Perfil de nutrizes e lactentes atendidos na Unidade de Atenção Primária de Saúde

Perfil de nutrizes e lactentes atendidos na Unidade de Atenção Primária de Saúde

Autores:

Rebecca Camurça Torquato,
Vanusa Maria Gomes Napoleão Silva,
Ana Paola de Araújo Lopes,
Lidiane do Nascimento Rodrigues,
Wandra Camila Penaforte da Silva,
Edna Maria Camelo Chaves

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.22 no.1 Rio de Janeiro 2018 Epub 01-Fev-2018

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2017-0212

INTRODUÇÃO

O aleitamento materno é um processo biológico, cultural e social. Dentre as premissas que favorecem o aleitamento encontram-se a diminuição dos episódios de diarreia, infecções respiratórias, alergias, hipertensão e aumento no colesterol e diabetes na vida adulta; redução dos índices de mortalidade infantil, de obesidade; proteção contra o câncer de mama e também prevenção de nova gravidez no período puerperal, além de promover o vínculo afetivo entre mãe e filho.1

Entretanto, apesar de todas as evidências científicas provando a superioridade da amamentação sobre outras formas de alimentar a criança de zero a seis meses e apesar dos esforços de diversas organizações nacionais e internacionais, as taxas de aleitamento materno no Brasil, em especial, as de amamentação exclusiva, preconizada até o sexto mês de vida do bebê, estão bastante aquém do recomendado.1

Resultados de uma revisão sistemática mostram que, muitas vezes, as mulheres não conhecem o contexto da amamentação ou ainda não estão preparadas para tal ato, deixando-as vulneráveis a apresentarem dificuldades ao longo do processo.2 Dentre estas as mais frequentes são: dores e desconforto no mamilo ao amamentar, posicionamento inadequado do recém-nascido, ingurgitamento mamário e fissuras, as quais se assumem como causas relevantes no abandono desta prática.3

As estratégias de promoção ao aleitamento materno devem ser desenvolvidas tanto em unidades hospitalares como nas Unidades de Atenção Primária à Saúde.4 Destaca-se também a Estratégia de Saúde da Família como ambiente propício para a realização das atividades voltadas ao aleitamento materno, uma vez que é considerado um espaço de resolutividade da situação de saúde da comunidade e que deve acolher, escutar e oferecer respostas resolutivas aos problemas de saúde da população, gerando, assim, um cuidado com integralidade a todos os indivíduos.

O profissional de saúde é fundamental na prevenção e intervenção das dificuldades relacionadas à amamentação, o que requer conhecimentos, atitudes e habilidades específicas.5 Nesse contexto, o enfermeiro como o profissional que mantém maior contato com os pacientes, necessita estar preparado para orientar as mães, pois nem sempre estas possuem habilidade materna para cuidar do recém-nascido e amamentá-lo, revertendo-se em dificuldades e considerando o ato de amamentar como desagradável.6

Diante do exposto, conhecer o perfil das nutrizes torna-se essencial para subsidiar os serviços de saúde no planejamento de uma assistência de qualidade. Assim, a nutriz poderá estabelecer o vínculo afetivo com seu bebê e sucesso nesse período. Além disso, a literatura traz, demasiadamente, estudos sobre amamentação, especialmente no que diz respeito as dificuldades e desmame precoce, porém ainda são escassas pesquisas sobre o perfil de nutrizes atendidas nas unidades de atenção primária. Dessa maneira, este estudo objetivou caracterizar o perfil de nutrizes e lactentes atendidos na atenção primária de saúde.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo e transversal, com abordagem quantitativa. Foi realizado em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. A população foi composta por nutrizes, cadastradas na referida unidade de atenção primária pertencente a Regional de Saúde IV do município. Amostra composta por 135 participantes.

Foram entrevistadas as nutrizes que atenderam os seguintes critérios de inclusão: ser mãe de criança acompanhada nas consultas de puericultura e compreender as questões da entrevista. Os critérios de exclusão utilizados foram: nutrizes que apresentaram impossibilidade para amamentar por serem portadoras da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e/ou portadoras de distúrbios psiquiátricos.

