Qualidade de vida relacionada à saúde entre adultos e fatores associados: um estudo de base populacional

Qualidade de vida relacionada à saúde entre adultos e fatores associados: um estudo de base populacional

Autores:

Daniele Durães Noronha,
Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins,
Diego dos Santos Dias,
Marise Fagundes Silveira,
Alfredo Maurício Batista De Paula,
Desirée Sant Ana Haikal

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.2 Rio de Janeiro fev. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015212.01102015

Introdução

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS)1, Qualidade de Vida (QV) é “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Por se tratar de um conceito dinâmico, amplo, subjetivo e polissêmico2 vários termos têm sido utilizados na literatura para definir QV, como bem-estar3, grau com que as pessoas aproveitam as possibilidades de suas vidas4, percepção de satisfação com a vida2. A ampla dimensão da saúde e sua relação com diversos aspectos positivos e negativos da vida permitem distintas formas de avaliação, levando indivíduos com a mesma morbidade a manifestarem diferentes níveis de saúde e de bem-estar, físico e emocional. Baseado nessas questões e na multidimensionalidade da QV, surgiu o conceito de Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS), bem como uma proliferação de instrumentos para medi-la3.

Os instrumentos de QVRS, criados para transformar sensações subjetivas em pontuações passíveis de mensuração e análise objetiva, têm sido utilizados na literatura nos últimos anos, embora alguns sejam considerados como bastante extensos e/ou complexos para aplicação e análise. Comumente os instrumentos para mensurar QVRS apresentam questões divididas em grupos (também chamados de domínios ou componentes) e visam avaliar alguns aspectos específicos de limitação de saúde e bem estar4,5. Dentre os instrumentos mais utilizados, pode-se destacar o World Health Organization Quality of Life Assessment (WHOQOL), o Medical Outcomes Study 36-Item Short Form (SF-36) e o 12-Item Short-Form Health Survey (SF-12)4. Este último é internacionalmente reconhecido e amplamente utilizado na avaliação da QVRS em inquéritos populacionais, por ser curto, compreensível, capaz de monitorar desfechos em saúde tanto em populações gerais quanto específicas5 e com propriedades psicrométricas satisfatórias6. Tal instrumento sintetiza escores para os componentes físico (CF) e mental (CM) da QVRS.

Estudos prévios têm avaliado a QVRS em populações específicas, normalmente institucionalizados e/ou portadores de alguma doença crônica, entre eles câncer de próstata7, câncer em estágio avançado8, anemia falciforme9, doença hepática10, indivíduos com dor crônica generalizada11, em hemodiálise12, dentre outros. No entanto, há grande escassez de estudos sobre a QVRS conduzidos entre adultos da população em geral, sem qualquer patologia específica e não institucionalizados, embora, venha sendo crescente o reconhecimento da importância de se gerar dados relacionados à saúde e à QVRS desse estrato populacional. Adultos representam a maioria da população, demandam por serviços de saúde, possuem particularidades epidemiológicas e, por serem em sua maioria constituídos por trabalhadores, suas condições de saúde e bem estar podem trazer importante impacto econômico e social, tanto no contexto familiar, quanto na economia do país13,14. Além disso, adultos influenciam de forma decisiva o comportamento de seus dependentes e, neste sentido, padrões de comportamento e estilos de vida adotados entre adultos13, tais como o consumo de tabaco, de bebidas alcoólicas, a prática de atividades físicas, entre outros, além de influenciarem o padrão de morbidade a médio/longo prazo, poderão trazer também consequências às gerações futuras.

Nesse contexto, este estudo investigou através do SF-12, os CF e CM da QVRS e sua associação com características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais em uma amostra representativa de adultos da comunidade, ou seja, não institucionalizados e não portadores de condições sistêmicas específicas.

