Prevalência de anemia e correlação da concentração de hemoglobina com fatores cognitivos em idosos

Prevalência de anemia e correlação da concentração de hemoglobina com fatores cognitivos em idosos

Autores:

Natane Daiana Silva Sousa,
Tarciana Nobre de Menezes,
Nathalie de Almeida Silva,
Maria do Carmo Eulálio,
Adriana de Azevedo Paiva

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.3 Rio de Janeiro mar. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018233.09082016

Abstract

The scope of this study was to determine the prevalence of anemia and the correlation between the concentration of hemoglobin and cognitive factors in an elderly population group resident in Campina Grande, Paraiba, Brazil. It was a cross-sectional study with individuals aged 60 or older. Men with hemoglobin levels <13 g / dL and women with levels <12 g / dL were considered anemic. Sociodemographic, cognitive condition and nutritional status variables were analyzed. Statistical analysis was performed by means of simple and multiple linear regression. Among the 360 elderly patients evaluated (67.2% women), the prevalence of anemia was 12.5%. The average concentration of hemoglobin found was 13.5 g / dL and was correlated to sex variables (β = -0.44, 95% CI: -1.35, -0.85), age (β = -0.14 ; 95% CI: -0.03, -0.01), nutritional status (β = 0.16; 95% CI: 0.01, 0.06), memory impairment (β = 0.12; 95% CI: - 0.06, -0.01), and dementia (β = -0.13, 95% CI: -0.06, -0.01). Routine blood testing among the elderly makes it possible to detect and treat anemia at an early stage. Actions geared towards the elderly who show a cognitive decline should be developed in the Basic Family Health Units in order to improve the quality of life of this population.

Key words: Anemia; Hemoglobin; Risk factors; Cognition; Elderly

Introdução

A anemia constitui um distúrbio hematológico relevante, caracterizado pela redução da concentração de hemoglobina no sangue1, o qual tem se destacado na população idosa, por ser uma condição de elevada prevalência neste grupo etário2. Pesquisas sobre anemia em idosos têm sido realizadas nos últimos anos, tanto no Brasil3-5 como internacionalmente6-9, ressaltando a relevância do estudo acerca desta doença no contexto mundial.

As alterações fisiológicas, funcionais e bioquímicas que ocorrem no corpo humano com o processo de envelhecimento acarretam uma tendência de redução da concentração de hemoglobina10-12. No entanto, essa condição não deve ser considerada consequência natural do envelhecimento13, uma vez que a anemia repercute negativamente na saúde dos idosos, agravando doenças já existentes e contribuindo para o surgimento de novas complicações4,14, além de gerar impactos consideráveis de custos para o sistema de saúde, tendo em vista que a doença está associada à maior utilização dos serviços de saúde15 e maior permanência no ambiente hospitalar16.

Na literatura, a anemia e as baixas concentrações de hemoglobina em idosos residentes na comunidade têm sido associadas ao declínio cognitivo17,18, como demência, depressão e comprometimento de memória, maior risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer19,20, pior estado nutricional4,21 e maior risco de mortalidade22-24.

Os instrumentos comumente utilizados para a avaliação cognitiva em idosos são o Mini Exame do Estado Mental25-27, a Escala de Depressão Geriátrica28-30 e o Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória17,31. Estudo de base populacional realizado, na Itália, com 717 idosos, utilizando para a avaliação do declínio cognitivo, dentre outros instrumentos o Mini Exame do Estado Mental e a Escala de Depressão Geriátrica, verificou associação entre a anemia e o declínio cognitivo29.

Como visto, o declínio cognitivo associado à baixa concentração de hemoglobina pode comprometer a qualidade de vida da pessoa idosa, interferindo na realização das atividades cotidianas e na interação social29,32. O presente estudo teve por objetivo verificar a prevalência de anemia e a correlação da concentração de hemoglobina com fatores cognitivos em população idosa residente em Campina Grande, Paraíba, Brasil.