Os dados foram coletados de maio a outubro de 2016 por colaboradores treinados, participantes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Cuidados da Criança e Adolescente da Universidade Estadual do Ceará. Para a coleta foi utilizado um formulário construído, previamente, pelas pesquisadoras, com informações sociodemográficas e clínicas da nutriz e do lactente.

As informações obtidas com o estudo foram tratadas pela análise descritiva, que tem como objetivo sumarizar os dados coletados, transformando em informação os dados quantificáveis originalmente obtidos com aplicação do instrumento. Após análise, os dados foram apresentados por meio de tabelas e discutidos a partir da literatura relativa à temática.

Foram observados e respeitados todos os cuidados éticos que regem pesquisas com seres humanos, segundo a Resolução 466/2012, regulamentados pelo Conselho Nacional de Saúde. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará com parecer de número 1.462.666.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram do estudo 135 nutrizes com idade entre 15 a 42 anos, com média de 26,8 anos. A faixa etária predominante foi de 20 a 35 anos de idade (74,8%), seguido por nutrizes adolescentes na faixa etária de 15 a 19 anos (14,1%). A predominância pelo grupo etário de 20 a 35 anos, relaciona-se com o período da vida da mulher considerado fértil e propício para a gestação.

Sabe-se que idade a materna é um fator que influencia no aleitamento materno, fato este corroborado por estudo realizado sobre as dificuldades envolvidas na amamentação, que mostra que mulheres com mais idade, tem mais dificuldade em amamentar seus filhos, influenciando na manutenção da prática do aleitamento.2 Além disso, mulheres mais jovens têm acesso a meios de informação com mais facilidade no que se refere aos benefícios e vantagens da amamentação.7

Em relação ao estado civil, 56 participantes (41,5%) mantinham uma união consensual, 54 mulheres (40%) eram casadas, 25 (18,5%) eram solteiras, percebendo-se, então, que 81,5% das nutrizes tinham a presença do companheiro. Esse achado vai de encontro com a literatura, pois a presença de um companheiro é importante para o apoio e incentivo, tornando-se fundamental para a mulher que amamenta.8 Assim, o envolvimento do marido dando atenção, carinho, afeto e alegria para a mulher são ações que fortalecem a adesão ao aleitamento materno.9 A presença do companheiro na rede social é uma influência positiva para a amamentação, principalmente na amamentação exclusiva, podendo sua ausência representar um fator determinante para o desmame precoce.10

A escolaridade das nutrizes variou entre ensino fundamental incompleto a ensino superior completo. O ensino médio completo foi o grau de instrução mais frequente (47,4%), seguido por ensino médio incompleto (17,8%). Nutrizes com baixa escolaridade podem não compreender a real importância do leite materno para a vida dos recém-nascidos, sua contribuição calórica e energética e sua influência no crescimento e desenvolvimento da criança e, assim, não entender a necessidade do aleitamento materno exclusivo para a criança.11

Em relação à atividade laboral materna, 64,5% das nutrizes realizavam apenas as atividades do lar, seguido por 32,6% que eram ativas no mercado de trabalho e 2,9% que mantinham outras fontes de renda. Nesse ínterim, o trabalho formal não impede a mulher de amamentar se houver uma situação favorável para sua continuidade, como cumprimento do tempo de licença materna e espaços no local de trabalho específicos para o aleitamento ou ordenha do leite materno.12

Quanto ao perfil obstétrico, a maioria das participantes tinha um filho (48,9%), seguido por mulheres com dois filhos (36,3%) e nutrizes com três ou mais filhos (14,8%). Um dos fatores que pode justificar a redução da paridade na sociedade atual pode ser relacionado ao aumento dos direitos reprodutivos femininos, onde se pode citar a Lei nº 9.263/1996, que regula o planejamento familiar no Brasil e oferece assistência à concepção e contracepção, oferecendo possibilidades a mulher acerca de sua estrutura familiar.13

O principal local do acompanhamento pré-natal das nutrizes foi a unidade de atenção primária (71,8%), seguido por hospital público (31,1%) e clínica particular (17,1%) e fizeram entre três a sete consultas no período. Algumas nutrizes relataram ter realizado consultas tanto na atenção primária como em hospitais particulares.

