Percepção dos usuários sobre acesso aos medicamentos na atenção primária

Percepção dos usuários sobre acesso aos medicamentos na atenção primária

Autores:

Ernani Tiaraju de Santa Helena,
Silvia Escarlate Andersen,
Sergio Mauricio Menoncin

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.23 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2015 Epub 06-Out-2015

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462X201500030068

ABSTRACT

This study aims to evaluate the access to medicines in primary care from the users’ insights. This is a cross-sectional study with 692 primary care users interviewed, in Blumenau, Santa Catarina, 2010. We studied variables that represent some dimensions of access regarding the two primary care modes. Associations were tested using Chi- square test and Student t-test. Most were female (78%), with a mean age of 43.3 years and took on average 2.6 drugs. Seventy five percent (75%) had access to medicines. The average waiting time was 3 minutes and dispensing time was 2 minutes. Users assisted by Family Health Strategy were older (26.8% vs. 18.5%, p < 0.0001), with lower education (74.6 vs. 60.9, p < 0.01), took more drugs on average (3.0 vs. 2.2, p < 0.0001), stored less medicines at home (37,2% vs 63,5%, p < 0.0001) compared to those in the General Ambulatory. However, they received less information on how to get non-available medicines (56,9% vs 90,1%, p < 0.0001), but more information about possible drug interactions (13.6% vs. 6.6%, p < 0.005) and adverse drugs reactions (23.5% vs. 11.9%, p < 0.0001). The evaluation of medicines access may provide support to improve professional practices in different types of primary care.

Keywords:  health services accessibility; drug utilization; good dispensing practices; pharmaceutical services

INTRODUÇÃO

Falhas no ciclo da Assistência Farmacêutica (AF), compreendidas entre a seleção, programação, aquisição, armazenamento e distribuição, podem comprometer o resultado final da cadeia, que é o recebimento do medicamento pelo usuário1. A falta de acesso aos medicamentos permanece como um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS) e pode comprometer o tratamento clínico, assim como aumentar gastos com consultas especializadas e internações2-4.

O conceito de acesso aos medicamentos pode ser entendido simplesmente como a obtenção do medicamento do qual se necessita. De modo mais detalhado, pode-se afirmar que há garantia de acesso quando os medicamentos essenciais podem ser obtidos dentro de uma distância razoável, estão disponíveis em unidades de saúde e são financeiramente acessíveis5. A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs que o acesso seja estudado em suas diversas dimensões: disponibilidade física, acesso geográfico, capacidade aquisitiva, aceitabilidade e qualidade dos produtos e dos serviços6.

A garantia do acesso é particularmente importante no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), pois esta se caracteriza como porta de entrada para todas as necessidades e problemas de saúde mais comuns da comunidade, oferecendo serviços de prevenção, cura e reabilitação (aqui incluso os medicamentos), de modo a possibilitar a ampliação das condições de saúde e bem-estar da população7,8. Estudos nacionais mostram que o acesso a medicamentos na APS variam de 61,09 a 81,2% entre adultos e 87,0% entre idosos assistidos4, chegando a 90,0% dos medicamentos prescritos nas Estratégias Saúde da Família (ESF), nas quais são obtidos sem custos diretos pelos usuários10.

A APS pode variar no modo como está organizada, de acordo com as necessidades de cada região. Em Blumenau, cidade com pouco mais de 300 mil habitantes, localizada em Santa Catarina, a APS é ofertada à população usuária do SUS em duas modalidades de serviço: de um lado, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), com uma ou até três equipes de ESF; de outro, unidades de maior porte, chamadas de “Ambulatórios Gerais” (AG). As UBS são compostas por equipes de ESF e contam com um médico, uma enfermeira, dois técnicos de enfermagem e até seis agentes comunitários de saúde. Os AG são compostos por vários profissionais, entre eles médicos (clínicos, pediatras, gineco-obstetras), pessoal de enfermagem, psicólogos e assistentes sociais. Ambos os modelos de serviço possuem equipes de saúde bucal. Tanto as UBS como os AG contam com farmácias (uma por unidade), mas na primeira modalidade não há a presença do profissional farmacêutico.

