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Rotação de Corpo Rígido do Ventrículo Esquerdo na Anomalia de Ebstein a Partir do Estudo MAGYAR-Path

Rotação de Corpo Rígido do Ventrículo Esquerdo na Anomalia de Ebstein a Partir do Estudo MAGYAR-Path

Autores:

Attila Nemes,
Kálmán Havasi,
Péter Domsik,
Anita Kalapos,
Tamás Forster

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.106 no.6 São Paulo jun. 2016

https://doi.org/10.5935/abc.20160050

Paciente do sexo feminino de 70 anos de idade, com anomalia de Ebstein (AE), sem nunca ter sido submetida a tratamento paliativo foi avaliada (o caso tem origem no Estudo MAGYAR-Path). Foram realizados Doppler completo bidimensional (2D) e ecocardiografia tridimensional (3D) "speckle-tracking" com um equipamento de ecocardiografia Toshiba Artida, disponível comercialmente. Durante a ecocardiografia 2D, a distância encontrada do anel tricúspide e folheto septal foi de 25 mm, confirmando a AE. Enquanto o ventrículo direito (VD) estava aumentado com excursão sistólica do plano anular tricúspide > 23 mm, e regurgitação mitral de grau III, o tamanho e função do VE mostraram-se normais, com fração de ejeção de 56%, sem anormalidades no movimento da parede. No entanto, todas as regiões do ventrículo esquerdo (VE) moveram-se praticamente no mesmo sentido anti-horário, confirmando a ausência de torção do VE, chamada "rotação do corpo rígido" (RCG) (Figura 1). Os parâmetros médios globais radiais, circunferenciais e longitudinais do VE, 3D e da área de deformação (strain) do VE, foram, respectivamente, 11,5 ± 10,0%, -25,5 ± 15,4%, -18,6 ± 10,2%, 15,2 ± 10,8% e -34,7 ± 20,8%. A AE é uma cardiopatia congênita na qual os folhetos septal e posterior da valva tricúspide são deslocados em direção ao ápice do VD, levando à atrialização parcial do VD, apesar do anel anatómico da válvula estar na posição normal.1 A malformação e o deslocamento do folheto anterior também podem estar presentes. Que seja de conhecimento dos autores, este é o primeiro relato que demonstra a RCG do VE, uma característica conhecida da mecânica do miocárdio do VE, em um único paciente com AE não reparada. A RCG do VE poderia ser parcialmente explicada pelas interações deficientes ventrículo-a-ventrículo devido ao deslocamento dos anexos dos folhetos da válvula tricúspide, alterações anatómicas na orientação das fibras do miocárdio, embora outras razões não possam ser excluídas.

Figura 1 Imagem apical de 4 câmaras (A) e 2 câmaras (B) e do eixo curto (C3, C5, C7) em diferentes níveis do ventrículo esquerdo (VE) extraídas do conjunto de dados da ecocardiografia tridimensional (3D) e presentes na paciente com anomalia de Ebstein. A imagem em 3D do VE e as características funcionais e volumétricas calculadas do VE (VDF: volume diastólico final; VSF: volume sistólico final; FE: fração de ejeção) também são demonstradas juntamente as rotações apical (seta branca), médio-ventricular e basal (setas tracejadas) do VE no mesmo sentido anti-horário, confirmando a ausência da torção do VE chamada de “rotação de corpo rígido”. 

REFERÊNCIAS

1 Geerdink LM, Kapusta L. Dealing with Ebstein's anomaly. Cardiol Young 2014;24(2):191-200.