Rose N, Abi-Rached JM. Neuro: the new brain sciences and the management of the mind. Princeton: Princeton University Press; 2013

Rose N, Abi-Rached JM. Neuro: the new brain sciences and the management of the mind. Princeton: Princeton University Press; 2013

Autores:

Sérgio Resende Carvalho

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.19 no.55 Botucatu out./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622015.0169

Que tipo de seres pensamos que somos? Esta pode ser uma questão filosófica. Em parte, é, mas está longe de ser abstrata. Ela está no cerne das filosofias nas quais vivemos. Ela está no centro do modo como: nós criamos nossas crianças, fazemos funcionar nossas escolas, organizamos nossas políticas sociais, gerimos nossos assuntos econômicos, tratamos aqueles que cometeram crimes ou a quem julgamos doentes mentais, e, talvez, até mesmo, como nós valorizamos a beleza na arte e na vida. Ela tem a ver com as maneiras como entendemos nossos próprios sentimentos e desejos, narramos nossas biografias, pensamos sobre nossos futuros, e formulamos nossa ética1 (p. 1) (tradução nossa).

Este pano de fundo e esta questão, presentes nas investigações genealógicas, sobre as disciplinas psi no século XX2,3 e sobre o governo das condutas e técnicas de autogestão4, de Nikolas Rose – aclamado sociologista britânico coordenador do Bios Centre na London School of Economicsaté 2012, e, atualmente, chefe do departamento Social Sciences Health and Medicine do King’s College de Londres, segue sendo objeto de interesse do autor nos anos 2000, quando passa a se dedicar aos estudos sobre o desenvolvimento da biologia, genômica, biotecnologia e da neurociência no contemporâneo.

No livro "Neuro: The New Brain Sciences and the Management of the Mind"1, escrito em parceria com Abi-Rached – doutorando em História da Ciências em Harvard –, Rose dá seguimento aos estudos sobre a emergência das ‘Políticas da Vida, em si’5,6 nos dias atuais; nesta obra, na qual os autores cartografam a emergência da perspectiva neuromolecular do cérebro, argumenta-se que

As ciências do cérebro estão influenciando nosso entendimento do comportamento humano como nunca antes, da neuropsiquiatria e neuroeconomia da neuroteologia e neuroestética. Muitos acreditam agora que o cérebro é o que nos faz humanos, e parece que os neurocientistas estão prestes a se tornarem os novos expertos da gestão da conduta humana.1(contracapa)

Os autores descrevem e refletem, no livro, a crescente presença e a influência da neurociência em nossas vidas, averiguável pela contínua, e inovadora, expansão do consumo do produtos psicofarmacêuticos e a expansão exponencial dos investimentos do setor na bioeconomia, contando com o apoio dos governos de distintos países. Detalham com minúcias como, a partir dos anos 1990, denominada, por Bush, a ‘década do cérebro’1 (p. 5), se multiplicam publicações acadêmicas e matérias jornalísticas sobre este campo de saberes e de prática; e temas afins às neurociências passam a fazer parte da cultura e do imaginário social dos cidadãos dos países avançados. É neste contexto que os autores se perguntam:

O que faremos de tudo isto? Como veio acontecer que no espaço de meio século, as neurociências tenham se tornado tal repositório de esperança e expectativa? Como elas emergiram do laboratório e da clínica, e não apenas entraram na cultura popular, mas se tornaram viáveis e passíveis de serem utilizadas nas práticas de governo? E com quais consequências? Nós sabemos que existem ligações estreitas entre as maneiras com que os seres humanos são compreendidos pelas autoridades e os modos pelas quais eles são governados...1(p. 7)

E, indo além, indagam se a nossa natureza humana estaria sendo moldada pelas estruturas e funções cerebrais – à semelhança do que teriam representado os conceitos psicológicos sobre o homem no século XX – e se os neurocientistas estariam se tornando os novos ‘engenheiros da alma humana – à semelhança e, até mesmo, como substitutos, dos expertos ‘psi’ do século passado.

Para responder a estas questões, os autores buscam desenvolver uma interlocução mais produtiva com a neurociência, que vá além do comentário e da crítica, reconhecendo que esta última tem mostrado, mesmo que de maneira hesitante, aberturas e interesse em dialogar com o campo das Ciências Sociais e Humanas.

