Risk factors associated to falls of hospitalized patients in medical-surgical clinics

Risk factors associated to falls of hospitalized patients in medical-surgical clinics

Autores:

Jefferson Ribeiro Aguiar,
Amanda de Oliveira Barbosa,
Nelson Miguel Galindo Neto,
Marcos Aguiar Ribeiro,
Joselany Áfio Caetano,
Lívia Moreira Barros

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.32 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2019 Epub Dec 02, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201900086

Resumen

Objetivo

Identificar los factores de riesgo asociados a caídas en pacientes internados en clínica médica-quirúrgica.

Métodos

Estudio analítico y descriptivo con enfoque cuantitativo realizado de junio a septiembre de 2017 en un hospital público grande de la región norte del estado de Ceará, Brasil. La muestra fue de 155 pacientes y la recolección se realizó a través de instrumento estructurado dividido en cinco partes: a) Datos clínico-epidemiológicos, b) Aplicación de la prueba Mini-mental, c) Aplicación de la escala de caídas de Morse, d) Aplicación del índice de Katz y e) Diagnóstico de enfermería “Riesgo de caídas”. Para el análisis estadístico, se consideró error muestral de 5%.

Resultados:

De los 155 pacientes, el 41,2% (64) tenía diagnóstico clínico y el 58,8% (91) era de pacientes traumatológicos. Se identificó correlación estadística en casos de caídas con días de internación (p=0,07), prueba Mini-mental (p=0,048) y Katz (p=0,017) en pacientes clínicos, mientras que los pacientes traumatológicos presentaron relación positiva en casos de caídas en las variables edad (p=0,028) y Katz (p=0,037).

Conclusión

Los principales factores de riesgo identificados fueron: uso de dispositivos auxiliares, historia de caídas, estar en posoperatorio, dificultad para caminar, fuerza debilitada en las extremidades, deterioro del equilibrio, deterioro de la movilidad física, entorno poco conocido y material antideslizante insuficiente en el bano.

Descriptores Seguridad del paciente; Accidentes por caídas; Factores de riesgo

Introdução

A preocupação com a segurança do paciente tem sido prioridade, motiva propostas de políticas internacionais de saúde e leva aos esforços conjuntos de instituições, profissionais de saúde e pacientes. Logo, a fim de reduzir e controlar os riscos originados nos serviços de saúde, de forma eficaz e qualificados.(1,2)

Um dos principais eventos adversos no hospital é a queda que é um problema de saúde pública mundial que impacta a cultura de segurança do paciente no ambiente hospitalar ao ser associada ao surgimento de complicações do quadro clínico, prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares.(3,4) Ademais, pode limitar as atividades diárias, contribui assim para o surgimento de síndromes pós queda com dependência, perda de autonomia, imobilização e depressão. A incidência de quedas no ambiente hospitalar varia entre 1,1% a 22%, dependendo do setor e do perfil do paciente.(5,6)

Diante deste cenário, a Organização Mundial de Saúde alerta que o número de lesões causadas por quedas dobrará até 2030 se estratégias de prevenção de quedas não forem implementadas.(6) Vários fatores podem contribuir com a ocorrências de quedas, dentre eles deficiências no equilíbrio, marcha, acuidade visual, cognição, doenças crônicas, hipotensão postural, uso de medicação psicotrópica, superfícies escorregadias, obstáculos em caminhos e pouca iluminação.(3,4,7,8)

Tais fatores podem variar conforme o local e perfil do público. Assim, a identificação dos fatores de risco é importante para o planejamento e implementação eficientes das intervenções de prevenção de quedas(3,4) orientadas a partir da identificação dos indivíduos com maior suscetibilidade de cair.(4,6)

Ao considerar que um setor presente na maioria das instituições hospitalares é o de clínica médica, levanta-se o questionamento: Quais os principais fatores de riscos para ocorrência de quedas no setor de clínica médica?

Assim, o objetivo deste estudo foi identificar os fatores de risco associados às quedas em pacientes internados na clínica médica.

