Saúde do escolar: uma revisão integrativa sobre família e bullying

Saúde do escolar: uma revisão integrativa sobre família e bullying

Autores:

Wanderlei Abadio de Oliveira,
Jorge Luiz da Silva,
Julliane Messias Cordeiro Sampaio,
Marta Angélica Iossi Silva

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.5 Rio de Janeiro maio 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017225.09802015

Introdução

Este estudo objetivou avaliar evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre o contexto familiar e a ocorrência de situações de bullying, por meio de uma revisão integrativa. O bullying é um fenômeno complexo que ocorre em diferentes contextos, especialmente na escola, foco desta revisão, e que tem assumido nuances diversas nas investigações que envolvem a sua ocorrência e seus protagonistas, bem como sobre suas possíveis origens e determinantes. Dadas as características invasivas do bullying e seus efeitos, de curto e longo prazos, adversos sobre a qualidade de vida das pessoas, estudos nas áreas da saúde e da educação confirmam, assim, que ele constitui um grave problema de saúde pública que requer ainda mais pesquisas e intervenções em seu enfrentamento1-3.

Este fenômeno é definido como um comportamento violento repetido, que ocorre ao longo do tempo em relações caracterizadas por um desequilíbrio de poder, que pode assumir uma diversidade de formas em sua manifestação1. É o abuso sistemático entre pares ou um processo de agressão intencional e repetido, configurado por comportamentos agressivos que envolvem intimidações, insultos, assédios, exclusões e discriminações, podendo ser classificado em direto e indireto4-6.

Esse problema está presente desde o surgimento das instituições escolares, mas somente a partir da década de 1970 começou a ser investigado. Sumariamente, os estudos pioneiros sobre bullying escolar se desenvolveram na Suécia e, devido aos resultados favoráveis alcançados pelas intervenções empreendidas naquele país, a atenção pelo tema se irradiou para outros contextos socioculturais, despertando o interesse de pesquisadores para o desenvolvimento de estudos epidemiológicos e de intervenção que abordaram diferentes aspectos como: envolvimento, atores, programas, impacto na vida e no processo ensino-aprendizagem, entre outros. Na atualidade, a importância do tema se revela na concepção de que se trata de práticas repetitivas de violência entre pares, cuja expressão é considerada mundial e que causa danos físicos e psicológicos em todos os envolvidos nessas situações5,7,8.

A configuração que esse fenômeno assume o coloca como problema relacional entre escolares, cuja estratégia de garantia de espaço e lugar social é a agressividade. Nesse sentido, entende-se o bullying como uma condição precípua para internalizações negativas sobre as interações sociais, sobre si mesmo ou sobre as potencialidades para se responder às demandas da coletividade e dos grupos.

Os comportamentos que caracterizam o bullying (falar mal, colocar apelidos, bater, empurrar, provocar, isolar socialmente, espalhar boatos, entre outros) são deliberados, intencionais e repetidamente promulgados por um indivíduo ou grupo de pessoas e impingidos a outros que são considerados mais fracos em sua posição social ou que possuem pouca capacidade para se defender das agressões em que pese as diferenças de poder entre os pares (dominação simbólica)9,10.

No que se refere aos danos psicológicos e à saúde dos envolvidos, o bullying é considerado como um dos indicadores para o diagnóstico do transtorno de conduta, além de indicar o desenvolvimento de quadros de comportamentos antissociais e de criminalidade11,12. Para as vítimas, os danos se referem à ansiedade, depressão, dificuldades de relacionamento, autoestima fragilizada, além de outras desordens psiquiátricas que podem culminar no suicídio. As testemunhas, por sua vez, estão sujeitas a sofrer dos mesmos problemas que as vítimas, além de desenvolverem padrões de comportamento como os agressores, pois se percebem como vulneráveis às situações sociais se assim não o fizerem3,5,12.

Compreende-se, pois, que o bullying ocorre dentro de um contexto social amplo, cujo cenário privilegiado neste estudo é a escola, e as suas origens são diversas. Existem os componentes individuais, aqueles relacionados aos grupos e às famílias. Esses componentes compõem o mosaico e as complexidades envolvidas neste fenômeno que isoladamente não o explicam, mas sinalizam pistas sobre como intervir nas realidades de modo eficaz. Sistemicamente, a dinâmica do bullying se estende para além dos alunos (autores, vítimas ou testemunhas) e incluem os demais colegas, professores, a comunidade escolar, os pais e a família. Ao mesmo tempo em que se implicam os profissionais de saúde, na perspectiva da prevenção e intervenção nos modelos de promoção da saúde, principalmente no que se refere à atenção básica e à atuação das equipes nos territórios em condições de oferecer estratégias intersetoriais de enfrentamento.

Revela-se urgente considerar os contextos sociais e as multicausalidades do fenômeno, em estudos para subsidiar intervenções e práticas pedagógicas, sociais e em saúde. Além disso, o papel dos pais e do grupo familiar também deve ser valorizado em investigações sobre o desenvolvimento, a manutenção e a prevenção do bullying12-14. Destarte, esta compreensão sobre as relações familiares e como estas podem contribuir para o desenvolvimento do comportamento do agressor ou da vítima amplia o olhar sobre o fenômeno.

