Prevalence of metabolic syndrome in metallurgical workers from different shifts

Prevalence of metabolic syndrome in metallurgical workers from different shifts

Autores:

Évelin Moreno,
Milva Maria Figueiredo De Martino,
Roberto Fernandes da Costa

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.28 no.4 São Paulo July/Aug. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201500065

Introdução

Cerca de 29,6% da população brasileira apresenta diagnóstico positivo para a síndrome metabólica.(1) A síndrome metabólica é definida pelo National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) como a associação de pelo menos três dos seguintes fatores de risco: obesidade abdominal (perímetro abdominal nos homens ≥102cm e nas mulheres ≥88cm); hiperglicemia de jejum (≥110mg/dL); hipertensão arterial (pressão sistólica ≥130mmHg e/ou pressão diastólica ≥85mmHg); lipoproteína de alta densidade-colesterol (HDL-c) baixa (para homens <40mg/dL e mulheres <50mg/dL); e hipertrigliceridemia (≥150 mg/dL).(2)

Além dos fatores de risco já citados, outros merecem atenção: estresse, trabalho noturno, sobrepeso e carga de trabalho excessiva.(3) Dessa forma, o trabalho noturno pode ser considerado um fator indutor de síndrome metabólica.(4,5) A explicação para essa afirmação é sustentada por três pilares: (1) horários de refeições não convencionais e indisponibilidade de meios de preparo;(6) (2) débito de sono, causando adaptações fisiológicas que alteram o comportamento alimentar, devido à diminuição dos níveis de leptina e ao aumento dos níveis de grelina circulantes;(7) (3) desajuste do ritmo circadiano, o qual influencia no controle da massa corporal, no controle glicêmico e na liberação de hormônios.(8)

O objetivo do presente estudo foi verificar a prevalência da síndrome metabólica entre os trabalhadores de diferentes turnos em uma indústria metalúrgica, bem como descrever fatores de risco associados.

Métodos

Estudo descritivo com delineamento transversal que incluiu 93 trabalhadores do setor produtivo de uma empresa de autopeças do setor metalúrgico da cidade de Sorocaba, no Estado de São Paulo, Região Sudeste do Brasil.

O regime de trabalho era dividido em turnos da seguinte maneira: primeiro turno (6h00 às 14h00), segundo turno (14h00 às 22h00), terceiro turno (22h00 às 6h00) e turno produtivo em horário administrativo (7h30 às 17h00). Foram incluídos 29 sujeitos do primeiro turno, 20 do segundo turno, 15 do terceiro turno e 29 do turno produtivo em horário administrativo. Os critérios de inclusão foram: trabalhar em turno fixo com, no mínimo, 12 meses de experiência no turno, ausência de medicação ou de diagnóstico prévio de diabetes. Todos os trabalhadores do setor produtivo participaram do estudo.

A coleta de dados ocorreu no ambulatório médico da empresa, nos horários dos turnos de trabalho. Primeiramente, foram avaliados os trabalhadores do primeiro turno e turno produtivo; após, do segundo turno e, finalizando, os do terceiro turno. As avaliações dos componentes metabólicos e da pressão arterial foram realizadas por um técnico de enfermagem. Os questionários foram respondidos pelos próprios trabalhadores. As avaliações antropométricas foram realizadas por profissional de Educação Física, experiente nesse tipo de medidas.

O perímetro abdominal foi medido no ponto médio entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior, utilizando-se uma trena antropométrica metálica da marca Sanny® com 0,1cm de resolução.(2) As medidas de massa corporal e estatura foram realizadas com os trabalhadores descalços e com roupas leves, utilizando-se uma balança digital da marca Sanny®, com resolução de 0,1kg, e estadiômetro da marca Sanny®, com resolução de 0,1cm.