Métodos

Tratou-se de um estudo do tipo transversal com coleta de dados primários. A população foi constituída por indivíduos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos, cadastrados na Estratégia Saúde da Família do município de Campina Grande/PB.

Para o cálculo da amostra, estimou-se uma prevalência dos desfechos de, no mínimo, 25%. O cálculo do tamanho amostral foi realizado a partir da seguinte equação: {[E2 x p (1-p)] x c}/A2. Onde E é o limite de confiança (1,96), c é o coeficiente de correlação amostral (2,1), considerando o procedimento por conglomerado, e A é a precisão aceita (6%) para a prevalência estimada. A amostra foi proporcional a cada um dos seis Distritos Sanitários de Campina Grande, sendo composta por 420 idosos.

A seleção da amostra considerou os seis distritos sanitários do município, sendo sorteada uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) em cada um deles. Após a seleção das UBSF, realizou-se um levantamento do número de idosos nelas cadastrados. A partir daí foi calculada a proporção de idosos por unidade, em relação ao total das seis unidades. Tal proporcionalidade definiu o número de idosos amostrais por UBSF. Sendo assim, nas seis UBSF sorteadas foram entrevistadas as seguintes proporções (números) de idosos: 9,6% (40), 11,4% (48), 14,5% (61), 8,6% (36), 43,3% (182) e 12,6% (53), totalizando os 420 idosos da amostra. Em cada UBSF procedeu-se ao sorteio sistemático dos idosos com a elaboração de uma lista com os nomes de todos os idosos cadastrados. O número a ser saltado, até chegar ao próximo idoso da lista a ser entrevistado, foi definido a partir da razão entre o número total dos idosos cadastrados e o número dos idosos determinados para serem entrevistados naquela UBSF, gerando assim o número cinco. Como o cálculo foi proporcional, então o número de saltos na lista foi o mesmo em todas as UBSF. Dessa forma, a cada idoso selecionado, foram saltados quatro idosos da lista. O 5º idoso foi o selecionado, e assim sucessivamente, a fim de se obter melhor distribuição e garantia de que toda a lista fosse percorrida.

Foram excluídos do estudo os idosos em fase terminal de doença, ou seja, aqueles sem possibilidades terapêuticas e que apresentavam debilidade clínica grave; e os que estavam ausentes do município durante o tempo da pesquisa de campo na área de abrangência da Estratégia Saúde da Família em que eram cadastrados.

A coleta dos dados foi realizada por três duplas de entrevistadores devidamente treinados pela coordenadora e professores colaboradores da pesquisa. A coleta das informações foi realizada em dois momentos, um no domicílio do idoso e outro na Unidade Básica de Saúde da Família na qual o indivíduo era adscrito.

No primeiro momento foi realizada a entrevista no domicílio do idoso, na qual foram coletadas as informações sociodemográficas, cognitivas, e do estado nutricional. Nesse momento, o idoso foi orientado a comparecer em jejum de 12 horas, em data e horário determinados, à UBSF de abrangência para a coleta do sangue e posterior análise da hemoglobina sérica.

A coleta do sangue foi realizada por profissionais habilitados e as análises foram realizadas em um Laboratório de Análises Clínicas, devidamente credenciado e cadastrado no Serviço de Controle e Qualidade da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas. Para reduzir as perdas de indivíduos na coleta de sangue, estabeleceu-se contato com os idosos que faltaram à primeira coleta, sendo marcada nova data para realização da coleta de sangue. Após a segunda falta, foi estabelecido novo contato e a coleta de sangue foi remarcada para ser realizada no domicílio do idoso. Em caso de nova recusa, esse indivíduo era considerado como perdido para os dados referentes às análises bioquímicas.

As variáveis deste estudo foram a concentração de hemoglobina (Hb) (g/dL) e as cognitivas (demência, depressão e comprometimento de memória). Foram consideradas variáveis de ajuste as sociodemográficas (sexo, idade e anos de estudo) e o estado nutricional.

