Predictive and associated factors with nursing students’ satisfaction

Predictive and associated factors with nursing students’ satisfaction

Autores:

Carolina Domingues Hirsch,
Edison Luiz Devos Barlem,
Jamila Geri Tomaschewski Barlem,
Rosemary Silva da Silveira,
Daniel Pinho Mendes

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.28 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201500093

Introdução

As modificações econômicas e sociais promovidas pelo processo de globalização têm modificado, substancialmente, a relação entre o homem e o trabalho.(1) A busca pela ampliação da produção através da eficiência exige dos profissionais maiores qualificações para suprir as demandas da nova realidade.(2) Contudo, o crescimento dos ritmos e cargas de trabalho acaba sobrepondo-se as necessidades dos indivíduos, o que pode colocar suas aspirações em segundo plano, refletindo-se, a longo prazo, na insatisfação desse trabalhador.(3)

Nesse mesmo sentido, a entrada na universidade também pode ser promotora de desconforto devido as inúmeras cobranças e exigências impostas por esse novo contexto de vida, podendo levar o acadêmico ao estresse e a desistência da futura profissão.(1) Assim, o que deveria ser um ambiente benéfico para a formação profissional e aquisição de novas experiências, acaba se tornando um local que propicia repetidamente eventos de vida potencialmente estressores.(4)

A condição de insatisfação diária desencadeia sentimentos de nervosismo, ansiedade, irritabilidade e impaciência, desinteresse e desmotivação nas questões relativas ao curso, podendo ser observada pela queda do índice de frequência nas aulas.(5) A progressão dessa situação de inadequação entre as exigências e as capacidades dos indivíduos em suprir demandas leva a problemas na saúde e qualidade de vida desses acadêmicos,(3) promovendo sentimentos de retração, traduzidos em sensações de apatia e falta de motivação para realização das atividades acadêmicas,(6) o que resulta na insatisfação acadêmica.

Dessa forma, a satisfação acadêmica pode ser compreendida como a percepção do indivíduo frente o alcance das suas expectativas acadêmicas, ou seja, é a percepção de êxito obtido em relação ao desempenho educacional. A satisfação de um indivíduo parece ser uma consequência não apenas do quanto ele recebe do ambiente, mas também da posição que ele ocupa em relação ao seu nível de idealização.(7) Tendo em vista que as IES exercem um importante papel na construção do conhecimento científico e nos meios de interação e atuação profissional, essas devem trabalhar formas de adequação e desenvolvimento de condutas que satisfaçam as expectativas dos estudantes, promovendo uma experiência acadêmica satisfatória.

Assim, a qualidade e melhoria da educação superior estão intimamente ligadas à identificação e atenção sobre os fatores relacionados ao nível de qualidade das universidades, como: instalações, estrutura, serviços acadêmicos, programas de assistência social, política de avaliação institucional, qualificação docente, qualificação técnico-administrativa, relação professor/aluno, processos metodológicos de ensino, existência de programas de pós-graduação.(2) Neste sentido, o desenvolvimento de pesquisas referentes a satisfação dos acadêmicos, possibilita perceber as multiplicidades de influências promotoras das falhas ou sucessos do processo educacional, garantindo assim, a manutenção ou restauração da qualidade do ensino através da otimização do corpo de docente, infraestrutura, currículos e programas.(8)

O objetivo deste estudo foi identificar os preditores e fatores associados à satisfação dos estudantes de enfermagem com as atividades de currículo e ensino, interação social/profissional e ambiente de aprendizagem do curso de graduação.

Métodos

Estudo transversal, realizado em uma universidade pública federal localizada na região sul do Brasil. Foram incluídos no estudo 123 estudantes de enfermagem regularmente matriculados no segundo semestre de 2014. Como critério de seleção da amostra foi utilizada a modalidade de amostragem não probabilística por conveniência, de forma que os participantes foram selecionados de acordo com sua presença e disponibilidade no local e no momento em que o processo de coleta de dados foi implementado.

