PERFIL IMUNOLÓGICO DE MULHERES SUBMETIDAS À COLECISTECTOMIA LAPAROSCÓPICA CONVENCIONAL E POR PORTAL ÚNICO

PERFIL IMUNOLÓGICO DE MULHERES SUBMETIDAS À COLECISTECTOMIA LAPAROSCÓPICA CONVENCIONAL E POR PORTAL ÚNICO

Autores:

Marisa de Carvalho BORGES,
Tharsus Dias TAKEUTI,
Guilherme Azevedo TERRA,
Betânia Maria RIBEIRO,
Virmondes RODRIGUES-JÚNIOR,
Eduardo CREMA

ARTIGO ORIGINAL

ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo)

Print version ISSN 0102-6720On-line version ISSN 2317-6326

ABCD, arq. bras. cir. dig. vol.29 no.3 São Paulo July/Sept. 2016

https://doi.org/10.1590/0102-6720201600030009

RESUMO

Racional:

O trauma cirúrgico induz resposta de estresse pós-operatório significativo, evidenciado pelos níveis elevados de citocinas, podendo favorecer o surgimento de distúrbios imunológicos. A magnitude de estresse está relacionada ao grau do trauma cirúrgico.

Objetivos:

Avaliar a expressão das citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IFN-γ, IL-1β, IL-17) e da anti-inflamatória (IL-4) no pré e pós-operatório de pacientes submetidas à colecistectomia laparoscópica por dois métodos: convencional e por portal único.

Métodos:

Quarenta mulheres com colecistolitíase sintomática foram operadas, sendo 21 por procedimento laparoscópico convencional e 19 por portal único. As citocinas TNF-α, IFN-γ, IL-1β, IL-4, e IL-17 presentes no plasma foram quantificadas pelo método de ELISA em dois momentos: no pré-operatório e após 24 h da operação.

Resultados:

A avaliação da resposta imune não mostrou diferença estatisticamente significante das citocinas IFN-γ e IL-1β na comparação entre os grupos e tempos analisados. Em relação às citocinas TNF-α e IL-4 os níveis séricos estavam abaixo dos níveis de detecção (10 pg/ml) em ambos os grupos e tempos analisados. Observou-se que as operadas por portal único apresentaram expressão significativa da IL-17A do período pré para o pós-operatório (p=0,0094).

Conclusões:

A expressão aumentada da IL-17A no pós-operatório do grupo de portal único pode indicar que o estresse cirúrgico foi maior em comparação ao da colecistectomia laparoscópica convencional.

DESCRITORES: Colelitíase; Colecistectomia laparoscópica; Citocinas

ABSTRACT

Background:

Surgical trauma triggers an important postoperative stress response characterized by significantly elevated levels of cytokines, an event that can favor the emergence of immune disorders which lead to disturbances in the patient's body defense. The magnitude of postoperative stress is related to the degree of surgical trauma.

Aim:

To evaluate the expression of pro-inflammatory (TNF-α, IFN-γ, IL-1β, and IL-17) and anti-inflammatory (IL-4) cytokines in patients submitted to conventional and single-port laparoscopic cholecystectomy before and 24 h after surgery.

Methods:

Forty women with symptomatic cholelithiasis, ranging in age from 18 to 70 years, participated in the study. The patients were divided into two groups: 21 submitted to conventional laparoscopic cholecystectomy and 19 to single-port laparoscopic cholecystectomy.

Results:

Evaluation of the immune response showed no significant difference in IFN-γ and IL-1β levels between the groups or time points analyzed. With respect to TNF-α and IL-4, serum levels below the detection limit (10 pg/ml) were observed in the two groups and at the time points analyzed. Significantly higher postoperative expression of IL-17A was detected in patients submitted to single-port laparoscopic cholecystectomy when compared to preoperative levels (p=0.0094).

Conclusions:

Significant postoperative expression of IL-17 was observed in the group submitted to single-port laparoscopic cholecystectomy when compared to preoperative levels, indicating that surgical stress in this group was higher compared to the conventional laparoscopic cholecystectomy.

