Strain Atrial e Strain Rate: Novo Método para Avaliar Atordoamento Atrial

Strain Atrial e Strain Rate: Novo Método para Avaliar Atordoamento Atrial

Autores:

Hakan Ozkan,
Suleyman Binici,
Erhan Tenekecioglu,
Hasan Ari,
Tahsin Bozat

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.107 no.4 São Paulo out. 2016 Epub 12-Set-2016

https://doi.org/10.5935/abc.20160131

Resumo

Fundamento:

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum em adultos. Define-se atordoamento atrial como a disfunção mecânica temporária do apêndice atrial que se desenvolve depois de reversão da FA ao ritmo sinusal (RS).

Objetivos:

Avaliar as funções atriais contráteis através de strain atrial e strain rate em pacientes com FA, após cardioversão farmacológica e elétrica, assim como compará-los com os métodos convencionais.

Métodos:

Este estudo incluiu 41 pacientes com FA persistente e 35 controles com RS e pareados por idade. Todos os pacientes com FA incluídos neste estudo foram submetidos a ecocardiografia transtorácica e transesofágica antes e após. Strain rates de pico sistólico do septo (SEPsSR), do átrio esquerdo (LAsSR) e do átrio direito (RAsSR) foram definidas como o máximo valor negativo durante contração atrial. Strains de pico sistólico do septo (SEPε), do átrio esquerdo (LAε) e do átrio direito (RAε) foram definidas como porcentagem de mudança.

Resultados:

No grupo com FA, os parâmetros LAε, RAε, SEPε, LAsSR, RAsSR e SEPsSR da 1a hora e da 24a hora foram significativamente mais baixos que no grupo controle (LAε: 2,61%±0,13; 3,06%±0,19 vs 6,45%±0,27; p<0,0001; RAε: 4,03%±0,38; 4,50%±0,47 vs 10,12%±0,64; p<0,0001; SEPε: 3,0%±0,22; 3,19%±0,15 vs 6,23%±0,49; p<0,0001; LAsSR: 0,61±0,04s-1; 0,75±0,04s-1 vs 1,35±0,04s-1; p<0,0001; RAsSR: 1,13±0,06s-1; 1,23±0,07s-1 vs 2,10±0,08s-1; p<0,0001; SEPsSR: 0,76±0,04s-1; 0,78±0,04s-1 vs 1,42±0,06 s-1; p<0,0001).

Conclusão:

Os parâmetros strain atrial e strain rate são superiores aos parâmetros ecocardiográficos convencionais para avaliar atordoamento atrial em pacientes com FA que reverteram ao RS.

Palavras-chave: Fibrilação Atrial; Arritmias Cardíacas; Miocárdio Atordoado; Ecocardiografia Transesofagiana; Cardioversão Elétrica

Abstract

Background:

Atrial fibrillation (AF) is the most common arrhythmia seen in adults. Atrial stunning is defined as the temporary mechanical dysfunction of the atrial appendage developing after AF has returned to sinus rhythm (SR).

Objectives:

We aimed to evaluate atrial contractile functions by strain and strain rate in patients with AF, following pharmacological and electrical cardioversion and to compare it with conventional methods.

Methods:

This study included 41 patients with persistent AF and 35 age-matched control cases with SR. All the AF patients included in the study had transthoracic and transesophageal echocardiography performed before and after. Septum (SEPsSR), left atrium (LAsSR) and right atrium peak systolic strain rate (RAsSR) were defined as the maximum negative value during atrial contraction and septum (SEPε), left atrium (LAε) and right atrium peak systolic strain (RAε) was defined as the percentage of change. Parameters of two groups were compared.

Results:

In the AF group, 1st hour and 24th hour LAε, RAε, SEPε, LAsSR, RAsSR, SEPsSR found to be significantly lower than in the control group (LAε: 2.61%±0.13, 3.06%±0.19 vs 6.45%±0.27, p<0.0001; RAε: 4.03%±0.38, 4.50%±0.47 vs 10.12%±0.64, p<0.0001; SEPε: 3.0%±0.22, 3.19%±0.15 vs 6.23%±0.49, p<0.0001; LAsSR: 0.61±0.04s-1, 0.75±0.04s- 1 vs 1.35±0.04s-1, p<0.0001; RAsSR: 1.13±0.06s-1, 1.23±0.07s-1 vs 2.10±0.08s- 1, p<0.0001; SEPsSR: 0.76±0.04s- 1, 0.78±0.04s- 1 vs 1.42±0.06 s- 1, p<0.0001).

Conclusion:

Atrial strain and strain rate parameters are superior to conventional echocardiographic parameters for the evaluation of atrial stunning in AF cases where SR has been achieved.