A prevalência de anemia foi estimada por meio da concentração de hemoglobina (Hb) (g/dL), a qual foi determinada por Automação, ABX PENTRA 80. Foram considerados com anemia, indivíduos do sexo masculino que apresentaram concentração de hemoglobina < 13 g/dL e do sexo feminino que apresentaram concentração < 12 g/dL33.

As variáveis cognitivas foram tratadas de forma contínua, por meio do número de pontos obtidos no Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)25,34, o qual avaliou a demência, na Escala de Depressão Geriátrica (EDG)28,35 que avaliou a depressão e no Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória (MAC-Q)31, o qual avaliou o comprometimento de memória.

O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) é composto por questões que podem ser agrupadas em 7 categorias cognitivas: orientação temporal (5 pontos), orientação espacial (5 pontos), registro de 3 palavras (3 pontos), atenção e cálculo (5 pontos), memória (3 pontos), linguagem (8 pontos) e capacidade construtiva visual (1 ponto). Este instrumento resulta em um escore que pode variar de 0 até um total máximo de 30 pontos, no qual o número de pontos e o prejuízo cognitivo são inversamente proporcionais. A Escala de Depressão Geriátrica (EDG) é composta por 15 perguntas, cada uma com duas alternativas de respostas: Sim e Não, com valores atribuídos de 0 a 1 ponto, e o escore é dado pelo somatório dos pontos obtidos, quanto maior a pontuação, maior o número de sintomas depressivos presentes. O Questionário de medida de queixas subjetivas de memória – Subjective Perception of Memory Complaints Questionnaire (MAC-Q) - é um breve questionário utilizado a fim de identificar o declínio da memória em idosos. O MAC-Q é composto por 6 itens, avaliados segundo uma escala Likert, variando de muito melhor agora a muito pior agora. O escore mínimo é de 7 pontos e quanto maior a pontuação, maior é a percepção de queixas de memória.

Quanto à idade, o idoso foi categorizado como pertencente ao grupo etário de 60 a 69 anos, de 70 a 79 anos, ou de 80 anos ou mais. No que se refere à variável anos de estudo, o idoso foi classificado como analfabeto, apresentando de 1 a 4 anos de estudo, de 5 a 8 anos de estudo, de 9 a 11 anos de estudo ou de 12 anos ou mais de estudo. A avaliação do estado nutricional foi realizada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), para o qual foram mensurados a estatura e o peso, com base nas técnicas propostas por Gordon et al.36. Para análise do IMC (kg/m2) foi utilizada a classificação sugerida pela Organização Pan-Americana de Saúde37 (OPAS):baixo peso (< 23), eutrofia (≥ 23 e < 28), sobrepeso (≥ 28 e < 30) e obesidade (≥ 30).

Análise Estatística

O banco de dados foi elaborado utilizando-se o aplicativo Microsoft Office Excel. As informações estatísticas foram obtidas com o auxílio do aplicativo estatístico SPSS 22.0 (IBM Corp., Armonk, Estados Unidos). Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a normalidade na distribuição da concentração de hemoglobina.

Os dados foram estudados com o intuito de analisar a prevalência de anemia e correlação da concentração de hemoglobina com fatores cognitivos em idosos residentes no município de Campina Grande, Paraíba. Para a análise de correlação, utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson e regressão linear simples. Para o modelo de regressão linear múltipla foram consideradas as variáveis que apresentaram valor de p < 0,20, obtido na análise bivariada. Considerou-se o método de entrada stepwise forward para cálculo do coeficiente de determinação ajustado (R2aj), com intervalo de confiança de 95% (IC95%). Foram verificados, ainda, os resíduos, por meio do teste de multicolinearidade (VIF), e a homoscedasticidade do modelo.

No modelo final, foram consideradas aquelas variáveis que apresentaram correlação estatisticamente significativa com a concentração de hemoglobina (p < 0,05). No entanto, podem ter sido incluídas outras variáveis, independente da significância estatística (variáveis de ajuste).