Avaliar os serviços em geral e a assistência farmacêutica em particular se coloca como uma prática essencial para a melhoria do sistema de saúde. Vários estudos publicados avaliam a qualidade da assistência farmacêutica no SUS, do ponto de vista do profissional farmacêutico ou do serviço de saúde como um todo11,12. No entanto, a avaliação da qualidade a partir da percepção dos usuários revela peculiaridades que podem passar despercebidas ou ser pouco valorizadas pelos gestores e pela equipe de saúde13,14. Dessa forma, conhecer como os usuários avaliam o acesso aos medicamentos compõe uma base fundamental para que se possa repensar as práticas profissionais e intervir sobre a forma de organização dos serviços, com foco em sua melhoria.

Este estudo tem como objetivo avaliar o acesso aos medicamentos em duas modalidades de serviço de APS a partir da perspectiva dos usuários.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo epidemiológico observacional tipo seccional, cuja população de estudo foi composta por pessoas atendidas nas farmácias das unidades de saúde de atenção primária de Blumenau/SC.

O plano amostral foi realizado em dois estágios. Primeiramente, foi feita uma amostragem aleatória das unidades de saúde, sendo 44 UBS (que alocam 50 ESF) e 7 AG. Dessa amostra foram sorteadas 11 UBS (25%) e 3 AG (cerca de 25%), de modo a permitir uma distribuição amostral nas diversas regiões do município. A seguir, foi calculado o tamanho da amostra de usuários, que deveria ser capaz de estimar uma proporção de 40%, com precisão de 5%, intervalo de confiança de 95% e efeito desenho igual a 2, totalizando 738 pessoas. Esse total foi estratificado proporcionalmente pelo número total de usuários assistidos pelas unidades sorteadas.

A amostra foi obtida por conveniência. Os entrevistadores foram às farmácias das unidades sorteadas em dias úteis e horários variados, no período entre março a junho de 2010, e convidaram, de maneira sequencial, os usuários que compareceram às farmácias a participar do estudo. Aqueles que concordaram foram incluídos na amostra e entrevistados após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os entrevistadores foram previamente treinados, e os dados, registrados em questionários estruturados e predominantemente fechados.

As características sociodemográficas dos usuários foram definidas pelas seguintes variáveis: idade (em anos completos), sexo, cor autorreferida, estado civil, escolaridade (em anos de estudo completos), status ocupacional (definida pela inserção no mercado de trabalho), classe econômica de consumo15 e tipo de unidade em que buscou medicamento (AG ou UBS).

As variáveis relativas aos medicamentos foram: número de medicamentos em uso e medicamentos de uso contínuo (por 30 dias ou mais).

O acesso aos medicamentos foi avaliado em três dimensões, como proposto por Donabedian16:

    -. estrutura: perguntou-se ao usuário o número de medicamentos não obtidos e o motivo da não obtenção;

    -. processo: foi perguntado ao usuário o tempo de espera e o tempo de duração do atendimento na farmácia (em minutos), se recebeu informação por parte da equipe de saúde sobre como obter seus medicamentos (quando não disponíveis na unidade), como guardá-los, sua finalidade, como utilizá-los, suas possíveis interações medicamentosas e reações adversas. Para estimar a quantidade de informação que o usuário relatou receber, foi constituída uma variável sintética dada pela soma de respostas, em que 0 correspondia a pior situação (nenhuma informação recebida), e 5, a melhor situação (recebeu informação de todos os assuntos).

    -. resultado: foi perguntado sobre transporte do medicamento até a casa, se ocorreu perda dos medicamentos, cômodo da casa em que guardava o medicamento, se mantinha estoque domiciliar de medicamentos não utilizados, adesão ao tratamento com medicamentos de uso contínuo (estimada por meio de questionário validado17) e se já teve que interromper o tratamento por falta de medicamento (não adesão involuntária).