A aplicação do instrumento foi realizada em um único momento e de maneira coletiva durante o horário letivo cedido para esta pesquisa. Como instrumento de pesquisa foi utilizado o Nursing Satisfaction Students Scale (NSSS) - versão brasileira,(9) adaptado culturalmente e validado para o contexto nacional. A escala foi operacionalizada em escala Likert de cinco pontos, sendo composta por 22 questões que objetivam analisar a satisfação dos estudantes de enfermagem, através das dimensões: currículo e ensino; interação social/profissional e ambiente de aprendizagem.

Os dados foram submetidos a análise fatorial, agrupando os resultados em três grupos de respostas denominados constructos, sendo intitulados: interação social/profissional; currículo e ensino e ambiente de aprendizagem. O nível de confiabilidade do instrumento foi verificado através do cálculo do Alfa de Cronbach, que apresentou valor de 0,934. Já os coeficientes dos constructos apresentaram os valores de Alfa entre 0,88 e 0,89, comprovando a fidedignidade das categorias geradas.

Os resultados foram obtidos por estatística descritiva, análises de variância (ANOVA) e análise de regressão. Para análise dos dados, foi utilizado o software estatístico SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 22.0. A utilização do instrumento de coleta de dados foi autorizada pelos pesquisadores responsáveis pela validação e pelo autor da versão original em inglês do instrumento.

O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.

Resultados

O perfil sócio-demográficos dos 123 estudantes de enfermagem foi: 91,05% do sexo feminino, 79,7% solteiros, 81,3% referiam não ter filhos, com média de idade 25 anos, variando entre 18 e 50 anos. Verificou-se também que 59,4%, participavam de atividades extra curriculares e desses 49,6% possuíam bolsa de estudo. A maioria dos estudantes (77,2%) afirmava não trabalhar e, do restante, 13,8% relatavam trabalhar na área da saúde. O curso de enfermagem foi a primeira opção para 72,6% e 61,8% referiram nunca ter pensado em desistir do curso.

No que diz respeito aos resultados obtidos pela análise descritiva (Tabela 1) foi possível identificar que a dimensão currículo e ensino foi a que apresentou a maior média do instrumento (3,57), evidenciando que esse fator foi percebido pelos estudantes como o maior promotor na percepção de satisfação com o curso.

Tabela 1 Fatores percebidos pelos estudantes de enfermagem como determinantes da satisfação pessoal 

Fatores n Média
Interação social/profissional 123 (3,28)
Os docentes de enfermagem estão sendo modelos positivos de profissionais 122 3,16
Eu me sinto tranquilo ao fazer questionamentos ao corpo docente de enfermagem 123 3,20
Eu sou respeitado pelo corpo docente 123 3,44
Os docentes de enfermagem são justos/imparciais ao avaliar o meu aprendizado 120 2,95
Eu tenho interações profissionais positivas com os docentes de enfermagem 119 3,50
Os professores de enfermagem fazem um esforço para deixar as matérias interessantes 123 3,12
Os docentes de enfermagem explicam conceitos essenciais para o exercício da profissão de forma efetiva 121 3,63
O corpo docente de enfermagem é bem qualificado em sua área de atuação 122 3,50
Os docentes atuam de forma colaborativa entre si no processo de ensino 122 3,02
Currículo e ensino 123 (3,57)
O currículo de enfermagem está desenvolvendo minha capacidade de resolver problemas ao cuidar dos pacientes 123 3,53
O currículo de enfermagem está me preparando para eu me tornar um enfermeiro competente 121 3,61
O currículo de enfermagem está me capacitando para utilizar o processo de enfermagem na minha prática clínica 121 3,64
O currículo de enfermagem está me ajudando a aprimorar minhas habilidades comunicativas 121 3,81
O currículo de enfermagem é relevante para a atual prática de enfermagem 122 3,57
O currículo de enfermagem progride de forma lógica de conceitos simples a complexos 120 3,45
Eu me sinto confiante na minha habilidade de atuar em ambientes clínicos em razão do currículo de enfermagem 122 3,40
Ambiente de aprendizagem 123 (3,33)
Os equipamentos no laboratório de enfermagem estão em bom estado de conservação 122 3,45
O equipamento no laboratório de enfermagem está atualizado 122 3,35
Há equipamento suficiente no laboratório de enfermagem para a minha aprendizagem 122 3,30
O laboratório de enfermagem tem espaço suficiente para a minha aprendizagem 122 3,34
Os recursos da biblioteca são adequados para a aprendizagem 122 3,11
Os docentes usam tecnologia de forma eficaz para melhorar meu aprendizado 120 3,43
Satisfação geral
Minha satisfação geral com o curso de graduação em enfermagem da minha escola é: 123 3,58