Keywords: Atrial Fibrillation; Arrhythmia, Cardiac; Myocardial Stunning; Echocardiography, Transesophageal; Electric Cardioversion

Introdução

Fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum em adultos. Sua incidência aumenta com a idade e, entre todas as arritmias, é a que requer o maior tempo de hospitalização.1 Define-se 'atordoamento atrial' como a disfunção mecânica temporária do apêndice atrial que se desenvolve após reversão ao ritmo sinusal (RS) através de cardioversão.2 Ainda que se constate o RS com eletrocardiógrafo na prática clínica, o risco de eventos tromboembólicos aumenta em horas ou semanas devido à disfunção contrátil do apêndice atrial.3 O atordoamento atrial foi avaliado em estudos conduzidos com ecocardiografia transtorácica e transesofágica (ETT e ETE, respectivamente) através da medida de velocidade de fluxo diastólico, integral velocidade-tempo, força de contração atrial, velocidades no Doppler tecidual do anel lateral, contraste espontâneo à ecocardiografia e velocidades de fluxo atrial. Nosso estudo teve por objetivo avaliar a função contrátil atrial por strain atrial e strain rate, um novo método ecocardiográfico de avaliação de pacientes com FA, após cardioversão farmacológica e elétrica, e compará-lo com os métodos convencionais.

Métodos

Foram realizadas 45 avaliações ecocardiográficas eletivas. Este estudo incluiu 41 desses 45 participantes (15 homens e 26 mulheres), portadores de FA persistente que procuraram o departamento de cardiologia e reverteram ao RS, e 35 indivíduos que formaram o grupo controle (14 homens e 21 mulheres), que apresentavam RS e nenhuma doença valvar grave à ecocardiografia. O protocolo do estudo foi aprovado pelo comitê de ética local. Consentimento livre e informado foi obtido antes do arrolamento. Os casos com contraindicação pré-procedimento para anticoagulação oral foram excluídos deste estudo: insuficiência cardíaca congestiva classe III-IV da New York Heart Association, doença em valva nativa ou protética, detecção de trombo atrial esquerdo à ETE, síndrome do nó sinusal e hipertireoidismo, e diâmetro atrial esquerdo maior do que 5,5 cm medido à ETT. Todos os pacientes com FA incluídos neste estudo foram submetidos a ETT e ETE antes da cardioversão, como recomenda a Sociedade Americana de Ecocardiografia. Após reversão ao RS, realizaram-se avaliação ecocardiográfica convencional com ETT na 1ª hora, 24ª hora e 1º mês, e exames de strain atrial e strain rate. Utilizou-se Vivid 7 Pro para as avaliações ecocardiográficas, e também a sonda de 3,5 MHz para ETT e a sonda multiplanar de 6 MHz para ETE. A fração de ejeção ventricular esquerda foi medida pelo método de Simpson modificado. O volume de amostragem foi colocado paralelo ao fluxo de enchimento ventricular no corte apical de quatro câmaras entre as valvas mitral e tricúspide, e os seguintes parâmetros foram calculados: velocidade de pico de fluxo diastólico precoce (E), velocidade de pico de fluxo diastólico tardio (A), razão entre as velocidades de pico de fluxo diastólico precoce e tardio (E/A) para avaliação de Doppler pulsado, e integrais velocidade-tempo das velocidades de pico de fluxo diastólico precoce e tardio, força de contração atrial esquerda [0,5 × 1,06 × área da valva mitral × (velocidade A de pico)2 Kdina] e a força de contração atrial direita [0,5 × 1,06 × área da valva tricúspide × (velocidade A de pico)2 Kdina]. As funções atriais foram avaliadas pelos métodos convencionais.