Método

Este é um estudo de revisão integrativa da literatura sobre o papel dos pais e da família no desenvolvimento, na perpetuação e prevenção das situações de bullying. A revisão integrativa é um método que se baseia na sumarização dos dados apresentados e no estabelecimento de conclusões sobre o tema investigado. Trata-se de um procedimento de descrição de dados disponíveis na literatura, que se alicerça na proposta de uma construção de revisão teórica baseada em evidências. Os dados categorizados e descritos geram panoramas consistentes e compreensíveis sobre temáticas e conceitos complexos, teorias ou situações/fenômenos relevantes para a saúde15.

Para construir a questão de pesquisa e conduzir as buscas foi utilizada a estratégia SPIDER16. Essa estratégia foi desenvolvida a partir de uma adaptação da ferramenta PICO e contempla os seguintes elementos: Sample (amostra); Phenonemon of Interest (fenômeno de interesse); Design (desenho do estudo); Evaluation (avaliações); Research type (tipo de pesquisa). Seu uso permite evidenciar pesquisas com diferentes delineamentos e que abordem determinados comportamentos, relações entre variáveis qualitativas e quantitativas, experiências individuais e coletivas, e intervenções que possuem significados sociais e influenciam na robustez da revisão16.

Neste sentido, o levantamento dos estudos ocorreu em janeiro e fevereiro de 2014 e foi guiado pela seguinte questão norteadora: Qual o papel (E) dos pais e da família (S) no desenvolvimento, na perpetuação e prevenção das situações de bullying escolar (PI)? Contemplando-se as seguintes etapas na elaboração da revisão: 1. definição do objetivo (PI); 2. busca ou amostragem na literatura (estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos) (S/D/R); 3. coleta de dados (S); 4. análise crítica dos estudos incluídos (E); 5. discussão dos resultados (E); e 6. apresentação da revisão.

Para a seleção dos artigos, foram consultadas as bases de dados PsycInfo e Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), e a biblioteca virtual SciELO. Como as fontes consultadas não possuem vocabulário controlado, foi possível realizar os seguintes cruzamentos nas buscas: 1. bullying and family; e 2. bullying and parents. No Lilacs e no SciELO foram combinados os correlatos em português e espanhol dos termos selecionados. Não foi realizada qualquer restrição na seleção, considerando-se a opção “todos os campos” nas buscas.

Os critérios de inclusão adotados foram: artigos disponíveis na íntegra publicados em português, inglês ou espanhol, com coleta de dados em qualquer país, no período compreendido entre os anos de 2009 e 2013; publicações cuja metodologia adotada permitia obter evidências claras sobre o tema em estudo (objetivo); ensaios clínicos; pesquisas experimentais; pesquisas qualitativas; e artigos que relatassem indiretamente investigações sobre o papel da família e dos pais em situações de bullying. Nota-se que foram consideradas as possibilidades de publicações com todos os tipos de delineamentos metodológicos devido à característica da questão norteadora, que não se relacionava à eficácia de uma intervenção, técnica ou experimento, mas sim à abrangência do conhecimento produzido acerca da temática investigada.

Os artigos potencialmente relevantes para a revisão dentro dos critérios definidos foram pré-selecionados com base na leitura dos títulos e resumos. Essa seleção seguiu um protocolo criado pelos pesquisadores, pois os artigos deveriam abordar as temáticas bullying escolar e família, apresentar e discutir as possíveis relações entre elas e mencionar determinantes sociais que explicassem o fenômeno.

No processo de elegibilidade dos textos, os artigos selecionados foram recuperados na integra e se utilizou um instrumento validado17 para avaliá-los dentro da proposta da revisão. Os itens do instrumento contemplados neste estudo foram: identificação do artigo; instituição-sede do estudo; tipo de publicação; características metodológicas do estudo e avaliação do rigor metodológico. O material analisado foi sumarizado em quadros sinópticos e após a leitura dos textos, considerando-se o objetivo, o objeto e a pergunta norteadora da pesquisa, a amostra final deste estudo ficou constituída por 27 artigos. O fluxograma na Figura 1 sintetiza a construção do corpus desta revisão.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 1 PRISMA Fluxograma do processo de construção do corpus revisado. PyscoInfo, Lilacs, SciELO, 2014. 

Os artigos foram avaliados, ainda, em relação ao nível de evidência17. Essa avaliação classificou as evidências em forte, moderada e fraca, segundo os critérios estabelecidos e consolidados pela literatura científica, pertinentes à qualidade metodológica e ao baixo risco de viés17,18. Salienta-se que a estratégia SPIDER permitiu identificar e incluir na revisão estudos com diferentes delineamentos e tipos de pesquisa.

A apresentação dos resultados e da discussão propiciou a avaliação da aplicabilidade da revisão integrativa elaborada, a fim de avaliar as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre o contexto familiar e a ocorrência de situações de bullying. O estudo não foi submetido a um Comitê de Ética em Pesquisa, tendo em vista que não envolveu seres humanos, mas se respeitou todos os princípios éticos relacionados à preservação de autoria e indicação das referências consultadas.

