Prevalência da apneia obstrutiva do sono em trabalhadores de turno: uma revisão sistemática

Prevalência da apneia obstrutiva do sono em trabalhadores de turno: uma revisão sistemática

Autores:

Yuri Saho Sakamoto,
Fernanda Porto-Sousa,
Cristina Salles

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.10 Rio de Janeiro out. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182310.21362018

Abstract

The obstructive sleep apnea (OSA) is one of the most common sleep disorders and is associated with increased risk for obesity, hypertension and cardiovascular event. The present study aimed to investigate the prevalence of OSA in shift workers. The systematic literature review was performed using the descriptors “sleep apnea” and “shift work”, in the databases PubMed, PubMed Central, Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science and Scopus, including studies that presented the frequency of OSA in shift workers; published between 2004 and 2014; in English, Portuguese or Spanish; only with human beings, older than 18 years old; using the polysomnography. Review articles or those including participants with previous comorbidities (except overweight/obesity), treated for sleep disorders or pregnant women were excluded. From 1,428 studies identified, four were included in the analysis, resulting in 819 participants, with a predominance of men. The prevalence of OSA in shift workers varied from 14.3% to 38.1%, higher than that estimated for the general population, suggesting an important association with shift work and the need for prevention, diagnostic and intervention on the possible negative impacts of working range on the health of shift workers.

Key words: Sleep apnea; Obstructive; Shift work; Prevalence; Workers

Introdução

Observa-se a frequência crescente do trabalho de turno na sociedade atual1. Nos Estados Unidos, aproximadamente 15 milhões de americanos trabalham em regime de turnos ou escalas irregulares2. No Brasil, estima-se que 10% ou mais dos trabalhadores atuam à noite ou em turnos1.

Distúrbios do sono apresentam alta probabilidade de associação com o trabalho de turno3 e a apneia obstrutiva do sono (AOS) é um dos distúrbios respiratórios do sono mais comuns4, merecendo especial atenção no manejo da saúde desses trabalhadores, pois pode atuar como fator de risco para hipertensão arterial sistêmica5 e contribuir para eventos cardiovasculares4,6 e síndrome metabólica5.

Prejuízos pessoais, sociais e econômicos decorrentes de distúrbios do sono em trabalhadores de turno são elevados, considerando-se os impactos na saúde física e psíquica do trabalhador e sua família, redução na produtividade, acidentes de trabalho e custos com segurança e saúde pública3,7. Tendo em vista que dados de prevalência da AOS podem fundamentar iniciativas de prevenção baseadas nos riscos para a doença, ações de diagnóstico precoce e tratamento adequado, o presente trabalho teve como objetivo investigar a prevalência da apneia obstrutiva do sono em trabalhadores de turno.

Métodos

Foi realizada a revisão sistemática de literatura, com pesquisa nas bases de dados eletrônicas PubMed, PubMed Central, Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science e Scopus. Como descritores, utilizou-se os termos do Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) correspondentes a “sleep apnea” AND “shift work”, obtendo-se o detalhamento de busca: (“sleep apnoea”[All Fields] OR “sleep apnea syndromes”[MeSH Terms] OR (“sleep”[All Fields] AND “apnea”[All Fields] AND “syndromes”[All Fields]) OR “sleep apnea syndromes”[All Fields] OR (“sleep”[All Fields] AND “apnea”[All Fields]) OR “sleep apnea”[All Fields]) AND (shift[All Fields] AND (“work”[MeSH Terms] OR “work”[All Fields])).

Adicionalmente, realizou-se a busca manual nas referências dos artigos selecionados.

Foram incluídos estudos que abordaram a frequência da AOS em trabalhadores de turno; publicados a partir de 01/01/2004 e disponibilizados nas bases de dados até 18/12/2014, visando contemplar os trabalhos mais atualizados, abrangendo o período de 10 anos; nos idiomas inglês, português ou espanhol; cujos participantes apresentavam idade igual ou superior a 18 anos; realizados somente com seres humanos; utilizando a polissonografia como método diagnóstico da AOS. Foram excluídos artigos de revisão; cujos participantes apresentavam comorbidades prévias (exceto sobrepeso e obesidade), em tratamento para distúrbios do sono ou gestantes.

