Prevalência e fatores associados à incontinência urinária em idosos não institucionalizados

Prevalência e fatores associados à incontinência urinária em idosos não institucionalizados

Autores:

Jair Almeida Carneiro,
Gizele Carmem Fagundes Ramos,
Ana Teresa Fernandes Barbosa,
Sarah Magalhães Medeiros,
Cássio de Almeida Lima,
Fernanda Marques da Costa,
Antônio Prates Caldeira

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.25 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2017 Epub 09-Out-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201700030295

Abstract

Introduction

Urinary incontinence is one of the most important geriatric syndromes. However, in clinical practice it seems to be neglected and there are no studies in the North of Minas Gerais. The aim was to identify the prevalence of urinary incontinence and associated factors for each sex among non-institutionalized elderly.

Methods

A population-based cross-sectional survey conducted in Montes Claros, Minas Gerais. The information was analyzed with the program Statistical Package for the Social Sciences, version 17.0, with descriptive analysis and, subsequently, bivariate analysis and multiple analysis through logistic regression.

Results

A prevalence of 23.2% was found among elderly men and 31.1% among elderly women. They were associated with urinary incontinence in the elderly: walk with assistance, report of fall in the last year, fragility. Among the elderly women, the associated factors were: negative self-perception of health, arthritis/arthrosis/rheumatism, fragility.

Conclusion

There was a high prevalence of urinary incontinence in the elderly of both sexes. Individual health conditions factors were associated with the occurrence in each sex, evidencing the need for effective assistance that recognizes such specificities.

Keywords: aged; health of the elderly; urinary incontinence; prevalence

INTRODUÇÃO

A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina que pode ocorrer associada ou não a esforços1. Entre os fatores ligados ao seu aparecimento, muitos não se relacionam diretamente ao trato geniturinário, mas aos efeitos cumulativos de prejuízos em vários órgãos e sistemas2,3. O registro de cirurgias ou deformidades pélvicas, multiparidade e hipoestrogenismo interferem negativamente na função esfincteriana da bexiga e tornam a condição mais frequente em mulheres idosas3. A IU é considerada uma das mais importantes síndromes geriátricas, também acomete os homens idosos e se apresenta como uma condição multifatorial1-3.

Na prática clínica, a ocorrência da IU parece ser constantemente negligenciada e, ainda, é bastante estigmatizada3,4. Comumente, portadores de IU sentem-se constrangidos pelo medo do odor, de parecer sujos e, nos homens, de ser vistos como impotentes4. Nesse contexto, perpetua-se um impacto negativo na qualidade de vida do paciente idoso, para quem a IU representa um importante problema higiênico e social. A respeito dessas repercussões negativas, um estudo evidenciou que a presença de IU está associada à menor satisfação com a vida entre idosos não institucionalizados5.

Cabe ressaltar que os impactos da IU não se restrigem à esfera individual, mas também estão relacionados à maior sobrecarga dos cuidadores6. Salienta-se que a IU é erroneamente vista como um processo natural do envelhecimento3,6. Todavia, pode ser evitada, postergada e, até mesmo, tratada. Assim, recomenda-se uma abordagem multiprofissional para a prevenção, avaliação e tratamento, com vistas à redução da prevalência e aos benefícios para os indivíduos e suas famílias6.

O profissional de saúde desempenha um papel fundamental no reconhecimento precoce da IU. A relação bem estabelecida com os idosos pode favorecer a identificação do tipo de incontinência e o tratamento imediato. Torna-se necessário investir em estratégias para o autocuidado, promover a prática regular de atividades físicas que melhorem a capacidade funcional dos idosos e verificar os efeitos farmacológicos dos medicamentos. Por sua vez, familiares e cuidadores podem colaborar nessa situação: devem estar atentos aos sinais de perda urinária e otimizar a mobilidade dos idosos ao banheiro7.

Quanto às evidências sobre o assunto, pesquisa realizada nos Estados Unidos com idosos não institucionalizados com idade superior a 65 anos revelou a presença de perda urinária em mais da metade das mulheres e em mais de um quarto dos homens2. No Brasil, estudos acerca da prevalência da IU nesse grupo ainda são escassos7-9. Não existem pesquisas sobre o tema para essa população na região norte do Estado de Minas Gerais – cenário do atual trabalho, onde se desconhecem a prevalência real e os fatores associados.

