Stress in nursing students: study on sociodemographic and academic vulnerabilities

Stress in nursing students: study on sociodemographic and academic vulnerabilities

Autores:

Virna Ribeiro Feitosa Cestari,
Islene Victor Barbosa,
Raquel Sampaio Florêncio,
Vera Lúcia Mendes de Paula Pessoa,
Thereza Maria Magalhães Moreira

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.30 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201700029

Introdução

O índice de desordens psíquicas tem aumentado consideravelmente em todo o mundo e sua distribuição difere entre classes sociais, sexos e diferentes fases do ciclo de vida. Tal condição tem gerado interesse sobre os determinantes, sendo o estresse o de maior ocorrência entre essas desordens.1 Atualmente, a palavra estresse é entendida como experiência de tensão, irritação, cujo organismo reage a componentes físicos ou psicológicos quando há situação que provoque medo, excitação ou confusão, que podem desencadear manifestações de depressão, taquicardia, desordem digestiva, entre outros.2

As pressões biopsicossociais são responsáveis por desequilíbrios na homeostase do indivíduo, prejudicando o desempenho nas mais variadas circunstâncias.3 Essas pressões geradoras de estresse são vivenciadas em diversas oportunidades na vida pessoal, social, profissional e durante a trajetória acadêmica.

O estresse acadêmico vem recebendo significativo interesse nacional e internacional, uma vez que estudantes universitários vivenciam inúmeras situações que contribuem para o seu crescimento e desenvolvimento, gerando também sentimentos como frustação, temores e angústias. Assim, o ambiente que seria favorável para edificação do conhecimento profissional torna-se, por vezes, o desencadeador de distúrbios patológicos.4

Os cursos da área de saúde, geralmente, possuem no currículo atividades práticas, diante das quais os estudantes geralmente percebem suas limitações quanto ao conhecimento.5 Por conseguinte, os estudantes da área da saúde experimentam elevados níveis de estresse, sobretudo aqueles que cursam a graduação em Enfermagem, pela maior proximidade e permanência junto a pacientes e problemas de saúde destes.6Embora os estudantes não tenham as responsabilidades de enfermeiros, precisam se adaptar a um novo modelo de vida, assumindo responsabilidades como estudar, enfrentar provas, além de aulas práticas e estágios.7 Acrescenta-se, ainda, que a falta de suporte adequado às pressões vivenciadas no cotidiano das práticas, inconstâncias do trabalho e lidar com a morte contribuem para os altos níveis de estresse.8

Devido à complexidade do curso e o lidar com os limites humanos, os estudantes de Enfermagem podem desenvolver sentimentos de incapacidade frente às atividades exigidas durante a formação. Torna-se válido discutir essa questão, uma vez que o estresse ocasiona repercussões cognitivas negativas. Aquele que prestará cuidado também requer cuidados para manter a saúde física e mental em níveis adequados e satisfatórios.8-10

Na literatura brasileira, percebe-se que os materiais existentes estão voltados aos contextos socioculturais e ambientais do Sul do Brasil, com poucos estudos referentes ao estresse em estudantes de graduação do nordeste brasileiro. Conhecer o perfil dos acadêmicos de Enfermagem com fatores preditivos para ocorrência de estresse é relevante, à medida que os resultados podem contribuir para o planejamento e a programação de ações desenvolvidas pela instituição de ensino que contemplem suas reais necessidades.

Nesse estudo, objetivou-se analisar a associação entre a presença de estresse em estudantes de enfermagem e vulnerabilidades sociodemográficas e acadêmicas.

Métodos

Estudo analítico, realizado no Curso de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde, de uma Instituição de Ensino Superior (IES) privada, localizada em Fortaleza-Ceará-Brasil. A escolha pela instituição ocorreu por esta ser a única Universidade particular existente no Estado, inaugurada em 1973, e por possuir grande quantitativo de discentes matriculados no curso de Enfermagem.

