Resiliência, gênero e família na adolescência

Resiliência, gênero e família na adolescência

Autores:

Laila Rozemberg,
Joviana Avanci,
Miriam Schenker,
Thiago Pires

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.19 no.3 Rio de Janeiro mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014193.21902013

ABSTRACT

This article seeks to investigate the family factors that influence the resilience potential of male and female adolescent students. It is a cross-sectional study with data derived from an epidemiological survey with the participation of 889 randomly selected adolescents in the 9th year of public and private schools in a municipality in the state of Rio de Janeiro. Social and demographic variables indicate that family violence factors such as a difficult relationship with the mother or stepmother and a lack of family supervision, the presence of depression and low use of active and supportive coping strategies for distraction are associated with a low resilience potential. Tests of association between variables and resilience were made, considering a significance level of 5%. Variables like living in a confined space and having a difficult relationship with siblings only appear harmful to the resilience potential of girls. Public policies and programs need to work with families to understand the needs of adolescents, as a way of preventing mental health problems and promoting health in this population from a gender standpoint.

Key words: Resilience; Gender; Family; Adolescent

Introdução

A primeira geração de estudos sobre resiliência, como campo de estudo da saúde mental, surge entre as décadas de 70 e 80 nos Estados Unidos e na Inglaterra, tendo como pioneiros o psiquiatra Michael Rutter1 , 2 e as psicólogas Emmy Werner e Ruth Smith3 - 5. Nesta ocasião, os estudos voltavam-se para compreender por que algumas pessoas permaneciam saudáveis a despeito das adversas condições enfrentadas. O principal objetivo era identificar os fatores de risco e proteção que influenciavam o desenvolvimento de jovens. Trabalhos posteriores, desenvolvidos pela segunda geração de pesquisadores a partir da década de 90, ampliaram o foco da resiliência para a noção de processo implicada à adaptação positiva das pessoas6. Suniya Luthar e Gretta Cushing7, Howard Kaplan8 e Ann Masten9 são os estudiosos mais expoentes desta época e passaram a adotar um modelo ecológico-transacional para compreender a resiliência, enfatizando as influências do ambiente, da família, da comunidade e da cultura².

No Brasil, os estudos sobre a resiliência ganham força na década de 9010 - 12. De acordo com um levantamento feito por Souza e Cerveny13, no país, as pesquisas sobre o tema estão mais centradas em compreender a vulnerabilidade psicossocial de crianças e adolescentes e o impacto da exposição a situações de risco e de proteção no desenvolvimento. O foco tem se ampliado para várias faixas etárias, incluindo pesquisas com populações de adultos e idosos. Além disso, o conceito no Brasil também tem se voltado para uma vertente da psicologia organizacional, com foco na superação de dificuldades no meio corporativo14.

Hoje é consensual na literatura nacional e internacional, que a resiliência se caracteriza pela capacidade de desenvolver e utilizar estratégias de enfrentamento diante de situações potencialmente adversas. Envolve processos sociais e intrapsíquicos que estão constantemente se transformando e devem ser relativizados e compreendidos a partir de um amplo conjunto de elementos internos e externos ao sujeito15. Não se constitui como uma capacidade humana naturalizada e estática, mas pode ser continuamente incrementada ao longo do desenvolvimento. Neste contexto, ganha destaque o papel da família no desenvolvimento da resiliência, por se caracterizar como principal fonte de referência e apoio para a criança e o adolescente13 , 16 .

A família é a base da formação do indivíduo, sendo um lugar de aquisição e aprimoramento dos valores, hábitos e costumes. Seus laços são constituídos por ligações consanguíneas, de aliança, ou por convivência17. Nas últimas décadas, a configuração familiar tem passado por transformações, apresentando-se em diversos arranjos, onde, na maioria das vezes, especialmente em classes populares, a estrutura familiar tradicional, composta por mãe, pai e filhos, é menos presente, e novos arranjos familiares são comuns, destacando-se as monoparentais chefiadas por mulheres18.

