Síndrome de Burnout: realidade dos fisioterapeutas intensivistas?

Síndrome de Burnout: realidade dos fisioterapeutas intensivistas?

Autores:

Rafaela Araújo Dias da Silva,
Bruna Araújo,
Caio César Araújo Morais,
Shirley Lima Campos,
Armèle Dornelas de Andrade,
Daniella Cunha Brandão

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.25 no.4 São Paulo out./dez. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/17005225042018

RESUMEN

En este trabajo se propone evaluar el perfil y la prevalencia del síndrome de Burnout entre los fisioterapias de cuidados intensivos en las redes públicas en Recife (Brasil), comparándolos entre las unidades pediátricas, neonatales y de adultos. Se trata de un estudio descriptivo de cohorte transversal, del cual participaron cinco hospitales públicos con Unidades de Cuidados Intensivos, por medio de un cuestionario sociodemográfico para factores de estrés y del Maslach Burnout Inventory (MIB) para evaluar la prevalencia del síndrome. Los resultados desvelan un porcentaje del 48,72 % de Burnout a profesionales de UCI de atención a adultos, y un 47,06 % en unidades pediátricas y neonatales, con nivel grave sólo en una dimensión. Se encontraron puntuaciones más altas en los indicadores de agotamiento emocional, con un 56,42 % en UCI de adultos, y un 64,71 % en unidades pediátricas y neonatales. El indicador despersonalización presentó un 12,82 % en UCI de adultos, y un 29,41 % en las demás. Ya la satisfacción profesional obtuvo valor de un 17,65 % en UCI pediátricas y neonatales, y un 33,33 % en la atención a adultos. La prevalencia del síndrome de Burnout fue elevada entre los fisioterapeutas evaluados. Lo que demuestra la necesidad de desarrollar medidas preventivas y modelos de intervención para minimizar este efecto.

Palabras clave: |Estrés Psicológico; Fisioterapeutas; Unidades de Cuidados Intensivos

INTRODUÇÃO

O mercado atual tem exigido profissionais com perfil adaptável a diversas performances. Entretanto, tais exigências podem gerar impactos na saúde do trabalhador, como desequilíbrios físicos e psíquicos. Estes, por sua vez, promovem a elevação do nível de estresse e o decréscimo no desempenho de tarefas, podendo repercutir na qualidade do trabalho. Profissionais das áreas da saúde em geral são exemplos de indivíduos frequentemente expostos à alta carga física e mental durante o trabalho1.

O estresse psicológico é desenvolvido quando demandas externas dos indivíduos excedem suas habilidades. Se presente de forma excessiva, ele tem efeitos deletérios, levando à sensação de sobrecarga e podendo resultar em insônia, fadiga, irritabilidade, ansiedade e depressão2), (3.

O trabalho em unidades de terapia intensiva (UTI) é especialmente estressante devido à alta morbidade dos pacientes. Além disso, há também tempo e recursos limitados para atendê-los em alguns casos2.

Outros fatores como o cansaço, o estado constante de alerta, lidar com familiares com as devidas habilidades, a carga horária excessiva de trabalho, a imprevisibilidade, além de dilemas éticos, também são algumas fontes subjetivas de estresse em UTI4.

A atuação do fisioterapeuta é uma especialidade em que fatores de estresse desencadeados pelo dinamismo no cuidado ao paciente em estado grave se fazem presentes. O convívio com o sofrimento e a morte é capaz de gerar sentimento de impotência nestes profissionais1.

O estresse crônico presente na rotina dos trabalhadores da saúde, diferente do estresse comum, provoca problemas emocionais e/ou físicos no local de trabalho. A tensão física e mental causada neste ambiente é o que os leva à síndrome de Burnout5)- (7.

Esta síndrome é uma desordem caracterizada pela exaustão emocional (EE), despersonalização (DP) e reduzida realização profissional (RP), que podem ocorrer com profissionais atuantes principalmente em funções assistenciais, as quais requerem grande investimento nas relações interpessoais e são marcadas por cuidado e dedicação8.