Na avaliação ecocardiográfica de strain rate no corte apical de quatro câmaras, com número médio de 158 frames, mediram-se strain rates de pico sistólico do átrio esquerdo, átrio direito e septo atrial 5mm acima da junção atrioventricular. Todos os valores foram obtidos a partir da média de quatro ciclos consecutivos. Strain rate de pico sistólico do septo (SEPsSR), strain rate de pico sistólico de átrio esquerdo (LAsSR) e strain rate de pico sistólico de átrio direito (RAsSR) foram definidas como o máximo valor negativo durante contração atrial, e strain de pico sistólico do septo (SEPε), strain de pico sistólico de átrio esquerdo (LAε) e strain de pico sistólico de átrio direito (RAε) foram definidas como porcentagem de mudança. Após registro em mídia digital, as imagens foram analisadas offline no programa EchoPac PC (GE Vingmed Ultrasound). Antes da cardioversão, os pacientes com FA receberam ácido acetilsalicílico e infusão intravenosa de heparina padrão (17 u/kg), sendo o tempo de tromboplastina parcial ativada ajustado para permanecer 1,5-2,0 vezes o seu valor. Após ETT e ETE, os pacientes sem trombo intracardíaco foram aleatoriamente divididos em dois grupos para receber cardioversão farmacológica com infusão de amiodarona (dose de ataque intravenosa, 5 mg/kg; infusão contínua totalizando 1,2 g) ou cardioversão transtorácica por corrente direta. Para os pacientes que reverteram ao RS, ofereceu-se anticoagulação com varfarina, mantendo-se os valores de INR (international normalized ratio) em 2,0-3,0. Todas as outras medicações antiarrítmicas e digoxina foram suspensas antes da cardioversão, sendo os demais medicamentos continuados. Utilizou-se midazolam intravenoso para sedação. A cardioversão transtorácica por corrente direta foi realizada com corrente direta monofásica sincronizada e cardioversor, usando-se, em ordem, 200 joules, 300 joules e 360 joules de energia. Alcançou-se RS com cardioversão elétrica nos pacientes em que não houve reversão com medicamentos.

Análise estatística

Realizou-se análise estatística com o programa SPSS 10.0. As variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio padrão, enquanto as variáveis categóricas, como porcentagens. As variáveis categóricas foram avaliadas com o teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher, e as variáveis contínuas, com o teste t de Student não pareado ou teste U de Mann-Whitney. Para todas as avaliações, adotou-se o valor de p < 0,05 como estatisticamente significativo.

Resultados

Das 45 avaliações ecocardiográficas eletivas realizadas, os resultados dos 41 pacientes que reverteram ao RS foram comparados aos do grupo controle. As características demográficas dos dois grupos são apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Características basais dos grupos 

Grupo FA
(n=41)
Grupo controle
(n=35)
Valor de p
Idade (ano) 59,38±1,40 55,83±1,65 NS
Homem 15 (36,59%) 14 (%40) NS
Mulher 26 (64,41%) 21 (%60) NS
Duração da FA (dia) 207,76±47,72 -
Frequência cardíaca basal (bpm) 94,29±2,21 72,57±1,81 0,001
Área de superfície corporal (m2) 1,84±0,27 1,79±0,13 NS
Pressão arterial sistólica (mmHg) 125,67±2,88 128,00 ±3,05 NS
Pressão arterial diastólica (mmHg) 79,44±1,54 79,57±1,88 NS
Diabetes mellitus 7 (15,6%) 11 (21,4%) NS
Hipertensão 25 (55,6%) 15 (42,9%) NS
Dislipidemia 6 (13,3%) 2 (5,7%) NS
DAC 5 (11,1%) 7 (20%) NS
Tabagismo 17 (37,8%) 11 (21,4%) NS
Ácido acetilsalicílico 36 (8%0) 12 (34,3%) <0,0001
Betabloqueadores 13 (28,9%) 9 (25,7%) NS
BCC 10 (22,2%) 10 (28,6%) NS
Nitrato 4 (8,9%) 3 (8,6%) NS
Digoxina 15 (33,3%) 1 (2,9%) 0,001
IECA 14 (31,1%) 8 (22,9%) NS
BRA 5 (11,1%) 4 (11,4%) NS
Hipolipemiantes 6 (13,3%) 2 (5,7%) NS
Diuréticos 11 (24,4%) 4 (11,4%) NS
Varfarina 3 (6,7%) - NS

FA: fibrilação atrial; DAC: doença arterial coronariana; BCC: bloqueadores dos canais de cálcio; IECA: inibidores da enzima de convesão da angiotensina; BRA: bloqueador do receptor de angiotensina; NS: não significativo; p >0,05.

A duração da FA foi avaliada pela história do paciente e estimada de acordo com a data do primeiro ECG com diagnóstico de FA. A duração média da FA nos pacientes que reverteram ao RS foi de 207,76±47,72 dias. A frequência cardíaca média no grupo com FA antes do procedimento (94,29±2,21 bpm) foi significativamente mais alta do que no grupo controle (72,57±1,81 bpm, p=0,001) (Tabela 1). Os parâmetros ecocardiográficos basais são apresentados na Tabela 2.