HEADINGS: Cholelithiasis; Laparoscopic Cholecystectomy; Cytokines

INTRODUÇÃO

A colecistolitíase predomina nas mulheres na proporção de 2:1 e numerosas são as condições que contribuem para seu surgimento13. A colecistectomia laparoscópica tornou-se a intervenção cirúrgica padrão para doentes com doença biliar benigna. As vantagens quando comparadas à laparotomia são múltiplas e conhecidas1,7,25,26. A utilização de uma única incisão umbilical para remover a vesícula biliar foi interessante inovação e, desde a sua descrição por Navarra et al., a colecistectomia laparoscópica com incisão única ganhou impulso21.

O trauma cirúrgico induz resposta de estresse pós-operatório significativo, evidenciado pelos níveis elevados de citocinas, favorecendo surgimento de distúrbios imunológicos que resultam em perturbações no organismo suas defesas12. A magnitude do estresse pós-operatório está relacionada ao grau de trauma cirúrgico. Resposta hiperinflamatória não controlada pode levar à imunossupressão sistêmica e contribuir aumento da morbimortalidade8.

Como a técnica da colecistectomia é a mesma para ambas as abordagens, laparoscópica convencional e portal único, surge a hipótese de que qualquer diferença na resposta sistêmica pode ser atribuída à diferença no tamanho e quantidade das incisões15. Foi descrito por Mcgregor et al. que a redução no tamanho total da incisão produzido pela cirurgia laparoscópica por portal único poderia resultar em estresse sistêmico reduzido20.

Na literatura não foram encontrados trabalhos que avaliassem a expressão de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IFN-γ, IL-1β, IL-17A) e anti-inflamatória (IL-4) antes e após a colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único. O presente estudo teve por objetivo avaliar essas diferenças nos grupos submetidas às duas técnicas cirúrgicas.

MÉTODOS

Este estudo foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro - n° do Parecer 2503 e todas as pacientes assinaram consentimento livre e esclarecido. É prospectivo transversal e realizado na Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo, Hospital das Clínicas, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil. Participaram 40 mulheres com colecistolitíase sintomática com idade entre 18 e 70 anos. Elas foram divididas em dois grupos: 21 operadas por colecistectomia laparoscópica convencional e 19 por portal único. Os dados foram registrados em ficha de avaliação que continham informações antropométricas (peso, altura, IMC), de fatores de risco para colecistolitíase e de tempo (min) dos procedimentos cirúrgicos.

Os critérios de inclusão foram: pacientes sintomáticas, idade acima de 18 anos, capacidade de compreender o propósito do estudo, consentimento informado por escrito. Os de exclusão foram: grávidas, com IMC >35 kg/m², portadoras de doenças sistêmicas, uso de medicamentos que alterassem a resposta imunológica, suspeita ou comprovação de cirrose hepática, coagulopatia (contagem de plaquetas abaixo de 50.000/ul), medicação dupla em antagônicos de plaqueta (ácido acetilsalicílico e clopidogrel), pancreatite aguda, icterícia, estase da bile no interior da vesícula biliar, doenças hemolíticas, infecção biliar, cirrose biliar primária, distúrbios gastrointestinais, ressecção ou desvio ileal e fibrose cística com insuficiência pancreática.

Colecistectomia laparoscópica convencional

As pacientes foram posicionadas em decúbito dorsal horizontal em proclive sob anestesia geral e controlados no peroperatório com cardioscópio, pressão arterial não invasiva, oximetria de pulso e capinografia.

A operação foi realizada com pneumoperitônio feito pela técnica fechada através de agulha de Verres e mantido a 12 mm Hg. Empregou-se a utilização de quatro trocárteres: um de 10 mm para colocação da ótica; um de 5 mm no flanco direito para tração cranial da vesícula; um no hipocôndrio direito de 5 mm e outro no epigástrio do lado esquerdo do ligamento redondo de 10 mm para dissecção e hemostasia.

Após boa exposição do triângulo das vias biliares com a tração lateral e inferior do infundíbulo da vesícula o ducto cístico foi dissecado, clipado e seccionado. Após, a artéria cística foi identificada, dissecada, clipada e seccionada. A vesícula foi removida através de uma bolsa plástica. (Figura 1).