É com este espírito crítico que nós pretendemos descrever os novos modos de se pensar a natureza do cérebro humano e o papel dos mesmos junto ao problemas humanos que estão tomando forma, que nós pretendemos considerar os problemas em torno dos quais eles se formaram e as condições técnicas e conceituais que tornaram possível pensar nestas novas maneiras, e analisar os modos pelos quais estes desenvolvimentos se vincularam com a invenção de novas tecnologias para intervir sobre os seres humanos – governando condutas através do cérebro, e em nome do cérebro.1 (p. 8)

A partir deste posicionamento, os autores nos convidam a des(res)construir nossas perspectivas sobre a identidade neurobiológica, preconizando que a potência das neurociências – ou, pelo menos, parte de um campo que tem múltiplas significações – para a produção de uma vida melhor se deve a desenvolvimentos recentes que vêm demonstrando que o cérebro é permeável, e influenciável, às intervenções do meio interior e exterior, uma vez que:

Embora seja verdade que parte importante da neurociência apresente uma fotografia de um cérebro isolado e individualizado, uma imagem alternativa está também tomando forma. Nesta imagem, o cérebro humano se desenvolve em direção à sociabilidade, para a capacidade e necessidade de viver em grupos, para a capacidade de compreender e responder aos estados mentais dos outros: os cérebros humanos são tanto moldados pela, e moldam, a sociabilidade. No momento em que vários aspectos da sociabilidade são atribuídos aos cérebros humanos, a autoimagem neurobiológica não pode mais ser simplesmente criticada como individual e associal.1 (p. 22)

Estes achados e este estilo de pensamento – modos de pensar, enxergar e de intervir na vida – não reducionista e determinista da neurociência se traduziriam, entre outras consequências, por um fato absolutamente relevante que Rose discute em suas obras1,5,6: a (neuro)biologia não é, hoje, um destino, mas um território de oportunidades.

É neste território que as psiquiatrias, em especial nos países economicamente desenvolvidos, têm procurado, muitas vezes, se atualizar, buscando, para isto, incorporar insights genéticos e neurobiológicos a sua prática. E, indo além,

Parece que para entender o que está ocorrendo quando as pessoas se engajam em interações sociais com o outro, quando eles sentem empatia ou hostilidade, quando eles desejam produtos e comprar bens, quando eles obedecem regras ou violam leis, quando eles são afetados pela pobreza e pelo abuso das crianças, quando ele são violentos com os outros ou consigo mesmo, e até mesmo quando eles se apaixonam ou são movidos pelas obras de arte, devemos nos voltar para o cérebro.1 (p. 7)

Este e outros fenômenos são analisados de forma detalhada e meticulosa nos sete capítulos, acrescidos da conclusão e de quarenta páginas de anotações e subsídios ao texto principal. Trata-se de um estudo histórico sobre as principais linhas de pesquisas e métodos neurocientíficos, desenvolvidos a partir dos anos 1960, em que se busca refletir sobre o status quo técnico e científico das mesmas, potenciais e limitações, procurando situá-las no interior do emergente estilo de pensamento neuromolecular nas sociedades ‘desenvolvidas’, correlacionando-as com a clínica, educação, justiça e as políticas econômicas e sociais. Privilegia-se, também, um diálogo com o discurso ‘neurofilosófico’ cada vez mais presente na mídia popular – jornais, televisão, rádio, marketing etc.

Nos quatros primeiros capítulos, abordam uma ampla gama de temas, desde a formação interdisciplinar da neurociência nos anos 1960s (capítulo 1), à cultura de visualização por imagens deste campo (capítulo 2) e à descrição e crítica da utilização ampla do modelo animal de investigação neurocientífica (capítulo 3).

No capítulo quatro, os autores examinam questões atinentes: à classificação diagnóstica em psiquiatria, ao ‘fardo’ da epidemia das doenças mentais e do uso (e abuso) no consumo de psicofármacos nos dias atuais, e a saga das promessas neurobiológicas referentes ao diagnóstico, tratamento e prevenção – biomarcadores, screening etc. – das doenças mentais. Discutem, ainda, os desapontamentos daqueles que vêm buscando consolidar a psiquiatria biológica com os resultados alcançados, mas, também, as esperanças no potencial das investigações neuropsiquiátricas, que, no entanto, alertam Rose e Abi-Rached,

têm um longo caminho a percorrer no desenvolvimento de um estilo de pensamento adequado à complexidade de seu objeto, quando este objeto é a enfermidade que padece um ser humano vivendo em um mundo social.1 (p. 139)... Na raiz, o projeto neurobiológico na psiquiatria encontra seus limites em um fato simples e frequentemente repetido: desordens mentais são problemas de pessoas, não do cérebro. Desordens mentais não são problemas dos cérebros nos laboratórios, mas de seres humanos no tempo, espaço, cultura, e história.1 (p. 140)

Os capítulos 5, 6 e 7 têm como foco, respectivamente, a problemáticas do ‘cérebro social’, do ‘cérebro antissocial’ e da ‘personalidade na idade neurobiológica’. Entre outros tópicos que são aprofundados nesta segunda parte do livro, os autores discutem, no capítulo 5, a emergência da ‘neurociência social’ a partir dos anos 1990; no capítulo 6, as relações entre cérebro, crime, diagnóstico e prevenção de comportamentos de risco e/ou antissociais.

