Qualidade de vida e determinantes sociais em usuários de aparelho de amplificação sonora individual

Qualidade de vida e determinantes sociais em usuários de aparelho de amplificação sonora individual

Autores:

Urssula Aparecida Santos Leal Ribeiro,
Valquíria Conceição Souza,
Stela Maris Aguiar Lemos

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.31 no.2 São Paulo 2019 Epub 01-Abr-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20182017287

INTRODUÇÃO

A audição é a função sensorial que nos permite captar os sons, analisá-los e atribuir-lhes significado. A deficiência auditiva resulta da diminuição da capacidade de escutar os sons, podendo acometer o sujeito em diferentes graus. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 1 , 5,1% da população do Brasil possui algum tipo e grau de deficiência auditiva.

Como consequência da perda auditiva, podem ser citadas dificuldades na comunicação, isolamento social, depressão e sentimentos negativos que podem impactar diretamente a qualidade de vida e a percepção que o sujeito tem do seu estado de saúde 2-5 . Os impactos da perda auditiva podem ainda sofrer influências positivas ou negativas de aspectos relacionados à assistência à saúde, a fatores sociodemográficos e clínicos 2-3,5-8 .

Um dos recursos que busca minimizar os danos da deficiência auditiva é o Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) que amplifica o som obtido do ambiente e o conduz em uma intensidade audível e confortável.

Os Serviços de Atenção à Saúde Auditiva (SASA) buscam oferecer assistência às pessoas com deficiência auditiva, oferecendo a esses sujeitos atendimento especializado com médicos, assistentes sociais, psicólogos e fonoaudiólogos. Nestes serviços, são realizados avaliação, diagnóstico auditivo, indicação, adaptação de AASI e acompanhamento de usuários já adaptados.

A Organização Mundial de Saúde definiu a qualidade de vida como a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura, dos sistemas de valores nos quais ele vive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações 9 . Além disso, determinou que os determinantes sociais da saúde estão relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha, impactando a condição de saúde e a qualidade de vida. Devem ser considerados os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população, tais como moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego.

Avaliar a qualidade de vida de usuários de AASI pode ser um importante indicador dos benefícios da amplificação, uma vez que permite mensurar as implicações de uma melhor capacidade auditiva nas atividades de vida diária, de lazer e comunicativas.

O presente estudo teve como objetivo verificar a associação entre o uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual e uma boa percepção da qualidade de vida global e do estado geral de saúde, de usuários de um Serviço de Atenção à Saúde Auditiva, além de investigar aspectos socioambientais e clínicos associados.

MÉTODO

Trata-se de estudo observacional do tipo transversal, com amostra aleatória simples, composta por adultos e idosos usuários de AASI que realizam acompanhamento em um serviço de saúde auditiva de alta complexidade conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da instituição, sob o número CAAE 509.610.

Todos os participantes foram informados sobre objetivos e procedimentos do estudo, concordaram em participar e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para composição da amostra, foram considerados os critérios de elegibilidade: ter no mínimo 18 anos, ser atendido no Serviço de Atenção à Saúde Auditiva – HC/UFMG, realizar, no dia da pesquisa, o exame de audiometria tonal liminar. Foram excluídos da pesquisa sujeitos que não apresentaram condições neurológicas ou cognitivas para compreender as questões do instrumento proposto e que não responderam por completo os questionários.

Para realização do cálculo amostral, tomou-se como base o fluxo anual de 7680 indivíduos atendidos nos ambulatórios que constituem o Setor de Audiologia do HC/UFMG: Ambulatório de Audiologia e Serviço de Atenção à Saúde Auditiva. O cálculo amostral foi definido considerando uma amostragem aleatória simples, utilizando o nível de confiança de 99%. Participaram desta pesquisa 114 indivíduos atendidos no Serviço de Atenção à Saúde Auditiva. Os usuários, ao comparecer ao serviço de saúde auditiva, eram convidados a participar da pesquisa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada e consulta aos prontuários dos participantes.

No que se refere às variáveis explicativas, para a caracterização dos usuários, foi aplicado questionário elaborado pelas pesquisadoras com perguntas referentes aos dados sociodemográficos como gênero, idade, escolaridade, local de residência, motivo do encaminhamento para realização do exame auditivo e a presença de doenças relatadas pelos participantes.

Para análise das condições socioeconômicas dos participantes foi aplicado o Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) 10 . Este é um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares referentes à presença e quantidade de itens domésticos e o nível de escolaridade do chefe da família. O CCEB atribui pontos em função de cada característica domiciliar, realizando a soma destes pontos e a correspondência entre as faixas de pontuação do critério e os estratos de configuração.

Para coleta dos dados assistenciais, realizou-se busca nos prontuários dos participantes a fim de encontrar dados referentes às datas de ingresso no serviço, percepção da perda auditiva, diagnóstico da perda auditiva, seleção e adaptação do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI), se o participante fazia uso efetivo do aparelho classificado pelo fonoaudiólogo que faz acompanhamento segundo o critério de autorrelato de uso acima de oito horas diárias e se realizou reabilitação auditiva após adaptação do AASI.