FIGURA 1 Colecistectomia laparoscópica convencional  

Colecistectomia laparoscópica por portal único

O posicionamento dos pacientes e da equipe cirúrgica, bem como e anestesia e posição do monitor foram semelhantes às empregadas na colecistectomia laparoscópica convencional. Realizou-se incisão transumbilical horizontal de 2 cm, dissecção e abertura da aponeurose e peritônio, e colocação do portal único (sils port). Foi confeccionado o pneumoperitôneo e mantido em 12 mmHg, e colocação de trocárteres através do portal único, sendo dois de 5mm e um de 10 mmHg para introdução da ótica de 30º. Foram utilizados materiais de laparoscopia convencional.

Após boa exposição do triângulo das vias biliares com auxilio de um fio passado no infundíbulo da vesícula, procedeu-se a dissecção, clipagem e secção do ducto cístico e da artéria cística com os mesmos materiais empregados na laparoscopia convencional.

Para a clipagem utilizou-se a troca do trocarte de 5 mm por um de 10 mm introduzido na posição. Em seguida, a vesícula era dissecada do leito hepático do infundíbulo para o fundo da vesícula (Figura 2).

FIGURA 2 Colecistectomia laparoscópica por portal único 

Coleta de sangue para dosagens das citocinas

As amostras foram coletadas de todas as pacientes no pré- operatório e após 24 h dos procedimentos cirúrgicos, em jejum noturno de 12 h. O sangue coletado imediatamente foi centrifugado a 5000 RPM e o sobrenadante aspirado e acondicionados em tubos plásticos de 1,5 ml estéril, sendo estocados à -70°C.

As citocinas TNF-α, IFN-γ, IL-1β, IL-4, (BD Pharmingen-USA) e IL-17 (R&D-EUA) presentes no plasma foram quantificadas pelo método de ELISA. Placas de 96 poços de alta afinidade (Nunc-Dinamarca) foram sensibilizadas com anticorpos monoclonais específicos para cada citocina, 100µL por poço, na concentração de 1mg/ml em tampão de sensibilização (pH 9,5), incubadas overnight em 4ºC. Após, o conteúdo era desprezado e as placas bloqueadas com PBS contendo 2% de albumina bovina (Sigma-EUA), 200µL por poço, 4 h, à temperatura ambiente. Em seguida, o PBS-BSA era desprezado, e nas fileiras 1 a 10 adicionavam as amostras diluídas 1:2 em PBS-BSA 1%, volume final de 200µl por poço. Nas fileiras 11 e 12 eram realizadas as diluições das citocinas recombinantes, obedecendo diluição seriada de 1:2 em PBS-BSA 1%, volume final de 100µl, com concentração inicial recomendada pelo fabricante de cada citocina recombinante. Os poços H11 e H12 eram utilizados como branco, recebendo apenas 100 µl de PBS-BSA 1%. As placas eram incubadas overnight, a 4ºC e a seguir lavadas com solução de PBS contendo 0,05% de Tween (Sigma-EUA) e adicionado anticorpo de revelação específico a cada citocina, conjugado com biotina, todos do mesmo fabricante do respectivo anticorpo de sensibilização, na concentração de 1mg/ml em PBS-BSA 1%, 80µl por poço. Após incubação de 4 h, à 37ºC, as placas eram novamente lavadas com PBS-Tween 0,05%, adicionando 100µl de estreptoavidina conjugada com peroxidase por poço e incubadas por 3 h, à 37º C. Por último, as placas eram novamente lavadas em PBS-Tween 0,05% adicionando-se o tampão de revelação OPD (Sigma-EUA), 100µl por poço, sendo colocadas a reagir ao abrigo da luzem temperatura ambiente. Os resultados foram obtidos a partir da medida das absorbâncias, em comprimento de onda de 450 nm, obtidas em leitor automático de ELISA. A concentração das citocinas foi determinada a partir de regressão linear com as absorbâncias obtidas na curva da citocina recombinante e expressas em pg/ml.