Como parece haver fatores associados à IU que são específicos para cada sexo10, conhecê-los é relevante para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e de tratamento mais direcionadas e, consequentemente, mais bem-sucedidas. Logo, é indubitável a necessidade de investigações sobre o assunto, pois apresentam consideráveis implicações para as políticas públicas e assistência em saúde quanto à prevenção, ao tratamento precoce e à redução das consequências da IU para a população idosa. O conhecimento dos fatores associados é essencial para o melhor entendimento desse problema de saúde pública, principalmente pelo fato de a IU ser sub-relatada, pela falta de esclarecimento sobre a existência de tratamento e por ser encarada como parte do processo natural do envelhecimento7.

Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo identificar a prevalência da IU e os fatores associados para cada sexo entre idosos não institucionalizados.

METODOLOGIA

Este estudo é parte de uma análise das condições de saúde de idosos não institucionalizados residentes no norte de Minas Gerais. Foi conduzido no município de Montes Claros, principal polo urbano da região. Trata-se de uma pesquisa transversal, de base populacional, com dados coletados entre maio e julho de 2013 por meio de visitas domiciliares.

O processo de amostragem foi probabilístico, por conglomerados e em dois estágios. No primeiro estágio, utilizou-se como unidade amostral o setor censitário e foram selecionados aleatoriamente 42 setores censitários, entre os 362 setores urbanos do município. No segundo estágio, definiu-se o número de domicílios de acordo com a densidade populacional de indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos. Nessa etapa, os setores com maior número de idosos tiveram mais domicílios alocados, de forma a produzir uma amostra mais representativa. Para definição do domicílio a ser investigado, o setor sorteado era percorrido a partir de seu ponto inicial, de forma a visitar os domicílios de forma alternada. No domicílio visitado, caso houvesse idoso, este era convidado a participar do estudo; caso não houvesse, era selecionado o próximo domicílio, seguindo o critério de domicílios alternados. Se no domicílio residisse mais de um idoso, era selecionado o de maior idade.

O número total de idosos alocados para o estudo considerou: prevalência conservadora de 50% para o evento estudado (IU), população estimada de 30.790 idosos (segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010), margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%. Como se trata de uma amostragem por conglomerados, o número identificado foi multiplicado por um fator de correção (deff) de 1,5 e acrescido de 15% para eventuais perdas. O número mínimo de indivíduos para o estudo, definido pelo cálculo amostral, foi de 656.

Os critérios de inclusão foram: ter idade igual ou superior a 60 anos e ser residente na área selecionada. Foram excluídos os idosos com incapacidade cognitiva, segundo a avaliação da família, com déficit auditivo não corrigido que impedia o entendimento das perguntas e aqueles gravemente enfermos e acamados. Foram considerados como perdas os idosos não disponíveis em pelo menos três visitas, em dias e horários diferentes, mesmo com agendamento prévio.

A coleta de dados foi realizada no domicílio do idoso por entrevistadoras, com formação profissional de nível superior, previamente capacitadas e calibradas, que percorreram os setores censitários a partir de um ponto previamente definido, por sorteio, em cada setor censitário. O instrumento foi elaborado com base no utilizado no inquérito telefônico “Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas” (Vigitel), do Ministério da Saúde11. Foi previamente testado em estudo-piloto em um setor censitário especialmente sorteado, porém os dados não foram incluídos no trabalho final.

A variável dependente avaliada neste trabalho foi a presença de IU autorreferida, identificada por meio de resposta positiva à seguinte pergunta: “Você tem problema de perder o controle da urina sem querer ou de segurar urina?”.

As variáveis independentes estudadas para ambos os sexos foram:

  • Sociodemográficas: idade; cor da pele autorreferida; situação conjugal; arranjo familiar (condição de residir sozinho ou com outras pessoas); renda familiar; escolaridade (anos de estudo);

  • Relativas à saúde: ocorrência de queda no último ano; medo de cair; andar com ou sem auxílio; presença de morbidades crônicas autorreferidas (hipertensão, diabetes mellitus, artrite/artrose/reumatismo e osteoporose); autopercepção do estado de saúde; fragilidade; sintomas depressivos.

