Prevalência e características da violência no namoro entre adolescentes escolares de Portugal

Prevalência e características da violência no namoro entre adolescentes escolares de Portugal

Autores:

Maria Aparecida Beserra,
Maria Neto da Cruz Leitão,
Joana Alice da Silva Amaro de Oliveira Fabião,
Maria dos Anjos Coelho Rodrigues Dixe,
Cristina Maria Figueira Veríssimo,
Maria das Graças Carvalho Ferriani

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.20 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2016

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20160024

Resumen

Objetivos:

Identificar la prevalencia de la violencia en el noviazgo entre adolescentes y discutir la relación entre las conductas de violencia y variables independientes: edad, sexo y tiempo de citas.

Métodos:

Estudio Transversal Epidemiológico. La muestra estuvo conformada por 1.268 estudiantes, de ambos sexos, de 16 y 24 años de edad, de escuelas secundarias de cuatro distritos de la Región Centro de Portugal. En la recolección de datos, se utilizó un cuestionario que contiene los datos sociodemográficos y el comportamiento de la victimización y perpetración de violencia en el noviazgo.

Resultados:

5,9% de todos los adolescentes reportaron participación en situaciones de violencia en el noviazgo. Ambos sexos reportaron el uso de la violencia física. En la violencia psicológica, los chicos son los mayores perpetradores y las víctimas.

Conclusion:

Los resultados muestran, en algunos comportamientos, similitudes del estándar de violencia entre los sexos, como el pelo tirando con fuerza; bofetada; apriete el cuello; lanzar objetos a otra pessoa; patadas y cabezazos cabeza y dar sacudidas violentas, lo que indica, por lo tanto, que se necesita más investigación para entender que factores influyen en las diferencias y similitudes de este evento.

Palabras clave: Adolescente; Conducta del Adolescente; Violencia

INTRODUÇÃO

O conhecimento sobre a violência, nos últimos anos, trouxe à luz um dos mais importantes desafios para a saúde pública do século XXI. Vários tipos e formas deste fenômeno têm sido objetos de estudo. Mas, apesar de ter grande relevância social, a violência nos relacionamentos íntimos de adolescentes é um tema ainda recente na literatura científica. Pouco se sabe sobre a prevalência da violência no namoro e seus fatores associados em adolescentes e mulheres jovens1. O tema é considerado, hoje, de grande importância nos estudos internacionais com dois intuitos principais: para melhorar experiências afetivo-sexuais entre os jovens e para prevenir a violência conjugal2.

Em Portugal, sobretudo a partir do início da década de 1990, se começa a verificar uma maior conscientização sobre a gravidade e a dimensão do problema da violência no namoro3. Toma-se como exemplo de vários trabalhos3-6 que muito têm contribuído no dimensionamento e na discussão do problema, na perspectiva de prevenção desse fenômeno.

Observa-se, nas últimas duas décadas, que a atenção à saúde do adolescente vem se tornando uma prioridade em muitos países, inclusive para instituições internacionais de fomento à pesquisa. Isto se deve à constatação de que a formação do estilo de vida do adolescente é crucial, não somente para ele, como também para as gerações futuras7.

Atualmente existem outros consensos na percepção de que a adolescência é uma fase de desenvolvimento que propicia o investimento em esforços preventivos6. É um período de transição caracterizado pelos impulsos do desenvolvimento físico, mental, emocional, sexual e social no qual o indivíduo se esforça para alcançar os objetivos relacionados às expectativas culturais da sociedade em que vive8. Ressalta-se que todos os estudos convergem quanto à importância da investigação sobre a temática da violência nessa fase da vida, em que ocorre o estabelecimento das primeiras relações afetivo-sexuais e em que surge o risco de experiências de vitimização ou de perpetração desse evento9. Acrescentam as autoras que vivenciar violência na relação amorosa na adolescência pode ser visto como um continuum que começa com abusos sofridos pelos adolescentes ainda na infância, em suas famílias de origem, e que se perpetua nas que eles próprios formarão na vida adulta9. Adolescentes que são vítimas de violência no namoro no ensino médio estão em maior risco de vitimização, durante o período de ensino superior10.

A violência no namoro é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um "comportamento dentro de uma relação íntima que causa dano físico, sexual ou psicológico, incluindo atos de agressão física, coerção sexual, abuso psicológico e comportamentos controladores"11:107.

Enfatiza-se que a violência nas relações de intimidade (VRI) ocorre a partir da adolescência e durante a vida adulta, frequentemente no âmbito do casamento ou da coabitação, a começar no namoro, essa forma de violência é na maioria perpetrada pelo sexo masculino contra o sexo feminino, mas, pode também ser perpetrada polo sexo feminino contra o sexo masculino, podendo ainda ocorrer no âmbito de relações de intimidade de pessoas do mesmo sexo, ressaltando que esse tipo de violência é uma pandemia que afeta essencialmente as mulheres e perpassa todos os grupos étnicos, culturas, níveis socioeconômicos ou educativos e tem raízes históricas e culturais12.

Considera-se que a inclusão dos adolescentes no planejamento e na intervenção da prevenção de violência no namoro, nas ações dos profissionais de saúde, é um passo a mais para as mudanças nesse cenário2. Adolescência e início da idade adulta são períodos importantes em que se estabelecem as bases para relações saudáveis ​​e estáveis​​, à saúde da mulher e o bem-estar geral. A garantia de que adolescentes e mulheres jovens possam desfrutar de relacionamentos livres de violência é um importante investimento no seu futuro13.