Resultados

Analisaram-se 27 artigos que atenderam aos critérios de inclusão mencionados. Dessa amostra, 20 foram publicados originalmente em inglês, cinco em espanhol e um em português. Houve maior incidência de estudos publicados em 2012, e 2011 foi o ano com menor registro de publicações compreendidas pela revisão. A maioria das pesquisas foi realizada nos Estados Unidos. Sete estudos foram realizados em países em desenvolvimento, sendo seis classificados como moderado, e um como fraco conforme a atribuição do nível de qualidade da evidência científica avaliada. Registraram-se, ainda, dois estudos multicêntricos desenvolvidos em dois países cada. As características gerais dos estudos incluídos na revisão foram organizadas em relação à qualificação quanto ao nível de evidência e estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Características gerais dos estudos revisados, organizados por nível de evidência. PyscoInfo, Lilacs, SciELO, 2014. 

Nível de evidência Forte Moderada Fraca
Ano de publicação
2013 2 4 0
2012 2 7 0
2011 0 3 0
2010 0 4 1
2009 0 4 0
Países
EUA 3 4 0
Grécia 0 3 0
Coréia do Sul 2 0 0
Peru 0 2 0
Austrália 0 2 0
Alemanha 0 1 0
Brasil 0 1 1
Colômbia 0 1 0
Espanha 0 1 0
Finlândia 0 1 0
México 0 1 0
Reino Unido 1 0 0
Turquia 0 1 0
Irlanda e França 0 1 0
Turquia e Chipre 0 1 0
Tipo de estudo
Longitudinal 6 0 0
Transversal 0 20 0
Transversal/descritivo 0 0 1
Fundamentação teórica descrita
Teoria Bioecológica 0 3 0
General Strain Theory 0 1 0
PARTheory 0 1 0
Teoria da Aprendizagem Social 1 0 0
Teoria do Apego 0 1 0
Terias combinadas (> de uma) 1 2 0
Não descrita 4 12 1
Fontes (coleta de dados)
Estudantes 4 14 1
Dados secundários 0 3 0
Estudantes, pais e professores 2 1 0
Estudantes e professores 0 2 0
Instrumentos (coleta de dados)
Questionário 5 12 1
Dados secundários 0 3 0
Escala 0 2 0
> de um tipo de instrumento 1 3 0
Número de participantes considerados na análise
< 299 0 3 0
300-599 0 3 1
600-899 2000 0 2 0
900-1.199 1 2 0
1.200-1.499 2 1 0
1.500-1.999 0 2 0
> 2000 3 7 0
Número de estudos 6 20 1

Fonte: Elaborado pelos autores.

Entre os seis artigos com forte classificação na qualidade da evidencia avaliada, dois analisaram dados coletados em mais de uma fonte de informantes e igual número apresentou fundamentação teórica na análise dos resultados. As amostras de todos os estudos foram consideradas expressivas e capazes de subsidiar e responder os objetivos propostos pelos estudos, principalmente no que se refere ao poder estatístico das amostras. O tipo de delineamento metodológico predominante foi o transversal, assim como o uso de questionários nas coletas de dados. Estudos que combinaram mais de um instrumento também combinaram questionários com escalas, inventários ou entrevistas. Chama atenção o número expressivo de artigos (n = 17) que não indicaram o referencial teórico adotado na análise dos dados.

Apenas um dos artigos incluídos na análise19 não apresentou uma definição ou conceituação do bullying. Do conjunto, 20 se reportaram aos estudos de Olweus1,11 na definição e exploração da conceituação do tema. Dan Olweus (Noruega) é considerado o principal pesquisador do mundo no que se refere ao bullying escolar, estudando este assunto há mais de quatro décadas. Além disso, ele é considerado o pioneiro na investigação ampla sobre esse fenômeno e suas características, tendo desenvolvido instrumentos e métodos para identificar, analisar e nele intervir.

Em relação à área do conhecimento focada pelas revistas nas quais os artigos foram publicados, observou-se que nove foram publicados na área da psicologia e 10 em periódicos com foco em questões da infância e da adolescência, como saúde, desenvolvimento e aprendizagem. Os demais artigos se encontravam em revistas da área da saúde ou com temáticas focalizadas na violência.

Os principais resultados relacionados ao objetivo desta revisão foram arregimentados em três categorias. Elas reúnem os aspectos qualitativos do contexto familiar associados ao bullying, como: clima, tipo de comunicação, tipo de apego, conflitos, manifestação de afeto, aceitação e/ou rejeição, sentimentos de proteção, apoio social, relacionamento com irmãos, saúde metal dos pais, relações ambivalentes e vínculos disfuncionais. Além disso, a condição socioeconômica das famílias, a escolaridade dos pais, o tipo de arranjo familiar e as experiências de violência no contexto familiar, em diferentes tipos de manifestação, também foram associados à ocorrência ou envolvimento com o fenômeno. Esta categorização foi sintetizada no Quadro 1 segundo o estudo e o nível de evidência.

Quadro 1 Distribuição dos artigos revisados segundo categorias examinadas e qualificação da evidência apresentada. PyscoInfo, Lilacs, SciELO, 2014. 

