Simultaneidade de comportamentos de risco para doenças crônicas não transmissíveis em universitários de baixa renda de uma cidade do Sul do Brasil

Simultaneidade de comportamentos de risco para doenças crônicas não transmissíveis em universitários de baixa renda de uma cidade do Sul do Brasil

Autores:

Felipe Vogt Cureau,
Paola Marques Duarte,
Fernanda de Souza Teixeira

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.27 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2019 Epub 23-Set-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201900030178

Abstract

Background

Few studies have investigated the prevalence and correlates of risk factors for non-communicable diseases (NCDs) among low-income undergraduate students in Brazil.

Objective

To investigate the co-occurrence of the main behavioral risk factors for NCDs (physical inactivity, low fruit and vegetables intake, binge drinking and smoking) in this population.

Method

Cross-sectional study was carried out during 2013, with 766 undergraduate students living in student housing at the Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brazil. The simultaneous prevalence of risk factors was evaluated by a score created from the sum of individual behaviors. Poisson regression was applied for evaluating the associated factors with ≥3 risk factors, simultaneously.

Results

It was observed that 1.8% of students show no risk factor, while 19.5%, 49.3%, 24.9% and 4.5% presented one, two, three and four risk factors, respectively. Male (PR=1.35; 95%CI: 1.08-1.69), overweight/obesity (PR=1.37; 95%CI: 1.08-1.73) and morbidity history (PR=2.09; 95%CI: 1.52-2.87), only in males, were associated with the co-occurrence of risk factors. The combination involving all four risk factors showed a higher prevalence than the expected (O/E=1.76: 95%CI: 1.24-2.50).

Conclusion

The simultaneous prevalence of risk factors in low-income college students was high, this finding that may help in the formulation of prevention programs and interventions.

Keywords:  sedentary lifestyle; eating habits; smoking; alcohol drinking in college; socioeconomic factors

INTRODUÇÃO

O total de mortes por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) quadruplicou em 20 anos, passando de 8 milhões em 1990 para 34,5 milhões em 2010, o que representa a causa de duas a cada três mortes no mundo1. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 40% dessas mortes são prematuras, ocorrendo antes dos 70 anos, e a grande maioria (82%) acontece em países em desenvolvimento2.

Por causa de sua gravidade, a epidemia de DCNT foi debatida em assembleia geral das Nações Unidas, cuja conclusão foi de que o combate aos seus principais fatores de risco (inatividade física, hábitos alimentares não saudáveis, consumo excessivo de álcool e tabagismo) deve ser considerado como uma das estratégias prioritárias de prevenção3.

Existem evidências epidemiológicas que relacionam cada um desses quatro comportamentos de risco, individualmente, ao desenvolvimento de DCNT e mortalidade associada4,5. No entanto, são em menor número os estudos que abordaram a ocorrência simultânea desses fatores de risco, sobretudo envolvendo indivíduos de baixa renda, os quais apresentam uma maior prevalência de fatores de risco isoladamente6.

No Brasil, a população universitária passou por uma grande expansão nos últimos anos, atingindo 6 milhões de matrículas em 2013. Atualmente, mais de 300 mil estudantes dos cursos de graduação das universidades federais pertencem às classes econômicas C, D e E7, número que deve aumentar após a sanção da lei que garante a reserva de vagas nas universidades federais para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública e comprovarem baixa renda8.

O aumento dessa população demandará medidas que facilitem sua permanência na universidade, tais como a oferta de residências universitárias para abrigar os estudantes oriundos de famílias de baixa renda. Isso aumenta o interesse em conhecer as condições de saúde, muitas vezes adversas, em que vive essa população e identificar os grupos mais expostos, facilitando, assim, o planejamento de ações futuras.

Dessa forma, o objetivo deste estudo foi investigar a prevalência simultânea dos quatro principais fatores de risco comportamentais para DCNT (inatividade física, consumo infrequente de frutas e vegetais, consumo excessivo de álcool e tabagismo) e seus fatores associados em estudantes universitários de baixa renda residentes em moradia estudantil de uma cidade do Sul do Brasil.

