Percepções sobre a saúde dos homens numa perspectiva relacional de gênero, Brasil, 2014

Percepções sobre a saúde dos homens numa perspectiva relacional de gênero, Brasil, 2014

Autores:

Erly Catarina de Moura,
Romeu Gomes,
Georgia Martins Carvalho Pereira

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.1 Rio de Janeiro jan. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017221.17482015

Introdução

Os primeiros estudos acerca da saúde dos homens surgiram no final dos anos 70 do século passado, nos Estados Unidos. Tais estudos praticamente centravam-se nos riscos para a saúde1. Nos anos 90 desse mesmo século, o assunto ganhou novas abordagens e, dentre elas, destacou-se a que procura focalizar a saúde e a doença entre segmentos masculinos numa perspectiva relacional de gênero2,3.

No campo da produção do conhecimento sobre a temática em questão, sobressai-se a revisão de McKinlay4, realizada na Nova Zelândia. Nesse estudo, as diferenças entre os gêneros – no que se refere à morbidade, mortalidade e expectativa de vida – podem ser explicadas a partir de especificidades biológico-genéticas de homens e mulheres; de diferenças e desigualdades sociais; distintas expectativas sociais de homens e mulheres; de busca e uso de serviços de saúde por parte dos homens; e de cuidados de profissionais de saúde voltados para homens.

No Brasil, em termos de produção bibliográfica sobre o assunto, como marco ressalta-se o número especial do periódico Ciência & Saúde Coletiva publicado em 2005. No editorial desse número temático, dentre outros aspectos, assinalava-se a necessidade de se aprofundar as relações entre ideologias hegemônicas de masculinidade e processo saúde-doença, para que a saúde de homens e mulheres fosse promovida5.

Outro marco brasileiro importante foi o lançamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem pelo Ministério da Saúde, objetivando promover ações de saúde voltadas para a realidade singular masculina nos seus diversos contextos socioculturais e político6

No âmbito da discussão sobre a saúde do homem, há estudos que enfocam a necessidade de tratar o assunto numa perspectiva relacional de gênero5,7. Isso significa que os modelos de gênero se constroem em uma inter-relação, assim o que é visto culturalmente como masculino só faz sentido a partir do feminino e vice-versa8. O adjetivo “relacional” não se confunde com “complementar”. Tal categoria é instauradora e reprodutora de assimetrias de poder7. As percepções sobre a saúde dos homens podem ser vistas como uma síntese da interação entre percepções masculinas e femininas, num contexto de assimetrias.

As percepções acerca da saúde – aqui entendidas como interpretações que os sujeitos fazem sobre a sua própria saúde ou sobre a dos outros – têm sido utilizadas em inquéritos em larga escala.

Elas têm sido entendidas como um importante indicador para, dentre outros aspectos, acessar como os indivíduos percebem seu bem-estar9 e compreender a situação de saúde de populações10. As percepções individuais também têm sido associadas a estudos de autoavaliação da saúde11. Em termos epidemiológicos tais estudos, apesar de possuírem limites, principalmente em termos de mensuração, têm poder preditivo para a mortalidade entre diversos grupos socioeconômicos12.

A partir dessas considerações iniciais, neste estudo objetiva-se analisar percepções masculinas e femininas sobre a saúde de homens e o acesso desses sujeitos aos serviços de saúde. A análise das diferenças e convergências de percepções de homens e mulheres pode trazer subsídios para uma compreensão ampliada da saúde de homens numa perspectiva relacional de gênero.

Métodos

Estudo transversal foi desenvolvido em 2014 junto a uma amostra aleatória de homens entre 20 e 59 anos de idade, usuários do Sistema Único de Saúde, residentes nas capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal, por meio de entrevista telefônica.

O tamanho da amostra foi calculado tendo como parâmetro a presença de 45,7% dos pais durante o parto13, com erro de 5% e intervalo de confiança de 95%, o que determinou um total de 3.810 entrevistas para o conjunto das capitais de estados brasileiros e Distrito Federal, que concentram a maioria da população adulta.

Por se tratar de pesquisa telefônica, o termo de consentimento foi substituído pelo consentimento verbal obtido por ocasião dos contatos telefônicos com os entrevistados, tendo sido o projeto “Os cuidados masculinos voltados para a saúde sexual, a reprodução e a paternidade a partir da perspectiva relacional de gênero”14 aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa para Seres Humanos do Ministério da Saúde do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira da Fundação Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro.