Os trabalhos foram identificados por dois autores que, de forma independente, avaliaram seus títulos e resumos, triando-os conforme os critérios de inclusão e exclusão. Os trabalhos sem resumo ou com resumo insuficiente para avaliação, não excluídos pelo título, foram também triados para leitura do texto completo. Cada autor avaliou separadamente os textos completos, para inclusão nesta revisão sistemática. A busca manual seguiu o mesmo princípio de seleção. Nos casos de divergências, um terceiro autor foi consultado.

Foram coletados os seguintes dados dos artigos selecionados: título; autor(es); ano de publicação; país de origem; revista científica de publicação; idioma; palavras-chave; objetivo(s); desenho de estudo; método; período de realização; critérios de inclusão e exclusão; tamanho da amostra; critério(s) diagnóstico(s) da AOS; idade dos participantes; sexo dos participantes; escala de trabalho; prevalência da AOS na amostra; Índice de Apneia e Hipopneia (IAH); características clínicas dos trabalhadores de turno com AOS; outros resultados da pesquisa; e conclusões.

A análise da qualidade dos artigos baseou-se no Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)8. Os artigos incluídos na revisão sistemática foram analisados em consenso pelos autores, atribuindo-se uma classificação em relação a cada item do STROBE: item integralmente atendido; parcialmente atendido; ou não ficou claro o cumprimento do item. Aqueles que atenderam aos critérios de qualidade na presente revisão sistemática obtiveram pelo menos 11 itens integral ou parcialmente atendidos.

A apresentação dos resultados desta revisão sistemática seguiu as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)9.

Resultados

Do total de 1.598 trabalhos encontrados nas bases de dados eletrônicas, 296 eram duplicatas, obtendo-se 1.302 estudos. Foram excluídos 1.298 artigos e, a partir dos quatro estudos selecionados, realizou-se a busca manual, totalizando 126 artigos, nenhum elegível para a presente revisão sistemática. Permaneceram quatro estudos que atendiam as condições para inclusão na presente revisão sistemática (Figura 1).

Figura 1 Fluxograma de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão de estudos na revisão sistemática. 

Os artigos selecionados eram observacionais, de corte transversal. As características gerais dos estudos incluídos na revisão sistemática estão resumidas na Tabela 1.

Tabela 1 Características gerais dos estudos selecionados, ordenados por ano de publicação. 

Autores País, ano Desenho de estudo N Sexo masculino (%) Idade média (anos) Escala de trabalho
Santos et al.10 Brasil, 2004 Estudo analítico, corte transversal. 32 100 42,5 ± 7,1 Turno de 8 horas de trabalho, após o mínimo de 12 horas de descanso, com um ou dois dias de folga, após quatro ou cinco dias de trabalho.
Klawe et al.11 Polônia, 2005 Estudo analítico, corte transversal. 21 NI 47,1 ± 3,2 Escala tipo fast-rotating.
Koyama et al.12 Brasil, 2012 Estudo analítico, corte transversal. 745 100 35,6 ± 9,6 NI
Geiger-Brown et al.13 Estados Unidos, 2013 Estudo exploratório, corte transversal. 21 0 40 ± 13 Turno de 12 horas em tempo integral (50% da amostra em turnos fixos noturnos, 25% em rodízios de turno diurno e noturno; e 25% em turnos fixos diurnos).

NI: não informado(a).