Independente de sua estrutura, as vivências familiares têm a função de integrar e organizar o desenvolvimento de crianças e adolescentes, sejam meninos ou meninas, e estão diretamente relacionadas com o incremento do potencial de resiliência. Neste sentido, é conhecido que a violência familiar tem impacto negativo na resiliência19, uma vez que o pleno desenvolvimento humano depende de um entorno que acolhe, cuida e dá limites. Outros fatores familiares podem afetar a resiliência, como: características sociodemográficas, como baixa escolaridade dos pais e baixo status socioeconômico; estrutura familiar que acarreta estresse e instabilidade emocional para os seus membros; pouca supervisão dos pais sobre o comportamento dos filhos, precário relacionamento familiar e morte de ente querido20 , 21. Contudo, pouco se sabe sobre a forma com que alguns aspectos familiares podem impactar diferentemente o potencial de resiliência segundo o sexo, ou seja, na especificidade do ser menino e ser menina.

Ao longo do desenvolvimento, meninos e meninas tornam-se progressivamente diferentes, seja em termos de maturação orgânica, das habilidades sociais e cognitivas, das atitudes e comportamentos, e na forma com que vivenciam seus afetos. Estas diferenciações decorrem sobretudo da aprendizagem relacionada aos papéis de gênero na cultura22. Por gênero, compreende-se a adequação cultural associada ao sexo e suas peculiaridades biológicas23. São modelos socialmente construídos que definem o que é ser homem e o que é ser mulher em determinada cultura e tempo, sendo inicialmente apresentados no ambiente familiar. Assim, origina-se de uma rede de relações e influências sociais que englobam uma série de elementos psicossociais e socioestruturais inevitáveis, sendo o desenvolvimento de meninos e meninas calcado nestes padrões. Não é apenas um modelo de transmissão social, proveniente de diversos sistemas da vida cotidiana24.

Sobre as diferenças observadas entre os gêneros, temos as estratégias (cognitivas e comportamentais) para enfrentamento das situações de vida difíceis, denominadas como coping 25. Tais estratégias podem estar voltadas para evitar o estado emocional associado à adversidade (coping focalizado na emoção), ou para enfrentar diretamente o problema, tentando modificá-lo ativamente (coping focalizado no problema). A transmissão destas formas de enfrentamento ocorre a partir das identificações com membros da família ou com pessoas significativas que cumprem este papel. Ao considerarmos o gênero, o potencial de resiliência e ainda as estratégias de enfrentamento das adversidades como um conjunto de características adquiridas ao longo da vida, podemos supor que o ambiente familiar possui papel significativo para tal construção, reafirmando assim o modelo ecológico transicio nal de compreensão da resiliência, que inclui ainda diversos outros ambientes2 , 8 , 9.

As estratégias de coping mais ativas são mais comumente encontradas em indivíduos com maior potencial de resiliência e, inversamente, as de evitação são mais frequentes naqueles com este potencial menos desenvolvido20 , 26. Meninos tendem a uma postura mais voltada para a distração, como a busca por atividades físicas e por grupos de pertença; enquanto que as meninas tendem a se mostrar mais sentimentais e a assumirem uma postura mais ativa na resolução dos problemas27.

Outro aspecto importante na relação entre resiliência e gênero são os problemas que afetam a saúde mental. A depressão tende a ser mais encontrada nas meninas e é um transtorno comumente associado ao baixo potencial de resiliência28. Em adolescentes também há indícios de que o sexo feminino seja mais suscetível a eventos estressantes, o que pode estar associado à maior presença dos sintomas depressivos, enquanto que em meninos a oposição desafiadora e os possíveis transtornos associados a este tipo de comportamento são mais frequentes29.

Neste cenário, é fundamental identificar fatores que podem incrementar ou prejudicar o desenvolvimento do potencial de resiliência em meninos e meninas adolescentes, uma vez que é uma fase da vida onde há ampliação dos domínios sociais e de independência, com novas possibilidades de crescimento e maior envolvimento em situações estressantes e de risco. Além disso, os afetos e conflitos da adolescência são ampliados, o que pode desencadear mais vulnerabilidade emocional e um reexame de identidade26.

Partindo deste contexto e do pouco conhecimento existente em relação ao estudo da tríade resiliência, gênero e família, o presente trabalho busca identificar fatores familiares que influenciam diferentemente o potencial de resiliência em meninos e meninas, fornecendo pistas na reflexão da promoção da saúde segundo gênero.

Método

População do estudo

Trata-se de um estudo transversal, com dados originários de um inquérito epidemiológico desenvolvido em 2010, em um município que inte gra a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo. Esta cidade é a segunda maior do estado em termos populacionais e a 15° do país, com uma população de 999.728, dos quais cerca de um terço são crianças e adolescentes.