Tabela 2 Comparação ecocardiográfica basal dos dois grup 

Grupo FA
(n=41)
Grupo controle
(n=35)
Valor de p
Átrio esquerdo (cm) 4,47±0,06 4,37±0,06 NS
DDFVE (cm) 4,80±0,10 4,81±0,97 NS
DSFVE (cm) 3,27±0,11 3,08±0,10 NS
Septo (cm) 1,15±0,03 1,14±0,03 NS
Parede posterior (cm) 1,13±0,03 1,06±0,03 NS
Fração de ejeção (%) 61,08±1,63 64,14±1,59 NS
Fração de encurtamento (%) 32,09±1,16 34,85±1,08 NS
Volume sistólico final (ml) 45,44±4,34 40,22±3,41 NS
Volume diastólico final (ml) 105,52±6,27 101,31±5,00 NS
Pressão arterial pulmonar (mmHg) 27,51±0,93 27,17±1,06 NS
Regurgitação mitral
Ausente 5 (11,1%) 9 (25,7%) NS
Leve 37 (82,2% 9 (25,7%) NS
Moderada 3 (6,7%) 3 (8,6%) NS
Regurgitação aórtica
Ausente 12 (26,7%) 13 (37,1%) NS
Leve 30 (66,7%) 21 (60%) NS
Moderada 3 (6,7%) 1 (2,9%) NS
Regurgitação tricúspide
Ausente 32 (71,1%) 23 (65,7%) NS
Leve 12 (26,7%) 12 (34,3%) NS
Moderada 1 (2,2%) NS
Velocidade de esvaziamento de pico do AAE (cm/s) 37,05±1,73 -
Velocidade de esvaziamento média do AAE (cm/s) 29,82±1,45 -
Velocidade de enchimento de pico do AAE (cm/s) 36,68±1,77 -
Velocidade de enchimento média do AAE (cm/s) 29,60±1,41 -

FA: fibrilação atrial; DSFVE: diâmetro sistólico final ventricular esquerdo; DDFVE: diâmetro diastólico final ventricular esquerdo; AAE: apêndice atrial esquerdo; NS: não significativo; p >0,05.

Após cardioversão, 41 pacientes (91,1%) reverteram ao RS. Observou-se recorrência da FA em um paciente 7 horas após o procedimento, e em outro paciente 10 horas após o procedimento. Ao final do primeiro mês, 32 pacientes (71,1%) apresentavam RS. Os valores de strain atrial e strain rate dos pacientes que reverteram ao RS e permaneceram assim foram comparados aos do grupo controle. No grupo com FA, os valores de LAε da 1ª hora (2,61%±0,13) e da 24ª hora (3,06%±0,19) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (6,45%±0,27) (p<0,0001). Ao final do primeiro mês, não houve diferença significativa entre os dois grupos. No grupo com FA, os valores de LAsSR da 1ª hora (0,61±0,04s-1) e da 24ª hora (0,75±0,04s-1) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (1,35±0,04s-1) (p<0,0001). Ao final do primeiro mês, não houve diferença estatisticamente significativa. No grupo com FA, os valores de SEPε da 1ª hora (3,0%±0,22) e da 24ª hora (3,19%±0,15) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (6,23%±0,49) (p<0,0001). Da mesma forma, ao final do primeiro mês, não houve diferença estatisticamente significativa. No grupo com FA, os valores de SEPsSR da 1ª hora (0,76±0,04s-1) e da 24ª hora (0,78±0,04s-1) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (1,42±0,06s-1) (p<0,0001). Ao final do primeiro mês, não houve diferença significativa entre os dois grupos. No grupo com FA, os valores de RAε da 1ª hora (4,03%±0,38) e da 24ª hora (4,50%±0,47) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (10,12%±0,64) (p<0,0001). No grupo com FA, os valores de RAsSR da 1ª hora (1,13±0,06s-1) e da 24ª hora (1,23±0,07s-1) foram significativamente mais baixos do que no grupo controle (2,10±0,08s-1) (p<0,0001). Ao final do primeiro mês, não houve diferença significativa em RAsSR do grupo com FA (2,07±0,10s-1) quando comparado ao grupo controle (2,10±0,08s-1).

As velocidades de fluxo transvalvar mitral e tricúspide foram avaliadas no grupo com FA e comparadas às do grupo controle (Tabelas 3 e 4).

Tabela 3 Comparação dos parâmetros ecocardiográficos convencionais de função atrial esquerda entre os dois grupos após cardioversão 

Grupo FA Grupo controle Valor de p
Velocidade E mitral (m/s)
1ª hora 0,82±0,04 0,83±0,02 NS
24ª hora 0,80±0,04 0,83±0,02 NS
1º mês 0,81±0,04 0,83±0,02 NS
Velocidade A mitral (m/s)
1ª hora 0,61±0,04 0,79±0,02 0,016
24ª hora 0,64±0,03 0,79±0,02 0,029
1º mês 0,79±0,04 0,79±0,02 NS
Razão E/A mitral
1ª hora 1,34±0,10 1,16±0,04 0,004
24ª hora 1,30±0,08 1,16±0,04 0,018
1º mês 1,10±0,04 1,16±0,04 NS
Integral tempo-velocidade A mitral
1ª hora 5,84±0,38 6,20±0,17 NS
24ª hora 6,12±0,41 6,20±0,17 NS
1º mês 6,56±0,51 6,20±0,17 NS
Força de contração atrial esquerda (kdina)
1ª hora 8,23±0,96 11,82±0,61 0,015
24ª hora 9,36±0,99 11,82±0,61 0,043
1º mês 11,67±1,01 11,82±0,61 NS

FA: fibrilação atrial; NS: não significativo; p > 0,05.