Diante dessas colocações, este estudo procurou fazer uma investigação da violência no namoro, entre adolescentes de escolas públicas de quatro distritos de Portugal, entendendo que estudos dessa natureza se fazem necessários para dimensionar a gravidade do problema, chamando à atenção as possiveis consequências que essa violência poderá trazer ao longo da vida. Para tanto, levanta-se como hipótese: O tempo de namoro e a idade dos adolescentes influenciam o comportamento de violência no relacionamento entre os jovens. Os objetivos do estudo foram identificar a prevalência de violência no namoro entre adolescentes e discutir a associação entre os comportamentos de violência e as variáveis: idade, sexo e tempo de namoro.

Ressalta-se que investigar as diferentes manifestações que a violência no namoro vem expressando, cada vez mais, na população jovem, é uma forma de subsidiar trabalhos de intervenção com o intuito de melhorar as experiências afetivo-sexuais dos adolescentes e prevenir a violência entre parceiros íntimos.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal de cunho epidemiológico que faz parte de uma pesquisa mais ampla, na qual se procura explorar a temática da VPI. A população foi constituída por 4.158 estudantes que pertenciam a 54 escolas dos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu, estudantes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, que, em 2010 e 2011, frequentavam escolas do ensino secundário, da Região Central de Portugal Continental. A amostra não probabilística intencional foi constituída por 1.268 adolescentes. Os critérios de inclusão foram: ter namorado(a) no momento da pesquisa, idade entre 14 e 19 anos e que frequentavam o 10º ano de escolaridade, representando 30,6% da população.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário autoaplicado, constituído por dois grupos de questões: um primeiro formado por dados sociodemográficos (idade, sexo e escolaridade) e de namoro (tempo de namoro e condição de ter sido vitima ou não de violência no namoro) e o outro grupo formado por 18 questões que avaliam os comportamentos de vitimização e perpetração de violência, ocorridos no contexto das relações amorosas.

As 18 questões relativas aos comportamentos de vitimização e perpetração são de resposta dicotômica (sim, não) e avaliam comportamentos das três formas de violência Psicológica: Comportamentos de chantagens; Comentários negativos sobre a aparência pessoal; Posturas e gestos de ameaça; Comportamentos de perseguição na escola; Invasão da privacidade; Julgar, corrigir e criticar; Gritar ou ameaçar para meter medo; Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou "ferir"; Física: Puxar os cabelos com força; Dar uma bofetada; Apertar o pescoço; Atirar objetos em outra pessoa; Dar pontapés ou cabeçadas; Dar empurrões violentos; Impedir o contato com outras pessoas e Sexual: Forçar a manter atos sexuais contra a vontade própria; Pressão para o envolvimento em atos sexuais de que não se gosta; Tentativa de contato físico com conotação sexual.

Antes da aplicação da pesquisa os questionários foram avaliados por seis peritos na área da violência nas relações de intimidade, em seguida foi realizado pre-teste com estudantes que não fizeram parte da amostra. Após o teste não foi necessário introduzir alterações. Os questionários foram respondidos em sala de aula pelos estudantes após os investigadores terem explicado os objectivos do estudo, confirmado o consentimento esclarecido dos pais e obtido o consentimento esclarecido dos estudantes, tendo os estudantes demorado em média 10 minutos para responder.

Para o estudo da relação entre comportamentos de vitimização e perpetração de violência com o sexo dos estudantes utilizou-se o qui-quadrado (duas variáveis nominais). Para o estudo das relações entre as variáveis comportamentos de vitimização e perpetração de violência por sexo com a idade e tempo de namoro utilizou-se o t de Student e a correlação de Pearson. A utilização dos testes paramétricos, apesar das variáveis não apresentarem distribuição normal, foi verificada através do teste de Kolmogorov Smirnov, foi suportada pelo teorema do limite central14, que estipula que quando ambas as amostras tem dimensão superior a 30, a distribuição aproxima-se da distribuição normal.

O tratamento estatístico dos dados foi realizado por computador, através dos programas Microsoft Word XP e Stastistical Package for the Social Sciences (SPSS) - versão 18.0 para Windows. Para sistematizar e realçar a informação fornecida pelos dados recorreu-se a técnicas de estatística descritiva: frequências absolutas (Nº) e relativas (%), medidas de tendência central (médias aritméticas - x) e medidas de dispersão e variabilidade (desvio-padrão, mínimos e máximos). Para o estudo das relações entre as variáveis e apesar de as variáveis não apresentarem distribuição normal (determinado através do teste de Kolmogorov Smirnov), utilizou-se o t de Student e a correlação de Pearson, dado que o tamanho da amostra no que diz respeito ao teorema do limite central14.

A pesquisa levou em consideração os aspectos éticos e implicações legais, preservando o anonimato dos sujeitos envolvidos, pois os dados só foram coletados após aprovação pelo Comitê de Ética de Pesquisa da ESEnfC, número de protocolo 247-12/2014. Ressalta-se que esta avaliação estava prevista no N(amor)o (Im)Perfeito e que este projeto foi desenvolvido com a autorização do Ministério da Educação e das direções das diferentes escolas (integrando o programa de educação para a saúde e educação sexual), estando salvaguardada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo adolescente e pelos pais ou encarregados de educação.

