Perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Autores:

Adriane Mesquita de Medeiros,
Ada Ávila Assunção,
Juliana Nunes Santos

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311Xversão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.31 no.9 Rio de Janeiro set. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00132314

ABSTRACT

This study analyzed the association between self-reported diagnosis of hearing loss and individual and occupational factors among urban transportation workers in Greater Metropolitan Belo Horizonte, Minas Gerais State, Brazil. The sample size was calculated by quotas and stratified by occupation (drivers and fare collectors) in the urban transportation companies in Belo Horizonte, Betim, and Contagem. Data were collected with face-to-face interviews and recorded by the interviewers on netbooks. The dependent variable was defined as an affirmative response to the question on prevailing medical diagnosis of hearing loss. The independent variables were organized in three blocks: social and demographic characteristics, lifestyle, and work aspects. Diagnosis of hearing loss was reported by 213 of the 1,527 workers and was associated with age and diagnosis of tinnitus. At the occupational level, hearing loss was associated with history of sick leave, time-on-the-job, and two environmental risks, unbearable noise and whole-body vibration. Measures to prevent hearing loss are needed for urban transportation workers.

Key words: Hearing Loss; Occupational Health; Transportation

RESUMEN

El objetivo del presente trabajo es verificar la asociación entre el diagnóstico de la pérdida auditiva autoinformado por trabajadores del transporte urbano de la Región Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, y factores individuales y ocupacionales. El tamaño de la muestra fue calculado por cuotas y estratificación por ocupación (conductores y cobradores) en las empresas de Belo Horizonte, Betim y Contagem. La variable respuesta fue definida por la respuesta positiva a la pregunta sobre la vigencia de diagnóstico médico de pérdida auditiva. Se organizaron las variables independientes en tres bloques: características sociodemográficas, estilo de vida y aspectos del trabajo. De los 1527 trabajadores, 213 mencionaron el diagnóstico de pérdida auditiva, que se mostró asociado a la edad y al diagnóstico del zumbido. En la esfera ocupacional, se destacaron el absentismo-enfermedad, antigüedad en el cargo y dos riesgos ambientales: ruido excesivo y vibración del cuerpo entero. Es necesario que se tomen medidas para prevenir la pérdida auditiva de los trabajadores del transporte urbano.

Palabras-clave: Pérdida Auditiva; Salud Laboral; Transportes

Introdução

A perda auditiva é a condição na qual o limiar da audição de um indivíduo está reduzido, ou seja, o indivíduo não ouve bem. Tal condição é classificada como leve, moderada, severa ou profunda, podendo afetar uma ou ambas as orelhas. De origem congênita ou adquirida, afeta 9,7 milhões de brasileiros 1. Provavelmente, no mundo, 360 milhões de pessoas2 estejam atingidas por tal problema de saúde.

O diagnóstico de perda auditiva depende do exame clínico e da avaliação audiométrica, abrangendo as frequências usualmente utilizadas de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hertz. A critério do especialista, exames mais complexos (testes de emissões otoacústicas, por exemplo) são solicitados, caso seja necessário 3,4.

Inúmeras são as causas da perda auditiva. Em adultos, a lesão das células sensoriais resultante dos efeitos da exposição a elevados níveis de ruído se superpõe aos efeitos degenerativos do processo de senescência. Os sintomas expressam as alterações mecânicas ou degenerativas das células ciliadas do órgão de Corti que caracterizam cada um dos processos mencionados. Como consequência, a perda auditiva pode gerar distúrbios na esfera da comunicação, resultando em incapacidade e prejuízos na sociabilidade do indivíduo, pois enseja sentimentos de solidão, isolamento e frustração. Além dos prejuízos para a qualidade de vida, as incapacidades auditivas acarretam prejuízos para o desenvolvimento social e econômico das comunidades e de seus países 1.

Fatores ocupacionais, como a exposição a metais pesados, e individuais, como o uso de medicamentos ou hábitos nocivos (tabagismo e uso problemático de álcool, por exemplo), interagem com os efeitos da exposição ao ruído ambiental de maneira a potencializar os sintomas auditivos 5.Não há dúvidas quanto aos efeitos negativos da idade, condição denominada de presbiacusia, a qual pode ser agravada pelo tabagismo, hiperglicemia e consumo de álcool 6. A presbiacusia afeta um terço da população mundial acima de 65 anos 1.

