Resposta do autor: Escore Z: Fenton 2013. Atualização de 10 Anos

Resposta do autor: Escore Z: Fenton 2013. Atualização de 10 Anos

Autores:

Paola Azara Tabicas Lima,
Manoel de Carvalho,
Ana Carolina Carioca da Costa,
Maria Elisabeth Lopes Moreira

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.90 no.4 Porto Alegre jul./ago. 2014

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2014.04.004

Caro Editor,

Gostaríamos de agradecer ao Sr. Proaño et al. por sua revisão e comentários sobre nosso artigo: "Variáveis associadas à restrição do crescimento extrauterino em neonatos com muito baixo peso ao nascer",1 que certamente contribuiu para um melhor entendimento de nossos resultados.

Utilizamos o gráfico de Fenton 20032 como referência para análise de dados em nosso trabalho anterior,1 pois, no momento, essa era a referência disponível. Incentivados por uma carta de Proaño et al., optamos por recalcular utilizando essa nova referência de Fenton 2013 3 e refizemos a análise. De fato, encontramos diferentes resultados com essa nova referência. 3

Métodos

Utilizando os mesmos dados do estudo anterior,1 fizemos uso da Calculadora de Pesquisa em Massa, disponível em http://www.ucalgary.ca/fenton/2013chart, para calcular os escores z para peso e perímetro cefálico, e observamos os seguintes resultados:

Novos resultados

Da população estudada, 49% eram meninos, 67,4% dos recém-nascidos foram classificados como adequados para a idade gestacional (AIG) e 32,6% como pequenos para a idade gestacional (PIG). Observamos que, apesar de a média do escore z para perímetro cefálico (PC) ter apresentado ligeira redução durante o período de internação (-0,495 para -0,496), a média do escore z para peso apresentou piora (-0,958 para -1,798). Dos 570 recém-nascidos avaliados, 39,1% apresentaram restrição do crescimento na alta considerando o peso, e 7,5% quando a variável avaliada foi para PC.

Os neonatos AIG apresentaram queda no escore z para peso (-0,52 para -1,46) e escore z para PC (-0,03 para -0,29). Em neonatos PIG, a redução no escore z para peso foi menor (-1,87 para -2,49) em comparação a neonatos AIG, e o escore z para PC apresentou aumento (-1,46 para -0,93). Dos 32,6% de neonatos (186/570) nascidos AIG, 73,7% (137/186) apresentaram restrição do crescimento extrauterino (RCEU) na alta considerando o peso, e 12,9% (24/186) considerando o PC. As taxas de RCEU em neonatos AIG foram de 22,4% (86/384) considerando o peso, e 4,9% (19/384) considerando PC. Essas diferenças foram estatisticamente significativas para peso (valor de p = 0,000) e PC (valor de p = 0,001). Com relação à restrição do crescimento, foi observado que, no nascimento, 11,4% dos recém-nascidos estudados apresentaram restrição do crescimento intrauterino (RCIU) considerando o peso. Após alta, essa taxa de restrição do crescimento aumentou para 39,1%. Com relação ao PC, a taxa de restrição do crescimento ao nascer foi de 9,5%, e na alta, foi de 7,5%.

Na análise univariada, as variáveis que mostraram relevância estatística quando a variável de resultado foi escore z para PC na alta foram: AIG (IP = 1,08; IC: 1,03-1,14), uso de oxigênio nas 36 semanas (IP = 1,14; IC: 1,04-1,24), persistência do canal arterial (PCA) (IP = 1,06; IC 1,01-1,11) e tempo de internação (IP = 1,01; IC: 1,01-1,02). Quanto ao escore z para peso na alta hospitalar essas variáveis foram: hipertensão materna (IP = 1,26; IC: 1,02-1,54), uso de oxigênio nas 36 semanas (IP = 1,48; IC: 1,18-1,87), PIG (IP = 3,29; IC: 2,68-4,04), síndrome da angústia respiratória (SAR) (IP = 0,79; IC: 0,64-0,97) e tempo de internação (IP = 1,01; IC: 1,1-1,02). Sepse e enterocolite necrosante (ECN) comprovadas apresentaram baixa frequência na população, 4,6% e 1,2%, respectivamente, e não foram incluídas na análise de regressão.

Na análise de regressão, utilizando como resultado o escore z para PC < -2 corrigido para idade gestacional na alta, as variáveis utilizadas no modelo final apresentaram relevância estatística: tempo de internação e PIG ao nascer (tabela 1).

Tabela 1 Variáveis no modelo final da regressão de Poisson para escore z para PC na alta hospitalar 

Variáveis IP IC 95%
Tempo de internação (dias) 1,01 1,00-1,01
VM 1,03 0,76-1,40
PCA 1,28 0,99-1,64
PIG 3,39 2,75-4,16

PC, perímetro cefálico

IC, intervalo de confiança

IP, índice de prevalência

VM, ventilação mecânica

PCA, persistência do canal arterial

PIG, pequeno para a idade gestacional

Variáveis incluídas na análise: sexo, PIG, uso de esteroides pré-natais, hipertensão materna, persistência do canal arterial (PCA), síndrome da angústia respiratória (SAR), uso de ventilação mecânica (VM), uso de oxigênio nas 36 semanas, tempo de internação.

Foi observado que um dia a mais no tempo de internação aumentou em 1% a chance de restrição do crescimento na alta, e nascimento PIG aumentou em três vezes esse risco. Quando o resultado foi escore z para peso < -2 para idade corrigida na alta, as variáveis que continuaram no modelo final foram tempo de internação e nascimento PIG (tabela 2). Um dia a mais no tempo de internação resultou em um aumento de 1% na chance de apresentar restrição do crescimento na alta. O fator de risco com o maior impacto foi PIG.

Tabela 2 Variáveis do modelo final da regressão de Poisson para escore z para peso na alta hospitalar 

Variáveis IP IC 95%
Tempo de internação (dias) 1,01 1,01-1,02
PIG 3,41 2,79-4,18

IP, índice de prevalência

IC, intervalo de confiança

PIG, pequeno para a idade gestacional

Variáveis incluídas na análise: sexo, PIG, uso de esteroides pré-natais, hipertensão materna, PCA, SAR, VM, uso de oxigênionas 36 semanas, tempo de internação

Concluindo, na nova análise dos dados, observamos que os resultados foram piores que a referência utilizada anteriormente e que os fatores mais importantes associados à restrição do crescimento extrauterino foi nascer com desnutrição (PIG) e tempo de internação, que provavelmente reflete a gravidade da doença.

REFERÊNCIAS

1. Lima PA, de Carvalho M, da Costa AC, Moreira ME. Variables associated with extra uterine growth restriction in very low birth weight infants. J Pediatr (Rio J). 2014;90:22-7.
2. Fenton TR. A new growth chart for preterm babies: Babson and Benda's chart updated with recent data and a new format. BMC Pediatr. 2003;3:13.
3. Fenton TR, Kim JH. A systematic review and meta-analysis to revise the Fenton growth chart for preterm infants. BMC Pediatr. 2013;13:59.
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