Para este estudo foram utilizadas variáveis sociodemográficas e percepção do serviço de saúde, situação e cuidado de saúde.

As variáveis sociodemográficas foram: região de moradia, idade, escolaridade, raça/cor, religião, estado conjugal e inserção no mercado de trabalho. Região foi categorizada em Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste; a idade em quatro faixas etárias: 20 a 29, 30 a 39, 40 a 49 e 50 a 59 anos; escolaridade em três faixas: < 9, 9 a 11 e ≥ 12 anos de estudo; raça/cor em branca, parda, preta, amarela e indígena; religião em não e sim. Estado conjugal foi categorizado em união não estável e união estável; inserção no mercado de trabalho em não e sim.

As variáveis de saúde foram: percepção da população priorizada nas unidades básicas de saúde, presença de alguma doença ou problema de saúde, ocorrência e local de tratamento, motivo da não busca de tratamento. As respostas foram abertas e codificadas a posteriori. Avaliou-se também a percepção quanto à forma que os serviços de saúde atendem aos homens e o autocuidado do homem com sua própria saúde, ambas com as seguintes alternativas: muito bem, bem, regular, mal e muito mal.

Explorou-se ainda a associação entre as variáveis sociodemográficas (independentes) e a não busca de atendimento (variável dependente) na presença de algum problema de saúde em homens e mulheres; e entre as variáveis sociodemográficas (independentes) e autocuidado bom e muito bom (variável dependente) na ótica dos homens. Utilizou-se regressão de Poisson para o cálculo das razões de prevalência, brutas e ajustadas.

As estimativas foram calculadas considerando-se o caráter complexo da amostra, utilizando-se dois fatores de ponderação pós-estratificação. O primeiro fator (razão) foi dado pela razão entre a frequência relativa de indivíduos identificada no Censo Demográfico de 2010 e a frequência relativa identificada neste estudo, segundo 24 categorias resultantes da estratificação por sexo (masculino e feminino), faixa etária (20–29, 30–39, 40–49 e 50–69 anos de idade) e nível de escolaridade (< 9, 9–11 e ≥ 12 anos de escolaridade), tendo como finalidade igualar a composição sociodemográfica. O segundo fator (fração amostral) foi a razão entre o total de moradores adultos de cada região e o total neste estudo com a finalidade de corrigir as diferenças entre o contingente populacional de cada região e a população estudada. O fator final de ponderação para a população total foi o resultado da multiplicação destes dois fatores e para cada região apenas a razão. Assim, os dados foram expandidos para representar cerca de 12 milhões de homens e cerca de 14 milhões de mulheres residentes nas localidades avaliadas.

Os dados foram processados no aplicativo Stata, levando em conta as especificidades de homens e mulheres, considerando nível de significância de 5% (p < 0,05) e intervalo de confiança de 95% (IC95%) na comparação entre os sexos, bem como a representatividade de cada entrevistado no conjunto da população adulta avaliada.

Resultados

Foram concluídas 3.885 entrevistas, sendo 1.894 com homens e 1.991 com mulheres, não havendo diferença quanto à maioria das características sociodemográficas avaliadas (Tabela 1). Apenas religião e inserção no mercado de trabalho mostraram-se diferentes: mais mulheres têm religião e mais homens estão inseridos no mercado de trabalho.

Tabela 1 Distribuição* (%) e Intervalo de Confiança de 95% (IC95%) de homens e mulheres segundo características sociodemográficas. Brasil, 2014. 