Foram coletados ainda os resultados obtidos na audiometria tonal liminar. Os resultados foram classificados de acordo com a literatura segundo tipo 11 , grau 12 e configuração 13 da perda auditiva.

A variável resposta, qualidade de vida, foi mensurada com a utilização do questionário World Health Organization Quality of Life versão abreviada (WHOQOL-bref) 9 , proposto pela organização mundial da saúde (OMS). O instrumento contém 26 perguntas com pontuação de 1 a 5, das quais as questões um e dois referem-se à percepção da qualidade de vida e à satisfação com a saúde geral. As demais questões estão distribuídas nos domínios físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais. O domínio físico engloba questões relacionadas à atividade de vida cotidiana, à dependência de medicação e à capacidade de trabalho. O domínio psicológico compreende questões sobre autoestima, imagem corporal e aparência, sentimentos negativos, espiritualidade, religião e crenças populares. O domínio meio ambiente abrange questões sobre segurança física e proteção, cuidados e saúde e sociais, oportunidades de adquirir informações e habilidades, participação em/e oportunidades de recreação/lazer, ambiente físico e transporte. E o domínio relações sociais abrange questões sobre relações pessoais, suporte social e atividade sexual.

O questionário foi aplicado individualmente, em sala reservada, por meio de entrevista semiestruturada. O entrevistador solicitava ao participante, antes da aplicação do questionário, que ele pensasse na sua vida nas duas últimas semanas para decidir qual a resposta mais adequada a sua situação. Os escores foram calculados por meio da obtenção da média das respostas referentes a cada domínio e o valor da média foi multiplicado por quatro. Os escores de cada domínio foram convertidos em uma escala de 0 a 100 por meio da Equação médiadodomínio×44×10016=valorentre0e100 . Quanto mais próximo de 100 melhor foi considerada a qualidade de vida.

No dia da entrevista, os participantes compareceram ao serviço para realizar acompanhamento fonoaudiológico referente ao uso do AASI. Alguns indivíduos não realizavam uso efetivo do AASI, conforme critérios de uso efetivo do serviço, mas todos possuíam o AASI. Os instrumentos utilizados na pesquisa foram aplicados após a consulta com o fonoaudiólogo, sendo aplicados em sequência, em forma de entrevista estruturada, em sala própria, em sessão única com tempo médio de 50 min.

As variáveis foram descritas por meio das medidas de média, desvio padrão, quartis, mínimo e máximo. Considerando o tamanho da amostra e o fato de que não apresentam distribuição normal, foi realizado o teste não paramétrico de Mann Whitney para avaliar a diferença entre os grupos. Para avaliar a associação, foram utilizados os testes de Quiquadrado e exato de Fisher. As análises foram realizadas no software STATA (Stata Corporation, College Station, Texas) versão 12.0 considerando 5% de significância.

Para a análise multivariada, iniciou-se o modelo cheio com todas as variáveis significativas a 20%. Considerou-se um modelo de regressão logística por se tratar de uma variável resposta dicotômica. O modelo foi repetido até restarem apenas as variáveis com p<5%.

RESULTADOS

Dos 114 participantes, 51,8% eram do gênero feminino e 73,7% residiam em Belo Horizonte. A maioria da amostra, 69,3%, apresentou faixa etária superior a 60 anos, com média 66,1 (desvio padrão 15,8), mínimo de 19 e máximo de 92 anos. A média de escolaridade foi de 5,5 (desvio padrão 4,4), com mínimo de zero e máximo de 16 anos. A classe econômica mais referida foi a C (57,9%), seguida pela B (25,4%) e D (16,7%).

Com relação aos dados clínicos, foi observado que a perda auditiva do tipo neurossensorial foi a que apresentou maior ocorrência, somando 77,2% dos casos à direita e 77,3% à esquerda. O grau de perda auditiva mais prevalente foi a moderada, 37,7% à direita e 33,3% à esquerda. A configuração audiométrica mais observada foi a descendente acentuada à direita (34,2%) e descendente leve à esquerda (38,6%). Referente às queixas, 94,7% dos participantes relataram dificuldade para escutar, 37,2% alegaram zumbido e 15% tontura. A doença mais relatada foi hipertensão 55,3%, seguida por alteração do colesterol (21,9%), diabetes (17,5%) e problemas cardíacos (10,5%). Outras doenças como câncer, depressão e problemas hormonais foram citadas por menos de 10% dos participantes. Referente à percepção da perda auditiva, 57,6% dos participantes descobriram a perda auditiva quando adultos, 29,4% quando idosos, 10,6% na infância e 2,4% na adolescência.

