Práticas contraceptivas de mulheres jovens: inquérito domiciliar no Município de São Paulo, Brasil

Práticas contraceptivas de mulheres jovens: inquérito domiciliar no Município de São Paulo, Brasil

Autores:

Julia Maria Olsen,
Tania Di Giacomo Lago,
Suzana Kalckmann,
Maria Cecilia Goi Porto Alves,
Maria Mercedes Loureiro Escuder

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.34 no.2 Rio de Janeiro 2018 Epub 19-Fev-2018

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00019617

RESUMEN

En la última década hubo en Brasil iniciativas para ampliar el acceso a anticonceptivos. No obstante, el último estudio de base poblacional sobre anticoncepción se realizó en 2006. Una encuesta domiciliaria investigó la práctica contraceptiva de mujeres de 15 a 44 años, residentes en el municipio de São Paulo en 2015. Para el presente estudio, se seleccionaron los datos relativos a las jóvenes con edad entre 15 y 19 años. Los objetivos fueron: identificar la prevalencia de la anticoncepción, los métodos anticonceptivos adoptados, sus fuentes de obtención y los diferenciales en el uso de métodos anticonceptivos. Las jóvenes integran la muestra probabilística del estudio. Los diferenciales del uso de métodos anticonceptivos fueron evaluados mediante regresión logística múltiple. Se entrevistaron a 633 jóvenes, de las cuales 310 (48,5%) habían comenzado su actividad sexual. De éstas, un 60% informaron el uso de métodos anticonceptivos de emergencia por lo menos una vez en la vida. Este uso fue directamente proporcional a la edad y al número de parejas en su vida. La prevalencia de métodos anticonceptivos fue de un 81%. La oportunidad de estar usando algún método anticonceptivo fue mayor entre las residentes en la región de salud con un mejor desarrollo social, las católicas, las que tuvieron relaciones sexuales en los últimos 30 días y las que fueron a una consulta ginecológica durante el último año. Fue inversamente proporcional al número de parejas en su vida. El preservativo masculino y la píldora fueron los métodos más frecuentes (28,2% y 23% respectivamente). La mayoría de las mujeres compró el contraceptivo en la red comercial de farmacias (75,2%), el Sistema Único de Salud (SUS) fue una fuente significativa solamente para la obtención del anticonceptivo hormonal inyectable. El apoyo del Estado al ejercicio de los derechos sexuales y reproductivos sigue siendo insuficiente.

Palabras-clave: Anticoncepción; Anticonceptivos; Salud Sexual y Reproductiva; Adolescente

Introdução

A prevalência da contracepção tem aumentado de forma acelerada nos últimos trinta anos no Brasil. Em 1986, 66,2% das mulheres em idade fértil em coabitação com um parceiro usavam algum contraceptivo 1, passando para 76,7% em 1996 2 e 80,6% em 2006 3. Na última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (2006), constatou-se certa tendência de ampliação do mix de contraceptivos usados, com maior participação masculina, tanto pelo aumento do uso do preservativo masculino quanto pela maior proporção de homens vasectomizados 3. Esse aumento também ocorreu entre as jovens de 15 a 19 anos sexualmente ativas e unidas, passando de 47,8% em 1986 a 66,1% em 2006, ano em que taxa similar foi observada entre as jovens sexualmente ativas e que não estavam unidas (66,9%) 3.

Nos últimos dez anos, iniciativas para ampliar o acesso a métodos contraceptivos modernos (não comportamentais) foram implementadas no Brasil. Incluem-se aí a incorporação dos contraceptivos hormonais injetáveis na Relação Nacional de Medicamentos (RENAME), a ampliação da distribuição de contraceptivos na rede pública de saúde e a inclusão de anticoncepcionais hormonais orais (ACO) e injetáveis no programa Farmácia Popular do Brasil 4, para fornecimento gratuito em unidades próprias ou subsidiado na rede comercial de drogarias. Resoluções da Agência Nacional de Saúde Suplementar introduziram a obrigatoriedade da cobertura de procedimentos em contracepção como dispositivo intrauterino (DIU) e esterilizações 5,6. Além disso, chegaram ao mercado nacional outros contraceptivos como o adesivo intradérmico (patch), o anel vaginal e o implante subcutâneo, métodos de média e longa duração. Esses últimos, conhecidos como LARC (long acting reversible contraceptives), vêm sendo promovidos especialmente entre adolescentes em vários países, por não dependerem do uso diário 7,8.

Além dessas mudanças, podem influenciar o padrão da anticoncepção transformações em curso na sociedade, como o maior acesso à informação decorrente da ampliação dos meios digitais, a crescente participação da mulher no espaço público, novas demandas para o enfrentamento das desigualdades nas relações de gênero e a ampliação das discussões sobre a responsabilidade dos homens na reprodução.

Pesquisas na última década identificaram maior frequência de anticoncepção entre jovens do que a observada em 2006. Em estudo de base populacional realizado em dois distritos da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 2009, 75% das mulheres com 10 a 19 anos, sexualmente ativas, faziam uso de algum método, das quais, 61,8% usavam a pílula, e 38,2%, o preservativo masculino 9. No estudo nacional de base escolar, ERICA (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), realizado em 2013-2014, observou-se que, dentre os meninos e meninas com 12 a 17 anos que já haviam iniciado a vida sexual (N = 22.241), 80,3% deles e 85,2% delas afirmaram ter usado algum método na última relação sexual 10. Outros estudos focalizaram práticas contraceptivas específicas. Nesse sentido, a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), inquérito domiciliar urbano nacional, realizado no fim de 2013 e 2014, identificou que 20,2% e 3,7% das mulheres de 15 a 19 anos utilizavam ACO e hormonais injetáveis, respectivamente 11. Uma avaliação do uso da contracepção de emergência por jovens de 14 a 19 anos de escolas públicas em Pernambuco, em 2006, mostrou que 27,3% a haviam utilizado no último ano 12. Essa porcentagem foi de 24,9% entre jovens em escolas públicas e de 32% entre os das privadas em São Paulo, em 2011 13.

Nenhum desses estudos identificou a prevalência da contracepção em mulheres jovens na população geral. Estão restritos à população de escolares ou usuários de serviços de saúde 14,15.