Alterações na qualidade da assistência prestada devido à ocorrência da síndrome podem acarretar consequências adversas aos indivíduos atendidos. Nesse sentido, este estudo teve como objetivos delinear o perfil e obter a prevalência da síndrome de Burnout em fisioterapeutas intensivistas que atuam nas redes públicas, em unidades de cuidado adulto, pediátrico e neonatal.

METODOLOGIA

Desenho do estudo

Trata-se de um estudo descritivo do tipo corte transversal.

População, local e período da coleta de dados

O trabalho foi realizado em unidades de terapia intensiva de cinco hospitais públicos da cidade do Recife. A coleta de dados foi realizada no período de março a junho de 2014.

A amostra foi composta por fisioterapeutas que atuavam em UTI de cuidado adulto, pediátrico e neonatal. Foram considerados aptos a participar do estudo fisioterapeutas atuantes nas unidades analisadas que não se encontravam em licença de qualquer espécie, e que concordaram em participar da pesquisa e responder ao questionário.

Instrumentos e procedimentos para coleta de dados

Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que foi distribuído juntamente com os 71 questionários entre os profissionais. Eles foram esclarecidos quanto aos objetivos da pesquisa, e foi definida uma data para que os pesquisadores pudessem recolher os questionários já respondidos.

Questionário sociodemográfico

Este questionário foi elaborado pelos pesquisadores com variáveis descritivas como idade, sexo, presença de filhos, estado civil, tempo de atuação, ser ou não especialista, carga horária semanal e renda mensal.

Lista de fatores estressantes

Foi entregue também aos profissionais uma lista com 12 itens de possíveis fatores estressantes: ruídos excessivos, complicações no atendimento, problemas administrativos, lidar com sofrimento e morte, lidar com questões simultâneas, quantidade de pacientes atendidos, ritmo acelerado das atividades, falta de recursos materiais, comprometimento da equipe, relacionamento com a equipe, cuidar do paciente terminal e remuneração insuficiente9. Os fisioterapeutas foram instruídos a selecionar quais itens consideravam estressantes.

Questionário Malash Burnout Inventory

O Malash Burnout Inventory (MIB) é composto por 22 afirmações que englobam os três aspectos fundamentais da síndrome, divididos em suas três escalas (9 para medir exaustão emocional, 5 para medir o grau de despersonalização e 8 para realização profissional) de sete pontos, que variam de 0 a 6. Este instrumento foi traduzido e validado para uso no Brasil por Liana Lautert em 199510.

Inicialmente foi realizada a análise descritiva da ocorrência dos sintomas nas três esferas de acordo com os critérios do MIB: EE (alto nível: ≥27; médio: ≥17 e ≤26; baixo: ≤16), DP (alto nível: ≥13; médio: ≥7 e ≤12; baixo: ≤6) e RP, que possui escore reverso (alto nível: ≤31; médio: ≥32 e ≤38; nível baixo: ≥39 pontos).

Por não haver consenso na literatura para a interpretação deste questionário, os resultados foram descritos utilizando os critérios de Ramirez et al. (11 e Grunfeld et al. (12. Os primeiros definem Burnout pela presença das três dimensões em nível grave, enquanto Grunfeld aceita a presença de pelo menos uma esfera em nível grave para o diagnóstico da síndrome11), (12.

Análise estatística

A análise estatística foi realizada através do software SPSS versão 20.0, com nível de significância de 95% (p<0,05). A estatística descritiva foi realizada por medidas de média e desvio padrão, para as variáveis quantitativas contínuas, e porcentagem, para as variáveis qualitativas. Para comparação das UTI de cuidado adulto, pediátrico e neonatal entre os diferentes tipos de diagnóstico da síndrome, foi utilizado o teste qui-quadrado.

Considerações éticas

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, sob protocolo n° 563.272.

RESULTADOS

Um total de 56 fisioterapeutas responderam aos questionários, sendo 39 que atuavam em UTI de cuidado adulto e 17 em unidades pediátricas e neonatais. Foram excluídos 17 profissionais por não aceitarem participar do estudo ou por não devolverem o questionário no período determinado para entrega.