Análise estatística

Foi realizada utilizando-se Excel 2007 for Windows, Statview (Abaccus-Eua) e Graphpadprism 5.0 (Graphpad software - EUA). A verificação da distribuição normal das variáveis quantitativas foi feita pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. As variáveis contínuas que apresentaram distribuição normal foram expressas em média±desvio-padrão e aquelas que apresentaram distribuição não normal expressas em mediana e percentis. As variáveis que apresentaram distribuição normal e variância homogênea foram analisadas pelos testes de t de Student para comparação de dois grupos. As que não apresentaram distribuição normal ou não tinham variância homogênea foram analisadas pelos testes de Mann-Whitney para comparação de dois grupos independentes. A análise dos dados correspondentes às medidas repetidas foi avaliada pelo teste de Wilcoxon quando amostras não paramétricas, teste de "t" pareado quando amostras paramétricas e ANOVA para medidas repetidas quando mais que duas amostras paramétricas. Diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando p<0,05.

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra a média±desvio-padrão das variáveis de idade e antropométricas dos grupos estudados. A altura (m) foi estatisticamente significativa na comparação entre os grupos (p=0,0220).

TABELA 1 Variáveis de idade e antropométricas dos grupos estudados 

Variáveis CLC CLPU Valor p
Idade 38,38±11,72 34,21±10,51 NS
Peso (kg) 69,40±16,76 64,81±9,63 NS
Altura (m) 1,57±0,07 1,62±0,04 p=0,0220
IMC (kg/m²) 27,90±6,52 24,52±3,67 NS

CLC=colecistectomialaparoscópica convencional; CLPU=colecistectomia por portal único; NS=não significante; IMC=índice de massa corpórea. Comparação entre sexo pelo teste exato de Fisher e das variáveis numéricas expressas em média±desvio-padrão pelo teste t de Student.

A média quanto ao tempo entre o início e o final dos procedimentos cirúrgicos no grupo convencional foi de 62,15±27,75 min e no de portal único de 60,12±18,16 min. A média quanto ao tempo entre a indução/anestesia e o final dos procedimentos cirúrgicos no grupo convencional foi de 83,16±29,20 min e no grupo por portal único de 80,50±18,37 min.

Quanto aos fatores de risco para colecistolitíase questionados no protocolo inicial constatou-se que não houve diferença estatística significativa entre os grupos estudados para: sedentarismo, diabete melito tipo II, dieta rica em gordura, etilismo, uso de contraceptivos orais, multigestações, perda ponderal rápida, obesidade e hereditariedade. No entanto, hiperlipidemia (colesterol, triglicérides ou ambos) no sangue foi significante maior no grupo convencional (p=0,0061, Tabela 2).

TABELA 2 Fatores de risco para colecistolitíase das pacientes submetidas à colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único 

Avaliação imunológica

O nível sérico do IFN-γ no grupo convencional no período pré-operatório para o pós-operatório apresentou média de 336,13±117,31 pg/ml para 355,93 ±127,70 pg/ml. O nível sérico do IFN-γ no grupo de portal único no período pré-operatório para o pós-operatório apresentou média de 472,11±143,17 pg/ml para 503,42±156,47 pg/ml. Quando comparados os níveis séricos do IFN-γ no grupo convencional vs portal único no pré-operatório os resultados da média foram respectivamente 336,13±117,31 pg/ml vs 472,11±143,17 pg/ml. Quando comparados os níveis séricos do IFN-γ no grupo convencional vs portal único no pós-operatório os resultados da média foram respectivamente 355,93±127,70 pg/ml vs 503,42±156,47 pg/ml (Figura 3).

FIGURA 3 Resultados da avaliação imunológica na análise das citocinas IFN-γ, IL-1β e IL-17A 

O nível sérico da IL-1β no grupo convencional no período pré-operatório para o pós-operatório apresentou média de 12,02±9,42 pg/ml para 16,40±11,53 pg/ml. O nível sérico da IL-1β no grupo submetido portal único no período pré-operatório para o pós-operatório apresentou média de 8,90±8,90 pg/ml para 9,21±9,13 pg/ml. Quando comparados os níveis séricos da IL-1β no grupo convencional vs portal único no pré-operatório os resultados da média foram respectivamente 12,02±9,42 pg/ml vs 8,90±8,90 pg/ml. Quando comparados os níveis séricos da IL-1β no grupo convencional vs portal único no pós-operatório os resultados da média foram respectivamente 16,40±11,53 pg/ml vs 9,21± 9,13 pg/ml (Figura 2).

