Sistemas de Saúde e Enfermagem: contexto nacional e internacional

Sistemas de Saúde e Enfermagem: contexto nacional e internacional

Autores:

Maria Helena Machado,
Mirna Albuquerque Frota,
Mônica Carvalho de Mesquita Werner Wermelinger,
Francisco Rosemiro Guimarães Ximenes Neto,
Neyson Pinheiro Freire

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.1 Rio de Janeiro jan. 2020 Epub 20-Dez-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232020251.28562019

A acelerada evolução no mundo do trabalho presenciou, ao final do século XX, o nascer de uma nova ordem, traduzida em rápidas e constantes mudanças na sociedade e no trabalho, a adoção de diferentes práticas de produção, comercialização e consumo de bens e serviços, maior competição e interdependência entre os sujeitos, instituições e Nações. Tais mudanças, influenciaram os Sistemas de Saúde e as profissões, pelo determinismo tecnológico e a aquisição de novas práticas e saberes, demandadas pelo mercado de trabalho, sobretudo, pela inversão epidemiológica e da pirâmide etária.

No campo das relações de trabalho ocorrem severas repercussões no ofício das profissões. Mudam a estrutura de poder, das instituições e se instala um novo modus operandis. Nesse contexto, saúde e seus trabalhadores vêm experimentando transformações no seu arquétipo. Além dos ajustes oriundos das mudanças tecnológicas, esse cenário tem provocado mudanças na definição do que seja uma profissão e sua utilidade social. A Enfermagem como profissão nuclear da saúde tem vivenciado esse fenômeno no cotidiano do trabalho, impondo mudanças no seu arquétipo e no construto sociológico de sua essencialidade na prestação da assistência e do cuidado à população.

O Brasil, com um Sistema de Saúde baseado nos princípios da universalidade, da integralidade e da equidade, que busca fortalecer e garantir o acesso da população às ações e serviços de saúde, este cenário de transformações sociais, econômicas, políticas, geográficas e culturais em que as profissões se fortalecem ou deixam transparecer suas fragilidades, reforça a relevância e o caráter estratégico de pesquisas que visem identificar e acompanhar os processos sociológicos gestados no seu interior.

Nesse complexo panorama sócio-político-econômico, a Fiocruz, em parceria com o Cofen, realizou a Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil. O estudo teve por objetivo analisar e construir o seu perfil, visando conhecer a sua dinâmica, as condições de trabalho, emprego e formação, desde seus aspectos econômicos, sociais, até os aspectos éticos e políticos da corporação1,2. Os resultados comprovam, por exemplo, forte desgaste dos trabalhadores, adoecimento, baixos salários e saturação do mercado de trabalho. Além de subsidiarem a discussão de políticas públicas e intervenções para a melhoria da assistência de Enfermagem, esses resultados motivaram a produção desse número especial: Sistemas de Saúde e Trabalho – desafios da Enfermagem.

O artigo destaque abre a revista apresentando os desafios e a importância da profissão no SUS. No eixo temático Formação e Gestão da Educação foram abordados temas fundantes da Educação em Saúde e seus desafios para os novos contextos de trabalho, com foco nos sistemas universais de saúde. Abordando temas contemporâneos do mundo do trabalho, o eixo Mercado de Trabalho e Relações de Trabalho, apresenta uma instigante discussão da atual realidade da Enfermagem. Fechando o número especial, o eixo Sistemas de Saúde: panorama internacional apresenta o cenário de sistemas de saúde e práticas da Enfermagem no mundo.

Agradecemos aos autores que produziram ensaios inéditos e de grande qualidade. Em especial ao Conselho Federal de Enfermagem, por tornar essa publicação uma realidade.

Dedicamos essa edição a todos os profissionais de Enfermagem do Brasil.

REFERÊNCIAS

1 Machado MH, coordenadora. Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil: Relatório Final. Rio de Janeiro: Nerhus-Daps-Ensp/Fiocruz; 2017.
2 Freire NP. Trajetória: Fatos e fotos da Pesquisa Perfil da Enfermagem. Enfermagem em Foco 2016; 7(n. esp.):81-86.
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