Metodologia

Estudo transversal analítico conduzido entre adultos de 35 a 44 anos do município de Montes Claros, considerado o principal centro urbano do norte do Estado de Minas Gerais, que, por esse motivo, apresenta características de capital regional, com raio de influência que abrange toda essa área e parte do sul da Bahia. Em 2013, sua população foi estimada pelo IBGE em 385.898 habitantes15. Com uma taxa de urbanização da ordem de 90%, o município contava em 2009 com 224 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,77, considerando-se assim como alto em relação ao país. A indústria e o comércio do município representam importantes atividades econômicas para a região16.

Amostragem: com o objetivo de obter representatividade para adultos do município, foi proposta uma amostragem complexa, probabilística, por conglomerados e com garantia de proporcionalidade por sexo (54% do sexo feminino, conforme estimado para a população do município pelo IBGE17). Os cálculos evidenciaram a necessidade de se avaliar 762 adultos, considerando-se a prevalência dos eventos ou doenças em 50%, erro absoluto de 5,5%, nível de confiança de 95%, deff igual a 2,0 e taxa de não resposta de 20%. Adotou-se uma prevalência de 50% a fim de garantir poder de inferência para maior numero de desfechos, em função da multiplicidade destes conforme investigado no projeto guarda-chuva que deu origem ao presente estudo. Para a coleta de dados, conduzida nos domicílios, na área urbana optou-se por uma amostra probabilística por conglomerados em dois estágios, sendo o primeiro constituído pelos setores censitários urbanos (Unidades Primárias de Amostragem – UPA) e o segundo constituído pelas quadras urbanas (Unidades Secundárias de Amostragem – USA). Na zona rural, optou-se por uma amostra probabilística por conglomerados em um único estágio, em que as UPA foram constituídas pelas áreas rurais. As UPA foram selecionadas de forma aleatória simples, tendo sido sorteados 52 dos 276 setores censitários urbanos e duas das onze áreas rurais, conforme o mapa do município com os setores definidos pelo IBGE17. No segundo estágio, em cada um dos 52 setores, sorteou-se de uma a 11 quadras, totalizando 354. Foram excluídas as quadras urbanas não domiciliares (aquelas constituídas por praças, igrejas, indústrias, quartéis ou presídios). Na zona rural, foram selecionados todos os domicílios situados a uma distância de até 500 metros de uma instituição de referência. Todos os domicílios situados nas áreas selecionadas foram sequencialmente visitados, e os adultos (35-44 anos) convidados a participar. A opção de conferir proporcionalidade por sexo na amostra (mantendo a mesma proporção estimada para a população do município) buscou evitar superestimação do sexo feminino, conforme ocorrido em outros inquéritos domiciliares18. Maiores detalhes a respeito da amostragem adotada podem ser obtidos em publicação prévia19.

Coleta de dados: As entrevistas foram realizadas nos domicílios onde foram identificados adultos na faixa etária de interesse. Estes, por sua vez, foram devidamente informados sobre a pesquisa e convidados a participar. Todos os incluídos no estudo assinaram termo de consentimento livre e esclarecido. Foram excluídos da pesquisa os domicílios que, embora localizados nas quadras sorteadas, não tenham sido encontrados moradores após três tentativas de contato, em diferentes dias e turnos. As entrevistas foram conduzidas por entrevistadores treinados e os dados foram coletados em palmtop, utilizando um software desenvolvido especificamente para esta pesquisa, permitindo a construção simultânea do banco de dados.

Variáveis do Estudo: A QVRS foi avaliada pelo SF-125 em sua versão validada no Brasil por Camelier4. Trata-se de uma versão mais concisa de seu precursor, o SF-365, de mais fácil e rápida aplicação, sensível para a avaliação de diferentes níveis de QVRS, confiável e com consistência interna satisfatória6. O instrumento é composto por 12 itens que avaliam as dimensões capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental, considerando a percepção do indivíduo em relação a aspectos de sua vida nas quatro últimas semanas. Cada um dos 12 itens possui um conjunto de possíveis respostas distribuídas em uma escala tipo Likert, sendo possível, a partir da aplicação de um algoritmo próprio do questionário, calcular seus dois componentes: o Componente Físico – CF (Physical Component Summary ou PCS) e o Componente Mental – CM (Mental Component Summary ou MCS). Estes escores são transformados em uma escala de zero a cem, sendo os valores maiores correlacionados à melhor QVRS20. Os escores obtidos para cada um dos domínios foram considerados como as variáveis dependentes deste estudo.