Entre os atuantes nas UTI de cuidado adulto, a média de idade foi de 35,9±7,95 anos, 74,4% eram do sexo feminino e 59% eram casados. Em relação àqueles de UTIs pediátricas e neonatais, achados semelhantes foram encontrados, exceto no que se refere ao estado civil, visto que 58,8% disseram ser solteiros. Os demais dados podem ser visualizados na Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização da amostra. 

Variáveis UTI adulto UTI pediátrica e neonatal
N (%) N (%)
Sexo
Masculino 29 (74,4) 13 (76,5)
Feminino 10 (25,6) 4 (23,5)
Idade (anos)
>29 8 (20,5) 9 (52,9)
30-39 21 (53,8) 4 (23,5)
>40 10 (25,6) 4 (23,5)
Estado civil
Solteiro 10 (25,6) 10 (58,8)
Casado 23 (59,0) 6 (35,3)
Divorciado 4 (10,3) 1 (5,9)
União consensual 2 (5,1) 0
Possuem filhos
Sim 19 (49,7) 7 (41,2)
Não 20 (51,3) 10 (58,8)
Atuação fisioterapia
<1 ano 0 1 (5,9)
1-10 anos 17 (43,6) 11 (64,7)
>10 anos 22 (56,4) 5 (29,4)
Atuação fisioterapia UTI
<1 ano 0 1 (5,9)
1-10 anos 23 (59,0) 11 (64,7)
>10 anos 16 (41,0) 5 (29,4)
Especialista
Sim 27 (69,2) 10 (58,8)
Não 12 (30,8) 7 (41,2)
Carga horária semanal
<30 horas 5 (12,8) 4 (23,5)
30-60 horas 24 (61,5) 7 (41,2)
>60 horas 10 (25,6) 6 (35,3)
Carga horária semanal UTI
<30 horas 16 (41,0) 6 (35,3)
30-60 horas 17 (43,6) 5 (29,4)
>60 horas 6 (15,4) 6 (35,3)
Exercem outra atividade
Sim 9 (23,1) 4 (23,5)
Não 30 (76,9) 13 (76,5)
Pacientes atendidos/dia
5-10 15 (38,5) 8 (47,1)
10-15 11 (28,2) 3 (17,6)
15-20 9 (23,1) 5 (29,4)
>20 4 (10,3) 1 (5,9)
Renda mensal (reais)
1000-3000 7 (17,9) 5 (29,4)
>3000-5000 20 (51,3) 10 (58,8)
>5000-7000 8 (20,5) 2 (11,8)
>7000-9000 2 (5,1) 0
>9000 2 (5,1) 0

UTI - Unidade de Terapia Intensiva.

O tempo de atuação em fisioterapia foi de 14,08±8,78 anos, sendo 10,84±7,57 anos em terapia intensiva, no grupo que trabalhava com adultos. Diferenças puderam ser observadas em relação ao outro grupo avaliado, sendo sua média de 7,36±6,85 anos, dos quais 6,56±6,28 anos em terapia intensiva.

Nas UTI pediátricas e neonatais, tanto as cargas horárias semanais de trabalho como a de plantão foram superiores em relação a UTI de cuidado adulto: 65,47±29,36 vs. 58±18,30 horas de carga semanal de trabalho e 55,53±29,95 vs. 45,95±19,56 horas de plantão. Os valores estratificados podem ser observados na Tabela1.

Quanto aos fatores estressantes, obteve-se elevado percentual em relação a ruídos excessivos, lidar com sofrimento e morte, falta de recursos materiais e remuneração insuficiente. Os demais dados podem ser vistos na Tabela 2.

Tabela 2 Fatores estressantes ocupacionais na Unidade de Terapia Intensiva. 

Variáveis UTI adulto UTI pediátrica e neonatal
N (%) N (%)
Ruídos excessivos 38 (97,43) 17 (100)
Complicações no atendimento 27 (69,23) 11 (64,70)
Problemas administrativos 22 (56,41) 13 (76,47)
Lidar com sofrimento e morte 28 (71,79) 14 (82,35)
Lidar com questões simultâneas 25 (64,10) 13 (76,47)
Quantidade de pacientes atendidos 29 (74,35) 12 (70,58)
Ritmo acelerado das atividades 25 (64,10) 17 (100)
Falta de recursos materiais 34 (87,17) 12 (70,58)
Comprometimento da equipe 26 (66,66) 13 (76,47)
Relacionamento com a equipe 17 (43,58) 13 (76,47)
Cuidar do paciente terminal 17 (43,58) 8 (47,05)
Remuneração insuficiente 39 (100) 17 (100)

UTI - Unidade de Terapia Intensiva.