A dimensão ambiente de aprendizagem apresentou a segunda maior média do instrumento (3,33) seguida do fator Interações sociais/profissionais (3,28). A variável dependente satisfação geral apresentou média de resposta de (3,56), indicando que os estudantes, de uma maneira geral, se percebem nem satisfeitos/nem insatisfeitos com o curso de graduação.

A análise de variância ANOVA (Tabela 2), permitiu relacionar as dimensões da satisfação profissional com as variáveis sócio-demográficas, indicando que os estudantes mais jovens e que possuem filhos, percebem a dimensão currículo e ensino como um fator promotor de satisfação de forma mais intensa do que os demais.

Tabela 2 Relação entre as dimensões da satisfação pessoal, variáveis sócio demográficas e acadêmicas - Análise de Variância ANOVA 

Fator Currículo e ensino Interação social/profissional Ambiente de aprendizagem
n µ ρ n µ ρ n µ ρ
Possui filhos 0,37 - - - - - -
Não 100 3,61 - - - - - -
Sim 23 3,38 - - - - - -
Idade 0,11
>=25 54 3,37 - - - -
<25 60 3,73 - - - - - -
Pensou em desistir 0,14 - -
Não 76 3,74 - - - -
Sim 45 3,28 - - - -

Todas as variáveis expostas na tabela obtiveram diferença significativa ao nível de 5%

No que diz respeito a ter pensado em desistir do curso, os estudantes que referiram nunca ter pensado em desistir, percebem a dimensão currículo e ensino de forma mais intensa do que os estudantes que experimentaram pensamentos de desistência. A variável “série do curso”, não obteve relevância estatística (ρ= 0,02), demonstrando que, no contexto onde esse estudo foi realizado, essa variável não representa um fator promotor da satisfação acadêmica. As dimensões Interação social/profissional e ambiente de aprendizagem não obtiveram relevância estatística na correlação com os fatores sócio demográficos e acadêmicos.

Na avaliação dos efeitos dos três constructos em relação aos fatores de satisfação, mediante análise de regressão linear simples, fixando como variável dependente a satisfação geral, os resultados identificaram relação de significância no nível de 5% em todos os constructos. O teste obteve com o coeficiente de determinação ajustado o valor de 0,54, representando um valor de 54% de explicação dos fatores relacionados a satisfação pessoal, conforme tabela 3.

Tabela 3 Análise de regressão linear simples dos fatores de satisfação pessoal 

Variável Beta (β) Sigma (ρ)
Currículo e ensino 0,518 0,000
Interação social/profissional 0,330 0,000
Ambiente de aprendizagem 0,052 0,493

Nível de significância a 5%

Assim, pode-se identificar através das análises estatísticas que os estudantes de enfermagem percebem as dimensões currículo e ensino e interação social/profissional, como as maiores preditores da satisfação pessoal (Figura 1).

Figura 1 Correlação entre os fatores que contribuem para a satisfação pessoal 

Discussão

Este estudo teve como limitações o fato de ter sido realizado em uma população específica de estudantes de uma universidade pública do sul do Brasil, o que não permite generalizar seus resultados, uma vez que a amostra, apesar de representativa, possivelmente não caracterize os múltiplos contextos universitários existentes no Brasil.