Santos et al.10 buscaram avaliar o sono diurno e noturno de motoristas de ônibus que trabalhavam em turnos, e a presença de sonolência diurna e noturna e distúrbios do sono nesses profissionais. Foram avaliados 32 motoristas que atuavam em turnos, em uma empresa brasileira de transporte interestadual, através da polissonografia. O Multiple Sleep Latency Test (MSLT) foi realizado após a polissonografia, para avaliação de sonolência excessiva. As variáveis polissonográficas foram comparadas através do teste t-Student, e, pelo teste de McNemar analisou-se o movimento periódico de pernas, IAH, ronco e sonolência, considerando-se p ≤ 0,05 como estatisticamente significante10.

Klawe et al.11 buscaram identificar a presença de distúrbios respiratórios do sono em trabalhadores de turno com redução do sono diário, associado à privação cumulativa de sono. Para tanto, realizaram a polissonografia noturna em 21 policiais que atuavam em turnos, após um dia de trabalho de turno e uma noite normal de sono. Os resultados foram comparados aos do grupo controle, composto por 21 policiais com faixa etária compatível, trabalhando no mesmo ambiente, submetidos à polissonografia nas mesmas condições. Aplicou-se o teste de Wilcoxon para análise estatística, considerando-se p < 0,05 como estatisticamente significante11.

Koyama et al.12 tiveram como objetivo avaliar a prevalência e possíveis fatores de risco para a síndrome de AOS em trabalhadores ferroviários brasileiros. Incluíram 745 trabalhadores de uma empresa brasileira de transporte ferroviário, sem critérios de exclusão. Além da coleta de dados antropométricos e gerais, os autores aplicaram o Epworth Sleepiness Scale (ESS) e o Questionário de Berlim. Todos os participantes foram submetidos à polissonografia noturna para avaliação de seu padrão de sono e diagnóstico da AOS. Pelo teste de qui-quadrado, foram analisadas as variáveis categóricas, considerando-se α < 0,05 como estatisticamente significante. Os fatores de risco para AOS foram categorizados e explorados através da curva Receiver Operating Characteristic para variáveis contínuas de idade, circunferência abdominal e tempo como trabalhador de turno. Determinou-se os odds ratios (95% de IC) e realizou-se a regressão logística para identificar fatores de risco independentes significantes para AOS12.

Geiger-Brown et al.13 buscaram descrever a prevalência de sintomas de distúrbios respiratórios do sono em enfermeiros, e avaliar a validade do Questionário de Berlim para triagem de apneia do sono em um grupo com privação parcial crônica de sono. O estudo incluiu 21 enfermeiras, selecionadas entre participantes de outro estudo maior14, submetidas à polissonografia noturna, cujos achados foram sintetizados, utilizando-se as médias (desvio padrão) e medianas. A performance do Questionário de Berlim foi avaliada a partir dos cálculos de prevalência, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e razão de verossimilhança13.

Dois estudos analisados na presente revisão sistemática foram realizados exclusivamente com homens10,12, um foi realizado somente com mulheres13 e um não especificou o sexo dos participantes11. Pelo menos 94,9% da amostra da presente revisão foi composta pelo sexo masculino.

A idade média dos participantes variou de 35,6 ± 9,6 anos12 a 47,1 ± 3,2 anos11. Apenas um estudo12 especificou a média de idade dos trabalhadores de turno diagnosticados com AOS: 38,5 ± 10,1 anos. Comparando-os com o grupo de trabalhadores de turno em geral (35,6 ± 9,6 anos) e com o grupo de trabalhadores de turno sem diagnóstico da AOS (34 ± 8,9 anos), esses autores observaram maior risco para AOS nos trabalhadores com mais de 37 anos em sua amostra (p < 0,001)12.

Quanto à qualidade dos estudos selecionados, o estudo de Koyama et al.12 obteve melhor desempenho, cumprindo todos os itens propostos pelo STROBE: vinte itens cumpridos integralmente e dois itens cumpridos parcialmente (Figura 2).

