Perfil dos ingressantes na primeira turma de graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein

Perfil dos ingressantes na primeira turma de graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein

Autores:

Ângela Tavares Paes,
Bruna de Freitas Dias,
Giulia Nicolucci Eleutério,
Vitória Penido de Paula

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.16 no.3 São Paulo 2018 Epub 21-Set-2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082018ao4228

INTRODUÇÃO

No último ano do Ensino Médio, muitos estudantes preparam-se para o vestibular e precisam decidir qual curso e em qual instituição irão pleitear a vaga no Ensino Superior. Dentre as diversas opções, o curso de Medicina é um dos mais procurados e, assim, um dos mais concorridos no Brasil.

O estudante que ingressa em um curso médico, em geral, tem alta capacidade técnica, mas nem sempre tem perfil adequado para cursar Medicina. Segundo as diretrizes curriculares estabelecidas pelo Ministério da Educação, o graduado em Medicina deve ter “formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença”.(1) Esta descrição sugere que o estudante de Medicina deve ter muito mais do que o conhecimento técnico e abrangente que o insere no curso de Medicina.

Após um levantamento dos processos seletivos dos principais cursos médicos do país, verificou-se que há variados tipos de seleção, alguns com provas em uma só fase, como a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FAMERP), outros que consideram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM); e aqueles com provas em duas fases, como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE). As provas podem ser objetivas de múltipla escolha (em geral, na primeira fase), dissertativas (segunda fase), além de algumas seleções em que, em um único dia de prova, é apresentado mais de um tipo de questionamento; podem também incluir redações argumentativas ou de variados gêneros. Nesse levantamento, constatou-se que, apesar dos constantes esforços em adaptar os processos seletivos na busca de estudantes com maior capacidade crítica, os vestibulares de Medicina no país, em geral, utilizam métodos de seleção que priorizam as habilidades cognitivas dos candidatos.

Em 2016, a FICSAE iniciou o curso de graduação em Medicina com a proposta de novas metodologias de ensino e um método de seleção diferenciado, que valoriza habilidades não cognitivas dos candidatos, como pensamento crítico, trabalho em equipe, comunicação, motivação e ética. Esse processo seletivo é composto de duas fases: a primeira visa avaliar competências acadêmicas, por meio de prova objetiva e questões dissertativas.(2) Na segunda fase, os candidatos aprovados na primeira fase são submetidos a múltiplas minientrevistas (MME).(3) As MME são entrevistas estruturadas controladas por tempo que permitem que o candidato expresse suas habilidades. Esse tipo de seleção, inovadora no Brasil, já é praticada em faculdades de Medicina de países como Canadá e Reino Unido, além de 30 faculdades dos Estados Unidos. A proposta do método é ressaltar capacidades não cognitivas relevantes para a instituição, tanto no aspecto humano do indivíduo quanto no profissional, valorizando competências como compaixão, comunicação efetiva, empatia, pensamento crítico, ética, liderança, trabalho em equipe e motivação.(4)

Além do critério de seleção diferenciado, a FICSAE utiliza como principal metodologia de ensino a Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE).(5,6) A ABE envolve a proatividade dos alunos, os quais precisam chegar às aulas com o conteúdo previamente estudado, e atividades em equipe com ênfase na prática médica.

Embora metodologias ativas estejam presentes em boa parte das faculdades de Medicina, a ABE, em específico, ainda é pouco conhecida. Das 52 faculdades de Medicina do Estado de São Paulo, 19 (36%) especificam em seu Projeto Pedagógico o uso de metodologias ativas. Destas, 10 (52,6%) adotam a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP),(7) que se diferencia da ABE em diversos aspectos, como a existência de testes de garantia do preparo (RAT, readiness assurance test) e a supervisão de um único professor para todos os grupos de alunos.

As peculiaridades do processo seletivo e da metodologia de ensino, aliadas ao fato de ser o início de um curso de graduação, tornam interessante conhecer quem são os alunos ingressantes. A descrição desse perfil pode trazer informações de interesse do público em geral e de profissionais do campo educacional.

OBJETIVO

Descrever o perfil dos alunos da primeira turma do curso de graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein com relação à características sociodemográficas, informações do Ensino Médio, vestibulares, prática de atividade física, lazer, parentesco médico, especialidade que pretende seguir e intenção em participar de atividades acadêmicas.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo transversal com abordagem quantitativa. Participaram do estudo todos os 50 alunos aprovados na primeira turma de Medicina da FICSAE que iniciaram o curso no primeiro semestre de 2016.