Métodos

Estudo analítico e descritivo com abordagem quantitativa realizado em um hospital localizado na região norte do Estado do Ceará, que é referência regional em atendimento de saúde de alta complexidade. A entidade filantrópica atende cerca de 40 mil pacientes por mês e contribui para formação de acadêmicos de áreas diversas, consolida-se também como um hospital de ensino. Com seus 450 leitos, a instituição atende mais de 60 municípios da região e uma população de aproximadamente dois milhões de habitantes.(9)

A clínica médica do referido hospital é composta por 56 leitos, dentre os quais 29 são destinados para pacientes clínicos e 27 para traumatológicos. A população foi composta por pacientes internados na clínica médica no período de junho a setembro de 2017.

O cálculo amostral foi realizado com base nos dados do número de internações referentes ao período de janeiro a dezembro de 2016. Nesse ano, a unidade assistiu 513 pacientes com média de 42,75 pacientes por mês. Para o cálculo amostral, utilizouse a fórmula para estimativa percentual com erro amostral de 5%, intervalo de confiança de 95%, n=513 e proporção de ocorrência do desfecho de 15%,(3) que resultou em 142 pacientes. Ao considerar a possibilidade de perdas, foi acrescentado 9% ao quantitativo, que resultou em 155 pacientes.

Os critérios de inclusão foram: a) estar internado na clínica médica em estudo no período de coleta de dados; b) ser alfabetizado. Já os critérios de exclusão: a) possuir alguma limitação cognitiva ou de comunicação de modo a comprometer a sua participação na entrevista ou a resposta ao instrumento de coleta de dados; b) indicação de transferência para outro setor do hospital; c) se encontrar com instabilidade hemodinâmica que impedisse a abordagem na beira do leito para participação do estudo.

Durante a internação, os pacientes foram convidados a participar da pesquisa por meio de entrevista para o preenchimento do instrumento estruturado que contemplou cinco partes: a) Dados Clínico-Epidemiológicos; b) Aplicação do Minimental; c) Aplicação da Escala de queda de Morse; d) Aplicação do índice de Katz; e) Diagnóstico de Enfermagem Risco de Quedas.

Na avaliação dos dados clínico-epidemiológicos, foram coletadas informações como sexo, idade, estado civil, nível de escolaridade, procedência, renda, diagnóstico médico e medicamentos. O Miniexame do Estado Mental (MEEM) avalia domínios como orientação temporal, espacial, memória imediata e de evocação, cálculo, linguagem-nomeação, repetição, compreensão, escrita e cópia de desenho. Como instrumento clínico, pode ser utilizado na detecção de perdas cognitivas, no seguimento evolutivo de doenças e no monitoramento de resposta ao tratamento ministrado.(10) Possui uma pontuação máxima de 30 pontos na sua análise, pontuação inferior a 24 pontos é considerada como indício de déficit cognitivo.(11)

A escala de queda de Morse é constituída por seis itens com duas ou três possibilidades de resposta para cada pergunta. Os itens avaliados são: História antecedente de quedas, diagnóstico secundário, ajuda para caminhar, terapia intravenosa, postura no andar e na transferência e o estado mental, sendo o resultado obtido o indicativo do risco de queda, podendo variar de 0 a 125 pontos, quanto maior o escore maior o risco, considerando-se alto risco de queda quando o resultado obtido é igual ou superior a 45 pontos, risco moderado de 25 a 45 pontos, e baixo risco de 0 a 24 pontos.(12)

O índice de Katz, também conhecido como índice de Atividades Básicas de Vida Diária, avalia as atividades de vida diárias hierarquicamente relacionadas, sendo organizado para mensurar a capacidade funcional no desempenho de seis funções: tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, transferir-se, ter continência e alimentar-se. A pontuação varia de 0 a 6 pontos, podendo ser classificado como dependência total de cuidados de 0 a 1; dependência parcial de 2 a 4 e independência de cuidados acima de 5 pontos.(13)

Foi avaliada também a presença dos fatores de risco referentes ao diagnóstico de enfermagem Risco de quedas conforme a Taxonomia II da NANDA-I(14) que é definido como vulnerabilidade ao aumento da suscetibilidade a quedas que pode causar dano físico e comprometer a saúde.

A análise estatística foi realizada no programa SPSS para obtenção de frequências absolutas e percentuais, médias e desvio-padrão. O nível de significância adotado foi 5% e o intervalo de confiança de 95%. Foi verificada a distribuição de normalidade das variáveis contínuas pelo Teste Kolmogorov-Smirnov e, para comparação entre dois grupos independentes, foi utilizado o teste de Mann Whitney. Para as variáveis categóricas, optou-se pelo teste Qui-Quadrado de Pearson.