Para mensurar a fragilidade, aplicou-se a Escala de Fragilidade de Edmonton (EFE), adaptada culturalmente e validada para a língua portuguesa12. Trata-se de um instrumento que avalia nove domínios: cognição, estado de saúde, independência funcional, suporte social, uso de medicação, nutrição, humor, continência urinária e desempenho funcional, distribuídos em 11 itens com pontuação de 0 a 17. A pontuação da EFE pode variar entre: 0-4, que indica que não há presença de fragilidade; 5-6, aparentemente vulnerável para fragilidade; 7-8, fragilidade leve; 9-10, fragilidade moderada; e 11 ou mais, fragilidade severa13. No presente estudo, para a análise dos dados, os resultados da variável foram dicotomizados em dois níveis: não frágil (escore final ≤6) e vulnerável/frágil (escore >6).

Averiguaram-se os sintomas depressivos por meio da Escala Geriátrica de Depressão, que possui 15 questões14. Tal instrumento também já foi validado nacionalmente e é composto por perguntas negativas/afirmativas. O resultado de seis ou mais pontos indica sintomatologia depressiva. Dessa forma, o ponto de corte adotado neste trabalho foi 5/6 (não/sim – equivalente à não caso/caso)14,15.

As informações coletadas foram analisadas no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 17.0 (SPSS for Windows, Chicago, EUA). Inicialmente, foi realizada análise descritiva dos dados. Por intermédio da análise bivariada, investigou-se a existência de associação estatística entre a variável dependente (IU) e as demais variáveis, utilizando-se o Teste do Qui-quadrado de Pearson. Por meio da análise bivariada, selecionaram-se as variáveis associadas a p<0,20, que foram consideradas elegíveis para a análise múltipla. Para a análise múltipla, foi adotada a regressão logística, na qual todas as variáveis elegíveis (p<0,20) foram incluídas ao mesmo tempo e, posteriormente, foram retiradas uma a uma conforme os valores de p, sempre retirando aquela de valor p mais alto (Backward Wald). No modelo final, foram mantidas as variáveis que apresentaram associação com IU até um nível de significância de 5% (p<0,05).

O projeto desta pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros e aprovado mediante o parecer do processo de nº 173397. Todos os participantes foram orientados sobre a pesquisa e apresentaram sua anuência, por meio da assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Quando o idoso não podia assinar, alguém da família assinava o termo, consentindo a entrevista para a coleta de dados.

RESULTADOS

A amostra de idosos do estudo foi de 686 indivíduos, dos quais 445 (64,9%) eram do sexo feminino. A idade predominante para ambos os gêneros foi de 60 a 69 anos, com média de 70,9 anos (DP±8,08), e a cor da pele autorreferida mais citada foi a parda. Os homens, em sua maioria, afirmaram ser casados, enquanto as mulheres, viúvas. Prevaleceu, para ambos os gêneros, a escolaridade entre um e quatro anos. Essas e outras características sociodemográficas são apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Características sociodemográficas de idosos não institucionalizados, em Montes Claros/MG, 2013 

Variável Homens Mulheres
n (%) n (%)
Idade
60 a 69 anos 118 49,0 223 50,1
70 a 79 anos 87 36,1 152 34,2
Mais de 80 anos 36 14,9 70 15,7
Cor da pele
Parda 137 56,8 255 57,3
Preta 23 9,5 42 9,4
Branca 76 31,5 139 31,2
Amarela 5 2,1 9 2,0
Situação conjugal
Solteiro 14 5,8 32 7,2
Casado 173 71,8 161 36,2
União estável 8 3,3 10 2,2
Divorciado/separado 17 7,1 37 8,3
Viúvo 29 12,0 205 46,1
Escolaridade
Não estudou 65 27,0 114 25,6
1-4 anos 116 48,1 227 51,0
>4 anos 60 24,9 104 23,4
Arranjo familiar
Mora sozinho 28 11,6 54 12,1
Mora somente com o cônjuge 63 26,1 56 12,6
Mora com outros familiares 149 61,8 332 74,6
Mora com não familiares 1 0,4 3 0,6
Renda familiar*
≤1 salário minímo 59 25,1 137 31,9
1,1-2,0 salários mínimos 83 35,3 149 34,7
>2,0 salários mínimos 93 39,6 144 33,5

*Limite superior à renda familiar de R$ 2.300,00, considerando o salário base à época de R$678,00 (equivale a 3,4 salários mínimos)

As principais características do grupo estudado em relação às condições de saúde são mostradas na Tabela 2. A prevalência global de IU foi de 28,3%. Entre os homens idosos, identificou-se a prevalência de 23,2%, e entre as mulheres idosas, 31,1%. Elas também tiveram maiores frequências para todos os problemas de saúde avaliados.

