Redes sociais e governança em saúde

Redes sociais e governança em saúde

Autores:

Delaine Martins Costa,
Ilara Hämmerli Sozzi de Moraes,
Joviana Quintes Avanci,
Liana Wernersbach Pinto,
Rosana Magalhães,
Vera Lucia Marques da Silva

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.10 Rio de Janeiro out. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182310.22232018

No contexto contemporâneo as redes sociais adquirem relevância como espaços de mobilização, integração e tomada de decisão, evidenciando a emergência de novos e complexos padrões de sociabilidade e governança. No entanto, para além dos aspectos positivos associados às redes sociais existem também assimetrias, disputas de poder, conflitos, ambivalências e contradições1. Heterogeneidade e fluidez marcam as redes, sejam elas centradas na família, na vizinhança ou nas múltiplas esferas de sociabilidade, formais e informais. No campo da saúde coletiva, este debate tem assumido diferentes contornos revelando a natureza desafiante dos padrões mais recentes de interação entre atores sociais e instituições públicas. Os mecanismos envolvidos na circulação e compartilhamento de informação e conhecimento entre profissionais e usuários de serviços de saúde, as fronteiras e os pontos de contato entre múltiplas organizações, grupos e indivíduos e, ainda, as transformações na dinâmica decisória ganham destaque na agenda de pesquisa e ensino da área.

Assim, este número temático reúne artigos que buscam refletir sobre as mudanças ocorridas nas últimas décadas na sociabilidade cotidiana e suas repercussões nas práticas de saúde. Trata-se de iniciativa do Programa de Pós-Graduação da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), com o apoio dos recursos do Programa de Excelência Acadêmica (PROEX) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O número foi organizado pela área de concentração em Sociedade, Violência e Saúde, visando consolidar a colaboração entre docentes e discentes em torno do tema redes sociais e governança em saúde.

Utilizando diferentes marcos analíticos e abordagens metodológicas, os autores apresentam experiências de reorganização institucional, estruturação de redes sociais em torno de problemas de saúde e construção de arranjos de governança regionais e locais. Cibercultura, violência, ética, participação social, relações público e privado e estratégias de regulação política em diferentes territórios são temas aqui explorados. Os artigos trazem a perspectiva de compreender modelos de interação, práticas de cuidado e a conformação de identidades sociais em cenários onde o chamado ativismo digital pode conviver com fluxos de mobilização tradicionais e encontros face a face. Dilemas antigos como o controle social, a comunicação democrática e a equidade em saúde combinam-se hoje com questões novas ligadas à reconstrução de laços e vínculos sociais. Desta forma, estimulam a produção de conhecimento e a pesquisa avaliativa sobre o alcance de intervenções cada vez mais confrontadas com ambientes relacionais complexos e heterogêneos.

REFERÊNCIAS

1. Castells M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra; 1999. v. 1.
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