Estima-se que 16% das perdas auditivas no mundo sejam de origem ocupacional 7. Nesses casos, a nomeada perda auditiva de origem ocupacional é o agravo mais frequente à saúde dos trabalhadores3. O ruído é a principal causa de perda auditiva em sujeitos na faixa etária de 20-59 anos 8. Trata-se de uma perda auditiva do tipo neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e progressiva, ou seja, tem relação com o tempo de exposição 3. Siderurgia, metalurgia, indústria têxtil, setor gráfico e de transporte são os ramos com maior incidência de casos 3,9.

Geralmente, queixas de zumbidos acompanham os casos de perda auditiva de origem ocupacional 6. Zumbido é a expressão clínica da percepção consciente de uma sensação auditiva, ainda que em ausência de um estímulo externo equivalente à referida sensação. Geralmente, são descritos como assobio, chiado ou, em alguns casos, são percebidos como vozes ou sons musicais 10.

O objetivo do presente estudo foi verificar a associação entre o diagnóstico de perda auditiva autorrelatado por trabalhadores do transporte urbano e fatores no âmbito individual e ocupacional.

Metodologia

Delineamento e população do estudo

O estudo epidemiológico ocupacional de caráter transversal foi realizado em uma amostra de trabalhadores do transporte coletivo urbano.

O cálculo amostral foi por quotas e estratificado por ocupação (motoristas e cobradores) nas empresas de Belo Horizonte, Betim e Contagem (Minas Gerais, Brasil). Selecionou-se uma quota proporcional ao total dos profissionais em cada uma das três cidades investigadas. Estimaram-se os tamanhos amostrais tendo em vista estudos de prevalência e associação entre desfecho e variáveis independentes.

A amostra foi calculada considerando 4% de erro amostral, intervalo de 95% de confiança (IC95%) e 50% de prevalência, levando-se em conta o desfecho dor nas costas 11. Considerando o universo de motoristas e cobradores nas três cidades, a distribuição foi a seguinte: 72% dos motoristas e 80% dos cobradores estão em Belo Horizonte; 8% e 6%, em Betim; 20% e 14%, em Contagem. A amostra estimada foi de 565 motoristas e 561 cobradores.

As entrevistas foram realizadas em quatro estações ônibus-metrô de Belo Horizonte (total = 5) e em 45 estações de descanso (total = 244), também chamadas de pontos de conforto porque são o local de parada de ônibus onde os profissionais fazem a devida pausa depois de uma viagem de 60 a 90 minutos, em média. Nas quatro estações selecionadas, circulam, em média, 80% dos passageiros que utilizam o serviço em Belo Horizonte 12. As estações de descanso foram selecionadas porque concentram a maioria dos ônibus, das viagens e dos trabalhadores registrados.

A coleta de dados face a face com o auxílio de netbooks ocorreu entre abril e junho de 2012, nos turnos manhã e tarde. Elaborou-se um software exclusivo para os fins da pesquisa, tendo em vista os objetivos de preenchimento (pelo entrevistador) do questionário digital e o processamentoonline dos dados. Os instrumentos e procedimentos da pesquisa foram previamente testados na etapa piloto (n = 30) e 22 entrevistadores foram devidamente treinados em oficinas específicas dirigidas pelos coordenadores da pesquisa. A confiabilidade da entrevista foi aferida por meio da reaplicação de algumas perguntas selecionadas do questionário original para o mesmo respondente (12% do total dos participantes). Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE – 02705012.4.0000.5149).

Variáveis de interesse

A variável dependente foi definida pela resposta positiva à pergunta sobre a presença de diagnóstico médico de perda auditiva.

As variáveis independentes foram organizadas em blocos, respeitando o modelo hierárquico de relações entre as variáveis: (a) características sociodemográficas: sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda familiar mensal; (b) estilo de vida: atividades sociais, prática de atividade física, tabagismo e uso problemático de álcool; (c) aspectos do trabalho: cargo, tempo no cargo atual, alternância do horário de trabalho, realização de dobras ou horas extras, percepção de vibração do corpo, temperatura interna do ônibus, ruído dentro e fora do ônibus, utilização de fone de ouvido, percepção do trânsito, pausas durante o trabalho.

