Síndrome de tração vítreomacular

Síndrome de tração vítreomacular

Autores:

Thiago Gonçalves dos Santos Martins,
Thomaz Gonçalves dos Santos Martins,
Ever Ernesto Caso Rodriguez,
Ana Luiza Fontes de Azevedo Costa

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.13 no.2 São Paulo abr./jun. 2015 Epub 01-Maio-2015

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082015AI2979

NRS, feminino, 71 anos, natural de São Paulo. Procurou o serviço com queixa de baixa visual progressiva e metamorfopsia em olho direito (OD) há 3 meses. Na história patológica pregressa não havia comorbidades, cirurgias oftalmológicas ou doenças oculares.

Ao exame, a acuidade visual com melhor correção era de 20/80 em OD e 20/20 em olho esquerdo. À fundoscopia observou-se condensação vítrea na região foveal de OD. Foi realizada tomografia de coerência óptica (OCT, optical cocherence tomography ), que mostrou tração vitreomacular por descolamento parcial de vítreo posterior, desorganizando a estrutura da fóvea e formando aspecto de “corcova de camelo”, associada à presença de membrana de alta refletividade, gerando moderada tração centrípeta da superfície retiniana, com preservação da linha externa e interna dos fotorreceptores (Figura 1).

Figura 1 Sinal da corcova de camelo. A imagem de tomografia de coerência óptica do olho direito mostra áreas de tração centrípeta na região macular, sugerindo o aparecimento de descolamento tracional de retina 

Realizou-se vitrectomia com descolamento total do vítreo, corando com triancinolona para retirar o vítreo posterior e remoção de membrana epirretiniana macular com peeling da membrana limitante interna. Houve melhora da metamorfopsia na primeira semana pós operatória. A cirurgia de vitrectomia pode apresentar complicações como roturas iatrogenicas da retina em 1,6% dos casos e desenvolvimento de catarata em pacientes fácicos em 2 anos de pós-operatório em 69%.(1) Por isso alguns médicos tem optado pela injeção intravítrea de ocriplasmina, quando a tração vítreomacular está associada ao buraco macular de diâmetro igual ou inferior a 400 microns.

A síndrome de tração macular é uma alteração na interface vítreorretiniana, onde a presença de miofibroblastos, associados ou não à camadas de colágeno, impede o descolamento completo entre o vítreo posterior e a retina.(2-4)

A ultraestrutura da interface vítreorretiniana apresenta dois padrões básicos: camada celular aderida à membrana limitante interna, e proliferação fibrocelular separada da membrana limitante interna por uma camada de colágeno, semelhante às da membrana epirretiniana idiopática. Em ambos os grupos, o tipo celular predominante é o miofibroblasto, o que explica a alta prevalência de edema macular cistóide e a progressiva tração vitreomacular.(3)

As alterações estruturais retinianas decorrentes destas alterações observadas no OCT têm complementado o diagnóstico e auxiliado na conduta, expectante ou não, a ser adotada. Casos com boa acuidade visual e pequena distorção da arquitetura retiniana apresentam melhores prognósticos. A vitrectomia posterior tem sido aventada aos primeiros sinais de piora prognóstica. Piora da metamorfopsia e da acuidade visual, associada a imagens fundoscópicas e tomográficas evidenciando distorções na arquitetura retiniana, como nos sinais da “cordilheira” e “corcova de camelo”, sugerem a intervenção. A melhora anatômica pós operatória nem sempre é acompanhada de melhora na acuidade visual, refletindo prováveis alterações funcionais e microestruturais retinianas, que podem não se restabelecer após a cirurgia. Entretanto, comumente há melhora pós operatória da metamorfopsia, uma das principais queixas destes pacientes.

O OCT é uma arma semiológica indispensável no diagnóstico e tratamento da síndrome de tração vítreo macular. Suas imagens auxiliam no diagnóstico e acompanhamento do paciente.

REFERÊNCIAS

1. Jackson TL, Nicod E, Angelis A, Grimaccia F, Prevost AT, Simpson AR, et al. Pars plana vitrectomy for vitreomacular traction syndrome: a systematic review and metaanalysis of safety and efficacy. Retina. 2013;33(10):2012-7. Review.
2. Hikichi T, Yoshida A, Trempe CL. Course of vitreomacular traction syndrome. Am J Ophthalmol.1995;119(1):55-61.
3. Gandorfer A, Rohleder M, Kampik A. Epiretinal pathology of vitreomacular. traction syndrome. Br J Ophthalmol. 2002;86(8):902-9.
4. Doi N, Uemura A, Nakao K, Sakamoto T. Vitreomacular adhesion and the defect in posterior vitreous cortex visualized by triamcinolone-assisted vitrectomy. Retina. 2005;25(6):742-5.
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