Para a formação superior do profissional em questão, a IES exige um tempo mínimo de cinco anos, cujas disciplinas acontecem nos três períodos do dia (manhã, tarde e noite). Com base nessa informação, a população do estudo foi composta por 455 acadêmicos, distribuídos entre o primeiro, terceiro e quinto anos do curso de graduação em Enfermagem. Optou-se pela escolha dos acadêmicos do primeiro ano (1º e 2º semestres), pois se deparam com a realidade da vida acadêmica, iniciando a formação para o trabalho com as suas expectativas e as primeiras impressões sobre o curso; do terceiro ano porque estão iniciando suas atividades práticas (5º e 6º semestres), até então não vivenciadas, onde entram em contato com o paciente e toda a subjetividade que este apresenta; e do quinto ano, pois já estão finalizando a formação, atuando dentro dos serviços de saúde na modalidade de estágio supervisionado (9º e 10º semestres) e muitas vezes lidando com medos e angústias de ingressar no mercado de trabalho e atuar como enfermeiros, cientes de seus direitos e deveres.

O cálculo amostral foi realizado a partir do número de discentes matriculados nos semestres supracitados no último ano, totalizando 700 discentes. Com base nesses dados, efetuou-se o cálculo de amostras para população finita, com 95% de confiança, erro de 3% e considerando estimativa da proporção igual a 50% (devido prevalência desconhecida), foi obtido tamanho de amostra igual a 423 indivíduos, para atender ao requisito estatístico de validade.

Estabeleceram-se como critérios de inclusão: acadêmicos matriculados regularmente no primeiro, terceiro e quinto anos do curso de graduação em enfermagem, na modalidade presencial; nos períodos diurno, vespertino e noturno; e ter idade igual ou superior a 18 anos.

A coleta de dados ocorreu no primeiro quadrimestre de 2014, com aplicação de dois instrumentos: questionário com informações sociodemográficas e acadêmicas para caracterização dos discentes [semestre em curso, idade (anos completos), sexo, estado civil/situação familiar (solteiro, casado, divorciado, mora com companheiro), número de filhos, atividade remunerada (trabalho), com quem reside (pais/familiares, sozinho, república, cônjuge) e identificação do responsável pelo custeio da faculdade (financiamento estudantil integral ou parcial]; e o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), que avalia o estado de estresse (presença ou ausência). Os questionários foram distribuídos aos participantes nas salas de aulas, durante realização de atividades teóricas.

Para armazenamento, processamento e análise estatística dos dados, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 18.0. As variáveis categóricas foram resumidas por estatísticas descritivas de frequências (absolutas e relativas). A associação entre as variáveis e a presença de estresse foi avaliada pelo teste do qui-quadrado de Pearson, sendo considerado estatisticamente significativo o valor de p<0,05, a força dessa associação pelo cálculo das razões de chances (Odds Ratio - OR) e regressão logística pelo método backward para ajuste do modelo. Para entrada das variáveis no modelo, foi considerado o p<0,20 e para a sua permanência o p<0,05.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza (n°168.791), conforme Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde.

Resultados

Com base no semestre cursado, estratificaram-se os participantes em 162 pessoas, 142 e 151, respectivamente, no primeiro, terceiro ou quinto anos do curso. Destaque-se que 64% do total dos discentes pesquisados nos três anos de estudo apresentaram estresse (Figura 1).

Figura 1 Distribuição da presença/ausência de estresse entre os discentes de enfermagem participantes deste estudo 

Ademais, verificaram-se características sociodemográficas e acadêmicas relacionadas ao estado de estresse. Na tabela 1, estão apresentadas as características sociodemográficas e sua relação com o estado de estresse.

