Qualidade de vida e níveis de atividade física de moradores de residências terapêuticas do sul do Brasil

Qualidade de vida e níveis de atividade física de moradores de residências terapêuticas do sul do Brasil

Autores:

Simone Karine Klein,
Aline Fofonka,
Alice Hirdes,
Maria Helena Vianna Metello Jacob

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.5 Rio de Janeiro maio 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018235.13432016

Introdução

Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) caracterizam-se por alternativa de moradia, inserida na comunidade, destinada aos portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência que não possuem suporte familiar. As residências terapêuticas são casas localizadas no espaço urbano, implementadas para responder às necessidades de moradia de pessoas com transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. O Ministério da Saúde, através da portaria 106/2000, oficializou os SRT no Sistema Único de Saúde (SUS), para suprir esses “pacientes moradores” de hospitais psiquiátricos públicos e privados do Brasil. Em 2011, a portaria 3090 dispôs sobre o repasse de recursos financeiros para o funcionamento dos SRT1.

Os serviços são caracterizados em dois tipos: SRT I e II. O primeiro é o tipo mais comum, concebido para atender pessoas que necessitam de somente um cuidador. O segundo é o dispositivo para o cuidado de pessoas que foram institucionalizadas, muitas vezes, por uma vida inteira e que demandam cuidados intensivos, com monitoramento técnico e equipe auxiliar permanente na residência. As duas modalidades de SRT se mantêm como unidades de moradia, inseridos na comunidade, devendo estar localizados fora dos limites de unidades hospitalares gerais ou especializadas, estando vinculados à rede pública de serviços de saúde1. A equipe técnica deve ser compatível com a necessidade dos moradores e esses devem ser acompanhados pelos Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou ambulatórios especializados em saúde mental, ou, ainda, equipe de saúde da família2. As secretarias estaduais, distrital e municipais de Saúde, com o apoio técnico do Ministério da Saúde, estabelecem rotinas de acompanhamento, supervisão, controle e avaliação objetivando a garantia do funcionamento dos SRT com qualidade1.

As residências terapêuticas integram a rede de serviços de saúde mental instituída com a reforma psiquiátrica. Considerando o contingente de pessoas que ainda vivem em instituições e a consequente perda de laços familiares ou o abandono, os SRT constituem-se em um importante dispositivo para a desinstitucionalização. Todavia, os estudos sobre os SRT ainda são escassos no país. Há um reduzido número de pesquisas que abordam os pacientes de longa permanência e são raríssimos os trabalhos sobre residências terapêuticas produzidos, a despeito das relevantes experiências de desinstitucionalização que dignificam a história da reforma psiquiátrica brasileira3.

O interesse na avaliação da Qualidade de Vida (QV) de pessoas com transtornos mentais tem crescido nos últimos anos como indicador para a avaliação da intervenção terapêutica, de serviços e da prática assistencial na área da saúde. Durante a III Conferência Nacional de Saúde (2001) foi incluída a regulamentação para os SRT, com a perspectiva de mudanças na QV daqueles que residiam em hospitais psiquiátricos. O conceito de QV foi e continua sendo bastante discutido nos últimos anos, de uma perspectiva sociológica e objetiva para uma perspectiva psicossocial, na qual é atribuída importância aos aspetos subjetivos do bem-estar e da satisfação pessoal4. A medida de QV é imperativa, uma vez que insere o indivíduo nas avaliações relacionadas à sua própria saúde e tratamentos5. A QV diz respeito às condições de vida de um ser humano e envolve os relacionamentos sociais, o bem-estar mental, psicológico, emocional e físico. A atividade física melhora os resultados de saúde mental dentro de vários domínios psicossociais, mostrando uma incidência na literatura para o impacto do exercício sobre a depressão6. Menor risco de depressão e de ideação suicida estão entre os efeitos psicológicos benéficos da prática da atividade física7,8.

As pesquisas utilizando exercício físico em indivíduos com prejuízo neurológico são controversas. O exercício físico melhorou o humor e a afetividade em residentes de casas de repouso com Alzheimer9 e reduziu a agitação de pacientes de casas de repouso10. Alguns estudos mostraram leves melhoras na função cognitiva de idosos residentes de casa de repouso11,12, enquanto que em outras pesquisas nenhuma mudança foi detectada13-15. Estudo mais recente verificou os efeitos de 6 meses de exercício aeróbio ou alongamento em 33 pessoas com comprometimento cognitivo leve que viviam na comunidade16. Os resultados indicam que o exercício aeróbio trouxe melhora cognitiva para as mulheres. Todavia, estudos que abordam exercício físico e qualidade de vida em pacientes desinstitucionalizados residentes de moradas terapêuticas não foram encontrados na literatura científica. Portanto, o presente estudo é inovador e agrega valor à comunidade cientifica.