Vale ressaltar que 77,8% dos participantes tiveram a primeira consulta no Serviço de Atenção à Saúde Auditiva com o fonoaudiólogo. No dia da entrevista, 85,6% dos participantes compareceram à consulta para realizar acompanhamento, 11,5% para reposição do AASI e 2,9% para realizar a adaptação do aparelho. Quanto ao uso do AASI, verificou-se que 57,6% dos indivíduos faziam uso efetivo do AASI. A maioria dos indivíduos, 57,6%, esperou entre 19 e 59 dias pela concessão do AASI, média de 112,7 (desvio padrão 131,9), sendo o tempo mínimo de espera de quatro e o máximo de 780 dias. O tempo de espera para consulta com o otorrinolaringologista teve média de 37,2 (desvio padrão de 85,4), mínimo de zero e máximo de 700 dias. A reabilitação auditiva não foi realizada por 98,1% da amostra, os demais participantes, 1,9%, não tiveram os dados encontrados nos prontuários.

Em relação às questões do instrumento WHOQOL -bref referentes à qualidade de vida geral e à satisfação com a saúde, 76,3% dos participantes relataram ter boa qualidade de vida e 72,8% disseram estar satisfeitos com seu estado geral de saúde. A média das respostas para o domínio físico foi de 66,5 (desvio padrão 19,1), mínimo 3,6 e máximo 96 pontos. Para o domínio psicológico, a média foi de 74,5 pontos (desvio padrão 19,2), com mínimo de zero e máximo de 100 pontos. No domínio relações sociais, a média foi de 70,5 (desvio padrão 21,2), mínimo de zero e máximo de 100 pontos. Já no domínio ambiente, a média foi de 64,3 (desvio padrão 14,3), com mínimo de 28,1 e máximo de 100 pontos.

A análise de associação dos resultados do WHOQOL -bref quanto à qualidade de vida geral, escore total da satisfação com a saúde e aspectos sociodemográficos e assistenciais estão apresentados na Tabela 1 . Pôde-se perceber associação com significância estatística entre o uso efetivo de AASI e boa qualidade de vida (p = 0.012). A presença de configuração de perda descendente à direita apresentou associação com significância estatística com qualidade de vida (p = 0,04).

Tabela 1 Associação entre qualidade de vida, saúde e aspectos sociodemográficos e assistenciais  

Variáveis Qualidade de Vida Saúde Valor p
Ruim Boa Valor p Insatisfeito Satisfeito
N % N % N % N %
Gênero
Feminino 14 51,9 45 51,7 0,99 19 61,3 40 48,2 0,21
Masculino 13 48,1 42 48,3 12 38,7 43 51,8
Ciclo de vida
Adulto 9 33,3 26 29,9 0,73 13 41,8 22 26,5 0,11
Idoso 18 66,7 61 70,1 18 58,1 61 73,5
Local de residência
Belo Horizonte 21 77,8 63 72,4 0,71 25 80,6 59 71,1 0,54
Região Metropolitana 4 14,8 19 21,8 5 16,1 18 21,7
Outras 2 7,4 5 5,7 1 3,2 6 7,2
CCEB
B 6 22,2 23 26,4 0,83 9 29,0 20 24,1 0,20
C 17 63,0 49 56,3 20 64,5 46 55,4
D 4 14,8 15 17,2 2 6,5 17 20,5
Ingresso no serviço
Otorrino 5 18,5 19 21,8 0.59 8 25,8 16 20,3 0,41
Fonoaudiólogo 22 81,5 62 71,3 21 67,7 63 79,7
Motivo da consulta
Acompanhamento 23 92,0 66 83,5 0.48 24 88,9 65 84,4 0,57
Reposição 2 8,0 10 12,7 3 11,1 9 11,7
Adaptação 0 0,0 3 3,8 0 0,0 3 3,9
Uso efetivo do AASI
Sim 7 35,0 42 66,7 0,01 * 11 52,4 38 61,3 0,47
Não 13 65,0 21 33,3 10 47,6 24 38,7
Idade em que percebeu a perda auditiva
0 a 11 3 13,6 6 9,5 0,07 2 9,1 7 11,1 0,22
12 a 18 2 9,1 0 0,0 1 4,5 1 1,6
19 a 59 10 45,5 3 4,8 16 72,7 33 52,4
60+ 7 31,8 18 28,6 3 13,6 22 34,9
Tipo OD
Sem perda 2 7,4 5 5,7 0,87 3 9,7 4 4,8 0,11
Neurossensorial 21 77,8 67 77,0 20 64,5 68 81,9
Condutiva 0 0,0 2 2,3 0 0,0 2 2,4
Mista 4 14,8 13 14,9 8 25,8 9 10,8
Grau OD
Normal/Leve 10 37,0 20 23,0 0,27 8 25,8 22 26,5 0,26
Moderado/Mod. Sever 12 44,4 53 60,9 15 48,4 50 60,2
Severa/Profunda 5 18,5 14 16,1 8 25,8 11 13,3
Configuração OD
Ascendente/Horizontal 3 11,1 25 28,7 0,04* 8 25,8 20 24,1 0,83
Descendente 24 88,9 56 64,4 22 71,0 58 69,9
Em U/Invertido/Entalh 0 0,0 6 6,9 1 3,2 5 6,0
Tipo OE
Sem perda 2 7,4 3 3,4 0,80 1 3,2 4 4,8 0,65
Neurossensorial 20 74,1 64 73,6 21 67,7 63 75,9
Condutiva 1 3,7 3 3,4 1 3,2 3 3,6
Mista 4 14,8 17 19,5 8 25,8 13 15,7
Grau OD
Normal/Leve 8 29,6 19 21,8 0,43 6 19,4 21 25,3 0,14
Moderado/Mod. Sever 13 48,1 54 62,1 16 51,6 51 61,4
Severa/Profunda 6 22,2 14 16,1 9 29,0 11 13,3
Configuração OD
Ascendente/Horizontal 3 11,1 21 24,1 0,34 8 25,8 16 19,3 0,58
Descendente 22 81,5 61 70,1 22 71,0 61 73,5
Em U/Invertido/Entalh 2 7,4 5 5,7 1 3,2 6 7,2

