Relação da capacidade funcional, força e massa muscular de idosas com osteopenia e osteoporose

Relação da capacidade funcional, força e massa muscular de idosas com osteopenia e osteoporose

Autores:

Patrícia Azevedo Garcia,
João Marcos Domingues Dias,
Anny Sousa da Silva Rocha,
Natanny Campos De Almeida,
Osmair Gomes de Macedo,
Rosângela Corrêa Dias

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.22 no.2 São Paulo abr./jun. 2015

http://dx.doi.org/10.590/1809-2950/13154522022015

RESUMEN

En este estudio se analizó la relación entre pruebas de capacidad funcional, el rendimiento de los músculos de la rodilla y la composición corporal de adultos mayores con baja densidad ósea. Se desarrolló un estudio transversal con 48 adultos mayores (70,62±5,95 años) para que se evalúe la capacidad funcional (test de Timed Up and Go - TUG y el de Levantarse y Sentarse en la silla - TLS), el rendimiento muscular de la rodilla (dinamómetro isocinético), la masa muscular (índice del músculo esquelético con BIA) y la masa magra (pliegues cutáneos). La mayoría de la muestra era activa o moderadamente activa (un 95,8%), presentaba sobrepeso (un 68,75%) ausencia de sarcopenia (un 62,5%) y un rendimiento medio de 7,7 segundos en el TUG y de 11,21 segundos en el TLS. Se observó moderadas y bajas correlaciones negativas en cuanto a la capacidad funcional con las variables de rendimiento muscular de la rodilla. La masa muscular mostró una baja correlación positiva con la potencia de extensores de rodilla, en cambio, no señaló una correlación con la capacidad funcional, que había demostrado relación solamente con el rendimiento muscular, lo que refuerza la fragilidad de utilización de la masa muscular como única medida para que se identifique la sarcopenia.

Palabras-clave: Adultos Mayores; Densidad Ósea; Fuerza Muscular; Composición Corporal

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é caracterizado por declínio das funções orgânicas e alterações em todos os níveis do organismo1. Dentre as alterações na composição corporal, destacam-se o aumento gradual da massa gorda2 e a diminuição na massa óssea e muscular, com redução no número e tamanho das fibras musculares tipo II3. Estima-se que, a partir dos 40 anos, ocorra perda de cerca de 5% de massa muscular a cada década, com declínio mais rápido após os 65 anos4, particularmente nos membros inferiores; tem-se observado que essa perda quantitativa da área transversal muscular contribui para a fraqueza muscular5 6. Essas perdas graduais de massa e força muscular definem a sarcopenia, uma síndrome geriátrica considerada um forte determinante da densidade mineral óssea (DMO)3, que apresenta etiologia multifatorial7 e expõe os indivíduos a situações adversas de saúde, com perdas funcionais, dependência, restrições sociais e aumento dos custos com saúde e da mortalidade8.

A maioria dos estudos de prevalência de sarcopenia tem usado a diminuição da massa muscular como o único critério para sua identificação7. Todavia, a baixa massa muscular por si só pode não ser suficiente para reconhecer risco de desfechos funcionais adversos9, e a investigação da capacidade funcional tem destacado-se diante dos achados de associação entre a capacidade funcional e a desempenho muscular de idosos4 10. Pesquisas têm identificado significativas associações da força muscular e da potência muscular de flexores e extensores de joelho com a capacidade de levantar de uma cadeira4 11 e com a velocidade de caminhada12; e do pico de torque de flexores e extensores de joelho e do trabalho muscular de extensores de joelho com a capacidade de levantar e andar13 14 entre idosos. Diante disso, o Grupo Europeu de Trabalho sobre a Sarcopenia em Pessoas de Idade Avançada sugeriu os seguintes critérios para classificação da sarcopenia: redução da massa e da força muscular com prejuízo na capacidade de realizar uma atividade funcional15. Essas considerações apontam a possibilidade do uso de ferramentas de avaliação da capacidade físico-funcional não apenas para identificação de limitações de atividade, mas como alternativa viável, válida e reprodutível para inferir deficiências estruturais e funcionais, possibilitando rastrear indivíduos em risco de sarcopenia no cenário clínico1.

Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi analisar a associação entre testes de capacidade funcional, desempenho dos músculos que movem o joelho e composição corporal de idosas com baixa DMO.

METODOLOGIA

Estudo transversal foi realizado com aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal de Minas Gerais e consentimento livre e esclarecido das participantes.

Foram selecionadas, de forma não aleatória, em programas de atenção à saúde do idoso do Distrito Federal idosas comunitárias com idade de 60 anos ou mais diagnosticadas com osteopenia ou osteoporose no segmento L1-L4 e/ou colo femoral (T-score<-1,0DP no exame de densitometria óssea), no passado (≅31 meses antes do estudo) ou no início do estudo. Foram excluídas as idosas que apresentaram déficits cognitivos no Mini-Exame do Estado Mental16 (<17), sequelas de doenças neurológicas, amputações, queixa de dor e história de fraturas recentes nos membros inferiores.

Para avaliação do nível de atividade física foi utilizado o escore ajustado de atividade (EAA) do questionário Perfil de Atividade Humana (PAH), que possibilitou classificar as idosas em inativas (EAA<53), moderadamente ativas (EAA=53-74) ou ativas (EAA>74)17. A massa (kg) e a estatura corporal (m) foram utilizadas para o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) (kg/m²).

A capacidade funcional foi mensurada pelos testes clínicos Timed Up and Go (TUG) e teste de levantar e sentar (TLS). O TUG mediu a mobilidade e o equilíbrio corporal por meio do tempo gasto na tarefa de levantar-se de uma cadeira, andar três metros o mais rápido possível, girar, voltar o percurso e sentar-se novamente18. O TLS avaliou o controle postural e o desempenho muscular de membros inferiores, por meio da avaliação do tempo gasto para levantar e sentar na cadeira cinco vezes o mais rápido possível, com os braços cruzados sobre o peito19. Os dois testes foram realizados de forma sequencial (sem intervalo), e foi considerado sinal de prejuízo na capacidade funcional tempo maior que 10 segundos no TUG18 e maior que 12 segundos no TLS19.

O desempenho muscular isocinético foi avaliado pelas medidas: pico de torque por massa corporal (Newton metro/massa corporal); trabalho por massa corporal (Joules/massa corporal) a 60°/s (5 repetições máximas); potência média (Watts) a 180°/s (15 repetições máximas) de flexores e extensores do joelho do membro inferior dominante (preferido para o chute) por meio do dinamômetro isocinético Biodex System 4 Pro(r), utilizando contrações concêntricas. O encosto da cadeira do dinamômetro foi fixado a 85º, o eixo rotacional do aparelho foi alinhado com o epicôndilo lateral do fêmur, a almofada da alavanca fixada três centímetros acima do maléolo lateral e a amplitude de movimento de 85°. Os testes foram realizados segundo as normas do manual do fabricante, considerando ainda familiarização no dia do teste com exercício isocinético em uma repetição máxima e duas submáximas, correção da gravidade e repouso de 120 segundos entre as velocidades dos testes20.

A massa magra foi estimada a partir da média de três medidas da espessura das dobras cutâneas bicipital, tricipital, subescapular, axilar-média, torácica, suprailíaca, abdominal, coxa e panturrilha medial21, no hemicorpo direito, para o cálculo do percentual de gordura feito com base na equação de predição de Jackson et al.22. A partir do percentual de gordura, foi estimado o percentual de massa magra e seu valor em quilogramas. Essa medida de massa magra foi coletada em parte da amostra (20 idosas). O índice de massa muscular esquelética (IME) foi obtido para a amostra total (48 idosas) por meio da Impedância Bioelétrica (BIA) com a equação proposta por Janssen et al.23, que calcula a massa muscular esquelética absoluta (kg) dividida pela altura ao quadrado (m²), possibilitando o ajuste aos componentes não musculares (osso, gordura e órgãos)5:

Massa muscular (Kg) = [(h2/r x 0.401) + (s x 3.825) + (i x -0.071)] + 5.102

h = altura em cm; r = resistência em Ohms;

s = sexo 0 para mulheres; i = idade em anos.