Considerações éticas

O estudo maior do qual esta pesquisa faz parte foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba e encontra-se em concordância com os princípios éticos contidos na Declaração de Helsinque da Associação Médica Mundial. Todos os idosos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido depois de receberem explicações verbais e escritas a respeito do estudo.

Resultados

Dentre os 420 idosos selecionados para compor a amostra, não foi possível realizar a coleta sanguínea de 60 idosos, os quais foram excluídos da pesquisa. Sendo assim, a amostra deste estudo contou com 360 idosos (67,2% do sexo feminino) cuja idade variou de 60 a 104 anos, com média de 71,28 anos (DP = 8,93). A prevalência de anemia verificada foi de 12,5%.

Na Tabela 1 é apresentada a distribuição dos idosos de acordo com a presença de anemia e as características sociodemográficas, condição cognitiva e estado nutricional. Observa-se nesta tabela que as variáveis sexo e estado nutricional apresentaram associação estatisticamente significativa com a anemia entre os idosos estudados.

Tabela 1 Prevalência de anemia em idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família, segundo características sociodemográficas, condição cognitiva e estado nutricional. Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2010. 

Variáveis Anemia Valor de p*

Sim Não

n % IC95% n % IC95%
Sexo 0,014
Masculino 22 18,6 (33,7 – 64,2) 96 81,4 (25,5 – 35,9)
Feminino 23 9,5 (35,8 – 66,3) 219 90,5 (64,1 – 74,6)
Grupo etário 0,328
60 a 69 anos 19 10,5 (27,7 – 57,8) 162 89,5 (45,8 – 57,1)
70 a 79 anos 15 12,8 (20,0 – 49,0) 102 87,2 (27,3 – 37,9)
≥ 80 anos 11 17,7 (12,9 – 39,5) 51 82,3 (12,4 – 20,8)
Depressão 1,000
Sim 12 12,5 (14,6 – 41,9) 84 87,5 (21,9 – 32,0)
Não 33 12,5 (58,1 – 85,4) 231 87,5 (68,1 – 78,1)
Demência 0,236
Sim 33 11,5 (58,1 – 85,4) 254 88,5 (76,1 – 85,1)
Não 12 16,7 (14,6 – 41,9) 60 83,3 (15,0 – 24,0)
Comprometimento de memória 0,086
Sim 37 14,4 (67,9 – 92,0) 220 85,6 (64,4 – 74,9)
Não 8 7,8 (8,0 – 32,1) 95 92,2 (25,2 – 35,6)
Estado nutricional 0,024
Eutrofia 20 15,5 (32,9 – 64,9) 109 84,5 (31,1 – 42,3)
Baixo peso 11 18,0 (14,2 – 42,9) 50 82,0 (12,7 – 21,5)
Sobrepeso/obesidade 10 6,7 (12,4 – 40,3) 139 93,3 (40,9 – 52,5)

*Teste qui-quadrado; IC95%: intervalo de 95% de confiança.

Na Tabela 2 são apresentados os valores referentes à média, desvio-padrão, valor mínimo e valor máximo da concentração de hemoglobina, da idade, do Índice de Massa Corporal (IMC), da pontuação do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), da Escala de Depressão Geriátrica (EDG) e do Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória (MAC-Q). Por meio desta tabela, observa-se que a concentração média de hemoglobina verificada entre os idosos foi de 13,5 g/dL.

Tabela 2 Média, desvio-padrão, valor mínimo e valor máximo da concentração de hemoglobina, do Índice de Massa Corporal, da pontuação do Mini Exame do Estado Mental, da Escala de Depressão Geriátrica e do Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória dos idosos. Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2010. 

Dados Descritivos Hemoglobina (g/dL) Idade (anos) IMC (Kg/m2) MEEM (pontos) EDG (pontos) MAC-Q (pontos)
Média 13,52 71,28 27,44 19,99 4,30 26,57
Desvio-padrão 1,16 8,93 4,86 4,96 2,64 4,25
Valor mínimo 10,60 60 14,96 3 0 10
Valor máximo 17,30 104 42,81 29 13 35

IMC: Índice de Massa Corporal; MEEM: Mini Exame do Estado Mental; EDG: Escala de Depressão Geriátrica; MAC-Q: Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória.