*Teste Quiquadrado significativo a 5%

Legenda: AASI = Aparelho de Amplificação Sonora Individual; CCEB = Critério de Classificação Econômica Brasil; OD = Orelha Direita; OE = Orelha Esquerda; N = Número de sujeitos

Na Tabela 2 , evidencia-se que houve associação com significância estatística entre tontura e qualidade de vida, a maioria dos que não apresentavam tontura tinham uma boa qualidade de vida (p=0,00). Também houve associação com significância estatística entre os que não apresentaram plenitude auricular (p=0,01) e depressão (p = 0,00) com a boa qualidade de vida. Muito satisfeito com o estado de saúde está associado com boa qualidade de vida (p = 0,00).

Tabela 2 Associação entre qualidade de vida, saúde e queixas auditivas e doenças  

Variáveis Qualidade de Vida Valor p Saúde Valor p
Ruim Boa Insatisfeito Satisfeito
N % N % N % N %
Dificuldade escutar
Sim 26 96,3 81 94,2 0,99 29 93,5 78 94,0 0,66
Não 1 3,7 5 5,8 2 6,5 4 4,8
Zumbido
Sim 13 48,1 29 33,7 0,17 13 41,9 29 34,9 0,51
Não 14 51,9 57 66,3 18 58,1 53 63,9
Perfuração timpânica
Sim 1 3,7 5 5,8 0,99 1 3,2 5 6,0 0,99
Não 26 96,3 81 94,2 30 96,8 77 92,8
Tontura
Sim 9 33,3 8 9,3 0,00 * 9 29,0 8 9,6 0,01*
Não 18 66,7 78 90,7 22 71,0 74 89,2
Dor de ouvido
Sim 3 11,1 4 4,7 0,35 5 16,1 2 2,4 0,01*
Não 24 88,9 82 95,3 26 83,9 80 96,4
Plenitude
Sim 7 25,9 6 7,0 0,01* 5 16,1 8 9,6 0,34
Não 20 74,1 80 93,0 26 83,9 74 89,2
Outros
Sim 0 0,0 2 2,3 0,99 0 0,0 2 2,4 0,99
Não 27 100,0 84 97,7 31 100,0 80 96,4
Sem queixa
Sim 8 29,6 24 27,6 0,83 7 22,6 25 30,1 0,42
Não 19 70,4 63 72,4 24 77,4 58 69,9
Diabetes
Sim 4 14,8 16 18,4 0,77 5 16,1 15 18,1 0,80
Não 23 85,2 71 81,6 26 83,9 68 81,9
Colesterol
Sim 9 33,3 16 18,4 0,10 8 25,8 17 20,5 0,541
Não 18 66,7 71 81,6 23 74,2 66 79,5
Hipertensão
Sim 17 63,0 46 52,9 0,35 19 61,3 44 53,0 0,42
Não 10 37,0 41 47,1 12 38,7 39 47,0
Câncer
Sim 1 3,7 4 4,6 0,99 2 6,5 3 3,6 0,61
Não 26 96,3 83 95,4 29 93,5 80 96,4
Depressão
Sim 5 18,5 1 1,1 0,00* 6 19,4 0 0,0 0,00*
Não 22 81,5 86 98,9 25 80,6 83 100,0
Problemas cardíacos
Sim 0 0,0 12 13,8 0,06 3 9,7 9 10,8 0,99
Não 27 100,0 75 86,2 28 90,3 74 89,2
Problemas hormonais
Sim 4 14,8 5 5,7 0,21 4 12,9 5 6,0 0,25
Não 23 85,2 82 94,3 27 87,1 78 94,0
Outros
Sim 4 14,8 13 14,9 0,99 9 29,0 8 9,6 0,01*
Não 23 85,2 74 85,1 22 71,0 75 90,4
Estado geral saúde
Insatisfeito 13 48.1 18 20.7 0,00 ** - - - - -
Satisfeito 14 51,9 69 79,3 - - - - -
Qualidade de vida
Ruim - - - - - 13 41,9 14 16,9 0,01*
Boa - - - - - 18 58,1 69 83,1

*Teste Exato de Fisher significativo a 5%;

**Teste de Quiquadrado significativo a 5 %

Legenda: N = Número de sujeitos

Na Tabela 3 , podem ser observados resultados com significância estatística entre a boa qualidade de vida (p = 0,00) e a melhor percepção de todos os domínios avaliados pelo WHOQOL-bref. Também se verificou associação com significância estatística entre a satisfação com a saúde e maior média de idade dos participantes (p = 0,03) e menor escolaridade (p = 0,02). Em relação aos domínios do WHOQOL- bref, houve relação com significância estatística entre as avaliações dos domínios físico e psicológico com a satisfação da saúde.