MÉTODO

Este artigo utiliza dados de um estudo transversal amplo sobre as condições de saúde de universitários residentes em moradia estudantil da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sediada na cidade de Santa Maria, localizada na região central do Rio Grande do Sul. A universidade tinha mais de 28 mil alunos, dos quais 1.300 eram estudantes de graduação que residiam na Casa do Estudante Universitário (CEU), situada no campus da instituição, no momento da pesquisa.

A CEU faz parte do programa de assistência estudantil da UFSM. Sua estrutura está distribuída em 23 blocos, totalizando 472 apartamentos, com capacidade para dois ou seis moradores. Para ter direito à moradia estudantil gratuita, o aluno deve cumprir os seguintes critérios: ser brasileiro ou naturalizado; estar matriculado em algum curso presencial da UFSM; não possuir curso superior; ter no mínimo 50% de aprovação nas disciplinas cursadas no semestre letivo; ter uma carga horária mínima de 240 horas/semestre; a família não pode residir na cidade de Santa Maria; e comprovar renda familiar per capita mensal inferior a R$ 750,00 (critério utilizado em 2013).

O cálculo amostral foi realizado considerando-se uma população finita de 1.300 moradores (número de estudantes cadastrados na CEU no início do estudo), prevalência de 50%, erro aceitável de 3 pontos percentuais, poder de 80% e nível de confiança de 95%. O resultado evidenciou a necessidade de estudar 586 estudantes; a esse número foram acrescidos 25% prevendo possíveis perdas e recusas, estabelecendo, assim, o tamanho amostral mínimo de 733 universitários.

O processo de amostragem foi realizado de forma sistemática. Inicialmente, foram listados todos os apartamentos elegíveis (n = 472) e estimada uma ocupação média de três pessoas por apartamento, o que determinou a necessidade de pesquisar 244 apartamentos. Dessa forma, foi selecionado um apartamento a cada dois existentes. A Figura 1 detalha a inclusão dos participantes de acordo com o processo amostral empregado.

Figura 1 Fluxograma dos estudantes elegíveis que compuseram a amostra analisada, Santa Maria/RS, Brasil, 2013 

A coleta de dados foi realizada entre junho e outubro de 2013, por cinco avaliadores, sendo três alunos de pós-graduação e dois alunos de graduação na área da saúde, previamente selecionados e que passaram por um treinamento de 10 horas/aula. Como instrumento para coleta de dados foi utilizado um questionário, aplicado na presença de um avaliador. Anteriormente ao início do trabalho de campo, um estudo-piloto foi desenvolvido com 38 acadêmicos da UFSM que não residiam na CEU, a fim de testar a melhor forma de abordagem e aplicação do questionário. O tempo médio de preenchimento do questionário foi de 30 minutos.

Foram consideradas como perdas aqueles moradores que não foram encontrados na moradia, em três visitas realizadas em dias e horários diferentes. Os estudantes que declararam o desejo de não participar do estudo, em pelo menos duas oportunidades, com intervalo de uma semana entre uma visita e outra, foram considerados como recusas.

Fatores de risco

Os quatro comportamentos de risco que compuseram o desfecho deste estudo foram: inatividade física no lazer, consumo infrequente de frutas e vegetais, consumo excessivo de álcool e tabagismo. O nível de atividade física foi avaliado por meio do International Physical Activity Questionnarie (IPAQ), em sua versão longa9, sendo utilizado neste estudo apenas o domínio do lazer. Posteriormente, foi calculado o nível de atividade física multiplicando-se a frequência (dias) pela duração (minutos), em que o tempo gasto em atividades vigorosas foi duplicado. Foram classificados como ativos aqueles estudantes que acumularam pelo menos 150 minutos semanais em atividades de intensidade moderada/vigorosa no lazer10.