A detecção do uso problemático de álcool foi mensurada por meio do instrumento CAGE (acrônimo referente às suas quatro perguntas – Cutdown, Annoyed by criticism, Guilty e Eye-opener), questionário utilizado com esta finalidade e validado no Brasil por Masur & Monteiro13.

Procedimentos de análise

Inicialmente, conduziu-se a análise descritiva das variáveis investigadas. Procedeu-se então à análise dos fatores associados à perda auditiva de acordo com cada bloco. Na primeira etapa, realizou-se a análise univariável considerando-se as variáveis explicativas de cada bloco. Posteriormente, todas as variáveis associadas à perda auditiva no nível de p ≤ 0,20 foram testadas, levando-se em conta apenas as variáveis pertencentes ao mesmo bloco. Foram retidas, no modelo final, as variáveis que permaneceram estatisticamente associadas à perda auditiva no nível de p ≤ 0,05. Essa análise foi realizada em duas etapas, utilizando-se a regressão de Poisson. A magnitude da associação foi aferida pelas razões de prevalência com intervalos de confiança robustos, e a significância estatística considerada foi o IC95%. O programa Stata 11.0 (StataCorp LP, College Station, Estados Unidos) foi utilizado para a análise estatística.

Resultados

O diagnóstico de perda auditiva foi mencionado por 213 (13,8%) dos 1.527 trabalhadores do transporte urbano que participaram do estudo. A média de idade foi de 36,15 anos (DP = 10,21), variando de 18-75 anos.

A amostra foi majoritariamente masculina (87,4%), com idades entre 18 e 40 anos (67,6%), casados ou com união estável (60,2%) e escolaridade superior a 8 anos (81,7%), sendo que 49,8% relataram renda familiar entre 2 e 4 salários mínimos. Na análise univariável, considerando-se o nível de p ≤ 0,05, verificou-se associação estatisticamente significante entre o diagnóstico de perda auditiva e as seguintes variáveis: idade superior a 41 anos, escolaridade inferior a 8 anos, sendo encontrada associação negativa com a condição de celibatário (Tabela 1).

Tabelas 1 Análise descritiva e associação univariável entre diagnóstico de perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano e características sociodemográficas. 

Fatores sociodemográficos n (%) RP IC95% Valor de p
Sexo
Masculino 1.334 (87,4) 1,00
Feminino 193 (12,6) 0,85 0,56-1,27 0,42
Idade (anos)
18-30 530 (34,7) 1,00
31-40 502 (32,9) 1,33 0,91-1,96 0,15
41-50 350 (22,9) 2,49 1,74-3,56 < 0,001 *
51 ou mais 145 (9,5) 4,09 2,82-5,94 < 0,001 *
Estado civil
Casado/União estável 919 (60,2) 1,00
Solteiro 468 (30,6) 0,70 0,52-0,96 0,026 *
Viúvo/Divorciado 140 (9,2) 1,42 0,99-2,04 0,056
Escolaridade (anos)
Mais de 8 1.247 (81,7) 1,00
5-7 188 (12,3) 1,73 1,25-2,38 0,001 *
Menos de 5 92 (6,0) 2,51 1,76-3,56 < 0,001 *
Renda familiar (salário mínimos)
Até 2 255 (15,5) 1,00
Entre 2 e 4 721 (49,8) 0,99 0,69-1,44 0,98
Acima de 4 502 (34,7) 0,90 0,60-1,33 0,59

IC95%: intervalo de 95% de confiança; RP: razão de prevalência.

* Valor de p ≤ 0,05.