Na Tabela 3 são apresentados os resultados da análise de regressão linear simples entre a concentração de hemoglobina e as variáveis independentes: demência (Mini Exame do Estado Mental), depressão (Escala de Depressão Geriátrica), comprometimento de memória (Questionário de Medidas de Queixas Subjetivas de Memória), idade, estado nutricional (Índice de Massa Corporal) e sexo. É possível observar que houve correlação significativa entre a concentração de hemoglobina e o comprometimento de memória (R2 = 0,02; p = 0,002), a idade (R2 = 0,02; p = 0,014) e o sexo (R2 = 0,15; p < 0,001).

Tabela 3 Regressão linear simples entre a concentração de hemoglobina e as variáveis independentes em idosos. Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2010. 

Variáveis R2 β IC95% valor de p
MEEM 0,01 0,05 -0,14;0,03 0,348
EDG 0,01 -0,04 -0,06;0,02 0,372
MAC-Q 0,02 -0,16 -0,07;-0,01 0,002
Idade 0,02 -0,11 -0,03;-0,01 0,014
IMC 0,01 0,10 -0,01;0,05 0,055
Sexo 0,15 -0,38 -1,20; -0,72 <0,001

MEEM: Mini Exame do Estado Mental; EDG: Escala de Depressão Geriátrica; MAC-Q: Questionário de Medida de Queixas Subjetivas de Memória; IMC: Índice de Massa Corporal; R2: Coeficiente de determinação; β; Coeficiente de correlação; IC95%: Intervalo de 95% de confiança.

Na Tabela 4 são apresentados os resultados da regressão linear múltipla entre a concentração de hemoglobina e as variáveis independentes. Para a elaboração deste modelo final, foram testados modelos com a variável demência (MEEM) e com a depressão (EDG), independentemente dos valores de significância obtidos na análise bivariada, pois essas variáveis são de grande interesse para o estudo. Além disso, foi considerada a inclusão da variável anos de estudo, a qual poderia exercer influência sobre as outras variáveis do estudo.

Tabela 4 Análise de regressão linear múltipla para estimar a predição das variáveis independentes sobre a concentração de hemoglobina em idosos. Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2010. 

Variáveis R2 β IC95% valor de p
Sexo 0,22 -0,44 -1,35; -0,85 < 0,001
MAC-Q -0,12 -0,06; -0,01 0,023
Idade -0,14 -0,03; -0,01 0,006
IMC 0,16 0,01; 0,06 0,002
EDG 0,04 -0,02; 0,06 0,388
MEEM -0,13 -0,06; -0,01 0,010
Anos de estudo 0,01 -0,11; 0,14 0,774

MEEM: Mini Exame do Estado Mental; EDG: Escala de Depressão Geriátrica; MAC-Q: Questionário de Medida de Queixas Subjetivas de Memória; IMC: Índice de Massa Corporal; R2: Coeficiente de determinação; β: Coeficiente de correlação; IC95%: Intervalo de 95% de confiança.

As variáveis que compõem o modelo final explicaram 22% da variação da concentração de hemoglobina entre os idosos. O sexo, a idade, o estado nutricional, o comprometimento de memória e a demência foram as variáveis preditivas (p < 0,05) para alteração da concentração de hemoglobina em idosos. As variáveis anos de estudo e depressão foram consideradas variáveis de ajuste. Apenas o estado nutricional apresentou correlação significativa positiva (β = 0,16) com a concentração de hemoglobina, enquanto que a idade, a demência e o comprometimento de memória apresentaram correlação significativa negativa em relação à concentração de hemoglobina. Quanto ao sexo, as mulheres apresentaram maior valor médio de concentração de hemoglobina quando comparadas aos homens.

