Questionário de Hábitos de Sono das Crianças em Português - validação e comparação transcultural

Questionário de Hábitos de Sono das Crianças em Português - validação e comparação transcultural

Autores:

Filipe Glória Silva,
Cláudia Rocha Silva,
Lígia Barbosa Braga,
Ana Serrão Neto

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.90 no.1 Porto Alegre jan./ev. 2014

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2013.06.009

Introdução

O sono adequado é cada vez mais reconhecido como um importante determinante da saúde em crianças e adolescentes, pois este pode afetar as funções cognitivas, o desempenho escolar, o comportamento, o controle emocional, o peso e o risco de quedas acidentais.1 - 5 Suas consequências podem se estender também à qualidade do sono e às atividades diurnas dos pais.6

Em todo o mundo, pais relatam dificuldades para dormir em 10%-75% das crianças, variando de problemas de comportamento transitórios a doenças mais persistentes e graves, como síndromes da apneia do sono.3 , 7 , 8 Os problemas do sono também parecem ser comuns em Portugal e no Brasil, porém, há uma falta de dados recentes sobre os hábitos de sono de crianças entre dois e seis anos de idade, obtidos com questionários validados.9 , 10

O Questionário de Hábitos de Sono das Crianças (CSHQ) é um questionário retrospectivo respondido pelos pais, desenvolvido nos Estados Unidos para avaliar o comportamento do sono em crianças em idade escolar.11 As perguntas foram selecionadas para incluir as apresentações dos sintomas dos distúrbios do sono infantil mais comuns, segundo a Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono.12 Dos 45 itens iniciais, 33 (fig. 1) foram agrupados conceitualmente em oito subescalas, refletindo os seguintes domínios do sono: Resistência em Ir para a Cama; Início do Sono; Duração do Sono; Ansiedade do Sono; Despertares Noturnos; Parassonias; Distúrbios Respiratórios do Sono; e Sonolência Diurna. Essa estrutura de 33 itens foi validada para a triagem dos distúrbios do sono em crianças com idade escolar (4 a 10 anos de idade), apresentando uma consistência interna da escala completa de 0,68 em uma amostra populacional, variando de 0,36 a 0,70 nas subescalas. Comparando os resultados das amostras populacional e clínica, este estudo sugeriu um corte da pontuação total de 41 para identificar as crianças com possíveis distúrbios do sono.12

Figura 1 Versão original do Children´s Sleep Habits Questionnaire (versão com 33 itens). 

O CSHQ foi utilizado posteriormente em vários estudos, refletindo sua utilidade e propriedades psicométricas adequadas, e também foi utilizado com sucesso em crianças de dois a três anos de idade.13 , 14 Existem adaptações do questionário para outros idiomas, como chinês, hebraico, holandês, alemão, italiano e espanhol, e, para a maior parte deles, existem estudos de validação publicados.15 - 20

O CSHQ foi adaptado anteriormente para a língua e cultura portuguesa.21 Neste estudo, visamos validar o CSHQ e compará-lo com as versões de outros países.

Métodos

O CSHQ avalia a percepção dos pais do sono de seus filhos durante a semana anterior ou, caso não seja representativo por alguma razão, durante uma semana típica mais recente. A frequência dos comportamentos do sono é classificada em uma escala de três pontos, como "habitualmente" (cinco a sete vezes por semana, totalizando três pontos), "às vezes" (duas a quatro vezes por semana, totalizando dois pontos) ou "raramente" (0 a uma vez por semana, totalizando um ponto). A pontuação de alguns itens foi revertida (itens 1, 2, 3, 10, 11 e 26) para que um escore mais elevado correspondesse a um sono mais perturbado. Foram calculados os escores da escala completa (33 itens) e das subescalas.12 As subescalas são Resistência em Ir para a Cama (itens 1, 3, 4, 5, 6 e 8), Início do Sono (item 2), Duração do Sono (itens 9, 10 e 11), Ansiedade do Sono (itens 5, 7, 8 e 21), Despertares Noturnos (itens 16, 24 e 25), Parassonias (itens 12, 13, 14, 15, 17, 22 e 23), Distúrbios Respiratórios do Sono (itens 18, 19 e 20) e Sonolência Diurna (itens 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32 e 33).