Tabela 4 Comparação dos parâmetros ecocardiográficos convencionais de função atrial direita entre os dois grupos após cardioversão 

Grupo FA Grupo controle Valor de p
Velocidade E VT (m/s)
1ª hora 0,52±0,01 0,58±0,02 NS
24ª hora 0,54±0,01 0,58±0,02 NS
1º mês 0,55±0,02 0,58±0,02 NS
Velocidade A VT (m/s)
1ª hora 0,36±0,01 0,44±0,01 0,04
24ª hora 0,40±0,01 0,44±0,01 NS
1º mês 0,45±0,01 0,44±0,01 NS
Razão E/A VT
1ª hora 1,36±0,04 1,26±0,06 NS
24ª hora 1,35±0,03 1,26±0,06 NS
1º mês 1,22±0,03 1,26±0,06 NS
Integral tempo-velocidade A VT
1ª hora 3,86±0,19 4,72±0,24 NS
24ª hora 4,21±0,21 4,72±0,24 NS
1º mês 4,66±0,23 4,72±0,24 NS
Força de contração atrial direita (kdina)
1ª hora 3,03±0,21 5,88±0,43 0,010
24ª hora 3,28±0,21 5,88±0,43 0,023
1º mês 5,45±0,36 5,88±0,43 NS

FA: fibrilação atrial; VT: valva tricúspide; NS: não significativo; p >0,05.

Na análise de subgrupo do estudo, os pacientes submetidos a cardioversão devido a FA foram divididos em dois grupos de acordo com a duração da FA: menos de 1 ano (Grupo A) e mais de 1 ano (Grupo B). Tais grupos foram comparados entre si e com o grupo controle (Grupo C). O Grupo A tinha 24 pacientes (idade média de 57,63±2,13 anos), o Grupo B tinha 17 pacientes (idade média de 61,38±1,70 anos) e o Grupo C, 35 pacientes (idade média de 55,83±1,65 anos). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos em termos de fatores de risco, área de superfície corporal, diâmetro do átrio esquerdo, tamanho do ventrículo esquerdo, volumes do ventrículo esquerdo, fração de ejeção e fração de encurtamento do ventrículo esquerdo, e insuficiências valvares.

Ao se comparar os pacientes dos Grupos A e B, que reverteram ao RS após uma bem-sucedida cardioversão, observamos que, enquanto LAε e RAε, LAsSR e RAsSR foram similares nas 1ª e 24ª horas, foram significativamente mais baixos no Grupo B ao final do primeiro mês (6,38%±0,45 e 4,46%±0,34, p=0,01; 11,66%±1,22 e 6,88%±0,32, p=0,02; 1,53±0,13s-1 e 1,05±0,03s-1, p=0,02; 2,22±0,08s-1 e 1,78±0,23s-1, p=0,04, respectivamente). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos em termos de SEPε e SEPsSR. Quando o Grupo B foi comparado ao Grupo C, os valores de LAε e RAε, LAsSR e RAsSR do Grupo B foram significativamente mais baixos (4,46%±0,34 e 6,45%±0,27, p=0,03; 6,88%±0,32 e 10,12%±0,64, p=0,02; 1,05±0,03s-1 e 1,35±0,04s-1, p=0,03; 1,78±0,23s-1 e 2,10±0,08s-1, p=0,04; respectivamente). Não houve diferença estatisticamente significativa entre o Grupo A e o Grupo C ao final do primeiro mês em termos de strain atrial e strain rate (Tabela 5).