Com o auxílio da ferramenta de formulários do Google, foi elaborado um questionário, de preenchimento voluntário, para atividade de sala da disciplina de Bioestatística. Os dados foram coletados em agosto de 2016, quando os alunos estavam no segundo semestre do primeiro ano do curso. O questionário proposto inicialmente continha diversas perguntas abertas, que dificultavam o processamento dos dados. Após uma aula sobre organização de bancos de dados, os alunos fizeram críticas e propuseram melhorias por meio de um fórum de discussão, resultando em um instrumento com 23 perguntas (Anexo 1). O questionário reformulado foi aplicado novamente, e os dados foram utilizados em uma aula prática para exemplificar conceitos sobre estatísticas descritivas.

Para que os dados pudessem ser utilizados no presente estudo, todos os participantes receberam e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). De acordo com o Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) de nossa instituição, o presente estudo se enquadra na resolução 510/16, que permitiu isenção de aprovação no CEP.

RESULTADOS

As características sociodemográficas e informações sobre o estudo antes do ingresso na faculdade estão descritas nas tabelas 1 e 2. O grupo de ingressantes era formado predominantemente por alunos do sexo feminino (74%). A média de idade era de 20,3 anos (desvio padrão – DP=2,1), variando entre 17 e 29 anos (Figura 1). A maioria (80%) era da Região Sudeste; 76% eram do Estado de São Paulo, e 23 estudantes (46%) eram nascidos na cidade de São Paulo. Dentre os que nasceram em outras cidades, dez mudaram de residência para se preparar para o vestibular. Quanto à religião, boa parte dos alunos (42%) era católica, e 11 (22%) afirmaram não ter religião.

Figura 1 Distribuição dos ingressantes quanto à idade (em anos) no total e por sexo 

Tabela 1 Características sociodemográficas dos ingressantes 

Variáveis n (%)
Sexo
Masculino 13 (26,0)
Feminino 37 (74,0)
Faixa etária
Menos de 18 anos 3 (6,0)
Entre 18 e 21 anos 34 (68,0)
Mais de 21 anos 13 (26,0)
Estado em que nasceu
São Paulo 38 (76,0)
Outros Estados 12 (24,0)
Região em que nasceu
Sudeste* 40 (80,0)
Centro-Oeste 7 (14,0)
Sul 2 (4,0)
Nordeste§ 1 (2,0)
Religião
Católica 21 (42,0)
Não tem religião 11 (22,0)
Ateísmo 3 (6,0)
Espírita 2 (4,0)
Cristão 1 (2,0)
Paganismo 1 (2,0)
Candomblé 1 (2,0)
Evangélico 1 (2,0)
Sem informação 9 (18,0)

*38 de São Paulo e 2 de Minas Gerais;

4 de Goiás; 2 de Mato Grosso e 1de Mato Grosso do Sul;

1 Paraná e um Rio Grande do Sul;

§Maranhão.

Tabela 2 Dados do ensino médio e vestibulares dos ingressantes 

Variáveis n (%)
Tipo de escola em que cursou o Ensino Médio
Particular 49 (98,0)
Parte em pública parte em particular 1 (2,0)
Há quanto tempo concluiu o Ensino Médio, anos
1 8 (16,0)
2 17 (34,0)
3 10 (20,0)
4 8 (16,0)
5 ou mais 7 (14,0)
Fez cursinho pré-vestibular?
Sim 43 (86,0)
Não 7 (14,0)
Número de vestibulares que prestou*
Menos de quatro
Quatro 2 (4,0)
Cinco ou mais 48 (96,0)
Quais vestibulares prestou no ano de ingresso, além da FICSAE
FUVEST 46 (92,0)
UNICAMP 43 (86,0)
UNIFESP 42 (84,0)
UNESP 40 (80,0)
Outras do Estado de São Paulo com vestibular próprio 34 (68,0)
Outras públicas fora do Estado de São Paulo 26 (52,0)
Outras do Estado de São Paulo pelo Sisu 14 (28,0)
Outras privadas fora do Estado de São Paulo 7 (14,0)

*No ano de ingresso;

resposta múltipla.

FICSAE: Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein; FUVEST: Fundação Universitária para o Vestibular; UNICAMP: Universidade Estadual de Campinas; UNIFESP: Universidade Federal de São Paulo; UNESP: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

Quarenta e nove alunos (98%) estudavam em escolas particulares. Em média, os estudantes tinham concluído o Ensino Médio há 3 anos (DP=1,9), apenas sete (14%) não fizeram cursinho pré-vestibular, e todos prestaram pelo menos quatro outras faculdades no ano de ingresso. Dentre os vestibulares escolhidos, estavam Fuvest (92%), Unicamp (86%) e Unifesp (84%).