Figura 2 Avaliação da qualidade dos estudos selecionados, com base nos itens essenciais da iniciativa Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)8

Santos et al.10 destacaram que não foi possível controlar a quantidade de turnos noturnos de trabalho, antes da polissonografia diurna dos motoristas pesquisados, e o primeiro exame foi sempre realizado à noite. Desta forma, a influência da ordem dos turnos na aplicação da polissonografia sobre os resultados não foi avaliada. Adicionalmente, o ambiente artificial do laboratório pode não ter reproduzido com fidelidade o sono em ambiente familiar para os participantes10.

Klawe et al.11 também consideraram que o momento da polissonografia pode ter influenciado os resultados em seu estudo, considerando que, caso o exame fosse realizado na noite imediatamente posterior à noite de trabalho, poderia fornecer dados quanto ao efeito direto do trabalho noturno sobre a qualidade do sono dos participantes.

Koyama et al.12 apresentaram como limitação o uso de questionários autoaplicáveis para obterem informações que habitualmente são omitidas pelos trabalhadores, incluindo tabagismo, etilismo e sonolência excessiva.

Geiger-Brown et al.13 apresentaram três limitações principais em seu estudo: o tamanho reduzido da amostra; o risco de viés de seleção da amostra, pois buscaram obter escores positivos e negativos do Questionário de Berlim para alcançar o poder de análise no estudo; e o possível “efeito de primeira-noite” da polissonografia. Este efeito é observado durante a primeira noite do exame polissonográfico, devido à influência de diferentes fatores sobre a qualidade do sono, tais como a falta de familiaridade com o ambiente artificial do laboratório, a ansiedade do paciente por ser observado durante o sono, e o desconforto pelo uso de eletrodos, cabos e outros equipamentos15.

Na presente revisão sistemática, as amostras de trabalhadores de turno avaliados através da polissonografia resultaram no n total de 819 participantes. A prevalência da AOS em trabalhadores de turno pesquisados nos estudos variou de 14,3%13 a 38,1%11 (Tabela 2).

Tabela 2 Características clínicas e polissonográficas da amostra estudada. 

Referências Trabalhadores diagnosticados com AOS: N (%) Amostra geral Trabalhadores com AOS

IMC médio (Kg/m2) Frequência de outros distúrbios do sono IMC médio (Kg/m2) Hábitos de vida
Santos et al.10 12 (37,5) 26 ± 4,9 MPM: 28% durante o sono diurno e 18% no sono noturno. Ronco: 50% durante o sono diurno e 35% durante o sono noturno. Sonolência excessiva: 42% durante o dia e 38% durante a noite. NI NI
Klawe et al.11 8 (38,1) 28,1 ± 2,1 NI NI NI
Koyama et al.12 261 (35) 26,7 ± 4,1 NI 27,7 ± 4,4 Tempo médio de trabalho de turno de 14,3 ± 9,1 anos (p<0,001); 54,7% consumiam álcool (p=0,4); 9,5% eram tabagistas (p=0,24).
Geiger-Brown et al.13 3 (14,3) NI MPM: 9,5% NI NI

AOS: Apneia Obstrutiva do Sono; IMC: Índice de Massa Corporal; MPM: Movimento Periódico de Membros; NI: não informado(a).

As principais características clínicas e polissonográficas dos trabalhadores de turno de cada estudo selecionado são resumidas na Tabela 2 e detalhadas a seguir.

