Compartilhar

Rotação da segunda vértebra cervical em paciente pediátrico

Rotação da segunda vértebra cervical em paciente pediátrico

Autores:

Priscila Dias Peyneau,
Gina Delia Roque-Torres,
Luiz Roberto Godolfim,
Eliana Dantas da Costa,
Solange Maria de Almeida,
Gláucia Maria Bovi Ambrosano

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.14 no.4 São Paulo out./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082016ai3631

A instabilidade rotatória é caracterizada pela rotação entre os corpos vertebrais, sendo a causa mais comum de torcicolos em crianças.(1-5) Essa prevalência ocorre devido às características anatômicas específicas da infância, como desproporção entre cabeça-pescoço, musculatura cervical subdesenvolvida, frouxidão da cápsula articular, elasticidade ligamentar e formato horizontal das facetas articulares entre as vértebras atlas e axis.(3-7) Essa condição pode ocorrer devido a inflamação/infecção(2,6,7) ou trauma,(1,2,4,6) ou ter origem neurogênica ou idiopática.(2)

O diagnóstico inclui exame clínico e imagiológico.(7,8) Entre os exames por imagem do tecido ósseo, as radiografias em projeções anteroposteriores e laterais são de uso limitado, pois não permitem uma visualização precisa dessa alteração, devido à dificuldades no posicionamento dos pacientes (desalinhamento da cabeça ou da fonte de raios X, e sobreposição de estruturas), levando à dificuldade na interpretação das radiografias.(1,6,7) Já a tomografia computadorizada é considerada o padrão-ouro.(1,6,7) Imagens de reconstrução tridimensional proporcionam uma visualização global da rotação, auxiliando no diagnóstico.(2,3,7) Além disso, a ressonância magnética também pode ser solicitada para avaliar o risco de comprometimento do feixe vásculo-nervoso e injúrias dos ligamentos adjacentes às vértebras.(1,5-7)

No presente estudo, um paciente masculino, 12 anos de idade, compareceu à clínica de radiologia para realização de tomografia computadorizada de feixe cônico com fins ortodônticos. Foram realizadas as reconstruções tridimensionais, axial, coronal e sagital (Figuras 1 a 5). Durante a avaliação da imagem, observaram-se rotação da segunda vértebra cervical de 5° em relação à linha média e espaçamento entre vértebras atlanto-axial de 5,1mm (lado direito) e 7,6mm (lado esquerdo) (Figura 5). Na anamnese, o paciente relatou ter sofrido trauma há 1 ano e, após o incidente, observou-se presença constante de torcicolo.

Figura 1 Reconstrução tridimensional das três primeiras vértebras cervicais (vista posterior). Notar rotação da segunda vértebra cervical (verde). Linha amarela destacando o plano sagital mediano; linha vermelha representando a rotação da segunda vértebra; linha branca indicando a inclinação laterolateral da segunda vértebra 

Figura 2 Reconstrução tridimensional das três primeiras vértebras cervicais (vista transversal). Notar rotação da segunda vértebra cervical (verde). Seta vermelha indicando a rotação da segunda vértebra 

Figura 3 Reconstrução coronal das vértebras cervicais. Setas vermelhas indicando a inclinação laterolateral da segunda vértebra 

Figura 4 Reconstrução axial. Linha amarela mostrando o plano sagital mediano; linha vermelha indicando a rotação da segunda vértebra cervical 

Figura 5 Tomografia computadorizada de feixe cônico mostrando 5° de rotação axial em relação a linha média (A), espaçamento atlanto-axial de 5,1 e 7,6mm (B) 

O correto diagnóstico é fundamental para uma conduta adequada. O tratamento pode ser conservador por meio de imobilização,(3-5,7,9) tração ou redução manual,(3,4,7,9) com uso de analgésicos,(3) fisioterapia(1,9) ou cirúrgico.(3,7,9)

REFERÊNCIAS

1. Gradl G, Maier-Bosse T, Penning R, Stäbler A. Quantification of C2 cervical spine rotatory fixation by X-ray, MRI and CT. Eur Radiol. 2005;15(2):376-82.
2. Tachibana A, Imabayashi H, Yato Y, Nakamichi K, Asazuma T, Nemoto K. Torticollis of a specific C1 dislocation with split atlas. Spine (Phila Pa 1976). 2010;35(14):E672-5.
3. Meza Escobar LE, Osterhoff G, Ossendorf C, Wanner GA, Simmen HP, Werner CM. Traumatic atlantoaxial rotatory subluxation in an adolescent: a case report. J Med Case Rep. 2012;6:27.
4. Min Han Z, Nagao N, Sakakibara T, Akeda K, Matsubara T, Sudo A, et al. Adult traumatic atlantoaxial rotatory fixation: a case report. Case Rep Orthop. 2014;2014:593621.
5. Missori P, Marruzzo D, Peschillo S, Domenicucci M. Clinical remarks on acute post-traumatic atlanto-axial rotatory subluxation in pediatric-aged patients. World Neurosurg. 2014;82(5):e645-8.
6. Maida G, Marcati E, Sarubbo S. Posttraumatic atlantoaxial rotatory dislocation in a healthy adult patient: a case report and review of the literature. Case Rep Orthop. 2012;2012:183581.
7. Bellil M, Hadhri K, Sridi M, Kooli M. Traumatic atlantoaxial rotatory fixation associated with C2 articular facet fracture in adult patient: case report. J Craniovertebr Junction Spine. 2014;5(4):163-6.
8. Mönckeberg JE, Tomé CV, Matías A, Alonso A, Vásquez J, Zubieta JL. CT scan study of atlantoaxial rotatory mobility in asymptomatic adult subjects: a basis for better understanding C1-C2 rotatory fixation and subluxation. Spine (Phila Pa 1976). 2009;34(12):1292-5.
9. Fuentes S, Bouillot P, Palombi O, Ducolombier A, Desgeorges M. Traumatic atlantoaxial rotatory dislocation with odontoid fracture: case report and review. Spine (Phila Pa 1976). 2001;26(7):830-4.