Quanto ao estilo de vida e à situação de saúde, mais de dois terços informaram participar de atividades sociais (71,5%), não fumar (69,5%) e não fazer uso problemático de álcool (86,6%). Mais da metade dos trabalhadores afirmaram não praticar atividade física (51,8%). Alguns trabalhadores relataram ter recebido diagnóstico médico de hipertensão (13,9%) e zumbido (13,3%). Verificou-se que aproximadamente um terço se afastou do trabalho por problema de saúde nos últimos 12 meses (34,8%). Quanto à doença ocupacional diagnosticada pelo médico, foi mencionada por 8,7% dos entrevistados. Houve associação positiva do diagnóstico de perda auditiva, na análise univariável, com o uso problemático de álcool, relato de diagnóstico de hipertensão e zumbido, afastamento do trabalho e diagnóstico de doença ocupacional (Tabela 2).

Tabela 2 Análise descritiva e associação univariável entre diagnóstico de perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano e aspectos do estilo de vida e da saúde. 

Estilo de vida e saúde n (%) RP IC95% Valor de p
Atividades sociais (visita amigos, barzinho, festa)
Sim 1.091 (71,5) 1,00
Não 436 (28,5) 1,19 0,91-1,55 0,201
Prática de atividade física (vezes por semana)
3 ou mais 346 (22,67) 1,00
1-2 389 (25,49) 0.81 0,54-1,21 0,302
Nunca 791 (51,83) 1,26 0,92-1,74 0,152
Tabagismo
Não fumante 1.060 (69,5) 1,00
Ex-fumante 224 (14,7) 1,33 0,96-1,84 0,087
Fumante atual 241 (15,8) 1,01 0,71-1,45 0,945
Uso problemático de álcool
Não 1.311 (86,6) 1,00
Sim 203 (13,4) 1,47 1,07-2,02 0,016 *
Doenças com diagnóstico médico
Pressão alta
Não 1.313 (86,41) 1,00
Sim 212 (13,9) 2,03 1,53-2,67 < 0,001 *
Zumbido
Não 1.324 (86,7) 1,00
Sim 203 (13,3) 4,49 3,56-5,66 < 0,001 *
Ausência do trabalho por problema de saúde (últimos 12 meses)
Não 974 (65,2) 1,00
Sim 519 (34,8) 1,81 1,40-2,32 < 0,001 *
Doença ocupacional com diagnóstico médico
Não 1.362 (91,3) 1,00
Sim 130 (8,7) 2,45 1,82-3,30 < 0,001*

IC95%: intervalo de 95% de confiança; RP: razão de prevalência.

* Valor de p ≤ 0,05.

Quanto ao trabalho, 53,1% ocupavam o cargo de motorista/monocondutor, e os demais (46,9%) de cobrador, sendo que a antiguidade da maioria (56,2%) foi inferior ou igual a 5 anos. A maior parte dos respondentes nunca ou raramente alternava o horário de trabalho (44,5%); com frequência realizava dobras e/ou horas extras (44,4%) e, às vezes, usufruía de pausa durante o trabalho (39,7%). A percepção de vibração do corpo foi referida como esporádica por 21,1% e como frequente por 39,1% dos trabalhadores. Sobre as condições do ônibus, a temperatura interna foi percebida como muito incômoda ou insuportável por 45,2% da amostra; o ruído elevado ou insuportável interno, por 51,3%; e o ruído elevado ou insuportável externo, por 36,9%. Quase todos os trabalhadores consideraram o trânsito como ruim ou muito ruim (84,3%). As variáveis com associação estatisticamente significante na análise univariável foram: cargo de motorista/monocondutor, antiguidade superior a 2 anos, nunca ou raramente usufruir de pausa durante o trabalho, perceber às vezes ou com frequência a vibração do corpo inteiro, perceber a temperatura interna do ônibus como muito incômoda ou insuportável, considerar o ruído dentro do ônibus como elevado ou insuportável e o trânsito como ruim ou muito ruim (Tabela 3).

Tabela 3 Análise descritiva e associação univariável entre diagnóstico de perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano e aspectos do trabalho. 