A unidade de atenção primária deve ser a porta de entrada preferencial da gestante no sistema de saúde, sendo o local que vai acolher melhor as necessidades, proporcionando um acompanhamento longitudinal e continuado, principalmente durante a gravidez. As consultas são intercaladas entre médicos e enfermeiros, sendo preconizado que os profissionais que atendem a essa mulher, estimulem e orientem ao aleitamento materno em todo o processo.14 Caso alguma gestante apresente sinais de risco durante esses atendimentos, esta deve ser encaminhada a hospitais de referência para acompanhamento mais rigoroso, não trazendo assim riscos para sua saúde ou a do bebê. Esse fato justifica porque algumas nutrizes desse estudo fizeram seu acompanhamento em hospital público.

Dessa maneira, a difusão de informações sobre o aleitamento materno constitui um importante papel para todos os profissionais de saúde, em especial, o enfermeiro, que deve oferecer suporte adequado e contínuo para o binômio mãe/bebê.15

Em relação ao tipo de parto, o cesáreo (60%) foi o mais relatado pelas participantes do estudo. Sabe-se que o parto cesáreo é um fator que dificulta o início do aleitamento materno, uma vez que as mulheres referem dores e desconfortos devido à cirurgia, dificultando a maneira em posicionar a criança corretamente, podendo interferir na disposição da mulher para amamentar, bem como a demora na descida do leite.11 Cabe aos profissionais da saúde, em particular a enfermagem auxiliar essas mulheres que se encontram na unidade, muitas vezes, necessitando de apoio para iniciar o aleitamento.

A duração da gestação variou entre 38 a 42 semanas (91,1%) e 12 mulheres (8,9%) tiveram uma gestação de 37 semanas ou menos. Apesar da pequena quantidade de mulheres que tiveram a duração da gestação reduzida, salienta-se que estas devem ter um cuidado diferenciado, necessitando de maior incentivo e apoio a prática do aleitamento materno, pois são mulheres mais vulneráveis ao desmame precoce.16

Enquanto isso, nas gestações a termo, ao nascer, o recém-nascido é colocado prontamente ao seio materno, logo após clampeamento e corte do cordão umbilical de acordo com as diretrizes propostas pelo Ministério da Saúde.17 Vale ressaltar que a mãe e o bebê devem estar clinicamente bem para realizar o quarto passo do aleitamento materno.1

Um aspecto importante na amamentação é a anatomia das mamas, pois muitas mulheres consideram uma adversidade para o sucesso da amamentação; entretanto, mamilos planos ou invertidos podem até apresentar alguma dificuldade no começo da amamentação, porém isso não impede que o aleitamento materno ocorra. É nesse momento que são imprescindíveis o apoio e o conhecimento do profissional de saúde para que essa mãe possa conseguir amamentar com sucesso.

As complicações mamárias suscitadas neste estudo, tais como fissuras, dor e mastite, assemelham-se com os resultados encontrados por outros autores que relacionaram as complicações encontradas, principalmente, a pega inadequada do seio e posicionamento do bebê.2,18 Esses resultados confirmam a importância do profissional de saúde no que concerne a orientação e acompanhamento das nutrizes no processo de aleitamento, intervindo de modo adequado nas possíveis complicações e evitando o desmame precoce. Os dados apresentados estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1 Perfil sócio demográfico e obstétrico das nutrizes. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2016. 