Tabela 3 Comparação dos aspectos descritivos entre os grupos de qualidade de vida e estado geral de saúde  

Variáveis Qualidade de vida Valor p Saúde Valor p
Ruim Boa Insatisfeito Satisfeito
N Média DP Mediana IQ N Média DP Mediana N Média DP Mediana IQ N Média DP Mediana
Idade (anos) 27 64,4 13,9 67,0 24 87 66,7 16,4 70 0,30 31 63,1 12,8 63,0 17 83 67,3 16,7 72 0,03*
Escolaridade (anos) 27 5,6 4,2 5 6 85 5,5 4,4 4 0,77 31 6,9 4,6 6 8 81 4,9 4,2 4 0,02*
Tempo de adaptação (dias) 25 135,4 161,5 87 110 79 105,6 121,4 52 0,10 27 136,3 166,3 90 114 77 104,5 117,7 52 0,22
Tempo de espera para consulta com otorrinolaringologista (dias) 21 63,0 151,3 23 44 71 29,6 51,8 14 0,20 22 58,3 147,3 14 44 70 30,6 53,2 16 0,47
Físico 27 55,2 17,5 57,1 14,3 87 70,1 18,2 75 <0.00 * 31 54,6 19,6 57,1 25.0 83 71,0 16,9 75 <0,00
Psicológico 27 58,9 22,8 62,5 25 87 79,4 15,1 79,2 <0.00* 31 58,0 21,5 62,5 25.0 83 80,7 14,1 79,2 <0,00*
Relações sociais 27 55,9 24,1 58,3 33,3 87 75,1 18,1 75,0 <0.00* 31 62,9 25,2 66,7 25,0 83 73,4 18,9 75,0 0,10
Ambiente 27 53,6 12,2 56,3 21,9 87 66,4 13,6 65,6 <0.00* 31 57,1 12,6 59.4 21,9 83 65,7 14,3 62,5 0,01

*Valor p significativo a 5%

Legenda: N = Número de participantes ; DP = Desvio Padrão; IQ = Intervalo Inter-Quartil

Na Tabela 4 , encontra-se o modelo final da análise multivariada. No modelo final, permaneceram, quanto à qualidade de vida, as variáveis queixa/histórico de tontura e uso efetivo do AASI. Os dados evidenciaram que os participantes que não apresentaram histórico de tontura tiveram 6,6 vezes mais a chance de referir boa qualidade de vida quando comparados aos que apresentam histórico. Já aqueles que relataram fazer uso efetivo do AASI tiveram 0,23 mais chances de referir boa qualidade de vida quando comparados aos participantes que não fizeram uso efetivo do AASI. Para a variável satisfação com a saúde, permaneceram as variáveis queixa/histórico de tontura e escolaridade. Não apresentar tontura aumentou as chances de estar satisfeito com a saúde em 3,89. A cada ano que aumentou a escolaridade, a chance de estar satisfeito com a saúde reduziu em 0,90.

Tabela 4 Resultado da análise multivariada entre a qualidade de vida, a satisfação com a saúde e as varáveis selecionadas  

Características Boa qualidade de vida
Modelo Inicial Modelo Final
OR(IC 95%) Valor-p OR(IC 95%) Valor-p
Tontura 3,27 (0,64-16,64) 0,15 6,6 (1,61-27,43) 0,00
Relato de plenitude Auricular 4,24 (0,68-26,31) 0,12 - -
Colesterol elevado 4,20 (0,89-19,77) 0,06 - -
Uso efetivo de AASI 0,23 (0,05-1,00) 0,05 0,32(0,10-0,98) 0,04
Descobriu perda auditiva entre 19-59 anos 4,26 (0,52-34,94 0,17 - -
Descobriu perda auditiva acima dos 60 anos 3,64 (0,35-37,14) 0,27 - -
Satisfação com a saúde
Modelo Inicial Modelo Final
OR(IC 95%) Valor-p OR(IC 95%) Valor-p
Ciclo de vida 2,40(0,46-12,51) 0,29 - -
Relato de tontura 3,89(1,25-12,06 0,01 3,78(1,27-11,29) 0,01
Idade 0,98(0,93-1,03) 0,50 - -
Escolaridade 0,90(0,80-1,00) 0,06 0,90(0,81-0,99) 0,03

Legenda: AASI = Aparelho de Amplificação Sonora Individual; IC = Intervalo de Confiança; OR = Odds Ratio

DISCUSSÃO

O presente estudo buscou verificar se há associação entre o uso do AASl e uma boa percepção da qualidade de vida global e do estado geral de saúde, de usuários do Serviço de Saúde auditiva HC/UFMG.