Essa equação utiliza a medida de resistência da BIA, coletada por meio do analisador de composição corporal tetrapolar Maltron BF-900(r), e consiste na passagem imperceptível de uma corrente elétrica de baixa intensidade (500-800µÄ) e de alta frequência (50kHz) através do corpo. Durante a avaliação, a idosa permaneceu em decúbito dorsal, com os eletrodos de cor vermelha colocados sob a linha articular do punho e do tornozelo, e os eletrodos pretos no terceiro metacarpo (mão) e no segundo metatarso (pé), do hemicorpo direito6. O IME (kg/m²) possibilitou indicação de sarcopenia grave (≤5,75), moderada (5,76-6,75) ou ausência de sarcopenia (≥6,76)15.

Primeiramente, foram coletados no domicílio os dados de idade, medicamentos utilizados, densitometria óssea e PAH. Na mesma semana, no Laboratório de Movimento, foi realizada a seguinte ordem de avaliações com intervalo de repouso de um minuto entre elas: medida da massa e estatura corporal; testes funcionais; avaliação isocinética; espessura das pregas cutâneas; e BIA. Não foi monitorado o cumprimento das recomendações para impedância corporal (ingestão excessiva de água, consumo de álcool e café nas últimas 24 horas e esvaziamento da bexiga 30 minutos antes do teste)24.

As análises estatísticas foram processadas no programa SPSS 16.0. A normalidade da distribuição dos dados foi confirmada pelo teste Kolmogorov-Smirnov; utilizou-se o teste de correlação de Pearson e considerou-se nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Foram avaliadas 48 idosas (70,62±5,95 anos), sendo a maioria de classificadas como ativas, moderadamente ativas (95,8%)17 e com sobrepeso (68,75%) (classificação OMS) (Tabela 1).

Tabela 1 Características clínicas e demográficas da amostra (n=48) 

Proporção (n) Média±DP
Idade (anos) 70,62±5,95
≤ 75 anos - -
>75 anos - -
Diagnóstico osteometabólico
Osteopenia/T-score 52,1% (25) -1,74±0,43
Osteoporose/T-score 47,9& (23) -3,21±0,64
Perfil de Atividade Humana (pontuação) - 73,37±9,03
Inativo 4,2% (2) -
Moderadamente ativo 45,8% (22) -
Ativo 50,0% (24) -
Medicamentos (quantidade) - 5,12±2,95
Índice de Massa Corporal (kg/m²) - 27,93±4,99
Classificação de Obesidade OMS
Magreza Moderada 2,1% (1) 16,76
Eutrofia 29,2% (14) 22,31±1,76
Pré-obesidade 35,4% (17) 28,22±1,50
Obesidade Classe I 29,2% (14) 35,54±1,32
Obesidade Classe II 4,2% (2) 38,04±0,86

OMS=Organização Mundial de Saúde. kg=Kilograma. m=metro

As características relacionadas à capacidade funcional, massa e desempenho muscular estão na Tabela 2. A maioria das participantes apresentou bom desempenho no TUG (95,8%; média de 7,7 segundos) e no teste de levantar e sentar (77,1%; média de 11,21 segundos), e 62,5% das idosas apresentaram IME maior ou igual a 6,76kg/m².

Tabela 2 Capacidade funcional, desempenho e massa muscular da amostra (n=48) 

Variável Proporção (n) Média±DP
Teste Timed Up and Go (s) - 7,70±1,95
≤10 s 95,8% (46) -
>10 s 4,2% (2) -
Teste de levantar e sentar (s) - 11,21±3,18
≤12 s 77,1% (37) -
>12 s 22,9% (11) -
Pico de torque de extensores de joelho (Nm/kg) - 118,94±32,30
Pico de torque de flexores de joelho (Nm/kg) - 56,29±16,08
Trabalho de extensores de joelho (J/kg) - 117,45±30,98
Trabalho de flexores de joelho (J/kg) - 59,34±18,97
Potência de extensores de joelho (W) - 65,03±17,87
Potência de flexores de joelho (W) - 33,35±10,96
Massa magra (kg) - 43,44±5,76
Índice de Massa Muscular Esquelética (kg/m²) - 7,21±1,00
Classificação da sarcopenia -
Grave 4,2% (2)
Moderada 33,3% (16)
Não-sarcopênico 62,5% (30)