A adaptação cultural do CSHQ para o português (CSHQ-PT) foi autorizada pela autora da versão original em 2009, que também aprovou a retrotradução final. Esse processo foi desenvolvido por uma equipe de tradução de Portugal, de acordo com as orientações recomendadas.21 - 23 O questionário foi traduzido para o português por dois tradutores independentes, e foi obtida uma única versão de consenso; a retrotradução em inglês foi feita por outros dois tradutores, dos quais o inglês era o seu idioma nativo, e resumida em uma única versão. A equipe de tradução, que também incluiu um pneumologista pediatra e um tradutor profissional, revisou os documentos para resolver pequenas discrepâncias e para obter uma versão em português conceitualmente equivalente à original e compreensível pelos pais com pouco nível de alfabetização. A versão final em português (fig. 2) foi testada em entrevistas cognitivas (n = 10 pais; incluindo três pais brasileiros), mostrando que a mesma estava clara para o entendimento de todos eles.

Figura 2 Versão em português do Questionário de Hábitos de Sono das Crianças (versão com 33 itens). 

Para crianças abaixo de quatro anos de idade, o item "Molha a cama à noite" não era aplicável, e foi pontuado como "às vezes" em um estudo anterior com essa faixa etária.13

Os participantes foram recrutados em escolas (n = 252) e também em consultas de vigilância (n = 248), para que crianças mais novas fossem incluídas. A fim de obter uma amostra mais representativa, regiões com média-alta e baixa densidade populacional de Portugal foram selecionadas. Os pais que se voluntariaram receberam um segundo questionário para análise de novo teste após uma a duas semanas (n = 138).

O tamanho mínimo da amostra foi determinado como n = 231 para uma escala completa de α = 0,70 a ser determinada com um intervalo de confiança de 95% de ± 0,05.24 Esse tamanho da amostra também seria razoável para análise fatorial.25 Considerando os não respondentes e crianças com critérios de exclusão, foram entregues 500 questionários a uma amostra de conveniência de pais de crianças entre dois e 10 anos de idade.

Os critérios de inclusão foram a idade elegível das crianças e disposição dos pais para participar após o consentimento informado. Como no estudo de validação original, os critérios de exclusão foram queixa dos pais de um transtorno do desenvolvimento ou psiquiátrico (como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro do Autismo) ou medicação (psicoestimulantes, anticonvulsivantes ou anti-histamínicos) que podem afetar o sono.12

Na ausência de uma classificação bem estabelecida da situação socioeconômica em Portugal, foi utilizado o nível de escolaridade dos pais para essa caracterização.

O protocolo do estudo e o questionário foram aprovados pelo Ministério da Educação e pelo Comitê de Ética. Os questionários foram entregues entre outubro de 2010 (estudo piloto) e fevereiro de 2011.

A análise dos dados foi feita com o programa SPSS 11.0, exceto a Análise Fatorial Confirmatória, que foi feita utilizando o software LISREL 8.7. Os valores de p foram considerados significativos se abaixo de 0,05. O teste t não pareado, os testes de Kruskal-Wallis e os testes Qui-quadrado foram utilizados para comparar as médias, distribuições e proporções entre os grupos conforme adequado.

A consistência interna dos 33 itens de pontuação e suas subescalas foi avaliada com os coeficientes α de Cronbach. A confiabilidade teste-reteste das subescalas foi avaliada com r de Pearson. As correlações foram consideradas fracas (0,20-0,39), moderadas (0,40-0,59), fortes (0,60-0,79) ou muito fortes (0,80-1,00).26

A Análise Fatorial Confirmatória foi realizada para testar o ajuste de nossos dados ao modelo de oito fatores do CSHQ original. Um Índice de Ajuste Comparativo (CFI) > 0,95 e uma Raiz do Erro Quadrático Médio de Aproximação (RMSEA) < 0,06 foram considerados como adequados.27 Como essas condições não foram satisfeitas, realizamos também uma Análise Fatorial Exploratória.

Resultados

Foram devolvidos 377 questionários e sete foram excluídos por apresentarem mais de 20% das perguntas não respondidas ou inválidas. Dos 370 (74%) questionários válidos, 55 crianças (15%) atenderam ao critério de exclusão, 29 por doença (principalmente TDAH) e 30 por medicação (principalmente anti-histamínicos). Desta forma, 315 questionários foram aceitos para o estudo de validação.