Discussão

A prevalência de anemia entre os idosos desta pesquisa foi de 12,5%. Prevalências semelhantes foram encontradas em outros estudos com idosos em diferentes regiões brasileiras, as quais variaram de 11% a 12,8%3,5,11. As prevalências de anemia em idosos verificadas nestes estudos realizados no Brasil, bem como a prevalência verificada no presente estudo, apesar de serem inferiores às prevalências encontradas em estudos envolvendo outros grupos etários como crianças38,39 e gestantes40,41, devem ser consideradas relevantes, devido às repercussões negativas que esta doença gera sobre a saúde e qualidade de vida do idoso, como o aumento do risco de morbidade e mortalidade.

Neste estudo, a concentração média de hemoglobina verificada entre os idosos foi de 13,5 g/dL, resultado semelhante ao encontrado em pesquisa com idosos residentes na comunidade em Chicago, Estados Unidos, em que a concentração média de hemoglobina foi de 13,3 g/dL17. Estudo realizado no Brasil com idosos da comunidade participantes da linha de base de coorte de Bambuí, Minas Gerais, verificou que a concentração média de hemoglobina foi igual a 14,5 g/dL4, resultado superior ao encontrado na presente pesquisa, o que pode ser atribuído ao fato de os idosos que fizeram parte do estudo serem participantes de uma coorte que é desenvolvida na cidade desde 1997, o que pode favorecer a condição de saúde desses idosos, por meio do acompanhamento da saúde dessa população e melhor controle de doenças.

O sexo esteve correlacionado com a concentração de hemoglobina. Estudos apontam que idosos do sexo masculino apresentam níveis de hemoglobina inferiores ao feminino6,42, o que pode ser devido, principalmente, à redução na produção de testosterona com o avançar da idade, a qual tem impacto significativo na redução dos níveis de hemoglobina no organismo6. Essa correlação entre o sexo e a concentração de hemoglobina em idosos, reforça a necessidade de maior atenção às demandas e necessidades em saúde apresentadas pelos homens43,44.

A idade esteve correlacionada negativamente com a concentração de hemoglobina, o que está em conformidade com a literatura, pois estudos apontam que há uma tendência de redução da concentração de hemoglobina em idosos com o avançar da idade12,24,45. Estudo longitudinal norte-americano com adultos não anêmicos residentes na comunidade mostrou que ocorre em média uma queda de 0,06g/dL de hemoglobina por ano46. Alguns fatores são apontados a fim de explicar a diminuição da concentração de hemoglobina em idosos, como a capacidade diminuída do rim em produzir o hormônio eritropoetina3 e o aumento das citocinas pró-inflamatórias associadas ao processo de envelhecimento que interferem na resposta das células eritróides à eritropoetina47.

Neste estudo, o Índice de Massa Corporal esteve correlacionado positivamente com a concentração de hemoglobina entre os idosos, esta relação pode ser atribuída ao fato de que determinados fatores que acompanham o envelhecimento, além da presença de doenças crônicas e debilidades físicas associadas à idade48 podem favorecer a desnutrição entre os idosos49,50. Indivíduos desnutridos, normalmente apresentam alimentação insuficiente em ferro, ácido fólico e vitamina B1251, o que leva a baixas concentrações de hemoglobina no organismo, uma vez que esses nutrientes são essenciais para a eritropoiese52.

De acordo com pesquisas realizadas com idosos residentes na comunidade, baixas concentrações de hemoglobina têm sido associadas com o declínio cognitivo18-20,53. Estudo de base populacional envolvendo 793 idosos participantes da Rush Memory and Aging Project, em Chicago, Estados Unidos, relatou que baixas concentrações de hemoglobina estiveram associadas a piores desempenhos nos testes aplicados a fim de avaliar a função cognitiva global dos idosos, particularmente com relação à memória17.

Neste estudo foi verificada correlação negativa entre a concentração de hemoglobina e a pontuação obtida no MAC-Q, desta forma quanto menor foi a concentração de hemoglobina, maior foi a pontuação no MAC-Q, caracterizando maior comprometimento de memória. Essa correlação pode estar relacionada ao fato de idosos com comprometimento de memória apresentam um processo de neuroinflamação, no qual células especializadas do cérebro liberam no organismo moléculas pró-inflamatórias, como as interleucinas e prostaglandinas54,55, as quais têm efeito inibidor sobre a eritropoiese11.