Todos os questionários foram revisados por supervisor de campo para verificar inconsistências ou ausência de informação. Os dados foram armazenados em banco de dados do aplicativo Epidata (domínio público), com digitação de dupla entrada e submetidos à validação posterior para controle de qualidade.

Inicialmente, as variáveis foram analisadas de maneira descritiva, por meio de cálculo de frequências, com os respectivos intervalos de confiança de 95%, medidas de tendência central (média e mediana) e variabilidade (desvio-padrão e intervalo interquartílico).

Foi testada a associação entre as características sociodemográficas dos usuários e as variáveis de acesso com o tipo de unidade (AG ou UBS). Para tais procedimentos, foram utilizados os testes de qui-quadrado ou teste exato de Fischer para proporções e t de Student para comparação de médias, com um nível de significância de p<0,05.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética na Pesquisa em Seres Humanos da Fundação Universidade Regional de Blumenau (Parecer n. 031/2011).

RESULTADOS

Do total previsto, ocorreram 27 recusas (3,7%). Foram entrevistadas 711 pessoas, das quais 19 foram excluídas do estudo por problemas nas respostas (respostas incompletas ou inconsistentes).

O tamanho final da amostra foi de 692 pessoas. Predominaram indivíduos do sexo feminino (78,0%). A média de idade foi de 43,3 anos (dp=19,2), com maioria na faixa etária entre 20 e 59 anos (65,8%), seguida por 60 anos ou mais (21,8%). Os casados ou em união estável corresponderam a 56,1% da amostra. Quanto à escolaridade, os indivíduos tinham em média sete anos completos de estudo (dp=3,6). A maioria dos entrevistados se encontrava fora do mercado de trabalho (51,1%), incluindo desempregados, aposentados e os que recebiam auxílio-doença. Segundo critérios da ABEP15 56,2% dos entrevistados pertenciam à classe econômica de consumo C. As características sociodemográficas das pessoas, por tipo de unidade de APS, são apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Distribuição de frequência da população estudada de acordo com as características sociodemográficas e modalidades assistenciais, Blumenau, Santa Catarina, 2010 

Variáveis Total AG ESF
N (%) N (%) N (%) p
Sexo (n=692)*
Feminino 152 (22,0) 351 (15,6) 189 (31,5)
Masculino 540 (78,0) 65 (84,4) 87 (68,5) <0,0001
Idade em anos (n=692)*
0 -| 12 31 (4,5) 10 (2,4) 21 (7,6)
12 -| 19 55 (7,9) 39 (9,4) 16 (5,8)
20 -| 59 455 (65,8) 290 (69,7) 165 (59,8)
60 e mais 151 (21,8) 77 (18,5) 74 (26,8) <0,0001
Estado civil (n=690)
Casado/união estável 387 (56,1) 230 (55,3) 157 (57,3)
Solteiro 181 (26,2) 115 (27,6) 66 (24,1)
Separado 49 (7,1) 30 (7,2) 19 (6,9)
Viúvo 73 (10,6) 41 (9,9) 32 (11,7) 0,69
Raça/cor autorreferida (n=688)*
Branca 561 (81,5) 354 (85,7) 207 (75,3)
Preta/parda 112 (16,3) 52 (12,6) 60 (21,8)
Outra 15 (2,2) 7 (1,7) 8 (2,9) <0,01
Escolaridade (n=671)*
0 27 (4,0) 7 (1,7) 20 (7,6)
1 a 4 211 (31,5) 100 (24,6) 111 (42,0)
5 a 8 207 (30,9) 141 (34,6) 66 (25,0)
9 a 11 185 (27,6) 124 (30,5) 61 (23,1)
12 ou mais 41 (6,0) 35 (8,6) 6 (2,3) <0,01
Status ocupacional (n=686)**
Empregado 269 (39,2) 178 (42,9) 91 (33,6)
Empregador 9 (1,3) 8 (1,9) 1 (0,4)
Autônomo 58 (8,4) 40 (9,60 18 (6,6)
Auxílio-doença 26 (3,8) 12 (2,9) 14 (5,2)
Aposentado 161 (23,5) 80 (19,3) 81 (29,8)
Desempregado 163 (23,8) 97 (23,4) 66 (24,4) <0,01
Classe econômica de consumo (n=692)
A 4 (0,6) 1 (0,4) 3 (0,7)
B 225 (32,5) 81 (29,4) 144 (34,6)
C 389 (56,2) 162 (58,9) 227 (54,4)
D/E 74 (10,7) 31 (11,3) 43 (10,3) 0,49