As variáveis independentes foram reunidas em três subgrupos: Características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais.

Características sociodemográficas: sexo, idade, estado civil, cor da pele autodeclarada, escolaridade, renda, trabalho atual, moradia e posse de automóvel na família. A variável sexo foi mantida conforme coletada. As variáveis idade, escolaridade em anos, renda e posse de automóvel, embora coletadas de forma quantitativa discreta, foram agrupadas em categorias.

Relativas à saúde: uso do serviço odontológico no último ano, doença crônica e uso diário de medicamentos, mantidas conforme coletadas.

Comportamentais: uso do tabaco (hábito tabagista atual), consumo de bebida alcoólica (frequência de consumo de bebida alcoólica) e prática de atividade física (frequência com que realiza atividade física). A variável relativa ao tabagismo foi apresentada conforme coletada. As demais variáveis, embora coletadas utilizando escala de Likert, foram reagrupados em novas categorias.

Análises Conduzidas: Foi utilizado o software estatístico Predictive Analytics Software (PASW/SPSS)® versão 18.0 para Windows®. Todas as estimativas foram conduzidas respeitando-se a necessidade de correção pelo efeito de desenho, por serem provenientes de amostras por conglomerados. Neste caso, foram atribuídos pesos diferenciados aos elementos amostrais para compensar as diferentes probabilidades de inclusão, considerando também o efeito do conglomerado e as taxas de não resposta.

Inicialmente, foram conduzidas análises descritivas de todas as variáveis envolvidas. Foram apresentadas frequências simples e percentuais corrigidos. Medidas de tendência central (média) e variabilidade (erro-padrão), também corrigidas, foram estimadas para a descrição do CF e do CM avaliados pelo SF-12. Além disso, foi adotado como ponto de corte do CF e do CM, o limite inferior do IC-95% da média estimada21, sendo que indivíduos que obtiveram pontuações abaixo do ponto de corte, para cada um dos domínios separadamente, foram considerados com percepção negativa da QV para o domínio em questão. Para estimar a prevalência geral de percepção negativa da QVRS, foram considerados os indivíduos que apresentaram comprometimento no CF ou no CM.

A associação dos CF e CM (variáveis dependentes), com as características investigadas, foram verificadas por meio do teste “t” de Student e Análise de Variância (Anova). As variáveis que nas análises bivariadas apresentaram nível descritivo (valor-p) igual ou inferior a 0,20 foram selecionadas para a análise multivariável. Para esta, foi utilizado o Modelo Linear Geral (MLG), no qual o CF e o CM foram considerados como variáveis dependentes e as características selecionadas como independentes. Os modelos finais foram ajustados, mantendo-se somente as variáveis associadas a cada domínio (nível descritivo igual ou inferior a 0,05).

Implicações Éticas: Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme explicitado no capítulo IV da Resolução CNS 196/96. A coleta de dados enquadra-se na modalidade de pesquisa de risco mínimo (Resolução 196/96 do CNS) e os dados foram obtidos após aprovação do protocolo de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa Institucional.

Resultados

Dos 924 adultos convidados a participar da pesquisa, por residirem nos conglomerados sorteados, 841 aceitaram, caracterizando uma taxa de resposta de 91%. A média de idade foi de 39,5 anos. Identificou-se ligeiro predomínio do sexo feminino, sendo que a maioria possuía união estável/casado, se autodeclarou indígena/negro/pardo, não possuía automóvel, mas sim moradia própria. A escolaridade e a renda per capita foram relativamente baixas, sendo que 75% relataram possuir até 11 anos de escolaridade e 70% renda per capita de até R$ 300,00. Pouco mais de um quarto relatou não exercer atividades trabalhistas. Nas características relativas à saúde e comportamentais, a maioria declarou não haver usado o serviço odontológico no último ano, não possuir doença crônica, não ingerir medicamentos diariamente, não fazer uso de tabaco e de bebida alcoólica e nunca/raramente praticar atividades físicas (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos adultos (n = 841) e análise bivariada dos Componentes Físico (CF) e Mental (CM) do SF-12 segundo características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais. Montes Claros (MG). 