Foi coletada uma amostra de sangue venoso após 12 horas de jejum e abstinência de exercício físico e bebida alcoólica. As medidas incluíram triglicerídeos, HDL-c e glicemia. O material foi analisado por um laboratório de análises clínicas referência na cidade. Os componentes metabólicos foram determinados utilizando o analisador bioquímico automático Konelab® 60i (Thermo Electron Corporation, Wiener lab group, Rosário, Argentina).

A medida da pressão arterial foi aferida pelo método auscultatório, por meio de duas medidas, na posição sentada, após 5 minutos de repouso, conforme preconiza NCEP-ATP III utilizando-se esfigmomanômetro aneroide da marca Tycos®.(2)

Empregou-se o Questionário Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI – Pittsburgh Sleep Quality Index),(9) para avaliar as características dos padrões de sono e quantificar a qualidade do sono do indivíduo. O escore final define que resultados >5 caracterizam qualidade de sono ruim.

Para classificar o cronótipo, foi utilizado o questionário de Horne e Ostber,(10) adaptado.(11) Escores acima de 58 classificam os indivíduos como matutinos, abaixo de 42 como vespertinos e de 42 a 58, como intermediários ou indiferentes.

O nível de atividade física foi analisado por intermédio do questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ – International Physical Activity Questionnaire).(12) O instrumento apresenta como resultados as seguintes categorias: sedentário, insuficientemente ativo, insuficientemente ativo A, insuficientemente ativo B, ativo e muito ativo.

Dados como sexo, idade, estado civil, escolaridade, etilismo, tabagismo, tempo de trabalho, cargo e nível de satisfação com o trabalho, foram quantificados por meio da ficha de identificação. O nível de absenteísmo (falta do empregado ao trabalho) e da qualidade das peças produzidas foram coletados com auxílio dos coordenadores do setor produtivo.

A análise estatística foi realizada utilizando o pacote Statistical Package for Social Sciences (SPSS Inc., Chicago, Illinois, Estados Unidos), versão 15.0. Para verificar o pressuposto de distribuição normal, aplicou-se o teste não paramétrico de Shapiro-Wilk. Para comparar a proporção de síndrome metabólica entre os turnos, utilizou-se o teste Qui-quadrado. Para comparação dos fatores de risco que caracterizam a síndrome metabólica, empregou-se o teste de Kruskal-Wallis. Já para realizar as comparações múltiplas entre os fatores de risco por turno, foi utilizado o teste U de Mann-Whitney. Comparações gerais e entre os turnos para as variáveis massa, índice de massa corporal e cronótipo foram feitas pelo teste de Análise de Variância (ANOVA) e post-hoc de Tukey. O nível de significância adotado para todos os testes estatísticos foi de alfa = 0,05.

O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.

Resultados

Participaram do estudo 93 trabalhadores, na faixa etária entre 33 e 38 anos. Referente ao estado civil, 65 trabalhadores (70,0%) eram casados, 23 (25,0%) solteiros e 12 (5,0%) separados ou outros. Todos os envolvidos tinham ensino médio completo, pois era exigência da empresa. Quanto ao gênero, 67 sujeitos (72,0%) eram do sexo masculino. Não foi realizada a estratificação da amostra por gênero, pois os turnos apresentaram uma quantidade baixa de mulheres.

O diagnóstico positivo de síndrome metabólica ocorreu em 26,8% da população estudada e foi maior nos trabalhadores do primeiro turno (Figura 1).

Figura 1 Comparação da presença de diagnóstico positivo de síndrome metabólica entre os turnos de trabalho (teste Qui-quadrado) 

A comparação entre os componentes (pressão arterial sistólica e diastólica, triglicérides, HDL-c, glicemia em jejum e perímetro abdominal), os quais caracterizam a síndrome metabólica, é apresentada natabela 1.