Quando questionados sobre as disciplinas de que gostavam mais ou menos durante o Ensino Médio (Figura 2), as preferidas foram Biologia (72%) e Química (58%). Observamos também que metade dos estudantes assinalou História como uma das matérias de que mais gostava. Entre as matérias que os alunos menos gostavam estavam Geografia (40%), Matemática (36%) e Física (34%), porém as duas últimas também foram bem votadas entre as disciplinas de que mais gostavam.

Figura 2 Disciplinas das quais os alunos gostavam mais ou menos durante o Ensino Médio 

Dentre os alunos, 64% disseram praticar alguma atividade física, sendo que 38% praticavam de duas a três vezes por semana (Tabela 3). As atividades mais praticadas eram exercícios de academia (musculação ou aulas em sala), com 54%, e corrida/caminhada, com 24%. Quanto às atividades de lazer, 41 estudantes (82%) assinalaram dormir, 72% gostavam de ir ao cinema e 68%, assistir à televisão.

Tabela 3 Dados sobre atividade física e lazer dos ingressantes 

Variáveis n (%)
Pratica atividade física
Sim 32 (64,0)
Não 18 (36,0)
Frequência com que pratica atividade física na semana
Até 1 vez 7 (14,0)
2-3 vezes na semana 19 (38,0)
≥4 vezes na semana 6 (12,0)
Qual atividade pratica
Academia (musculação/aulas em sala) 27 (54,0)
Corrida/caminhada 12 (24,0)
Natação 3 (6,0)
Futebol 2 (4,0)
Tênis 2 (4,0)
Dança 1 (2,0)
Handebol 1 (2,0)
Outro 1 (2,0)
Lutas (boxe e taekwondo) 1(2,0)
Pilates 1 (2,0)
Atividades de lazer
Dormir 41 (82,0)
Cinema 36 (72,0)
Assistir à televisão 34 (68,0)
Balada (bares/casas noturnas) 31 (62,0)
Ler 23 (46,0)
Parques 19 (38,0)
Shopping 19 (38,0)
Esportes 18 (36,0)
Visitar parentes 17 (34,0)
Sair com namorado 16 (32,0)
Shows 16 (32,0)

Quase 60% dos alunos tinham algum parente médico, sendo que, em 24%, o médico na família era o pai ou a mãe. Observou-se também que a proporção de estudantes com parentesco médico foi maior entre estudantes de fora da Região Sudeste (8/10=80%).

Mais da metade dos estudantes (52%) não sabia qual especialidade pretendia seguir e, entre os que sabiam, as escolhas foram variadas (Tabela 4). A escolha da especialidade (saber ou não) não estava associada ao parentesco médico (teste χ2; p=0,390).

Tabela 4 Relação dos estudantes com a Medicina 

Variáveis n (%)
Tem algum médico na família
Sim 29 (58,0)
Não 21 (42,0)
Grau de parentesco com o médico na família
Pai/mãe 12 (24,0)
Tios 10 (20,0)
Outro 9 (18,0)
Avôs 5 (10,0)
Especialidade médica que pretende seguir
Não sei 26 (52,0)
Oncologia 4 (8,0)
Psiquiatria 4 (8,0)
Cardiologia 2 (4,0)
Genética Médica 2 (4,0)
Neurocirurgia 2 (4,0)
Pediatria 2 (4,0)
Cirurgia 1 (2,0)
Cirurgia Cardiovascular 1 (2,0)
Cirurgia de Cabeça e Pescoço 1 (2,0)
Cirurgia Pediátrica/Pré-Natal 1 (2,0)
Gastrenterologia 1 (2,0)
Ginecologia e Obstetrícia 1 (2,0)
Medicina Legal e Perícia Médica 1 (2,0)
Radiologia e diagnóstico por imagem 1 (2,0)

DISCUSSÃO

A decisão de cursar a primeira turma de uma faculdade de Medicina privada não é simples. Além da insegurança em investir em um curso de graduação totalmente novo, que ainda não foi avaliado, no caso da FICSAE há também o desafio de uma nova metodologia de ensino e do processo seletivo, de certa forma, subjetivo. Apesar disso, não foram observadas características nos ingressantes na primeira turma de Medicina da FICSAE que os diferenciassem dos estudantes do mesmo curso em outras universidades.(815)

O grupo pesquisado teve predominância de estudantes do sexo feminino, o que também foi observado em estudos anteriores.(811) Esse resultado vai ao encontro da tendência crescente de mulheres na carreira médica no Brasil nos últimos anos,(16) mas, na FICSAE, verificamos que, até o momento, não há um padrão quanto à distribuição entre os sexos, a exemplo do observado nas turmas subsequentes, que apresentaram proporção de mulheres de 70,5% (segunda turma) e 46,2% (terceira turma).