Tabela 1 Associação entre as características sociodemográficas e o estresse entre os discentes de enfermagem 

Variáveis Estado de estresse p-value Odds Ratio (Intervalo de confiança 95%)
Presença Ausência
n(%) n(%)
Sexo
Feminino 280(65,4) 148(34,6) 0,010 2,75(1,24-6,08)
Masculino 11(40,7) 16(59,3) 1
Faixa etária (em anos)
< 30 243(62) 149(38) 0,029 0,51(0,27-0,94)
> 30 48(76,2) 15(23,8) 1
Situação conjugal
Sem companheiro 221(59,7) 149(40,3) <0,001 0,31(0,17-0,57)
Com companheiro 70(82,4) 15(17,6) 1
Presença de filho(s)
Sim 41(85) 9(15) <0,001 3,660(1,75-7,64)
Não 240(60,8) 155(39,2) 1
Situação ocupacional
Trabalha e estuda 91(78,4) 25(21,6) <0,001 2,530(1,54-4,14)
Só estuda 200(59) 139(41) 1
Tipo de residência
Sozinho 59(59) 41(41) 0,243 0,763(1,48-1,20)
Acompanhado 232(65,4) 123(34,6) 1
Ano de estudo
3º e 5º 215(73,4) 86(26,6) <0,001 3,12(2,08-4,67)
76(46,9) 78(53,1) 1
Forma de Custeio dos estudos
Por meio próprio 31(83,8) 06(16,2) 0,009 3,14(1,28-7,69)
Por terceiros 260(62,2) 158(37,8) 1

Os 455 acadêmicos avaliados eram predominantemente do sexo feminino (94,06%), sendo o número de casos de estresse encontrado em 64% dos estudantes. Houve maior proporção de casos de estresse entre mulheres (65,4%), quando comparados com homens (40,7%). A idade variou de 18 a 49 anos, com média de 22,25 ± 5,4 anos; verificou-se que 86,2% dos indivíduos estavam na faixa etária entre 18 e 29 anos. Em análise a situação conjugal, observou-se a presença de acadêmicos sem companheiros (81,3%).

A presença de pelo menos um filho foi referida por 13,2% dos discentes, dentre os quais, 85% apresentaram estresse. Em torno de 25,5% dos discentes exerciam atividade remunerada e cerca de 22% residiam sozinhos. Observou-se ainda que houve maior proporção de estresse no último ano, sendo a presença dessa condição distribuída de forma crescente quando comparados os discentes do primeiro, terceiro e quinto anos, com 46,9%, 62,7% e 83,4%, respectivamente.

Quando indagados sobre a forma de custeio dos estudos, constatou-se prevalência do custeio por terceiros (91,9%), pelo financiamento estudantil integral e parcial (24,4% e 13,4%, respectivamente), por pais, responsável (51,6%) ou outros (2,4%). Ao demonstrar-se a relação do custeio com o estado de estresse, a experiência do estresse foi maior entre aqueles que por si custeavam os estudos.

Percebeu-se que o estresse esteve associado a: sexo (p<0,010), faixa etária (p<0,029), situação conjugal (p<0,001), presença de filhos (p<0,001), situação ocupacional (p<0,001), custeio dos estudos (p<0,009) e ano em curso (p<0,001).

Na tabela 2, encontram-se os modelos de regressão logística do estresse, considerando as variáveis sociodemográficas e acadêmicas.

Tabela 2 Etapas do modelo de regressão logística 

Etapas B (erro padrão) Odds ratio ajustado Intervalo de confiança a 95% p-value
Inferior Superior
1ª etapa
Constante -3,013(0,698) 0,049 0,000
Sexo 1,512(0,467) 4,534 1,814 11,334 0,490
Faixa etária (em anos) 0,264(0,382) 1,302 0,616 2,752 0,001
Situação conjugal -0,655(0,353) 0,519 0,260 1,037 0,063
Presença de filho(s) 0,666(0,425) 1,935 0,841 4,453 0,121
Situação ocupacional 0,599(0,305) 1,820 1,000 3,311 0,050
Ano de estudo 1,011(0,220) 2,749 1,786 4,230 <0,001
Forma de Custeio dos estudos 1,034(0,549) 2,813 0,959 8,253 0,060
2ª etapa
Constante -2,838(0,643) 0,059 0,000
Sexo 1,532(0,468) 4,629 1,849 11,592 0,001
Situação conjugal -0,614(0,346) 0,541 0,274 1,067 0,076
Presença de filho(s) 0,630(0,422) 1,877 0,821 4,290 0,135
Situação ocupacional 0,556(0,298) 1,743 0,972 3,127 0,062
Ano de estudo 0,995(0,218) 2,703 1,762 4,148 <0,001
Forma de Custeio dos estudos 0,947(0,531) 2,579 0,911 7,303 0,074
3ª etapa
Constante -2,258(0,505) 0,105 0,000
Sexo 1,567(0,467) 4,794 1,920 11,970 0,001
Situação conjugal -0,826(0,320) 0,438 0,234 0,820 0,010
Situação ocupacional 0,572(0,297) 1,771 0,989 3,171 0,055
Ano de estudo 1,026(0,217) 2,789 1,821 4,270 0,001
Forma de Custeio dos estudos 0,939(0,528) 2,558 0,908 7,203 0,075