O desenvolvimento do estudo atendeu às normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos (parecer n° 2102871). Os pacientes foram incluídos após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Dos 155 participantes, 41,2% (64) tinham diagnóstico clínico e 58,8% (91) eram traumatológicos. Na tabela 1, apresenta-se o perfil clínico-epidemio-lógico encontrado.

Tabela 1 Descrição das características sociodemográficas e comorbidades dos pacientes 

Variáveis /Categorias Grupo p-value
Clínico n(%) Trauma n(%)
Sexo
Feminino 30(46,9) 9(9,9) 0,000
Masculino 34(53,1) 82(90,1)
Ocupação
Ativa 19(29,7) 66(72,5) 0,000
Inativa 45(70,3) 25(27,5)
Estado civil
Casado 37(57,8) 60(65,9) 0,006
Divorciado 6(9,4) 2(2,2)
Solteiro 14(21,9) 28(30,8)
Viúvo 7(10,9) 1(1,1)
Religião
Ateu 2(3,1) 2(2,2) 0,813
Católico 54(84,4) 80(87,9)
Evangélico 8(12,5) 9(9,9)
Escolaridade
0 a 8 anos 44(68,8) 62(68,1) 0,388
9 a 11 anos 16(25,0) 27(29,7)
Acima de 12 anos 4(6,3) 2(2,2)
Idade Média (DP) 47,69(±20,29) 42,42(±18,62) 0,116*
Dias de Internamento 8,52(±8,11) 8,64(±7,42) 0,589*
MEEM 17,75(±8,65) 21,30(±7,54) 0,005*

Qui-quadrado de Pearson;

*Teste de Mann-Whitney

A tabela 2 descreve-se a avaliação da independência de cuidados para as atividades de vida.

Tabela 2 Descrição das variáveis da escala de Katz e a classificação para dependência de cuidados entre os pacientes 

Escala de Katz Grupo p-value
Clínico n(%) Trauma n(%)
Variáveis
Banho 51(79,7) 36(39,6) 0,000
Vestir-se 55(85,9) 32(35,2) 0,000
Higiene Pessoal 52(81,3) 28(30,8) 0,000
Transferência 55(85,9) 38(41,8) 0,000
Continência 56(87,5) 74(81,3) 0,303
Alimentação 60(93,8) 81(89,0) 0,311
Classificação
Independente 52(81,3) 25(27,5) 0,000
Parcialmente dependente 5(7,8) 24(26,4)
Totalmente dependente 7(10,9) 42(46,2)

Qui-quadrado de Pearson

Ao se comparar o grupo clínico com o traumatológico, houve diferença estatisticamente significante nas atividades: banhar-se (p=0,000), vestir-se (p=0,000), realizar a higiene pessoal (p=0,000) e transferir-se (p=0,000). Com relação à classificação do nível de cuidado conforme a escala de Katz, os pacientes traumatológicos foram classificados significativamente em maior percentual na categoria totalmente dependente (p=0,000) (Tabela 2).

Na tabela 3, é possível analisar os fatores de risco para quedas verificados pela escala de Morse entre os pacientes internados na clínica médica.

Tabela 3 Distribuição dos pacientes internados na clínica médica de acordo com os itens da Escala de Quedas de Morse 

Variáveis/Categorias Grupo p-value
Clínico n(%) Trauma n(%)
História de quedas
Sim 54(84,4) 85(93,4) 0,069
Não 10(15,6) 6(6,6)
Comorbidades
Sim 32(50,0) 75(82,4) 0,000
Não 32(50,0) 16(17,6)
Terapia intravenosa
Sim 22(34,4) 24(26,4) 0,283
Não 42(65,6) 67(73,6)
Auxílio na deambulação
Não utiliza; totalmente acamado 55(85,9) 68(74,7) 0,212
Usa muletas, bengala/andador 5(7,8) 15(16,5)
Segura-se no mobiliário/parede 4(6,3) 8(8,8)
Marcha
Normal; Não deambula 48(75,0) 33(36,3) 0,000
Fraca 4(6,3) 3(3,3)
Comprometida 12(18,8) 55(60,4)
Estado mental
Orientado 62(96,9) 88(96,7) 0,952
Desorientado 2(3,1) 3(3,3)

Qui-quadrado de Pearson.