Nm/kg=Newton.metro/Kilograma; J/kg=Joule/Kilograma; W=Watts; kg/m2=Kilograma/metro²

Nas análises de correlação (Tabela 3) o TUG apresentou correlação positiva alta com o TLS, correlação moderada negativa com o trabalho de extensores de ­joelho e com o nível de atividade física e correlação baixa negativa com as demais variáveis de desempenho muscular. O TLS obteve correlação moderada negativa com potência de flexores de joelho e com o nível de atividade física, e correlação baixa negativa com as demais variáveis de desempenho muscular. O IME apresentou correlação baixa, porém positiva com potência de extensores de joelho. Observou-se também correlação positiva moderada (r=0,662; p=0,001) entre as duas medidas de avaliação da massa magra, e correlação positiva baixa entre o nível de atividade física e todas as variáveis de desempenho muscular.

Tabela 3 Correlação entre as variáveis de estudo 

IME TUG TLS PAH
Índice de Massa Muscular Esquelética (kg/m²) - -0,05 0,00 -0,147
TUG (s) - - 0,71**† -0,551**†
Pico de torque de extensores de joelho (Nm/ kg) -0,29 -0,46**† -0,41**† 0,463**†
Pico de torque de flexores de joelho (Nm/kg) -0,41**† -0,42**† -0,44**† 0,360**†
Trabalho de extensores de joelho (J/kg) -0,33* -0,50**† -0,45**† 0,471**†
Trabalho de flexores de joelho (J/kg) -0,45**† -0,40**† -0,43**† 0,362*†
Potência de extensores de joelho (W) 0,29* -0,42**† -0,33* 0,286*†
Potência de flexores de joelho (W) 0,04 -0,48 -0,50 0,372**†
Nível de atividade física (EAA/PAH) - - -0,536**† -

Coeficiente de correlação de Pearson (r). †Poder de teste>80%. *p<0,05. **p<0,01. TUG=teste Timed Up and Go. TLS=Teste de levantar e sentar. EAA=Escore Ajustado de Atividade PAH=Perfil de Atividade Humana. Nm/Kg=Newton.metro/Kilograma; J/Kg=Joule/Kilograma; W=Watts; Kg/m2=Kilograma/metro²

DISCUSSÃO

No presente estudo, os três parâmetros do desempenho muscular avaliados (pico de torque, trabalho e potência muscular) apresentaram associação semelhante com as atividades de levantar, sentar e de caminhar rapidamente, corroborando achados da literatura4 11 13 25. Diversos estudos também avaliaram a relação entre essas variáveis em idosos comunitários e encontraram forte correlação do declínio de desempenho muscular dos membros inferiores com o declínio da mobilidade em atividades de caminhada4 12 13 25 26 e de subir e descer degraus8 26, com redução no desempenho para levantar e sentar4 8 11 25 e ocorrência de quedas27. Pisciottano et al.13 observaram que o aumento de uma unidade no pico de torque de extensores de joelho foi associado com melhora de 0,01 segundo na capacidade individual no TUG. Entretanto, diferentemente do presente estudo, alguns estudos apontaram que a potência muscular explicou, de forma mais consistente do que a força muscular, a variação nas limitações funcionais em tarefas de intensidade relativamente mais altas11 25, fato que tem sido atribuído à redução do impulso nervoso, à natureza pouco familiar para idosos da extensão de joelho no dinamômetro isocinético11 e à característica mais dinâmica e dependente tanto da produção da força quanto da velocidade de contração dessas atividades diárias25.