Tabela 5 Comparação dos parâmetros strain atrial e strain rate conforme duração da FA 

Grupo A
(n=24)
Grupo B
(n=17)
Grupo C
(n=35)
Valor de p
A-B A-C B-C
LAε (%)
1ª hora 2,72±0,13 2,45±0,25 6,45±0,27 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 3,09±0,24 3,02±0,34 6,45±0,27 NS <0,0001 <0,0001
1º mês 6,38±0,45 4,46±0,34 6,45±0,27 0,01 NS 0,03
SEPε (%)
1ª hora 3,21±0,36 2,75±0,22 6,23±0,49 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 3,17±0,18 3,22±0,26 6,23±0,49 NS <0,0001 <0,0001
1º mês 6,17±0,67 5,79±0,60 6,23±0,49 NS NS NS
RAε (%)
1ª hora 3,80±0,33 3,31±0,33 10,12±0,64 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 5,10±0,70 4,51±0,32 10,12±0,64 NS <0,0001 <0,0001
1º mês 11,66±1,22 6,88 ± 0,32 10,12±0,64 0,02 NS 0,02
LAsSR(s¯1)
1ª hora 0,67±0,06 0,53±0,06 1,35±0,04 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 0,86±0,07 0,59±0,06 1,35±0,04 0,013 <0,0001 <0,0001
1º mês 1,53±0,13 1,05±0,03 1,35±0,04 0,02 NS 0,03
SEPsSR (s¯1)
1ª hora 0,83±0,05 0,67±0,07 1,42±0,04 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 0,83±0,05 0,70±0,07 1,42±0,04 NS <0,0001 <0,0001
1º mês 1,35±0,09 1,28±0,11 1,42±0,04 NS NS NS
RAsSR (s¯1)
1ª hora 1,16±0,07 1,08±0,13 2,10±0,08 NS <0,0001 <0,0001
24ª hora 1,32±0,09 1,08±0,14 2,10±0,08 NS <0,0001 <0,0001
1º mês 2,22±0,08 1,78±0,23 2,10±0,08 0,04 NS 0,04

FA: fibrilação atrial; LAε: strain de pico sistólico de átrio esquerdo; SEPε: strain de pico sistólico do septo; RAε: strain de pico sistólico de átrio direito; LAsSR: strain rate de pico sistólico de átrio esquerdo; SEPsSR: strain rate de pico sistólico do septo; RAsSR: strain rate de pico sistólico de átrio direito; NS: não significativo; p >

Quando os parâmetros ecocardiográficos convencionais foram avaliados, não houve diferença estatisticamente significativa entre os três grupos ao final do primeiro mês em relação às medidas de velocidade de fluxo da onda A transvalvar mitral e tricúspide, integrais velocidade-tempo, razões E/A diastólicas e força de contração atrial (Tabela 6).

Tabela 6 Comparação dos parâmetros ecocardiográficos convencionais de função atrial esquerda e direita conforme duração da FA 


Grupo A
(n=24)
Grupo B
(n=17)
Grupo C
(n=35)
Valor de p
A-B A-C B-C
Força de contração atrial esquerda (kdina)
1ª hora 10,05±1,40 5,50±0,83 12,40±0,66 0,019 NS <0,0001
24ª hora 10,98±1,39 6,59±0,92 12,40±0,66 0,032 NS <0,0001
1º mês 12,32±1,16 10,63±1,42 12,40±0,66 NS NS NS
Velocidade A mitral (m/s)
1ª hora 0,73±0,05 0,45±0,07 0,79±0,04 <0,0001 NS <0,0001
24ª hora 0,69±0,04 0,51±0,07 0,79±0,04 0,04 NS <0,0001
1º mês 0,76±0,06 0,68±0,05 0,79±0,04 NS NS NS
Integral tempo-velocidade A mitralw
1ª hora 6,73±0,56 4,58±0,25 7,20±0,17 0,004 NS <0,0001
24ª hora 6,94±0,59 4,80±0,27 7,20±0,17 0,01 NS <0,0001
1º mês 7,18±1,08 7,17±0,97 7,20±0,17 NS NS NS
Razão E/A mitral
1ª hora 1,24±0,08 2,05±0,15 1,16±0,08 <0,0001 NS <0,0001
24ª hora 1,18±0,06 1,73±0,12 1,16±0,08 0,004 NS 0,001
1º mês 1,12±0,05 1,32±0,13 1,16±0,08 NS NS NS
Força de contração atrial direita (kdina)
1ª hora 3,11±0,24 2,91±0,40 4,88±0,11 NS 0,016 0,0001
24ª hora 3,33±0,20 3,21±0,45 4,88±0,11 NS NS 0,001
1º mês 4,68±0,39 4,40±0,70 4,88±0,11 NS NS NS
Velocidade A VT (m/s)
1ª hora 0,42±0,01 0,33±0,01 0,44±0,01 0,005 NS 0,0001
24ª hora 0,42±0,01 0,35±0,01 0,44±0,01 0,023 NS 0,005
1º mês 0,45±0,01 0,41±0,02 0,44±0,01 NS NS NS
Integral tempo-velocidade A VT
1ª hora 4,40±0,22 3,76±0,19 4,72±0,24 NS NS NS
24ª hora 4,49±0,23 3,91±0,20 4,72±0,24 NS NS NS
1º mês 4,67±0,23 4,18±0,23 4,72±0,24 NS NS NS
Razão E/A VT
1ª hora 1,27±0,03 1,44±0,07 1,26±0,06 NS NS NS
24ª hora 1,26±0,03 1,31±0,07 1,26±0,06 NS NS NS
1º mês 1,17±0,04 1,19±0,09 1,26±0,06 NS NS NS

FA: fibrilação atrial; VT: valva tricúspide; NS: não significativo; p >0,05.