Tabela 1 Comparação dos valores medianos e intervalos interquartílicos para as variáveis entre os turnos de trabalho 

Variáveis Primeiro turno n = 29 Segundo turno n = 29 Terceiro turno n = 15 TADM n = 20 p-value
Pressão arterial sistólica 120(110-130) 110(110-120) 120(110-140) 110(100-135) 0,537
Pressão arterial diastólica 80(80-80) 80(75-80) 80(70-90) 80(72-80) 0,639
Triglicérides 152,0(151,0-153,5) 126,0(124,0-130,0) 125,0(120,0-142,0) 144,0(142,2-148,8) 0,000*
Circunferência da cintura 94,0(90,0-100,5) 91,0(85,5-100,5) 95,5(92,0-110,0) 93,0(84,5-98,4) 0,135
HDL-Colesterol 39,0(37,0-47,5) 50,0(50,0-56,0) 50,0(45,0-51,0) 45,0(42,3- 51,8) 0,000*
Glicemia de jejum 103,0(101,0-105,0) 84,0(81,0-85,0) 91,0(90,0-92,0) 94,5(91,3-97,3) 0,000*

*Teste não paramétrico de Kruskal-Wallis

As comparações múltiplas foram realizadas pelo teste U de Mann-Whitney, e o primeiro turno apresentou diferença estatisticamente significante dos demais, para as três variáveis (triglicérides, HDL-colesterol e glicemia de jejum), com p<0,001. O segundo turno apresentou diferença estatisticamente significante do terceiro para HDL-c (p=0,027) e para glicemia em jejum (p<0,001); e do turno produtivo em horário administrativo para as três variáveis (p<0,005). Entre o terceiro turno e o turno produtivo em horário administrativo, a diferença ocorreu apenas para os triglicérides (p=0,001).

A qualidade de sono ruim foi encontrada na maioria dos trabalhadores do primeiro (69,0%) e do terceiro turno (86,7%). Nos demais, a predominância ocorreu inversamente, pois 55,2% dos sujeitos do segundo turno e 60,0% do turno produtivo em horário administrativo apresentaram qualidade de sono boa.

Alguns fatores de risco modificáveis foram mais prevalentes nos trabalhadores do primeiro turno (Tabela 2).

Tabela 2 Valores absolutos e relativos dos fatores de risco modificáveis e variáveis associadas ao trabalho 

Variáveis Turno
Primeiro n=29 n (%) Segundo n=29 n (%) Terceiro n=15 n (%) TADM n=20 n (%)
Tabagismo 14 (48,3) 3 (10,3) 4 (26,7) 10 (50,0)
Sedentarismo 12 (41,4) 9 (31,0) 5 (33,3) 13 (65,0)
Etilismo 16 (55,2) 4 (13,8) 2 (13,3) 15 (75,0)
Insatisfação com o trabalho 27 (93,1) - 1 (6,7) 14 (70,0)
Absenteísmo 24 (82,8) 5 (17,2) 2 (13,3) 16 (80,0)
Qualidade baixa das peças produzidas 28 (96,6) 2 (6,9) 3 (20,0) 20 (100,0)

TADM – Turno produtivo em horário administrativo

Quanto ao cronótipo, 58,6% dos trabalhadores do primeiro turno foram classificados em moderadamente matutino, 13,8% em definitivamente matutino e 27,6% em indiferente (nem vespertino nem matutino). O cronótipo indiferente predominou nos sujeitos do segundo e do terceiro turnos. Já para os do turno produtivo em horário administrativo, a maior prevalência ocorreu para o moderadamente matutino.

De acordo com o teste ANOVA, o terceiro turno (85,0±12,2) apresentou valores mais elevados de massa corporal (kg) e diferença significante ao se comparar ao primeiro turno (74,7±10,7), com p=0,040. Para a classificação geral do cronótipo, houve diferença significante ao se comparar o primeiro turno com os demais: primeiro turno (62,2±7,2), segundo turno (54,0±8,4), terceiro (56,7±8,5) e turno produtivo em horário administrativo (59,8±9,3), com p=0,003.