RESULTADOS

Do total de 1.268 adolescentes que participaram da pesquisa, 63,6% eram do sexo feminino e 36,4% do sexo masculino, a média de idade foi de 16,56 anos (DP = 1,15), considerando-se a faixa etária de 14 a 19 anos. A média de tempo de namoro foi de 11,33 meses (DP = 11,29); 5,9% do total dos adolescentes referiram envolvimento de situação de violência no namoro (tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos alunos segundo sexo, idade, tempo de namoro e a condição de ter sido vítima ou não da violência no namoro 

% Mínimo Máximo Média DP
Sexo F 806 63,6
M 462 36,4
Tempo de namoro/meses 1 100 11,33 11,298
Idade 14 19 16,53 1,156
Situação de violência Sim 75 5,9
Não 1.193 94,1

Na avaliação dos comportamentos de violência referidos pelos adolescentes na condição de ser perpetrador e/ou vítima, observa-se (Tabela 2) que o sexo masculino apresentou um maior percentual de perpetração do que o sexo feminino, em 13 dos 18 tipos de comportamentos, tais como: "Comentários negativos sobre a tua aparência" (11,7% X 7,9%); "Posturas e gestos de ameaça" (5,0% x 3,8%); "Perseguir na escola" (5,4% x 1,2%); "Julgar, corrigir e criticar" (36,5% 33,6%); "Puxar os cabelos com força" (5,0% x 1,4%); "Apertar o pescoço" (3,2% x 0,3%); "Atirar objetos em outra pessoa" (4,1% x 1,5%); "Dar pontapés ou cabeçadas" (2,5% x 1,0%); "Dar empurrões violentos" (3,4% x 1,8%); "Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou ferir" (4,5% x 3,3%); "Pede-me que tenha atos sexuais de que não gosto" (4,1% x 0,4%); "Tentativa de contato físico com conotação sexual" (6,8% x 1,9%). Em relação à condição de ter sido vítima, o sexo feminino apresenta prevalência em 10 comportamentos para oito do sexo masculino, "Comportamentos de chantagens" (18,3% x 17,2%); "Comentários negativos sobre a tua aparência" (12,9% x 12,3%); "Posturas e gestos de ameaça" (8,8% x 8,1%); "Perseguir na escola" (4,3% x 3,8%); "Invasão da privacidade" (19,6% x 16,9%); "Dar empurrões violentos" (5,3% x 4,9%); "Impedir o contato com outras pessoas" (17,7% x 13,1%); "Gritar ou ameaçar para meter medo" (9,5% x 4,5%) e "Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou ferir" (9,8% x 3,5%). Vale salientar que apenas em 8 comportamentos de vitimização e em 6 comportamentos de perpetração houve diferenças estatisticamentas significativas (p < 0,05) tal como se observa na (tabela 2).

Tabela 2 Comportamentos de violência perpetrada e vitimada nas relações do namoro referido pelos adolescentes de acordo com o sexo 

Perpetração vitimização
Variáveis Não Sim p Não Sim p
% % % %
Comportamentos de chantagens F 678 86,7 104 12,9 ,600 649 81,7 145 18,3 ,475
M 388 87,8 54 12,2 371 82,8 77 17,2
Comentários negativos sobre a tua aparência F 722 92,1 62 7,9 ,041 694 87,1 103 12,9 ,581
M 392 88,3 52 11,7 392 87,7 55 12,3
Posturas e gestos de ameaça F 753 96,2 30 3,8 ,583 727 91,2 70 8,8 ,733
M 420 95,0 22 5,0 411 91,9 36 8,1
Perseguir na escola F 773 98,8 9 1,2 ,000 762 95,7 34 4,3 ,992
M 420 24 94,6 5,4 427 96,2 17 3,8
Invasão da privacidade F 672 86,0 109 14,0 ,561 640 80,4 156 19,6 ,323
M 385 86,9 58 13,1 370 83,1 75 16,9
Julgar, corrigir e criticar F 521 66,4 264 33,6 ,361 513 64,4 284 35,6 ,254
M 280 63,5 161 36,5 271 60,8 175 39,2
Puxar os cabelos com força F 770 98,6 11 1,4 ,000 782 98,1 15 1,9 ,001
M 419 95,0 22 5,0 425 94,9 23 5,1
Dar uma bofetada F 705 90,2 77 9,8 ,040 755 94,8 41 5,2 ,000
M 415 93,5 29 6,5 393 88,1 53 11,9
Apertar o pescoço F 779 99,7 2 ,3 ,000 780 97,9 17 2,1 ,279
M 428 96,8 14 3,2 433 96,7 15 3,3
Atirar objetos em outra pessoa F 769 98,5 12 1,5 ,011 775 97,5 20 2,5 ,000
M 424 95,9 18 4,1 415 93,3 30 6,7
Dar pontapés ou cabeçadas F 774 99,0 8 1,0 ,131 786 98,6 11 1,4 ,088
M 432 97,5 11 2,5 430 96,8 14 3,2
Dar empurrões violentos F 768 98,2 14 1,8 ,120 755 94, 42 5,3 ,731
M 426 96,6 15 3,4 423 95,1 22 4,9
Impedir o contato com outras pessoas F 720 90,5 80 10,2 ,501 654 82,3 141 17,7 ,019
M 400 40 9,1 9,5 386 86,9 58 13,1
Gritar ou ameaçar para meter medo F 750 95,9 15 3,4 ,557 720 90,5 76 9,5 ,002
M 425 96,6 27 6,1 425 95,5 20 4,5
Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou "ferir" F 755 96,7 26 3,3 ,343 719 90,2 78 9,8 ,029
M 420 95,5 20 4,5 769 96,5 28 3,5
Forçar a manter atos sexuais contra a tua vontade F 777 99,4 5 ,6 ,107 430 96,8 14 3,2 ,666
M 434 98,2 8 1,8 769 96,6 27 3,4
O meu companheiro (a) pede-me que tenha atos sexuais de que não gosto F 779 99,6 3 ,4 ,000 432 96,9 14 3,1 ,653
M 423 95,9 18 4,1 751 94,7 42 5,3
Tentativa de contato físico com conotação sexual F 764 98,1 15 1,9 ,000 413 93,4 29 6,6 ,479
M 410 93,2 30 6,8 649 81,7 145 18,3

Colocou-se apenas o valor do p e não do qui-quadrado em virtude da tabela incluir muitos dados, sendo o valor do p indispensável para aferir se as diferenças são estatisticamente significativas.