Considerando que a cidade de São Paulo abriga grande heterogeneidade social, é importante identificar como a prática contraceptiva tem ocorrido entre as jovens em diferentes regiões e grupos sociais e, em que medida, as novas estratégias para a oferta de métodos estão operando.

Este trabalho objetiva descrever a prevalência da anticoncepção e dos contraceptivos adotados pelas mulheres de 15 a 19 anos, residentes no Município de São Paulo. Pretende-se também identificar os diferenciais do uso da contracepção e as principais fontes de obtenção dos métodos.

Espera-se poder contribuir com subsídios para maior adequação das políticas de apoio ao planejamento reprodutivo às necessidades e desejos das jovens.

Método

O inquérito de base populacional intitulado Ouvindo Mulheres: Contracepção no Município de São Paulo investigou as histórias sexual, reprodutiva e contraceptiva de mulheres com 15 a 44 anos, residentes no município em 2015. Para o presente trabalho, foram selecionados os dados relativos às jovens com idade entre 15 e 19 anos.

A amostra foi probabilística de delineamento complexo. As unidades amostrais foram selecionadas em dois estágios. No primeiro, foram sorteados os setores censitários, e, no segundo, os domicílios particulares permanentes. Foram incluídas na amostra todas as mulheres de 15 a 44 anos, residentes nos domicílios selecionados. A amostra foi estratificada pelas cinco Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS) do município (Norte, Centro-oeste, Sudeste, Leste e Sul), tendo sido sorteados trinta setores em cada uma. Responderam ao estudo 75% dos domicílios ocupados e 77% das mulheres elegíveis, totalizando 3.985 mulheres, distribuídas em 3.081 domicílios.

Foram realizadas entrevistas “face a face” por entrevistadoras com, pelo menos, nível médio de escolaridade e devido treinamento. As participantes receberam esclarecimentos sobre o estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para as menores de 18 anos, pais ou responsáveis assinaram também o Termo de Assentimento.

As informações foram registradas em tablets com aplicativo desenvolvido pelo estudo, diariamente transferidas para o banco de dados, não permanecendo nos tablets. Após análise de consistência, os nomes foram substituídos por números de identificação, garantindo o anonimato das participantes.

Os dados foram ponderados pelo peso do delineamento, visando compensar as probabilidades distintas de seleção utilizadas nas coordenadorias. Esses pesos iniciais sofreram ajustes pelas taxas de resposta, uma vez que a ausência de resposta também não foi uniforme. Esteve associada ao nível socioeconômico do setor censitário, indicado pela renda média dos moradores no Censo Demográfico de 2010. Outro ajuste foi introduzido por pós-estratificação, visando igualar a distribuição por faixa etária da amostra àquela observada na população, considerando estimativas da Fundação SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) para 2015.

As mulheres foram descritas segundo características: (1) sociodemográficas - CRS de residência no Município de São Paulo, idade, cor autodeclarada, escolaridade esperada para a idade (ter iniciado o Ensino Médio para as jovens de 15 a 17 anos e ter o Ensino Médio completo para as jovens entre 18 e 19 anos), religião atual (segundo a classificação utilizada no Censo 2010), possuir renda própria, ter plano de saúde e classificação do poder de consumo segundo o Critério de Classificação Econômica Brasil de 2013 16; (2) relativas à vida sexual - ter iniciado atividade sexual, idade à primeira relação sexual, atividade sexual nos últimos 12 meses, atividade sexual nos últimos trinta dias, número de parceiros sexuais na vida, situação de união (coabitar com parceiro); (3) reprodutivas - estar ou não grávida, número de gestações, idade na primeira gestação, filhos nascidos vivos, idade ao primeiro filho nascido vivo, antecedente de abortos, ocorrência de filho nascido vivo não planejado; (4) indicativas de conhecimento em reprodução - conhecimento do período fértil e conhecimento sobre contraceptivos.

A prática contraceptiva foi retratada pela prevalência da anticoncepção e dos tipos utilizados, anticoncepção na primeira relação sexual, uso da contracepção de emergência pelo menos uma vez, pelas fontes de obtenção e pela demanda não atendida. A prevalência foi estimada pela porcentagem de mulheres que disseram estar em uso de anticoncepção, dentre as que tiveram pelo menos uma relação heterossexual nos 12 meses anteriores e não estavam grávidas. Considerou-se uso de anticoncepção a resposta afirmativa à pergunta: “Você e/ou seu parceiro fazem alguma coisa ou usam algum método para evitar gravidez atualmente? Lembre-se isso inclui tabelinha e coito interrompido”. O tipo de método foi identificado por meio da pergunta: “O que você (ou seu companheiro) faz/usa atualmente para evitar gravidez?”, que admitia múltipla resposta. Quando mais de um método foi mencionado, optou-se pelo contraceptivo considerado mais eficaz, conforme padronizado nas pesquisas internacionais de demografia. A única exceção foi a associação de camisinha masculina e pílula, que, por ter sido frequentemente mencionada, foi tratada como “um método”. A demanda não atendida foi estimada pela proporção de mulheres que não queriam engravidar e não estavam em uso de contracepção porque não haviam conseguido obtê-la ou não sabiam onde procurar, dentre as que tiveram pelo menos uma relação heterossexual nos 12 meses anteriores e não estavam grávidas. A frequência do uso da contracepção de emergência foi estimada pela proporção de mulheres que disse ter utilizado a “contracepção de emergência ou pílula do dia seguinte” alguma vez na vida, dentre as que tiveram relação heterossexual. Foram considerados fonte do método, simultaneamente, tipo de estabelecimento e o financiamento do insumo. Assim, a obtenção em unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) ou via programa Farmácia Popular do Brasil foi considerada como pública. O sistema de saúde suplementar foi considerado fonte quando os custos em serviço privado de saúde foram cobertos pelo plano de saúde. A aquisição na rede comercial de farmácias foi desagregada para captar a participação dos planos de saúde em eventuais descontos.