Geiger-Brown et al.13 não apresentaram o Índice de Massa Corporal (IMC) dos participantes em sua pesquisa, porém respostas do Questionário de Berlim indicaram que 33% da sua amostra apresentava IMC ≥ 30 kg/m2. O IMC médio dos demais participantes da pesquisa correspondeu à faixa de sobrepeso e obesidade (IMC ≥ 25 kg/m2)10-12, mas apenas o estudo de Koyama et al.12 apresentou o IMC médio específico dos trabalhadores de turno diagnosticados com AOS: 27,7 ± 4,4 kg/m2. Este estudo indicou que 69,5% dos participantes em geral apresentavam sobrepeso ou obesidade, sendo que, entre os trabalhadores sem diagnóstico da AOS, 63,2% apresentaram IMC ≥ 25 kg/m2, enquanto 77% dos trabalhadores com diagnóstico da AOS apresentavam essa condição. A diferença entre a prevalência de sobrepeso e obesidade em trabalhadores sem AOS e com AOS, identificada por Koyama et al.12, foi estatisticamente significante, com p < 0,00112. O IMC ≥ 25 kg/m2 foi apontado por esses autores como fator associado ao risco para AOS, com odds ratio de 1,86 (1,31–2,64), pela análise univariada, e 1,56 (1,04–2,34), pela análise multivariada.

O IAH médio da amostra geral do estudo de Geiger-Brown et al.13 correspondeu a 2,3 ± 5,4 eventos obstrutivos/hora de sono (ev/h), não sendo fornecido o IAH médio dos trabalhadores de turno com AOS. Nos demais estudos10-12, não foi apresentado o IAH médio dos trabalhadores de turno em geral ou daqueles diagnosticados com AOS.

Dois trabalhos incluíram a investigação de outros distúrbios relacionados ao sono entre os participantes10,13. Apenas Koyama et al.12 investigaram o tempo médio de trabalho de turno, o consumo de álcool e o tabagismo, entre trabalhadores de turno com AOS.

Discussão

Na presente revisão sistemática, obteve-se a amostra total de 819 trabalhadores de turno, observando-se a prevalência da AOS, diagnosticada através da polissonografia basal, variando de 14,3% a 38,1% nos estudos analisados. Este resultado é superior às estimativas dessa doença para a população adulta em geral, onde a prevalência pode variar entre 2% e 14%16-18.

Young et al.16, partindo da polissonografia noturna em trabalhadores de 30 a 60 anos, estimaram a prevalência da AOS em 4% para os homens e 2% para as mulheres. Kim et al.17, utilizando o critério de IAH ≥ 5 ev/h associado à sonolência diurna, observaram que 4,5% dos homens e 3,2% das mulheres de sua amostra apresentavam a síndrome de AOS. Peppard et al.18, analisando dados de 1.520 participantes do Wisconsin Sleep Cohort Study, estimaram a prevalência da AOS em indivíduos entre 30 e 70 anos em cerca de 13% em homens e 6% em mulheres (IAH ≥ 15 ev/h), e 14% em homens e 5% em mulheres (IAH ≥ 5 ev/h, com sintomas de sonolência diurna). Comparando-se a prevalência estimada da AOS em trabalhadores de turno, nesta revisão sistemática, com aquela estimada para a população em geral, reforça-se a hipótese de que há associação significativa entre trabalhado de turno e AOS. Neste sentido, trabalhadores de turno se configuram como profissionais expostos ao risco possivelmente aumentado para AOS, doença relacionada às repercussões importantes para a saúde, produtividade e qualidade de vida.

Os critérios diagnósticos da AOS utilizados nos estudos selecionados na presente revisão sistemática divergiram entre si, apesar de adotarem a polissonografia, padrão-ouro para se determinar a presença dessa síndrome19. Em 2009, a diretriz da American Academy of Sleep Medicine (AASM) para avaliação, manejo e cuidados de longo prazo para AOS, em adultos, estabeleceu os seguintes critérios para diagnóstico da doença: IAH ≥ 15 ev/h, ou IAH ≥ 5 ev/h associado aos sintomas relacionados ao sono, que podem ser investigados a partir de instrumentos validados, como o ESS19. Para determinar o IAH, a diretriz estabeleceu a polissonografia como método diagnóstico objetivo de escolha19, seguindo-se as especificações estabelecidas pela AASM, que foram atualizadas em 201220.