Características sociodemográficas Homens Mulheres
% IC95% n IC95%
Região de moradia Norte 9,9 (8,8–11,1) 8,3 (7,4–9,3)
Nordeste 25,1 (22,6–27,6) 22,7 (20,4–25,0)
Sudeste 48,4 (45,2–51,7) 53,7 (50,7–56,7)
Sul 7,3 (6,4–8,2) 6,9 (6,1–7,7)
Centro-Oeste 9,2 (8,1–10,3) 8,4 (7,4–9,3)
Idade (anos) 20 a 29 27,4 (24,5–30,3) 27,0 (24,3–29,8)
30 a 39 30,1 (27,2–33,0) 28,8 (26,1–31,5)
40 a 49 24,3 (21,6–27,1) 24,0 (21,4–26,5)
50 a 59 18,1 (15,5–20,7) 20,2 (17,5–22,9)
Escolaridade (anos) < 9 39,7 (36,4–43,1) 37,9 (34,6–41,1)
9 a 11 38,5 (35,5–41,5) 40,5 (37,6–43,5)
≥ 12 21,7 (19,4–24,1) 21,6 (19,5–23,8)
Raça/cora Branca 31,9 (29,0–34,8) 34,8 (31,8–37,7)
Parda 51,6 (48,4–54,8) 47,4 (44,3–50,5)
Preta 12,8 (10,8–14,9) 14,6 (12,5–16,7)
Amarela 1,5 (0,8–2,3) 2,1 (1,1–3,1)
Indígena 2,1 (1,1–3,1) 1,1 (0,4–1,9)
Tem religiãob Sim 76,1 (73,3–78,8) 85,7 (83,5–88,0)
Não 34,8 (31,7–37,8) 39,6 (36,6–42,6)
Estado conjugal estável Sim 65,2 (62,2–68,3) 60,4 (57,4–63,4)
Ocupação (trabalho/estudo) Não 12,6 (10,5–14,7) 34,0 (31,0–36,9)
Sim 87,4 (85,3–89,5) 66,0 (63,1–69,0)
Inserção no mercado de trabalho Não 10,6 (8,8–12,4) 31,4 (28,5–34,3)
Sim 89,4 (87,6–91,2) 68,6 (65,7–71,5)

*ponderada para representar a população de homens e mulheres entre 20 e 59 anos de idade do conjunto de capitais de estados e do Distrito Federal.

asem informação: 4 homens e 1 mulher.

bsem informação: 4 mulheres.

De modo geral, tanto homens quanto mulheres consideraram que as atividades e os atendimentos dos serviços básicos de saúde são direcionados a todas as pessoas, independente de sexo, idade, situação social ou de saúde, com maior percentual entre as mulheres (Tabela 2). Entre os homens, 14,1% referiram estar, na ocasião da entrevista, com alguma doença ou problema de saúde, pouco mais da metade do percentual estimado entre as mulheres (25,5%). Destes, a maioria encontrava-se em tratamento, identificando-se a automedicação como o recurso mais usado, principalmente entre os homens (42,1%). Entre as mulheres, os recursos se dividiram igualmente entre os serviços de saúde (serviço privado e unidade básica) e a automedicação. A parcela de homens que referiu não estar em tratamento citou o não acesso ao atendimento e a não importância do problema como motivos para a não busca de atendimento; já as mulheres referiram principalmente a falta de acesso ao atendimento.

Tabela 2 Distribuição* (% e Intervalo de Confiança de 95%) de homens e mulheres segundo percepção dos serviços de saúde, situação e cuidado de saúde. Brasil, 2014. 

Homens Mulheres
% IC95% % IC95%
Para quem as atividades e os atendimentos da unidade básica de saúde são dirigidos todos 67,2 (64,2–70,2) 73,3 (70,7–75,9)
idosos 9,5 (7,5–11,5) 6,2 (4,7–7,6)
mulheres 4,2 (3,1–5,4) 3,7 (2,7–4,7)
crianças 5,1 (3,7–6,5) 4,0 (2,8–5,3)
idosos e crianças 3,3 (2,3–4,4) 3,2 (2,3–4,1)
mulheres e crianças 1,1 (0,6–1,6) 1,3 (0,7–1,8)
homens 0,4 (0,1–0,8) 0
doentes 2,5 (1,7–3,4) 2,4 (1,6–3,3)
carentes 0,6 (0,0–1,1) 0,2 (0,0–0,4)
não sabe 3,7 (2,6–4,9) 2,4 (1,6–3,3)
ninguém 2,3 (1,5–3,1) 3,3 (2,2–4,3)
Está com algum problema de saúde ou doença não 85,9 (83,6–88,2) 74,5 (71,7–77,2)
sim 14,1 (11,8–16,4) 25,5 (22,8–28,3)
Está em tratamentoa não 24,0 (16,2–31,8) 20,8 (15,4–26,1)
sim 76,0 (68,2–83,8) 79,2 (73,9–84,6)
Ondea serviço privado 36,1 (26,3–46,0) 30,4 (24,1–36,6)
unidade básica 20,4 (12,4–28,5) 40,7 (33,4–48,0)
hospital publico 0,8 (0–1,7) 0,7 (0–1,5)
automedicação 42,1 (32,1–52,2) 28,1 (22,3–34,0)
outros 0,5 0–1,4) 0,1 (0–0,3)
Por que não está em tratamentob não acesso ao atendimento 49,8 (30,9–68,6) 75,8 (63,5–88,2)
não importante 37,7 (18,1–57,3) 16,7 (5,3–28,1)
não acesso ao medicamento 0 1,9 (0–5,0)
automedicação 3,1 0–7,5) 3,3 (0–8,0)
efeito colateral 9,5 (0,8–18,2) 2,3 (0–5,2)
Como os serviços de saúde recebem os homens muito bem 6,9 (5,1–8,7) 4,0 (2,8–5,2)
bem 28,9 (26,0–31,8) 31,4 (28,5–34,2)
regular 37,3 (34,2–40,4) 28,5 (25,7–31,3)
mal 9,9 (7,9–11,8) 7,7 (6,0–9,4)
muito mal 10,8 (8,9–12,6) 10,8 (8,9–12,8)
não sabe 6,3 (4,7–7,8) 17,6 (15,2–20,0)
Como os homens cuidam da sua própria saúde muito bem 17,3 (14,9–19,7) 1,9 (1,0–2,8)
bem 38,2 (35,1–41,3) 6,8 (5,2–8,4)
regular 36,1 (33,0–39,3) 38,7 (35,7–41,7)
mal 4,8 (3,4–6,2) 25,6 (23,0–28,3)
muito mal 3,5 (2,3–4,6) 24,0 (21,4–26,5)
não sabe 0,1 (0,0–0,3) 3,1 (1,9–4,3)