A IL-17A no grupo convencional no período pré-operatório para o pós-operatório apresentou média de 0,27±0,03 nm para 0,26 ± 0,02 nm. A IL-17A no grupo portal único no período pré-operatório para o pós-operatório, apresentou média de 0,24±0,02 nm para 0,28±0,03nm (p=0,0094). A IL-17A no grupo convencional vs portal único no pré-operatório os resultados da média foram respectivamente 0,27±0,03 nm vs 0,24±0,02 nm. A IL-17A no grupo convencional vs portal único no pós-operatório os resultados da média foram respectivamente 0,26±0,02 nm vs 0,28±0,03 nm (Figura 2)

Em relação às citocinas TNF-α e IL-4 os níveis séricos estavam abaixo dos níveis de detecção (10 pg/ml) em ambos os grupos e tempos analisados.

DISCUSSÃO

A colecistolitíase é a mais comum das doenças do trato digestivo e vários estudos17 relataram que as mulheres são três vezes mais passíveis de desenvolver cálculos biliares do que os homens, e essa diferença entre os gêneros inicia-se na puberdade e persiste durante toda a idade fértil.

A idade e variáveis antropométricas, como o peso e o IMC, estão intimamente relacionados com a presença de cálculos biliares. Neste trabalho foi realizada comparação da idade e variáveis antropométricas dos grupos submetidos à colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único. A idade e as variáveis peso e IMC não mostraram diferenças estatisticamente significativas na comparação entre os grupos, embora todos os resultados revelassem valores maiores no grupo convencional. Nesse grupo também os valores do IMC confirmaram sobrepeso das pacientes. A altura foi significativa na comparação entre os grupos.

O perfil lipídico exerce importante influência sobre o risco de desenvolvimento de cálculos biliares. Baixos níveis de HDL e elevados níveis séricos de triglicerídeos estão relacionados ao aumento do risco da formação de cálculos11. Pesquisa transversal realizada por Atamanalp et al., com 75 pacientes portadores de cálculos vesiculares detectaram concentrações séricas de colesterol total e LDL estatisticamente superior entre os pacientes quando comparados ao grupo controle2. Em contrapartida, em estudo de coorte realizado com 2089 pacientes, foi observada forte associação inversa entre colelitíase e a concentração plasmática de colesterol23. No presente estudo, os níveis séricos de LDL, colesterol total e triglicerídeos foram observados em 42,9% das submetidas à técnica convencional e em 5,3% ao portal único.

Quanto a média de tempo dos procedimentos cirúrgicos os achados na literatura mostram ser ele maior na realização do portal único. Sharma et al., compararam a média de tempo e seus achados para a colecistectomia por múltiplos portais foi de 26 min (15-40 min) e para portal único 61 min (40-120 min)28. Outros autores referiram 60 min (33-190 min) na convencional e 73 min (entre 35-136 min) no portal único, resultado este significativamente maior33 sendo que esta tendência foi também publicada por outros autores29 como o inverso32. Neste estudo não foi observada diferença estatisticamente significativa quando comparados os tempos médios entre início e fim dos procedimentos. No entanto, pôde-se observar tempo cirúrgico inferior no portal único.

Segundo Giraldo et al.26, o sexo feminino possui maior resposta imunológica tanto celular quanto humoral, maior resistência às infecções e maior propensão a doenças autoimunes, por provável ação dos hormônios sexuais femininos. Trastulli et al., relataram que respostas hiperinflamatórias descontroladas causadas por trauma cirúrgico podem levar à imunossupressão sistêmica, contribuindo para maior morbimortalidade. Níveis elevados circulantes das citocinas parecem estar implicados no aparecimento de complicações e retardo da recuperação pós-operatória, sendo que a atenuação desse quadro estaria associada à diminuição da frequência de fatores complicadores31.

Técnicas de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos resultam na redução no tamanho da ferida operatória, menor lesão de parede abdominal, músculos e aponeuroses e, portanto, menor dano tecidual. Na videocirurgia há menor manipulação e tração por afastadores de órgãos abdominais, não há o uso de compressas sobre vísceras e necessidade de afastamento da parede abdominal. Esses fatores podem estar relacionados com a redução na magnitude e duração dos níveis séricos de citocinas observadas após as operações laparoscópicas, em particular a colecistectomia14.