Tabela 2 Características relacionadas à saúde de idosos não institucionalizados, em Montes Claros/MG, 2013 

Variável Homens Mulheres
n (%) n (%)
Sintomas depressivos
Sim 64 26,6 137 30,8
Não 177 73,4 308 69,2
Queda no último ano
Sim 50 20,7 144 32,5
Não 191 79,3 299 67,5
Medo de cair
Sim 143 59,3 347 78,3
Não 98 40,7 96 21,7
Anda com auxílio
Sim 23 9,6 36 8,1
Não 217 90,4 407 91,8
Autopercepção do estado de saúde
Muito bom/bom 106 44,0 185 41,6
Regular 108 44,8 194 43,6
Ruim/muito ruim 27 11,2 64 14,4
Fragilidade
Sem fragilidade 124 51,5 167 37,5
Aparentemente vulnerável 50 20,7 102 22,9
Fragilidade leve 38 15,8 97 21,8
Fragilidade moderada 17 7,1 46 10,3
Fragilidade severa 12 5,0 33 7,4
Problemas de saúde
Hipertensão arterial sistêmica 164 68,0 322 72,4
Diabetes 49 20,3 104 23,4
Artrite/artrose/reumatismo 48 19,9 193 43,4
Osteoporose 23 9,5 148 33,3
Incontinência urinária 56 23,2 138 31,0

As Tabelas 3 e 4 apresentam os resultados das análises bivariadas que buscaram associação entre características sociodemográficas, condições de saúde e presença de IU para homens e mulheres, respectivamente.

Tabela 3 Associação entre variáveis sociodemográficas relacionadas à saúde e incontinência urinária para homens idosos, em Montes Claros/MG, 2013 

Variável Com IU Sem IU p-valor OR (IC95%)/Bruta
n (%) n (%)
Idade 0,120*
≥80 anos 12 21,4 24 13,0 1,83 (0,85-3,95)
<80 anos 44 78,6 161 87,0 1
Cor da pele 0,273
Branca 21 37,5 55 29,7 1,42 (0,76-2,65)
Outras 35 62,5 130 70,3
Situação conjugal 0,033*
Solteiro/divorciado 20 35,7 40 21,6 2,01 (0,05-3,85)
Casado/união estável 36 64,3 145 78,4
Escolaridade 0,299
0-4 anos 45 80,4 136 73,5 1,47 (0,71-3,08)
>4 anos 11 19,6 49 26,5
Arranjo familiar 0,032*
Mora só 11 19,6 17 9,2 2,42 (1,06-5,52)
Mora com familiar 45 80,4 168 90,8
Renda familiar 0,091*
Até 2 salários mínimos 38 67,9 102 55,1 1,72 (0,91-3,23)
>2 salários mínimos 18 32,1 83 44,9
Anda com auxílio <0,001*
Não 15 78,9 9 21,1 7,15 (2,93-17,48)
Sim 41 18,9 176 81,1
Autopercepção do estado de saúde 0,265
Negativa 35 62,5 100 54,1 1,42 (0,77-2,62)
Positiva 21 37,5 85 45,9
Quedas no último ano <0,001*
Sim 22 39,3 28 15,2 3,60 (1,84-7,05)
Não 34 60,7 156 84,8
Medo de cair 0,035*
Sim 40 71,4 103 55,7 1,99 (1,04-3,81)
Não 16 28,6 82 44,3
Hipertenso 0,054*
Sim 44 78,6 120 64,9 1,99 (0,98-4,02)
Não 12 21,4 65 35,1
Osteoporose 0,348
Sim 7 13,2 16 8,8 1,57 (0,61-4,04)
Não 46 86,8 165 91,2
Diabético 0,769
Sim 12 21,8 37 20,0 1,12 (0,54-2,33)
Não 43 78,2 148 80
Artrite/artrose/reumatismo 0,139*
Sim 15 31,2 33 68,8 1,69 (0,84-3,42)
Não 40 26,8 149 73,2
Fragilidade 0,000*
Vulnerável/frágil 46 82,1 71 38,4 5,13 (2,71-9,74)
Não frágil 10 17,9 114 61,6
Sintomas depressivos 0,034*
Sim 21 37,5 43 23,2 1,98 (1,05- 3,76)
Não 35 62,5 142 76,8