Estimativas corrigidas pelo efeito do desenho amostral. * Teste “t” de Student. ** ANOVA.

Os valores médios, o erro padrão e o IC-95% obtidos para o CF e para o CM foram respectivamente, 49,9 (EP 0,50; IC-95% 48,9-50,9) e 47,1 (EP 0,26; IC-95% 46,6-47,7). Segundo os pontos de corte adotados (48,9 para CF e 46,6 para CM), 31% e 37,2% dos adultos apresentavam percepção negativa da QVRS em relação ao CF e CM, respectivamente. Desta forma, 57% dos adultos apresentaram percepção negativa da QVRS em pelo menos um domínio.

A Tabela 1 apresenta a comparação das médias do CF e CM segundo as características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais (análise bivariada). Ao nível de 0,20, as seguintes variáveis apresentaram associações com ambos os domínios da QVRS sendo incluídas na análise multivariável: trabalha atualmente, doença crônica, uso diário de medicamento, uso de tabaco e prática de atividade física. O CF foi ainda associado ao sexo, idade, escolaridade, renda, posse de automóvel na família, uso do serviço odontológico e consumo de bebida alcoólica, e observou-se ainda associação entre CM e estado civil.

Na análise multivariável (Tabela 2) observou-se que ser do sexo masculino (β = 1,94), possuir automóvel na família (β = 0,89), ter utilizado serviço odontológico no último ano (β = 1,86), não possuir doença crônica (β = 4,60), não fazer uso diário de medicamento (β = 2,09), não utilizar tabaco (β = 2,04) e praticar atividades físicas (β = 1,73) revelaram-se associadas a maiores níveis do escore do CF.

Tabela 2 Análise multivariável do Componente Físico do SF-12 (CF) de acordo com características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais dos adultos de Montes Claros (MG) e coeficientes estimados (β) pelo Modelo Linear Geral (MLG) com seus respectivos erros-padrão (EP). 

Estimativas corrigidas pelo efeito do desenho amostral. R2 = 18%

As variáveis associadas a maiores escores de QVRS relativa ao CM foram não fazer uso diário de medicamento (β = 1,91) e não fazer uso de tabaco (β = 1,26) (Tabela 3).

Tabela 3 Análise multivariável do Componente Mental do SF-12 (CM) de acordo com características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais dos adultos de Montes Claros (MG) e coeficientes estimados (β) pelo Modelo Linear Geral (MLG) com seus respectivos erros-padrão (EP). 

Correção para efeito de desenho. R2=3%

De forma complementar, a Tabela 4 apresenta a distribuição dos adultos investigados segundo cada pergunta do SF-12.

Tabela 4 Distribuição (n e %) dos adultos de Montes Claros segundo cada pergunta do SF-12. 

Estimativas corrigidas pelo efeito do desenho amostral.

Discussão

Este trabalho revelou alta prevalência de comprometimento da QVRS entre adultos, uma vez que mais da metade dos sujeitos investigados (57%) apresentou percepção negativa da QVRS no CF ou no CM. Considerando que se trata de uma amostra de adultos em geral da comunidade, não selecionados por apresentarem alguma patologia específica, o dado revela-se digno de preocupação. O CM apresentou maior prevalência de comprometimento e mais baixo escore médio, quando comparado ao CF. O uso diário de medicamentos e o hábito tabagista mostraram-se associados a níveis mais baixos de QVRS, tanto no CF quanto no CM. O CF esteve ainda associado ao sexo, posse de automóvel na família, uso de serviços odontológicos, doença crônica e prática de atividade física.