*ponderada para representar a população de homens e mulheres entre 20 e 59 anos de idade do conjunto de capitais de estados e do Distrito Federal.

aapenas para quem tem problema de saúde.

bapenas para os que tem problema de saúde e não estão em tratamento.

A Figura 1 ilustra os problemas de saúde referidos por homens e mulheres. Observa-se que os três principais grupos em ambos os sexos se referiram a doenças do aparelho circulatório, doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, e doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários. Neoplasias e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas foram mais frequentes entre as mulheres.

Figura 1 Distribuição* (% e Intervalo de Confiança de 95%) de homens e mulheres segundo Classificação Internacional das Doenças (CID-10). Brasil, 2014.*ponderada para representar a população de homens e mulheres entre 20 e 59 anos de idade do conjunto de capitais de estados e do Distrito Federal.0 = não sabe; 1 = algumas doenças infecciosas e parasitárias;2 = neoplasias; 3 = doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários; 4 = doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas; 5 = transtornos mentais e comportamentais; 6 = doenças do sistema nervoso; 7 = doenças do olho e anexos; 8 = doenças do ouvido e da apófise mastoide; 9 = doenças do aparelho circulatório; 10 = doenças do aparelho respiratório; 11 = doenças do aparelho digestivo; 12 = doenças da pele e do tecido celular subcutâneo; 13 = doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo; 14 = doenças do aparelho geniturinário; 15 = gravidez, parto e puerpério; 17 = malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas; 19 = lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas. 

Quanto à percepção da qualidade do atendimento dos homens pela unidade básica de saúde, a maioria de homens e mulheres referiu que é bom ou regular, com maior percentual de regular para as respostas dos homens (Tabela 2). Quase o dobro mulheres, em relação aos homens, referiu não saber. Questionados sobre como o homem cuida da sua própria saúde, houve coincidência de resposta na forma regular entre homens e mulheres. Porém, os homens citaram mais do que as mulheres muito bem e bem, e as mulheres mais, do que os homens, mal e muito mal.

A análise por regressão (Tabela 3), ajustada para as variáveis sociodemográficas, mostra que a maior idade é fator de proteção para a busca de atendimento na presença de algum problema de saúde, assim como a maior escolaridade em ambos os sexos. Entre as mulheres, ter religião se configura como fator de risco, isto é a probabilidade de não procura é 20% maior entre aquelas que referiram ter alguma religião. Chama a atenção a proporção de não busca por atendimento em apenas 7,3% das mulheres entre 50 a 59 anos de idade versus 40,8% entre as mais jovens, bem como entre aquelas com maior escolaridade (9,2%) versus as de menor escolaridade (28,0%); entre os homens observa-se a mesma tendência para estas variáveis, embora com sobreposição dos intervalos de confiança.

Tabela 3 Prevalência, razão de prevalência (RP), razão de prevalência ajustada (RPaj) para todas as variáveis e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) da não busca de atendimento na presença de algum problema de saúde em homens e mulheres. Brasil, 2014. 