Buscou-se identificar os principais diferenciais associados ao uso de métodos e à utilização da contracepção de emergência, por meio de regressão logística múltipla. Foram selecionadas para o modelo inicial variáveis cujas associações com os desfechos foram significantes ao nível de 20% na análise bivariada. Em seguida, as não significantes a 5% foram excluídas uma a uma por ordem de significância (método backward elimination). Definiu-se por categoria de referência a com menor proporção do evento em questão, exceto nos casos da cor, em que se optou pela branca, e de religião, em que se tomou por referência a ausência de religião. Inicialmente, todas as variáveis selecionadas foram incluídas no modelo. O processamento dos dados levou em consideração, o planejamento amostral complexo. Stata versão 10.1 (StataCorp LP, College Station, Estados Unidos) foi o programa utilizado.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Heliópolis, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (CAAE 35805514.7.0000.5449).

Resultados

Foram entrevistadas 633 mulheres com idades entre 15 e 19 anos. Nas Tabelas 1 e 2, estão apresentadas as informações referentes a todas as jovens e às duas subpopulações expostas ao uso de anticoncepção: mulheres que iniciaram a vida sexual e tiveram algum relacionamento heterossexual (310) e as que tiveram relação heterossexual nos últimos 12 meses e não estavam grávidas na entrevista (248). Aproximadamente, 50% (316 mulheres) haviam iniciado a vida sexual, e, dessas, 94% tiveram apenas relações com homens, 4,1%, com homens e com mulheres, e 6 (2%), relações só com mulheres.

Considerando o total, a composição do grupo etário foi quase igualmente distribuída segundo idade simples. A distribuição proporcional das jovens segundo CRS foi próxima à distribuição projetada pela Fundação SEADE para o município em 2015: 20,1% na Norte; 8,9% na Centro-oeste; 19,6% na Sudeste; 26,3% na Sul e 25% na Leste (Departamento de Informática do SUS. Nascidos vivos - Brasil. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def, acessado em 15/Mar/2016). Esses valores populacionais estão incluídos nos intervalos de confiança observados nas distintas categorias dessa variável. Observa-se que a maioria tinha escolaridade esperada para a idade, pertencia à classe C, não tinha renda própria, plano de saúde e era negra (42,9% se autodeclararam pardas, e 14,5%, de cor preta). Quanto à religião, a maioria (51,6%) se declarou católica, 27,6%, evangélicas, e 6,6% afirmaram não ter religião (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição percentual de todas as jovens com 15 a 19 anos, das que iniciaram a atividade sexual e das sexualmente ativas, segundo características demográficas, socioeconômicas. Município de São Paulo, Brasil, 2015. 

Características Todas (N = 633) Com vida sexual iniciada * (n = 310) Sexualmente ativas não grávidas * (n = 248)
n % n % n %
Idade (anos) 633 100,0 310 100,0 248 100,0
15 123 19,8 31 10,7 25 11,2
16 134 20,5 54 17,1 41 16,4
17 123 18,8 52 15,6 44 16,1
18 132 21,8 87 29,2 75 31,2
19 121 19,1 86 27,3 63 25,2
Região de Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo 633 100,0 310 100,0 248 100,0
Norte 147 22,3 66 19,5 44 15,8
Centro-oeste 73 7,6 33 6,7 30 7,8
Sudeste 110 19,4 52 18,8 40 18,1
Sul 150 27,7 82 31,2 72 34,3
Leste 153 23,0 77 23,8 62 24,0
Cor da pele autodeclarada 630 ** 100,0 308 100,0 247 ** 100,0
Branca 231 37,6 103 34,3 81 33,5
Preta 97 14,5 46 14,3 35 13,4
Parda 272 42,9 141 45,5 113 45,8
Amarela 19 3,0 11 3,3 11 4,1
Indígena 11 1,9 7 2,6 7 3,2
Religião 628 ** 100,0 307 ** 100,0 245 ** 100,0
Católica 326 51,6 165 53,3 141 56,6
Evangélicas pentecostais 177 27,6 89 29,0 65 26,9
Evangélicas de missão (protestantes) 40 6,6 13 4,5 11 4,8
Sem religião 42 6,6 26 8,3 18 7,2
Outras 43 7,6 14 4,9 10 4,5
Escolaridade esperada 629 ** 100,0 307 100,0 245 ** 100,0
Sim 440 70,3 176 57,6 149 60,5
Não 189 29,7 131 42,4 96 39,5
Classes de poder aquisitivo 633 100,0 310 100,0 248 100,0
A/B 219 35,5 105 34,2 82 33,5
C 354 54,9 162 51,7 129 51,0
D/E 60 9,6 43 14,1 37 15,5
Renda própria 632 ** 100,0 310 100,0 248 100,0
Sim 176 27,7 104 33,2 87 34,5
Não 456 72,3 206 66,8 161 65,5
Posse de plano de saúde 631 ** 100,0 310 100,0 248 100,0
Sim 192 30,4 227 27,3 181 27,3
Não 439 69,6 83 72,7 67 72,7

* Excluídas as que tiveram relações sexuais só com mulheres;

** Excluídas as sem informação.

A composição dos outros dois subgrupos (mulheres que já iniciaram atividade sexual e as que tiveram relações nos últimos 12 meses) apresenta maior participação relativa de jovens com mais de 17 anos, de residentes na região Sul, que não atingiram a escolaridade esperada para idade, integrantes das classes D e E e com renda própria (Tabela 1).

A proporção de jovens que conhece o período fértil do ciclo menstrual foi cerca de 20%, independentemente de terem iniciado ou não a atividade sexual (Tabela 2).

Tabela 2 Distribuição percentual de todas as jovens com 15 a 19 anos, das que iniciaram a atividade sexual e das sexualmente ativas (tiveram relação sexual nos últimos 12 meses), segundo características reprodutivas e de atividade sexual. Município de São Paulo, Brasil, 2015.  