Os valores médios obtidos para o CF (49,9) e CM (47,1) foram similares aos encontrados no estudo de base populacional na cidade de São Paulo conduzido entre 108 portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC (CF = 49,7; CM = 50,4) e 670 controles (CF = 51,9; CM = 51,5), cuja média de idade da amostra investigada foi de 54 anos4. Considerando que a presente investigação foi conduzida entre adultos em geral, não portadores de uma doença específica e que a média de idade aqui foi de 39,5 anos, seria esperada maior QVRS para os adultos de Montes Claros do que para os portadores de DPOC, fato que não ocorreu. Por outro lado, a média verificada para o CF entre os adultos de Montes Claros foi mais alta do que o verificado para portadores de câncer de próstata (43,5)7, para indivíduos em hemodiálise (39,7)12 e para pacientes com câncer em estágio avançado (37.1)8, embora mais baixa do que o verificado para indivíduos com dor crônica generalizada (53,8)11. Quanto ao CM, a média verificada para os adultos de Montes Claros foi mais baixa do que as observadas entre portadores de câncer de próstata (52,1)7, indivíduos com dor crônica generalizada (53,0)11, próxima a verificada para indivíduos em hemodiálise (47,7)12 e mais altas do que as verificadas para pacientes com câncer em estágio avançado (43,8)8 e entre pacientes com doenças hepáticas crônicas (43,01)10. A identificação de escores médios mais altos para o CF do que para o CM, já havia sido constatada em estudos prévios usando o SF-1210,11,22.

Além disso, convém destacar que para estimar a prevalência de percepção negativa da QVRS, foram adotados como pontos de corte do CF e do CM, o limite inferior do IC-95% da média amostral obtida21 (48,9 para CF e 46,6 para CM). Alguns estudos adotaram como ponto de corte do CF e do CM, respectivamente, 50 e 425,22. No entanto, a adoção de um ponto de corte arbitrário e único para todos os estudos pode não ser a melhor forma de identificar indivíduos com comprometimento na QV, uma vez que seus níveis variam em diferentes populações, com diferentes faixas etárias e diferentes contextos. Assim, a adoção de ponto de corte específico para cada estudo desenvolvido foi sugerida e a adoção do limite inferior do IC-95% parece apropriada para diferenciar indivíduos com mais baixa QV, considerando os níveis médios específicos da população em estudo21.

Estudos prévios constataram a influência de algumas das características sociodemográficas, relativas à saúde e comportamentais na QVRS4,22-26. Níveis mais altos de QVRS no CF para indivíduos do sexo masculino já haviam sido evidenciados na literatura nacional12,26,27 e internacional11,25,28. Estudo prévio evidenciou que as mulheres são mais preocupadas com o estado de saúde e procuram mais assistência médica do que homens29 e, portanto, podem apresentar maior prevalência de comprometimento da QVRS26 quando comparadas a estes.

Foi interessante observar que embora a posse de automóvel não aparente ter uma relação direta com a QVRS, a mesma revelou-se associada ao CF, aumentando-o em 0,89 unidades em relação a quem não possui esse bem na família. Famílias que não possuem automóveis, possivelmente dependem do transporte público para os deslocamentos, e os problemas na infraestrutura de transporte e a própria qualidade deste podem comprometer a mobilidade das pessoas e a capacidade de transitar delas. Estudo realizado em São Paulo observou que a mobilidade estaria diretamente relacionada à QV dos cidadãos e traduziria a possibilidade de as pessoas participarem de atividades do seu interesse30.

O uso do serviço odontológico no último ano apresentou-se associado a níveis mais altos de QVRS no CF. Estudo prévio evidenciou que impactos das desordens bucais estiveram associados a uma percepção negativa da QVRS, nos CF e CM do SF-1231. As doenças bucais podem comprometer a QVRS e restringir as atividades cotidianas dos indivíduos. O uso recente de tais serviços, pode minimizar tais impactos e dar a sensação de “estar em dia com a saúde bucal”.