% IC95% RP IC95% RPaj IC95% p
Homens
Região de moradia Norte 33,5 (19,3–47,8) 1 1 0,077
Nordeste 30,0 (15,6–44,4) 0,97 (0,83–1,13) 0,99 (0,84–1,16)
Sudeste 21,1 (8,2–34,0) 0,91 (0,78–1,05) 0,93 (0,79–1,08)
Sul 17,9 (7,3–28,6) 0,88 (0,77–1,02) 0,89 (0,75–1,04)
Centro-Oeste 22,8 (8,6–36,9) 0,92 (0,79–1,08) 0,89 (0,75–1,06)
Idade (anos) 20 a 29 40,4 (12,2–68,5) 1 1 0,002
30 a 39 34,4 (17,0–51,7) 0,96 (0,75–1,21) 0,98 (0,79–1,23)
40 a 49 29,7 (13,4–46,0) 0,92 (0,73–1,17) 0,93 (0,75–1,16)
50 a 59 11,6 (3,3–20,0) 0,80 (0,64–0,98) 0,78 (0,63–0,96)
Escolaridade (anos) < 9 33,4 (19,0–47,9) 1 1 0,003
9 a 11 17,5 (8,7–26,3) 0,88 (0,77–1,00) 0,82 (0,71–0,94)
≥ 12 14,5 (4,2–24,7) 0,86 (0,75–0,99) 0,84 (0,73–0,96)
Raça/cor Branca 21,4 (6,6–36,1) 1 1 0,098
Parda 27,5 (16,0–39,1) 1,05 (0,90–1,22) 1,01 (0,89–1,15)
Preta 20,3 (6,7–33,9) 0,99 (0,84–1,17) 0,95 (0,82–1,10)
Amarela - - 0,82 (0,73–0,93) 0,78 (0,67–0,91)
Indígena - - 0,82 (0,73–0,93) 0,81 (0,69–0,95)
Tem religião Não 23,5 (13,9–33,0) 1 1 0,740
Sim 25,5 (13,1–37,9) 1,02 (0,85–1,23) 0,97 (0,82–1,14)
Estado conjugal Estável Não 27,5 (7,8–47,3) 1 1 0,799
Sim 23,4 (15,0–31,8) 1,02 (0,90–1,15) 1,03 (0,93–1,15)
Inserção no mercado de trabalho Não 33,5 (19,3–47,8) 1 1 0,819
Sim 30,0 (15,6–44,4) 0,97 (0,82–1,15) 1,03 (0,90–1,17)
Mulheres
Região de moradia Norte 18,1 (10,1–26,0) 1 1 0,188
Nordeste 33,3 (23,2–43,5) 1,13 (1,02–1,25) 1,09 (0,98–1,21)
Sudeste 15,9 (7,0–24,8) 0,98 (0,89–1,09) 0,96 (0,88–1,06)
Sul 16,9 (9,0–24,9) 0,99 (0,90–1,09) 0,99 (0,89–1,10)
Centro-Oeste 18,8 (9,1–28,6) 1,01 (0,91–1,12) 1,04 (0,93–1,15)
Idade (anos) 20 a 29 40,8 (22,0–59,7) 1 1 0,000
30 a 39 20,6 (10,4–30,8) 0,86 (0,73–1,00) 0,88 (0,76–1,02)
40 a 49 25,1 (16,5–33,7) 0,89 (0,76–1,03) 0,86 (0,75–0,98)
50 a 59 7,3 (2,6–12,0) 0,76 (0,66–0,88) 0,76 (0,66–0,87)
Escolaridade (anos) < 9 28,0 (18,8–37,1) 1 1 0,000
9 a 11 14,9 (8,8–21,0) 0,90 (0,82–0,98) 0,88 (0,82–0,96)
≥ 12 9,2 (3,5–14,9) 0,85 (0,78–0,93) 0,85 (0,78–0,92)
Raça/cor Branca 16,7 (8,5–24,8) 1 1 0,682
Parda 21,0 (13,5–28,5) 1,04 (0,94–1,14) 0,99 (0,92–1,08)
Preta 27,7 (9,8–45,7) 1,09 (0,94–1,28) 0,95 (0,84–1,08)
Amarela 20,1 0–43,6) 1,03 (0,84–1,27) 0,91 (0,72–1,16)
Indígena 57,1 (9,4–100) 1,35 (0,99–1,84) 1,24 (0,97–1,59)
Tem religião Não 18,9 (11,7–26,0) 1 1 0,016
Sim 23,4 (15,4–31,5) 1,20 (1,01–1,42) 1,20 (1,02–1,40)
Estado conjugal estável Não 27,2 (16,6–37,8) 1 1 0,067
Sim 17,4 (11,5–23,3) 1,04 (0,95–1,13) 1,07 (0,99–1,15)
Inserção no mercado de trabalho Não 18,1 (10,1–26,0) 1 1 0,076
Sim 33,3 (23,2–43,5) 0,92 (0,84–1,02) 0,93 (0,86–1,00)