O consumo de frutas e legumes foi verificado por meio das seguintes perguntas: (1) Nos últimos 12 meses, quantas vezes você comeu frutas (sem contar sucos)?; (2) Nos últimos 12 meses, quantas vezes você comeu salada verde (como alface, rúcula, agrião, couve etc.)?; (3) Nos últimos 12 meses, quantas vezes você comeu outros vegetais (como cenoura, beterraba, chuchu, abóbora, vagem, couve-flor etc.)? Foram estabelecidas as seguintes opções de resposta: (a) 1 vez ou menos por mês; (b) 2 a 3 vezes por mês; (c) 1 a 2 vezes por semana; (d) 3 a 4 vezes por semana; (e) 5 ou mais vezes por semana. O consumo regular de tais alimentos foi definido quando a frequência reportada foi de cinco ou mais vezes por semana. Por fim, foi criada uma variável combinando o consumo desses três alimentos (frutas, legumes e verduras)11.

O consumo de álcool e de tabaco foi investigado a partir da frequência de consumo nos últimos 30 dias. Foram classificados na categoria “consumo excessivo de álcool” as mulheres e os homens que relataram ingestão de quatro e cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas, respectivamente, em uma única ocasião nos últimos 30 dias12. Em relação ao tabaco, foi considerado fumante aquele estudante que relatou ter fumado pelo menos um cigarro nos últimos 30 dias13.

Covariávies

As seguintes variáveis sociodemográficas foram utilizadas neste estudo: sexo, idade (anos), cor da pele (referida pelo estudante), relacionamento afetivo (sem ou com companheiro) e escolaridade materna. Em relação às questões de moradia e procedência, foram utilizadas informações de: tempo de moradia na CEU; cidade de origem e área onde residiu a maior parte da vida (rural ou urbana); distância entre a moradia estudantil e a cidade de origem; e frequência com que visitava a família.

O índice de massa corporal (IMC) foi calculado a partir do peso e da estatura referidos pelos participantes14, os quais foram classificados como eutróficos (IMC < 25 kg/m2) ou com excesso de peso (IMC ≥ 25 kg/m2). A pré-existência de diagnóstico médico de diabetes, hipertensão, colesterol ou triglicerídeos elevados e doença cardiovascular foi autorrelatada. Em razão da baixa ocorrência de todas as morbidades, optou-se por conjugá-las considerando a presença de pelo menos uma delas como diagnóstico positivo de DCNT.

Análise de dados

Os dados foram digitados com dupla entrada no programa EpiData 3.1. A ocorrência simultânea de fatores de risco comportamentais (inatividade física no lazer, consumo infrequente de frutas e vegetais, consumo de álcool em excesso e tabagismo) foi avaliada por um escore construído a partir do somatório dos fatores de risco individuais, com amplitude entre zero (nenhum fator de risco) e quatro (todos os fatores de risco presentes). Essa abordagem é frequentemente utilizada em estudos nessa temática15-17.

A prevalência de todas as combinações possíveis envolvendo os diferentes fatores de risco analisados também foi explorada. As prevalências observadas para cada combinação foram comparadas com os valores esperados para a distribuição dos fatores de risco na amostra, assumindo a independência entre eles e multiplicando a prevalência individual de cada fator de risco presente ou ausente na combinação. Por exemplo, supõe-se que os quatro fatores de risco estudados apresentem as seguintes prevalências: inatividade física no lazer = 60%; consumo infrequente de frutas e vegetais = 65%; consumo de álcool em excesso = 30%; e tabagismo = 10%. Então, a prevalência esperada para a presença dos quatros comportamentos de risco simultaneamente seria: 0,6 × 0,65 × 0,3 × 0,1 = 0,0117 (1,17%). No caso de ausência de um ou mais dos comportamentos de risco, a fração complementar de cada um foi utilizada no cálculo (por exemplo: considerando uma prevalência de tabagismo de 10%, os não fumantes seriam 90%). A razão entre valores observados e esperados permitiu identificar a direção e a magnitude da relação entre os fatores de risco. Já os intervalos de confiança de 95% foram calculados assumindo-se uma distribuição de Poisson conforme descrito por Breslow e Day18.