Nas Tabelas 3 e 4, são apresentados os resultados da relação entre os comportamentos de violência e a condição de ser vítima ou perpetrador de acordo com o sexo, a idade e o tempo de namoro dos pesquisados.

Tabela 3 Diferenças entre os comportamentos de vitimização e perpetração consoante a idade dos jovens e por sexo 

Comportamentos por sexo Vitimização/idade Perpetração/idade
Não tem esse comportamento Tem esse comportamento Não tem esse comportamento Tem esse comportamento
Média DP Média DP t p Média DP Média DP t p
Comportamentos de chantagens F 16,5 1,2 16,9 1,3 -3,47 ,00 16,5 1,2 16,9 1,1 -2,94 ,00
M 16,7 1,4 16,7 1,3 ,04 ,96 16,7 1,3 16,8 1,5 -,74 ,45
Comentários negativos sobre a tua aparência F 16,5 1,2 16,9 1,3 -2,82 ,00 16,5 1,2 17,0 1,2 -3,31 ,00
M 16,7 1,4 16,6 1,3 ,27 ,78 16,7 1,4 16,8 1,4 -,56 ,57
Posturas e gestos de ameaça F 16,6 1,3 16,8 1,4 -1,63 0,10 16,6 1,3 16,8 1,5 -0,72 0,46
M 16,7 1,4 16,9 1,6 -0,89 0,37 16,7 1,4 16,9 1,2 -0,40 0,68
Perseguir na escola F 16,6 1,3 16,4 0,9 0,69 0,48 16,6 1,3 16,7 1,1 -0,16 0,87
M 16,7 1,4 17,0 1,7 -0,84 0,39 16,8 1,4 16,5 1,2 0,83 0,40
Invasão da privacidade F 16,6 1,3 16,5 1,2 ,59 ,55 16,6 1,3 16,7 1,2 -1,28 0,19
M 16,6 1,3 17,0 1,4 -2,40 ,01 16,7 1,4 16,8 1,2 -0,50 0,61
Julgar, corrigir e criticar F 16,4 1,2 16,8 1,3 -3,47 ,00 6,4 1,2 16,8 1,3 -3,35 ,00
M 16,6 1,3 16,9 1,4 -2,67 ,00 16,5 1,3 17,0 1,4 -3,49 ,00
Puxar os cabelos com força F 16,6 1,3 16,9 1,4 -0,76 0,44 16,6 1,3 16,0 1,4 1,46 0,14
M 16,7 1,4 16,8 1,4 -0,14 0,88 16,7 1,4 16,5 1,3 0,84 0,39
Dar uma bofetada F 16,6 1,3 16,9 1,5 -1,32 0,18 16,6 1,3 16,9 1,5 -1,84 0,06
M 16,7 1,4 17,0 1,4 -1,59 0,11 16,7 1,4 16,9 1,5 -0,63 0,52
Apertar o pescoço F 16,6 1,3 16,7 1,1 -0,17 0,86 16,6 1,3 17,0 1,4 -0,45 0,65
M 16,8 1,4 16,4 1,0 0,92 0,35 16,8 1,4 16,3 1,1 1,10 0,26
Atirar com objetos à outra pessoa F 16,6 1,3 16,8 1,3 -0,85 0,39 16,5 1,2 17,3 1,4 -2,03 ,042
M 16,7 1,4 17,0 1,6 -0,87 0,38 16,7 1,4 16,9 1,6 -,63 ,52
Dar pontapés ou cabeçadas F 16,6 1,3 17,2 1,4 -1,54 0,12 16,6 1,3 17,2 1,6 -1,48 0,13
M 16,8 1,4 16,5 1,1 0,73 0,46 16,8 1,4 16,2 1,2 1,31 0,18
Dar empurrões violentos F 16,6 1,3 16,9 1,4 -1,51 0,13 16,6 1,3 16,6 1,2 0,06 0,95
M 16,8 1,4 16,6 1,3 0,55 0,57 16,8 1,4 16,4 1,2 0,93 0,35
Impedir o contato com outras pessoas F 16,5 1,2 16,9 1,3 -3,09 ,00 16,6 1,3 16,8 1,2 -1,45 0,14
M 16,7 1,4 16,7 1,4 ,14 ,88 16,7 1,4 16,9 1,4 -0,92 0,35
Gritar ou ameaçar para meter medo F 16,55 1,2 16,9 1,4 -2,71 ,00 16,5 1,2 17,2 1,4 -3,00 ,00
M 16,7 1,4 16,4 1,3 1,09 ,27 16,7 1,4 16,8 1,4 -,24 ,80
Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou "ferir" F 16,6 1,3 16,8 1,3 -1,35 0,17 16,6 1,3 16,6 1,2 -0,15 0,87
M 16,8 1,4 16,5 1,4 0,97 0,33 16,7 1,4 16,7 1,4 0,06 0,94
Forçar a manter atos sexuais contra a tua vontade F 16,6 1,3 16,7 1,6 -0,55 0,58 16,6 1,3 17,0 1,6 -0,71 0,47
M 16,8 1,4 16,2 1,3 1,32 0,18 16,7 1,4 16,8 1,3 -0,03 0,97
O meu companheiro (a) pede-me que tenha atos sexuais de que não gosto F 16,6 1,3 16,8 1,8 -1,02 0,30 16,6 1,3 16,7 0,6 -0,09 0,92
M 16,8 1,4 16,5 1,3 0,72 0,47 16,7 1,4 16,6 1,1 0,43 0,66
Tentativa de contato físico com conotação sexual F 16,6 1,3 16,4 1,4 0,8 0,42 16,6 1,3 16,7 1,4 -0,23 0,81
M 16,8 1,4 16,6 1,8 0,36 0,71 16,7 1,4 16,8 1,6 -0,12 0,89