O TNF-α e a IL-1 são os maiores mediadores da resposta de fase aguda em humanos e são responsáveis pela atividade das manifestações extra-hepáticas, elevação das prostaglandinas, taquicardia e catabolismo acelerado30. Os níveis séricos dos receptores de IL-1 estão significativamente mais baixos após a videolaparoscopia, indicando menor grau de resposta inflamatória ao trauma9. Após procedimentos cirúrgicos, trauma ou durante as infecções, o TNF-α atua como mediador mais precoce e potente da resposta inflamatória. Embora sua meia-vida plasmática seja de apenas 20 min, sua expressão pode provocar mudanças metabólicas e hemodinâmicas importantes e ativar distalmente outras citocinas. O TNF-α é potente indutor de metabolismo muscular e caquexia, por estimular a lipólise e inibir a lipoproteína lipase. Outras ações do TNF-α consistem em ativar a coagulação, estimular a expressão ou liberação de moléculas de adesão, PGE2, fator ativador de plaquetas, glicocorticóides e eicosanóides, e influenciar a apoptose celular24.

O IFN-γ é produzido por três tipos de células: CD4+ Th1, CD8+ Th1 e NK. O IFN-γ, juntamente com duas citocinas, IL-12 e IL-18, desempenha papel fundamental na execução de diferenciação entre células TCD4+ para o fenótipo Th1. O IFN-γ também inibe a diferenciação de linfócitos em células com o fenótipo Th2. Como estas secretam citocinas contraregulatórias - IL-4 e IL-10 - o efeito do IFN-γ diminui a produção das citocinas pelas células Th2 estimulando ainda mais o desenvolvimento de resposta inflamatória contra patógeno invasor. O IFN-γ também induz a expressão ou ativação de um número de proteínas-chave envolvidas na resposta imunológica inata contra micróbios3.

A IL-17 é produzida preferencialmente por linfócitos T ativados e estimula fibroblastos, células endoteliais, macrófagos e células epiteliais a produzirem múltiplos mediadores pró-inflamatórios, como IL-1, IL-6, IL-8, TNF-α, ativação da NOS2, metaloproteinases e quimiocinas, resultando na indução de inflamação e aumentando a expressão da molécula de adesão intercelular-1 (ICAM-1)27. A IL-17A tem papel na proteção de organismos contra bactérias extracelulares e fungos devido à capacidade de recrutar neutrófilos para as áreas de infecção, evidenciando papel patológico em vários modelos de doenças autoimunes, como a encefalite autoimune experimental e a artrite reumatóide22.

Comparando as respostas imunológicas dos pacientes submetidos à colecistectomia laparoscópica vs laparotômica, autores observaram que as respostas imunitárias humorais da IL-4 sintetizadas por células Th2 permanecem inalteradas por via laparoscópica e aberta, sugerindo que as funções celulares de Th2 e as respostas imunitárias humorais são alteradas apenas por trauma cirúrgico importante6,19. Contrariando esses achados, Decker et al., 1996, notaram aumento da secreção de IL-4 pelas células T após colecistectomia laparotômica10.

No presente estudo, as citocinas IFN-γ e IL-1β não apresentaram diferença estatisticamente significante na comparação entre os grupos e tempos analisados. Na comparação entre as duas técnicas estes resultados mostraram que os níveis séricos do IFN-γ no pré e no pós-operatório foram maiores no grupo por portal único mostrando aumento da resposta inflamatória nesse grupo. No entanto, observou-se redução dos níveis séricos do IFN-γ no pós-operatório desse procedimento, demonstrando que o trauma cirúrgico não desencadeou aumento dos níveis dessa citocina.

A obesidade é caracterizada pela ativação de processos inflamatórios em locais metabolicamente ativos, como fígado, tecido adiposo e células imunes18. A consequência dessa resposta é o aumento nos níveis circulantes de citocinas pró-inflamatórias, adipocinas e outros marcadores inflamatórios. No presente estudo um paciente (5,3%) com obesidade grau I e oito (42,1%) com sobrepeso eram do grupo portal único. Esses resultados podem ter contribuído para maior expressão do IFN-γ no pós-operatório do grupo submetido a esse procedimento. Também se observou que as pacientes com portal único apresentaram expressão significativa da IL-17A do período pré-operatório para o pós-operatório. Esses resultados mostraram que apesar do trauma nesse procedimento cirúrgico ser menor, a expressão aumentada da IL-17A no pós-operatório pode indicar que o estresse cirúrgico neste procedimento foi maior que na convencional.