Participaram do estudo 889 adolescentes de 13 a 19 anos de idade, estudantes do curso diurno do 9° ano de escolas públicas (municipais e estaduais) e particulares do município estudado. A amostra é representativa do total de 3487 adolescentes matriculados em 2010 na série estudada. Participaram 44 escolas públicas e 28 particulares, contando com duas turmas por escola. A maior parte dos entrevistados é feminina (63,5%); pertence aos estratos sociais A e B (60,1%), de maior poder aquisitivo; tem entre 13 e 14 anos (61,1%) e informa ter a cor de pele negra/parda (56,5%). Foram excluídos da análise os adolescentes que reportam não terem vivenciado nenhum evento traumático segundo a escala de eventos de vida (The University of California at Los Angeles PostTraumatic Stress Disorder Reaction Index UCLA-PTSD)30.

O desenho amostral foi composto por 12 estratos, organizados segundo as sete áreas de planejamento do município e de acordo com a natureza da instituição (pública ou particular), a fim de alcançar uma representatividade socioeconômica (natureza da instituição escolar) e espacial (áreas de planejamento) da amostra analisada.

A amostragem conglomerada foi complexa, ao apresentar dois estágios de seleção. Primeiro, as escolas foram sorteadas, com probabilidade de seleção proporcional à quantidade de alunos de 9° ano (PPT sistemática) em cada um dos 12 estratos. Em segundo, as turmas foram selecionadas aleatoriamente, por escola, para a aplicação do questionário em todos os alunos da respectiva turma sorteada. A distribuição do número de alunos por escolas foi fornecida pelas Secretarias Municipal e Estadual de Educação para o ano de 2008. Trabalhou-se com a média de alunos por turma uma vez que não existiam listas de número de alunos por turma, apenas uma única listagem com número de turmas e de alunos por escola.

A amostra foi dimensionada para obter estimativas de proporção, com erro absoluto de 5%, nível de confiança de 96,5%, assumindo uma prevalência de 0,50 e um efeito de desenho 2. Na visita às escolas sorteadas, encontrou-se uma defasagem no número de alunos esperados nas turmas. Tal fato pode ser justificado pela diferença entre o ano de aplicação do questionário (2010) e o ano das listagens de quantitativo de alunos (2008), através das quais a amostra foi baseada. Ao calcular as probabilidades de inclusão (para cálculo dos pesos amostrais), havia probabilidades acima de um. Para correção da diferença entre os anos, as escolas sorteadas com mais alunos em 2010, em comparação a listagem de 2008, foram agrupadas em diferentes estratos para corrigir o cálculo dos pesos amostrais. É importante citar que as escolas informam que é comum a diferença entre os alunos matriculados e os que frequentam, e que praticamente não há diferenças entre o número de alunos matriculados de um ano para o outro.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública/ Fiocruz e apoiado pelas Secretarias de Educação de São Gonçalo. Também os adolescentes, pais/responsáveis e a direção das escolas assinaram termos de consentimento livre esclarecido, conforme preconizado na Resolução 196/9631 do Conselho Nacional de Saúde que normatiza as pesquisas com seres humanos.

Medidas

Baseou-se em um questionário multidimensional, anônimo e autopreenchível, aplicado coletivamente nas turmas com o apoio de equipe de pesquisadores treinados, com duração média de 60 minutos. O inquérito foi pré-testado em 97 alunos de sete escolas (públicas e privadas) de São Gonçalo para o estudo de confiabilidade das escalas utilizadas.

Neste estudo, as seguintes variáveis são investigadas, apresentadas segundo as características sociodemográficas, familiares e individuais do adolescente. As primeiras se referem ao sexo do adolescente; idade (> 14 anos e < 14 anos); cor da pele (branco, negro/pardo, amarelo/indígena); estrato social da família (estimado a partir do nível educacional dos pais/responsáveis e o acúmulo de bens materiais da casa, compondo dois estratos: A+B que corresponde ao alto/médio nível socioeconômico e renda familiar média acima de R$2.565,00; e o C+D que equivale ao mais popular, com renda família média abaixo de R$1.541,00)32; e morar amontoado item da escala UCLA PTSD Reaction Index 31, com opções de respostas que variam entre "nada estressante" a "extremamente estressante".