Modelos de regressão de Poisson com variância robusta, em análise bruta e ajustada, foram utilizados para estudar a associação das variáveis independentes com a ocorrência de três ou mais fatores de risco simultâneos. A construção do modelo multivariável considerou dois níveis hierárquicos. No primeiro nível, foram incluídas as variáveis socioeconômicas, de moradia e precedência, enquanto o segundo nível foi composto do IMC e da presença de morbidade. As variáveis com p < 0,2 na análise bruta foram mantidas no modelo, considerando ajuste para variáveis do mesmo nível ou do nível hierárquico anterior. O ajuste global do modelo foi avaliado pelo teste de goodness of fit, e a existência de interação no modelo foi avaliada por abordagem multiplicativa segundo o teste de heterogeneidade. Todas as análises foram conduzidas no Stata 12.1, respeitando-se um nível de significância de 5%.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (CAEE: 14545213.8.0000.5346), e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participar do estudo.

RESULTADOS

O percentual de perdas e recusas de participação no estudo foi de 7,5%. Ao todo, 766 estudantes foram incluídos nas análises, pois forneceram informações referentes aos quatro fatores de risco comportamentais investigados. A Tabela 1 apresenta a descrição da amostra em sua totalidade e estratificada por sexo. A média de idade na amostra foi de 21,5 (± 2,9) anos; a maioria eram mulheres (56,6%) e indivíduos de cor da pele branca (83,3%); o tempo médio de escolaridade das mães dos estudantes foi de 6,9 (± 3,1) anos; e 48,6% dos estudantes passaram a maior parte da vida residindo na zona rural. Em relação aos indicadores de saúde, observou-se que 25% dos estudantes apresentavam excesso de peso e 11,3% informaram diagnóstico de alguma morbidade, por exemplo, hipertensão ou diabetes mellitus.

Tabela 1 Descrição da amostra de estudantes universitários de baixa renda, Santa Maria/RS, Brasil, 2013 

Variáveis Todos Mulheres Homens
% n % n % n
Idade (anos)
< 20 25,81 198 30,57 133 19,58 65
20-25 59,97 460 60,23 262 59,64 198
> 25 14,21 109 9,20 40 20,78 69
Cor da pele
Branca 83,33 640 85,52 372 80,48 268
Preta/Parda 16,67 128 14,48 63 19,52 65
Escolaridade materna (anos)
≤ 4 24,24 183 25,99 112 21,91 71
5-8 35,23 266 36,66 158 33,33 108
9-11 28,61 216 29,23 126 27,78 90
≥ 12 11,92 90 8,12 35 16,98 55
Relacionamento
Solteiro 55,99 430 51,95 226 61,26 204
Namorando/casado 44,01 338 48,05 209 38,74 129
Tempo de moradia estudantil (meses)
≤ 6 21,61 164 22,04 95 21,04 69
7-24 31,23 237 30,86 133 31,71 104
> 24 47,17 358 47,10 203 47,26 155
Zona de procedência
Urbana 51,43 395 48,74 212 54,95 183
Rural 48,57 373 51,26 233 45,05 150
Retorno para casa (vez/mês)
≤ 1 56,79 435 50,80 221 64,65 214
> 1 43,21 331 49,20 214 35,35 117
Excesso de peso
Não 75,00 573 79,68 345 68,88 228
Sim 25,00 191 20,32 88 31,12 103
Morbidade
Não 88,67 681 87,13 379 90,69 302
Sim 11,33 87 12,87 56 9,31 31
Fatores de risco
Inatividade física 70,05 538 75,40 328 63,06 210
Consumo excessivo de álcool 42,37 325 34,02 148 53,31 177
Consumo infrequente de frutas e vegetais 88,80 682 87,13 379 90,99 303
Tabagismo 9,39 72 7,13 31 12,35 41

n = número de participantes

Em relação à prevalência dos fatores de risco pesquisados, 88,8% (IC95%: 86,5-91,0) dos estudantes disseram não consumir frutas e vegetais com regularidade; 70,1% (IC95%: 66,8-73,3) foram classificados como inativos no lazer; 42,3% (IC95%: 38,8-45,8) consumiram álcool em excesso nos últimos 30 dias; e 9,4% (IC95%: 7,3-11,5) foram classificados como tabagistas. A Tabela 2 apresenta a prevalência dos fatores de risco individuais de acordo com variáveis sociodemográficas.