Na tabela 3, observou-se que há diferenças estatisticamente significantes quando se compara os resultados de avaliação de risco para quedas entre pacientes clínicos e traumatológicos, as quais foram: presença de comorbidades (p=0,000) e marcha (p=0,000). Em ambos os grupos, os pacientes apresentam histórico anterior de quedas (84,4% para clínicos vs. 93,4% para traumatológicos), possuem comorbidades (Clín.: 50% vs. Traum: 82,4%), não fazem uso de terapia intravenosa (Clín.: 65,6% vs. Traum: 73,6%), não precisam de auxílio para deambular (Clín.: 85,9% vs. Traum: 74,7%) e apresentam-se orientados no tempo e no espaço (Clín.: 96,9% vs. Traum: 96,7%).

Somente em relação à marcha, houve divergência no perfil dos pacientes em que, para o grupo clínico, 75% (48) apresentam marcha normal; não deambula ou está totalmente acamado enquanto que 60,4% (55) dos pacientes traumatológicos possuem a marcha comprometida ou cambaleante (tabela 3). Quanto a classificação de risco para quedas na escala de Morse, 40% (62) dos pacientes apresentaram baixo risco para queda, 33% (51) moderado risco e 27% (42) alto risco de queda.

Na tabela 4, apresenta-se a correlação entre o escore obtido com a escala de quedas de Morse e as variáveis: idade, dias de internamento, pontuação MEEM e pontuação da escala de Katz.

Tabela 4 Correlação entre variáveis como idade, dias de internamento, média do MEEM e da escala de Katz com os escores obtidos na Escala de Morse 

Variáveis Escore de Morse p-value*
Clínico Traumatológico
Idade 0,501 0,028
Dias de internamento 0,070 0,198
MEEM 0,048 0,311
Katz 0,017 0,037

*Teste de correlação de Spearman

Na tabela 4, verificou-se que existe correlação estatisticamente significante entre dias de internamento (p=0,07), MEEM (p=0,048) e Katz (p=0,017) para os pacientes clínicos enquanto que os pacientes traumatológicos apresentam associação positiva para ocorrência de quedas nas variáveis idade (p=0,028) e Katz (p=0,037).

Na tabela 5, pode-se observar a relação dos fatores de risco para o diagnóstico Risco de quedas, identificados entre pacientes clínicos e traumatológicos.

Tabela 5 Distribuição dos fatores de riscos para Diagnóstico de Enfermagem “Risco de Queda” conforme grupos de pacientes 

Fatores de risco Grupo p-value
Clínico n(%) Trauma n(%)
Em adultos
Idade acima de 65 anos 13(20,3) 12(13,2) 0,235
Prótese de membro inferior 2(2,2) 0,233
Uso de cadeira de rodas 3(4,7) 8(8,8) 0,327
Uso de dispositivos auxiliares 8(12,5) 35(38,5) 0,000
História de quedas 15(23,4) 28(30,8) 0,315
Cognitivos
Alterações na função cognitiva 3(4,7) 3(3,3) 0,659
Fisiológicos
Artrite 3(4,7) 2(2,2) 0,388
Anemia 23(35,9) 7(7,7) 0,000
Ausência de sono 18(28,1) 10(11,0) 0,006
Pós-operatório 9(14,1) 35(38,5) 0,001
Déficits proprioceptivos 3(4,7) 3(3,3) 0,659
Diarreia 5(7,8) 3(3,3) 0,211
Dificuldade na marcha 20(31,3) 68(74,7) 0,000
Dificuldades auditivas 4(6,3) 4(4,4) 0,607
Dificuldades visuais 10(15,6) 10(11,0) 0,397
Doença vascular 4(6,3) 0,016
Forca diminuída nas extremidades 19(29,7) 33(36,3) 0,000
Equilíbrio prejudicado 17(26,6) 57(62,6) 0,393
Urgência urinária 4(6,3) 2(2,2) 0,900
Hipotensão ortostática 8(12,5) 12(13,2) 0,198
Mobilidade física prejudicada 19(29,7) 60(65,9) 0,000
Neoplasias 7(10,9) 1(1,1) 0,006
Neuropatia 5(7,8) 1(1,1) 0,033
Incontinência 3(4,7) 3(3,3) 0,659
Alteração no nível de glicose no sangue 2(3,1) 3(3,3) 0,952
Condição que afeta os pés 10(15,6) 12(13,2) 0,668
Ambientais
Ambiente desorganizado 4(6,3) 1(1,1) 0,074
Cenário pouco conhecido 19(29,7) 20(22,0) 0,276
Exposição à condição insegura 2(3,1) 3(3,3) 0,952
Iluminação insuficiente 2(3,1) 0,090
Material antiderrapante insuficiente no banheiro 23(35,9) 23(25,3) 0,153
Uso de imobilizadores 2(2,2) 0,233
Uso de tapetes soltos
Agentes farmacológicos
Agente farmacológico 24(37,5) 15(16,5) 0,003
Consumo de álcool 3(4,7) 15(16,5) 0,024