Para as questões referentes à família, foram investigadas as seguintes variáveis: (1) estrutura familiar, caracterizada por pais/responsáveis que residem com o adolescente: pai/mãe, pai/madrasta ou mãe/padrasto, apenas um dos pais, sem pai nem mãe; (2) relacionamento do adolescente com o pai/padrasto, com a mãe/madrasta, com os irmãos e com outros parentes. Utilizou-se itens da sub-escala de relacionamento interpessoal, que compõe a escala Brief Impairment Scale 33 adaptada para o Brasil por Paula et al.34; (3) supervisão familiar, caracterizada pela frequência com que pais/responsáveis sabem onde o adolescente vai e com quem está; (4) familiar com problemas de álcool ou drogas; (5) violência cometida pelo pai/responsável e pela mãe/responsável contra o adolescente, composta por itens que englobam jogar objetos, empurrar e dar tapas ou bofetadas contra o adolescente na sua vida. Pelo menos um item positivo configura a existência da violência do pai ou da mãe contra o filho35 , 36; (6) violência entre pais e entre irmãos, avaliadas por pelo menos um item positivo nas seguintes questões: briga a ponto de se machucarem, e humilhando um ao outro; (7) violência psicológica, escala composta por 18 itens, que afere experiências em que o adolescente foi diminuído em suas qualidades, capacidades, desejos e emoções por pessoa significativa37 , 38. Todas as escalas foram testadas quanto aos aspectos de validade e confiabilidade, indicando sua adequação. As opções de respostas dos itens relativos à esfera familiar estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Associação entre as variáveis familiares e o potencial de resiliência. 

Resiliência
Variáveis familiares Médio + Alto Baixo p-valor*
N % N %
Estrutura familiar
Pai e mãe 544 67,6 260 32,4 0,645
Pai e madrasta ou mãe e padrasto 182 70,0 78 30,0
Só com um dos pais 209 64,4 115 35,6
Sem pai e sem mãe 57 58,3 41 41,7
Relacionamento com pai/padrasto
Não tem sido difícil 578 70,6 240 29,4 0,106
Um pouco difícil 283 60,8 183 39,2
Bem difícil 46 56,6 35 43,4
Extremamente difícil 35 69,2 15 30,8
Relacionamento com mãe/madrasta
Não tem sido difícil 686 71,8 269 28,2 0,007
Um pouco difícil 227 58,0 164 42,0
Bem difícil 55 58,6 39 41,4
Extremamente difícil 28 57,4 21 42,6
Relacionamento com irmãos
Não tem sido difícil 430 64,0 243 36,0 0,070
Um pouco difícil 299 71,0 122 29,0
Bem difícil 81 65,8 42 34,2
Extremamente difícil 47 48,7 49 51,3
Relacionamento com outros parentes
Não tem sido difícil 736 71,9 288 28,1 0,001
Um pouco difícil 170 55,1 138 44,9
Bem difícil 66 70,2 28 29,8
Extremamente difícil 19 33,1 39 66,9
Supervisão familiar
Sempre 780 70,7 323 29,3 0,003
Muitas vezes 155 59,4 106 40,6
Poucas vezes 72 56,7 55 43,3
Nunca 7 27,7 19 72,3
Problemas com álcool e drogas
Nada estressante 56 60,9 36 39,1 0,848
Pouco estressante 75 70,8 31 29,2
Mais ou menos estressante 55 61,1 35 38,9
Muito estressante 87 66,4 44 33,6
Extremamente estressante 94 62,7 56 37,3
Violência do pai
Ausência 637 67,8 302 32,2 0,421
Presença 255 63,3 148 36,7
Violência da mãe
Ausência 455 67,2 223 32,8 0,977
Presença 542 67,0 267 33,0
Violência entre pais
Ausência 601 69,7 262 30,3 0,110
Presença 323 62,5 194 37,5
Violência entre irmãos
Ausência 326 68,2 152 31,8 0,600
Presença 530 65,6 278 34,4
Violência psicológica
Ausência 778 69,2 345 30,8 0,032
Presença 138 57,7 101 42,3