Artigos Forte Moderada F*
Bowes et al.10 Foster e Brooks-Gunn34 Lereya e Wolke40 Low e Espelage25 Moon et al.23 Yang et al.28 Barboza et al.20 Bayraktar37 Bowes et al.27 Cuervo et al.22 Healy et al.41 Lepisto et al.19 Kokkinos38 Magklara et al.29 Murray-Harvey e Slee39 Papadaki e Giovazolias42 Pinheiro e Williams33 Povedano et al.24 Romaní e Gutiérrez30 Romaní et al.31 Sentenac et al.13 Sevda e Sevim32 Teisl et al.35 Totura et al.36 Uribe et al.26 Von Marees e Petermann8 Tortorelli et al.21
Diferentes aspectos familiares (qualitativos) associados com envolvimento em bullying. X X X X X X X X X X X X X X
Aspectos sociodemográficos associados ao bullying. X X X X X X X X
Violência no contexto doméstico, maus tratos e agressões associados ao bullying. X X X X X X X

* F = Fraca.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Diferentes aspectos qualitativos e das relações familiares associados com envolvimento em situações de bullying foram: estilos parentais ineficazes20,21; uso de punições severas e corporais na disciplina dos filhos19-21; conflitos familiares22-24; falta de supervisão parental e afeto25,26; baixa qualidade do relacionamento pais/filhos13,27; e dificuldades de comunicação entre pais e filhos12,28. A baixa escolaridade dos pais8,22, baixas condições socioeconômicas8,29, viver com uma única figura parental28,30-32 e experiências ou testemunho de violência doméstica10,21,33,34 foram outros determinantes relacionados à ocorrência do fenômeno.

Destaca-se que a constituição familiar não foi significativamente relacionada com o envolvimento das crianças com o bullying, ou seja, a presença da dupla parental (pai e mãe) ou a ausência de um dos pais não contribuiu ou minimizou a ocorrência do fenômeno nos estudos revisados. Somente quatro estudos28,30-32 verificaram que viver com apenas uma das figuras parentais aumentava a chance de se envolver em situações de bullying, como vítimas ou agressores. Os autores concluíram que famílias em que estão presentes as duas figuras parentais (pai e mãe) são protetivas em relação ao bullying.

No que se refere especificamente ao papel dos pais no desenvolvimento de situações de bullying, percebe-se que aqueles menos afetivos, autoritários e abusivos nas punições (corporais), bem como nos métodos de disciplina, estimulavam nos filhos a aprendizagem de modelos de interação social baseados na violência e na agressividade como forma de resposta aceitável para conflitos, ansiedades e angústias10,20,35,36. Assim como sentimentos negativos dos pais em relação aos filhos, como a rejeição e a percepção de fraco apoio social foram identificados como características ou aspectos familiares disfuncionais que podem conduzir os estudantes às práticas de bullying13,37-39.

Aspectos da relação materna poderiam contribuir para o desenvolvimento de funcionamentos sociais voltados para introspecção e dificuldade de lidar com relacionamentos sociais. Em geral, mães superprotetoras, com pouca facilidade para manifestar afeto ou, ainda, que manifestam claramente um desequilíbrio de poder em relação aos pais dos filhos, em que estes possuem maior poder que elas, podem dificultar a internalização de modelos saudáveis e positivos de relação social e assim tornarem os filhos mais susceptíveis à vitimização. A presença de diagnósticos psiquiátricos maternos, como a depressão, também pode favorecer a vitimização20,22,40.

No que se refere aos relacionamentos com irmãos, os estudos confirmam que eles têm estreita relação com a experiência de ambientes domésticos positivos ou negativos, já que essas relações primárias são consideradas como as primeiras experiências de socialização entre pares. Estas relações contribuem com o desenvolvimento de respostas sociais que não estejam alicerçadas na violência e agressividade, ou assim o sejam10,20.

A comunicação com os pais é outra faceta apontada pelos estudos como significativa diante do bullying. Ser intimidado, por exemplo, foi significativamente associado com um fraco apoio social e dificuldades de comunicação com os genitores13.

As experiências de violência em casa também foram colocadas como fortes preditoras para a manifestação e o envolvimento com bullying. Formas de violência familiar, exposição a conflitos interparentais e castigos físicos são associados positivamente com perpetração do fenômeno. Destaca-se que, como mencionado, as crianças aprendem com o exemplo dos adultos e, se eles veem que estes usam a força física e a violência entre si ou para dominá-los, ou discipliná-los, passam então a usar os mesmos métodos em relação a seus pares19,21,32-34.

Outras variáveis estudadas pelos artigos revisados são os baixos status educacional e socioeconômico dos pais, que indicam um aumento do risco para o bullying e a vitimização. Em geral, os estudantes com menor renda familiar foram mais frequentemente vítimas dos comportamentos de bullying, enquanto que aqueles identificados como agressores estão mais frequentemente associados com famílias possuidoras de renda mais elevada8,22,29. Obviamente, esses fatores, muitas vezes, coincidem com outros de risco variável, tais como o estresse familiar, parceiros violentos, conflitos, interação pai/filho e práticas parentais autoritárias. Sumariamente, as características dos pais (como educação e renda familiar) são preditivas do estado de intimidação ou envolvimento em situações de bullying.

Discussão

Para os programas de intervenção antibullying é importante compreender a dinâmica do fenômeno e suas relações com diferentes contextos. Essa é a contribuição original do estudo na medida em que amplia o olhar sobre o fenômeno e reúne investigações que observaram serem estreitas as relações entre as situações vivenciadas nos contextos familiares estudados e o desenvolvimento de comportamentos agressivos na escola. O bullying pode ser entendido como problema de relacionamento que emerge das relações primárias (em geral compostas pela família) e se estabelece como padrão de comportamento na infância, adolescência e vida adulta.