Tabela 4 Comportamentos de vitimização e de perpetração relacionados ao tempo de namoro dos jovens e por sexo 

Comportamentos por Sexo Vitimização/Tempo de Namoro Perpetração/Tempo de Namoro
Não tem esse comportamento Tem esse comportamento Não tem esse comportamento Tem esse comportamento
Média DP Média DP t p Média DP Média DP t p
Comportamentos de chantagens F 12,0 11,9 14,5 13,9 -2,21 ,02 12,1 12,2 15,5 12,8 -2,64 ,00
M 10,0 11,1 10,4 9,4 -,29 ,76 9,7 10,7 13,5 11,3 -2,41 ,01
Comentários negativos sobre a tua aparência F 12,1 11,9 14,9 14,6 -2,23 ,02 12,2 12,1 16,2 14,0 -2,48 ,01
M 9,6 9,62 14,1 17,1 -2,87 ,00 9,7 9,6 13,6 17,5 -2,48 ,01
Posturas e gestos de ameaça F 12,2 12,0 15,6 14,9 -2,23 ,02 12,1 11,8 22,4 20,0 -4,63 ,00
M 9,8 10,5 13,0 14,4 -1,65 ,09 9,7 9,9 19,2 22,5 -3,84 ,00
Perseguir na escola F 12,5 12,3 16,6 16,9 -,99 ,32 12,5 12,3 16,6 16,9 -,993 ,32
M 9,8 9,5 16,2 24,3 -2,83 ,00 9,8 9,5 16,2 24,3 -2,83 ,00
Invasão da privacidade F 12,7 12,5 11,6 11,6 ,95 ,34 12,1 12,0 15,4 13,9 -2,58 ,01
M 9,1 9,6 13,8 11,0 -3,83 ,00 9,5 9,9 14,5 15,6 -3,27 ,00
Julgar, corrigir e criticar F 11,5 11,2 14,0 13,8 -2,72 ,00 11,2 11,1 15,0 14,1 -4,17 ,00
M 9,41 10,4 11,2 11,4 -1,79 ,07 9,2 10,1 11,7 12,0 -2,33 ,02
Puxar os cabelos com força F 12,4 12,3 13,3 8,7 -,26 ,79 12,4 12,3 20,3 13,6 -1,90 ,05
M 10,0 10,5 12,4 16,2 -1,04 ,29 9,7 9,5 19,0 25,4 -3,83 ,00
Dar uma bofetada F 12,4 12,3 13,5 11,8 -,53 ,59 12,2 12,1 15,2 13,9 -2,08 ,03
M 9,6 9,3 14,2 18,3 -2,92 ,00 9,7 9,5 16,3 22,2 -3,17 ,00
Apertar o pescoço F 12,4 12,3 14,5 10,2 -,67 ,49 12,5 12,3 28,5 10,6 -1,82 ,06
M 9,9 10,0 14,7 27,2 -1,56 ,11 9,8 9,6 23,2 30,0 -4,45 ,00
Atirar com objectos à outra pessoa F 12,3 12,2 15,1 12,1 -,97 ,32 12,3 11,9 27,6 23,1 -4,48 ,00
M 9,7 9,5 16,2 21,8 -3,17 ,00 9,9 10,1 16,1 22,7 -2,37 ,01
Dar pontapés ou cabeçadas F 12,4 12,3 16,2 14,1 -,95 ,34 12,5 12,3 11,7 10,6 ,18 ,85
M 9,8 10,0 17,6 26,4 -2,58 ,01 9,8 9,6 23,5 32,6 -4,17 ,00
Dar empurrões violentos F 12,4 12,4 12,9 11,0 -,22 ,81 12,5 12,4 12,2 8,9 ,10 ,92
M 9,7 9,5 18,2 25,0 -3,53 ,00 9,9 10,2 15,5 24,1 -1,93 ,05
Impedir o contato com outras pessoas F 12,2 11,8 13,5 13,9 -1,13 ,25 12,0 11,9 16,7 14,7 -3,22 ,00
M 10,0 10,3 10,5 14,1 -,314 ,75 9,6 9,7 15,6 18,6 -3,40 ,00
Gritar ou ameaçar para meter medo F 12,3 12,1 14,2 13,9 -1,30 ,19 12,2 11,8 20,4 19,0 -3,86 ,00
M 10,0 10,5 12,0 16,4 -,80 ,42 9,8 9,6 20,4 28,7 -3,74 ,00
Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou "ferir" F 12,6 12,4 11,4 10,8 ,75 ,45 12,5 12,4 13,1 11,8 -,25 ,79
M 9,7 9,6 14,5 22,8 -2,17 ,03 9,7 9,5 19,2 24,8 ,06 ,00
Forçar a manter atos sexuais contra a tua vontade F 12,6 12,4 9,6 9,9 1,28 ,20 12,5 12,3 18,8 11,1 -1,13 ,25
M 9,9 10,4 10,3 10,7 -,11 ,91 9,9 10,1 21,8 32,7 -3,08 ,00
O meu companheiro pede-me que tenha atos sexuais de que não Gosto F 12,6 12,4 8,4 9,2 1,86 ,06 12,5 12,3 18,3 15,3 -,81 ,41
M 9,6 9,5 24,6 30,1 -5,00 ,00 9,7 9,6 19,8 26,5 -3,87 ,00
Tentativa de contato físico com conotação sexual F 12,7 12,4 9,2 10,4 1,81 ,06 12,5 12,3 15,2 13,4 -,84 ,39
M 10,1 10,8 9,7 12,5 ,18 ,85 9,8 9,9 13,8 19,9 -1,93 ,05