Variáveis N % ME ± DP
Idade 26,89 ± 6,45
15 a 19 19 14,1
20 a 35 101 74,8
36 a 42 15 11,1
Estado Civil
União Consensual 56 41,5
Casada 54 40,0
Solteira 25 18,5
Escolaridade
Ensino Médio Completo 64 47,4
Ensino Médio Incompleto 24 17,8
Ensino Fundamental Incompleto 19 14,1
Ensino Superior Completo 11 8,1
Ensino Superior Incompleto 10 7,4
Ensino Fundamental Completo 7 5,2
Atividade laboral
Do lar 87 64,5
Ativas no mercado de trabalho 44 32,6
Outras 4 2,9
Paridade
Um 66 48,9
Dois 49 36,3
Três ou mais 20 14,8
Local do Pré-natal (n = 162)*
Atenção Primária 97 71,8
Hospital Especializado 42 31,1
Clínica Particular 23 17,1 7,89 ± 2,21
Número consultas
3 a 6 31 22,9
7 ou mais 104 77,1
Tipo de Parto
Cesáreo 81 60,0
Vaginal 54 40,0 39,4 ± 1,59
Duração da gestação
≤ 37 semanas gestacionais 12 8,9
38 - 42 semanas gestacionais 123 91,1
Problema nas mamas
Nenhum 100 74,0
Fissura 17 12,5
Dor 10 7,4
Ferimentos 5 3,7
Ingurgitamento 3 2,2
Tipo de mamilo da nutriz
Adequado 107 79,3
Comprido 12 8,9
Plano 6 4,4
Invertido 5 3,7
Assimétricos 5 3,7

Fonte: Elaborado pelas autoras.

*Houve mulheres que realizavam pré-natal em dois locais concomitantemente.

Na Tabela 2, caracteriza-se o perfil dos lactentes participantes. Destes, 51,1% eram do sexo feminino e 48,9% do sexo masculino. A faixa de peso ao nascer predominante foi de crianças entre 2.501 a 3.500 gramas (58,5%). A idade dos bebês variou entre menores de um mês até seis meses, sendo que a maior frequência ficou entre os recém-nascidos de 1 a 4 meses (57,0%). A maioria das crianças não apresentou nenhum problema de saúde ao nascer (68,3%). A icterícia foi o problema de saúde mais comum entre os participantes acometendo 16,2% dos lactentes.

Tabela 2 Perfil dos recém-nascidos e amamentação. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2016. 

Variáveis N % ME ± DP
Sexo
Feminino 69 51,1
Masculino 66 48,9
Peso ao nascer
≤ 2500 4 2,9 3341,4 ± 519,23
2501 a 3500 79 58,5
≥ 3501 52 38,6
Idade (meses)
Menores de 1 mês 29 21,5
1-4 meses 77 57,0 2,6 ± 1,99
Acima de 5 meses 29 21,5
Problemas de saúde ao nascer (n = 142)*
Nenhum 97 68,3
Icterícia 23 16,2
Desconforto respiratório 19 13,4
Outros 3 2,1
Tempo de AM exclusiva (meses)
Menores de 1 25 18,5
1-4 45 33,3
5-6 9 6,6
Sem amamentação 56 41,4
Apresentou dificuldade na pega
Sim 37 27,4
Não 98 72,6

Fonte: Elaborado pelas autoras.

*Alguns recém-nascidos apresentaram mais de um problema ao nascer (n = 142).

Em um estudo realizado,19 observou-se que em recém-nascidos com intercorrências no pós-parto a prevalência de aleitamento materno na primeira hora do parto foi menor, o que pode ser justificado pelas condutas de saúde a serem realizadas nesses casos em detrimento da realização do quarto passo para o sucesso da amamentação.

De acordo com o tempo de aleitamento materno exclusivo, a maioria dos lactentes (33,3%) foi amamentado até o quarto mês. O aleitamento materno exclusivo objetiva assegurar uma alimentação de qualidade a criança. É uma prática que promove o vínculo entre o binômio mãe-bebê, além de ser barata e segura de alimentação. Porém, diversos fatores podem interferir nessa prática.20

Quando analisado a variável amamentação na sala de parto (54,8%) das nutrizes amamentaram na sala de parto. O empoderamento da mulher sobre suas escolhas durante o parto deve iniciar no pré-natal com discussões sobre os benefícios do aleitamento materno na primeira hora de vida do bebê e deve ser respeitada a decisão da parturiente, tornando-a um sujeito ativo na realização do quarto passo.19