No que se refere à caracterização sociodemográfica dos participantes, observou-se predominância de idosos, fato que corrobora estudos que buscaram traçar o perfil de pacientes atendidos em serviços ligados à concessão de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) 14 , e também dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 1 que apontam aumento da expectativa de vida da população acima de 60 anos que representava, em 2010, 10,8% da população geral. O predomínio de participantes do gênero feminino na amostra pode ser justificado pelo fato de as mulheres apresentarem maior adesão a serviços de saúde auditiva 15 , além de serem mais prevalentes no município em questão 1 .

A média de escolaridade até o ensino fundamental está de acordo com dados de outros estudos 2-3 que descreveram a satisfação, as condições de assistência, acesso e utilização de serviços de saúde auditiva. A classe econômica predominante foi a C, sendo composta por usuários com renda média entre 2,06 e 3,4 salários mínimos, achado que corrobora dados do censo IBGE 1 que apontam que 63,2% da população do município de Belo Horizonte encontra-se nessa faixa de renda.

Com relação aos achados clínicos relativos, os dados corroboram estudos anteriores quanto à predominância do tipo neurossensorial 7-8,16 e do grau moderado 5-6,8,14,16 . As queixas de perda auditiva, zumbido e tontura coincidem com resultados de um estudo nacional que avaliou o perfil audiológico de adultos e idosos no município de São Paulo 4 . Quanto às comorbidades, se observou que as mais relatadas foram hipertensão, alteração do colesterol, diabetes e problemas cardíacos, dados estes que corroboram os resultados do estudo que descreveu o perfil dos pacientes atendidos no Programa de Saúde Auditiva em Santa Catarina, onde se observou que 30% dos participantes apresentavam hipertensão arterial, 8,9% diabetes e 3,4% cardiopatias 8 .

Na presente pesquisa, a maior parte dos participantes relatou ter percebido a perda de audição na fase adulta. Segundo censo IBGE 2010 1 , aproximadamente 9,7 milhões de brasileiros (5,1% da população) possuem algum grau de deficiência auditiva, destes cerca de 89,7% apresentam idade superior a 20 anos. Em estudo que buscou analisar as implicações da perda auditiva adquirida em adultos, verificou-se que a idade de instalação da perda auditiva ocorre em maior concentração nas idades de 30 a 49 anos, sendo que a incidência mais precoce ocorre na faixa etária entre 20 e 29 anos 17 . Quanto aos aspectos assistenciais, assim como estudo realizado na região norte de Minas Gerais 18 , que buscou conhecer a satisfação de usuários de AASI e identificar os fatores associados que interferem na percepção à assistência, o tempo médio para atendimento no Serviço de Atenção à Saúde Auditiva variou entre um dia e três meses, tendo o tempo de espera para concessão do AASI a mesma média de tempo. Estes dados também estão de acordo com estudo realizado na macrorregião de Belo Horizonte que avaliou a satisfação com o uso de AASI em usuários de Serviços de Atenção à Saúde Auditiva 19 .

O acolhimento aos participantes do presente estudo foi feito em mais de 70% dos casos pelos fonoaudiólogos. Em serviços de saúde auditiva, o fonoaudiólogo tem papel preponderante na habilitação e reabilitação do sujeito com deficiência auditiva, promovendo a utilização prática da audição, visando à melhora do indivíduo no desempenho de situações de vida diária 19 .

O motivo de comparecimento à consulta relatado por mais de três quartos da amostra foi o acompanhamento, este resultado corrobora estudo que buscou analisar o resultado da adaptação do AASI em adultos e idosos 20 . Tal estudo aponta que os retornos para acompanhamento audiológico são agendados no mesmo dia da adaptação do AASI, justificando assim o grande número de pessoas que comparecem ao serviço por esse motivo.

Quanto ao uso do AASI, mais da metade da amostra relatou realizar uso efetivo, valor abaixo dos achados em um estudo realizado em São Paulo, com o objetivo de estudar o benefício obtido com o AASI e a satisfação dos usuários credenciados pelo SUS. Segundo este estudo, 81% dos usuários faziam uso do aparelho mais de oito horas por dia 18 .

Estudo realizado em Santa Catarina 21 , aponta a necessidade de acompanhamento dos usuários de AASI na atenção básica após o diagnóstico e adaptação. Tendo em vista que mais de 90% dos participantes do presente estudo não realizaram reabilitação auditiva, verifica-se a necessidade de organização e articulação dos níveis de atenção à saúde para garantir a oferta da assistência ao usuário com perda auditiva. Um estudo realizado com o objetivo de analisar a organização da Rede Estadual de Atenção à Saúde Auditiva em Minas Gerais no ano de 2009, considerando as macrorregiões do Estado, verificou que o valor médio de sessões de terapia fonoaudiológica individual para cada paciente adaptado é de aproximadamente dez sessões 19 . Tal estudo verificou ainda que a média de sessões de terapia fonoaudiológica não acompanhou a média de adaptação de AASI, e que a fonoterapia ainda ocorre nos polos das macrorregiões de forma descentralizada. A terapia fonoaudiológica busca favorecer o uso efetivo do AASI e melhorar o desempenho comunicativo do indivíduo.

