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Repúdio ao plágio

Repúdio ao plágio

Autores:

Domingo M. Braile

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery

versão impressa ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc vol.29 no.2 São José do Rio Preto abr/jun. 2014

http://dx.doi.org/10.5935/1678-9741.20140089

Uma das maiores manchas da divulgação científica é o plágio. Essa prática nefasta, embora seja praticada por uma porcentagem pequena de cientistas, tem criado muitos embaraços e colocado sob suspeita o trabalho sério daqueles que se dedicam à ciência como forma de conhecimento para melhorar a condição de vida em nosso planeta.

O plágio foi um dos temas dominantes do XXI Curso de Editoração Científica da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), realizado de 15 a 17 de maio, em São José dos Campos, SP, no qual a Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular/Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery (RBCCV/BJCVS) esteve representada por seu Editor Executivo, Ricardo Brandau.

Em sua apresentação, Marcelo Krokscz, professor de Metodologia Científica da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e especialista no tema, traçou um panorama sobre a ética na ciência e as consequências do plágio, como o crescimento do número de artigos retratados. Ele mostrou um estudo, publicado em 2011, na Nature, revelando que o número de retratações subiu 10 vezes na década anterior, enquanto no mesmo período a quantidade de artigos publicados teve incremento de apenas 44% em revistas indexadas no PubMed e Web of Science (http://www.nature.com/news/2011/111005/full/478026a/box/2.html)[1].

Krokscz e os demais palestrantes enfatizaram a necessidade das publicações científicas serem vigilantes no sentido de coibir a prática, que não envolve apenas o plágio, mas também o autoplágio, questão ignorada por muitos. Entre as sugestões, estão a leitura atenta, pelos Editores e Revisores, dos manuscritos submetidos, além de instruções explícitas nas Normas aos Autores e uso de programas de detecção de plágio.

A RBCCV/BJCVS sempre repudiou veementemente o plágio e já utiliza um software de detecção (eTBLAST®) e vai deixar clara sua posição nas Instruções aos Autores. Além disso, incluirá no processo de submissão dos manuscritos uma carta, que terá de ser assinada pelos autores, alertando para os riscos e consequências do plágio e do autoplágio.

Peço a todo o Corpo Editorial da RBCCV/BJCVS que permaneça vigilante no sentido de evitar que a nossa revista sofra com esse tipo de problema.

Outro ponto que gostaria de ressaltar é a adoção do CrossRef pela RBCCV/BJCVS. O CrossRef é uma associação de editores que tem por objetivo tornar a comunicação científica mais eficaz. Com apenas um clique em uma referência devidamente identificada pelo DOI em uma publicação, o pesquisador tem acesso ao artigo citado. A rede de citação abrange atualmente mais de 67 milhões de artigos de periódicos, além de capítulos de livros, dados, teses e relatórios técnicos[2].

Essa é uma ferramenta muito valiosa para os autores e editores, que será paga com recursos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV).

Outra conquista muito importante implantada na nossa Revista foi disponibilizá-la como APP (aplicativo), tanto no sistema iOS (iPhone, iPAD) como no sistema Android (Samsung, Motorola, Sony, entre outros).

Dessa forma, uma vez feito o download do aplicativo, basta acessá-lo para localizar os artigos da RBCCV/BJCVS. Para fazer o download do aplicativo, basta entrar no APP Store, no iOS, ou GOOGLE PLAY, no Android.

DOI em artigos "ahead of print"

Felizmente, o fluxo de manuscritos continua crescendo, o que comprova que a RBCCV/BJVCS tem cada vez maior relevância no cenário brasileiro e internacional. Entretanto, isso causa um efeito indesejável, em certos casos, que é a demora entre a aprovação de um trabalho e sua publicação. Muitos autores necessitam comprovar com relativa urgência a publicação para efeitos de Mestrado, Doutorado ou concursos e promoçõe; além disso, o número de publicações por autor é fundamental para os Orientadores em Cursos de Pós-graduação "Stricto Sensu", por ser este um fator muito importante na classificação dos Cursos junto à Capes. Nesse contexto, a fim de minimizar as consequências desse "gap", após muito trabalho, conseguimos que seja atribuído o DOI (Digital Object Identifier), nos artigos já aprovados, mas ainda na área de "Published ahead of Print", preservando a identidade e a precedência do trabalho de forma oficial.

Assim, o trabalho pode ser citado e, por meio da consulta ao DOI, poderá ser lido antes mesmo de sua publicação na revista. A demora, em média, entre a disponibilização do artigo Ahead of Print no site (www.rbccv.org.br/publication-proofs) e a atribuição do DOI é de apenas dois dias.