Dentre os artigos publicados antes de 2009, Klawe et al.11 consideraram que os trabalhadores de turno com IAH ≥ 5 ev/h apresentavam AOS. Santos et al.10 classificaram os participantes como apresentando distúrbios respiratórios do sono quando IAH ≥ 5 ev/h, no sono diurno e noturno, o que observaram em 38% da amostra. Uma proporção considerável de motoristas de ônibus neste estudo foi diagnosticada com a síndrome de AOS10. Apesar de Geiger-Brown et al.13 terem realizado o estudo após 2009, consideraram o IAH ≥ 5 ev/h para diagnosticar AOS leve. Já Koyama et al.12 seguiram as recomendações da AASM, adotando como critérios para AOS: IAH ≥ 15 ev/h; ou o IAH ≥ 5 ev/h e escore a partir de 11 pontos pelo ESS ou roncos ou relatos de apneia durante o sono; além de utilizarem o Questionário de Berlim, para avaliar risco para AOS.

Dois estudos10,12 avaliaram trabalhadores brasileiros e identificaram a AOS em 37,5% e 35% de suas amostras, respectivamente. Um estudo de base populacional, realizado na população geral adulta do estado de São Paulo, utilizando entrevistas presenciais e polissonografia noturna, identificou que, dentre 1.042 participantes, 341 (32,8%) obtiveram o diagnóstico da doença, também superior ao sugerido na literatura21. A maior frequência da AOS encontrada nos trabalhadores de turno, na presente revisão sistemática, pode ter sido influenciada por similaridades entre as amostras, com consequente elevação da prevalência da doença, comparada com outras populações.

A amostra selecionada, nesta revisão sistemática, foi composta predominantemente pelo sexo masculino, o que pode ter relação com a ocupação dos trabalhadores das pesquisas. Por exemplo, quase 95% dos profissionais pesquisados atuavam na área de transporte, atividades nas quais o sexo masculino tende a ser maioria22. Este fator pode ter contribuído para a maior prevalência da AOS observada na amostra, uma vez que a prevalência da doença na população em geral tende a ser maior entre os homens, na proporção de 2:1 a 2,8:1 em relação às mulheres16,18.

A idade dos participantes do presente estudo pode ter contribuído para a maior frequência da AOS, comparada à população em geral. Além disso, Koyama et al.12 identificaram que a idade média de trabalhadores ferroviários que atuavam em turnos diagnosticados com AOS era superior à observada entre aqueles que não apresentaram a AOS, e sugeriram a associação entre idade e prevalência da doença, com risco aumentado em trabalhadores mais velhos e, especialmente, com idade acima de 37 anos. Esses achados são corroborados por trabalhos que apontam a frequência crescente de doenças respiratórias do sono com a idade, presentes em mais de 50% da população acima de 65 anos23.

Um estudo desenvolvido na Pensilvânia identificou maior frequência da AOS em função da idade, observando a ocorrência de IAH ≥ 10 ev/h associado a sintomas (sonolência diurna, hipertensão ou outra complicação cardiovascular) em 3,3% na amostra de homens adultos em geral, com prevalência máxima entre indivíduos com 45 a 64 anos de idade (4,7%), correspondendo ao aumento de quase quatro vezes em relação à prevalência na faixa etária de 20 a 44 anos de idade (1,2%), quando analisada por subgrupos24. Em outro estudo, encontrou-se forte associação entre idade e distúrbios respiratórios do sono em ambos os sexos18. Entre homens com sobrepeso, 18,3%, entre 30 a 49 anos de idade, apresentaram IAH ≥ 5 ev/h, enquanto 36,6%, entre 50 a 70 anos, apresentaram esse IAH com uma elevação da frequência em duas vezes. Já entre mulheres, o aumento chegou a aproximadamente cinco vezes nessas faixas etárias: prevalências estimadas em 4,2% vs. 20,2%, respectivamente18.