*Teste de qui-quadrado;

**Teste exato de Fischer

A Tabela 2 apresenta resultados referentes à população estudada de acordo com as características de utilização de medicamentos e da estrutura de acesso e modalidades assistenciais. Os usuários utilizavam em média 2,6 medicamentos (dp=1,7), sendo essa média menor entre os usuários dos AG, quando comparada com os das UBS (2,2 e dp=1,5 vs 3,0 e dp=1,9, respectivamente; t=6,05; p<0,0001). Os usuários que faziam uso de medicamentos contínuos corresponderam a 54,9% da amostra, padrão semelhante em ambos os tipos de unidade. Cerca de 25,0% dos indivíduos não obtiveram todos os medicamentos que lhe foram prescritos, dos quais 77,2% não tiveram acesso a pelo menos um medicamento. Os principais motivos da não obtenção foram “o medicamento não é fornecido pelo SUS” (42,5%) e a “ausência do medicamento no estoque da farmácia” (40,7%).

Tabela 2 Distribuição de frequência da população estudada de acordo com as características de utilização de medicamentos e da estrutura de acesso e modalidades assistenciais, Blumenau, Santa Catarina, 2010 

Variável Total AG ESF
N (%) N (%) N (%) p
Número de medicamentos em uso (n=692)**
1 233 (33,7) 174 (41,8) 59 (21,4)
2 171 (24,7) 61 (24,3) 70 (25,4)
3 128 (18,5) 62 (14,9) 66 (23,9)
4 ou mais 160 (23,1) 79 (19,0) 81 (29,3) <0,01
Faz uso de medicação de uso contínuo (n=692)*
Sim 380 (54,9) 226 (54,3) 154 (55,8)
Não 312 (45,1) 190 (45,7) 122 (44,8) 0,70
Acesso aos medicamentos (n=692)*
Sim 525 (75,9) 314 (75,5) 211 (76,5)
Não 167 (24,1) 102 (24,5) 65 (23,5) 0,77
Número de medicamentos não obtidos (n=167)**
1 129 (77,2) 81 (79,4) 48 (73,8)
2 28 (16,8) 16 (15,7) 12 (18,5)
3 ou mais 10 (6,0) 5 (4,9) 5 (7,7) 0,65
Motivo do não acesso aos medicamentos (n=167)**
Em falta no estoque 68 (40,7) 44 (43,1) 24 (36,9)
SUS não fornece 71 (42,5) 46 (45,1) 25 (38,5)
Não sabe/não lembra 14 (8,4) 6 (5,9) 8 (12,3)
Outro 14 (8,4) 6 (4,9) 8 (12,3) 0,19

*Teste de qui-quadrado;