Os resultados deste estudo permitiram a compreensão do fenômeno da satisfação pessoal, assim como dos fatores que provocam a desmotivação ao longo do período formativo, no contexto especifico dos estudantes de enfermagem brasileiros. Nesse sentido, através do conhecimento das dimensões institucionais que predizem a satisfação pessoal dos estudantes de enfermagem é possível que as Instituições de Ensino Superior reavaliem seus processos formativos, visando a qualidade educacional.

Através da pesquisa, foi possível identificar que os estudantes de enfermagem percebem as dimensões currículo e ensino, ambiente de aprendizagem e interação social/profissional como os principais fatores associados à satisfação pessoal. Dessa forma, satisfação pessoal pode ser descrita como a harmonia entre os diferentes domínios que compõem a vida universitária, as relações afetivas e interpessoais, os recursos ambientais disponíveis, as expectativas de resultado ligada à satisfação de vida pessoal e profissional.(10) Assim, tendo em vista os diferentes fatores que podem influenciar na satisfação pessoal dos estudantes de enfermagem, faz-se necessária a avaliação da satisfação no ensino superior como forma de melhorar a aprendizagem através do diagnóstico das situações que promovem o descontentamento acadêmico.(11)

Entre as dimensões percebidas pelos estudantes como maiores promotoras da satisfação pessoal, destacou-se o constructo currículo e ensino, de modo que as questões referentes a qualificação docente, uso de metodologias adequadas, didática atualizada, distribuição dos conteúdos curriculares e consistência das disciplinas foram percebidas pelos estudantes como maiores promotoras da satisfação ou insatisfação acadêmica.

Verificou-se que o método de ensino empregado influencia diretamente na satisfação dos estudantes de enfermagem. As atividades que estimulam a participação ativa dos estudantes na resolução de problemas permitem que esses desenvolvam responsabilidades e a iniciativa, aumentem a autonomia, controle, independência e segurança, promovendo a satisfação dos estudantes na medida em que se constroem na sua trajetória.(12) Nesse sentido os estudantes mais velhos percebem-se menos satisfeitos com as questões de currículo e ensino do que os estudantes mais jovens, possivelmente por já estarem a mais tempo em contato com o ambiente formativo, tanto teórico como prático, o que lhes permite uma visão mais abrangente e crítica do processo de ensino-aprendizagem.

Paralelamente, as questões curriculares também foram percebidas pelos estudantes de enfermagem como importantes, tais como: distribuição dos conteúdos curriculares; consistência das disciplinas ofertadas; similaridade dos conteúdos ministrados com a realidade prática e a potencialidade do currículo em promover uma formação condizente com as necessidades do mercado.(8) Ainda, em relação ao currículo, os estudantes que trabalham percebem-se menos satisfeitos do que os estudantes que não trabalham Como a maioria trabalha na área da saúde, isso lhes propicia a percepção sobre as discrepâncias entre a teoria e as práticas de ensino e a realidade assistencial da profissão.

As inadequações curriculares percebidas, como cargas horárias de atividades práticas insuficientes, falta de profissionais para atender às expectativas e demandas de estudantes, foram destacadas como situações recorrentes pelos estudantes de enfermagem.(1) O aumento da carga horária disponibilizada para as disciplinas de caráter prático promovem aos estudantes maior segurança e autoconfiança com seus conhecimentos adquiridos ao longo do período formativo.(13)

Dessa forma, os estudantes de enfermagem percebem essas disciplinas como fatores que contribuem para o reforço da identidade profissional através do aumento da experiência e conhecimentos clínicos, promovidos por currículos e ensino de qualidade, que, além de contemplar o conhecimento específico, também promovam uma visão global, levando o estudante a independência profissional através do desenvolvimento progressivo do pensamento crítico e raciocínio clínico.(1) A dimensão ambiente de aprendizagem também foi percebida pelos estudantes como promotora da satisfação acadêmica, demonstrando que as questões relativas a infraestrutura, instalações de apoio, aquisição e manutenção de equipamentos possuem relevância na percepção de satisfação com o curso.(13)