Em relação às citocinas TNF-α e IL-4 os níveis séricos estavam abaixo dos níveis de detecção (10 pg/ml) em ambos os grupos e tempos analisados.

Cada paciente pode modificar a resposta inflamatória para o mesmo tipo de trauma. Doenças de características imunológicas como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, doença de Crohn, diabete melito e asma brônquica podem alterar os níveis séricos de IL-6. O uso de medicamentos de características imunossupressoras ou anti-inflamatórias, como corticosteroides, geralmente utilizados no tratamento de doenças inflamatórias crônicas ou imunológicas, modificam a resposta imunológica celular e humoral, o que compromete a análise sérica de marcadores inflamatórios nesses pacientes5. No presente estudo apenas um (5,3%) paciente do grupo portal único era diabética e não foram incluídas na pesquisa pacientes que faziam uso de medicamentos que pudessem alterar a resposta imunológica.

Brune et al., tinham como objetivo avaliar a imunossupressão após a operação laparoscópica vs laparotômica. Os resultados mostraram diminuição significativa de IFN-γ (48,3%), TNF-α (36,6%) e IL-2 (36,8%) respectivamente no pós-operatório da laparotomia, mas não depois da operação laparoscópica. Esses resultados indicaram supressão grave de citocinas pró-inflamatórias do tipo Th1 após laparotomia. Em contraste, a IL-4 e a IL-10 não mostraram mudanças significativas em qualquer dos grupos, sugerindo que a resposta de células Th2 e a atividade anti-inflamatória dessas citocinas permaneceu normal6.

Berguer et al., avaliaram a produção de algumas citocinas intracelulares pelas células T após colecistectomia laparoscópica. Os autores concluíram que a operação laparoscópica provocou trauma ligeiro, mas não ativou a produção do IFN-γ intracelular pelas células T e a resposta de citocinas IL-4 e IL-10 no pós-operatório4. Han et al., relataram que a resposta ao estresse é igual na colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único16. Mc Gregor et al., comparando a colecistectomia laparoscópica com multiportais vs portal único tinham como objetivo investigar se a redução do tamanho das incisões induziria diminuição da resposta ao estresse cirúrgico. Concluíram que não existe diferença no estresse sistêmico pós-operatório ao avaliarem os níveis séricos de IL-6, mediador importante para o reparo tecidual e da proteína C reativa (PCR) entre as duas técnicas cirúrgicas avaliadas; no entanto, observaram que o grupo de portal único apresentou recuperação melhor com menor número de intercorrências médicas e complicações da ferida cirúrgica20.

No presente estudo, as citocinas IFN-γ e IL-1β não apresentaram significância estatística na comparação entre os grupos e tempos analisados. Na comparação entre as duas técnicas cirúrgicas os resultados mostraram que os níveis séricos do IFN-γ no pré e no pós-operatório foram maiores no grupo portal único mostrando aumento da resposta inflamatória nesse grupo. No entanto observou-se redução dos níveis séricos do IFN-γ no pós-operatório das pacientes submetidas a esse procedimento, demonstrando que o trauma cirúrgico não desencadeou aumento dos níveis dessa citocina.

Quanto a IL-1β, a comparação entre as duas técnicas mostrou que os níveis séricos da IL-1β no pré e no pós-operatório foram maiores no grupo convencional mostrando níveis séricos da IL-1β aumentados no pós-operatório em comparação ao pré-operatório. Apesar desses resultados não serem significativos estatisticamente, sugerem aumento das atividades quimiotáticas e fagocitárias, aumento da expressão de moléculas de adesão pelas células endoteliais e consequente aumento da atividade e coagulação.

CONCLUSÃO

A IL-17 apresentou expressão significativa no pós-operatório em relação ao pré-operatório no grupo submetido à colecistectomia laparoscópica por portal único, indicando que o estresse cirúrgico nesse grupo foi maior em comparação com a colecistectomia laparoscópica convencional.

REFERÊNCIAS

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