**Teste exato de Fischer

Os dados referentes ao processo são apresentados na Tabela 3. A mediana de tempo de espera para ser atendido nas farmácias das unidades foi de 3 minutos (quartil 1=1minuto e quartil 3=5 minutos), enquanto a duração do processo de dispensação teve mediana de 2 minutos (quartil 1=1 minuto e quartil 3=3 minutos). Dentre aqueles que não obtiveram seus medicamentos, a maioria obteve informação sobre como consegui-lo (77,1%). A maior parte dos indivíduos foi informada da finalidade dos medicamentos (78,7%) e pouco menos da metade foi informada sobre a melhor maneira de tomá-los (45,9%). No entanto, apenas 9,3% foram informados sobre possíveis interações medicamentosas, 16,5%, sobre reações adversas, e 27,3%, sobre como guardar seus medicamentos. A análise da quantidade total de informação obtida pelo usuário nos diferentes modelos de atenção primária (variável sintética) revelou que, nas unidades de ESF, o somatório foi maior do que o observado nos AG (2,0 e dp=1,4 vs 1,6 e dp=1,1, respectivamente; t=4,32; p<0,0001).

Tabela 3 Distribuição de frequência da população estudada de acordo com características do processo do acesso e modalidades assistenciais, Blumenau, Santa Catarina, 2010 

Variáveis Total
N (%)
AG
N (%)
ESF
N (%)
p
Tempo de espera (n=692)*
0 a 1 min 235 (34,0) 129 (31,0) 106 (38,4)
2 a 3 min 173 (25,0) 115 (27,6) 58 (21,0)
4 a 5 min 151 (21,8) 94 (22,6) 57 (20,7)
6 min ou mais 133 (19,2) 78 (18,8) 55 (19,9) 0,11
Duração do atendimento na farmácia (n=692)*
0 a 1 min 327 (47,3) 203 (48,8) 124 (44,9)
2 min 170 (24,5) 92 (22,1) 78 (28,3)
3 min ou mais 195 (28,2) 121 (29,1) 74 (26,8) 0,18
Obteve informação sobre para que servem os medicamentos (n=691)*
Sim 544 (78,7) 325 (78,1) 219 (79,5)
Não 147 (21,3) 90 (21,9) 57 (20,5) 0,70
Obteve informação sobre como guardar os medicamentos (n=690)*
Sim 188 (27,3) 79 (19,0) 109 (39,9)
Não 502 (72,7) 337 (81,0) 165 (60,1) < 0,01
Obteve informação sobre como tomar os medicamentos (n=688)*
Sim 316 (45,9) 186 (44,7) 130 (47,8)
Não 372 (54,1) 230 (55,3) 142 (52,2) 0,43
Obteve informações sobre interações medicamentosas (n=665)*
Sim 62 (9,3) 27 (6,6) 35 (13,6)
Não 603 (90,7) 381 (93,4) 222 (86,4) 0,01
Obteve informações sobre efeitos adversos (n=677)*
Sim 112 (16,5) 48 (11,9) 64 (23,5)
Não 565 (83,5) 357 (88,1) 208 (76,5) <0,01
Informação sobre como conseguir medicamentos
não entregues (n=166)*
Sim 128 (77,1) 91 (90,1) 37 (56,9)
Não 38 (22,9) 10 (9,9) 28 (43,1) <0,0001

*Teste de qui-quadrado

Na Tabela 4, são apresentadas informações sobre o resultado do acesso. A maioria dos usuários relatou transportar seus medicamentos em bolsa ou sacola que trazem de casa (77,0%) e menos de 1% já perdeu seus medicamentos durante o transporte. A maioria informou que guarda seus medicamentos na cozinha (53,6%), 19,2% tiveram que interromper pelo menos uma vez seu tratamento devido à falta de medicamentos e 42,4% não aderiram ao tratamento.