Considerando as questões abordadas anteriormente e a lacuna de pesquisas que abordam a atividade física de moradores de SRT, este estudo avaliou a QV e os níveis de atividade física em moradores das residências terapêuticas de Porto Alegre e região metropolitana. A avaliação da QV e dos níveis de atividade física desta população é fundamental, uma vez que as questões relativas às pessoas com transtornos mentais constituem um desafio constante frente à necessidade de assegurar a promoção da saúde, a cidadania e a inclusão social como direitos humanos fundamentais.

Métodos

Este é um estudo tipo série de casos, com amostra intencional, composta por todos os moradores das residências terapêuticas de Porto Alegre e região metropolitana que tiveram condições de responder o questionário. No total, foram avaliadas 68 pessoas (42 homens e 26 mulheres) no período de abril a junho de 2014. Os SRT Morada São Pedro (SRT MSP) são serviços da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, localizados na cidade de Porto Alegre e vinculados ao Hospital Psiquiátrico São Pedro. Foram inaugurados em 30 de dezembro de 2002, integrando o Projeto São Pedro Cidadão, ação que incluía a regularização fundiária da Vila São Pedro e a vinda de moradores egressos de internação prolongada no Hospital Psiquiátrico São Pedro. O SRT Morada Viamão foi reinaugurado em setembro de 2005, onde anteriormente existia o Residencial Morada Dom Bosco17.

Os participantes da pesquisa são moradores dos SRT do Projeto São Pedro Cidadão, que são divididos em cinco moradas (quatro localizadas em Porto Alegre e uma em Viamão). A criação desses serviços faz parte do processo da Reforma Psiquiátrica no Rio Grande do Sul e cumpre o estabelecido na Lei Federal n° 10.216/2001; Lei n° 10.708/2003, Lei estadual n° 11.791/2002; Portarias GM n° 52 e 53/2004, 3090/2011; Portaria n° 106/MS de 11/02/2000; Portaria n° 1.220/2000, que os regulamentam17.

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram o SF-36 e o EuroQol EQ-5D para medir a QV, e o IPAQ (versão curta) para avaliar os níveis de atividade física. Foi utilizado um questionário elaborado pela pesquisadora para os aspectos sóciodemográficos, no qual as informações foram retiradas dos prontuários das residências e observadas as seguintes variáveis: idade, tempo de internação (em anos), tempo que vivem nas residências (em anos), grau de escolaridade, tipo de transtorno mental, doenças conhecidas além do transtorno, dificuldades de locomoção e tabagismo.

O Questionário SF 36, adaptado para versão brasileira, auto administrado e em forma de entrevista, consta de 11 questões e 36 itens que englobam oito componentes (domínios ou dimensões), representados por capacidade funcional (dez itens), aspectos físicos (quatro itens), dor (dois itens), estado geral da saúde (cinco itens), vitalidade (quatro itens), aspectos sociais (dois itens), aspectos emocionais (três itens), saúde mental (cinco itens) e uma questão comparativa sobre a percepção da saúde atual e dos últimos 12 meses. O indivíduo recebe um escore em cada domínio, que varia de 0 a 100, sendo 0 o pior escore e 100, o melhor. Por ser um questionário genérico, seus conceitos não são específicos para uma determinada idade, doença ou para um grupo de tratamento18.

O questionário Health-Related Quality of Life-HR-QOL (EuroQol EQ-5D) é um instrumento genérico, desenvolvido em nível europeu, que foi traduzido e validado para diversas línguas, inclusive o português19,20. Aplicável a uma ampla variedade de condições de saúde, não exige elevado grau cognitivo e é realizado em poucos minutos. O instrumento considera cada domínio de forma independente e não admite um escore total de QV. O sistema descritivo define a QV relativa à saúde em cinco dimensões (mobilidade, cuidados pessoais, atividades usuais, dor/desconforto e ansiedade/depressão), cada um com três níveis de gravidade (1- nenhum problema/ 2- algum problema/ 3- problema extremo)21.