No capítulo 7, os autores descrevem e debatem diversas abordagens sobre o papel das neurociências, e nela, do cérebro na produção de nossas identidades, argumentando, ao final, que o entendimento neurocientífico emergente sobre a individualidade não parece que será capaz de negar o nosso entendimento de nós mesmos como pessoas que têm um mundo interior que possui uma relação causal com nossas ações. Entendem, diferentemente, que à dimensão psi observamos, nos dias de hoje, o acréscimo de uma dimensão neurobiológica como um componente importante na constituição da nossa identidade1.

Leitura essencial para aqueles que, no interior da neurociência, queiram ter um entendimento crítico e atualizado dos avanços, desafios e limitações no desenvolvimento da neurociência nos países avançados, constitui, também, uma instigante reflexão e, em certo sentido, uma ‘provocação’ – para os estudiosos da área das Ciências Sociais e Humanas. Referendando nossa análise, destacamos, no curto espaço que o ‘resumo’ nos permite, alguns temas – e insights – presentes no livro que, com certeza, são de grande interesse para o público brasileiro.

Descobrimos, na leitura, que a neurociência apresenta múltiplas facetas. Entre estas, destaca-se aquela que é objeto (e constructo) de uma literatura popular, e, também, científica, altamente influente e que é responsável pela percepção que muitos têm deste campo de conhecimento e práticas. Esta formulação, muitas vezes, opera com imagens simplificadoras do campo e divulgam e estimulam esperanças que quase sempre não resistem à prova do tempo. Esperanças que realizadas, ou não, não deixam de cumprir um papel importante na conformação daquilo que pensamos que somos, sendo estimuladas pelo, e estimulando, o funcionamento do complexo bioeconômico.

No livro, os autores vinculam, com propriedade, o desenvolvimento das intervenções neurocientíficas a questões ético-políticas mais abrangentes a partir de um entendimento de que ‘descobertas’ cientificas são movidas por valores sociais, respondem a necessidades sociais e necessitam de sustentabilidade institucional e financeira para se efetivarem, uma vez que, afirmam, os autores

Se você acredita como nós acreditamos que é difícil fazer as coisas se tornarem verdade na ciência e de que, hoje, entre outras necessidades para tornar as coisas verdadeiras encontram se os recursos para possibilitar que a investigação se desenvolva – então as decisões públicas, privadas, e dos organismos de mercado sobre que área da pesquisa financiar, e as frequentemente desconhecido entrelaçamento de promessas, esperanças, previsões, expectativas, e especulações que estão envolvidas, desempenham um papel central na conformação de nossos regimes contemporâneos de verdade sobre as pessoas e suas vidas mentais.1 (p. 20)

Nesta linha de raciocínio, encontramos, no livro, uma análise – de especial interesse para a área de Ciências & Tecnologia em Saúde – sobre as relações entre universidade, pesquisa e o financiamento privado. Consideram que, na nova ‘vida cientifica’ dos países avançados, é difícil separar os componentes acadêmicos e industriais da neuroeconomia, que se caracteriza pelo espírito empresarial por parte de pesquisadores e universidades, a busca pela propriedade intelectual e uma retórica de transferência rápida de conhecimento1. Os autores observam, inclusive, que esta parceria tem sido um elemento central às estratégias de importantes agências de fomento de pesquisa no Reino Unido, tais como o ‘Medical Research Council’.

Embora evitando pré-julgamentos em relação à rede de relações que se tece entre os interesses de sucesso acadêmico, a esperança de curas por parte de familiares e pacientes, as expectativas de ganhos econômicos por parte dos cientistas e empresas, consideram bastante problemáticas algumas tendências e desenvolvimentos observáveis nos países desenvolvidos1. Argumentam que a intensa capitalização do conhecimento científico tem produzido alguns incentivos preocupantes que incluem

a possibilidade de uma ‘captura corporativa’, na qual universidades, departamentos, e centros de pesquisa são significativamente financiados por companhias comerciais que adquirem direitos prioritários sobre as patentes e a comercialização das descobertas realizadas.1 (p. 20)

Ilustram esta preocupação detalhando, entre outros exemplos, o polêmico papel da indústria farmacêutica na conformação de políticas e estratégias das instituições acadêmicas e na conformação do saber e da prática psiquiátrica. Argumentam que investigações importantes que necessitam de muito tempo para se desenvolverem carecem, muitas vezes, de recursos, uma vez que passam a ser priorizados cientistas que atendam aos interesses empresarias de resultados aplicáveis a curto prazo. Esta situação tem levado, muitas vezes, à divulgação inapropriada e apressada de resultados de pesquisas e à comercialização de produtos e bens que nem sempre se orientam pelas necessidades e interesses dos usuários e que não atendem aos preceitos éticos da pesquisa.