* p-valor < 0.05

Para avaliação de questões individuais, investigou-se as estratégias de coping e a sintomatologia depressiva. As primeiras são avaliadas através da escala HICUPS (How I Coped Under Pressure Scale - Program for Prevention Research, 1999), composta por 19 questões, que englobam as seguintes dimensões: distração (vê televisão ou lê, meditar, rezar, fazer ginástica ou esporte, desenhar ou escrever), ativo (dizer para si que as coisas vão melhorar, aprender o máximo com a situação difícil e fazer trabalho voluntário), evitação (gritar, se envolver em briga, faltar aula, evitar pessoas, tomar bebida alcóolica, fumar cigarro e ficar fora de casa) e suporte (conversar sobre o problema com os pais, com a escola ou outros profissionais de saúde e da igreja). A escala tem apresentado validade em várias amostras de crianças e adolescentes39 e tem sido recorrentemente exaltada nas revisões da literatura sobre coping 40 , 41. Cada dimensão foi avaliada por tercil, compondo o gradiente baixo, médio e alto. Para avaliar a sintomatologia depressiva, utilizou-se o Inventário de Depressão Infantil (CDI)42 , 43, que verifica a presença e a severidade de sintomas de depressão em crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, a partir do autorrelato. Contém 27 itens e tem sido descrito como psicometricamente satisfatório em diversos países e no Brasil44 , 45.Os casos clínicos de depressão são aqueles em que pontuaram acima de um desvio padrão e meio da média do escore da amostra.

A resiliência foi avaliada a partir da escala proposta por Wagnild e Young46 e adaptada para o Brasil por Pesce et al.47. É usada para medir níveis de adaptação psicossocial positiva em face de eventos de vida importantes. Possui 25 itens descritos de forma positiva com resposta tipo Likert variando de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). Também tem demonstrado bons índices psicométricos em diversos estudos36. Na presente pesquisa, obteve-se alpha de Cronbach de 0,78 e a exclusão de cada um dos itens não afetou o índice geral. O coeficiente de correlação intraclasse foi de 0,69, o que indica uma concordância satisfatória. Neste trabalho, a resiliência foi avaliada por tercil e optou-se por analisá-la em dois grupos: alto e médio potencial de resiliência em contraposição ao baixo. Optou-se por trabalhar com esta divisão com a intenção de obter uma análise mais apurada do grupo com baixo potencial de resiliência.

Análise dos dados

Foram feitos testes de associação entre as variáveis estudadas e a resiliência, considerados ao nível de significância de 5%. Posteriormente, todas as variáveis foram analisadas por modelos de regressão logística, tendo a resiliência como variável desfecho e sexo como efeito modificador (incluído como um termo de interação no modelo). O efeito de interação também foi avaliado com um nível de significância de 0,05. Os pacotes estatísticos utilizados foram SPSS versão 15 e R versão 2.15.1. O peso amostral foi incorporado em toda a análise para correção das medidas pontuais, do plano amostral e para correção dos testes48 , 49.

Resultados

Nas Tabelas 1, 2 e 3 são apresentadas as análises entre as variáveis sociodemográficas, familiares e individuais com o potencial de resiliência dos adolescentes. Na Tabela 2, dentre todas as sociodemográficas investigadas (sexo, idade, cor da pele e estrato social) apenas morar amontoado apresentou associação estatística (p.046) com o potencial de resiliência. Constata-se que ser muito estressante morar amontoado está associado à baixa resiliência (52,6% contra 47,4% do grupo com mais elevada resiliência). Inversamente, 54,7% dos adolescentes com maior resiliência dizem ser nada estressante viver amontoado, percentual superior à mesma resposta daqueles com menor potencial resiliência (45,3%).

Tabela 2 Associação entre as variáveis sociodemográficas e o potencial de resiliência. 

Resiliência
Variáveis sociodemográficas Médio + Alto Baixo p-valor*
N % N %
Sexo
Feminino 669 67,6 321 32,4 0,666
Masculino 346 65,5 182 34,5
Idade 0,753
≤ 14 623 66,3 17 33,7
> 14 392 67,8 186 32,2
Cor da pele 0,672
Branca 387 66,2 198 33,8
Negra/Parda 559 67,1 275 32,9
Amarela/Indígena 54 74,0 19 26,0
Estrato Social 0,793
A+B 367 67,2 179 32,8
C+D 221 65,4 116 34,6
Morar amontoado 0,046
Nada estressante 15 54,7 13 45,3
Pouco estressante 16 51,6 15 48,4
Mais ou menos estressante 11 78,5 3 21,5
Muito estressante 9 47,4 10 52,6
Extremamente estressante 33 95,2 2 4,8

* p-valor < 0.05.

Tabela 3 Associação entre as variáveis individuais e o potencial de resiliência. 