Tabela 4 Distribuição de frequência da população estudada de acordo com características do resultado do acesso e modalidades assistenciais, Blumenau, Santa Catarina, 2010 

Variável Total AG ESF
N (%) N (%) N (%) p
Transporte (n=692)*
Mão 60 (8,7) 26 (6,3) 34 (12,3)
Bolso 56 (8,1) 30 (7,2) 26 (9,4)
Sacola/bolsa de casa 533 (77,0) 352 (84,6) 181 (65,6)
Sacola/bolsa da farmácia 43 (6,2) 8 (1,9) 35 (12,7) <0,01
Perda (n=691)**
Sim 6 (0,9) 1 (0,2) 5 (1,8)
Não 685 (99,1) 415 (99,8) 270 (98,2) 0,04
Cômodo em que guarda (n=692)
Sala 47 (6,8) 28 (6,7) 19 (6,9)
Quarto 222 (32,1) 138 (33,2) 84 (30,4)
Cozinha 371 (53,6) 219 (52,6) 152 (55,1)
Banheiro 7 (1,0) 5 (1,2) 2 (0,7)
Outro/mais de um cômodo 45 (6,5) 26 (6,3) 19 (6,9) 0,97
Estoque de medicamentos não utilizados (n=688)*
Sim 365 (53,1) 263 (63,5) 102 (37,2)
Não 323 (46,9) 151 (36,5) 172 (62,8) <0,01
Parou de tomar medicamentos por falta no estoque (n=380)
Nunca 311 (80,8) 178 (78,8) 130 (84,4)
Pelo menos 1 vez 74 (19,2) 48 (21,2) 24 (15,6) 0,17
Adesão ao tratamento (n=375)
Sim 216 (57,6) 133 (59,4) 83 (55,0)
Não 159 (42,4) 91 (40,6) 68 (45,0) 0,40

*Teste de qui-quadrado;

**Teste exato de Fischer

DISCUSSÃO

A ESF foi implantada originariamente como Programa Saúde da Família (PSF) em 1994 e, desde então, tem sido parte da política de reorientação das redes de atenção à saúde no Brasil como eixo estruturante da reorganização e qualificação da atenção básica7. Em junho de 2010, estavam implantadas 39.283 equipes em 5.272 municípios, atingindo uma cobertura populacional de 51,7%. Entre suas principais características, está a atuação multiprofissional, fundamentada na interdisciplinaridade e na responsabilidade integral sobre a saúde da população que reside nas áreas de abrangência das unidades de saúde8. No entanto, ainda persiste a oferta de outras modalidades de serviços de APS, que se colocam como porta de entrada do sistema de saúde e têm sido alvo de avaliações comparadas à ESF18-20.

Nesse contexto, no que tange aos medicamentos, vários estudos avaliaram a qualidade dos serviços, utilizando-se de instrumentos voltados ao profissional ou de observação direta, e tomam por referência indicadores padronizados internacionalmente12,21,22. Há também instrumentos utilizados para avaliar a qualidade da assistência na atenção primária, nos quais os aspectos relativos aos medicamentos aparecem centrados no acesso e na segurança do armazenamento23. Mais recentemente, os instrumentos do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade já incluem dimensões da AF no seu processo avaliativo24,25.

Segundo a OMS, os medicamentos ditos essenciais são aqueles que atentem às necessidades de atenção à saúde da maioria da população. O acesso a esses medicamentos é um dos principais propósitos da assistência farmacêutica1,2 e representa um dos principais desafios do SUS, em especial nos municípios mais carentes26. Estudo nacional com dados de 383.812 UBS constatou que a disponibilidade média de medicamentos foi de 55,8%25. No entanto, estudos realizados em diferentes municípios grandes e médios apresentaram resultados um pouco melhores. Bernardi et al.27 verificaram 78,0% de acesso aos medicamentos em UBS, pouco abaixo do valor descrito por Cunha et al.28, que foi de 80,7%. Em outro estudo, realizado em 15 UBS de Brasília, constatou-se que foram dispensados apenas 61,2% dos medicamentos prescritos em receita de 450 usuários9, enquanto em Minas Gerais a disponibilidade de medicamentos nas unidades básicas foi em média de 81,0%29. O presente estudo apresentou índice de 75,0% de medicamentos dispensados, valor que se mostra consistente com achados em outros municípios de médio e grande porte. Não se observou diferenças quanto ao acesso entre as modalidades estudadas, o que pode ser explicado, ao menos em parte, pelo fato de ambas as modalidades serem atendidas pela mesma coordenação de assistência farmacêutica, responsável pelo processo de seleção, aquisição e distribuição dos medicamentos.