Qui-quadrado de Pearson

Discussão

Foi observado frequência semelhante entre os sexos nos pacientes clínicos e predomínio de homens no grupo de pacientes traumatológicos. De acordo com a literatura científica, não há consenso formado se o sexo é fator de risco potencializador para ocorrência de quedas. Existem estudos que a incidência de quedas é maior em homens e outros apresentam as mulheres como vítimas mais frequentes para este tipo de acidente.(15)

Neste estudo, a média da idade não divergiu entre os grupos: 47,6 para clínicos e 42,4 para traumatológicos. Em estudos analisados, a idade avançada é considerada fator de risco para queda e para lesões decorrentes dela, devido às alterações causadas pelo processo fisiológico do envelhecimento.(15,16)

No que se refere ao tempo de internação no ambiente hospitalar, a média de dias na clínica médica foi de 8,52 dias (± 8,11) — entre pacientes clínicos — a 8,64 dias (±7,42) para os pacientes traumatológicos. Esses dados vão de acordo com estudo realizado em hospital no interior do estado do Rio Grande do Sul, com pacientes internados na Clínica Cirúrgica e Clínica Médica I e II, que identificou tempo de internação de 7,7 dias (±9,2),(3) sendo o período de dias maior quando comparado aos pacientes deste estudo. Sabe-se que quanto maior o tempo de internação hospitalar, maior o risco para quedas,(17) o que alerta para a importância da implementação de medidas preventivas que visem reduzir esses riscos e proporcionar ambiente seguro ao paciente.

Quanto a escolaridade, houve o predomínio de 0 a 8 anos de estudo em ambos os grupos. O nível educacional influencia diretamente na ocorrência de quedas, pois os pacientes podem apresentar baixa literacia em saúde, prejudicando o seu entendimento sobre as orientações fornecidas quanto à prevenção de quedas. Assim, considera-se importante a identificação de déficit cognitivo a partir de escalas padronizadas com intuito de rastrear aqueles pacientes em risco de comprometimento cognitivo. Além disso, indivíduos com baixo nível educacional necessitam de maior tempo para adaptação ao novo ambiente (hospital), podendo ter o sensor de localização espacial prejudicado, o que impacta no seu desempenho em efetuar tarefas como práticas do autocuidado.(18)

No que se refere à aplicação do MEEM, foi observado que os pacientes clínicos apresentam menor desempenho cognitivo (média de 17,75 escores) quando comparados aos pacientes traumatológicos (média de 21,30), reforçando a importância de maior atenção aos indivíduos com diagnóstico clínico quanto ao processo de comunicação entre enfermeiro-paciente, sendo a linguagem adaptada ao nível educacional do paciente. De acordo com literatura, existe associação positiva entre o aumento da fragilidade do paciente internado com o baixo desempenho cognitivo, contribuindo para a ocorrência de quedas.(19)

Com relação à presença de comorbidades, a maioria dos pacientes apresentava doenças associadas, sendo este fator estatisticamente significante entre os dois grupos. Pacientes com mais de um diagnóstico médico possuem maior possibilidade de ter limitações em vários sistemas (musculoesqueléticos, cardiovasculares, neurológicos, psicológicos, entre outros). Conforme alguns estudos há associação direta entre número de comorbidades e maior número de quedas dos pacientes.(3)