Resiliência
Variáveis individuais do adolescente Médio + Alto Baixo p-valor*
N % N %
Coping Distração
Baixo 471 62,1 288 37,9 0,020
Médio 263 70,2 111 29,8
Alto 281 73,2 103 26,8
Coping Ativo
Baixo 318 54,0 270 46,0 0,001
Médio 363 73,4 131 26,6
Alto 334 76,7 101 23,3
Coping Evitação
Baixo 350 67,4 169 32,6 0,810
Médio 315 65,0 169 35,0
Alto 349 68,1 164 31,9
Coping Suporte
Baixo 158 53,8 136 46,2 0,002
Médio 501 65,7 262 34,3
Alto 352 77,0 105 23,0
Depressão do jovem
Não clínico 869 69,3 384 30,7 0,001
Clínico 49 42,3 66 57,7

* p-valor < 0.05.

Quanto às questões familiares, a Tabela 1 mostra que o baixo potencial de resiliência está associado estatisticamente a um relacionamento um pouco difícil e extremamente difícil do adolescente com a mãe/madrasta (p.007). A baixa resiliência também prevalece nos que têm um relacionamento extremamente difícil com outros parentes (66,9% contra 33,1% dos que apresentam maior resiliência) (p.001). Na mesma direção, a ausência de supervisão familiar e a presença da violência psicológica estão associadas a baixa resiliência (p.003 e p.032, respectivamente). Estrutura familiar; relacionamento com o pai/padrasto e com os irmãos; problemas com álcool e drogas; e violências do pai e da mãe contra o adolescente e deste com seus irmãos, além da que ocorre entre os pais, não mostram associação estatística com o potencial de resiliência dos adolescentes (Tabela 1).

No que se refere às variáveis individuais investigadas, constata-se que há uma tendência de baixa resiliência em adolescentes que utilizam menos estratégias de distração, ativa e de suporte (Tabela 3). Verifica-se também que elevam-se estas estratégias de coping à medida em que elevam-se o potencial de resiliência nos adolescentes, ocorrendo o inverso naqueles que denotam mais baixo potencial de resiliência. As estratégias de coping de distração, ativo e de suporte estão associadas estatisticamente ao potencial de resiliência (p.020, p.001 e p.002, respectivamente). O coping de evitação não se mostrou distinto entre adolescentes de mais alto ou baixo potencial de resiliência. Em relação aos sintomas depressivos, adolescentes que os apresentam em nível clínico apresentam mais baixa resiliência (57,7% contra 42,3% do grupo de mais elevada resiliência) (p.001).

No estudo de interação das variáveis, tendo a resiliência como desfecho e sexo como efeito modificador, constata-se que apenas duas variáveis apresentam interação estatisticamente significativa com o sexo: morar amontoado e dificuldade para se dar bem com os irmãos/irmãs (Tabela 4). No Gráfico 1 observa-se que meninas têm maior probabilidade de ter mais baixo potencial de resiliência ao mencionar ser bem difícil ou extremamente difícil lidar com os irmãos. Já os meninos, nos relacionamentos difíceis com os irmãos apresentam uma menor probabilidade de serem menos resilientes. No Gráfico 2 é visto que meninas tem maior probabilidade de serem menos resilientes do que meninos ao considerarem que é muito estressante morar amontoado.

Gráfico 1 Interação entre sexo e lidar com os irmãos com resiliência. 

Gráfico 2 Interação entre sexo e morar amontoado com resiliência. 

Tabela 4 Estimativas dos coeficientes dos modelos que apresentaram interações estatisticamente significativas. 

Estimativa EP P-valor
Tem sido difícil para você se dar bem com os seus irmãos/irmãs
Um pouco difícil -0,3967 0,2896 0,1776
Bem difícil 0,1750 0,3606 0,6299
Extremamente difícil 1,2110 0,4361 0,0080
Masculino 0,2114 0,3101 0,4988
Um pouco difícil: Masculino 0,2840 0,4432 0,5249
Bem difícil: Masculino -0,8851 0,8627 0,3104
Extremamente difícil: Masculino -2,0252 0,8875 0,0273
Mora ou já morou amontoado, sem espaço
Pouco estressante -0,3165 1,2732 0,8066
Mais ou menos estressante -1,3015 1,3771 0,3579
Muito estressante 0,2142 1,0062 0,8340
Extremamente estressante -2,7362 1,4756 0,0811
Masculino -0,5826 1,6159 0,7229
Pouco estressante: Masculino 1,0843 1,8764 0,5709
Mais ou menos estressante: Masculino 0,5544 2,2712 0,8101
Muito estressante: Masculino -16,9981 1,9342 0,0000
Extremamente estressante: Masculino -14,5275 2,1191 0,0000