Os questionários foram respondidos pelas mães (81,9%), pais (12,3%), ambos (4,8%), ou outras pessoas (1,0%). A idade média das crianças foi 5,8 ± 2,4 anos de idade. Outras características sociodemográficas são apresentadas na tabela 1.

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica da amostra de validação (n = 315) 

Variável n %
Sexo da criança
Masculino 149 47,3%
Feminino 166 52,7%
Idade da criança
2 anos de idade 37 11,7%
3 anos de idade 31 9,8%
4 anos de idade 43 13,7%
5 anos de idade 33 10,5%
6 anos de idade 34 10,8%
7 anos de idade 45 14,3%
8 anos de idade 49 15,6%
9 anos de idade 34 10,8%
10 anos de idade 9 2,9%
Escolaridade dos pais
I. Inferior a 9 anos 24 7,6%
II. 9 anos 65 20,6%
III. 12 anos 96 30,5%
IV. Ensino superior ou mais 118 37,5%
Não consta 12 3,8%
Zona de densidade populacional
Média-Alta (urbana; = 100/Km2) 225 72,6%
Baixa (rural; < 100/Km2) 85 27,4%
País de residência
Portugal 315 100%

A média da pontuação total do CSHQ-PT foi de 47,0 ± 7,2 (IC de 95%: 46,10-47,81). Comparando a média da pontuação total de três subgrupos de idade (dois de 4,5 a 7 e um de 8 a 10 anos de idade), encontramos uma tendência de redução gradual: 49,4 ± 7,8, 46,2 ± 6,1, 45,11 ± 7,1, respectivamente (p < 0,001). Não houve diferenças entre meninos e meninas. As crianças identificadas pelos pais como tendo "Problemas para Dormir" apresentaram uma pontuação média mais elevada que os "Sem Problema para Dormir": 54,5 em comparação a 45,9, respectivamente (p < 0,001).

A consistência interna do CSHQ-PT foi de 0,78 para a escala completa de 33 itens (IC de 95% 0,746-0,809) e variou de 0,44 a 0,74 nas subescalas (tabela 2). A eliminação dos itens 21, 26, 28, 32 e 33 aumentaria o α da escala total para 0,81, porém reduziria o α das subescalas, exceto o item 21. A eliminação dos itens 7 e 21 aumentaria o α da Ansiedade do Sono de 0,44 para 0,57.

Tabela 2 Consistências internas do CSHQ (a de Cronbach) em amostras populacionais de diferentes países 

Portugal EUA12 China15 Israel16 Holanda17 Alemanha18
Escala completa 0,78a 0,68 0,80 0,81 NP 0,68
Subescalas 0,49-0,72
Resistência em ir para a cama 0,74a 0,70 0,78 0,68 0,70
Duração do sono 0,68a 0,69 0,68 0,63 0,70
Ansiedade do sono 0,44a 0,63 0,65 0,54 0,55
Despertares noturnos 0,58a 0,54 0,49 0,62 0,49
Parassonias 0,57a 0,36 0,28 0,54 0,36
Distúrbios respiratórios do sono 0,67a 0,51 0,46 0,47 0,23
Sonolência diurna 0,71a 0,65 0,67 0,67 0,63
Tamanho da amostra de estudo 315 469 517 98 1145 298

CSHQ, Questionário de Hábitos de Sono das Crianças

EUA, Estados Unidos

NP, não publicado

a p < 0,001.

As respostas das crianças com dois a três anos de idade (n = 68) mostraram consistências internas semelhantes às das crianças mais velhas: escala total 0,78; resistência a dormir 0,74; duração do sono 0,72; ansiedade do sono 0,53; despertares noturnos 0,58; parassonias 0,57; distúrbios respiratórios do sono 0,74; e sonolência diurna 0,64.

Questionários retestes foram enviados para 138 pais, com uma taxa de resposta de 57,2%. Dentre eles, 21 apresentaram critérios de exclusão e 58 foram utilizados na análise de confiabilidade teste-reteste. A pontuação total do CSHQ mostrou uma forte correlação nos retestes (0,79; p < 0,001). As correlações entre a pontuação das subescalas variaram de 0,59 a 0,85 (tabela 3). Os horários de dormir (horário de deitar e acordar nos dias da semana e finais de semana) mostraram correlações muito fortes (de 0,86 a 0,96), exceto o horário de dormir no final de semana (0,64; p < 0,001). O tempo de sono normal da criança em cada dia também mostrou uma forte correlação nos retestes (r = 0,79; p < 0,001).