Características Todas (N = 633) Com vida sexual iniciada * (n = 310) Sexualmente ativas não grávidas * (n = 248)
n % n % n %
Iniciou atividade sexual 633 100,0 310 100,0 248 100,0
Sim 316 49,5 310 100,0 248 100,0
Não 317 50,5 - - - -
Teve relações sexuais 633 100,0 310 100,0 248 100,0
Só com homens 297 46,3 297 95,5 237 95,4
Com homens e mulheres 13 2,2 13 4,5 11 4,6
Só com mulheres 6 1,0 - - -
Não teve relações sexuais 317 50,5 - - - -
Idade na 1ª relação heterossexual (anos) 631 ** 100,0 308 ** 100,0 247 ** 100,0
Antes de 15 103 16,4 103 33,9 82 34,0
15-17 187 29,2 187 60,2 150 59,9
18-19 18 2,8 18 5,8 15 6,0
Não teve 323 51,6 - - - -
Unida (mora com o parceiro sexual) 632 ** 100,0 309 ** 100,0 247 ** 100,0
Sim 64 10,1 64 20,7 52 21,3
Não 568 89,9 245 79,3 195 78,7
Parceiros sexuais na vida 632 ** 100,0 309 ** 100,0 247 ** 100,0
Nenhum 323 51,5 - - - -
1 144 22,7 144 46,9 111 44,9
2 ou 3 107 16,8 107 34,6 87 35,6
4 ou mais 58 9,0 58 18,5 49 19,5
Gestações (inclui atual) 633 100,0 310 100,0 248 100,0
Nenhuma 544 86,5 221 72,2 188 76,1
1 79 11,9 79 24,6 53 21,1
2 ou mais 10 1,6 10 3,2 7 2,7
Filhos nascidos vivos 630 ** 100,0 307 100,0 245 100,0
Nenhum 571 90,9 248 81,2 195 80,0
1 ou 2 59 9,1 59 18,8 50 20,0
Conhece o período fértil 632 ** 100,0 310 100,0 248 100,0
Sim 126 20,5 64 20,7 52 20,6
Não 506 79,5 246 79,3 196 79,4
Grávida na entrevista 633 100 310 100,0 248 100,0
Sim 19 2,8 19 5,8 - -
Não 291 45,8 291 94,2 248 100,0
Não tiveram relações heterossexuais 323 51,4 - - - -

* Excluídas as que tiveram relações sexuais só com mulheres;

** Excluídas as sem informação.

História reprodutiva e contraceptiva

Dentre as jovens que tiveram alguma relação heterossexual, 86,2% relataram que a primeira relação sexual foi desejada, 12,5% afirmaram que a relação foi consentida, mas não desejada, e 1,3% (4) iniciou a vida sexual por meio de um estupro. A idade média à primeira relação foi de 15,1 anos (IC95%: 14,9-15,3), e 33,9% das entrevistadas a tiveram antes dos 15 anos.

A maioria relata ter tido mais do que um parceiro sexual (53,1%). Quase um terço (27,8%) já engravidou pelo menos uma vez, 18,8% têm pelo menos um filho vivo, e 5,8% estavam grávidas na entrevista (Tabela 2). Cerca de 4% das jovens informaram que tiveram um aborto, e 1% que provocou um aborto. Dentre as que já haviam engravidado, 61% tiveram, ao menos, um filho nascido de uma gestação não planejada. A média da idade na primeira gestação foi de 16,3 anos (IC95%: 16,0-16,7), e, no primeiro filho nascido vivo, de 16,7 anos (IC95%: 16,4-17,1).

A maioria mantinha um relacionamento afetivo (70,1%), e 20,7% estavam unidas, ou seja, residiam com o parceiro.

Todas conheciam, ao menos, dois métodos contraceptivos modernos e não cirúrgicos, mas, menos de 1% conhecia todos. A camisinha feminina, o implante, o adesivo e o anel vaginal foram os métodos menos conhecidos. Apenas 5,4%, 29,4%, 47% e 42,3%, respectivamente, já haviam ouvido falar neles. Quase todas (97,7%) haviam feito contracepção alguma vez na vida, e a grande maioria (80,7%) disse ter usado alguma proteção na primeira relação sexual, sendo o uso da camisinha referido por 75,6% das jovens.

Uso de contracepção de emergência

Aproximadamente, 60% das que tiveram relação heterossexual haviam usado contracepção de emergência alguma vez na vida. Os principais motivos para o uso desse tipo de contraceptivo foram: estar sem camisinha no momento da relação (30,4%), não confiar na contracepção em uso (16,6%), ter tido relação sem estar esperando ou preparada (16,3%), a camisinha ter estourado, furado ou ficado retida (16%) e ter usado a anticoncepção de rotina de maneira inadequada (9%).

À análise bivariada, associaram-se positivamente ao uso de contracepção de emergência (p < 0,05) a idade, não ter escolaridade esperada para a idade e ter tido mais do que um parceiro sexual na vida. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes na porcentagem de mulheres que já utilizaram esse contraceptivo, segundo CRS, classe de consumo, ter plano de saúde, cor, idade de início da atividade sexual, anticoncepção na primeira relação, estar em união, ter tido filho, conhecer o período fértil e o antecedente de consulta ginecológica (Tabela 3). O modelo inicial da análise multivariada incluiu, além de idade, escolaridade esperada para a idade, número de parceiros, uso atual de contracepção (p = 0,127), ainda que a diferença parecesse estar relacionada à ausência de relações sexuais no ano precedente à entrevista, portanto, à ausência de informações sobre a prática contraceptiva atual. Permaneceram associadas ao uso de contracepção de emergência: a idade e o número de parceiros sexuais tidos. A chance de tê-lo feito foi maior para as que tinham 18 a 19 anos do que entre as com 15 a 17 (OR = 2,05; IC95%: 1,26-3,36); para as que tiveram 2 a 3 parceiros (OR = 2,77; IC95%: 1,48-5,19) e mais de 3 (OR = 11,12; IC95%: 3,17-39,03) quando comparadas às que tiveram um (Tabela 3).

Tabela 3 Proporção de mulheres com 15 a 19 anos que já iniciaram vida sexual * e que usaram contracepção de emergência alguma vez na vida, segundo variáveis selecionadas e medidas de associação estimadas por meio de análise bi e multivariada. Município de São Paulo, Brasil, 2015. 