Tabela 2 Prevalência individual de fatores de risco comportamentais de acordo com variáveis sociodemográficas entre estudantes universitários de baixa renda, Santa Maria/RS, Brasil, 2013 

Variáveis Inatividade física Consumo infrequente de frutas e vegetais Consumo excessivo de álcool Tabagismo
% (IC95%)
Sexo
Feminino 75,4 (71,1-79,2) 87,1 (83,6-90,0) 34,0 (29,7-38,6) 7,1 (5,1-10,0)
Masculino 63,1 (57,8-68,2) 90,9 (87,3-93,6) 53,2 (47,8-58,5) 12,4 (9,2-16,4)
Idade (anos)
< 20 71,7 (65,0-77,6) 92,4 (87,8-95,4) 40,9 (34,2-47,9) 5,6 (3,1-9,8)
20-25 70,5 (66,2-74,5) 87,1 (83,7-89,9) 42,4 (37,9-46,9) 9,2 (6,8-12,2)
> 25 66,1 (56,6-74,4) 89,0 (81,6-93,7) 44,0 (35,0-53,3) 17,4 (11,4-25,8)
Cor da pele
Branca 70,1 (66,4-73,5) 88,2 (85,5-90,5) 41,4 (37,6-45,3) 8,8 (6,8-11,2)
Preta/Parda 70,3 (61,8-77,6) 91,4 (85,1-95,2) 46,9 (38,4-55,6) 12,5 (7,8-19,5)
Escolaridade materna (anos)
≤ 4 67,8 (60,6-74,2) 92,3 (87,5-95,4) 39,3 (32,5-46,6) 6,6 (3,8-11,2)
5-8 74,8 (69,2-79,7) 87,2 (82,6-90,7) 38,0 (32,3-44,0) 7,9 (5,2-11,8)
9-11 70,2 (63,8-76,0) 87,4 (82,3-91,3) 45,6 (39,0-52,3) 12,6 (8,7-17,7)
≥ 12 60,7 (50,1-70,3) 91,0 (83,0-95,5) 53,9 (43,5-64,0) 10,1 (5,3-18,4)

IC95% = intervalo de confiança de 95%

Após combinação no escore de comportamentos de risco, 1,8% (IC95%: 0,8-2,8), 19,6% (IC95%: 16,9-22,6), 49,2% (IC95%: 45,7-52,8), 24,9% (IC95%: 22,0-28,1) e 4,4% (IC95%: 3,2-6,2) dos universitários apresentaram zero, um, dois, três ou quatros comportamentos de risco, respectivamente. A Tabela 3 apresenta a associação de variáreis independentes com a ocorrência de três ou mais fatores de risco simultâneos. Em análise bruta, a presença de múltiplos fatores de risco esteve inversamente associada à procedência de moradia em área rural (RP = 0,78; IC95%: 0,63-0,98), porém houve perda da significância estatística na análise ajustada. Após a construção de um modelo multivariável, foi possível observar uma associação direta entre sexo masculino (RP = 1,35; IC95%: 1,08-1,69) e excesso de peso (RP = 1,37; IC95%: 1,08-1,73) com a ocorrência simultânea de três ou mais fatores de risco. A associação de múltiplos fatores de risco com o diagnóstico autorrelatado de morbidades apresentou interação com o sexo (p = 0,018). Após a estratificação, observou-se que apenas em estudantes do sexo masculino a presença de histórico de DCNT associou-se com a simultaneidade de fatores de risco (RP = 2,09; IC95%: 1,52-2,87).