A respeito dessa compreensão, ao apresentarem claras definições e conceituações sobre o fenômeno, bem como respaldo em referenciais teóricos, os estudos revisados proporcionam uma maior proximidade conceitual, o que significa maior precisão e coerência entre os resultados obtidos por diferentes pesquisadores. Contribuindo, ainda, com a construção de um corpo sólido e coeso de conhecimento sobre a temática, o que somente se torna possível mediante o emprego de uma definição razoavelmente comum do fenômeno em estudo.

A escassez de produções nacionais sobre os temas investigados é ponto que chama a atenção nesta revisão. Destaca-se o reconhecimento de muitos estudos nas áreas da psicologia, educação e saúde sobre o bullying, porém com focos na caracterização do fenômeno, identificação de prevalência, concepções de professores, abordagens indiretas do fenômeno e propostas de intervenções. Convergindo a esta proposta de revisão, duas dissertações de mestrado foram identificadas43,44, mas este tipo de documento não foi incluído na revisão e os dados destes estudos foram considerados na análise dos resultados revisados. Isto forja a necessidade de se criar agendas de pesquisas contextuais sobre o bullying e suas múltiplas dimensões.

Especificamente, sobre as contribuições das relações familiares para o desenvolvimento do bullying, enfatizam-se as evidências de que as crianças que experimentam castigo físico, severo ou humilhante, podem ter sua qualidade de vida afetada e, consequentemente, se envolverem em situações de violência na escola com maior facilidade. Sabe-se, por exemplo, que estudantes que sofrem com muitos problemas na família são mais agressivos que aqueles que possuem relações familiares positivas20,21,39. Estes aspectos são interpretados a partir de perspectivas do desenvolvimento humano que consideram a família elemento essencial no processo de formação psicológica e social das pessoas.

Como observado, algumas experiências familiares levam as crianças a desenvolverem problemas pessoais, tais como um estilo ansioso durante conflitos (vítimas) ou a perceberem negativamente suas famílias em termos de envolvimento afetivo, como se evidenciou nos estudos revisados. Em geral, as avaliações de estudantes acerca de variáveis contextuais (funcionamento da família, ambiente escolar e fatores climáticos) podem ser associadas com o envolvimento dos alunos em experiências de bullying e vitimização10,12,45. Neste contexto, são apontados como fatores de risco para o bullying: falta de afetividade dos pais; permissividade da agressividade entre irmãos, colegas, e até mesmo adultos; rejeição; superproteção; pais negligentes; dificuldades de comunicação com os pais; uso de castigos físicos e explosões emocionais para disciplinar os filhos3,8,14.

Pesquisas no Brasil se aproximam desses achados. Uma dissertação de mestrado apresentou associações sobre as práticas parentais de disciplina e a manifestação de comportamentos agressivos na escola43. Numa amostra de 247 estudantes do Rio Grande do Sul, a pesquisa identificou que a maior frequência das práticas punitivas empreendidas pelos pais estava significativamente associada ao envolvimento dos filhos em situações de bullying43. Outra dissertação de mestrado, desenvolvida a partir de dados coletados em quatro cidades brasileiras, identificou que variáveis familiares, como punição corporal, conflito familiar, comunicação negativa e clima conjugal negativo, interagiram significativamente com a agressão e a vitimização, sendo apontadas como fatores de risco44.

Problematiza-se que crianças e adolescentes agressivos possuem, em geral, modelos parentais autoritários, com grande frequência de abusos emocionais e físicos em sua história. As relações familiares ambivalentes e menos coesas, marcadas por experiências de violência, fomentam o envolvimento dos escolares em situações de bullying. A violência familiar é um dos fatores de risco para o bullying escolar, devendo ser considerada nas propostas de intervenção e enfrentamento da questão46. Além disso, experiências dessa natureza, também, não permitem que crianças e adolescentes se desenvolvam como pessoas autônomas, independentes e capazes de exercitar a tolerância às diversidades sociais. Ao contrário, provocam o uso da violência como mecanismo válido na resolução de conflitos e na interação social.

No que tange à manutenção das situações de ocorrência do fenômeno, evidenciamos que a maneira como a criança responde aos problemas e conflitos sociais depende da intervenção/relação do/com adulto. Em outra perspectiva, as pesquisas afirmam o papel fundamental dos adultos em proteger as crianças e os adolescentes, o que inclui reconhecer e responder a incidentes de intimidação. A manutenção do comportamento de violência, também, é reflexo das experiências familiares, uma vez que se pressupõe o exemplo em casa de situações similares ou que possam ser associadas à agressividade e violência, pois estudantes que intimidam, por exemplo, aprenderam a usar o poder e a agressão para controlar a angústia e outros sentimentos, o que pode se estabelecer como estilo de interação social45,46.

Outro dado relacionado à manutenção do bullying se conecta às expectativas dos pais em relação ao desempenho escolar dos filhos. Como se verificou, há chances significativas das agressões aumentarem entre os alunos cujos pais e professores têm baixas expectativas sobre seus desempenhos escolares. E, ainda, estudantes que foram provocados sobre a sua aparência por membros da família e/ou professores tendem a se envolver em bullying mais do que outros grupos que não passaram por essas experiências20,36,39. Com este cenário, percebe-se que o suporte familiar oferecido aos filhos ajuda aqueles que são intimidados a romperem com o ciclo de violência e abusos, fortalecendo-os a desenvolverem mecanismos de enfrentamento para lidar com a intimidação10.