Relativamente às diferenças entre os comportamentos de vitimização por sexo dos pesquisados (Tabela 3), verifica-se que, em 18 dos comportamentos, apenas cinco apresentam diferenças significativas relativas à idade, no caso do sexo feminino: "Comportamentos de chantagens" (p < 0,001); "Comentários negativos sobre a tua aparência" (p < 0,005); "Julgar, corrigir e criticar" (p < 0,001); "Impedir o contato com outras pessoas" (p < 0,02); "Gritar ou ameaçar para meter medo" (p < 0,007) e em dois no sexo masculino: "Invasão da privacidade" (p < 0,017); "Julgar, corrigir e criticar" (p < 0,008). É necessário referir que em todos esses comportamentos estão mais presentes nos adolescentes mais velhos.

Relativamente às diferenças entre os comportamentos de perpetração por sexo dos pesquisados, verifica-se que, em 18 dos comportamentos, apenas seis apresentam diferenças significativas consoantes à idade, no caso do sexo feminino: "Comportamentos de chantagens" (p < 0,001); "Comentários negativos sobre a tua aparência" (p < 0,001); "Julgar, corrigir e criticar" (p < 0,001); "Impedir o contato com outras pessoas" (p < 0,02); "Atirar objetos em outra pessoa" (p < 0,042) "Gritar ou ameaçar para meter medo" (p < 0,003) e apenas uma no sexo masculino "Julgar, corrigir e criticar" (p < 0,001). É necessário referir que em todos esses comportamentos estão mais presentes nos adolescentes mais velhos.

Relativamente às diferenças entre os comportamentos de vitimização por sexo dos inquiridos de acordo com o tempo de namoro (Tabela 4), verifica-se que, em 18 dos comportamentos, apenas quatro apresentam diferenças significativas para o sexo feminino, e em nove para o sexo masculino. Os adolescentess do sexo feminino que namoram há mais tempo referem os comportamentos de vitimização: "Comportamentos de chantagem"; "Comentários negativos sobre a tua aparência"; "Postura e gestos de ameaça" e "Julgar, corrigir e criticar".

Os adolescentes do sexo masculino que namoram há mais tempo referem nove comportamentos de vitimização: "Comentários negativos sobre a tua aparência"; "Perseguir na escola"; "Invasão da privacidade"; "Dar uma bofetada"; "Atirar objetos em outra pessoa"; "Dar pontapés ou cabeçadas"; "Dar empurrões violentos"; "Insultar, difamar ou fazer afirmações graves para humilhar ou ferir" e "O meu companheiro(a) pede-me que tenha atos sexuais de que não gosto".

Relativamente às diferenças entre os comportamentos de perpetração por sexo dos inquiridos, verifica-se que, em 18 dos comportamentos, apenas nove apresentam diferenças significativas relativas ao tempo de namoro, no caso do sexo feminino, e em 17 no caso do sexo masculino. É preciso salientar que os comportamentos assinalados estão presentes nos adolescentes com mais tempo de namoro (meses).

Resultados da regressão e diferença de correlação para o percentual que foi vítima ou perpetrador de violência no namoro, segundo o tempo de namoro e a idade por sexo dos adolescentes.

Na Tabela 5, observa-se que, à medida que a idade e o tempo de namoro aumentam, aumenta também o percentual de comportamentos de vitimização e de perpetração para o sexo feminino. Relativamente ao sexo masculino, constata-se que o aumento do tempo de namoro faz aumentar o percentual de comportamentos de perpetração.

Tabela 5 Coeficiente de correlação às variáveis comportamentos de vitimização e de perpetração de acordo com o tempo de namoro, idade e sexo dos adolescentes 

Feminino Masculino
Idade Tempo namoro Idade Tempo namoro
r p r p r p r p
Número comportamentos de vitimização (entre 0 a 18) ,104** ,004* ,040 ,267 ,035 ,471 ,051 ,288
Número de comportamentos de perpetração (entre 0 a 18) ,125** ,001* ,188** ,000* ,027 ,582 ,282** ,000*

*Correlação significativa ao nível de p < 0,01;

**Correlação linear de Pearson (r).

DISCUSSÃO

Os resultados do estudo demonstraram um cenário da violência no namoro em adolescentes, com prevalência de 5,9% do total dos pesquisados. Na literatura, encontram-se taxas de prevalência expressivas e diversificadas mundialmente, como é observado em vários estudos15-17, podendo ser justificada pelo o uso de diferentes concepções de violência refletidas nos instrumentos utilizados e também com diferentes definições de amostra e estratégias metodológicas de análise.

