta não acontecerá. Além disso, pode-se perceber no depoimento de P4 certo temor em voltar ao mundo fora da comunidade, necessitando de muita força para não recair no uso da droga. Quando o usuário não compreende a necessidade da mudança de atitude, a reabilitação não ocorre, uma vez que volta a fazer as mesmas coisas de antes do tratamento.

Comecei a visitar velhos lugares e, sem perceber, estava com recaídas de comportamento [...] do mesmo jeito em atitudes (P2).

As circunstâncias que mais causam tentação de usar estão relacionadas aos locais em que consomem drogas; estar com alguém que usa drogas; ir a festas com os amigos; observar alguém usando ou desfrutando de drogas; sentir-se extremamente ansioso e estressado ou frustrado porque as coisas saem errado19.

Observou-se que é imprescindível, para que a reabilitação seja possível, reconhecer a impotência perante a droga, pois, enquanto o usuário imagina que domina a droga e "para quando quiser", ele não consegue parar, pois o poder da droga sobre o dependente é muito grande19.

A autossuficiência, achar que eu podia com as drogas, com o álcool, que isso não ia me afetar a falta de respeito com a droga, hoje eu as respeito, que eu não posso com nenhuma delas, que se eu tomar uma serão várias, se eu quiser é fácil é só estender a mão. Hoje eu faço o contrário, estendo a mão, mas para ajudar o outro, consigo deitar no travesseiro e descansar [...] (P1).

[...] admitir a impotência contra as drogas [...], mas não aceitava, acreditava que podia utilizar outras drogas, por exemplo, o álcool, pois fui internado por problemas com o crack, achei que podia continuar com outras drogas, a manipulação da minha mente para eu voltar ao uso [...] (P5).

Nestes depoimentos, os usuários demonstram a necessidade de se admitir a impotência perante as substâncias para conseguir iniciar o tratamento e se entregar a ele. Para que o usuário consiga vencer o obstáculo da recaída, é imprescindível que ele se conscientize da sua doença e dos malefícios causados por ela20. Além disso, pode-se perceber também que o auxílio mútuo é imprescindível para buscar a reabilitação. Como o estudo foi desenvolvido em uma CT, observa-se que os preceitos adotados ali ficam permeados nos depoimentos.

Nesse sentido, algo que precisa ser ressaltado como positivo nas CT é a sua abertura aos grupos de auto-ajuda, o que possibilita aos internos partilharem sentimentos e situações, e ainda conhecerem as experiências dos companheiros6. Diante da reconhecida importância da família na reabilitação do dependente químico, evidencia-se uma necessária inclusão da família no tratamento da CT, uma vez que, depois de meses em tratamento, o dependente químico retorna para a sua família que precisa estar preparada para serem apoiadores de seu familiar15. Este apoio ao dependente químico não é fácil, e o reconhecimento desta dificuldade pode ajudar no enfrentamento da doença e na reestruturação da família que em geral está abalada pelas consequências da dependência química15.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo mostra que os usuários de drogas em tratamento conseguem ter uma percepção ampla sobre as drogas em suas vidas. Entretanto, a percepção sobre os malefícios da droga não são suficientes para fazer os usuários abandoná-la. A família, embora seja importante tanto na prevenção como na diminuição da recaída, foi pouco referida pelos depoentes, o que pode indicar problemas de relações com os familiares.

A busca pela reabilitação é indicada como uma ação pessoal de luta para se manter afastado das drogas; entretanto, tais enfrentamentos mostram-se frágeis quando não levam em conta a família na qual estão inseridos e relacionados. Neste sentido, este estudo não abordou de forma mais ampla a relação entre o dependente químico sua família e seu meio social, o que deixa uma lacuna para pesquisas futuras nesta temática.

Prestar assistência a adictos não é uma tarefa fácil, pelos próprios estigmas e preconceitos que existem. Isso é um fator que interfere enormemente no atendimento, pois alguns profissionais ainda não percebem o usuário como um doente. Para mudar esta realidade, faz-se necessária maior capacitação, para que se possa, em um futuro próximo, dirigir os esforços em uma direção única por um bem comum. Sendo assim, para pensar em uma assistência de qualidade, é preciso que os profissionais de saúde se preocupem em atender aos usuários sem preconceitos, visando aumentar as possibilidades de adesão destes ao tratamento. Uma boa acolhida é imprescindível para o sucesso.

Acredita-se que este estudo possa servir como base para elaborar estratégias de assistência aos usuários de álcool e outras drogas, como na elaboração e condução de um cuidado mais direcionado, abordando as necessidades dos usuários, como a formação de grupos de ajuda, realização de atividades que auxiliem os usuários a perceberem o vício como nocivo e atividades de entretenimento. É imprescindível também inserir a família no cuidado, já que é para ela que os usuários retornam após o tratamento. Nesse sentido, é necessário ficar atento ao acompanhamento do usuário após a saída da comunidade terapêutica, encaminhando-o para um apoio ambulatorial com auxílio médico, psicológico e social.

A partir dos resultados do estudo, ressalta-se a importância da realização de pesquisas por meio de outras abordagens, da limitação de um estudo qualitativo. Sugere-se ainda que a assistência aos usuários de drogas seja enfaticamente abordada na formação do enfermeiro, para que ele possa estar instrumentalizado a prestar um cuidado mais integral, humanizado e efetivo.

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