Tabela 3 Confiabilidade teste-reteste do CSHQ em amostras populacionais de diferentes países 

Subescalas Confiabilidade teste-reteste
Portugal Estados Unidos12 Holanda17 Alemanha18
(r de Pearson)a (r de Pearson) (CCI) (CCI)
Resistência em ir para a cama 0,85b 0,68 0,83 0,74
Início do sono 0,59b 0,62 0,65 0,72
Duração do sono 0,67b 0,40 0,47 0,46
Ansiedade do sono 0,82b 0,79 0,93 0,73
Despertares noturnos 0,80b 0,63 0,79 0,68
Parassonias 0,79b 0,62 0,73 0,67
DRS 0,82b 0,69 0,72 0,63
Sonolência diurna 0,69b 0,65 0,79 0,81

CCI, Coeficientes de correlação intraclasse

CSHQ, Questionário de Hábitos de Sono das Crianças

DRS, Distúrbios respiratórios do sono.

a Correlações de Pearson exceto o início do sono (subescala de um item, correlação de Spearman).

b p < 0,001.

Nossos dados não foram compatíveis com a estrutura de oito domínios do CSHQ original na Análise Fatorial Confirmatória, pois o CFI foi de 0,863, e a RMSEA de 0,063. A Análise Fatorial Exploratória extraiu cinco fatores: sonolência diurna (itens 26, 27, 28, 29, 30 e 31), dificuldade para dormir sozinho/ansiedade do sono (itens 3, 4, 5, 8 e 16), despertares noturnos e parassonias (itens 12, 13, 14, 22, 23, 24 e 25), duração do sono (itens 1, 2, 6, 9, 10, 11 e 25) e distúrbios respiratórios do sono (itens 18, 19 e 20).

Discussão

O CSHQ já foi utilizado em crianças de dois a três anos de idade, porém os dados de validação para essa faixa etária são escassos.28 Neste estudo, encontramos consistências internas para a escala completa e para as subescalas semelhantes a crianças mais velhas.12 , 17 , 18

Considerando a amostra total, o α da escala completa (0,78) está acima do valor recomendado, que é de 0,70. Também está acima dos valores descritos nas amostras populacionais dos Estados Unidos e da Alemanha (tabela 2) e idêntico a uma amostra clínica nos Estados Unidos.12 , 18 O CSHQ-PT também comprovou uma validade convergente com a avaliação geral pelos pais das dificuldades do sono, já que as crianças identificadas como tendo "Problemas para Dormir" mostraram pontuações totais mais elevadas.24

As consistências internas para as subescalas foram semelhantes aos valores originais de validação (tabela 2), exceto o α menor da subescala Ansiedade do Sono (0,44). Isso já foi descrito nos questionários holandeses e alemães e encontrado em outras escalas, em outros idiomas.15 - 18 Em Portugal, parece que os itens 7 e 21 não estão bem adaptados à nossa realidade, pois a eliminação dos mesmos aumentaria o α da subescala para 0,57. Além disso, a Análise Fatorial mostrou que os itens 3 e 4 também estavam relacionados a esse constructo.

A análise fatorial (AF) não está descrita no estudo de validação do CSHQ original.12 Descobrimos que nossos dados não mostraram uma boa compatibilidade com as subescalas originais na AF Confirmatória, porém a AF Exploratória extraiu cinco fatores com uma relação interessante com os domínios das subescalas. A amostra populacional da Holanda também não foi compatível, e quatros fatores foram determinados em um estudo menor com crianças que falavam inglês.17 Essas diferenças podem estar relacionadas ao processo de tradução, bem como aos padrões distintos de comportamento do sono nas populações estudadas. Razão pela qual, apesar de todos os esforços envidados na adaptação transcultural dos questionários, é obrigatória a validação das novas versões.22 , 23 Contudo, considera-se adequado manter os itens e as subescalas do CSHQ original para crianças portuguesas, pois elas apresentaram propriedades psicométricas aceitáveis e os itens são importantes para fins clínicos e comparações transculturais.