Variável (n) Usaram contracepção de emergência Bivariada Modelo final
n * % OR Valor de p IC95% OR Valor de p IC95%
Mulheres em análise (10) 188 60,4
CRS (310) p = 0,548
Norte (66) 34 52,1
Sudeste (52) 29 57,4
Sul (82) 52 63,0
Leste (77) 50 64,5
Centro-oeste (33) 23 65,8
Idade [anos] (310) p = 0,013
15-17 (137) 69 49,8 1,00 1,00
18-19 (173) 119 68,4 2,19 0,000 1,39-3,44 2,05 0,000 1,26-3,36
Cor da pele autodeclarada (308) p = 0,428
Branca (103) 63 61,6
Preta (46) 33 69,4
Parda (141) 81 57,3
Outra (18) 9 50,0
Escolaridade esperada (307) p = 0,047
Sim (176) 98 55,3 1,00
Não (131) 88 67,1 1,65 0,480 1,00-2,71 NS NS
Religião (308) p = 0,25
Sem religião (77) 39 49,6
Católicas (94) 59 63,0
Evangélicas pentecostais (101) 64 63,4
Outras religiões (36) 25 68,2
Classes de poder aquisitivo (310) p = 0,342
D/E (43) 22 50,4
C (162) 102 62,9
A/B (105) 64 60,6
Posse de plano de saúde (310) p = 0,333
Sim (83) 47 55,8
Não (227) 141 62,1
Parceiros sexuais na vida (309) p = 0,000
1 (144) 72 49,1 1,00 1,00
2 ou 3 (107) 66 61,6 3,00 0,000 1,65-5,47 2,77 0,000 1,48-5,19
4 ou mais (58) 49 85,7 11,45 0,000 3,20-40,99 11,1 0,000 3,17-39,0
Unida [mora com parceiro] (309) p = 0,660
Não tem parceiro ou não mora (245) 146 59,8
Mora com parceiro (64) 42 62,8
Teve filho (307) p = 0,818
Não (248) 149 60,1
Sim (59) 37 61,7
Idade na 1ª relação sexual [anos] (186) p = 0,818
Até 15 (198) 122 60,6
16-19 (110) 64 59,1
Contracepção na 1ª relação (309) p = 0,220
Não (59) 33 53,7
Sim (250) 155 62,1
Uso de método contraceptivo atualmente (310) p = 0,127
Não teve relação nos últimos 12 meses (19) 7 35,9 0,36 0,110 0,10-1,27 NS NS
Sim (217) 132 65,11 1,07 0,790 0,63-1,82 NS NS
Não (74) 30 63,35 1,00
Conhece período fértil (310) p = 0,991
Sim (64) 40 60,4
Não (246) 148 60,3
Última consulta ao ginecologista (306) p = 0,968
Há mais de 12 meses (53) 32 60,4
Nunca foi (58) 36 61,9
Nos últimos 12 meses (195) 118 60,0

CRS: Coordenadoria Regional de Saúde; NS: não significante no modelo final.

* Exclui mulheres que não tiveram relações heterossexuais.

Contracepção atual

Para a análise da contracepção atual, foram consideradas as 248 jovens que tiveram alguma relação heterossexual nos 12 últimos meses e não estavam grávidas.

A prevalência de contracepção foi 81,1%, sem diferença estatisticamente significante (p = 0,377) entre unidas (84,7%) e não unidas (80,1%) (Tabela 4). As principais razões para o não uso de anticoncepção foram a ocorrência esporádica de relações sexuais (65%) seguida pelo desejo de engravidar (9,5%). A demanda não atendida em contracepção foi pequena, uma vez que apenas 2,6% das jovens não estavam em uso de algum método por não saber onde obtê-lo ou por não ter conseguido obtê-lo.

Tabela 4 Distribuição percentual de mulheres de 15 a 19 anos que tiveram pelo menos uma relação sexual * nos últimos 12 meses e não grávidas, segundo prática contraceptiva atual e estado marital. Município de São Paulo, Brasil, 2015. 

Variável Unidas Não unidas Total
n % n % n %
Faz contracepção atualmente (p = 0,377)
Sim 44 84,7 156 80,1 200 81,1
Não 8 15,3 39 19,9 47 18,9
Total ** 52 100,0 195 100,0 247 100,0
Contracepção atual (p = 0,000)
Não usa 8 15,3 39 19,9 47 18,9
Pílula 17 30,8 42 21,0 59 23,0
Injetável 14 28,9 20 9, 6 34 13,6
Camisinha masculina 8 14,4 60 32,0 68 28,3
Pílula e camisinha 3 5,9 32 17,1 35 14,7
Outros 2 4,7 2 0,5 4 1,4
Total 52 100,0 195 100,0 247 100,0

* Exclui mulheres que tiveram relação sexual só com mulheres;

** Exclui uma mulher com estado marital desconhecido.

Os métodos mais utilizados no momento da entrevista foram camisinha masculina (28,2%) e o ACO (23%). Seguiram-se a combinação de pílula e camisinha (14,7%) e os injetáveis (13,7%). Nenhuma mulher relatou laqueadura, vasectomia, usar DIU, camisinha feminina, implante, adesivo, anel ou diafragma. Embora a prevalência de uso não tenha sido estatisticamente diferente entre mulheres unidas e não unidas, a composição do mix de contraceptivos variou entre elas de forma significante (p = 0,000). Os métodos mais usados entre as primeiras foram ACO (30,8%) e injetáveis (28,9%), e, entre as não unidas, foi a camisinha (32%) seguida pela pílula (20,9%) e pela associação de ambos (17,1%) (Tabela 4).

À análise bivariada, associaram-se ao uso atual de método (p < 0,05) a religião atual, a atividade sexual nos últimos trinta dias, o número de parceiros na vida, ter realizado consulta ginecológica no último ano. Na análise multivariada, foram incluídas, além dessas, CRS, faixa etária, cor, classe de consumo, posse de plano de saúde e o uso de anticoncepção na primeira relação sexual (todas com p < 0,20). A chance de estar usando contraceptivo foi maior entre as residentes na CRS Centro-oeste, (OR = 6,19; IC95%: 1,06-35,98), católicas quando comparadas às sem religião (OR = 3,36; IC95%: 1,09-10,32), as que tiveram relação sexual nos últimos trinta dias (OR = 10,38; IC95%: 4,30-25,03), as que tiveram menos de quatro parceiros na vida - dois ou três parceiros (OR = 4,41; IC95%: 1,46-13,32) e um parceiro (OR = 7,50; IC95%: 2,46-22,88) e entre as que realizaram consulta ginecológica no último ano (OR = 3,96; IC95% 1,28-12,30) (Tabela 5).