No que se refere às questões socioeconômicas e de conformação das famílias, assim como a escolaridade dos pais, e suas correlações com o bullying, identifica-se que a abordagem destas variáveis é complexa. Nesse sentido, um estudo recente conduzido no Brasil, com uma amostra de 109.104 estudantes do nono ano do ensino fundamental, verificou que a referência a sofrer bullying estava associada a menor escolaridade materna, ao contrário dos estudantes que referiram praticar bullying que tinham mães com maior2,47. A pesquisa também contemplou outros aspectos familiares explorados pelos estudos revisados, como supervisão dos pais, faltar às aulas sem avisar aos pais e sofrer agressão física em casa que foram associados ao envolvimento em situações de bullying2,47.

Esses achados devem ser aprofundados em outros estudos, principalmente no Brasil, pois a pobreza tem um impacto nocivo na vida das pessoas e é resultado das desigualdades sociais que marcam nossa sociedade, ao passo que os arranjos familiares são múltiplos e novas formas de convívio têm surgido. Pondera-se que essas variáveis têm relação direta com o bullying, são fatores de risco, mas numa dimensão macroestrutural e não em uma relação de causa e efeito, ou de culpabilização da maneira como as famílias se organizam, ou do reforço de discursos que vinculam estritamente a violência às populações mais pobres ou com menores índices educacionais.

O que podemos inferir a partir destes dados é que focar, exclusivamente, na escola pode não ser a melhor abordagem para a redução de comportamentos de violência entre estudantes. Assim, a prevenção do bullying exige propostas que alcancem todas as dimensões deste complexo e multifacetado fenômeno social. Entre essas dimensões, há de se considerar a família como essencial para a construção de uma cultura de não violência, pois se entende que ela começa na vida doméstica, estendendo-se para a vida comunitária e social. Esse grupo necessita ser inserido nas propostas de enfrentamento do fenômeno dentro de concepções dialógicas capazes de reconhecer e de intervir sobre um problema de saúde. Em termos de implicações práticas, percebe-se que as relações familiares precisam ser fortalecidas por meio de políticas públicas e ações programáticas que estimulem o fortalecimento de vínculos, a comunicação positiva entre pais e filhos, a construção de redes sociais de apoio, bem como há de se resgatar a valorização do afeto e de aprendizagens sociais para a convivência pacífica frente à diversidade, o que pode ser favorecido pela ação de equipes multiprofissionais de saúde na atenção básica.

As informações contidas nesta revisão permitem esse tipo de reflexão e problematização de intervenções na área da saúde relacionadas ao bullying, na medida em que pressupõe que as ações de enfrentamento sejam alicerçadas no reconhecimento da relevância das relações familiares nos cenários em que ele ocorre. Intervenções de educação em saúde ou promoção da saúde, que congreguem profissionais desta área e da educação, configuram-se como práticas intersetoriais efetivas na prevenção, manutenção ou reorientação do comportamento violento, estruturando assim práticas de cuidado integral.

Programas de intervenção devem, ainda, considerar a inclusão de estratégias para melhorar a comunicação familiar, que auxilia crianças e adolescentes a se socializarem de maneira positiva em outros espaços, como a escola41. Além disso, os vínculos familiares e as relações com as comunidades podem ser potencializados via políticas públicas ou programas de base territorial.

Como fenômeno multifacetado e problema de saúde pública, o bullying requer em seu enfrentamento a adoção de modelos contextuais e intersetoriais, pois estes permitem a inclusão no debate sobre o tema de fatores sociodemográficos, familiares e sociais que, muitas vezes, são negligenciados por abordagens individualizantes e/ou tecnocráticas. Trata-se da proposição de intervenções com foco ampliado para além dos muros escolares, voltando-se para atitudes originadas nas famílias e nos pais, além de congregar diferentes saberes como a educação, a psicologia, a saúde, entre outros.

Considerações finais

Conclui-se que existem evidências de que o contexto e as relações familiares possuem associações com o envolvimento de escolares em situações de bullying. A análise dos dados revisados indica que há uma transmissão cultural da violência dentro das famílias. Este padrão de relacionamento termina perpetuando outras manifestações violentas na sociedade, uma vez que há um enfraquecimento das habilidades sociais positivas e a erupção de estratégias de enfrentamento de uma sociedade percebida como violenta e que, por conseguinte, exige o mesmo tipo de resposta social. Os resultados encontrados reforçam a importância da família no processo do desenvolvimento saudável das crianças e dos adolescentes, e também do adoecido quando do envolvimento em situações de violência entre pares na escola.

Algumas limitações precisam ser mencionadas na conclusão deste estudo. Primeiramente, em geral, grande parte dos estudos revisados era baseada em projetos transversais de pesquisa e alguns fundamentados na análise de dados secundários. Deste modo, as associações apresentadas não são totalmente compreendidas, principalmente para que se possa construir modelos explicativos para a ocorrência do bullying no território escolar. Em outra direção, a escassez de pesquisas brasileiras com foco na relação entre o contexto familiar e o envolvimento em situações de bullying estabelece desafios para a ciência no que se refere a comparar os resultados da realidade nacional com os globais. Consequentemente, os resultados revisados devem ser interpretados com cautela e considerando limitações de generalização.