Na associação dos domínios, segundo os critérios de Grunfeld et al. (12, mais de 47% dos fisioterapeutas das unidades adulto, pediátrica e neonatal apresentavam indicativos de síndrome de Burnout, enquanto conforme os critérios de Ramirez et al. (11, esse índice seria 2,6% e 11,8% para UTI de cuidado adulto e pediátrico/neonatal, respectivamente.

Em relação aos resultados isolados obtidos nas dimensões do MIB, a média de pontos foi de moderada a elevada na subescala de EE, exibindo portanto alto grau de comprometimento dessa esfera (Tabela 3). As demais distribuições das subescalas estão demonstradas na Tabela 4.

Tabela 3 Ocorrência da síndrome de Burnout em suas três dimensões. 

Critérios UTI adulto UTI pediátrica e neonatal p
N (%) N (%)
Exaustão emocional
Alta 22 (56,42) 11 (64,71) 0,56
Moderada 13 (33,33) 5 (29,41) 0,77
Baixa 4 (10,25) 1 (5,88) 0,59
Despersonalização
Alta 5 (12,82) 5 (29,41) 0,61
Moderada 10 (25,64) 5 (29,41) 0,92
Baixa 24 (61,53) 7 (41,18) 0,15
Realização profissional
Alta 15 (38,47) 6 (35,29) 0,82
Moderada 11 (28,20) 8 (47,06) 0,07
Baixa 13 (33,33) 3 (17, 65) 0,09
Nível alto nas dimensões do Burnout
Em uma dimensão 19 (48,72) 8 (47,06) 0,160
Em três dimensões 1 (2,56) 2 (11,76) 0,327

UTI - Unidade de Terapia Intensiva.

Tabela 4 Média e desvio padrão por dimensões do Maslach Burnout Inventory. 

Variáveis UTI adulto UTI pediátrica e neonatal
(Média ± DP) (Média ± DP)
Exaustão emocional 26,23±11,18 31,35±8,94
Despersonalização 6,38±5,18 8,47±7,00
Realização profissional 31,13±8,16 32,94±6,70

UTI - unidade de terapia intensiva; DP - desvio padrão.

DISCUSSÃO

Este trabalho verificou o perfil e prevalência da síndrome de Burnout em fisioterapeutas que atuam em UTI. Foi observado grande percentual de profissionais com indicativos da síndrome, mostrando sua possível presença nesta categoria. Já os resultados das dimensões do MIB mostraram uma média moderada a alta na subescala de EE. Observou-se também maior percentual de fatores estressantes relacionados a ruídos excessivos, lidar com sofrimento e morte, falta de recursos materiais e remuneração insuficiente.

Foi encontrada uma prevalência de Burnout em 48,72% em fisioterapeutas das UTI de cuidado adulto e 47,06% em unidades pediátricas e neonatais, quando considerado o nível grave em apenas uma dimensão. Estes dados foram inferiores ao trabalho realizado com médicos intensivistas, em que o escore alto considerado em pelo menos uma dimensão se apresentou em 63,8% dos médicos que atuavam em UTI adulto e em 56,6% dos que atuavam em UTI pediátrica e neonatal13. Outro estudo também verificou que o Burnout é frequente entre os intensivistas pediátricos, entretanto nesta população a prevalência foi inferior à encontrada neste trabalho14.

Semelhante a este estudo, González-Sánchez et al. (15 avaliaram o Burnout em fisioterapeutas de uma região da Espanha e verificaram escores moderados nas três dimensões do MIB. Nós verificamos, contudo, que a dimensão mais afetada entre os fisioterapeutas avaliados foi a EE, com índices de 56,42% em UTI de cuidado adulto e de 64,71% em unidades pediátricas e neonatais. Tucunduva et al. (16 observou um índice semelhante, com 55,8% para exaustão entre médicos cancerologistas brasileiros.