Tabela 5 Prevalência de contracepção em mulheres de 15 a 19 anos sexualmente ativas * nos últimos 12 meses e não grávidas, segundo variáveis selecionadas e medidas de associação estimadas por meio de análise bi e multivariada. Município de São Paulo, Brasil, 2015. 

Variável (n) Em uso de contracepção Bivariada Modelo final
n ** % OR bruto Valor de p IC95% OR ajustado Valor de p IC95%
Mulheres em análise (248) 201 81,1
CRS (248) p = 0,12
Norte (44) 33 74,3 1,00 1,00
Sul (72) 54 75,4 1,06 0,901 0,42-2,70 0,74 0,567 0,27-2,07
Leste (62) 51 82,7 1,66 0,200 0,76-3,63 1,60 0,425 0,50-5,13
Sudeste (40) 35 89,9 3,07 0,072 0,90-10,49 1,90 0,412 0,40-8,96
Centro-oeste (30) 28 94,6 6,09 0,084 0,78-47,39 6,19 0,043 1,06-35,98
Idade [anos] ( 248) p = 0,190
15-17 (110) 84 76,8 1,00 1,00
18-19 (138) 117 84,4 1,63 0,192 0,78-3,41 NS
Cor da pele autodeclarada (247) *** p = 0,091
Branca (81) 72 89,6 1,00 1,00
Preta (35) 29 81,8 0,52 0,283 0,16-1,72 NS
Parda (113) 85 74,9 0,35 0,026 0,14-0,88 NS
Outras (18) 14 78,3 0,42 0,230 0,10-1,75 NS
Escolaridade esperada (245) *** p = 0,80
Sim (149) 121 80,9
Não (96) 78 82,0
Religião (246) *** p = 0,005
Sem religião (57) 46 80,0 1,00 1,00
Evangélicas pentecostais (81) 57 70,2 0,59 0,188 0,27-1,30 0,49 0,175 0,17-1,38
Católicas (80) 73 91,1 2,575 0,046 1,02-6,52 3,36 0,035 1,09-10,32
Outras religiões (28) 23 83,7 1,28 0,615 0,48-3,43 1,66 0,439 0,46-6,04
Classes de poder aquisitivo (248) p = 0,15
D/E (37) 26 70,8 1,00 1,00
C (129) 108 83,9 2,15 0,069 0,94-4,91 NS
A/B (82) 67 81,6 1,82 0,210 0,71-4,70 NS
Posse de plano de saúde (248) p = 0,08
Não (181) 142 78,0 1,00 1,00
Sim (67) 59 89,2 2,33 0,081 0,90-6,03 NS
Unida [mora com parceiro] (247) *** p = 0,38
Não tem parceiro ou não mora (195) 149 80,1
Mora com parceiro (52) 44 84,7
Teve relação sexual há 30 dias (248) p = 0,00
Não (74) 42 58,2 1,00 1,00
Sim (174) 159 91,1 7,34 0,00 3,63-14,86 10,38 0,000 4,30-25,03
Parceiros sexuais na vida (247) *** p = 0,01
4 ou mais (49) 33 65,6 1,00 1,00
2 ou 3 (87) 71 82,7 2,51 0,01 1,21-5,21 4,41 0,009 1,46-13,32
1 (111) 96 86,4 3,34 0,00 1,43-7,82 7,50 0,001 2,46-22,88
Teve filho (245) *** p = 0,25
Não (195) 155 79,7
Sim (50) 44 87,6
Idade na 1ª relação heterossexual [anos] (247) p = 0,456
Até 15 (160) 127 79,4
16-19 (87) 73 84,1
Contracepção na 1ª relação (247) * p = 0,16
Não (49) 36 73,4 1,00 1,00
Sim (198) 165 83,3 1,80 0,17 0,78-4,15 NS -
Conhece o período fértil (248) p = 0,83
Sim (52) 42 80,0
Não (196) 159 81,4
Última consulta ao ginecologista (245) *** p = 0,01
Há mais de 12 meses (41) 30 67,2 1,00 1,00
Nunca foi (50) 36 73,7 1,37 0,602 0,42-4,48 1,55 0,539 0,37-6,44
Nos últimos 12 meses (154) 134 87,9 3,53 0,008 1,39-8,95 3,96 0,018 1,28-12,30

CRS: Coordenadoria Regional de Saúde; NS: não significante no modelo final.

* Exclui mulheres que tiveram relação sexual só com mulheres;

** Número de mulheres sem ponderação;

*** Exclui mulheres com informação prejudicada.

Fontes de obtenção

A maioria das mulheres comprou o contraceptivo na rede comercial de farmácias (75,2%), 23,6% obteve no SUS ou na farmácia popular, e as demais obtiveram gratuitamente de outra forma (1,2%). A farmácia popular foi citada por apenas cinco mulheres (1,8%), sendo quatro usuárias de pílula e uma de injetável. Os planos de saúde só foram referidos como razão para desconto no preço da pílula adquirida na farmácia e por apenas duas mulheres (1,4% das usuárias de contracepção). A predominância da compra em farmácias foi ainda maior entre as usuárias de camisinha (84,1%) e de ACO (80,2%). O sistema público foi mais frequentemente citado apenas como fonte dos injetáveis (60,3%), especialmente pela obtenção em unidades de saúde (58,1% das usuárias desse método). A maioria das usuárias de ACO (70,7%) e/ou de camisinha (64,3%) nunca procurou o SUS para obtê-los. Os motivos mais referidos para essa não procura, entre as usuárias de ACO e de camisinha, foram, respectivamente: ser mais fácil ou rápido comprar na farmácia (21,1% e 28,7%), não saber que podia obter no SUS (20,7% e 6,2%), nunca ter pensado nisso (16,5% e 16,2%), usar outro tipo ou marca de pílula (15,9%), não confiar na camisinha do SUS (9,1%) e não frequentar o SUS (9% para ambos).

A principal fonte de obtenção do contraceptivo de emergência foi a farmácia privada: 94,2% referiram ter comprado o último contraceptivo de emergência em uma farmácia, sem a apresentação de receita. Nenhuma das jovens referiu ter obtido o método no SUS.

Discussão

A proporção de jovens que já havia iniciado a vida sexual foi similar à verificada no país em 2006 (55%), a idade média na 1ª relação sexual e a proporção de jovens que a vivenciou antes dos 15 anos também foram semelhantes (15,2 anos e 16,9% 17, respectivamente).