Da mesma forma, a ausência de doenças crônicas, aumentou de forma pronunciada (em 4,6 unidades) os níveis de QVRS no CF. Não surpreende que esta variável tenha sido a que mais contribuiu no modelo múltiplo do CF, já que o SF-12 enfoca o bem estar relacionado às condições de saúde. Estudo prévio conduzido em uma amostra de 755 indivíduos da população geral de Porto Alegre, de 20 a 64 anos, utilizando o SF-36, também evidenciou pior QVRS para os que autorrelataram doença crônica26. Além disso, estudos conduzidos entre portadores de alguma doença crônica, quando comparados a controles, também evidenciaram significativo aumento dos níveis de QVRS para os controles não doentes4,10. Já foi observado também que a presença de comorbidades diminui de forma significativa a QVRS7,25,28,32. Na presente investigação não foi observada associação entre o relato de doença crônica e o CM, o que surpreendeu. Talvez, pelas características da população pesquisada, composta por adultos relativamente jovens, não portadores de doenças específicas, em sua maioria funcionalmente independentes e trabalhando, pode explicar o fato de relatarem doença crônica sem que esta represente motivo suficiente para impactar o CM da QVRS.

Já a necessidade de uso diário de medicamento mostrou-se associada à QVRS tanto no CF quanto no CM. A necessidade de uso diário de medicação é, provavelmente, decorrente da presença de condições crônicas, o que é fortemente associada a piores níveis de QVRS, conforme vastamente demostrado na liretaura4,10,11,26,33,34. O uso diário de medicação possivelmente carrega consigo a ideia de doença mais séria, dependência e obrigação, agindo como fator de ansiedade e/ou depressão. Estudo prévio evidenciou que indivíduos ansiosos e depressivos apresentam respectivamente 4 e 5 vezes maior risco de terem piores pontuações no CM11.

Os adultos que não relataram hábito tabagista apresentaram maior QVRS no CF e CM quando comparados àqueles que fumam. Estudo com 60 pacientes que participaram de um programa de cessação tabágica para avaliar a QVRS empregando o SF-36 verificou que ex-fumantes tiveram uma melhora significativa dos CF e CM após o programa de um ano de abstinência35. Na presente investigação observou-se que a não utilização de tabaco aumentou a QVRS em 2,04 unidades no CF e em 1,26 no CM, compatível com estudos prévios36,37 que observaram que fumantes ativos relatam pior estado geral de saúde do que não fumantes ou ex-fumantes. Mais uma vez, a questão da dependência diária aparece associada ao CM da QVRS. O tabagista, além da dependência por si só e da consciência de que está atuando contra a própria saúde, sofre forte cobrança da sociedade que muitas vezes culpabiliza os indivíduos ao invés de apoiá-los na mudança por comportamentos mais saudáveis dentro dos propósitos da Promoção de Saúde, causando formas de exclusão social, preconceito, sentimento de culpa e medo, deixando-os entregues a si mesmos e ao seu vício38. Evidencia-se a importância de programas de apoio à cessão do hábito tabagista para maior bem estar e saúde da população, baseados na “alfabetização em saúde” (health literacy), um conceito relativamente novo em Promoção de Saúde, usado para descrever os resultados das atividades de educação e comunicação, enfocando melhor acesso das pessoas às informações em saúde e na capacidade dos indivíduos de usar tais informações eficientemente, sendo base para o empowerment39.

A prática de atividade física, realizada por somente 20% dos adultos entrevistados, mostrou-se associada a melhores níveis de QVRS no CF. Outros estudos já evidenciaram que a prática regular de atividade física e uma maior aptidão física estão associadas a uma menor mortalidade e melhor QVRS em populações adultas40 e de adolescentes22. Existem cada vez mais dados demonstrando que o exercício, a aptidão e a atividade física estão relacionados com a prevenção, a reabilitação de doenças e a QV e bem-estar40,41, devendo tais comportamentos ser estimulados e que entornos apropriados para tal prática sejam garantidos por políticas públicas.