Na escolha por uma faculdade, os estudantes geralmente procuram instituições de ensino não muito distantes de seu local de origem. Neste trabalho, a maioria dos estudantes era da Região Sudeste. Embora não fizesse parte do questionário, os estudantes oriundos de outras regiões foram indagados sobre os motivos para migrarem para São Paulo. Eles mencionam a cultura em sua região de que as escolas médicas do Estado de São Paulo têm qualidade superior às de seu Estado, e alguns relatam o incentivo não apenas de familiares, mas também da coordenação das escolas que frequentaram no Ensino Médio. A maior proporção de estudantes com parentesco médico nesse subgrupo sugere que o apoio dos familiares que já estão na carreira também pode ter contribuído para a migração. A facilidade de transporte aéreo na cidade de São Paulo também foi citada para explicar a preferência por uma faculdade da capital – e não do interior do Estado.

Com relação à religião, chama a atenção o fato de que parcela considerável dos alunos (28%) se disse ateia ou afirmou não ter nenhuma religião. Esse porcentual é bem mais elevado do que o observado na população de São Paulo (9%, segundo dados do último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE). A religião mais frequente foi a católica, o que já é observado na população brasileira em geral (em torno de 60%). Portanto, apesar de a FICSAE ser uma instituição israelita, este fato não pareceu influenciar na escolha dos estudantes.

O fato de a maioria ter cursado o Ensino Médio em escolares particulares já era esperado, dado que as escolas privadas têm alto índice de aprovação nas melhores faculdades, principalmente nos cursos mais concorridos, como é o caso da Medicina. O número de tentativas prévias antes do ingresso, observado nos participantes deste estudo, evidencia o alto grau de dificuldade dos vestibulares.

Não houve grande predominância de estudantes com parentesco médico e, ao contrário do que poderíamos esperar, a presença de médicos na família não foi determinante para que o aluno manifestasse preferência por alguma especialidade. A proporção de ingressantes que não sabiam que especialidade seguir foi próxima à encontrada em outro estudo com estudantes do quinto período.(11)

A procura pelo descanso nos momentos de lazer pode estar relacionada ao momento em que os estudantes estavam vivendo, que correspondia à época de vestibular, em que a dedicação ao estudo é muito intensa. Apesar disso, a prática de atividade física regular foi frequente no grupo estudado e maior do que a relatada em estudo semelhante realizado com estudantes de Medicina de outro Estado.(12)

Entre as limitações deste estudo, destacamos que não foram investigados fatores socioeconômicos e nem outras características que poderiam aprimorar a descrição de perfil dos alunos. No entanto, é importante ressaltar que o questionário foi desenvolvido com o propósito de fazer uma atividade prática em sala de aula e que não houve um planejamento específico para se realizar uma descrição completa desses estudantes. Com relação aos dados financeiros, muito abordados em outros estudos,(1113) o motivo para não terem sido registrados é que o levantamento de informações como renda ou classificação socioeconômica poderia trazer algum constrangimento aos alunos, uma vez que o banco de dados foi disponibilizado para que eles realizassem exercícios práticos. Mesmo sem tais informações, acreditamos que a situação econômica dos estudantes da FICSAE possa não ser tão privilegiada, dado que a instituição oferece apoio financeiro por bolsas de estudo ou crédito estudantil, concedido com base em critérios socioeconômicos, e não somente acadêmicos.

No presente artigo, não exploramos as expectativas dos alunos quanto à profissão médica, à qualidade do curso, às metodologias ativas de ensino(17) ou a dados do perfil, que estivessem relacionadas a aspectos não cognitivos, muito valorizados no método de seleção da FICSAE. Investigações abordando esses aspectos podem ser consideradas em trabalhos futuros.

Embora a avaliação da saúde mental entre estudantes de Medicina seja uma questão bastante discutida na literatura recente,(18,19) também não foram incluídas perguntas no questionário a esse respeito, tendo em vista que a primeira proposta era apenas de cumprimento de uma atividade em sala. Se a intenção inicial fosse científica, o planejamento do estudo também deveria consistir de instrumentos para abordar essa discussão, de grande pertinência e interesse para a sociedade do meio.

