Sequestro de periódicos científicos: um alerta aos pesquisadores

Sequestro de periódicos científicos: um alerta aos pesquisadores

Autores:

Thiago Gonçalves dos Santos Martins,
Ana Luiza Fontes de Azevedo Costa,
Francisco Javier Solano Moncada,
Ricardo Vieira Martins

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.14 no.1 São Paulo jan./mar. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082016CE3632

Caro editor,

O sequestro de periódicos científicos é caracterizado por websitescriados por hackers em nome de periódicos acadêmicos reais, que copiam seus títulos, endereços, fatores de impacto e número de publicações internacionais, com o objetivo de roubar a produção científica e os pagamentos feitos aos periódicos para publicação.1

Hoje há uma grande pressão para os pesquisadores publicarem seus achados científicos. Alguns periódicos não cobram taxas para publicação, outros sim. Entre os que cobram taxa, há os que o fazem para garantir publicação rápida e sem muita preocupação com a qualidade da revisão do artigo.2

O sequestro de periódicos científicos iniciou-se em 2012 e, atualmente, mais de 20 periódicos estão na lista de “sequestrados”.1,3 Esses periódicos são de países singulares, como Suíça e Áustria. São periódicos multidisciplinares, geralmente não publicados originalmente em língua inglesa, que oferecem publicações de diferentes áreas e que têm seus fatores de impacto medidos pela Thomson & Reuters. A maioria desses periódicos não é eletrônica. Em geral, eles não têm alto fator de impacto, o que convence mais facilmente o autor convidado a publicar em poucas semanas. Além disso, nessa fraude, os nomes dos atuais editores dos periódicos são utilizados sem autorização.3

Geralmente, as vítimas são selecionadas diretamente da homepage dos periódicos, que não são revisados aos pares e nem listados no Thomson & Reuters ou Scopus, porém os sequestradores evitam selecionar pesquisadores que publicam em periódicos de alto impacto e com processo de revisão aos pares, já que, obviamente, tais autores podem identificá-los com maior facilidade. Comumente, os pesquisadores são contatados pore-mail por esses falsos periódicos, com oferta de publicação rápida e fator de impacto considerável, em troca de taxas de publicação que ultrapassam os US$500.00.3 Uma vez enviado o artigo, o pesquisador recebe os dados bancários pore-mail para depositar a taxa. Para iludir ainda mais o autor, uma lista de considerações superficiais sobre o artigo é enviada, sugerindo correções mínimas antes da publicação, que, por sua vez, não ocorrerá. Apesar disso, centenas de pesquisadores têm sido enganados em todo o mundo.1

Trata-se uma prática alarmante: os pesquisadores podem ter seus trabalhos roubados, e os editores, o prestígio de seus periódicos manchado. É momento de refletir sobre como a pressão pela publicação científica tem facilitado os crimes cibernéticos de ocorrerem. Portanto, devemos alertar nossos pesquisadores de como identificar periódicos científicos sequestrados.

REFERÊNCIAS

1. Butler D. Sham journals scam authors. Nature. 2013;495(7442):421-2.
2. Beall J. Predatory publishers are corrupting open access. Nature. 2012; 489(7415):179.
3. Jalalian M, Mahboobi H. Hijacked journals and predatory publishers: is there a need to re-think how to assess the quality of academic research? Walailak J Sci Tech. 2014;11(5):389-94.
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