*Variáveis associadas a p<0,20 (elegíveis para a análise múltipla)

Tabela 4 Associação entre variáveis sociodemográficas relacionadas à saúde e incontinência urinária para mulheres idosas, em Montes Claros/MG, 2013 

Variável Com IU Sem IU p-valor OR (IC95%)/Bruta
n (%) n (%)
Idade 0,519
≥80 anos 24 17,4 46 15,0 1,19 (0,69-2,05)
<80 anos 114 82,6 260 85,0
Cor da pele 0,364
Branca 39 28,3 100 32,7 0,81 (0,52-1,26)
Outras 99 71,7 206 67,3
Situação conjugal 0,091*
Solteira/divorciada 93 67,4 180 58,8 1,45 (0,95-2,21)
Casada/união estável 45 32,6 126 41,2
Escolaridade 0,586
0-4 anos 108 78,3 233 76,1 1,14 (0,71-1,85)
>4 anos 30 21,7 73 23,9
Arranjo familiar 0,004*
Mora só 26 18,8 28 9,2 2,31 (1,29-4,12)
Mora com familiar 112 81,2 278 90,8
Renda familiar 0,164*
Até 2 salários mínimos 94 68,1 188 61,4 1,34 (0,88-2,07)
>2 salários mínimos 44 31,9 118 38,6
Anda com auxílio 0,001*
Não 21 15,2 17 5,5 3,06 (1,56-6,01)
Sim 117 84,8 290 94,5
Autopercepção do estado de saúde 0,001*
Negativa 97 70,3 162 52,9 2,09 (1,36-3,21)
Positiva 41 29,7 144 47,1
Quedas no último ano 0,015*
Sim 56 40,6 88 28,9 1,68 (1,11-2,56)
Não 82 59,4 217 71,1
Medo de cair 0,008*
Sim 118 86,1 229 74,8 2,09 (1,21-3,62)
Não 19 13,9 77 25,2
Hipertensa 0,014*
Sim 111 80,4 211 69,2 1,83 (1,13-2,98)
Não 27 19,6 94 30,8
Osteoporose 0,085*
Sim 53 40,5 95 31,9 1,45 (0,95-2,22)
Não 78 59,5 203 68,1
Diabética 0,114*
Sim 39 28,3 65 21,8 1,44 (0,92-2,29)
Não 99 71,7 239 68,6
Artrite/artrose/reumatismo 0,001*
Sim 76 56,7 117 38,9 2,06 (1,36-3,11)
Não 58 43,3 184 61,1
Fragilidade <0,001*
Vulnerável/frágil 115 83,3 163 53,3 4,98 (3,23-7,66)
Não frágil 23 16,7 143 46,7
Sintomas depressivos 0,035*
Sim 52 37,6 85 27,7 1,58 (1,03-2,42)
Não 86 62,4 222 72,3

*Variáveis associadas a p<0,20 (elegíveis para a análise múltipla)

Após a análise múltipla, estiveram associadas à IU as variáveis que permaneceram significativas no modelo final (p≤0,05). Entre os homens foram: andar com auxílio (OR=2,97; IC95%=1,15-7,71; p=0,025), relato de queda no último ano (OR=2,10; IC95%=1,06-4,48; p=0,040) e fragilidade (OR=5,00; IC95%=2,26-11,11; p=0,001). Já entre as mulheres foram: autopercepção negativa do estado de saúde (OR=2,48; IC95%=1,29-4,66; p=0,006), relato de artrite/artrose/reumatismo (OR=1,62; IC95%=1,04-2,52; p=0,031) e fragilidade (OR=3,51; IC95%=2,05-6,02; p=<0,001) (Tabela 5).