*ponderada para representar a população de homens e mulheres entre 20 e 59 anos de idade do conjunto de capitais de estados e do Distrito Federal.

Na perspectiva dos homens (Tabela 4), a autoavaliação sobre seu cuidado com a saúde se associa diretamente com a escolaridade, com o estrato de maior escolaridade apresentando 32% mais chance de considerar o cuidado como bom ou muito bom, comparativamente aos grupos de menor escolaridade. Homens indígenas apresentaram mais de 50% de risco de considerar o cuidado com a saúde de forma regular, ruim ou muito ruim. Na perspectiva das mulheres, a chance de homens se cuidarem de forma boa ou muito boa é menor entre as mulheres de raça/cor amarela e indígena chegando a cerca de 90% quando comparadas com as demais. A inserção delas no mercado de trabalho se associa com a visão mais positiva que têm do autocuidado do homem com sua saúde, apresentando 69% mais chance de considerar o autocuidado como bom ou muito bom comparativamente às mulheres não inseridas no mercado de trabalho. Destacase que, em quase todas as categorias das mulheres, a prevalência de autocuidado da saúde pelo homem como bom ou muito bom não ultrapassou 10%, ficando sempre abaixo de como os homens se avaliam.

Tabela 4 Prevalência, razão de prevalência (RP), razão de prevalência ajustada (RPaj) para todas as variáveis e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) do autocuidado bom e muito bom da saúde na ótica do homem. Brasil, 2014. 