A frequente menção à utilização de algum método anticoncepcional na primeira relação já havia sido verificada em 2006 (80,3%), mas a referência ao uso da camisinha era um pouco menor no país (67%) (Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher: baco de dados. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/pnds/banco_dados.php, acessado em 19/Abr/2016). Já em 2006, a quase totalidade das jovens sexualmente ativas havia usado algum método contraceptivo (96%), valor muito próximo ao encontrado no estudo.

O surpreendente foi verificar tão alta prevalência da prática contraceptiva, maior presença de métodos modernos, em especial de injetáveis na cidade de São Paulo, quando comparadas às jovens brasileiras, em 2006 3, e em 2014 11. Enquanto 66,3% das jovens unidas e 66,9% das não unidas usavam algum contraceptivo no Brasil em 2006 3, esses valores foram, respectivamente, 84% e 80% em São Paulo. Passada uma década, é possível que esse incremento tenha ocorrido também no país, ainda que a maior escolaridade feminina e o maior acesso aos serviços de saúde, nessa cidade, possam ter influenciado positivamente os resultados.

Ter tido atividade sexual no último mês influenciou fortemente o uso atual de contraceptivos. Isso provavelmente resulta da associação entre a ocorrência de relações esporádicas e a alta prevalência do uso de preservativo masculino, cujo uso é coito-dependente. De fato, o principal motivo relatado para não praticar contracepção no momento da entrevista foi ter relações sexuais esporádicas, o que não exclui a possibilidade de uso de um método de barreira, como a camisinha, quando o evento acontece. Além disso, o fato de a prevalência da contracepção ter sido menor entre as jovens com maior número de parceiros na vida e que essas tenham recorrido mais aos contraceptivos de emergência pode sugerir uma forma diferente de lidar com a anticoncepção.

Diferentemente do observado neste estudo, a interferência da religião no uso da contracepção não foi captada em nenhuma das pesquisas nacionais de demografia e saúde. O que elas têm revelado é que as católicas tendem a usar anticoncepção com a mesma frequência que as demais mulheres, em dissonância com o discurso da hierarquia católica. Difícil entender, no entanto, porque o fariam mais frequentemente do que as que não professam religião. Por outro lado, as jovens pentecostais apresentaram a menor prevalência de anticoncepção, embora a diferença não tenha sido estatisticamente significante. As restrições das denominações pentecostais à pratica sexual fora do casamento podem atuar como um obstáculo à informação para a prevenção da gravidez indesejada 18.

É compreensível que o atendimento médico ginecológico no ano anterior se associe positivamente ao uso de contraceptivo, uma vez que ele propicia a conversa sobre sua necessidade, sobre as alternativas disponíveis e a indicação de um produto. Embora não se tenha encontrado estudo brasileiro que permita comparação a esse respeito, outra medida de acesso a serviços de saúde - ter fácil acesso a transporte para alcançá-los - teve papel semelhante em análise dos dados obtidos para as adolescentes em 2006 19. É interessante observar que a escolaridade não tenha sido um diferencial e que não tenha sido possível verificar associação estatística entre classe de consumo e praticar anticoncepção. No entanto, residir na região Centro-oeste ganhou importância na análise multivariada. Essa é a região de saúde da capital com melhor infraestrutura, melhor padrão educacional e melhores condições de deslocamento. Ou seja, o contexto social e econômico mais favorável, do qual a região é uma síntese, talvez seja mais efetivo para o desenvolvimento de atitudes e obtenção dos meios para a regulação da fecundidade, do que cada um desses atributos individualmente.

É importante notar também que o fato de menos de 3% das mulheres não praticar anticoncepção por não ter obtido um insumo sugere que o não uso vai além das dificuldades de acesso aos métodos, devendo haver também fatores culturais e comportamentais, não abordados neste estudo. A ambiguidade do desejo pela gestação e a ausência de perspectivas de vida para além da maternidade podem ser alguns desses fatores 20.

A camisinha e o ACO se mantiveram como os métodos mais utilizados pelas jovens no município, o que se assemelha ao perfil dos países desenvolvidos 21. O uso do injetável foi duas vezes maior do que no Brasil, em 2006, (6,8%) e mais elevado ainda entre as jovens unidas (28,9% versus 6,8% no Brasil) 11. Esse aumento pode ser decorrente da maior oferta, aceitabilidade e acesso a esse contraceptivo. Os demais métodos de média duração, como anel e adesivo e os LARC - implante e DIU, estiveram ausentes. Os LARC têm maior efetividade do que a camisinha e a pílula, pois não dependem da aderência e do uso correto diário e têm sido associados a impactos positivos no controle da vida reprodutiva, na redução das taxas de gestação não planejada e abortos na adolescência 22,23,24. Embora o DIU de cobre seja ofertado gratuitamente no SUS, é poucas vezes oferecido às mulheres, particularmente às que não tiveram filhos. Anel, adesivo e implante não foram incorporados pelo Ministério da Saúde. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo iniciou recentemente um projeto para uso do implante em adolescentes em 2016 25.

O acesso à maior variabilidade de métodos favorece a liberdade de escolha e, com isso, maior congruência entre a vontade da mulher, sua fase de vida e o método utilizado, possibilitando maiores chances de prevenção de gestações não planejadas 21. Outros países têm investido nessa ampliação: na Colômbia, o implante subdérmico é fornecido gratuitamente à população desde 2008; no México, os implantes, o adesivo e o DIU com levonorgestrel são disponibilizados gratuitamente; na Inglaterra, há 15 tipos de métodos contraceptivos fornecidos gratuitamente pelo serviço de saúde nacional, incluindo os anéis vaginais, adesivos e todos os LARC.