O International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) (versão curta) é o instrumento mais utilizado para medida de atividade física em grupos populacionais e possibilita a avaliação desse comportamento considerando os seus quatro domínios: trabalho, tempo livre, atividade doméstica e deslocamento. Sua classificação é dividida em sedentário, insuficientemente ativo, ativo e muito ativo22.

A aplicação do questionário/entrevista foi realizada pessoalmente, na residência de cada morador, pela coordenadora da pesquisa, assistida pelo profissional de referência do programa “de volta para casa”, propiciando maior homogeneização na aplicação, evitando desta forma qualquer outra interpretação que não a ensejada pelo instrumento. Cada entrevista teve duração entre 30 e 40 minutos.

Os dados referentes às características da amostra e escores dos domínios/dimensões da QV estão apresentados de forma descritiva. Foi realizado o teste ANOVA de uma via para verificar relação entre as médias dos domínios da QV (SF 36) com as classificações do nível de atividade física e o teste de Qui-Quadrado e Exato de Fischer para verificar relação entre as categorias do EuroQol EQ/5D e os níveis de atividade física. Foi considerada uma significância de 5% (p < 0,05). O programa estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 18.0 para Windows foi utilizado para estas análises.

Todos os participantes foram informados dos objetivos e finalidades do projeto, e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CEP) da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/RS) e autorizado pela Divisão de Atenção aos Usuários Moradores (DAUM) do Hospital Psiquiátrico São Pedro.

Resultados

Os participantes eram em sua maioria homens (61,8%), e a média de idade em geral foi 57,15 anos (DP = 12,02). O tempo de internação prévio em Hospital foi de 29,15 anos (DP = 10,44). O tempo em que deixaram os Hospitais Psiquiátricos e vivem nas residências terapêuticas foi de 5,49 anos (DP = 4,38). Referente à escolaridade, a maior parte dos moradores autorreferiu-se analfabeta (77,9 %). O Transtorno Mental mais frequente foi a Esquizofrenia (44,1%). A maioria relatou apenas o Transtorno Mental como doença conhecida (41,2%), seguido de ter pelo menos mais uma doença além do Transtorno referido (38,2%). A maior parte da amostra não tinha dificuldade de locomoção, totalizando 82,4%. A prevalência de tabagismo foi de 48,5% (Tabela 1).

Tabela 1 Características sociodemográficas dos moradores das residências terapêuticas do Projeto São Pedro Cidadão da região metropolitana de Porto Alegre, em 2014. 

Total Masculino Feminino
n (%) 68 42 (61,8) 26 (38,2)
Idade (média ±DP) 57,15 ± 12,02 54,95 ± 12,52 60,69 ± 10,44
Tempo internação - anos (média ±DP) 29,15 ± 10,44 29 ± 10,08 29,40 ± 11,22
Tempo residência - anos (média ±DP) 5,49 ± 4,38 5,84 ±4,12 4,92 ± 4,77
Educação n (%)
Analfabeto 53 (77,9) 31 (73,8) 22 (84,6)
1° grau incompleto 14 (20,6) 10 (23,8) 4(15,4)
2° grau incompleto 1 (1,3) 1 (2,4) -
Tipo de transtorno mental n (%)
Bipolaridade 5 (7,4) 2 (4,8) 3(11,5)
Depressão 1 (1,5) 1 (2,4) -
Esquizofrenia 30 (44,1) 18 (42,9) 12 (46,2)
Retardo mental 14 (20,6) 9 (21,4) 5(19,2)
Não relatadas 18 (26,5) 12 (28,6) 6(23,1)
Doenças conhecidas além do transtorno n(%)
Nenhuma 28 (41,2) 20 (47,60) 8 (30,8)
1 26 (38,2) 15 (35,7) 11 (42,3)
2 12 (17,6) 6(14,3) 6(23,1)
3 2 (2,9) 1 (2,1) 1 (3,8)
Dificuldade de locomoção n (%)
Sim 12 (17,6) 10 (23,8) 2 (7,7)
Não 56 (82,4) 32 (76,2) 24 (92,3)
Tabagismo n (%)
Sim 33 (48,5) 19 (45,2) 14 (53,8)
Não 35 (51,5) 23 (54,8) 12 (46,2)

Fonte: Elaboração própria.