R2 = 0,128 (Cox e Snell); R2= 0,176 (Nagelkerke); x2 do modelo= 62,537; p<0,001

Conforme mostra a tabela 2, permaneceram no modelo final da regressão: sexo, situação conjugal e ano de estudo. Essa evidência mostra que as mulheres, os estudantes com companheiro e aqueles no último ano de estudo tiveram maiores chances de apresentar estresse.

Discussão

A prevalência de estresse entre os grupos populacionais está crescendo,11-14 este fato também é observado constantemente entre os estudantes de enfermagem. A prevalência de estresse chega a 82,6%,15ratificando a necessidade de se estudarem os fatores relacionados a este estado psíquico.

A partir dos dados encontrados, este perfil foi corroborado por outros estudos nacionais e internacionais, os quais verificaram a presença de estresse em discentes de enfermagem com idade entre 18 e 25 anos, predominância do sexo feminino, sem companheiros e filhos, sem atividade remunerada e residindo com pais ou responsáveis.1,2

Em análise dos dados em relação ao sexo dos participantes deste estudo, verificou-se o predomínio de estudantes do sexo feminino. Esses dados reforçam estudos existentes sobre a temática que evidencia a predominância de mulheres na graduação em Enfermagem. Este predomínio tem relação com o preconceito existente em torno da imagem da profissão: historicamente, a Enfermagem é uma profissão feminina, pois a ideia de cuidar e proteger está atrelada à história da mulher.16,17

Ao serem estabelecidas as relações entre o estresse e as demais variáveis do estudo, constatou-se maior prevalência do estresse em acadêmicas. Estudos revelam que isso está relacionado às responsabilidades com as atividades obrigatórias da universidade, trabalho e cuidados com o lar e a família.4 A sobrecarga de responsabilidades aumenta a produção de hormônios, como o cortisol e a adrenalina, que atingem duas mulheres para cada homem, implicando altos níveis de exaustão emocional e aparecimento de quadros de ansiedade, pânico e depressão.3,18

É importante mencionar também que a amostra foi composta principalmente por adultos jovens, em consonância com a literatura. A predominância de adultos jovens pode estar relacionada à profissão ainda recente, com muitas ofertas e possibilidades no mercado de trabalho.19 Essa ocorrência de estresse pode ser atribuída aos sentimentos de insegurança, somados à irresponsabilidade e imaturidade, fazendo com que esses jovens tenham o nível de estresse realçado. Soma-se, ainda, que no momento da vivência hospitalar as mais variadas emoções se fazem presentes pela inexperiência com o sofrimento e a dor alheia.20

Em relação à situação conjugal e presença de filhos, a maioria dos acadêmicos não tinha companheiro (81,3%) e não possuía filhos (86,8%), o que indica que parte destes não se encontrava inserida no mercado de trabalho e não tinha obrigações familiares, o que torna mais fácil a dedicação ao curso. Atribui-se ao casamento ou à situação de companheiro estável e ao fato de ter filhos menor propensão ao estresse crônico.21 Contudo, observou-se que os discentes que referiram possuir pelo menos um filho apresentavam 3,66 mais chances de ter estresse.