Referências sobrescritas

Em função da nova marcação da revista em XML, as referências deverão ser identificadas em sobrescrito e não mais entre colchetes. Solicito a atenção dos autores e revisores para essa mudança. É muito importante que todos tomem conhecimento das alterações e sigam as Normas de Vancouver. Dúvidas podem ser esclarecidas nos links http://www.rbccv.org.br/page/6 ou http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html ou ainda por consulta direta à nossa equipe.

41º Congresso da SBCCV

O 41º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, realizado 3 a 5 de abril, em Porto de Galinhas, PE, mais uma vez foi um grande sucesso, apresentando as últimas tendências da área e promovendo o congraçamento entre os cirurgiões cardíacos, bem como o de profissionais de áreas afins, como enfermeiros, fisioterapeutas, perfusionistas, residentes e acadêmicos.

Os trabalhos premiados, na área da Cirurgia Cardiovascular, foram os seguintes: Temas Livres - 1º lugar: "Assistência circulatória mecânica em pacientes críticos com disfunção ventricular: experiência de um centro terciário", do Dr. Fabio Biscegli Jatene (SP) e colegas; 2º lugar: "Atenuação da lesão medular isquêmica através da injeção intratecal de células-tronco do cordão umbilical humano em ratos", do Dr. Gustavo Ieno Judas (SP) e colegas; 3º lugar: "Resultados iniciais após a substituição convencional da valva aórtica, em 906 pacientes, acima de 70 anos de idade - Brazilian Aortic Valve Replacement Study (BRAVARS)", do Dr. Rui M. S. Almeida (PR) e colegas.

Pôsteres - 1º lugar - "Artéria torácica interna esquerda para interventricular anterior: estudo comparativo entre anastomoses simples ou sequenciais através da medida de fluxo por tempo de trânsito", do Dr. Rodrigo Milani (PR) e colegas; 2º lugar: "O emprego do suporte circulatório mecânico de curta duração aumenta a sobrevida dos pacientes em fila de espera de transplante cardíaco pediátrico", do Dr. Luiz Fernando Caneo (SP) e colegas; 3º lugar: "Impacto do uso de fio de poliglactina impregnado com triclosan na prevenção de infecção de ferida de safenectomia em cirurgia de revascularização do miocárdio: ensaio clínico prospectivo, duplo-cego e randomizado", do Dr. Paulo Samuel Santos Filho (RJ) e colegas.

O prêmio SBCCV de profissional do ano foi entregue, com muita justiça, ao Prof. Dr. Walter José Gomes, ex-presidente da nossa Sociedade, pelo seu incansável trabalho e preocupação em aprimorar cada vez mais o conhecimento científico do cirurgião cardiovascular brasileiro, bem como promover maior integração entre a SBBCV e suas congêneres internacionais.

Durante o Congresso, realizamos uma frutífera reunião do Corpo Editorial da RBCCV/BJCVS. Agradeço o comparecimento e as sugestões de todos os presentes (Figura 1), que certamente darão maior dinamismo a nossa publicação.

Fig. 1 Participantes da reunião do Corpo Editorial da RBCCV no 41º Congresso da SBCCV, em Porto de Galinhas, PE. Em pé, da esquerda para a direita: Dr. Mauro Paes Leme de Sá, Dr. Manuel Antunes, Dr. Renato Assad, Dr. Paulo Manoel Pêgo-Fernandes, Dr. Walter Gomes, Dr. Luciano Albuquerque e Dr. Ricardo Lima. Sentados, da direita para a esquerda: Ricardo Brandau, Dr. Domingo Braile, Dr. Paulo Brofman e Dr. Otoni Moreira Gomes. 

EMC

Os artigos disponíveis para os testes pelo sistema de Educação Médica Continuada (EMC) são os seguintes: "Impact of type of procedure and surgeon on EuroSCORE operative risk validation", pág. 131; "Predictors of stroke in patients undergoing cardiac surgery", pág. 140; "Analysis of transit time flow of the right internal thoracic artery anastomosed to the left anterior descending artery compared to the left internal thoracic artery", pág. 148, e "Comparative assessment of the patency of the internal thoracic artery in the revascularization to left anterior descending artery: coronary CT angiography evaluation 6 months postoperatively", pág. 192.

Ressalto, novamente, a importância desse meio de aprendizado e incentivo para que façam os Testes e nos deem um retorno, a fim de que possamos melhorá-los para atender às expectativas.

Recebam meu abraço,
Editor-Chefe RBCCV/BJCVS

REFERÊNCIAS

1. Van Noorden R. Science publishing: the trouble with retractions. Nature. 2011;478(7367):26-8. doi: 10.1038/478026a.
2. Crossref [Acesso 28 jun 2014]. Disponível em: http://www.crossref.org/