A análise da confiabilidade teste-reteste para as subescalas mostrou correlações fortes e muito fortes semelhantes ou superiores às originais e comparáveis aos coeficientes de correlação intraclasse de outros estudos (tabela 3). Apresentamos também, pela primeira vez, as correlações teste-reteste dos horários de dormir e da avaliação quantitativa da duração do sono do CSHQ, comprovando que a maior parte delas está acima do valor recomendado, que é 0,70.

A média da pontuação total do CSHQ em crianças portuguesas foi maior que a descrita anteriormente em amostras populacionais nos Estados Unidos, China, Holanda, Alemanha e Israel, mesmo considerando apenas crianças entre 4-10 anos de idade (média da pontuação total 46,45 ± 7,14).14 - 16 , 18 Esse achado sugeriu uma prevalência maior de comportamentos problemáticos do sono em nossa população, que precisa de investigação adicional.

Apresentamos a validação de um instrumento internacional que pode ser útil para a prática clínica e para pesquisas. Desde o do projeto, outros questionários sobre o sono infantil foram adaptados para o português no Brasil, com menos ênfase na dimensão comportamental do sono e para diferentes faixas etárias.29 , 30 A adaptação do CSHQ para o português incluiu entrevistas cognitivas com pais brasileiros morando em Portugal, e mostrou que o questionário era claro para o entendimento de todos eles. Portanto, apesar de ainda não ter sido validado no Brasil, o CSHQ-PT também parece adequado para a população brasileira.21

Reconhecemos algumas limitações em nosso trabalho. Utilizamos amostras de conveniência que, apesar de heterogêneas em características geográficas e socioeconômicas, podem não ser totalmente representativas da população brasileira. Além disso, não conseguimos caracterizar não respondentes, devido a restrições de privacidade, apesar de termos conseguido uma boa taxa de resposta (74%) em comparação a outros países (46,9% nos EUA, 63% na Holanda e 92% na China).12 , 15 , 17 A comparação dos resultados do CSHQ-PT com os registros de sono e com dados de actimetria mais objetivos também seria útil.

Concluindo, nosso estudo mostrou que o CSHQ-PT é comparável às versões de outros países e possui propriedades psicométricas adequadas para triagem de problemas do sono em crianças entre dois e 10 anos de idade.

Financiamento

Este estudo foi financiado pelo Hospital Cuf-Descobertas.