A proporção de jovens que usou o contraceptivo de emergência alguma vez na vida foi seis vezes maior que a observada no Brasil em 2006 (10,4%) 3. Essa tendência tem sido apontada por outros autores 12,26,27,28. Isso pode ser explicado pelo maior conhecimento das mulheres sobre o método, por sua ação efetiva e segura quando a relação sexual não foi planejada e pela disponibilidade em farmácias. Embora já se tenha associado positivamente o uso da contracepção de emergência a jovens em melhor situação social 13, nenhum dos indicadores socioeconômicos utilizados atuou como diferencial em nosso estudo. Os únicos fatores que se associaram a essa experiência foram ter maior idade e maior número de parceiros sexuais na vida e ambos podem estar refletindo o maior tempo de exposição à atividade sexual. A juventude é o período em que a busca por um parceiro e por emoções é mais intensa e em que os encontros são mais frequentes, inesperados e fugazes. A probabilidade de uma relação sexual inesperada é grande e provavelmente ocorre na vida da maioria das pessoas. Aliás, o grande benefício da contracepção de emergência é exatamente o de evitar que esse contexto leve à gravidez. E é por isso que o fácil acesso à contracepção de emergência tem sido estratégia privilegiada para a redução da gestação indesejada na adolescência em vários países, há mais de duas décadas. Atualmente, ela está incluída no rol de medicamentos essenciais para a saúde das mulheres e crianças e no manual de planejamento familiar da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diversas organizações em todo o mundo apoiam políticas públicas que ampliem seu uso, havendo 148 países com, ao menos, um tipo de contracepção de emergência disponível (International Consortium on Emergency Contraception. EC status and availability: countries with at least one EC. http://www.cecinfo.org/country-by-country-information/status-availability-database/countries-with-at-least-one-ec-pill-brand-registered/, acessado em 27/Mai/2016).

A introdução da “pílula do dia seguinte” no sistema público brasileiro é mais recente e sofreu resistência de instituições religiosas e de políticos conservadores. Sua comercialização foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 1999, mas seu fornecimento a municípios por parte do Ministério da Saúde foi irregular até 2004. A partir de então, a pasta ampliou a distribuição da “pílula do dia seguinte” para dispensação em unidades básicas de saúde e a difusão de informações técnicas por meio de publicações dirigidas a profissionais do setor 29. Apesar disso, as dificuldades encontradas no setor público são quase impeditivas do acesso. Essa pílula deve ser ingerida em até cinco dias após a relação sexual desprotegida, e sua eficácia é menor a cada dia. O funcionamento da maioria das unidades apenas em horário “comercial” aliado à necessidade de atendimento médico ou de enfermeiro para a obtenção da “pílula do dia seguinte” tem tornado esse acesso muito difícil 27. Não surpreende, portanto, que quase todas as jovens que a utilizaram disseram tê-la comprado em farmácia. Aliás, a farmácia foi fonte predominante de todos os contraceptivos, mediante pagamento não subsidiado, exceto no caso do injetável. Mesmo havendo disponibilidade gratuita de ACO e camisinha masculina nas unidades públicas de saúde, a maioria das usuárias nunca procurou o SUS para obtê-los. O desconhecimento dessa oferta e a falta de praticidade para a obtenção foram as principais barreiras. A “farmácia popular” foi raramente apontada como local de aquisição de ACO ou injetáveis. O subsídio da anticoncepção por meio desse programa facilitaria muito a vida das mulheres, que poderiam utilizar a ampla rede comercial de farmácias, facilitando seu acesso geográfico. No entanto, falta divulgar esse direito e informar a população sobre os produtos disponíveis para que a iniciativa seja efetiva, embora permaneça a limitação imposta pela necessidade de apresentação de prescrição médica.

Apesar da alta frequência de uso de métodos contraceptivos no município, quase 19% das jovens que iniciaram a vida sexual já tiveram, pelo menos, um filho, fruto de gravidez não planejada. Esse paradoxo, no entanto, não é exclusividade brasileira e tem se tornado tema prioritário de pesquisa na área da reprodução em países desenvolvidos 30. Por outro lado, é impossível não pensar em uso inadequado da contracepção diante do fato assustador de que 80% das jovens não sabem identificar o período fértil no ciclo menstrual.

O delineamento transversal do estudo para responder ao principal objetivo - traçar o panorama das práticas contraceptivas de mulheres jovens no Município de São Paulo - implica em limitações. A primeira é não possibilitar o estabelecimento de relações de causalidade entre as variáveis associadas. O número de adolescentes sexualmente ativas entrevistadas limitou o poder analítico de alguns resultados dificultando a análise mais aprofundada de alguns aspectos da prática contraceptiva. Ainda, a abordagem quantitativa, ao passo que permite retratar a situação da anticoncepção na população feminina, não capta a complexidade do manejo da vida sexual e reprodutiva, que não é uma experiência puramente racional.

Considerações finais

O estudo trouxe à tona o crescimento da prevalência da anticoncepção entre mulheres jovens e, em particular, a frequência considerável do uso da camisinha masculina para dupla proteção, especialmente associada à pílula. O uso do preservativo masculino foi apontado por quase 50% das mulheres não unidas, indicando que a necessidade de proteção contra DST vem sendo incorporada por parte dessa geração, ainda que essa prática não seja tão frequente no contexto de “casamento”. Além disso, pela primeira vez, estimou-se a proporção de jovens que já utilizou a contracepção de emergência em um inquérito de base populacional.

Porém, ainda é pequena a diversidade de contraceptivos utilizados, dentre os métodos de média e longa duração, apenas os hormonais injetáveis estão presentes. O sistema público não incorporou a oferta de novas opções como os adesivos, o anel vaginal e os implantes. E o DIU, embora disponível, permanece pouco conhecido e aparentemente pouco ofertado.

A disponibilidade gratuita de alguns contraceptivos nos serviços públicos de saúde, assim como a oferta subsidiada de pílula e injetáveis no programa Farmácia Popular do Brasil, não tem se mostrado eficiente.

Da mesma forma, embora quase um terço das jovens estudadas tenha declarado possuir plano de saúde, ele praticamente não foi referido como fonte. É possível afirmar que a quase universalização da contracepção nesse segmento da população ocorreu às custas de financiamento próprio e individual da mulher.

Mas, acima de tudo, é preciso romper as barreiras estruturais para o acesso à prescrição de contraceptivos no SUS e para sua obtenção gratuita. É urgente que o Estado divulgue amplamente a disponibilidade de anticoncepcionais na farmácia popular via todos os tipos de mídia e incluir no programa a pílula do dia seguinte.

É estarrecedor constatar que, passados mais de trinta anos da introdução da atenção à anticoncepção ao Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, elas não contem com o Estado para exercer seus direitos sexuais e reprodutivos.

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