Estudos 22-23 que utilizaram o WHOQOL-bref para mensurar a qualidade de vida de usuários de AASI, indicam que tanto a qualidade de vida quanto a satisfação com a saúde de adultos e idosos tende a melhorar com o uso do dispositivo. O presente estudo corrobora esses achados, tendo em vista que mais da metade da amostra que utilizou o AASI de forma efetiva apresentou uma boa avaliação da qualidade de vida nos domínios físico, psicológico, relações sociais e ambiente, estando de acordo com outros estudos realizados em Israel, na Espanha, no Brasil e na Finlândia 24-27 . O uso do AASI se relacionou à chance de ter uma melhor qualidade de vida. Este fato pode ser explicado pelo fato de o AASI minimizar os impactos causados pela restrição auditiva, uma vez que fornece ao indivíduo o sinal acústico amplificado diminuindo o isolamento do sujeito e prejuízos psicológicos e sociais.

A avaliação do estado geral de saúde está diretamente relacionada à percepção da qualidade de vida. No presente estudo, foi verificado que estar muito satisfeito com o estado de saúde associa-se à boa percepção da qualidade de vida. Em estudo que buscou verificar a influência do uso do AASI na pontuação do rastreio cognitivo de idosos após a adaptação, se observou que as queixas mais relatadas e que mais impactavam a saúde global e a audição foram zumbido, vestibulopatia, alterações visuais, hipertensão, entre outros 28 . Participantes que avaliam bem seu estado geral de saúde mostram sofrer menos ou ter menor impacto negativo das comorbidades e sintomas associados na qualidade de vida.

Vale ressaltar também o fato de que quem não relatou queixa/histórico de tontura apresentou mais de seis vezes a chance de ter uma boa qualidade de vida e mais de três vezes a chance de estar satisfeito com a saúde quando comparado a quem não apresentou este sintoma. Pessoas que apresentam tontura tendem a restringir atividades físicas, viagens, reuniões sociais e realização de atividades de vida diária, impactando a qualidade de vida e a percepção da saúde. Em estudo realizado com o objetivo de verificar a influência de reabilitação vestibular sobre a qualidade de vida de indivíduos pré e pós-terapia, verificou-se grande influência da tontura em aspectos físicos, estado emocional e funcional, impactando negativamente a qualidade de vida 29 .

O presente estudo evidenciou que, à medida que aumenta a escolaridade, diminui a chance de o usuário de AASI estar satisfeito com a saúde; esse achado diverge da literatura. Em estudo realizado com o objetivo de verificar a autoavaliação do estado de saúde e a associação com fatores sociodemográficos, hábitos de vida e morbidade na população nacional, foi observado que a menor escolaridade teve forte associação com uma autoavaliação ruim do estado de saúde 30 .

A diminuição da capacidade de escutar gera um declínio na capacidade comunicativa do indivíduo, levando-o ao isolamento e privação de informação e comunicação, podendo levar ao aparecimento de sintomas de depressão. Em estudo realizado com o objetivo de estabelecer o perfil de usuários de AASI com vistas à cognição, se observou que mais de 40% dos participantes do estudo apresentam manifestações depressivas em diferentes graus 5 .

Como limitação deste estudo, pode-se mencionar a coleta dos dados assistenciais por meio de consulta aos prontuários dos participantes, o que pode acarretar omissões de informações devido ao estilo ou qualidade do preenchimento.

CONCLUSÃO

O presente estudo permitiu verificar que usuários que utilizam o AASI de forma efetiva têm maior chance de apresentar uma boa percepção da qualidade de vida global. A qualidade de vida de usuários de AASI está relacionada com diversos fatores socioambientais, demográficos e clínicos, assim como a percepção do estado geral de saúde que pode sofrer influência de fatores como a presença de tontura e escolaridade.