Os resultados obtidos em cada um dos 8 domínios do SF36, conforme a percepção de cada morador, classifica-se como quanto mais próximo do 0 pior, e, na direção do 100, melhor a QV. O domínio estado geral de saúde foi o menor, com a média de 57,47 (DP = 14,27). A vitalidade apresentou a média de 63,09 (DP = 16,07). Os outros domínios não foram paramétricos, portanto foi realizada também a mediana. A capacidade funcional apresentou a média de 66,03 (DP = 34,06) e mediana de 80, com mínimo de 0 e máximo de 100. A saúde mental apresentou a média de 70,29 (DP = 18,30) e mediana de 72, com mínimo de 20 e máximo de 100. A percepção de dor apresentou média de 70,59 (DP = 25,90) e mediana de 67, com mínimo de 20 e máximo de 100. Os aspectos emocionais tiveram 75,98 de média (DP = 40,51) e mediana de 100, com mínimo de 10 e máximo de 100. Os maiores scores encontrados foram nos aspectos sociais e físicos: média 77,39 (DP = 20,21), mediana 75, mínimo 25 e máximo 100; e 77,57 (DP = 39,71) com mediana 100, mínimo 0 e máximo de 100, respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2 Qualidade de Vida (n=68) através do questionário SF 36, em cada domínio. 

Domínios Mediana Mínimo Máximo Média ± DP
Capacidade funcional 80 0 100 66,03± 34,06
Limitação - aspectos físicos 100 0 100 77,57 ±39,71
Percepção dor 67 20 100 70,59 ± 25,90
Estado geral de saúde 57 25 90 57,47 ± 14,27
Vitalidade 65 20 95 63,09 ± 34,06
Aspectos sociais 75 25 100 77,39 ± 20,21
Limitação - aspectos emocionais 100 10 100 75,98 ± 40,51
Saúde mental 72 20 100 70,29 ± 18,30

Fonte: Elaboração própria. DP= desvio padrão.

No questionário EuroQol EQ-5D, 82% dos moradores relataram pelo menos um problema (moderado ou extremo) em pelo menos uma dimensão. Os quatro estados de saúde mais frequentes (combinações de respostas para as cinco dimensões) foram 18% sem nenhum problema – melhor estado de saúde, seguido de 15% que relataram problema moderado em pelo menos duas dimensões, 10% problema moderado em uma dimensão, e 9% com problemas moderados nas cinco dimensões. O sintoma mais frequentemente relatado foi de dor/desconforto com 17 problemas moderados ou extremos, seguido de pelo menos 13 nas atividades usuais. A mobilidade, ansiedade/depressão e capacidade funcional tiveram respectivamente 12, 11 e 10 problemas moderados ou extremos em seus resultados.

Os níveis de atividade física dos moradores mostraram que a maioria deles são insuficientemente ativos (48,5%) e 14,7% sedentários. Já os ativos foram 35,3% e apenas 1,5% muito ativo. O “muito ativo” foi incluído no “ativo” na análise estatística, por só haver uma pessoa.

Ao confrontar os dados obtidos por meio do questionário SF-36 nos 8 domínios com os níveis de atividade física por grupos de classificação (sedentário, insuficientemente ativo e ativo), observou-se que existe relação entre os níveis de atividade física para os domínios percepção de dor (p = 0,023) e aspectos sociais (p = 0,019) (Tabela 3).

Tabela 3 Qualidade de Vida (SF36) por grupos de classificação segundo a AF (n= 68) 

Domínios Sedentário Insuficientemente ativo Ativo p valor
Capacidade funcional 49,00± 35,963 64,09± 33,74 75,40± 32,30 0,106
Limitação - aspectos físicos 87,50 ± 31,73 74,24 ±42,15 78,00 ± 40,39 0,659
Percepção dor 50,20 ±24,15 72,97 ± 24,93 75,60 ±25,15 0,023*
Estado geral de saúde 51,20 ± 16,02 57,09 ± 13,75 60,48 ± 14,08 0,221
Vitalidade 56,50 ± 19,30 61,36 ± 14,43 68,00 ± 16,01 0,110
Aspectos sociais 61,25 ±24,61 79,17 ±20,17 82,00 ± 16,57 0,019*
Limitação - aspectos emocionais 69,70 ± 39,91 83,84± 34,48 68,00 ±47,61 0,304
Saúde mental 62,00 ± 19,17 72,97 ± 16,76 70,08 ± 19,77 0,257

Fonte: Elaboração própria;

*p≤ 0.05.