Em conclusão, esta revisão integrou vários pontos fortes que auxiliam na compreensão contextual e multinível do bullying, que interfere na saúde de crianças e adolescentes em idade escolar. Fornecendo, desta forma, um quadro teórico que pode estimular e subsidiar a construção de práticas intersetoriais e dialógicas de intervenção, baseadas em evidências científicas. Sugere-se, ainda, outras investigações, com diferentes desenhos e delineamentos que possam testar as relações entre as variáveis exploradas. Sobretudo que sejam estimuladas no Brasil abordando os complexos processos de dinâmica familiar no país e o aumento nas últimas décadas de relatos de bullying.

Por fim, destaca-se que este estudo não preconiza a condenação das relações ou instituições familiares e dos pais, mas ressalva-se que a expressão da violência escolar é influenciada por múltiplos fatores, e arquitetar experiências familiares positivas pode auxiliar na construção de uma cultura de não violência, em defesa da vida e da saúde dos escolares.

REFERÊNCIAS

1. Olweus D. School Bullying: Development and some important challenges. Annu. Rev. Clin. Psychol 2013; 9:751-780.
2. Malta DC, Porto DL, Crespo CD, Silva MMA, Andrade SSC, Mello FCM, Monteiro R, Silva MA. Bullying in Brazilian school children: analysis of the National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE 2012). Rev Bras Epidemiol 2014; 17(Supl. 1):92-105.
3. Patton DU, Hong JS, Williams AB, Allen-Meares P. A review of research on school bullying among African American youth: an ecological systems analysis. Educ Psychol Rev 2013; 25(2):245-260.
4. Caravita SCS, Sijtsema JJ, Rambaran AJ, Gini G. Peer influences on moral disengagement in late childhood and early adolescence. J Youth Adolescence 2014; 43(2):193-207.
5. Freire AN, Aires J. A contribuição da psicologia escolar na prevenção e no enfrentamento do bullying. Psicol. Esc. Educ 2012; 16(1):55-60.
6. Silva MAI, Pereira B, Mendonca D, Nunes B, Oliveira WA. The involvement of girls and boys with bullying: an analysis of gender differences. Int J Environ Res Public Health 2013; 10(12):6820-6831.
7. Silva JL, Oliveira WA, Bazon MR, Cecílio S. Bullying na sala de aula: percepção e intervenção de professores. Arq. bras. psicol 2013; 65(1):121-137.
8. Von Marees N, Petermann F. Bullying in German Primary Schools gender differences, age trends and influence of parents’ migration and educational backgrounds. School Psychology International 2010; 31(2):178-198.
9. Malta DC, Silva MAI, Mello FCM, Monteiro RA, Sardinha LMV, Crespo C, Porto DL, Silva MMA. Bullying nas escolas brasileiras: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2009. Cien Saude Colet 2010; 15(Supl. 2):3065-3076.
10. Bowes L, Arseneault L, Maughan B, Taylor A, Caspi A, Moffitt TE. School, neighborhood, and family factors are associated with children’s bullying involvement: a nationally representative longitudinal study. J. Am. Acad. Child Adolesc. Psychiatry 2009; 48(5):545-553.
11. Olweus D. Bullying at school and later criminality: findings from three Swedish community samples of males. Crim Behav Ment Health 2011; 21(2):151-156.
12. Bibou-Nakou I, Tsiantis J, Assimopoulos H, Chatzilambou P. Bullying/victimization from a family perspective: a qualitative study of secondary school students’ views. Eur J Psychol Educ 2013; 28(1):53-71.
13. Sentenac M, Gavin A, Arnaud C, Molcho M, Godeau E, Nic Gabhainn S. Victims of bullying among students with a disability or chronic illness and their peers: a cross-national study between Ireland and France. J Adolesc Health 2011; 48(5):461-466.
14. Vlachou M, Andreou E, Botsoglou K, Didaskalou E. Bully/victim problems among preschool children: a review of current research evidence. Educ Psychol Rev 2011; 23(3):329-358.
15. Souza MT, Silva MD, Carvalho R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein 2010; 8(1):102-106.
16. Cooke A, Smith D, Booth A. Beyond PICO: The SPIDER Tool for qualitative evidence synthesis. Qual Health Res 2012; 22(10):1435-1443.
17. Ursi ES, Galvão CM. Perioperative prevention of skin injury: an integrative literature review. Rev Latino-Am Enfermagem 2006; 14(1):124-131.
18. Melnyk BM, Fineout-Overholt E. Making the case for evidence-based practice. In: Melnyk BM, Fineout-Overholt E, organizadores. Evidence based practice in nursing & healthcare. A guide to best practice. Philadelphia: Lippincot Williams & Wilkins; 2005. p.3-24.
19. Lepisto S, Luukkaala T, Paavilainen E. Witnessing and experiencing domestic violence: a descriptive study of adolescents. Scand J Caring Sci 2011; 25(1):70-80.
20. Barboza GE, Schiamberg LB, Oehmke J, Korzeniewski SJ, Post LA, Heraux CG. Individual characteristics and the multiple contexts of adolescent bullying: an ecological perspective. J Youth Adolescence 2009; 38(1):101-121.
21. Tortorelli MFP, Carreiro LRR, Araújo MV. Correlações entre a percepção da violência familiar e o relato de violência na escola entre alunos da cidade de São Paulo. Psicol. teor. prat 2010; 12(1):32-42.