Um dos estudos analisados12 identificou que os trabalhadores diagnosticados com AOS atuavam na empresa há mais tempo, quando comparados aos que não apresentavam AOS. Metzner e Fischer25, utilizando o índice de capacidade para o trabalho (ICT) para avaliar a influência do trabalho sobre a saúde de 43 trabalhadores de turno que assumiam escala fixa de 12 horas, observaram que, quanto maior o tempo de exercício na função, menor o ICT. Estes achados são compatíveis com estudos que sugerem que o tempo de atuação em turnos irregulares ou noturnos pode contribuir para a maior frequência de doenças relacionadas ao trabalho1. Além da influência da idade sobre a prevalência da AOS nos trabalhadores de turno, os anos acumulados de exposição ao trabalho de turno também podem estar associados à síndrome.

A frequência da AOS de 14,3% na amostra de enfermeiras do estudo de Geiger-Brown et al.13, superior ao estimado para a população feminina em geral, pode ter sido influenciada não apenas pela condição de trabalho de turno, mas também pela faixa etária das enfermeiras participantes, com possível associação com a menopausa. Na literatura, diversos estudos apontam a influência de alterações hormonais sobre a qualidade do sono26-28.

Dancey et al.26, comparando mulheres pré e pós-menopausadas, identificaram maior prevalência da AOS em pós-menopausadas, mesmo quando realizada análise por subgrupo de gravidade da doença. Observaram também que o IAH médio das mulheres menopausadas era significativamente maior do que das pré-menopausadas26. Young et al.27 investigaram distúrbios respiratórios do sono em 589 mulheres que participavam do Wisconsin Sleep Cohort Study, identificando risco significativo associado à transição menopáusica, chegando a 3,5 vezes maior para IAH ≥ 15 ev/h, em mulheres pós-menopausadas, quando comparadas às que não passaram pela menopausa. Bixler et al.28 observaram que, enquanto a prevalência da AOS tendia a valores mais baixos em mulheres pré-menopausadas (0,6%), a prevalência da doença em pós-menopausadas chegou a 2,7%, indicando a importância da menopausa enquanto fator de risco para mulheres. Os autores identificaram ainda que, no subgrupo das mulheres pós-menopausadas em tratamento com reposição hormonal, a prevalência da AOS era menor que no grupo daquelas não tratadas (0,5%), reforçando a hipótese da influência hormonal no desenvolvimento da doença28.

A influência do gênero sobre o processo de saúde e doença também pode impactar na qualidade do sono das mulheres que trabalham de turnos, considerando-se que elas geralmente assumem uma dupla jornada, buscando atender tanto as demandas profissionais, quanto às domésticas1,29. Em comparação com os homens, trabalhadoras de turno podem encontrar maiores dificuldades para conciliar trabalho, responsabilidades domésticas e sono, sobretudo no caso daquelas que possuem filhos, como observado por Rotenberg et al.29. A dupla ou tripla jornada de trabalho podem estar associadas aos transtornos do sono e perda de capacidade para o trabalho entre as mulheres30, envolvendo tanto aspectos biológicos, quanto socioculturais1. Estes fatores também podem ter contribuído para maior prevalência da AOS nas enfermeiras estudadas, quando comparada à estimada para as mulheres da população em geral.

Considerando-se os valores de IMC dos trabalhadores de turno, na presente revisão sistemática, identificou-se a presença de sobrepeso e obesidade nas amostras. Quase 70% dos participantes da pesquisa de Koyama et al.12 apresentaram sobrepeso e obesidade, com maior prevalência entre trabalhadores com AOS do que entre os não diagnosticados com a doença, bem como IMC dos trabalhadores de turno com AOS superior em relação ao IMC da totalidade da amostra. Os resultados sugerem que a prevalência da AOS, enquanto condição que guarda estreita relação com obesidade12,18, pode também sofrer influência da organização da escala de trabalho.