Discussão

Um dos principais resultados do nosso estudo foi, no período inicial, a depressão da função contrátil nos átrios direito e esquerdo ao se comparar pacientes com FA persistente, que reverteram ao RS após cardioversão farmacológica ou elétrica, a um grupo controle. Usando-se parâmetros ecocardiográficos convencionais, strain atrial e strain rate, as funções atriais mostraram-se recuperadas ao final do primeiro mês. Além disso, a duração da FA antes da cardioversão mostrou ser o mais importante fator relacionado à gravidade do atordoamento atrial.

Define-se atordoamento atrial como a disfunção mecânica temporária do átrio e apêndice atrial, que se desenvolve depois de reversão ao RS através de cardioversão em pacientes com FA. A incidência de atordoamento atrial varia entre 38% e 80%.2

A importância do atordoamento atrial em pacientes que revertem ao RS após cardioversão deve-se à possibilidade de formação de trombos, propiciando a ocorrência de eventos tromboembólicos. Os fatores determinantes da duração e gravidade do atordoamento atrial incluem a duração da FA, tamanho do átrio e presença de cardiopatia estrutural subjacente. A duração da FA antes da cardioversão é o mais importante fator determinante da duração e gravidade do atordoamento atrial. À medida que aumenta a duração da FA, há um atraso na taxa de recuperação do atordoamento atrial.4 Outro fator que determina a duração e a gravidade da disfunção mecânica atrial é o tamanho do átrio. Alguns estudos demonstraram associação entre tamanho do átrio esquerdo e atordoamento atrial. Ao comparar pacientes com átrios esquerdos grandes a outros com átrios esquerdos normais, Mattioli et al.5 demonstraram atordoamento atrial mais grave e prolongado naqueles com átrios maiores. Ao avaliar a velocidade de fluxo no apêndice atrial esquerdo através de ETE, o estudo de Omran et al.6 mostrou que, à medida que aumentava o tamanho do átrio esquerdo, diminuía a velocidade de fluxo. O nosso estudo teve o objetivo de avaliar a função contrátil atrial e o atordoamento atrial com os novos parâmetros ecocardiográficos de strain atrial e strain rate em pacientes que reverteram ao RS após cardioversão, e compará-los aos parâmetros ecocardiográficos convencionais.

A duração da FA antes da cardioversão é o mais importante determinante da duração e da gravidade do atordoamento atrial. Quanto maior a duração da FA, maior o tempo para recuperação do atordoamento atrial.5,7-11 Em seu estudo, Manning et al.8 demonstraram: recuperação imediata do atordoamento atrial em pacientes cuja duração da FA foi menor do que duas semanas antes da cardioversão; recuperação em 24 horas em pacientes com duração de FA de duas a seis semanas; e recuperação em uma semana naqueles com duração de FA superior a seis semanas. Em seu estudo sobre FA com pacientes submetidos a cardioversão farmacológica e elétrica, Shapiro et al.11 não observaram diferença no atordoamento atrial entre aqueles com duração de FA inferior a uma semana e o grupo controle. Entretanto, observaram velocidade de fluxo transmitral significativamente menor nos pacientes com FA de duração superior a uma semana quando comparados ao grupo controle e ao grupo com FA de duração inferior a uma semana.

Na análise de subgrupo do nosso estudo, comparamos os pacientes com FA de duração superior a 1 ano com outros de duração inferior a 1 ano e com um grupo controle. Para aqueles com FA de duração superior a 1 ano, ao final do primeiro mês observaram-se valores mais baixos de strain atrial e strain rate para os átrios direito e esquerdo em comparação aos pacientes com FA de duração inferior a 1 ano e ao grupo controle. Enquanto resultados significativos foram encontrados nas avaliações da 1ª hora e da 24ª hora nos parâmetros ecocardiográficos convencionais para disfunção mecânica atrial, não houve diferença estatisticamente significativa ao se comparar os grupos controle e com FA de duração inferior a 1 ano ao final do primeiro mês. Em todos os pacientes que reverteram ao RS, as ondas "p" foram visualizadas no ECG após cardioversão, o que reflete atividade atrial elétrica. Entretanto, observou-se depressão da função atrial mecânica com os parâmetros ecocardiográficos convencionais e as avaliações de strain atrial e strain rate.