22. Cuervo V, Alberto A, Martínez C, Alonso E, Acuña T, Margarita G. Diferencias en la situación socioeconómica, clima y ajuste familiar de estudiantes con reportes de bullying y sin ellos. Psicol Caribe 2012; 29(3):616-631.
23. Moon B, Morash M, McCluskey JD. General Strain Theory and school bullying: an empirical test in South Korea. Crime & Delinquency 2012; 58(6):827-855.
24. Povedano A, Jiménez T, Moreno D, Amador L-V, Musitu G. Relación del conflicto y la expresividad familiar con la victimización en la escuela: el rol de la autoestima, la sintomatología depresiva y el género de los adolescentes. Infancia y Aprendizaje 2012; 35(4):421-432.
25. Low S, Espelage D. Differentiating cyber bullying perpetration from non-physical bullying: commonalities across race, individual, and family predictors. Psychology of Violence 2013; 3(1):39-52.
26. Uribe AF, Orcasita LT, Gomés EA. Bullying, redes de apoyo social y funcionamiento familiar en adolescentes de una institución educativa de Santander, Colombia. Psychol av discip 2012; 6(2):83-99.
27. Bowes L, Maughan B, Caspi A, Moffitt TE, Arseneault L. Families promote emotional and behavioural resilience to bullying: evidence of an environmental effect. J Child Psychol Psychiatry 2010; 51(7):809-817.
28. Yang SJ, Stewart R, Kim JM, Kim SW, Shin IS, Dewey ME, Maskey S, Yoon J-S. Differences in predictors of traditional and cyber-bullying: a 2-year longitudinal study in Korean school children. Eur Child Adolesc Psychiatry 2013; 22(5):309-318.
29. Magklara K, Skapinakis P, Gkatsa T, Bellos S, Araya R, Stylianidis S, Mavreas V. Bullying behaviour in schools, socioeconomic position and psychiatric morbidity: a cross-sectional study in late adolescents in Greece. Child Adolesc Psychiatry Ment Health 2012; 6:8.
30. Romaní F, Gutiérrez C. Auto-reporte de victimización escolar y factores asociados en escolares peruanos de educación secundaria, año 2007. Rev. peru. epidemiol 2010; 14(3):1-9.
31. Romaní F, Gutiérrez C, Lama M. Auto-reporte de agresividad escolar y factores asociados en escolares peruanos de educación secundaria. Rev. peru. epidemiol 2011; 15(1):1-8.
32. Sevda A, Sevim S. Effect of high school students’ self concept and family relationships on peer bullying. Rev Bras Promoç Saúde 2012; 25(4):405-412.
33. Pinheiro FMF, Williams LCA. Violência intrafamiliar e intimidação entre colegas no ensino fundamental. Cad. Pesqui 2009; 39(138):995-1018.
34. Foster H, Brooks-Gunn J. Neighborhood, family and individual influences on school physical victimization. J Youth Adolescence 2013; 42(10):1596-1610.
35. Teisl M, Rogosch FA, Oshri A, Cicchetti D. Differential expression of social dominance as a function of age and maltreatment experience. Dev Psychol 2012; 48(2):575-588.
36. Totura CMW, MacKinnon-Lewis C, Gesten EL, Gadd R, Divine KP, Dunham S, Kamboukos D. Bullying and victimization among boys and girls in Middle School: the influence of perceived family and school contexts. The Journal of Early Adolescence 2009; 29(4):571-609.
37. Bayraktar F. Bullying among adolescents in North Cyprus and Turkey: testing a multifactor model. J Interpers Violence 2012; 27(6):1040-1065.
38. Kokkinos CM. Bullying and victimization in early adolescence: associations with attachment style and perceived parenting. Journal of School Violence 2013; 12(2):174-192.
39. Murray-Harvey R, Slee PT. School and home relationships and their impact on school bullying. School Psychology International 2010; 31(3):271-295.
40. Lereya ST, Wolke D. Prenatal family adversity and maternal mental health and vulnerability to peer victimisation at school. J Child Psychol Psychiatry 2013; 54(6):644-652.
41. Healy KL, Sanders MR, Iyer A. Parenting practices, children’s peer relationships and being bullied at school. J Child Fam Stud 2015; 24(1):127-140.
42. Papadaki E, Giovazolias T. The protective role of father acceptance in the relationship between maternal rejection and bullying: a moderated-mediation model. J Child Fam Stud 2015; 24(2):330-340.
43. Zottis GAH. Bullying na adolescência: associação entre práticas parentais de disciplina e comportamento agressivo na escola [dissertação]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2012.
44. Cunha JM. Violência interpessoal em escolas do Brasil: características e correlatos [dissertação]. Curitiba: Universidade Federal do Paraná; 2009.
45. Hong J, Espelage D. A review of mixed methods research on bullying and peer victimization in school. Educational Review 2012; 64(1):115-126.
46. Lourenço LM, Senra LX. A violência familiar como fator de risco para o bullying escolar: contexto e possibilidades de intervenção. Aletheia 2012; 37:42-56.
47. Malta DC, Prado RR, Dias AJR, Mello FCM, Silva MAI, Costa MR, et al. Bullying and associated factors among Brazilian adolescents: analysis of the National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE 2012). Rev Bras Epidemiol 2014; 17(Supl. 1):131-145.