Sobre processos de apropriação e intersecção em imagens

Sobre processos de apropriação e intersecção em imagens

Autores:

Cintia Ribas

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.18 no.48 Botucatu 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622014.0124

Sobre processos de apropriação

O final do século XIX demarca o fim da supremacia da Academia Tradicional de Arte, este derrame é pontual no que diz respeito ao sistema da Arte. Artistas, em contraste com a Academia, buscavam a autonomia de sua produção. As vanguardas surgiram embaladas pelo consumismo efervescente da nova sociedade moderna, capitalista e sedenta por inovação, transgredindo e reformulando práticas artísticas e seus modos de vivenciá-las. Uma destas práticas, das quais desejo conspirar no texto é a Apropriação, que em seu sentido direto quer dizer, tomar algo como próprio, tornar seu uma coisa alheia. O artista toma para si imagens, objetos, espaços e torna claro em sua produção esse desvio, conservando a identidade da coisa apropriada, criando diálogo em campo miscigenado pelo desdobramento de ambas as reproduções, por esta análise aponta Bourriaud 1 em trecho da Estética Relacional, para o autor, o espectador completa a obra ao participar da elaboração de seu sentido:

Pode-se dizer que esses artistas que inserem seu trabalho no dos outros contribuem para abolir a distinção tradicional entre produção e consumo, criação e cópia, ready-made e obra original. Já não lidam com uma matéria-prima. Para eles, não se trata de elaborar uma forma a partir de um material bruto, e sim de trabalhar com objetos atuais em circulação no mercado cultural, isto é, que já possuem forma dada por outros. (p. 8)

Bourriaud1 utiliza em seus escritos, o termo pós-produção para designar as manifestações artísticas contemporâneas. Para ele, a apropriação é a primeira fase da pós-produção: não se trata mais de fabricar um objeto, mas de escolher entre os objetos existentes e utilizar ou modificar o item escolhido segundo uma intenção específica.

As manifestações de uma geração “sem-lugar”, imprimem na produção artística seu contexto sócio-político-econômico. Marcados pelo pós-guerra e pela dissolução da fronteira entre arte e vida, de que maneira definir a partir daí o objeto como obra de arte.

É provável que a teoria do desvio esteja implicada pelos aspectos situacionistas. Talvez isso inscreva o sentido de bancar a subjetividade enquanto elemento difusor. Um signo novo ressurgia e os significados incorporados difundiam a poética dos artistas, o trabalho e as idéias. A questão da obra não se encontrava mais posta no visível ou mediante a estética da forma, mas no caráter ontológico aí inscrito, assim propõe Arthur Danto2:

Toda arte deve ter um significado, toda arte é representacional [...], sendo o formalismo inadequado como filosofia de arte. (p. 19)

Proposições:

 2013 Registros de Paisagem Coletiva “caixa d’água” Museu da Fotografia de Curitiba, exposição (19 de junho a 18 de agosto de 2013) Cintia Ribas em parceria de Fabio Noronha, Juliana Gisi e Gabriele Gomes.

 2013 “Corpos de Passagem” - Ação Performática em parceria de Mariana Barros, Daniel Valenzuela e Thiago Ramalho (áudio) durante projeção de imagens em Festival Fora da Forma de Curitiba - produção de Wake Up Colab.

 2012 quando não mais - ADUAS, em parceria de Eliana Borges, em Museu Alfredo Andersen  

 2012 el río en mí - ADUAS, em parceria de Eliana Borges e Ricardo Corona, agosto Galeria Sesc da Esquina.

 2011 Novas Miradas Museu da Fotografia Coletiva MOB011, em parceria de Alexandre Zampier

 2011 ENCANTA_RIA - SESC da Esquina Projeto “Sim_Constante”  http://mostraencantaria.wordpress.com, em parceria de Constance Pinheiro.

 2009 Itaúba – exposição fotográfica + instalação em parceria de Fernando Rosenbaum 

Atuação profissional: 

 Especialização em Poéticas Visuais Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Monografia: “Sobre Processos de Apropriação e Intersecções em Imagens” - EMBAP/2014.

Produções, integrações coletivas:

 Workshop Produção Crítica em Artes Visuais, ministrada por Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz set/out de 2010.

PIC Pesquisa de Iniciação Científica em fotografia e o sentido auto-etnológico vivenciado em viagens pelo  observador-fotógrafo; Projeto intitulado “Entre Estranho & Estrangeiro”, orientação Profa. Dra. Ana Lucia Vásquez e apoio Fundação Araucária/EMBAP. <http://aderivadoolhar.wordpress.com>

 Monografia na Graduação: ”A Fotografia vinculada a Registros e Processos de Viagem”, orientação Prof. Dr. Fabio Noronha/EMBAP 2011. 

Últimas exposições:

Instâncias e Entidades (sessões de projeção de vídeo e de fotografias) 15 de fev a 16 de março de 2013 em Bicicletaria Cultural de Curitiba em parceria de Gabriel Guerrer e Mariangela Quarentei.

 Mostra de Iniciação à Pesquisa Científica em Arte - Galeria da Embap/junho 2012 imagem em retroprojetor.

 Coletiva”Chamando Vento” Espaço Tardanza participação na produção de dois vídeo performance e instalações work in progress com Eliana Borges, Constance Pinheiro, Janete Anderman e Maria Baptista. projeção de vídeo performance. espacotardanza.wordpress.com

 Coletiva ”Cada qual com o seu Como” - BRDE Palacete dos Leões/janeiro de 2012 - foto-colagens individuais.

 Coletiva “Produção Oito-Onze” coletiva galeria da EMBAP abril de 2012 - projeção de imagem via projetor.

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “Almanaque para entrevistar surrealismos”. 

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “Almanaque para entrevistar surrealismos”. 

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “Almanaque para entrevistar surrealismos”. 

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “série pernas” 

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “Mergulhos para busca de”. 

Cintia Ribas, Colagem, 2013 “Almanaque para entrevistar surrealismos”. 

REFERÊNCIAS

. Bourriaud N. Estética relacional. Coleção todas as artes. São Paulo: Martins; 2009.
. Danto AC. A transfiguração do lugar-comum: uma filosofia da arte. Trad. Vera Pereira. São Paulo: Cosac Naify; 2005.
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