Ambos os sexos relataram uso de violência física tais como: "Puxar os cabelos com força"; "Dar uma bofetada"; "Apertar o pescoço"; "Atirar objetos em outra pessoa"; "Dar pontapés e cabeçada" e "Dar empurrões violentos". A simetria da violência entre namorados, ou seja, igualdade em relação ao exercício da violência no namoro, que pode ser exercida tanto pelo sexo masculino quanto pelo sexo feminino, é observada em muitos estudos18,19. Segundo alguns autores violência praticada nas relações afetivo-amorosas dos adolescentes apresenta padrões nos quais os parceiros se agridem mutuamente, tanto física como psicologicamente, revelando que, para romper com essa dinâmica relacional, é necessário intervir no casal, e não somente no adolescente do sexo masculino ou somente na adolescente do sexo feminino17. Em uma ivestigação envolveu 15214 estudantes americanos de 158 escolas do ensino médio, verificaram que 8,9% experienciaram violência no namoro, sendo que 8,9% eram do sexo masculino e 8,7% do feminino16, tais resultados, chama à atenção para a similaridade desse fenômeno entre os sexos.

No presente estudo observa-se que, na violência psicológica, o sexo masculino é o maior perpetrador, principalmente, nos comportamentos controladores, como: "Impedir o contato com outras pessoas"; "Perseguir na escola" e "Gritar ou ameaçar para meter medo". Na dimensão da violência psicológica, estudos tem demonstrado diferença significativa entre os sexos para a violência relacional, com os meninos apresentando mais altos índices, tanto de perpetração como de vitimização17.

Em relação à violência sexual, o sexo masculino aparece como maior vítima (18,3%% x 6,6%) nos comportamentos: "O meu companheiro (a) pede-me que tenha atos sexuais de que não gosto"; "Forçar a manter atos sexuais contra a tua vontade" e "Tentativa de contato físico com conotação sexual". Nesses mesmos comportamentos, o sexo feminino aparece com maior percentual de ser perpetrador (6,8% x1,9%). Em um estudo semelhante, foi encontraram que ambos os sexos relataram altas taxas de ser tocado sexualmente, quando eles não querem (23,1% feminino x 20,8% masculino)19. As meninas relataram menores taxas de abuso sexual perpetrado especialmente em relação ao forçar seu parceiro a ter sexo (1,9% das meninas contra 12,2% dos meninos). A adolescência é uma idade de exploração, durante a qual a maioria dos adolescentes começa a namorar e a explorar sua sexualidade, para muitos adolescentes, no entanto, as primeiras experiências românticas envolvem coerção sexual20.

Uma pesquisa para investigar comportamento de risco juvenil revelou recentemente que 7,4% dos adolescentes relataram ter sido forçado a ter relações sexuais21, em outra pesquisa do Centers for Disease Control and Prevention constatou-se que cerca de 10% dos estudantes do ensino médio expuseram vitimização sexual de um parceiro de namoro, nos 12 meses antes de serem pesquisados22.

Na correlação da violência com a idade do adolescente e tempo de namoro, observou-se que, à medida que a idade e o tempo de namoro aumentam, aumenta também o número de comportamentos de vitimização e de perpetração para o sexo feminino. Relativamente ao sexo masculino, apenas o aumento do tempo de namoro faz aumentar o percentual de comportamentos de perpetração, corroborando com um estudo sobre ocorrência de violência física e psicológica entre adolescentes namorados, no qual encontraram que a duração do relacionamento de namoro mostrou uma associação significativa com violência psicológica, com aumento de chances de 5,81% em relacionamentos de namoro com duração maior que um ano15.

Pesquisas anteriores mostraram claramente que a violência no namoro tem consequências negativas para a saúde física e emocional dos adolescentes e é um fator de risco para a violência em relacionamentos adulto23,24. Levar em consideração essa dinâmica em que, muitas vezes, há uma mistura de amor e violência, ainda nessa fase da vida, significa prevenir futuras violências entre os parceiros na fase adulta, quando são estabelecidos padrões de relacionamento aprendidos anteriormente e com possíveis graves consequências para o casal e os filhos17. Mais estudos são necessários para determinar se esses resultados são semelhantes ou diferentes para os adolescentes de outras faixas etárias. Este estudo também é limitado pelo fato de que não foi examinado a frequência, gravidade ou danos efetuados a partir dos incidentes da violência no namoro.

CONCLUSÃO

A prevalência do evento foi baixa em comparação com outros estudos. Na correlação do tempo de namoro com a violência sofrita e perpetrada de acordo com o sexo, observou-se que à medida que o tempo aumenta, aumenta a perpetração e vitimização para o sexo feminino, para o sexo masculino aumenta apenas a condição de ser perpetrador. Observou-se que o desenvolvimento padrão de vitimização da violência no namoro pode ser diferente para os dois sexos, mesmo havendo em alguns aspectos a similaridade entre os sexos, indicando, portanto, que mais pesquisas são necessárias para entender que fatores influenciam as diferenças e similaridades desse evento, de modo que as abordagens de intervenção possam ser mais bem adaptadas para prevenir a vitimização da violência no namoro entre adolescentes.