Tabela 3 Prevalência e fatores associados à presença simultânea de três ou mais fatores de risco comportamentais em estudantes universitários de baixa renda, Santa Maria/RS, Brasil, 2013 

Variáveis ≥ 3 fatores de risco
% IC95% RPbruta IC95% RPajustada IC95%
Sexo p=0,002 p=0,007
Feminino 24,8 20,7-28,9 1 1
Masculino 35,3 30,2-40,5 1,42 1,14-1,77 1,35 1,08-1,69
Idade (anos) p=0,196* p=0,160*
< 20 26,8 20,6-33,0 1 1
20-25 29,5 25,3-33,7 1,10 0,84-1,44 1,18 0,88-1,59
> 25 33,9 25,0-42,9 1,27 0,89-1,80 1,29 0,89-1,86
Cor da pele p=0,065 p=0,176
Branca 28,1 24,6-31,5 1 1
Preta/Parda 35,9 27,6-44,3 1,28 0,98-1,66 1,20 0,92-1,57
Escolaridade materna (anos) p=0,155* p=0,252*
≤ 4 26,8 20,3-33,2 1 1
5-8 26,3 21,0-31,6 0,98 0,72-1,34 0,96 0,70-1,31
9-11 33,9 27,6-40,3 1,27 0,94-1,72 1,20 0,88-1,64
≥ 12 34,8 24,9-44,8 1,30 0,90-1,87 1,13 0,76-1,68
Relacionamento p=0,221 p=0,347
Solteiro 31,2 26,8-35,5 1 1
Namorando/casado 27,1 22,3-31,8 0,87 0,69-1,09 0,90 0,72-1,12
Tempo de moradia estudantil (meses) p=0,130* p=0,063*
≤ 6 33,5 26,3-40,8 1 1
7-24 29,8 23,9-35,6 0,89 0,66-1,19 0,86 0,64-1,14
> 24 27,1 22,5-31,7 0,81 0,61-1,06 0,75 0,56-1,01
Zona de procedência p=0,033 p=0,096
Urbana 32,8 28,2-37,5 1 1
Rural 25,7 21,3-30,2 0,78 0,63-0,98 0,82 0,65-1,03
Retorno para casa (vez/mês) p=0,252 p=0,526
≤ 1 31,1 26,7-35,5 1
> 1 27,3 22,4-32,1 0,88 0,70-1,10 0,93 0,74-1,16
Excesso de peso p=0,003 p=0,009
Não 26,7 23,1-30,3 1 1
Sim 37,6 30,6-44,4 1,41 1,12-1,77 1,37 1,08-1,73
Morbidade (estratificado por sexo)
Feminino p=0,974 p=0,997
Não 24,8 20,4-29,2 1 1
Sim 25,0 13,5-36,4 1,01 0,62-1,64 1,00 0,61-1,63
Masculino p<0,001 p<0,001
Não 32,3 27,0-37,6 1 1
Sim 64,5 47,4-81,7 1,99 1,46-2,71 2,09 1,52-2,87

*Teste de Wald para tendência. RP = razão de prevalência; IC95% = intervalo de confiança de 95%

A Tabela 4 apresenta as razões entre as prevalências observadas e esperadas, com respectivos IC95%, para as 16 combinações possíveis envolvendo os comportamentos de risco avaliados. O consumo excessivo de álcool isolado apresentou uma prevalência 92% maior que o esperado, enquanto o percentual de tabagismo observado foi 28% menor que o previsto. Em relação a dois fatores de risco, duas combinações apresentaram valores abaixo do aguardado: inatividade física e consumo excessivo de álcool (O/E = 0,53; IC95%: 0,27-0,91) e baixo consumo de frutas e vegetais e tabagismo (O/E = 0,19; IC95%: 0,02-0,67).