A massa muscular não apresentou correlação com a capacidade funcional, apresentou correlação positiva baixa com potência média de extensores de joelho e apresentou correlação negativa com as demais variáveis de desempenho muscular das idosas. Os resultados corroboram os achados de Hairi et al.4, que também mostraram associação entre a força muscular de quadríceps e a limitação funcional, e ausência de relação desta com a massa muscular, sugerindo que a força muscular seria o melhor determinante das limitações nas atividades de caminhar e de levantar-se e sentar-se. Contrariamente, alguns autores5 6 28 31 apontaram que maior massa muscular foi determinante para o melhor desempenho físico28 e que baixa massa magra relacionou-se com incapacidade funcional5 6, dependência nas atividades de vida diária31 e decréscimo de mobilidade30. Todavia, no processo de envelhecimento fisiológico, o decréscimo da massa muscular pode não desempenhar papel significante na diminuição da capacidade funcional e do desempenho muscular, visto que essa redução do desempenho é multifatorial9. Esse declínio da força muscular pode estar mais relacionado a alterações neurais, caracterizadas pelo aumento na coativação dos músculos antagonistas e redução na velocidade de recrutamento e no sincronismo de ativação das unidades motoras do que à hipotrofia das fibras musculares, podendo contribuir de forma significativa para as alterações funcionais11. Esses resultados reforçam a ideia de que o uso isolado da massa muscular como critério para definir sarcopenia pode não ser adequado para todas as faixas etárias, tendo em vista que no idoso a relação entre a massa muscular e a capacidade físico-funcional não tem se mostrado linear13.

Outros estudos discutiram que a ausência de correlação entre a massa e o desempenho muscular nos idosos pode ser explicada pela alteração da qualidade muscular32, definida como a aplicação funcional da força muscular em relação à quantidade de massa muscular33, sendo que o decréscimo de força ocorre primeiro e de forma mais rápida comparado ao declínio de massa10. Esse fenômeno pode ter ocorrido na amostra do presente estudo composta por idosas mais ativas, mais jovens e não sarcopênicas, nas quais o início do declínio fisiológico de desempenho muscular pode não estar sendo acompanhado necessariamente pela diminuição da massa muscular. Contribuindo para essa análise, no presente estudo, diferentemente das demais variáveis principais (capacidade funcional e força muscular), a medida da massa muscular não se relacionou ao nível de atividade física das participantes. Ademais, a literatura aponta forte associação entre menor qualidade muscular e maior limitação funcional nas atividades diárias4, redução na velocidade de caminhar, déficit de equilíbrio29 e declínio do desempenho muscular2 34. Ainda, considerando que a maioria das idosas do presente estudo apresentou sobrepeso, a redução da qualidade muscular também pode ser consequência da alteração na composição corporal decorrente do aumento da massa livre de gordura2 29 e por infiltração de gordura intramuscular34.

Para o presente estudo, não foi feito cálculo amostral e não houve controle da ingestão de água, álcool, café e esvaziamento da bexiga antes da avaliação da impedância corporal. Tais limitações prejudicam a validade interna do estudo, entretanto os achados de correlação significativa positiva e moderada entre as medidas da bioimpedância e da massa magra obtida por meio da espessura das dobras cutâneas sinalizaram a fidedignidade da avaliação da impedância corporal e do cálculo do IME. Para melhorar a robustez dos resultados, em futuros estudos recomenda-se fazer a estratificação da amostra por faixa etária para proceder as análises de correlação.

Dessa forma, tendo em vista que nenhuma relação linear foi encontrada entre a massa muscular e os testes funcionais aplicados, o desempenho muscular de flexores e extensores de joelho parece ter um papel mais importante que a massa muscular isolada13 para manutenção da capacidade de caminhar, levantar e sentar4de idosas com baixa DMO. Portanto, sugere-se que na prática clínica o desempenho muscular seja o parâmetro priorizado na investigação de limitações funcionais dessas idosas, uma vez que a utilização da massa muscular como único parâmetro pode não ser a forma mais adequada para definir sarcopenia. Diante da correlação entre as variáveis isocinéticas e os testes TUG e TLS, a aplicação mais rápida, fácil e de menor custo das medidas da capacidade funcional pode viabilizar o rastreio de riscos físico-funcionais relacionados à sarcopenia.

CONCLUSÃO

Em conclusão, observou-se associação da capacidade funcional somente com o desempenho muscular, não sendo evidenciada sua relação com a massa muscular, que por sua vez apresentou relação inversa com a força muscular. Esses achados reforçam a fragilidade do uso da massa muscular como medida única na identificação de sarcopenia.

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