% IC95% RP IC95% RPaj IC95% p
Homens
Região de moradia Norte 55,0 (49,5–60,5)
Nordeste 48,3 (42,8–53,8) 0,88 (0,75–1,02) 0,88 (0,76–1,02) 0,196
Sudeste 57,5 (51,8–63,3) 1,05 (0,91–1,20) 1,02 (0,88–1,17)
Sul 66,4 (61,2–71,7) 1,21 (1,06–1,37) 1,17 (1,02–1,35)
Centro-Oeste 55,7 (50,0–61,4) 1,01 (0,88–1,17) 0,95 (0,82–1,10)
Idade (anos) 20 a 29 57,5 (51,1–63,8) 0,127
30 a 39 48,4 (42,8–54,0) 0,84 (0,72–0,99) 0,84 (0,71–0,99)
40 a 49 55,4 (49,1–61,7) 0,96 (0,82–1,13) 0,97 (0,82–1,15)
50 a 59 64,2 (56,6–71,8) 1,12 (0,95–1,31) 1,12 (0,94–1,33)
Escolaridade (anos) < 9 49,3 (43,2–55,3) 0,001
9 a 11 55,3 (50,8–59,8) 1,12 (0,97–1,30) 1,12 (0,97–1,30)
≥ 12 67,0 (61,6–72,5) 1,36 (1,17–1,58) 1,32 (1,14–1,54)
Raça/cora Branca 59,8 (54,5–65,1) 0,047
Parda 54,7 (50,1–59,4) 0,92 (0,81–1,04) 1,00 (0,88–1,14)
Preta 53,2 (44,7–61,8) 0,89 (0,74–1,07) 0,97 (0,80–1,17)
Amarela 48,2 (23,8–72,5) 0,81 (0,48–1,35) 0,84 (0,51–1,38)
Indígena 25,9 (9,4–42,3) 0,43 (0,23–0,82) 0,52 (0,28–0,97)
Tem religiãob Não 55,3 (51,6–59,0) 0,709
Sim 55,8 (49,3–62,3) 1,01 (0,88–1,15) 1,02 (0,90–1,17)
Estado conjugal estável Não 54,0 (50,0–58,1) 0,100
Sim 58,2 (52,9–63,4) 1,08 (0,96–1,21) 1,09 (0,96–1,23)
Inserção no mercado de trabalho Não 52,3 (43,4–61,2) 0,645
Sim 55,8 (52,4–59,3) 1,07 (0,89–1,28) 1,04 (0,87–1,25)
Mulheres
Região de moradia Norte 8,7 (5,6–11,8) 0,388
Nordeste 7,2 (4,4–10,1) 0,83 (0,49–1,42) 0,85 (0,50–1,44)
Sudeste 9,6 (6,6–12,6) 1,10 (0,68–1,78) 1,00 (0,61–1,64)
Sul 8,8 (5,8–11,8) 1,01 (0,62–1,66) 0,83 (0,47–1,46)
Centro-Oeste 6,5 (3,8–9,1) 0,74 (0,43–1,28) 0,72 (0,41–1,27)
Idade (anos) 20 a 29 8,5 (5,4–11,7) 0,733
30 a 39 9,0 (5,6–12,4) 1,06 (0,62–1,79) 0,95 (0,57–1,59)
40 a 49 7,9 (4,5–11,3) 0,93 (0,52–1,64) 0,86 (0,49–1,49)
50 a 59 9,2 (4,7–13,7) 1,08 (0,58–1,99) 0,91 (0,47–1,77)
Escolaridade (anos) < 9 9,8 (6,2–13,5) 0,094
9 a 11 8,1 (5,7–10,6) 0,83 (0,51–1,33) 0,75 (0,48–1,19)
≥ 12 7,6 (4,9–10,2) 0,77 (0,46–1,28) 0,64 (0,37–1,11)
Raça/cora Branca 10,5 (7,1–14,0) 0,006
Parda 8,6 (6,0–11,2) 0,82 (0,52–1,27) 0,78 (0,47–1,28)
Preta 6,1 (2,7–9,4) 0,58 (0,30–1,10) 0,54 (0,27–1,05)
Amarela 0,9 (0,-2,8) 0,09 (0,01–0,67) 0,08 (0,01–0,66)
Indígena 1,0 (0–3,0) 0,09 (0,01–0,75) 0,09 (0,01–0,76)
Tem religiãob Não 8,7 (6,8–10,6) 0,769
Sim 8,7 (3,6–13,9) 1,01 (0,54–1,89) 1,10 (0,56–2,15)
Estado conjugal estável Não 8,8 (6,5–11,1) 0,939
Sim 8,5 (5,7–11,3) 0,96 (0,63–1,47) 0,99 (0,65–1,51)
Inserção no mercado de trabalho Não 6,3 (3,6–8,9) 0,038
Sim 9,8 (7,5–12,0) 1,56 (0,96–2,53) 1,69 (1,03–2,79)

asem informação: 4 homens e 1 mulher.

bsem informação: 4 mulheres

Discussão

A validação interna dos resultados pode ser analisada na condução do projeto, desde o treinamento das equipes até a análise estatística dos dados. O plano amostral foi elaborado de modo a incluir todas as localidades e os números de telefone foram sorteados aleatoriamente. A taxa de sucesso foi de 76,2% e os entrevistadores não relataram dificuldades na identificação de pessoas elegíveis.

A validade externa deste estudo se dá principalmente pela comparação da distribuição das categorias das características sociodemográficas da população avaliada, que não difere mais do que 10% dos dados oficiais estimados pelos dados censitários15. Especificamente quanto às variáveis que diferiram neste estudo entre homens e mulheres, verifica-se que 24% dos homens e 14% das mulheres se identificaram como não tendo religião, cuja razão (1,7) é próxima à observada no censo de 2010 (1,4 na área rural e 1,5 na área urbana), esta pequena diferença pode ser explicada pela população pesquisada, residente nas capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal, onde possivelmente se encontra maior frequência de pessoas sem religião. No que se refere à inserção no mercado de trabalho, o censo também mostra maior inserção de homens do que de mulheres, numa razão de 1,4, semelhante à encontrada neste estudo (1,3).

Quanto aos demais estudos nacionais, há dificuldade na comparação dos dados por conta das diferenças nos métodos, desde a população de estudo até a análise realizada, mas ainda assim alguma analogia é possível, como segue abaixo.

Estudo desenvolvido no Sul do Brasil16 mostrou que mulheres com mais de 14 anos de idade têm 3 vezes mais risco de referir algum problema de saúde nos últimos dois meses do que homens na mesma faixa etária. Este dado corrobora os aqui estimados, que indicam quase o dobro de mulheres referindo algum problema de saúde. Todavia, estas afirmações necessitam ser relativizadas, uma vez que a população avaliada tem idade diferente e o período inquerido também é distinto.