Este estudo realizou regressão múltipla através do modelo linear geral, que é indicado para variáveis dependentes numéricas e oferece a vantagem de observar a magnitude do impacto na variável dependente com a alteração de uma unidade na independente, o que torna a análise mais sensível. Modelos lineares generalizados foram formulados como uma maneira de unificar vários modelos estatísticos, incluindo as regressões linear, logística e de Poisson, sob um só marco teórico, permitindo desenvolver um algoritmo geral para a estimativa de máxima verossimilhança em todos estes modelos42. A adoção de modelo linear geral na análise de dados provenientes do SF-12 já foi realizada em investigação prévia, conduzida entre adolescentes22.

Uma limitação deste trabalho relaciona-se ao fato de ser um estudo transversal, que não permite estabelecer relação temporal entre a QV e as variáveis independentes pesquisadas. Quanto ao percentual da variância explicado pelos modelos finais, verifica-se que foi modesto (R2 ajustado de 18% para CF e 3% para o CM), em grande parte porque a QV representa um desfecho complexo e multifatorial, e é provável que importantes variáveis explicativas não tenham sido incluídas nas análises, indicando que apenas uma compreensão parcial pode ser alcançada através de estudos epidemiológicos deste tipo. Infelizmente, a maioria dos estudos não apresenta o percentual da variância explicado pelos modelos obtidos, dificultando comparações a esse respeito.

O erro absoluto adotado no cálculo do tamanho amostral foi de 5,5%, resultando em um n = 762 indivíduos. Se um erro absoluto de 5% fosse adotado no planejamento amostral, mantendo-se fixos os demais parâmetros, a amostra final calculada seria de 819 indivíduos, inferior à realmente obtida (n = 841). Ou seja, a amostra final garantiu poder de inferência considerando um erro absoluto de 5%. Merece ser comentado ainda que este estudo é um recorte de um projeto maior. O cálculo amostral do projeto maior foi realizado para estimativa de uma prevalência (50% a fim de garantir maior amostra e, consequentemente, maior poder de inferência para os diferentes desfechos investigados). Entretanto, o objetivo da presente pesquisa não foi o de estimar uma prevalência, mas sim investigar médias, tendo sido adotado o modelo linear para identificar os fatores que poderiam contribuir com maiores níveis médios de QV, tanto em seu CF quanto no seu CM. Assim, sendo revisto o cálculo do tamanho amostral para atender especificamente aos objetivos da presente investigação, teríamos ainda menor erro do que o apontado (5%). Simulação realizada adotando-se a fórmula n = 50 + 8K (em que k = número de variáveis independentes do modelo linear)43 evidenciou que o tamanho da amostra foi bem acima do necessário, garantindo menor erro e, consequentemente, maior poder de inferência para o desfecho investigado.

Mais investigações são necessárias a fim de se alcançar, cada vez mais, melhor compreensão acerca da QVRS e bem-estar de adultos, incluindo concomitantemente variáveis físicas, sociais, culturais e comportamentais, tais como health literacy, capital social, ocorrência de transtornos psíquicos, acesso aos serviços de saúde, satisfação com o trabalho, composição familiar, religiosidade e espiritualidade, ainda pouco explorados com relação à QV.

Conclusão

A alta prevalência (57%) de comprometimento da QVRS entre adultos em geral da comunidade, é preocupante. Constatou-se que ser do sexo masculino, possuir automóvel na família, ter utilizado serviços odontológicos recentemente, não possuir doença crônica, não fazer uso diário de medicamento, não ser tabagista e praticar atividades físicas apresentaram-se relacionados a maiores níveis no CF da QVRS. Por sua vez, não fazer uso diário de medicamentos e não ser tabagista estiveram associados a maiores níveis no CM da QVRS. A população adulta, por sua relevância social e econômica, merece maior atenção de estudos e o incremento de políticas voltadas à manutenção e/ou recuperação de seu bem estar físico e mental.

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