Discussão

A limitação do estudo foi o desenho transversal que não permite o estabelecimento de relações de causa e efeito. Nossos resultados mostraram maior prevalência de síndrome metabólica nos trabalhadores do primeiro turno quando comparados aos demais. O primeiro turno da empresa avaliada apresentou algumas características de turno noturno (redução da duração total do sono), visto que as pessoas acordavam entre 3h30 e 4h, pois todos dependiam de transporte coletivo para o deslocamento até o trabalho. Esse resultado vem ao encontro de outras pesquisas que evidenciaram elevadas prevalência de síndrome metabólica em trabalhadores noturnos. Além disso, tal ocorrência é mais marcante ao se compararem sujeitos do turno noturno com trabalhadores diurnos que nunca trabalharam à noite.(4,5)

A maioria dos sujeitos do primeiro e do terceiro turno apresentou qualidade de sono ruim. É importante destacar que os sujeitos do primeiro turno declararam que dormiam no transporte coletivo, nos trechos entre a residência e a empresa. Indivíduos que dormem menos podem sofrer adaptações fisiológicas capazes de alterar o comportamento alimentar. Assim, a redução da duração total do sono é associada à diminuição dos níveis séricos de leptina e ao aumento de grelina circulante, aumentando a fome e a ingestão alimentar.(7,13,14)

A empresa estudada tinha refeitório, entretanto os trabalhadores queixavam-se da qualidade dos produtos alimentícios servidos e muitos optavam por trazer marmita, alimentos congelados, salgados ou doces. Os trabalhadores do primeiro e terceiro turno relataram que frequentemente tomavam café para se manterem “acordados”, e que este era sempre acompanhado de guloseimas. Os trabalhadores em turnos são mais vulneráveis à alimentação desequilibrada, devido à indisponibilidade de meios de preparo de refeições, e estes optam por alimentos de rápido preparo, que apresentam alto teor de gordura. É comum também os trabalhadores “beliscarem” durante o trabalho, a fim de se manterem acordados.(15)

A maioria dos trabalhadores do primeiro turno apresentou níveis mais elevados de sedentarismo. Há relatos consistentes da relação entre o elevado nível de sedentarismo e o diagnóstico positivo de síndrome metabólica.(7,16) Tal associação é facilmente explicada, pois a prática de exercícios físicos aumenta a disposição da glicose mediada pela insulina, diminui a intolerância à glicose, melhora a sensibilidade à insulina, reduz a glicemia sanguínea, diminui os níveis de pressão arterial e amplia a capacidade do tecido muscular de consumir ácidos graxos, provocando, dessa forma, um enfrentamento dos fatores que levam à síndrome metabólica.(17)

O hábito de fumar e o consumo de bebida alcoólica apresentaram frequência elevada nos trabalhadores do primeiro turno e do turno produtivo em horário administrativo. Houve relatos dos trabalhadores do primeiro turno no sentido de que esse hábito tinha como objetivo “esquecer o trabalho”. O hábito de fumar auxilia na manutenção do estado de vigília.(18) O etilismo também é associado como forma de enfrentar os problemas do sono, porém este pode ser um fator de risco para o alcoolismo. O consumo exagerado de bebida alcoólica está associado à obesidade abdominal, à hipertensão arterial, à hipertrigliceridemia, à hiperglicemia, ao diabetes mellitus tipo 2 e ao diagnóstico positivo de síndrome metabólica.(19) Desse modo, o tabagismo e o etilismo são considerados fatores de risco para ocorrência de síndrome metabólica em trabalhadores noturnos.(14,16,17)

Os trabalhadores do primeiro turno, apresentaram alto índice de insatisfação com o trabalho e, de acordo com seus relatos, ela se associava às questões salariais e ao plano de carreira. A satisfação no trabalho pode ser fonte de saúde, porém a insatisfação no trabalho pode gerar prejuízos à saúde física, metal e social, além de causar problemas no trabalho.(20)

Os trabalhadores do primeiro turno apresentaram níveis elevados de absenteísmo. Estudo envolvendo trabalhadores dos Estados Unidos, demonstrou que 30,2% da amostra foi diagnosticada com síndrome metabólica, e esta apresentou índices de absenteísmo maiores quando comparada aos sujeitos saudáveis.(21) Dessa forma, a síndrome também é associada com o nível de produtividade da empresa.