Trabalho n (%) RP IC95% Valor de p
Cargo
Cobrador 717 (46,9) 1,00
Motorista/Monocondutor 810 (53,1) 1,42 1,10-1,84 0,008 *
Tempo no cargo atual (anos)
0-2 573 (37,6) 1,00
2,01-5 284 (18,6) 1,59 1,01-2,52 0,046 *
5,01-10 229 (15) 2,37 1,52-3,64 < 0,001 *
10,01-20 232 (15,2) 2,66 1,76-4,03 < 0,001 *
20,01-47 208 (13,6) 4,78 3,32-6,90 < 0,001 *
Alterna horário de trabalho
Nunca/Raramente 679 (44,5) 1,00
Às vezes 371 (24,3) 1,03 0,75-1,41 0,876
Quase sempre/Sempre 477 (31,2) 1,08 0,81-1,44 0,606
Dobras/Horas extras
Nunca/Raramente 421 (27,6) 1,00
Às vezes 427 (28) 1,01 0,70-1,44 0,977
Com frequência 678 (44,4) 1,31 0,96-1,79 0,084
Pausa durante o trabalho
Sempre/Quase sempre 468 (30,6) 1,00
Às vezes 606 (39,7) 1,34 0,96-1,86 0,083
Nunca/Raramente 453 (29,7) 1,62 1,16-2,27 0,004 *
Percepção de vibração do corpo
Nunca/Raramente 607 (39,8) 1,00
Às vezes 322 (21,1) 1,52 1,06-2,19 0,024 *
Com frequência 597 (39,1) 1,93 1,43-2,60 < 0,001 *
Percepção da temperatura interna do ônibus
Tolerável/Incomoda pouco 837 (54,8) 1,00
Incomoda muito/Insuportável 690 (45,2) 1,83 1,42-2,37 < 0,001 *
Percepção do ruído dentro do ônibus
Desprezível/Razoável 743 (48,7) 1,00
Elevado 461 (30,2) 1,40 1,02-1,91 0,035 *
Insuportável 322 (21,1) 2,18 1,62-2,94 < 0,001 *
Percepção do ruído fora do ônibus
Desprezível/Razoável 947 (62) 1,00
Elevado 353 (22,1) 1,09 0,80-1,48 0,578
Insuportável 226 (14,8) 1,29 0,93-1,81 0,129
Percepção do trânsito
Bom/Regular 240 (15,7) 1,00
Ruim/Muito ruim 1.287 (84,3) 1,60 1,05-2,44 0,028 *

IC95%: intervalo de 95% de confiança; RP: razão de prevalência.

* Valor de p ≤ 0,05.

Nos modelos intermediários, foram mantidas as associações encontradas nas análises iniciais para idade acima de 41 anos (sociodemográfico), uso problemático de álcool, diagnóstico de hipertensão e zumbido, ausência ao trabalho por problema de saúde e doença ocupacional com diagnóstico (estilo de vida e saúde), antiguidade superior a 5 anos, percepção com frequência de vibração do corpo, considerar muito incômoda ou insuportável a temperatura interna do ônibus e perceber como insuportável o ruído dentro do ônibus (trabalho). Perderam a significância estatística no modelo multivariado final as seguintes variáveis: uso problemático de álcool, diagnóstico de hipertensão e doença ocupacional, bem como a percepção de temperatura desconfortável dentro do ônibus (Tabela 4).

Tabela 4 Modelos multivariáveis intermediários e final das associações entre diagnóstico de perda auditiva em trabalhadores do transporte urbano. 