REFERÊNCIAS

1 IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico [Internet]. 2010 [citado 27 Mar 2017]. Available from: ttp://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=26&uf=31
2 Guia ACOM, Oliveira RO No, Escarce AG, Lemos SM. Hearing health care network: the perspective of the user. Distúrb Comun. 2016;28:473-82.
3 Gouveia GC, Souza WV, Luna CF, Souza-Junior PRB, Szwarcwald CL. Health care users’ satisfaction in Brazil, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21(Suppl):109-18. . PMid:16463002.
4 Jardim IS, Iwahashi JH, Paula VCD. Study of the audiological profile of individuals attended in a brazilian diagnostic service. Arq Int Otorrinolaringol. 2010;17:125-30.
5 Viacelli SNA, Costa-Ferreira MID. Profile of hearing aid users with a view to amplification, cognition and auditory processing. Rev CEFAC. 2011;15:1125-36. .
6 Grossi LMR, Sharlach RC. Satisfaction and participation restrictions in hearing aids’ users: a study with elderly. Rev Equilíbrio Corporal Saude. 2011;3:3-15.
7 Moda I, Mantello EB, Reis ACMB, Isaac ML, Oliveira AA, Hyppolito MA. Evaluation of hearing aid user satisfaction. Rev CEFAC. 2013;15:778-85. .
8 Dimatos OC, Ikino CMY, Philippi PA, Dimatos SC, Birck MS, Freitas PF. Profile of patients of the auditory health of the state of Santa Catarina served at HU-UFSC. Arq Int Otorrinolaringol. 2011;15:59-66. .
9 The WHOQOL Group. The World Health Organization quality of life assessment (WHOQOL): position paper from the Word Health Organization. Soc Sci Med. 1995;41(10):1403-9. . PMid:8560308.
10 ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de classificação econômica Brasil [Internet]. 2015 [citado 2014 Jan 01]. Available at: http://www.abep.org/criterio-brasil
11 Silman S, Silverman CA. Basic audiologic testing. In: Silman S, Silverman CA. Auditory diagnosis: principles and applications. San Diego: Singular Publishing Group; 1997. p. 44-52.
12 Lloyd LL, Kaplan H. Audiometric Interpretation: a manual basic audiometry. Universirty Park Press: Baltimore; 1978. p. 16-7.
13 Federal Council and Regional Speech and Hearing Councils. Manual of procedures in tonal audiometry, logoaudiometry and acoustic immitance measures [Internet]. 2013 [citado 2015 Dez 05]. Available from: http://www.fonoaudiologia.org.br/publicacoes/Manual%20de%20Audiologia%20.pdf
14 Béria JU, Raymann BCW, Gigante LP, Figueiredo ACL, Jotz G, Roithman R, et al. Hearing impairment and socioeconomic factors: a population-based survey of an urban locality in southern Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2007;21(6):381-7. . PMid:17761050.
15 Courtenay WH. Constructions of masculinity and their influence on mens well-being: a theory of gender and health. Soc Sci Med. 2000;50(10):1385-401. PMid:10741575.
16 Jardim DS, Maciel FJ, Lemos SM. Epidemiological profile of a hearing-impaired population. Rev CEFAC. 2016;18(3):746-57. .
17 Francelin MA, Motti TFG, Morita I. Social implications of acquired hearing impairment in adults. Saude Soc. 2010;19(1):180-92. .
18 Barbosa MR, Medeiros DS, Ribeiro GM, Rossi-Barbosa LAR, Caldeira AP. Satisfaction with hearing aids among users of hearing health services. Audiol Commun Res. 2013;18(4):260-7. .
19 Maciel FJ, Januário GC, Henriques CMA, Esteves CC, Silva MA, Carvalho SAS, et al. Hearing Health indicators in the State of Minas Gerais – a study by macroregion. Audiol Commun Res. 2013;18(4):275-84. .
20 Jokura PR, Melo TM, Bevilacqua MC. Evasion of patients in hearing health services: research on the reason and outcomes after adaptation of hearing aids. Rev CEFAC. 2013;15(5):1181-8. .
21 Schillo R, Lopes SMB. Hearing health network characterization in a specific region of Santa Catarina state. Rev CEFAC. 2015;17(4):1222-31. .
22 Teixeira AR, Almeida LG, Jotz GP, Barba MC. Quality of life of adults and elderly people after hearing aids adaptation. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(4):357-61. .
23 Modeli MFCG, Souza PJS. Quality of life in elderly adults before and after hearing aid. Braz J Otorhinolaryngol. 2012;78(3):49-56. PMid:22714847.
24 Kateifidis N, Sarafis P, Malliarou M, Tsounis A, Bamidis P, Niakas D. Quality of life and satisfaction among patients who use hearing aids. Glob J Health Sci. 2017;9(6):177-83. .
25 Manrique-Huarte R, Calavia D, Irujo AH, Girón L, Manrique-Rodríguez M. Treatment for hearing loss among the elderly: auditory outcomes and impact on quality of life. Audiol Neurootol. 2016;21(Suppl 1):29-35. . PMid:27806353.
26 Garcia TM, Jacob RTS, Mondelli MFCG. Speech perception and quality of life on open-fit hearing aid users. J Appl Oral Sci. 2016;24(3):264-70. . PMid:27383708.
27 Niemensivu R, Manchaiah V, Roine RP, Kentala E, Sintonen H. Health-related quality of life in adults with hearing impairment before and after hearing-aid rehabilitation in Finland. Int J Audiol. 2015;54(12):967-75. . PMid:26398548.
28 Magrini AM, Monensoh-Sants TM. Check the influence of hearing aid use on cognitive screening in the elderly. Distúrb Comun. 2017;29(1):122-32. .
29 Soares SN, Gonçalves MAS, Teixeira CG, Romualdo PC, Santos JN. Influence of vestibular rehabilitation on the quality of life of individuals with labyrinth disease. Rev CEFAC. 2014;16(3):732-8. .
30 Pavão ALB, Werneck GL, Campos MR. Self-rated health and the association with social and demographic factors, health behavior, and morbidity: a national health survey. Cad Saude Publica. 2013;29(4):723-34. PMid:23568302.
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.