O nível de reprovação dos produtos finalizados pelos trabalhadores do primeiro turno era 96,6%, assim, quase toda produção entregue era rejeitada pelo cliente. A qualidade do produto está associada à satisfação do cliente, pois um cliente satisfeito continua comprando, já o insatisfeito encerra o relacionamento comercial com a empresa, além de agregar valor negativo ao produto para os demais clientes.(22)

Quanto às variáveis que caracterizam a síndrome metabólica, os resultados demonstraram que o primeiro turno apresentou diferença estatisticamente significante dos demais turnos de trabalho para as variáveis triglicérides, HDL-c e glicemia em jejum. Essas alterações são comumente encontradas na literatura.(7,14)

A maioria dos trabalhadores do primeiro turno foi classificada em moderadamente matutina, definitivamente matutina, nem vespertina e nem matutina. Além do que, houve diferença significante ao comparar o escore do cronótipo entre os turnos. Pode-se afirmar que os trabalhadores do primeiro turno estavam em horário de trabalho adequado com seu cronótipo. Dessa forma, os trabalhadores teriam um efeito protetor referente ao trabalho em turnos, pois, para os cronótipos resultantes, o ideal seria trabalhar no primeiro turno (6h às 14h).(23) No entanto, o primeiro turno apresentou maior prevalência de síndrome metabólica ao ser comparado aos demais. Não encontramos estudos que abordassem exclusivamente o cronótipo e a síndrome metabólica para confrontar com os resultados do presente estudo.

O terceiro turno foi o que apresentou valores mais elevados de massa corporal e apresentou diferença significante ao ser comparado ao primeiro turno. No entanto, a síndrome metabólica não foi observada entre os sujeitos do terceiro turno, talvez por estes apresentarem um nível mais elevado de prática de exercício físico. A prática de atividade física pode colaborar para o controle e a redução da massa corporal, além de prevenir doenças metabólicas. Tal prática também pode auxiliar na sincronização dos ritmos circadianos dos trabalhadores em turnos.(7)

Em suma, encontramos, na população estudada, alta prevalência de síndrome metabólica. Este resultado pode ter ocorrido pela presença de alguns fatores de risco, como: qualidade de sono ruim, má alimentação, sedentarismo, etilismo e tabagismo. Além do que, a síndrome metabólica pode ter associação com algumas variáveis relacionadas com o trabalho, como: absenteísmo, qualidade baixa das peças produzidas e insatisfação com o trabalho. Determinada associação também foi encontrada em estudo realizado em trabalhadores adultos nos Estados Unidos.(21) A utilização da classificação do cronótipo para escolha do horário de trabalho não foi considerada fator preventivo de síndrome metabólica. Dessa forma, nossos achados apresentaram coerência com resultados encontrados em vários estudos.

Houve maior prevalência de diagnóstico positivo de síndrome metabólica nos trabalhadores do primeiro turno, ao contrário do que aponta a literatura. A síndrome metabólica pode alterar a produtividade e o prestígio da empresa no mercado econômico, causando prejuízos financeiros. Portanto, necessita-se de atenção especial para todos os trabalhadores em turnos, não somente para os do turno noturno, conforme preconizam vários artigos.

Conclusão

A prevalência da síndrome metabólica foi maior nos trabalhadores do primeiro turno. Este resultado pode se associar com qualidade de sono ruim, má alimentação, sedentarismo, etilismo, tabagismo, absenteísmo e insatisfação com o trabalho.

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