Tabela 4 Prevalência e cluster para as diferentes combinações envolvendo os fatores de risco comportamentais avaliados em estudantes universitários de baixa renda, Santa Maria/RS, Brasil, 2013 

Fatores de risco Inatividade física Consumo excessivo de álcool Consumo infrequente de frutas e vegetais Tabagismo O (%) E (%) O/E (IC95%)
0 - - - - 1,83 1,75 1,06 (0,59-1,81)
1 + - - - 3,79 4,10 0,93 (0,63-1,34)
- + - - 2,48 1,28 1,92 (1,14-2,97)
- - + - 13,19 13,87 0,95 (0,78-1,16)
- - - + 0,13 0,18 0,72 (0,01-4,03)
2 + + - - 1,57 3,08 0,53 (0,27-0,91)
+ - + - 36,16 32,54 1,11 (0,99-1,25)
+ - - + 0,39 0,42 0,93 (0,19-2,71)
- - + + 0,26 1,4 0,19 (0,02-0,67)
- + + - 10,4 10,17 1,02 (0,81-1,28)
- + - + 0,39 0,13 3,00 (0,60-8,77)
3 + + + - 21,15 23,86 0,89 (0,76-1,04)
- + + + 1,17 1,06 1,09 (0,51-2,12)
+ + - + 0,65 0,13 5,00 (1,61-11,67)
+ - + + 1,96 3,38 0,58 (0,32-0,95
4 + + + + 4,44 2,47 1,76 (1,24-2,50)

O = observado; E = esperado; O/E = razão entre valores observados e esperados; IC95% = intervalo de confiança de 95%

Entre as combinações envolvendo três ou quatro fatores de risco, foram observadas ocorrências abaixo do esperado para a presença de inatividade física, baixo consumo de frutas e vegetais e tabagismo (O/E = 0,58; IC95%: 0,32-0,95), e acima do esperado para as combinações entre inatividade física, consumo excessivo de álcool e tabagismo (O/E = 5,00; IC95%: 1,61-11,67), e para presença de todos os fatores de risco combinados (O/E = 1,76; IC95%: 1,24-2,50).

DISCUSSÃO

O presente estudo investigou a prevalência e os fatores associados à ocorrência simultânea dos quatro principais fatores de risco comportamentais para DCNT em uma população em expansão no Brasil, os universitários de baixa renda, utilizando-se, para tanto, de uma amostra representativa de moradores da CEU/UFSM. Apenas 1,8% dos estudantes pesquisados não apresentou fatores de risco, enquanto 29,4% tiveram três ou quatro fatores de risco simultaneamente. Estudantes do sexo masculino apresentaram um risco 35% (IC95%: 8-69) maior para co-ocorrência de três ou mais fatores quando comparados às mulheres. Naqueles com excesso de peso, o risco foi 37% (IC95%: 8-73) maior em comparação aos eutróficos. A combinação envolvendo os quatro fatores de risco pesquisados esteve acima do esperado (O/E =1,76; IC95%: 1,24-2,50), sugerindo uma possível agregação entre os comportamentos estudados.

Prevalência acima de 50% para presença de fatores de risco simultâneos (2 ou mais fatores de risco) foi relatada em outros estudos nessa temática realizados no Brasil15,16,19,20 e no exterior21-23, independentemente da faixa etária estudada. No entanto, a comparabilidade entre esses estudos é complexa e, portanto, deve ser feita com cautela, pois há grande variabilidade nos pontos de corte utilizados para identificar cada fator de risco pesquisado, diferenças no número e tipo de fatores de risco investigados (comportamentais ou biológicos) e nos métodos analíticos aplicados para avaliar a prevalência e o cluster desses fatores de risco17.

Uma prevalência elevada de múltiplos fatores de risco nesta amostra já poderia ser esperada, visto que uma pior condição econômica está associada à ocorrência simultânea de fatores de risco15,16. Além disso, a escolaridade elevada parece não exercer a proteção esperada para ocorrência de fatores de risco comportamentais entre adultos jovens, em razão de uma interação entre escolaridade e idade, pois alguns benefícios da maior escolaridade, como melhores condições sociais e de renda, precisam de tempo para ser obtidos24.