Tabela 5 Fatores associados à incontinência urinária em idosos não institucionalizados (modelo final), em Montes Claros/MG, 2013 

Variáveis independentes OR/ajustada IC 95% p-valor
Homens
Anda com auxílio
Sim 2,97 1,15-7,71 0,025
Não 1
Queda no último ano
Sim 2,10 1,06-4,48 0,040
Não 1
Fragilidade
Vulnerável/frágil 5,00 2,26-11,11 0,001
Não frágil 1
Mulheres
Autopercepção do estado de saúde
Negativa 2,48 1,29-4,66 0,006
Positiva 1
Artrite/artrose/reumatismo
Sim 1,62 1,04-2,52 0,031
Não 1
Fragilidade
Vulnerável/frágil 3,51 2,05-6,02 0,001
Não frágil 1

DISCUSSÃO

Neste estudo, verificou-se alta prevalência de IU, global e especificamente, entre homens e mulheres. Na literatura, a prevalência de IU varia significativamente entre os diversos trabalhos, muito em virtude das características da amostragem utilizada e da abordagem metodológica. Em estudos internacionais, variou de 6,516 a 41%17 entre as mulheres idosas não institucionalizadas e de 4,618 a 27% entre os homens idosos17. Considerando estudos mais recentes realizados no Brasil, a prevalência de IU variou de 12,619 a 57,4%20 entre as mulheres idosas e de 9,219 a 18,3% entre os homens idosos não institucionalizados21. Em outra investigação, 29,4% dos idosos relataram perda urinária, sendo 36,3% no sexo feminino e 17% no masculino7. Um inquérito revelou que a IU é um sintoma comum à população idosa, com prevalência de 11,8% entre homens e de 26,2% entre mulheres8. Outra pesquisa, realizada apenas entre idosas, encontrou prevalência ainda mais elevada: 40%9.

Assim, as idosas costumam ser mais afetadas, embora a prevalência em ambos os sexos seja expressiva. Essa maior prevalência de IU nas idosas ocorre porque as mulheres são mais predispostas a desenvolver esse agravo do que os homens. Isso advém das diferenças no comprimento uretral e na anatomia do assoalho pélvico, de efeitos da gestação e do parto sobre os mecanismos de continência e de alterações hormonais, caracterizadas pelo esgotamento dos folículos ovarianos e hipoestrogenismo progressivo. Ainda, muitas mulheres consideram erroneamente a IU como um fenômeno normal do próprio envelhecimento. Adicionalmente, grande proporção de queixas de IU estão relacionadas ao esforço físico (IU de esforço), o que contribui para as diferenças de prevalências entre os sexos7,8.

O fato de andar com auxílio e o relato de queda no último ano mostraram interferência na ocorrência de IU entre idosos do sexo masculino. Um estudo demonstrou que os pacientes idosos que necessitavam de auxílio para se locomover, tais como bengala ou outros dispositivos, tiveram maior chance de apresentar IU, em comparação àqueles que eram capazes de andar sem auxílio22. As alterações de mobilidade dificultam o acesso desses idosos ao banheiro e, dessa forma, podem predispor à perda involuntária de urina22.

A referida associação entre a IU e o relato de quedas também foi identificada em outros inquéritos23,24. Algumas das explicações são a necessidade mais frequente desses idosos de urinar e a incapacidade de adiamento da micção, o que os obriga a ir ao banheiro com mais frequência e/ou urgência, expondo-os à maior propensão para quedas25. Outra hipótese é a de que o medo de perder urina resulte em deslocamentos mais bruscos, rápidos e menos cuidadosos, predispondo o idoso a quedas. Todavia, as causas dessa associação ainda não são suficientemente claras23. A ocorrência de quedas, por sua vez, também pode culminar em fraturas e limitações da mobilidade, o que afeta a locomoção e o acesso ao banheiro25.

Verificou-se outra importante associação neste estudo: entre a autopercepção negativa do estado de saúde e a prevalência de IU nas idosas. Na literatura, pesquisas também apresentam esse resultado7,26. A perda involuntária de urina pode causar isolamento social, alterações no sono e na sexualidade27. Um inquérito com 1.094 mulheres idosas na Turquia mostrou ainda que a IU afeta as atividades de vida diária. No referido inquérito, 13,7% das idosas relataram ter caído ao levantar-se do vaso sanitário, 34,3% sentiam vergonha e 46,5% restringiam a ingestão de líquidos em virtude da ocorrência de IU28. Há evidências de que a IU também pode estar associada à ocorrência de ansiedade e depressão7,8,29.