Conforme a Tabela 4, ao relacionar os dados obtidos por meio do questionário EuroQol EQ-5D nos 5 domínios: mobilidade, capacidade funcional, atividades usuais, dor/desconforto e ansiedade/depressão com os níveis de atividade física por grupos de classificação (sedentário, insuficientemente ativo e ativo), observou-se que existe relação com o domínio mobilidade (p = 0,006), indicando que os ativos se associam à categoria com ausência de problemas ao andar (ajuste residual 2,6), os insuficientemente ativos com alguns problemas em andar (ajuste residual 2,0) e os sedentários estavam relacionados com o estado de estar na cama (ajuste residual 3,5).

Tabela 4 Qualidade de Vida (EuroQol) por grupos de classificaçâo AF (n= 68) 

EuroQol Sedentário Insuficientemente ativo Ativo Total p valor
Mobilidade
Nenhum problema 5 20 22 47
Problema moderado 3 13 3 19 0,006*
Problema extremo 2 0 0 2
Cuidados pessoais
Nenhum problema 6 22 19 47
Problema moderado 2 11 6 19 0,084
Problema extremo 2 0 0 2
Atividades usuais
Nenhum problema 3 19 18 40
Problema moderado 6 14 6 26 0,60
Problema extremo 1 0 1 2
Dor/ desconforto
Nenhum problema 1 10 11 22
Problema moderado 9 23 14 46 0,171
Problema extremo 0 0 0 0
Ansiedade / depressão
Nenhum problema 6 17 15 38
Problema moderado 3 16 9 28 0,366
Problema extremo 1 0 1 2

Fonte: Elaboração própria.

*p≤ 0.05

Discussão

O presente estudo descreveu a QV atual dos moradores dos SRT da região metropolitana de Porto Alegre e encontrou uma boa condição na maioria dos domínios, tanto por meio do questionário SF 36 como pelo EuroQoL. Muitos países têm indicado que os pacientes desinstitucionalizados podem ser mantidos na comunidade, demonstrando melhora nas habilidades de vida diária e na interação social, no nível global de funcionamento e na QV. A maioria dos pacientes transferidos para as SRT tiveram uma QV aumentada comparada com os moradores dos hospitais, por ser menos restritiva e regimentar23. Nesse contexto, é importante ressaltarmos que, quando os sujeitos se deslocam de uma situação para outra, suas expectativas são de melhoria das condições de vida, o que nos leva a reforçar a ideia da necessidade de implementação de ações voltadas à saúde mental das comunidades24.

Os residentes dos SRT da grande Porto Alegre mantiveram-se sem agravos nos sintomas psiquiátricos ou de depressão, nem tiveram dificuldades nas habilidades diárias ou problemas de comportamento social, quando da transição para o novo sistema habitacional. Além disso, houve melhora significativa na QV e uma redução na medicação. Foram observadas algumas palavras comumente repetidas no contexto da saúde mental: autonomia, respeito, cidadania, casa, tranquilidade, respeito pela vida e à diferença, as quais são pressupostos da Reforma Psiquiátrica17. O presente estudo aplicou os questionários diretamente nos “ex-pacientes”, agora moradores das residências terapêuticas, pessoas reinseridas na comunidade e à procura de sua autonomia. Ao analisar a QV com o nível de atividade física identificou-se relação nos aspectos sociais, o que pode ser devido à inserção dos participantes na comunidade.

Os resultados obtidos com os moradores das residências terapêuticas tiveram uma maior média nos domínios Estado Geral de Saúde e Capacidade Funcional, similar ao estudo que disponibilizou escores para o SF 36 em 755 indivíduos da população geral da cidade de Porto Alegre/RS25. O domínio estado geral de saúde é válido para avaliação de ambos componentes: físico e mental26. Tão importante quanto à avaliação quantitativa e objetiva do indivíduo, é, também, a avaliação subjetiva desse estado de saúde, pois esta é a forma da pessoa demonstrar a sua própria percepção de saúde e de se sentir saudável, e é nesta visão ou dimensão de saúde que o SF-36 avalia esse domínio. A capacidade funcional se refere às atividades mais complexas do cotidiano, tais como: passear, fazer compras, limpar casa, lavar roupa, dirigir, utilizar meios de transporte coletivo, entre outros. O instrumento utilizado, por ser genérico, avaliou a influência que a capacidade funcional exercia sobre a vida do indivíduo quando comparada à população geral, afetando a sua QV.