REFERÊNCIAS

1 Araujo LM. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Cienc. saude colet [online]. 2012 set; [citado out 2014]: 17(9): [aprox.2 telas]. Disponível: . .
2 Minayo MC, Assis S, Njaine K. Amor e Violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011.
3 Caridade S, Machado C. Violência na intimidade juvenil: Da vitimação à perpetração. Aná. Psicológica [online]. 2006 set/dez, [citado out 2014]: 24(4): [aprox.8 telas]. Disponível em: .
4 Leitão MN, Fernandes MID, Fabião JSAO, Sá MCGMA, Veríssimo CMF, Dixe MACR. Prevenir A Violência No Namoro - N(Amor)O (Im)Perfeito - Fazer Diferente Para Fazer A Diferença (O)Usar & Ser Laço Branco (2013) Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Plano de Actividades. Coimbra: 2013, 147p.
5 Saavedra R, Machado C. Violência nas relações de namoro entre adolescentes: Avaliação do impacto de um programa de sensibilização e informação em contexto escolar. Aná. Psicológica [online]. 2012 jan/abr [citado out 2014]: 30(1-2):[aprox.21 telas]. Disponível: .
6 Saavedra R, Martins C, Machado C. Relacionamentos íntimos juvenis: Programa para a prevenção da violência. Psicologia [online]. 2013 jan/jun; [citado out 2014]: 27(1) [aprox.17 telas]. <Disponível em: >. ISSN 0874-2049.
7 Ministério da Saúde (BR). Saúde do Adolescente: competências e habilidades. 1ª ed. Brasília: DF; 2008.
8 Eisenstein E. Adolescência: definições, conceito e critérios. Adolesc. Saude. 2005;2(2):6-7.
9 Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violência nas Relações Afetivos-Sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K. Amor e Violênciaum paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011.
10 Smith PH, White JW, Holland LJ. A longitudinal perspective on dating violence among adolescent and college-age women. Journal of American Public Health Association [on line]. 2003 mai; [citado 14 dez 2014]: 39(5): [aprox.5 telas]. Disponível em: /93:1104 - 1109.10.2105/AJPH.93.7.1104
11 World report on violence and health. Geneva, Switzerland: World Health Organization. 2002, [citado dez 2014]. [aprox. 34 telas] Disponível em:
12 Leitão, MNC. Violência nas Relações de Intimidade. In Leitão et al (2013). Prevenir a Violência no Namoro - N(Amor)O (Im)Perfeito - Fazer Diferente para Fazer a Diferença (O)Usar & Ser Laço Branco (2013) Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Plano de Actividades. Coimbra: 2013, p.25-42.
13 Stckl H, March L, Pallitto C, Garcia-Moreno C. WHO Multicountry Study team Intimate partner violence among adolescentes and young women: prevalence and associated factors in nine countries: a cross-sectional study. BMC Public Health, [on line] 2014 25 jul; [citado dez 2014] 14. [aprox.8 telas]. Disponível em: ISSN 1471-2458
14 Pestana, M, Gageiro J. Análise de dados para Ciências Sociais A complementariedade do SPSS. 5ª ed. Lisboa: Edições Sílabo; 2008.
15 Barreira AK, Lima MLC, Avanci JQ. Coocorrência de violência física e psicológica entre adolescentes namorados do Recife, Brasil: prevalência e fatores associados. Cienc. saude colet. [on line]. 2013 jan; [citado 2014 June 01]; 18(1):[aprox. 10 telas]. Dispinível em: . .
16 Basile KC, Black MC, Simon TR, Arias I, Brener ND, Saltzman LE. The association between self-reported lifetime history of forcedsexual intercourse and recent health-risk behaviors findings from the 2003 National Youth Risk Behavior Survey. Journal Adolescence Health [on line]. 2006 [citado 14 dez 2014]: 39(5); [aprox.10 telas]. Disponível em:
17 Barreira AK, de Lima MLC, Bigras M, Njaine K, Assis SG. Direcionalidade da violência física e psicológica no namoro entre adolescentes do Recife, Brasil. Rev. Bras. Epidemiol [online]. 2014 jan/mar; [citado 14 dez 2014]: 17(1):[aprox.11 telas]. Disponível em: ISSN 1415-790X.
18 Medeiros RA, Straus MA. Risk factors for physical violence between dating partners: Implications for gender-inclusive prevention and treatment of family violence. In Hamel JC, Nicholls T. (Eds.), Family approaches to domestic violence: a practioner's guide to genderinclusive research and treatment [on line] 2006; [citado 04 dez 2014]; [aprox.28 telas]. Disponível em: .
19 Schiff M, Zeira AT. Dating violence and sexual risk behaviors in a sample of at-risk Israeli youth. Child Abuse & Neglect [on line] 2005 nov; [citado 14 dez 2014]; 29(11):[aprox.13 telas]. Disponível em:
20 Young BJ. Changes in Adolescents' Risk Factors Following Peer Sexual Coercion: Evidence for a Feedback Loop. Rev Psychopathol [on line]. 2012 mai; [citado 2014 dez 14] 24(2): [aprox.12 telas]. Disponível em: doi:10.1017/S0954579412000168.
21 Eaton DK, Kann L, Kinchen S, Shanklin S, Ross J, Hawkins J, et al. Youth Risk Behavior Surveillance-United States 2009. Morbidity and Mortality Weekly Report,[on line] 2010. [citado 2014 dez 14] [aproxi. 142 telas]. Disponível em:
22 Centers for Disease Control and Prevention. Youth Risk Behavior Surveillance - United States 2013. Surveillance Summaries [on line] 2014 june; [citado 2014 dez 14] 151(5), [aproxi. 168 telas]. Disponível em:
23 Ackard DM, Eisenberg ME, Neumark-Sztainer D. Long-term impact of adolescent dating violence on the behavioral and psychological health of male and female youth. The Journal of Pediatrics [on line] 2007 set/out; [citado 2014 dez 14] 151(5), [aproxi. 6 telas]. Disponível em: doi:10.1016/j.jpeds.
24 Banyard VL, Cross C. Consequences of teen dating violence: Understanding intervening variables in ecological context. Rev. Violence Against Women [on line]. 2008. [citado 2014 dez 14] 14(9): [aproxi. 15 telas]. Disponível em: .
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.