Fatores Intermediários Final
RP IC95% RP IC95%
Sociodemográficos
Idade (anos)
18-30 1,00 1,00
31-40 1,33 0,91-1,96 1,09 0.74-1,61
41-50 2,49 1,74-3,56 * 1,56 1,03-2,39 *
51-75 4,09 2,82-5,94 * 1,90 1,16-3,09 *
Estilo de vida e saúde
Uso problemático de álcool
Não 1,00
Sim 1,36 1,01-1,83* - -
Diagnóstico de pressão alta
Não 1,00
Sim 1,59 1,22-2,08 * - -
Diagnóstico de zumbido
Não 1,00
Sim 3,94 3,05-5,09 * 3,14 2,39-4,11 *
Ausência do trabalho por problema de saúde (últimos 12 meses)
Não 1,00 1,00
Sim 1,35 1,05-1,75 * 1,42 1,11-1,83 *
Doença ocupacional com diagnóstico médico
Não 1,00
Sim 1,40 1,02-1,92 * - -
Trabalho
Tempo no cargo atual (anos)
0-2 1,00 1,00
22,01-5 1,51 0,95-2,38 1,37 0.87-2,14
5,01-10 2,26 1,48-3,45 * 1,89 1,24-2,89 *
10,01-20 2,51 1,67-3,78 1,42 0,90-2,24
20,01-47 4,69 3,27-6,74 * 2,33 1.48-3,66 *
Percepção de vibração do corpo
Nunca/Raramente 1,00 1,00
Às vezes 1,41 0,99-2,01 1,27 0,89-1,81
Com frequência 1,71 1,27-2,29 * 1,36 1,01-1,85 *
Percepção da temperatura interna do ônibus
Tolerável/Incomoda pouco 1,00
Incomoda muito/Insuportável 1,36 1,03-1,79 * - -
Percepção do ruído dentro do ônibus
Desprezível/Razoável 1,00 1,00
Elevado 1,13 0,82-1,55 1,07 0.80-1,45
Insuportável 1,64 1,20-2,23 * 1,47 1,09-1,98 *

IC95%: intervalo de 95% de confiança; RP: razão de prevalência.

* Valor de p ≤ 0,05.

No modelo final, trabalhadores do transporte coletivo urbano com idade superior a 41 anos, diagnóstico de zumbido, ausência do trabalho por problema de saúde, antiguidade no cargo atual entre 5 e 10 anos e superior a 20 anos tiveram maior probabilidade de relatar diagnóstico de perda auditiva. Quanto às características do trabalho, o grupo que relatou vibração com frequência do corpo inteiro e ruído insuportável dentro do ônibus apresentou maior probabilidade de relatar diagnóstico de perda auditiva quando comparado àqueles sem queixa ou com queixas esporádicas relacionadas às condições de trabalho, no caso, o ônibus (Tabela 4).

Discussão

O presente estudo abordou a população de rodoviários da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a fim de compreender a relação entre a situação de saúde dos sujeitos, com destaque para a perda auditiva, e suas condições de trabalho. Para isso, utilizou-se um questionário que colheu os relatos desses sujeitos no próprio ambiente de trabalho. Insere-se, portanto, no cenário dos debates sobre os serviços de transporte urbano, uma vez focalizados os seus protagonistas. Os resultados indicam a relevância dos fatores ocupacionais na manifestação da referida morbidade auditiva.

O diagnóstico médico de perda auditiva relatado pelos participantes deste estudo esteve associado à idade e ao diagnóstico de zumbido. Na esfera ocupacional, destacaram-se o absenteísmo-doença, antiguidade no cargo e dois riscos ambientais: ruído insuportável e vibração do corpo inteiro. Chamam a atenção as características gerais da população investigada: em sua maioria masculina, jovem e com baixa antiguidade no cargo.

Além das consequências diretas da perda auditiva associada ao zumbido sobre a qualidade de vida, são fortes as evidências quanto ao maior risco de acidentes com prejuízos tanto para o futuro desses trabalhadores quanto para os cidadãos a quem eles servem no exercício de suas profissões 6,14.

A prevalência de perda auditiva diagnosticada foi de 13,8%, superior à encontrada (12,5%) entre os caminhoneiros do Irã 15; mas inferior às descritas (22,3% e 32,7%) nas amostras dos motoristas urbanos em São Paulo, Brasil 16,17. Em outros grupos ocupacionais, encontraram-se prevalências de perda auditiva de origem ocupacional superiores: 18%, 23,7%, 38,6% e 66,4%, respectivamente, em trabalhadores das indústrias norte-americanas 18; restauração coletiva em Hong Kong, na China, entretenimento também naquela cidade 19; policiais de trânsito em Kathmandu, Nepal 20.