Este resultado é preocupante, tendo em vista que tanto as baixas concentrações de hemoglobina como o comprometimento de memória na pessoa idosa estão relacionados com o aumento do risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer (DA)20,56, a qual pode levar à perda da independência e autonomia, interferindo negativamente na qualidade de vida do idoso e de sua família. Essa relação parece ser devido ao efeito protetor sobre os tecidos neurais que a eritropoetina apresenta contra o estresse oxidativo, o qual está envolvido na fisiopatologia da DA57. Sendo assim, os baixos níveis de hemoglobina e o comprometimento de memória devem ser identificados e tratados adequadamente, uma vez que esses agravos ocasionam desfechos adversos à saúde dos idosos.

Na presente pesquisa houve correlação negativa entre a concentração de hemoglobina e a pontuação obtida no Mini Exame do Estado Mental (MEEM), uma vez que quanto menor a concentração de hemoglobina, maior foi a pontuação obtida no Mini Exame do Estado Mental (MEEM), o que representa menor prejuízo cognitivo aos idosos. Este resultado vai de encontro aos de outros estudos, os quais indicaram que baixas concentrações de hemoglobina estiveram associadas a piores desempenhos no MEEM por parte dos idosos, ou seja, menores pontuações20,58,59. Estudos apontam que a anemia e a demência são doenças comumente encontradas em idosos, estando concomitantemente presentes em muitos casos42,60, uma das razões indicadas para isso baseia-se no fato de que pacientes com diagnóstico de demência podem estar sujeitos a apresentar alimentação inadequada com maior frequência60 e que as deficiências nutricionais são reconhecidamente um fator etiológico importante para a anemia17.

Apesar de o delineamento deste estudo ser transversal, não possibilitando, assim, estabelecer uma relação de causa e efeito, o mesmo atende aos objetivos propostos. Ainda que não seja possível extrapolar os resultados deste estudo para a população idosa em geral, há que se considerar a importância da realização de pesquisas com os idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família, por constituírem um grupo representativo dos idosos brasileiros, tendo em vista que esta Estratégia prioritária da Atenção Básica cobre cerca de 64% da população do Brasil61.

Além disso, há que se considerar a relevância da presente pesquisa, pois é um estudo pioneiro no país sobre a correlação da concentração de hemoglobina com fatores cognitivos abrangendo uma população de idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família de um município do Nordeste brasileiro. Observa-se a necessidade de realização de outros estudos sobre a concentração de hemoglobina em diferentes localidades e populações de idosos, uma vez que a anemia e as baixas concentrações de hemoglobina aumentam o risco de morbimortalidade e os custos para os serviços de saúde, além de estarem relacionados com o declínio cognitivo, o que repercute negativamente na saúde e na qualidade de vida dos idosos.

Tendo em vista que a população deste estudo é assistida pela Estratégia Saúde da Família, a realização rotineira do hemograma dos idosos proporciona identificar e tratar precocemente a anemia. Faz-se necessário que o acompanhamento da saúde dos idosos nas Unidades Básicas de Saúde da Família inclua também o aspecto cognitivo, de maneira que a demência, a depressão e o comprometimento de memória sejam detectados e tratados precocemente, uma vez que o Ministério da Saúde recomenda que os profissionais de saúde reconheçam as demandas de saúde mental presentes nas diversas queixas relatadas pelos pacientes que chegam aos serviços de saúde da Atenção Básica, principalmente na Estratégia Saúde da Família62.

Os resultados obtidos neste estudo ressaltam a importância do acompanhamento da saúde dos idosos e do desenvolvimento e ações por parte dos profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde da Família, voltadas para o suporte desses idosos, que apresentam declínio cognitivo tais como a demência, a depressão e o comprometimento da memória, a fim de melhorar a qualidade de vida desta população.

REFERÊNCIAS

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