A prevalência de pacientes com baixa dependência dos cuidados de enfermagem entre os pacientes clínicos e maior frequência de pacientes com necessidade total para realização de atividades de vida básicas no grupo traumatológico estar associada ao fato de que, em muitos casos, pacientes que sofrem traumas, principalmente aqueles que sofrem fraturas, precisam ficar imobilizados por determinado período de tempo, o que prejudica o seu autocuidado e aumenta o risco para quedas. O estudo realizado em um hospital privado, na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, com 112 participantes, confirma o cuidado necessário com o paciente traumatológico, uma vez que 42,3% dos pacientes que realizaram cirurgia traumatológica encontrava-se com risco elevado para quedas.(20)

Com relação à média escore das avaliações de Morse predominantes neste estudo obtivemos baixo risco para quedas. Ao comparar com outras literaturas, há pesquisas que obteve escores Morse de 31,7 (±16,9), o que confere classificação de risco moderado para quedas.(19) De acordo com a literatura, essa divergência ocorre devido ao setor e os serviços oferecidos.(3)

Os principais fatores de risco relacionados ao DE Risco de quedas evidenciados neste estudo foram uso de dispositivos auxiliares, mobilidade física prejudicada, cenário pouco conhecido, material antiderrapante insuficiente no banheiro e agente farmacológico.

Conforme estudo realizado no hospital de grande porte no Sul do Brasil com 174 pacientes internados nos setores clínicos e cirúrgicos, identificou-se como principais fatores de risco para queda o equilíbrio prejudicado, dificuldades na marcha, mobilidade física prejudicada, idade maior de 60 anos, déficit proprioceptivo e medicamentos. Diante dos resultados para o diagnóstico risco de quedas, elaborou-se as intervenções de prevenção de quedas, conforme o referencial da NIC, reforçando o encontrado na literatura que recomenda intervenções multifatoriais na prevenção de quedas.(15)

No mundo, os desafios de prevenção de quedas continuam a prevalecer, apesar das ferramentas de avaliação de risco validadas e de diversos programas de prevenção de quedas.(21) Identificar pessoas com alto risco para ocorrência de quedas e melhorar a conscientização sobre os fatores de risco existentes bem como o acesso à informação a partir de intervenções educativas pode vir a ajudar a minimizar os efeitos devastadores das quedas.(1) Enfermeiros desempenham um papel fundamental na prevenção de quedas no ambiente hospitalar a partir da identificação dos fatores de risco dos indivíduos para ocorrência de quedas e educação em saúde sobre a temática.(22)

Como limitação do presente estudo, tem-se o fato de ter ocorrido em um hospital público, que pode não corresponder à realidade de hospitais privados e ter ocorrido em quatro meses do ano, de forma que os fatores relacionados ao risco de queda podem ser diferentes em meses distintos do ano. É importante a realização de novos estudos que visem identificar a taxa de incidência de quedas existente nesse setor. Vale destacar também que não foi encontrado estudos na literatura que associem as variáveis idade, Katz e MEEM entre pacientes da clínica médica, o que prejudicou a discussão desses achados. Sugere-se como novos estudos a construção de tecnologias educacionais em consonância com a realidade do serviço, o que pode vir a aumentar a efetividade do fornecimento de orientações para a prevenção desse evento adverso que causa impacto deletério no estado de saúde dos indivíduos.

Conclusão

Neste estudo, os principais fatores de risco identificados foram: uso de dispositivos auxiliares, história de quedas, estar em pós-operatório, dificuldade na marcha, força diminuída nas extremidades, equilíbrio prejudicado, mobilidade física prejudicada, cenário pouco conhecido e material antiderrapante insuficiente no banheiro. Verificou-se maior associação para risco de quedas em pacientes traumatológico, apresentando maior dependência para realização das atividades de vida diária. Salienta-se ainda que quanto maior o tempo de internação hospitalar, maior o risco para quedas. Destaca-se que há a necessidade de sensibilizar os profissionais a se apropriarem das ferramentas disponíveis na literatura para garantia da segurança do paciente como escalas específicas para avaliação do risco de quedas e a sistematização da assistência de Enfermagem, o que pode contribuir para a prevenção da ocorrência de quedas e qualificação do cuidado. É de fundamental importância que o enfermeiro conheça as suscetibilidades para a queda, de modo a identificar os fatores de risco, sendo capaz de elaborar um plano de cuidados com intervenções efetivas para prevenção de quedas e promoção da qualidade da assistência prestada embasadas nas terminologias NANDA, NOC e NIC.

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