Dentre os motivos para não se obter medicamentos, 42,5% se devem à prescrição de medicamentos que não são fornecidos pelo SUS. A escolha do medicamento é uma prerrogativa do prescritor. Contudo, ações educativas de divulgação/valorização dos medicamentos essenciais voltadas aos prescritores devem ser estimuladas como parte da estratégia para melhorar o acesso2.

O número de medicamentos em uso por usuário foi semelhante ao observado em outros estudos4,21,22,27,28. Os usuários de AG consumiam em média menos medicamentos que usuários das ESF e nesta última modalidade havia maior proporção de usuários que consumiam quatro ou mais medicamentos. O consumo de medicamentos pode ser explicado em parte pela característica da amostra estudada, que foi composta, em sua maioria, por indivíduos do sexo feminino, entre 20 e 59 anos, com primeiro grau incompleto. Essas características assemelham-se às encontradas em outros estudos realizados entre usuários do SUS4,9,12,21,22. Contudo, observa-se que a amostra atendida nas UBS, que tinham equipes de ESF, apresentava maior proporção de pessoas em situação de vulnerabilidade (crianças e idosos, pessoas de cor preta e de baixa escolaridade).

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) preconiza que o farmacêutico disponha de pelo menos um auxiliar e atenda 150 prescrições em 8 horas, correspondendo a 3 minutos por paciente destinados à orientação farmacêutica30. O tempo médio de atendimento na farmácia, de 2 minutos, não mostrou uma associação com o tipo de unidade estudada (AG ou ESF). No entanto, mostrou-se superior ao encontrado por outros estudos que abordaram os usuários da atenção primária do SUS. Marcondes31 encontrou um tempo médio de 1,46 minuto. Chaves et al.32 encontraram, em seu estudo, um tempo médio de 1 minuto e 14 segundos, ressaltando a ausência do profissional farmacêutico como uma possível justificativa pelo curto tempo de dispensação32. O presente estudo não foi capaz de confirmar tal hipótese, visto que a presença do profissional farmacêutico nos AG não interferiu no tempo de dispensação. Isso se deve, talvez, pelo fato de o profissional farmacêutico, quando presente, tenha parte do seu tempo ocupado mais com a tecnologia de gestão do que com tecnologia do uso do medicamento. As necessidades colocadas pelo gestor municipal e as possíveis falhas na formação do profissional farmacêutico, que não é voltada para a gestão do cuidado ao paciente, podem estar associadas a essa “preferência” pela gestão. Apesar da tendência dos últimos anos de o ensino farmacêutico ter se voltado para a atenção farmacêutica e suas variantes, o profissional atuante no mercado pode não se sentir preparado para ações de cuidado à saúde.

O uso de sistemas de gestão informatizados pode auxiliar na automatização das atividades administrativas realizadas pelo farmacêutico e contribuir para um redirecionamento das atividades do farmacêutico voltadas para o cuidado dos pacientes. Nesse sentido, o Ministério da Saúde lançou em 2009 um sistema on-line de gestão de assistência farmacêutica, o Hórus, que permite o controle de estoque, rastreio e controle farmacoepidemiológico dos medicamentos dispensados aos usuários nas três esferas do SUS33. Recentemente, o município de Blumenau/SC desenvolveu, em parceria com a Universidade Regional de Blumenau, um sistema informatizado de gestão, o “PRONTO!”, que tem auxiliado no processo de gestão da AF, desde o nível central até as unidades de saúde34.