O domínio mobilidade esteve relacionado com os níveis de atividade física. Os moradores ativos das residências terapêuticas se relacionam à categoria com ausência de problemas ao andar, os insuficientemente ativos com alguns problemas em andar e os sedentários obtiveram associação com o estado de estar na cama. O projeto Mobilidade na Velhice (Lispe) pesquisou, por meio de acelerômetro, a associação entre a atividade física mensurada e a mobilidade diária de 174 pessoas entre 75 e 90 anos, durante uma semana. Os participantes com um espaço de vida restrito eram menos ativos fisicamente e cerca de 70% deles tiveram valores excepcionalmente baixos na contagem de passos diários (≤ 615 passos) e tempo de atividade moderada (≤ 6,8 min). O maior número de passos foi positivamente relacionado à maior mobilidade dos participantes, fortificando a relação entre mobilidade e atividade física27. Estudo com 1.149 participantes examinou se a atividade física no início da idade adulta, no final da meia-idade e na velhice, bem como o histórico de atividade física acumulada ao longo da vida estava associada a mudanças no funcionamento físico e na mortalidade na velhice. Ser fisicamente ativo durante toda a vida adulta foi associado com menor declínio no desempenho físico, bem como com menor risco de mobilidade incidente, incapacidade e morte prematura em comparação com aqueles participantes que tinham sido menos ativos durante sua vida adulta28. A velocidade de caminhada é um sinal vital importante em pessoas mais velhas.

O estudo que investigou se a idade subjetiva (como o indivíduo sente-se em relação à idade cronológica) contribuiu para a velocidade de caminhada, com mais de 8000 participantes, evidenciou que uma idade mais jovem subjetiva esteve associada a mais rápida velocidade de caminhada e com o menor declínio físico e funcional ao longo do tempo29. Estas associações foram parcialmente explicadas pelos sintomas depressivos, pela carga da doença, pelos níveis de atividade física e cognição, índice de massa corporal e tabagismo. A idade subjetiva pode ajudar a identificar os indivíduos em risco de limitações de mobilidade no envelhecimento e ser um alvo para intervenções destinadas a atenuar o declínio físico e funcional, além de contribuir positivamente na QV.

Autores compararam a atividade física e a relação com a QV em doentes crônicos, usando o questionário SF-3630. O aspecto dor foi mencionado por 69% da população pesquisada que não praticava atividade física regular (70,54%), muito próximo aos achados deste estudo no qual 63,2% dos moradores foram classificados como sedentários e insuficientemente ativos. Evidências cientificas comprovam a eficácia da atividade física (condicionamento aeróbico, fortalecimento muscular, treinamento de flexibilidade e terapias de movimento) em combinação com abordagens farmacológicas e não farmacológicas na melhora da QV30-33. Apesar da variância na origem ou patogênese, muitas condições são igualmente caracterizadas por dor crônica, má função física, limitações de mobilidade, depressão, ansiedade e perturbações do sono34. O exercício pode diminuir a dor e melhorar a função de condições de dor crônica, sendo um tratamento eficaz para várias doenças de dor crônica, incluindo fibromialgia, dor de garganta crônica, osteoartrite, artrite reumatóide e dor lombar crônica30. A investigação dos efeitos do exercício físico em mulheres com dor crônica mostrou que, após o exercício, houve diminuição dos níveis de substância P e do glutamato (que são neurotransmissores nociceptivos de algumas fibras aferentes), aumento dos níveis de beta-endorfina e cortisol, além da diminuição da intensidade da dor e o aumento do seu limiar no grupo com dor crônica33.

A percepção de QV associada à saúde em idosos encontra-se intimamente ligada à prática de atividade física31. Outro estudo chamado Youth Study Early-intervention (YES) ou Intervenção Prévia na Juventude é um protocolo de estudo australiano randomizado controlado, que visa a participação social e o bem-estar físico como um complemento ao tratamento psiquiátrico convencional. Este ensaio em andamento usa dois módulos de terapia de grupo facilitado (atividade física e social) como veículos para promover a mudança clínica, cognitiva, social e profissional de 120 jovens que frequentam os serviços de saúde mental em Sydney. Os módulos são um complemento aos tratamentos habituais oferecidos aos jovens e potencializam a atividade física como um recurso inestimável na promoção da saúde35.