A maioria dos bebês participantes não apresentou dificuldade na pega do seio (72,6%), o que representa um fator positivo para o início da amamentação e contribui para a continuidade do processo. A malformação oral pode interferir na amamentação, dificultando a pega da mama, por isso é importante a avaliação oral da criança e avaliação da mamada pela equipe multiprofissional, visando promover uma melhor assistência ao binômio mãe-bebê.21

O aleitamento materno é um processo complexo que abrange fatores culturais, sociais, biológicos e emocionais. É importante respeitar a vontade da mulher nesse período, como também oferecer aconselhamentos, visando promover a amamentação. As orientações devem ser iniciadas durante o pré-natal para que a gestante entenda o manejo correto do aleitamento materno e seus benefícios ao binômio mãe-bebê.22

Devido a essas dificuldades, muitas mães encontram na fórmula infantil a solução para manter o seu filho saudável e nutrido, pois é um alimento que sempre estará disponível. Além disso, as indústrias em conjunto com a publicidade trouxeram o leite em pó como um excelente substituto, relatando que eles são práticos, foi preparado em condições ideais de higiene e possuem quantidade variada de vitaminas, suprindo assim as necessidades da criança.23

Embora algumas vezes as nutrizes não compreendam o contexto que envolve o aleitamento materno ou ainda não estão familiarizadas com seu papel maternal, a maioria reconhece a importância da amamentação para seus filhos.5 Portanto, o insucesso na amamentação causa sentimentos negativos para as nutrizes, demandando uma atenção multidisciplinar humanizada que acolha e apoie a nutriz para o enfrentamento das dificuldades.24

Nesse contexto, as orientações que promovem o aleitamento materno, favorecem a continuidade desse processo, e o profissional de enfermagem, que possui conhecimento científico e técnico sobre a prática da amamentação, é um importante agente na realização dessa estratégia às gestantes e puérperas, sendo um dos responsáveis pelo sucesso ou insucesso no processo da amamentação.22 Nas relações entre as nutrizes e os profissionais de saúde é possível observar um grau de empatia e cumplicidade e assim, estabelecendo um vínculo de segurança e apoio.9

Além disso, o apoio contínuo dos profissionais de saúde por meio do acolhimento nas unidades de saúde, a participação em grupos de apoio, as visitas domiciliares, durante a amamentação é de suma importância, pois estes são fatores determinantes para uma melhor adesão das mulheres. Pensando nisso, entende-se que os profissionais de saúde são os principais intervenientes e responsáveis pela promoção do aleitamento materno e da sua manutenção, isto porque são estes, com as suas competências e formação técnica, que podem conceder o maior apoio e informação durante a gravidez e no período do puerpério.2

A relevância da amamentação para a saúde da mulher e da criança é um conhecimento incorporado nos profissionais de saúde e, portanto, não devemos deixar de ofertar a essa nutriz as informações necessárias para que se alcance o sucesso dessa prática.

CONCLUSÕES

O aleitamento materno é ato de grande relevância para o lactente, no entanto percebe-se que a nutriz acompanhada no serviço de saúde, não está atendendo a recomendação preconizada pelo Ministério da Saúde. Os índices de amamentação exclusiva encontram-se abaixo do recomendado.

As participantes do estudo foram mulheres jovens, em idade fértil com bom nível de escolaridade, no entanto os índices de amamentação foram baixos. Apesar de ser um tema amplamente discutido, ainda é necessário intensificar as orientações por meio de educação em saúde nas unidades de atenção primária à saúde, uma vez que o ato de amamentar é importante para a saúde da mulher e de seu filho. Deve-se levar em consideração que o leite materno é o alimento ideal e adequado para as necessidades do lactente, cabendo a equipe de saúde, em particular o enfermeiro desenvolver atividades educativas, que possam sensibilizar as nutrizes que são acompanhadas nos serviços.

Este estudo apresentou como limitação, a abrangência demográfica, pois foi realizado apenas em uma unidade de atenção primária. Entretanto, pode identificar o comportamento dessas mulheres diante da amamentação, o qual foi de encontro com o que traz na literatura. Sugere-se que a posteriori, o estudo possa ser aplicado em outras regiões para comparar o perfil das mães que amamentam em diferentes regiões.

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