Em relação aos fatores associados, estudos anteriores que pesquisaram apenas fatores de risco comportamentais também observaram maior prevalência simultânea de fatores de risco em homens, e essa associação foi mais acentuada nas categorias envolvendo um maior número de fatores de risco conjugados16,20,22,23. Uma explicação para isso pode estar na distribuição dos fatores de risco individuais, seja em universitários, seja na população em geral, uma vez que maiores prevalências de tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação inadequada são observadas nos homens, enquanto apenas a inatividade física é mais prevalente entre as mulheres25,26.

Em relação à associação da presença de fatores de risco simultâneos com excesso de peso e presença de morbidade, por causa do delineamento utilizado, não é possível atribuir uma relação de temporalidade entre as variáveis. Além disso, o excesso de peso é, muitas vezes, utilizado com variável dependente e compõe o escore de muitos estudos que avaliam múltiplos fatores de risco15,22, o que dificulta a comparação quanto à presença de múltiplos fatores de risco em diferentes estratos do estado nutricional. No que diz respeito à presença de morbidade, o estudo de Héroux et al.27 observou uma prevalência 58% maior de fatores de risco simultâneos (2 ou mais fatores de risco) entre adultos com histórico de DCNT, se comparados a seus pares sem esse histórico na linha de base de um estudo de coorte. Posteriormente, o estudo seguiu esses indivíduos por 12 anos e observou que aqueles com fatores de risco simultâneos apresentavam o dobro do risco para mortalidade, em comparação à referência de nenhum fator de risco.

Ao avaliar o cluster de fatores de risco, foi possível observar uma ocorrência acima do esperado para comportamentos isolados e combinados. Isoladamente, a prevalência de consumo excessivo de álcool teve uma ocorrência de 92% acima do aguardado. Esse resultado reforça que adultos jovens estão mais propensos ao consumo abusivo de álcool, questão que, neste estudo, pode estar ligado ainda a características da moradia estudantil, como a convivência em grupo, suas atividades de lazer e o distanciamento da supervisão dos pais28,29. A prevalência de todos os fatores de risco simultâneos também foi acima do esperado (O/E = 1,76; IC95%: 1,24-2,50), o que é um fato preocupante, pois a ausência desses quatro fatores de risco pode reduzir em 30% (IC95%: 10-70) o risco de mortalidade prematura em indivíduos de baixa renda30.

Algumas limitações deste estudo precisam ser destacadas para que os resultados apresentados possam ser interpretados adequadamente. A amostra composta de estudantes de uma única universidade, todos residentes em moradia estudantil, pode limitar a extrapolação dos dados, inclusive para universitários de baixa renda em outras condições de moradia. Além disso, todos os fatores de risco utilizados foram pesquisados por meio de questionários, o que pode resultar em viés de informação quanto à presença dos fatores de risco avaliados.

Entretanto, o estudo também apresenta pontos fortes. A avaliação de múltiplos fatores de risco entre universitários de baixa renda – população em expansão no Brasil – ainda é pouco estudada. Além disso, foram avaliados os principais fatores de risco comportamentais para DCNT, e a investigação da prevalência, os fatores associados e o cluster desses fatores de risco fornecem informações amplas e relevantes para o desenvolvimento de estratégias de prevenção.

O presente estudo observou uma prevalência elevada para ocorrência simultânea de fatores de risco comportamentais entre os universitários pesquisados. Atenção particular deve ser dada aos homens e indivíduos com excesso de peso. Em relação aos comportamentos de risco individuais, o consumo excessivo de álcool merece destaque, por isso futuros estudos que avaliem seus determinantes entre universitários de baixa renda serão importantes. A identificação de um cluster entre os quatro fatores de risco pesquisados reforça a necessidade de intervenções focadas em múltiplos comportamentos nesse grupo. Medidas preventivas com o objetivo de reduzir fatores de risco entre universitários de baixa renda devem ser integradas à agenda de assistência estudantil das universidades brasileiras.

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