As pessoas com transtornos mentais crônicos exercitam-se menos que a população em geral, quer seja em decorrência da própria patologia, que em alguns casos provocam lentificação psicomotora, ou em consequência dos medicamentos que acabam comprometendo a motricidade. Nesse sentido, o movimento frequente é preferível ao comportamento sedentário. A atividade física é cada vez mais reconhecida como um componente eficaz como coadjuvante no tratamento para várias doenças mentais. A associação inversa entre atividade física e doença cardiometabólica é bem estabelecida, assim como a forte ligação entre a doença mental, o comportamento sedentário e a saúde cardiometabólica precária36. A prescrição de atividade física como tratamento preconiza que tais intervenções são mais bem-sucedidas quando o exercício físico é adaptado individualmente e respeita a adequada velocidade de progressão, considerando as limitações físicas, as necessidades psicossociais e os recursos disponíveis dos indivíduos34.

Dados da Organização Mundial da Saúde evidenciam que pessoas com depressão e esquizofrenia têm 40 a 60% mais chances de morte prematura por comorbidades (câncer, doenças cardiovasculares, diabetes, HIV) do que a população em geral37. Assim como há evidência da relação entre depressão, infarto do miocárdio e diabetes – pessoas que sofreram infarto do miocárdio e diabetes são mais propensas a desenvolver depressão e vice-versa. Nesse sentido, uma população institucionalizada durante muitos anos, necessita um cuidado atento não somente para as questões de ordem psiquiátrica, mas também à saúde geral. As queixas de ordem da saúde “física”, às vezes relegadas a um plano secundário, em razão da preponderância do quadro mental, sinalizam para o imperativo da integralidade do cuidado e a não dissociação saúde física e mental.

A atividade física melhora a saúde geral, o risco de doenças e a progressão de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade34. O exercício desencadeia a liberação de beta-endorfina da hipófise (perifericamente) e do hipotálamo (central), que por sua vez proporciona efeitos analgésicos através da ativação de receptores μ-opióide perifericamente e centralmente32. Além disso, a caminhada e os programas de atividade física podem proporcionar a oportunidade de alargar as relações sociais, estimulando novas amizades, o que gera efeitos saudáveis no nível cognitivo e na QV28.

Conclusão

Nas últimas décadas, as crescentes inovações tecnológicas da Medicina trouxeram um aumento da expectativa de vida da população. Isto ocorre tanto em indivíduos saudáveis, como para aqueles com enfermidades crônicas, uma vez que os tratamentos disponíveis permitem um maior controle de sintomas e um retardo do curso natural das doenças. Desta forma, a QV entra como um fator fundamental para avaliar as pessoas com transtornos mentais crônicos e a atividade física mostra-se como um fator de proteção.

A desinstitucionalização dos moradores asilares do Hospital Psiquiátrico São Pedro constituiu-se em um evento importante da Reforma Psiquiátrica no Rio Grande do Sul, além da criação de uma rede de serviços substitutivos. Os benefícios de morar em uma casa são inquestionáveis. Entretanto, há a necessidade de continuar realizando investimentos para que os moradores possam usufruir plenamente dos direitos conquistados. A pesquisa permitiu conhecer a percepção dos próprios moradores sobre como estão sendo prestados os serviços no que concerne a atividade física e a qualidade de vida, trazendo dados importantes para a tomada de decisões de futuras políticas públicas.

O estudo avaliou a QV em todos os moradores dos SRT da região metropolitana de Porto Alegre/RS, com dois instrumentos distintos utilizados na literatura cientifica internacional. Os dados evidenciam uma média relativamente baixa no estado geral de saúde e pelo menos um problema moderado ou extremo em 82% dos avaliados. No que se refere ao nível de atividade física, ficou evidente que a maioria não pratica atividade física regularmente. Ao analisar tais escores com os níveis de atividade física nesta população, nos deparamos com a percepção de dor, os aspectos sociais e a mobilidade relacionados ao sedentarismo. Frente a esses dados, salienta-se a lacuna relacionada à falta de incentivo para a prática de atividade física e a perda dos possíveis benefícios físicos e sociais desta para a amostra estudada.

As limitações do estudo foram a dificuldade de acesso aos prontuários e a diferença entre os serviços prestados em uma e outra residência terapêutica. Além disso, há poucos estudos nacionais e internacionais relacionados à qualidade de vida e atividade física em pessoas com transtornos mentais e, ainda mais raros considerando a associação de tais fatores em pessoas moradores de residenciais terapêuticos.

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