PPARβ/δ: Benefícios na Doença Arterial Coronariana e Além

PPARβ/δ: Benefícios na Doença Arterial Coronariana e Além

Autores:

Viviane O. Leal

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.113 no.6 São Paulo dez. 2019 Epub 02-Dez-2019

https://doi.org/10.5935/abc.20190228

Os receptores ativados por proliferadores de peroxissoma (PPARs) são receptores nucleares que participam do metabolismo de nutrientes e energia.1 Em um artigo recente intitulado “Perfil da Expressão do mRNA do Nrf2, NF-κB e PPARβ/δ em Pacientes com Doença Arterial Coronariana (DAC)”, Barbosa et al. verificaram que a expressão do PPARβ/δ era mais alta nos pacientes com DAC quando comparados aos pacientes sem DAC.2

Além dos efeitos protetores do coração associados à melhora da função cardíaca e melhorias na progressão patológica da hipertrofia cardíaca, insuficiência cardíaca, dano oxidativo cardíaco, lesão de isquemia-reperfusão, disfunção cardíaca lipotóxica e inflamação cardíaca induzida por lipídios,3 outras funções do PPARβ/δ merecem ser consideradas no amplo contexto dos distúrbios cardiovasculares.

A obesidade e a dislipidemia são fatores de risco para doenças cardiovasculares4 e, nesse sentido, a modulação do PPARβ/δ pode ser interessante, pois está associada à melhora do catabolismo dos ácidos graxos (AG) no músculo esquelético ou a alternância do tipo de fibra muscular durante o metabolismo oxidativo.1,5 A ativação do PPARβ/δ também reduz a proliferação e diferenciação de pré-adipócitos e atenua a adipogênese hipertrófica disfuncional mediada pela angiotensina II e inibe a inflamação no tecido adiposo.5 Além disso, no intestino, o PPARβ/δ pode induzir a produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFA)1 e o butirato e o propionato, dois SCFA, foram associados à redução na ingestão de alimentos.6 Além disso, o PPARβ/δ melhora a oxidação hepática dos AG, o que diminui a disponibilidade de lípides para a síntese de triglicérides e altera a expressão de várias apoproteínas,5 contribuindo para elevar os níveis plasmáticos de lipoproteína de alta densidade e diminuir os níveis de lipoproteína de baixa densidade.1

Assim, o PPARβ/δ pode ser um alvo potencial em distúrbios metabólicos.5 Portanto, uma pergunta é pertinente: como modular o PPARβ/δ? No grupo de ligantes naturais, esse subtipo é ativado pela carbaprostaciclina, componentes da lipoproteína de muito baixa densidade e AG insaturados.7

Infelizmente, o PPARβ/δ não tem sido tão intensamente estudado quanto os subtipos α e γ7 e pouco se sabe sobre seus potenciais ativadores naturais, mesmo no caso de AG insaturados, que podem ser facilmente obtidos pela dieta e suplementos. Assim, aguardemos ansiosamente por esta resposta: é possível modular o PPARβ/δ através de compostos bioativos dietéticos? Estratégias não farmacológicas para modular outros fatores nucleares, como o fator nuclear eritroide 2 relacionado ao fator 2 (Nrf2) já foram indicadas8 e o mesmo se deseja para o PPARβ/δ. Cafeína,9 genisteína10 e padrão de dieta não ocidental11 já parecem promissores.

REFERÊNCIAS

1. Hong F, Pan S, Guo Y, Xu P , Zhai Y. PPARs as nuclear receptors for nutrient and energy metabolism. Molecules. 2019;24(14):E2545.
2. Barbosa JE, Stockler-Pinto MB, Cruz BO, Silva ACT, Anjos JS, Mesquita CT, et al. Nrf2, NF-?B and PPARß/d mRNA expression profile in patients with coronary artery disease. Arq Bras Cardiol. 2019; 113(6):1121-1127.
3. Palomer X, Barroso E, Zarei M, Botteri G, Vázquez-Carrera M. PPARß/d and lipid metabolism in the heart. Biochim Biophys Acta.2016;1861(10):1569-78.
4 The Lancet Global Health. Getting to the hearth of non-communicable diseases. Lancet Glob Health. 2018;6(9):e933.
5. Palomer X, Barroso E, Pizarro-Delgado J, Pena L, Botteri G, Zarei M, et al. PPARß/d: a key therapeutic target in metabolic disorders. Int J Mol Sci. 2018; 19(3):e913.
6. Lin HV, Frasetto A, Kowalic EJ Jr, Nawrocki AR, Lu MM, Kosinski JR, et al. Butyrate and propionate protect against diet-induced obesity and regulate gut hormones via free fatty acid receptor 3-independent mechanisms. Plos One. 2012;7(4):e35240.
7. Grygiel-Górniak B. Peroxisome proliferator-activated receptors and their ligands: nutritional and clinical implications - a review. Nut J. 2014; 13: 17.
8. Esgalhado M, Stenvinkel P , Mafra D. Nonpharmacologic strategies to modulate nuclear fator erythroid 2-related fator 2 pathway in chronic kidney disease. J Ren Nutr. 2017 Feb 14;27(4):282-91.
9. Schnuck JK, Gould LM, Parry HA, Johnson MA, Gannon NP , Sunderland KL, et al. Metabolic effects of physiological levels of caffeine in myotubes. J Physiol Biochem. 2018;74(1):35-45.
10. Palacios-Gonzalez B, Zarain-Herzberg A, Flores-Glaicia I, Noriega LG, Alemán-Escondrillas G, Zarinan T, et al. Genistein stimulates fatty acid oxidation in a leptina receptor-independent manner through the JAK2mediated phosphorylation and activation of AMPK in skeletal muscle. Biochim Biophys Acta. 2014;184(1):132-40.
11. Echeverría F, Ortiz M, Valenzuela R, Videla LA. Long-chain polyunsaturated fatty acids regulation of PPARs, signaling: relationshiP to tissue development and aging. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2016 Nov;114:28-34.
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