Julgamos, ainda, que o livro traz uma contribuição importante para avançarmos no nosso entendimento sobre ‘que tipo de pessoas pensamos que somos’ hoje. De maneira consistente e sistemática, logra demonstrar o importante papel da neurociência no governo das condutas dos homens no contemporâneo , na qual, em nome do bem-estar de todos, somos estimulados a assumirmos uma função ativa na conformação da sociedade. Esta função se efetua por meio de uma constante autoanálise de nós mesmos e do aprendizado de técnicas que nos permitam viver uma vida socialmente responsável4. Uma vez mais, afirmam os autores,

agora em uma forma neural, somos obrigados a assumir a responsabilidade por nossa biologia, por gerenciar nossos cérebro com o objetivo de dar sustentação às responsabilidades da liberdade.1(p. 23)

Sem deixarmos de nos explicar pelos mecanismos psi que nos constituem2,3, nos enxergamos cada vez mais como ‘sujeitos somáticos’. Estas transformações, nas quais a neurociência ocupa papel de destaque, ocorrem no interior de mudanças sociopolítico-culturais das últimas décadas, no qual parece observamos

a expansão de uma ‘ética somática’ na qual muitos seres humanos vieram a identificar e interpretar muito de desconforto em termos da saúde, vitalidade, ou morbidade de seus corpos, e a julgar e agir sobre o seu soma em suas tentativas de tornar-se não apenas fisicamente melhores mas também para se tornarem pessoas melhores.1 (p. 22)

Finalizamos esta resenha destacando, no trabalho, a singular perspectiva crítica com que os autores trabalham o material da pesquisa, no qual buscam evitar um posicionamento ‘ideológico’ a priori sobre a problemática investigada. Esta ‘neutralidade’ e ‘amizade crítica’ destes cientistas sociais não os impedem de aprofundar a análise e apontar, com ‘radicalidade’, insuficiências ou questões não respondidas da neurociência. Possibilitam aos autores, por outro lado,

manterem-se afastados de duas notórias armadilhas que muitos escritores das ciências sociais e humanas têm caído ao lidarem com assuntos neuronais: duras críticas, mas pouco informadas, desdobradas do interior de correntes humanistas tradicionais e política da esquerda por um lado, ou uma adoção acrítica – e igualmente mal informada – por autodeclarados neuro-entusiastas do outro lado.7 (p. 1)

Concluímos esta resenha compartilhando, com Rose e Abi-Rached, a ideia de que as Ciências Humanas e Sociais nada têm a temer com o diálogo, cuidadoso e crítico, com a neurobiologia, em suas tentativas de entender e explicar o comportamento humano. Mais do que isto, consideramos importante que os investigadores das humanas busquem, com suas ferramentas conceituais e práticas, contribuir para o desenvolvimento de uma neurociência pautada por uma ética comprometida com a defesa de uma vida potente, por meio de engajamento e constituição de parceria transdisciplinares. Esta parceria, propõe Rose em artigo recém publicado, pode se constituir em uma oportunidade singular de uma necessária revitalização das ciências sociais nos dias atuais8.

Entendemos, finalmente, que as contribuições e reflexões sobre distintos temas que este livro nos traz podem constituir um aporte substancial para aprofundarmos o projeto da Saúde Coletiva no Brasil – com impactos sobre o Sistema único de Saúde – e, não menos importante, para a abertura de outras possibilidades de diálogos acadêmicos em ambientes onde ainda impera uma postura de desconfiança, e, muitas vezes, de grande ‘inimizade’ entre aqueles que se dedicam às disciplinas vinculadas ao campo das Humanas e das Ciências Naturais.

REFERÊNCIAS

Rose N, Abi-Rache JM. Neuro: the new brain sciences and the management of the mind. Princeton: Princeton University Press; 2013.
Rose N. Governing the soul: shaping of the private self. 2nd ed. London: Free Association Books; 1999.
Rose N. Inventing our selves: psychology, power, and personhood. Cambridge: Cambridge University Press; 1996.
Nikolas N. Powers of freedom reframing political thought. Cambridge: Cambridge University Press; 1999.
Nikolas N. Politics of life itself biomedicine, power, and subjectivity in the twenty-first century. Princeton: Princeton University Press; 2007.
Nikolas N. A política da própria vida: biomedicina, poder e subjetividade no século XXI. São Paulo: Paulus; 2013.
Slavy J. Review of Nikolas Rose, Joelle M. Abi-Rached. ‘Neuro: the new brain sciences and the management of the mind. Ber Wissenschaftsgesch. 2014; 37:1-3.
Rose N. The human sciences in a biological age. Theor Cult Soc. 2013; 30(1):3-34.
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