A dispensação é um processo complexo que envolve não apenas a entrega do medicamento ao usuário por parte do profissional farmacêutico, mas prevê desde seu acolhimento até o fornecimento de informações que possam contribuir para uma melhor utilização dos medicamentos35. Apesar de não contar com profissional farmacêutico, uma maior proporção de usuários das ESF relatou receber informação acerca de como guardar seus medicamentos, sobre possíveis interações e reações adversas, em comparação aos usuários dos AG. Orientar o usuário com o objetivo de produzir conhecimento sobre seu tratamento configura um ato complexo. Por isso se faz necessária uma relação de confiança entre aquele que entrega o medicamento e o usuário, o que facilita o diálogo. Talvez o diferencial nesse aspecto seja o maior vínculo que se estabelece entre os profissionais de saúde com os usuários dentro das ESF, resultante da longitudinalidade do cuidado. Pepe e Castro36 afirmam que promover a compreensão do usuário sobre o medicamento que lhe é prescrito pode influenciar positivamente no valor que este confere ao seu tratamento12,36.

Com relação aos possíveis resultados do processo de acesso, ao se tomar a variável adesão como “proxy” do cuidado, constatou-se uma não adesão involuntária (interrupção do tratamento pelo menos uma vez por falta de medicamentos no estoque) de 20,0%. Contudo, garantir o acesso por si só não assegura a adesão, posto que o comportamento dos usuários não é determinado somente pelos serviços.

A maioria dos usuários relatou ter em casa medicamentos que não estão em uso. Segundo estudo de Schenkel et al.37, 74,3% dos medicamentos fora de uso e estocados em domicílio estavam fora do prazo de validade. Esses dados sugerem um desconhecimento dos usuários acerca dos riscos inerentes ao uso de medicamentos vencidos e mal estocados37.

Poucos usuários relataram perda do medicamento e muitos referiram transportá-los em sacola ou em bolsa que trazem consigo. Isso denota o cuidado que os usuários têm com os medicamentos que lhe são entregues. Entretanto, o número de usuários que carrega o medicamento na mão ou no bolso corresponde ao triplo daqueles que receberam da farmácia das unidades de saúde um meio para transportá-los (sacola ou bolsa). Se a farmácia promovesse esse tipo de cuidado, possivelmente haveria uma redução ainda maior dessas perdas. Não foram encontrados estudos, até o momento, que forneçam dados semelhantes para uma possível comparação dessas variáveis.

Este estudo apresenta algumas limitações. Trata-se de um estudo transversal, o que não permite estabelecer possíveis associações causais. Outra possível limitação se deve ao fato de se ter uma amostra por conveniência, que pode gerar um viés de seleção. Contudo, o perfil dos usuários se mostrou semelhante ao obtido em outros estudos com usurários da APS que tiveram amostragens aleatórias. Outro problema se refere ao período limitado de coleta de dados de quatro meses, que pode ter ocasionado uma sazonalidade em parte das prescrições. Por se tratar de um inquérito, as variáveis de estudo não foram medidas pelos pesquisadores, mas relatadas com base na percepção dos entrevistados, o que pode gerar um viés de aferição. Por fim, sabe-se que a avaliação de serviços em saúde requer estudos quanti e qualitativos com múltiplas abordagens que envolvam gestores e profissionais de saúde – que não participaram deste estudo. Contudo, ao privilegiar o usuário como participante do processo avaliativo, o estudo traz novas contribuições sobre sua visão.

CONCLUSÕES

O acesso a medicamentos consiste na primeira etapa de uma assistência farmacêutica de qualidade. Apesar de apresentar o acesso a 75,0% dos medicamentos, o processo de acesso aos medicamentos essenciais precisa ser melhorado, em especial no que se refere aos cuidados farmacêuticos, de modo a obter resultados melhores (maior adesão e menor quantidade de estoque domiciliar).

As farmácias dos serviços de atenção primária, independente da modalidade, devem dispor de equipe plenamente capacitada, gerenciada e liderada por profissional farmacêutico, comprometida com o diálogo acerca dos medicamentos, a fim de promover seu uso racional. Destaca-se, portanto, a importância da comunicação entre usuários e a equipe de profissionais de saúde como ferramenta fundamental para melhoria das práticas assistenciais.

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