Ressalta-se que a autopercepção da saúde se configura como um indicador confiável utilizado em inquéritos de saúde e que, embora subjetivo, fornece uma medida eficaz, rápida e de baixo custo à avaliação da saúde de grupos populacionais. Diz respeito à forma como o indivíduo vê seu estado geral, abrangendo as dimensões biológica, psicológica e social. Ademais, fatores associados à autopercepção negativa da saúde podem concomitantemente propiciar o surgimento de sintomas depressivos entre as idosas30. Desse modo, os resultados da atual investigação alertam para a necessidade de cuidados para com as idosas que possuem IU e que avaliaram negativamente sua própria saúde. Atenção especial deve ser dada ao idoso que não avalia positivamente sua condição de saúde, almejando um melhor manejo das condições crônicas e das incapacidades para promover qualidade de vida e aumento da longevidade31.

De maneira similar a este trabalho, outros estudos também encontraram associação entre a IU e o relato de artrite, artrose e reumatismo entre as mulheres idosas26,32. A osteoartrose é descrita como a doença articular mais comum, especialmente entre indivíduos idosos33. Trata-se de uma doença multifatorial que, em alguns casos, pode levar à incapacidade funcional significativa. Manifesta-se comumente por dor, rigidez matinal, edema e deformidades, perda da função, insegurança e instabilidade. Sabe-se que as mulheres têm, em geral, doença mais severa que o homem34. A limitação na marcha e a dependência para deambular podem ser fatores implicados na associação de tais agravos com a IU, ao dificultar o acesso ao banheiro35,36. Diante dessa situação, revela-se a necessidade de uma assistência de melhor qualidade, que poderia levar a um aumento na expectativa de vida livre de incapacidade em idosos37.

Este estudo evidenciou associação entre fragilidade e IU, tanto em homens quanto em mulheres. Sabe-se que essa síndrome abrange os domínios físico, psicológico e social, caracterizando-se, em última análise, por favorecer uma evolução desfavorável diante de agressões externas e de doenças, podendo deteriorar a qualidade de vida do idoso38. Tipicamente, a IU no idoso é o resultado final de diversos fatores de risco subjacentes, e a manutenção da continência depende, dentre outros fatores, da cognição, de uma mobilidade adequada e de um ambiente apropriado e seguro4. Nesse contexto, há importante relação entre os critérios de fragilidade e a IU, como já foi demonstrado por outros autores22,39, de modo que a fragilidade pode favorecer a ocorrência de IU40, e vice-versa.

É válido informar que a fragilidade é reconhecida como uma síndrome geriátrica multidimensional, a qual resulta em vulnerabilidade e maior chance de ocorrência de desfechos clínicos adversos, como a IU. Todo esse contexto também pode repercutir negativamente na qualidade de vida do idoso. Assim, é necessário que os profissionais de saúde realizem a identificação oportuna de idosos com maior grau de fragilidade, a fim de que sejam prestados os cuidados mais apropriados31.

Por fim, embora este inquérito possua um caráter pioneiro no cenário investigado, há limitações que devem ser consideradas. Trata-se de um estudo transversal que avalia apenas associação entre variáveis, sem possibilidade de definir relação de causalidade. As variáveis foram aferidas por informações autorreferidas pelos idosos, e, apesar de ser um procedimento válido e utilizado em diversos trabalhos, há a limitação da memória como fator que interfere negativamente. A baixa escolaridade do grupo estudado também pode ser considerada uma limitação, pois pode comprometer a compreensão das questões investigadas e a qualidade das respostas. Todavia, apesar dessas limitações, realizou-se uma investigação de base domiciliar, conduzida com um seguimento crescente da população nacional, em uma região que até então não contava com estudos dessa natureza.

CONCLUSÃO

A IU foi um problema de elevada prevalência em idosos de ambos os sexos. Fatores relativos às condições de saúde estiveram associados à ocorrência de IU para cada sexo, o que evidencia a importância de uma abordagem que enfatize as diferenças entre homens e mulheres no contexto do desenvolvimento de doenças. Ainda, evidenciou-se uma relevante associação da IU com a fragilidade entre os idosos, tanto em homens quanto em mulheres.

Nesse contexto, conhecer os fatores investigados neste trabalho é fundamental para planejar ações direcionadas aos grupos mais vulneráveis, estabelecendo ações mais eficazes, além de uma assistência em saúde que reconheça as especificidades e seja de melhor qualidade.

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