A prevalência da AOS tem se elevado nas últimas décadas, o que pode estar associado a diversos fatores, sobretudo ao aumento da obesidade na população geral, condição notadamente reconhecida como um dos principais fatores de risco para a doença18,31. O trabalho de turno também tem sido associado ao risco aumentado para sobrepeso e obesidade31,32 , o que pode estar relacionado às variações no ciclo sono-vigília e jejum-alimentação, com consequente descompasso dos processos circadianos, fisiológicos e metabólicos32. Além disso, variáveis como sexo, tempo de exposição, turno de trabalho e fatores psicossociais podem contribuir para o incremento do IMC33-36. Na presente revisão sistemática, observou-se que não só a prevalência da AOS é elevada nos trabalhadores de turno, como também se destaca naqueles que apresentam IMC mais elevado. A interação entre obesidade e trabalho de turno, portanto, pode ter efeitos cumulativos e sobrepostos, aumentando o risco para AOS e potencializando os impactos negativos da doença nessa população.

Nesta revisão sistemática, observou-se a variação das escalas de trabalho ao longo das 24 horas. Estudos apontam para a influência dos horários de trabalho sobre a manifestação da AOS, e o regime que inclui horários noturnos pode associar-se à maior gravidade em pacientes diagnosticados com a doença37,38. Comparando os resultados dos estudos polissonográficos de 31 trabalhadores de turno com AOS realizados durante a noite com aqueles realizados durante o dia, Paciorek et al.37 observaram valores de IAH médio consideravelmente maiores no exame diurno após a noite de trabalho, passando de 31,8 ± 21,9 ev/h na polissonografia noturna para 49,7 ± 26,6 ev/h na polissonografia diurna (p < 0,05).

Resultados semelhantes foram observados em um estudo com oito policiais diagnosticados com AOS, trabalhando em turnos38. Apesar de não identificarem impacto relevante do trabalho em horário noturno no IAH de policiais com AOS leve, no subgrupo de trabalhadores com diagnóstico de maior IAH, os autores observaram aumento significativo de eventos obstrutivos por hora de sono, após uma noite de trabalho, sugerindo que, em pacientes com AOS mais grave, a privação aguda de sono pode associar-se à gravidade da doença38.

Trabalhadores com jornadas prolongadas, horários irregulares ou em turnos estão expostos ao risco aumentado de adoecimento e redução da capacidade funcional, sob influência de fatores biológicos e psicossociais1,39. Possíveis impactos negativos dessa forma de organização do trabalho podem ser minimizados, a partir de estratégias, como adequação das escalas e tempo de serviço, para conciliar ao máximo as demandas organizacionais e dos trabalhadores1. A associação entre trabalho de turno, distúrbios do sono, síndrome metabólica e outras doenças reforça a necessidade do acompanhamento médico desses profissionais1,39, incluindo a polissonografia. A prevalência da AOS observada em trabalhadores de turno sinaliza a importância de se considerar o risco para a doença, nessa população, possibilitando seu diagnóstico precoce e intervenção efetiva, com foco na saúde ocupacional.

A heterogeneidade dos estudos, referente aos critérios diagnósticos da AOS, características das amostras e variáveis apresentadas, foi uma limitação da presente revisão sistemática, restringindo a análise comparativa entre os trabalhos. O número reduzido de artigos identificados aponta para a necessidade de pesquisas adicionais sobre a prevalência dessa doença em trabalhadores de turno, com amostras maiores e critérios metodológicos claramente definidos, para determinar com maior segurança a relação entre AOS e fatores relacionados ao trabalho de turno.

Na presente revisão sistemática, identificou-se elevada prevalência da apneia obstrutiva do sono em trabalhadores de turno, comparada à população em geral, sugerindo associação importante entre essa doença e o trabalho de turno, tendo como consequência: maior predisposição para obesidade, hipertensão arterial sistêmica e eventos cardiovasculares. Isto reforça a necessidade de prevenção, identificação e intervenção precoces sobre os potenciais danos à saúde destes trabalhadores.

REFERÊNCIAS

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