Discussão

Este estudo induz a interessantes observações no que se refere à relação entre resiliência, gênero e família. Primeiramente, chama atenção que nas análises bivariadas entre os aspectos sociodemográficos e o potencial de resiliência apenas o estresse gerado por morar em ambiente com muitas pessoas se sobressaia. A densidade familiar, descrita neste trabalho pela variável morar amontoado pode ter efeitos no desenvolvimento da criança, se esta é submetida a condições precárias de cuidados e presencia exaustivamente os conflitos que emergem do convívio conturbado entre numerosos familiares5 , 17 , 18. Sendo assim, morar amontoado é uma consequência da condição socioeconômica precária e pode ser uma variável mais sensível para aferir a vulnerabilidade social da família do que o estrato social em si. É importante que estudos futuros possam desdobrar esta variável qualitativamente, visto que o presente trabalho é limitado por sua metodologia quantitativa.

Ainda sobre a questão da condição social precária da família, é importante ressaltar que, tal qual verificado neste estudo, outros trabalhos nacionais e internacionais também não verificaram associação entre resiliência e condição socioeconômica e outras variáveis sociodemográficas, como sexo e cor/raça50 - 52. Deste modo, apesar de ser consensual o efeito deletério da pobreza, por exemplo, para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, quando o assunto é resiliência, aspectos de natureza mais relacionais e comunicacio nais parecem ter maior influência e peso.

Dentre os aspectos familiares, um difícil relacionamento com a mãe e com outros parentes; a ausência de supervisão da família à criança e ao adolescente; o esvaziamento da autoridade dos pais conjugado à violência como forma de comunicação na família são fatores que impactam o desenvolvimento da resiliência em adolescentes. Um vínculo familiar de qualidade protege a autoestima do sujeito e lhe confere segurança por ser pautado na aceitação de sua autoimagem. Todas estas questões estão relacionadas ao cuidado, à atenção, ao afeto e ao estabelecimento da disciplina da família com o adolescente53.

Chao et al.54 explicam que viver em um ambiente protegido e não ameaçador produz segurança para se relacionar com o mundo externo e recursos para superar as adversidades da vida. Ambientes permeados pela violência psicológica, onde prevalece a humilhação, a rejeição, o destrato e a crítica, são extremamente nocivos para o desenvolvimento infanto-juvenil, potencializando comportamentos de medo, de agressividade e passividade, além de hiperatividade, depressão e baixa autoestima, prejudicando muito o desenvolvimento do potencial de superação dos problemas54.

Em relação às demais variáveis familiares estudadas que não se mostram relacionadas ao potencial de resiliência, pode-se hipotetizar que valores socioculturais, as características pessoais do jovem e do contexto onde vive podem atuar como fatores de proteção, contrabalançando o efeito nocivo das situações investigadas. Sobre os problemas com álcool e drogas na família, por exemplo, Vitaro et al.55 verifica alto potencial de resiliência em adolescentes filhos de pais alcoó latras, contudo alerta para as suas distintas estratégias defensivas para lidar com o problema.

No que diz respeito à relação entre as questões de coping e de depressão com o potencial de resiliência, foi observado que os adolescentes com baixo potencial de resiliência tendem a utilizar pouco as estratégias de coping ativo, de distração e de suporte; e à medida em que estas estratégias são mais utilizadas, o potencial de resiliência também se eleva, mostrando que a capacidade de superação de adversidades esta relacionada com a forma com que estas são enfrentadas. O entorno afetivo oferecido ao adolescente se mostra decisivo, uma vez que as relações interpessoais vividas ao longo do desenvolvimento são consideradas constitutivas para a formação da personalidade. Faz toda diferença a presença de uma figura afetiva com quem o adolescente possa contar nos momentos de adversidades e neste ponto a família possui papel primordial. Perceber que há uma relação direta entre as formas de enfrentamento das adversidades e o potencial de resiliência aproxima os conceitos de coping e resiliência e possibilita a criação de estratégias de atuação na promoção da saúde dos adolescentes mais fundamentadas nas experiências que constituem a história destes.