O investimento em melhorias estruturais pode aumentar a eficiência e a produtividade dos acadêmicos. Essa readequação dos ambientes pode ser vista como uma estratégia eficaz para atingir os objetivos organizacionais, pois contempla as necessidades da instituição e também as expectativas e ideais pessoais dos estudantes, através da eliminação ou prevenção dos efeitos negativos da insatisfação com o ambiente formativo e com o curso.(14) Nesse sentido, o investimento na área de novas tecnologias de informação e comunicação merece destaque, mais especificamente a informática, em que programas de computador prometem otimizar as questões referentes a qualidade de gestão, o desenvolvimento do corpo docente, proporcionar maior acessibilidade dos conteúdos através do compartilhamento on-line de novos métodos de ensino e maior interação entre os estudantes e professores das diferentes séries.(15)

A adoção de novos ambientes de aula on-line influencia positivamente no interesse e desempenho dos acadêmicos. Essas tecnologias, além de beneficiarem a construção do conhecimento, também promovem a satisfação dos estudantes de enfermagem, por gerarem uma atualização dos métodos de ensino.(16) Contudo, não são apenas as tecnologias de comunicação e informação que são importantes para promover um ambiente condizente com as necessidades dos estudantes: a estrutura física das instituições também merece destaque, uma vez que essa é apontada pelos estudantes como um fator determinante da satisfação com o curso.(17) Nesse sentido, os estudantes destacam como fundamentais para a satisfação com o curso as instalações de apoio, computadores, bibliotecas com acervo atualizado, laboratórios com equipamentos em bom estado de conservação, assim como a estrutura física das salas de aula.(8)

Evidenciou-se que os níveis de satisfação são definidos não somente pelas experiências dos estudantes em relação a suas interações com professores e apoio institucional, mas também pela modernização dos métodos tecnológicos de aprendizagem, que proporcionam um aumento na troca de informações. Assim, a estrutura física de qualidade promove apoio e incentivo ao estudante, servindo de suporte para o aprofundamento teórico prático dos conhecimentos adquiridos durante o processo formativo.(17) Outro fator evidenciado pelos estudantes de enfermagem como promotor da satisfação com o curso foi a dimensão interação social/profissional, demonstrando que as dificuldades relacionais constituem a terceira maior causa de insatisfação pessoal. A construção de uma relação positiva de troca entre todos os envolvidos no processo formativo promove o crescimento pessoal, acadêmico e profissional desses estudantes, preparando-os para se tornarem futuros enfermeiros.(14)

Estudos relatam que os estudantes desenvolvem atitudes negativas quando não estão satisfeitos, desenvolvendo, muitas vezes, sintomas negativos devido a dificuldades de relacionamento, rivalidade com os colegas, problemas interpessoais, ambiente de trabalho hostil, entre outros.(12,18) Nesse sentido, próximo ao término do curso, os estudantes percebem-se menos satisfeitos com as questões relacionadas a interação social/profissional, fato que pode ser explicado devido a maior exposição desses estudantes aos ambientes clínicos e aos conflitos das equipes de trabalho.

As dificuldades interpessoais vivenciadas pelos estudantes no ambiente de ensino dificultam a articulação dos saberes teórico-práticos que dependem de uma interação harmônica entre professores, estudantes e funcionários.(13) Dessa forma, as inter-relações estabelecidas no ambiente formativo foram percebidas como importantes preditores da satisfação pessoal dos estudantes de enfermagem, associadas a percepção positiva em relação ao apoio do corpo docente, do incentivo das redes sociais de amigos, e a solicitude dos profissionais dos ambientes educacionais.(19)

Conclusão

O currículo e o ensino foram os fatores percebidos como maiores preditores da satisfação acadêmica com o curso, seguidas da dimensão interação social/profissional e ambiente de aprendizagem. Dessa forma, tendo em vista os múltiplos fatores determinantes da satisfação acadêmica, faz-se necessário promover melhorias pontuais no cenário educacional e formativo, que permitam uma adaptação das instituições ás necessidades desses estudantes, no intuito de contribuir para uma experiência acadêmica satisfatória através da diminuição das barreiras que dificultam a formação acadêmica.

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