É fundamental esclarecer que o inquérito não permite afirmar sobre perda auditiva de origem ocupacional quando analisa os resultados relacionados à perda auditiva dos trabalhadores dos ônibus da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ainda assim, vale a pena mencionar resultados sobre perda auditiva de origem ocupacional obtidos pelos autores que focalizaram motoristas de ônibus. Em motoristas do Irã 21, de Maringá, Paraná, Brasil 22 e de São Paulo, no Brasil 23, foram descritos, respectivamente, 18,1% 21, 28% e, em São Paulo, 46% para o grupo exposto à vibração do corpo inteiro e 24% para o grupo não exposto. Vale destacar que a definição e os métodos para a identificação do desfecho não são homogêneos entre os estudos.

Independentemente da disparidade de resultados e da dificuldade em fazer comparações devido à raridade de estudos no ramo do transporte coletivo urbano pelo modal ônibus, os resultados do estudo aqui descritos são preocupantes. Sabe-se que a perda auditiva interfere na vida do indivíduo acometido, sendo irreversível, na maioria dos casos. Se desencadeada ou agravada pelo ruído, é possível que o trabalhador esteja sofrendo dos sintomas que interferem nos seus pensamentos e na sua qualidade de vida 3. Estresse e exaustão, sentimento de raiva e desprazer são comuns em adultos com perda auditiva 6.

Viu-se, conforme se esperava, a associação, com gradiente positivo, entre o desfecho e a idade 9,16,19. A significância estatística com a antiguidade no cargo ocupado nas faixas de 5-10 anos e a idade entre 20 e 47 anos não foi surpreendente 24.

Sexo masculino, faixa etária menos jovem, antiguidade no cargo e consumo diário de álcool foram associados à perda auditiva de origem ocupacional na amostra de 1.670 trabalhadores do setor de entretenimento e restaurante 19. A relação entre o aumento da perda auditiva de acordo com a idade e o tempo de serviço também foi confirmada em outros estudos16,20. Na nossa amostra, não houve associação estatisticamente significante nem com sexo nem com o uso problemático de álcool. Não é possível cotejar tal resultado diante da maciça presença de homens ou da exclusão das mulheres nos estudos. Quando estão presentes, a maioria das mulheres ocupa o posto de cobrador.

A prevalência de diagnóstico de zumbido na população estudada foi de 13,3%, com forte significância estatística, sendo superior à encontrada (7,2%) no grupo da indústria alimentícia 25, e inferior à encontrada (23,6%) no grupo de policiais do trânsito rodoviário 20. A exposição constante ao ruído aumenta o risco de desenvolvimento de zumbido 10. Ainda que a variável desfecho não permita esclarecer nem o tipo nem a causa da perda auditiva, em se tratando da população de rodoviários, não seria excessivo supor o agravamento do quadro mórbido diante das condições ambientais a que o grupo dos trabalhadores dos ônibus está exposto na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Aproximadamente um terço dos trabalhadores faltou ao trabalho por problemas de saúde nos últimos 12 meses. Nesse grupo, o relato de diagnóstico de perda auditiva aumentou em 42% quando comparado ao grupo dos que não relataram problema de saúde. Não foram encontrados na literatura estudos relacionando perda auditiva a absenteísmo, no entanto, é possível supor que os efeitos auditivos e não auditivos do ruído estejam provocando prejuízos para a saúde global dos sujeitos 26 e o consequente absenteísmo.

Os diagnósticos de doença ocupacional e hipertensão perderam a significância estatística no modelo final. Quanto à doença ocupacional, seria esperada a associação positiva porque a doença ocupacional auditiva é frequente em adultos jovens expostos a ruído. Dentro de outra perspectiva, a pergunta que deu origem ao desfecho não é clara quanto à origem do problema. Dessa feita, a ausência de associação pode ser explicada. Contudo, não podemos trazer mais elementos para resolver o impasse.

Quanto à hipertensão, a literatura não é convergente. Em vigência de exposição ao ruído, verificou-se aumento da pressão arterial sistólica em trabalhadores de uma empresa siderúrgica em Fars, Irã. Contudo, não se confirmou resultado significativo (p > 0,05) quando os índices pressóricos foram comparados com a situação anterior à exposição 27. Em um estudo transversal que focalizou amostra probabilística de 4.300 motoristas rodoviários da cidade de Isfahan, Irã, a pressão arterial não apresentou significância estatística com a perda auditiva induzida por ruído 21. Considerando as características de frequência do ruído, no grupo de habitantes de domicílios de uma área circulada por rodovias de tráfego e ruído intensos da cidade de Taichung, Taiwan, evidenciou-se associação positiva entre hipertensão arterial e baixos níveis de frequência quando comparado à população exposta a maiores níveis de frequência do ruído 28.