O Burnout pode ser iniciado por esta dimensão, seguida de DP e sentimento da baixa realização profissional no trabalho16. Em pesquisa realizada entre médicos intensivistas, este índice foi de 47,5% entre os entrevistados9. Quando exaustos, os profissionais têm uma redução de seus recursos internos para enfrentar situações vivenciadas no trabalho, bem como da energia para desempenhar atividades laborais17.

Considerada elemento específico da síndrome de Burnout, a DP na população estudada apresentou baixo grau para profissionais atuantes em UTI adulto, podendo-se afirmar que este fenômeno não se encontra em desenvolvimento na amostra analisada. Já em relação a população avaliada em UTIs pediátricas e neonatais, a DP foi observada em 58,82% dos fisioterapeutas, variando entre níveis moderado e elevado. Em uma amostra de 173 psicólogos escolares no entanto, apenas 10% relataram reações de DP18. Este item tem como característica atitudes frias e negativas, que podem ocasionar em tratamento depreciativo para com os indivíduos envolvidos no trabalho9.

A prevalência de Burnout associada às dimensões de EE e DP pode se relacionar à sobrecarga do trabalho sob variados tipos de exigências, além de um desequilíbrio entre a preparação profissional e interpessoal. É possível que não exista entre os intensivistas adequada preparação psicossocial. Desta forma, a atuação de qualidade pode ser insuficiente diante das demandas emocionais do ambiente da UTI13), (19), (20.

Quanto ao resultado obtido na esfera de RP, uma porcentagem maior que 50% dos profissionais das unidades apresentaram uma pontuação intermediária à baixa. Isso traduz um menor nível de realização e envolvimento no trabalho. Observa-se que sentimentos de insatisfação estão presentes, podendo estar atrelados à remuneração, à carga horária elevada e a um ambiente de trabalho desfavorável. Vale ressaltar que esta esfera é considerada por alguns autores como a última reação ao estresse gerado pelas exigências de trabalho8.

A gravidade das doenças e os conflitos com colegas de trabalho ou com pacientes são relatados como fatores de risco para o Burnout21), (22. Neste estudo, os fisioterapeutas relataram como um dos principais fatores os ruídos excessivos presentes na UTI e a remuneração insuficiente. Em pesquisa realizada com residentes de medicina interna, os turnos frequentes de 24h, bem como o tempo de lazer inadequado, foram considerados os principais fatores estressores, associados ao alto nível de Burnout23.

Nesta síndrome, tanto características individuais como exigências de trabalho são fatores determinantes dos sintomas exibidos, interferindo no desempenho e na qualidade do atendimento aos pacientes21. Tudo isso promove consequências para a vida do trabalhador, como depressão e dificuldades nas relações familiares e sociais, além de prejuízos para a instituição, por meio do absenteísmo23.

Limitações do estudo

A literatura brasileira é incipiente sobre a síndrome de Burnout envolvendo fisioterapeutas, dificultando a comparação entre outros estudos nacionais. Esta pesquisa apresenta um delineamento descritivo, com levantamento de frequências e pequena amostra, fato este que pode ter influenciado os resultados. Assim, faz-se necessário a produção de desenhos de estudos mais elaborados, de modo a fazer maiores associações entre variáveis sociodemográficas e a síndrome.

CONCLUSÃO

Este estudo evidenciou uma elevada prevalência de Burnout em fisioterapeutas intensivistas em unidades de cuidado adulto, pediátrico e neonatal, com MIB de 48,72% e 47,06%, respectivamente, considerando o nível grave em apenas uma dimensão. Os fatores estressantes avaliados apontaram remuneração insuficiente e ruídos excessivos como principais na indução ao Burnout.

A descrição desses fatores permite o julgamento sobre como políticas públicas ou intervenções podem e devem ser aplicadas para este grupo de profissionais, preservando sua saúde e garantindo a qualidade do atendimento ao paciente. Para análise da validade interna e externa deste estudo, deve-se considerar as particularidades sociodemográficas da população na qual os profissionais estão inseridos.

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