A onda "A", que reflete contração atrial, foi demonstrada na ecodopplercardiografia dos fluxos mitral e tricúspide em todos os pacientes no período imediatamente seguinte à cardioversão. Entretanto, disfunção atrial contrátil foi detectada na avaliação de strain atrial e strain rate. A demonstração da presença de onda "A" não é adequada para avaliação da função atrial contrátil com ecodopplercardiografia em pacientes que retornaram ao RS após cardioversão. A superioridade da avaliação de strain atrial e strain rate em relação aos métodos convencionais pode ser explicada pelo alongamento e encurtamento direto e quantitativo das miofibrilas atriais. Há poucos estudos na literatura para avaliar função atrial sistólica através de exame ecocardiográfico de strain atrial e strain rate. Em seu estudo, Inaba et al.12 demonstraram que antes da expansão do átrio esquerdo, o alongamento passivo da parede atrial acha-se comprometido em pacientes com FA paroxística; como tal patologia não pode ser evidenciada com os métodos ecocardiográficos convencionais, a demonstração foi feita no período inicial da doença com ecocardiografia com strain rate. Modesto et al.13 compararam parâmetros ecocardiográficos convencionais com os parâmetros strain atrial e strain rate para determinar a prevalência de disfunção atrial em pacientes com amiloidose cardíaca. O resultado desse estudo evidenciou que, em pacientes com amiloidose cardíaca, enquanto as funções atriais eram normais segundo os parâmetros ecocardiográficos convencionais, disfunção atrial ficou demonstrada quantitativamente por avaliação de strain atrial e strain rate. Os resultados obtidos no nosso estudo estão de acordo com os daqueles outros dois. Além disso, as velocidades de pico (A) mitral e tricúspide são afetadas por vários fatores, como complacência ventricular, frequência cardíaca, local em que a amostra é obtida, pré- e pós-carga.14,15 Os demais parâmetros convencionais, incluindo a razão E/A, intervalo de tempo-velocidade da onda A e força de contração atrial, são usados para calcular a velocidade de pico A através das valvas. Estudos clínicos e experimentais demonstraram remodelamento estrutural levando a fibrose e cardiomiopatia atriais como resposta a arritmia atrial. Tal remodelamento estrutural acha-se associado à duração da FA e é um processo progressivo. Por vezes o remodelamento estrutural pode não voltar completamente ao normal, em especial devido ao desenvolvimento de fibrose e cardiomiopatia atriais em pacientes com FA de longa duração.16 Um estudo mostrou deterioração mais grave da função mecânica atrial em pacientes com FA por mais de três anos, assim como maior demora para a recuperação da disfunção mecânica após cardioversão.17 Nosso estudo com ecocardiografia com strain atrial e strain rate mostrou que o atordoamento atrial continuou ao final do primeiro mês nos pacientes com FA de duração superior a 1 ano. Devido à longa duração da FA nesses casos, o processo progressivo de remodelamento estrutural afeta os miócitos atriais mais gravemente, propiciando uma base para o desenvolvimento de cardiomiopatia atrial.

Implicação clínica

Ecocardiografia com strain atrial e strain rate é útil para a avaliação do atordoamento atrial em pacientes com FA que reverteram ao RS. Naqueles submetidos a cardioversão devido a FA persistente, tal método é superior à medida da onda A a partir das valvas mitral e tricúspide com Doppler pulsado e os parâmetros dependentes da onda A, integral velocidade-tempo, razão E/A e força de contração atrial, para a demonstração da continuação do atordoamento atrial. O exame ecocardiográfico com strain atrial e strain rate reflete funções atriais sistólicas quantitativamente, podendo ser usado com segurança tanto na fase de diagnóstico quanto de planejamento do tratamento farmacológico ótimo, incluindo anticoagulação nos casos de atordoamento atrial persistente.

Limitação do estudo

As principais limitações deste estudo foram a curta duração do seguimento e o relativamente pequeno número de pacientes, que pode não representar toda uma população. Logo, a inclusão de um grupo maior e mais representativo de participantes forneceria um quadro mais abrangente. Não analisamos as funções diastólica e sistólica através de hemodinâmica e exames bioquímicos. A avaliação da relação entre strain atrial, strain rate e funções diastólica e sistólica através de hemodinâmica e exames bioquímicos pode ser mais esclarecedora.

Conclusão

Os resultados deste estudo-piloto sobre atordoamento atrial mostraram a superioridade dos parâmetros strain atrial e strain rate em relação aos parâmetros ecocardiográficos convencionais para avaliar pacientes com FA que reverteram ao RS. Isso precisa ser confirmado em estudos com maior tamanho amostral e mais longo seguimento.

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