Ruído excessivo, desconforto térmico e condições ergonômicas inadequadas explicam a intensa sobrecarga física e mental a que se expõem os rodoviários das metrópoles16. Os relatos de vibração do corpo inteiro e de ruído insuportável dentro do ônibus aumentaram 36% e 47%, respectivamente, a probabilidade de diagnóstico de perda auditiva. Esse mesmo efeito não foi registrado para o caso do relato de desconforto térmico (temperatura interna do ônibus incômoda e insuportável).

A exposição isolada ao ruído ou a combinação com a vibração do corpo inteiro provocam diferentes percepções de desconforto nos sujeitos. O desconforto da exposição a ambos os agentes em diferentes combinações de ruído e vibração pôde ser prevista em um modelo de regressão linear 29. De cunho experimental, tais resultados indicam a necessidade de estudos em situação real.

A vibração do corpo inteiro pode provocar cansaço, dor na coluna e desatenção. O nível de pressão sonora elevado pode gerar zumbido, sensação de plenitude auricular, sensação de piora da audição, cansaço, irritação, nervosismo, ansiedade e desatenção. Vibração do corpo inteiro foi relevante, mas não foi observada associação desta com a perda auditiva de origem ocupacional, nem interação com a exposição ao ruído na amostra de rodoviários de São Paulo 23.

Os resultados apresentados devem ser interpretados com cautela, pois o desfecho pode ser atribuído ao trabalho apenas no plano das hipóteses. Essas seriam calcadas nas associações com o microambiente do ônibus que se revelou poluído (vibração, ruído e temperatura desconfortáveis). A relação entre perda auditiva de origem ocupacional e as demais variáveis foi realizada por meio de autorrelato sem inclusão dos dados do exame audiométrico tonal. A confirmação do diagnóstico de perda auditiva dependeria do traçado típico dessa condição nos audiogramas e da comprovação da exposição ao ruído no ambiente de trabalho. Quanto a essa, é fundamental caracterizar tanto a intensidade quanto a característica do ruído 3. Sendo assim, é necessário assumir a redução da sensibilidade e especificidadedo método.

O estudo não foi delineado com o único propósito de se avaliar a prevalência de perda auditiva de origem ocupacional, mas a frequência ou proporção de tal morbidade descrita nos estudos é igualmente elevada (acima de 25%). Sendo assim, os indicadores de poder do teste utilizado coincidem com aqueles admitidos para dor lombar (desfecho principal para o cálculo amostral da pesquisa).

Uma vez declarado os seus principais limites, é desejável considerar a raridade de estudos que interrogaram diretamente os trabalhadores do transporte urbano no tema que abarcou, em nosso estudo, tanto a morbidade quanto a exposição. Vale mencionar que todas as associações encontradas são plausíveis, indicando a necessidade de intervir nas condições evidenciadas, a fim de transformá-las, conforme conclama a categoria dos rodoviários no cenário brasileiro atual.

Diante da impossibilidade de uso do protetor auricular, é crucial expandir a formação da categoria quanto aos riscos ocupacionais e aos efeitos na esfera física e social dos sujeitos com tal perda. No âmbito da prevenção, apoiar as negociações sociais seria uma maneira de alcançar melhorias das engrenagens e dispositivos dos veículos, cuja fabricação nem sempre incorpora avanços tecnológicos protetores do microambiente quanto à produção de ruído e vibração 22, ambos potentes fatores de risco para perda auditiva.

Está indicado articular as políticas locais de promoção da saúde às ações lideradas pela Rede de Atenção à Saúde Auditiva. Entre elas estão as medidas de rastreamento precoce e o tratamento nos níveis de média e de alta complexidade 3,30,31. Ampliar o acesso aos locais de assistência – Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) que formam a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) – seria um facilitador rumo à melhoria da assistência à saúde auditiva.

REFERÊNCIAS

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