Quanto ao tipo de residência, 78% dos discentes referiram residir acompanhados. Isso pressupõe, a princípio, isenção das responsabilidades de assumir as despesas e as tarefas diárias relacionadas à dinâmica doméstica, favorecendo que os ingressantes tenham mais disponibilidade de tempo para os estudos. No entanto, essa inferência necessita ainda de pesquisas que comprovem sua validade.16

Com relação ao custeio dos estudos, 91,9% dos acadêmicos referiram ser este realizado por terceiros. Isto permite a atenuação dos estressores associados à necessidade de trabalhar para pagar por os próprios estudos, pois os discentes que exerceram alguma atividade remunerada tiverem 3,14 mais chances de ter estresse, quando comparados àqueles que não precisavam trabalhar.

Os resultados demonstraram a ocorrência de estresse desde os discentes do primeiro ano de curso (26,1%), com aumento gradativo com o decorrer da graduação, sendo superior entre os discentes do quinto ano (43,3%), com diferença estatística significativa entre eles (p<0,006). Os dados evidenciam que, apesar de em menor intensidade, o estresse está presente nos primeiros semestres do curso de graduação em Enfermagem. Isto pode estar relacionado ao fato de que o aluno, ao adentrar na faculdade, perpassa por um processo de adaptação à fase adulta, tornando-se mais independente e responsável.

Pesquisa recente, realizada em São Paulo, buscou identificar a presença de estresse e depressão entre 88 estudantes do último ano de dois cursos de Enfermagem. Neste, aplicou-se a Escala de Stress Percebido na população, constatando que 73,9% dos discentes apresentaram posição média de estresse.22

Outro estudo objetivou investigar a síndrome de Burnout entre estudantes de graduação em Enfermagem de uma universidade pública do Sul do Brasil. A aplicação do instrumento evidenciou que os estudantes não apresentaram a síndrome de Burnout, contudo, verificaram-se manifestações altas de exaustão emocional, baixas em descrenças nos estudos e altas em eficácia profissional.23

A dedicação exigida pelos cursos da área da saúde e o sistema de avaliação contribuem para ocorrência do estresse desde o início.10 Em cada período do curso aparecem novas exigências, habilidades e competências que necessitam ser desenvolvidas e, consequentemente, elas vêm em ordem crescente, o que pode ser um dos fatores que demarcam as diferenças apresentadas entre o primeiro ano e os demais.

Sabe-se que outros fatores estão associados ao estresse, pois este estado psíquico é multideterminado e, por isso, outras variáveis devem ser investigadas. Apesar da aparente momentaneidade, o estresse carrega consigo a potencialidade para um comprometimento crônico.9 Os profissionais de saúde e da educação ao antecipar-se, identificando possíveis elementos estressores, podem minimizar as consequências negativas desse fenômeno.

Conclusão

Estudantes de Enfermagem vivenciam o sentimento de estresse, sendo que as mulheres, os estudantes com companheiro e aqueles no último ano de estudo têm maiores chances de apresentar a condição em estudo. Embora a pesquisa tenha sido realizada em apenas uma instituição de ensino, pode-se refletir sobre a realidade de outras instituições, pelo tamanho da amostra. Contudo, acredita-se serem necessárias outras investigações que associem o perfil dos discentes de Enfermagem com a presença de estresse, a fim de possibilitar novas inferências. Destaca-se, ainda, a importância de as Instituições de Ensino Superior apoiarem os estudantes em uma vida acadêmica mais saudável, pois perpassam, durante a formação, por transformações, crescimentos, fracassos, amadurecimento, e vivenciam sentimentos que podem desencadear doenças. Os dados apresentados podem oferecer subsídios ao planejamento, desenvolvimento e à implementação de estratégias que busquem o aprimoramento do processo ensino-aprendizagem, por meio de programas que ofereçam aos estudantes de Enfermagem melhores condições de enfrentamento ao estresse, contribuindo, desta forma, para prevenção e promoção da saúde, melhorando a qualidade de vida dos discentes.

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