Voltando a discussão para um dos pontos centrais deste estudo: a relação entre resiliência, gênero e família, poucas diferenças das questões investigadas entre os meninos e as meninas são encontradas, o que se supõe que apesar das grandes diferenças entre os sexos, muitos aspectos do universo familiar afetam igualmente o potencial de resiliência de ambos. Outrossim, é importante ressaltar que o achado inicial da falta de associação da resiliência entre os sexos segue uma estratégia metodológica, cujo objetivo é identificar a associação da resiliência segundo o sexo. Não há na literatura o consenso em torno da diferença do potencial de resiliência sob a ótica desta variável e no presente trabalho também não foi possível verificar a diferença nos indivíduos analisados12 , 28.

Contudo, no estudo da interação, onde as variáveis familiares são tidas como exposição, o potencial de resiliência como desfecho e sexo como efeito modificador, o debate recai no impacto diferenciado das questões do universo familiar segundo o potencial de resiliência em meninos e meninas, onde elas, em comparação aos meninos, demonstram ter potencial de resiliência mais rebaixado ao morar em ambiente com muitas pessoas e a ter dificuldade no relacionamento com irmãos.

Morar amontoado pode ter efeito mais negativo na resiliência das meninas, em função da maior permanência delas na esfera privada e no ambiente do lar, já que tendem à introjeção, à passividade, à dependência e à fragilidade; enquanto os meninos, ao assumirem uma postura mais ativa e independente, estão mais fora de casa e buscam mais a comunidade e os grupos de pertença fora do ambiente doméstico. Dessa forma, a conquista de um espaço próprio, que proporcione privacidade e tranquilidade à menina parece ser importante para o desenvolvimento da sua resiliência. Flach56 explica que a privacidade é um elemento importante para que um ambiente seja promotor de resiliência.

No mesmo sentido, o difícil relacionamento com irmãos pode ser mais deletério para a resiliência das meninas talvez porque, seguindo os estereótipos de seu gênero, elas são mais afetadas pela falta de proteção, apoio e segurança dos irmãos. Werner e Smith57 sugerem que o relacionamento próximo, de parceria e ajuda mútua entre irmãos aumenta a capacidade da pessoa, na idade adulta, enfrentar as adversidades, estendendo-se na vida adulta em maior competência social e iniciativa no auxílio ao outro.

Sob um ponto de vista distinto e mais ampliado, cabe afirmar que a família não é isenta de problemas, mas possui potencial para encontrar alternativas na solução das adversidades. Delage58 enuncia quatro elementos para a avaliação da capacidade das famílias de protegerem cada um de seus membros, proteção essa que conforma a base da resiliência familiar: uma comunicação clara e aberta; a liberdade de cada um dos familiares exprimir ou guardar para si emoções dolorosas; a cooperação familiar diante da resolução de problemas principalmente nos casos em que são necessárias substituições de papéis e tarefas uns dos outros; por último, um equilíbrio funcional entre o fechamento e a abertura da família para o mundo externo.

Walsh52 explica algumas características das famílias que as tornam mais resilientes: (1) aquelas com sistema de crenças positivos, ou seja, que atribuem sentido à adversidade, tem olhar positivo, transcendência e espiritualidade; (2) tem padrões de organização, com flexibilidade, coesão, recursos sociais e econômicos; e (3) possuem processos de comunicação claros, com expressões emocionais e expressam colaboração na resolução de problemas.

A principal limitação deste estudo diz respeito ao desenho transversal, já que permite apenas fazer estudo de associações entre as variáveis, com caráter descritivo e exploratório de análise dos dados. Além disso, são escassos os textos que tratam da resiliência sob a perspectiva do gênero em adolescentes, o que impõe um desafio ainda maior, que é a produção de conhecimento que possa subsidiar programas e politicas públicas de saúde distintas para meninos e meninas. É fundamental que estas ações voltadas para a atenção e a promoção da saúde de jovens possam incluir as diferenças de gênero e os aspectos familiares. O grande desafio está em instrumentalizar as famílias para que sejam atentas às necessidades de seus filhos, e para que compreendam os diversos elementos que compõem a vida do adolescente, como, por exemplo, a escola, a comunidade e a mídia. Estudos analíticos de cunho qualitativo podem ser de grande valia neste campo, pois superariam as questões que são colocadas aqui como limitações, ampliando a compreensão acerca do processo de desenvolvimento da resiliência dos adolescentes.

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