CONCLUSÃO

Apesar de ser a primeira turma da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e de ter passado por um processo seletivo que valoriza habilidades não cognitivas, os dados mostraram que o perfil dos alunos, quanto às características investigadas, foi semelhante ao de alunos de medicina de outras faculdades.

REFERÊNCIAS

1. Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução nº3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Educação; 2014 [citado 2017 Abril 10]. Disponível em:
2. Hospital Israelita Albert Einstein. Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa. Ensino [Internet]. São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein; 2017 [citado 2017 Abr 10]. Disponível em:
3. Daniel-Filho DA, Pires EM, Paes AT, Troster EJ, Silva SC, Granato MF, et al. First experience with multiple mini interview for medical school admission in Brazil: does it work in a different cultural scenario? Med Teach. 2017;39(10):1033-9.
4. Eva KW, Rosenfeld J, Reiter HI, Norman GR. An admissions OSCE: the multiple mini-interview. Med Educ. 2004;38(3):314-26.
5. Bollela VR, Senger MH, Tourinho FS, Amaral E. [Team-based learning: from theory to practive]. Rev Facul Med (Ribeirão Preto). 2014;47(3):293-300. Portuguese.
6. Michaelsen LK, Pamerlee DX, McMahon KK, Levine RE, editors. Team-based learning for health professions education: a guide to using small groups for improving learning. Virginia (EUA): Stylus Publishing; 2007.
7. Barrows HS. Problem-based, self-directed learning. JAMA. 1983;250(22): 3077-80.
8. Teixeira L, Antonello IC, Lopes MH, Cataldo Neto A. Perfil do acadêmico ingressante na faculdade de Medicina da PUCRS [Internet]. In: IX Salão de Iniciação Científica - PUCRS, 2008 [citado 2017 Jul 18]. Disponível em
9. Fiorotti KP Rossoni RR, Miranda AE. [Profile of medical students at the Federal University in Espírito Santo, Brazil, 2007]. Rev Bras Educ Med. 2010; 34(3):355-62. Portuguese.
10. Gozzano MB, Gozzano JR, Beraldo MB, Garcia MS, Gozzano JO. Perfil dos estudantes de Medicina da PUC-SP Rev Fac Cienc Med (Sorocaba). 2006;8(2):7-10.
11. Ferreira RA, Peret-Filho LA, Goulart EM, Valadão MM. O estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais: perfil e tendências. Rev Assoc Med Bras. 2000;46(3):224-31.
12. Cardoso Filho FA, Magalhães JF da Silva KM, Pereira IS. Perfil do estudante de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), 2013. Rev Bras Educ Med. 2015;39(1):32-40.
13. Schetino GC, Santos, FS, Queiroz EA, Carneiro PS. Perfil socioeconômico e procedência educacional do estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Rev Med Minas Gerais. 2002;12(1):20-3.
14. Bordin R, Arenson-Pandikow HM, Barbosa JV, Silva JO, Moreira-Neto R. Perfil do acadêmico da Faculdade de Medicina, UFRGS: semestre 93/1 e 93/2. Rev HCPA. 1994;14(3):149-53.
15. Cardoso GP Cyrillo RJ, Silva Junior CT, Setúbal S, Velarde LG, Bittencourt EM, et al. [Personal characteristics of students in a graduate course in Medicine in participating and not participating in a program of Scientific Initiation]. Rev Pulmão RJ. 2009;18(1):19-22.
16. Scheffer MC, Cassenote AJ. A feminização da medicina no Brasil. Rev Bioét. 2013;21(2):268-77.
17. Mitre SM, Siqueira-Batista R, Girardi-de-Mendonça JM, Morais-Pinto NM, Meirelles Cde A, Pinto-Porto C, et al. [Active teaching-learning methodologies in health education: current debates]. Cien Saude Colet. 2008;13(Suppl 2): 2133-44. Portuguese.
18. Ferreira CM, Kluthcovsky AC, Cordeiro TM. [Prevalence of Common Mental Disorders and Associated Factors among Medical Students: a Comparative Study]. Rev Bras Educ Med. 2016;40(2):268-77. Portuguese.
19. Pacheco JP Giacomin HT, Tam, WW, Ribeiro TB, Arab C, Bezerra I, et al. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Rev Bras Psiquiatr. 2017;39(4):369-78. Review.
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.