Quanto aos problemas de saúde relatados, há coincidência com os dados obtidos em Minas Gerais17, no qual as doenças do aparelho circulatório aparecem em primeiro plano e as do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo em segundo, mas não coincide na terceira causa. Aqui encontraram-se doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários como a terceira causa, enquanto que em Minas Gerais se identificou doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas para os homens e do sistema respiratório para as mulheres. Estas diferenças podem ser explicadas pela diferença etária, regional e, principalmente, pela população estudada, que em Minas Gerais se restringiu a trabalhadores da saúde.

O estudo do Sul16 também apontou maior risco (1,78) de percepção do estado de saúde como ruim entre as mulheres. Embora neste estudo não tivesse este questionamento, é possível traçar um paralelo com as respostas referentes ao cuidado da própria saúde do homem, na qual a maioria se avaliou como bem ou muito bem e as mulheres os avaliaram de regular para muito mal. Esta percepção pode explicar porque os homens referem menos problemas de saúde e, consequentemente, a baixa procura por serviços de saúde, o que se potencializa com a forma regular, segundo sua ótica, com que são atendidos nas unidades de saúde. Entretanto, vários estudos têm apontado que os homens se sujeitam mais a comportamentos de risco do que as mulheres, além de apresentarem piores indicadores bioquímicos18,19.

Revisão sistemática estima em 35% a prevalência de automedicação na população adulta brasileira20, sem especificar o sexo, mas corroborando os dados deste estudo, que estimou em mais de 40% o percentual de homens em automedicação e em mais de 30% o percentual de mulheres. Destaca-se aqui, que embora o percentual seja alto, estas pessoas se consideraram em tratamento do problema de saúde existente. É pequeno o percentual de automedicação (cerca de 3%) entre aqueles que citaram esta prática como não tratamento e motivo de não procura por atendimento em saúde.

É histórico, na literatura nacional2125, a baixa procura de serviços de saúde pelos homens comparativamente às mulheres. Como motivo de não procura por serviço de saúde, apesar de apresentar algum problema, os homens citaram o não acesso ao atendimento e a não importância do problema como motivos principais e as mulheres a falta de acesso ao atendimento. Já na população geral, em 200826, o principal motivo foi a falta de recursos para pagamento, seguido de difícil acesso e atendimento demorado. Estes dados questionam o papel do SUS, na medida em que grande parcela (20,5%) da população amostrada em 2008 considerou o serviço privado como o local de busca de atendimento. Difere deste estudo, na medida em que um dos critérios de seleção foi o uso dos serviços básicos de saúde do SUS, tendo sido apontada a universalidade como uma das características dos serviços.

Como já apontado, há três décadas, por Aquino et al.27, os homens continuam apresentando as mesmas características de saúde, demonstrando que, apesar do SUS, poucos avanços foram observados neste período no que se refere à saúde dos homens e à ampliação do atendimento para esta população. A situação se agrava ainda mais ao se constatar que a automedicação é uma prática comum, que pode ser vista como indicadora do não acesso aos serviços básicos de saúde.

Em geral, os dados da pesquisa servem para fundamentar discussões acerca de modelos culturais de gênero no campo da saúde. Esses modelos podem influenciar as percepções de homens e mulheres sobre a saúde e a procura de serviços de saúde. Nesse sentido, talvez por serem comuns, as associações ser homem/ser forte e ser mulher/ ser frágil podem ter influenciado os nossos sujeitos do sexo masculino a se perceberem como mais saudáveis do que as mulheres. O mesmo argumento pode se aplicar em relação à busca por cuidados em serviços de saúde.

Nossos dados também reforçam a necessidade de, para além dos modelos culturais de gênero, levar em conta outros aspectos, como idade, nível escolar e situação socioeconômica. As influências desses modelos podem assumir tons diferenciados quando são levados em conta também tais aspectos. Outro aspecto que deve ser mais investigado é a relação entre gênero e etnia, uma vez que as percepções dos homens indígenas entrevistados configuram-se com especificidades distintas, assim como as das mulheres indígenas e amarelas.

O assunto, em geral, deve ser mais investigado porque ainda são escassos os estudos populacionais brasileiros que investigam as diferenças de percepções entre homens e mulheres sobre a saúde.

Por último, destacam-se como limites deste estudo a não existência de um padrão ouro para avaliação de percepções sobre a saúde, o pequeno tamanho da amostra e a consequente não possibilidade de maiores estratificações.

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