REFERÊNCIAS

1. Beebe DW. Cognitive, behavioral, and functional consequences of inadequate sleep in children and adolescents. Pediatr Clin North Am. 2011;58:649-65.
2. Wong MM, Brower KJ, Zucker RA. Sleep problems, suicidal ideation, and self-harm behaviors in adolescence. J Psychiatr Res. 2011;45:505-11.
3. Petry C, Pereira MU, Pitrez PMC, Jones MH, Stein RT. The prevalence of symptoms of sleep-disordered breathing in Brazilian schoolchildren. J Pediatr (Rio J). 2008;84:123-9.
4. Hart CN, Cairns A, Jelalian E. Sleep and obesity in children and adolescents. Pediatr Clin North Am. 2011;58: 715-33.
5. Boto LR, Crispim JN, de Melo IS, Juvandes C, Rodrigues T, Azevedo P, Ferreira R. Sleep deprivation and accidental fall risk in children. Sleep Med. 2012;13:88-95.
6. Meltzer LJ, Montgomery-Downs HE. Sleep in the family. Pediatr Clin North Am. 2011;58:765-74.
7. Mindell JA, Owens J, Alves R, Bruni O, Goh DY, Hiscock H, Kohyama J, Sadeh A. Give children and adolescents the gift of a good night's sleep: a call to action. Sleep Med. 2011;12: 203-4.
8. Moore M, Allison D, Rosen CL. A review of pediatric nonrespiratory sleep disorders. Chest. 2006;130:1252-62.
9. Silva TA, Carvalho LC, Silva L, Medeiros M, Natal VB, Carvalho JC, et al. Sleep Habits and Starting Time to School in Brazilian Children. Arq Neuropsiquiatr. 2005;63:402-6.
10. Crispim JN, Boto LR, Melo IS, Ferreira R. Sleep pattern and risk factors for sleep deprivation in a portuguese pediatric population. Acta Pediatr Port. 2011;42:93-8.
11. Owens JA, Spirito A, McGuinn M, Nobile C. Sleep habits and sleep disturbance in elementary school-aged children. J Dev Behav Pediatr. 2000:27-36.
12. Owens JA, Spirito A, McGuinn M. The Children's Sleep Habits Questionnaire (CSHQ): psychometric properties of a survey instrument for school-aged children. Sleep. 2000;23:1043-51.
13. Goodlin-Jones B, Sitnick S, Tang K, Liu J, Anders TF. The children's sleep habits questionnaire in toddlers and preschool children. J Dev Behav Pediat. 2008;29:82-8.
14. van Litsenburg RR, Waumans RC, van den Berg G, Gemke RJ. Sleep habits and sleep disturbances in Dutch children: a population-based study. Eur J Pediatr. 2010;169:1009-15.
15. Liu X, Liu L, Owens JA, Kaplan DL. Sleep Patterns and Sleep Problems Among School children in the United States and China. Pediatrics. 2005;115:241-9.
16. Tzchishinsky O, Lufi D, Shochat T. Reliability of the Children's Sleep Habits Questionnaire Hebrew Translation and Cross Cultural Comparison of the Psychometric Properties. Sleep Diagnosis and Therapy. 2008;3:30-4.
17. Waumans RC, Terwee CB, van den Berg G, Knol DL, van Litsenburg RR, Gemke RJ. Sleep and sleep disturbance in children: Reliability and validity of the Dutch version of the Child Sleep Habits Questionnaire. Sleep. 2010;33:841-5.
18. Schlarb AA, Schwerdtle B, Hautzinger M. Validation and psychometric properties of the German version of the Children's Sleep Habits Questionnaire (CSHQ-DE). Somnologie. 2010;14:260-6.
19. Cortesi F, Giannotti F, Sebastiani T, Vagnoni C. Cosleeping and Sleep Behavior in Italian School-aged Children. J Dev Behav Pediatr. 2004;25:28-33.
20. Grupo de Sueño de la AEPap. Cuestionarios de Sueño. Madrid: Asociación Española de Pediatría de Atención Primaria; 2012 [cited in 2013 Feb 02]. Available from: http://www.aepap.org/gtsiaepap/?pageid=9
21. Silva FG, Silva CR, Neto AS, Braga LB. Portuguese Version of the Children's Sleep Habits Questionnaire: Translation and Cultural Adaptation (abstract). Evid-Based Child Health. 2011;6:S76.
22. Beaton DE, Bombardier C, Guillemin F, Ferraz MB. Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures Spine. 2000;25:3186-91.
23. Sagheri D, Wiater A, Steffen P, Owens JA. Applying principles of good practice for translation and cross-cultural adaptation of sleep-screening instruments in children. Behav Sleep Med. 2010;8:151-6.
24. Streiner DL, Norman GR. Health Measurement Scales. A Practical Guide to Their Development and Use. 4th ed. New York: Oxford University Press; 2003.
25. Pett MA, Lackey NR, Sullivan JJ. Making Sense of Factor Analysis. London: Sage Publications; 2003.
26. Swiscow TD. Statistics at square one: correlation and regression. 9th ed. London: BMJ; 1997 [cited 2013 Feb 07]. Available from: http://www.bmj.com/about-bmj/resourcesreaders/publications/statistics-square-one
27. Hu L, Bentler PM. Cutoff criteria for fit indexes in covariance structure analysis: Conventional criteria versus new alternatives. Structural Equation Modeling. 1999;6:1-55.
28. Sneddon P, Peacock GG, Crowley SL. Assessment of Sleep Problems in Preschool Aged Children: An Adaptation of the Children's Sleep Habits Questionnaire.[Epub ahead of print 2012 Jul 19]. Behav Sleep Med. 2013 [cited 2013 Feb 19]. Available from: www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15402002.2012.707158
29. Ferreira VR, Carvalho LB, Ruotolo F, de Morais JF, Prado LB, Prado GF. Sleep disturbance scale for children: translation, cultural adaptation, and validation. Sleep Med. 2009;10:457-63.
30. Nunes ML, Kampff JP, Sadeh A. BISQ Questionnaire for Infant Sleep Assessment: translation into brazilian portuguese. Sleep Sci. 2012;5:89-91.
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.