Suporte Circulatório como Ponte para Transplante Cardíaco Pediátrico

Suporte Circulatório como Ponte para Transplante Cardíaco Pediátrico

Autores:

Fernando A . Atik

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.106 no.4 São Paulo abr. 2016

https://doi.org/10.5935/abc.20160047

Prezado Sr. Editor,

O artigo "Emprego do suporte circulatório de curta duração como ponte para o transplante cardíaco pediátrico", recentemente publicado1 em Arquivos Brasileiros de Cardiologia nos despertou grande interesse.

Caneo et al.1 publicaram a maior experiência nacional com o uso de assistência circulatória em idade pediátrica. Os autores, de acordo com a experiência relatada, demonstraram que o uso de dispositivos de assistência ventricular aumentou a possibilidade de crianças em choque cardiogênico serem transplantadas, com resultados de mortalidade ainda muito elevados, segundo experiências internacionais.2,3

Apesar de ser uma experiência digna de nota para o Brasil, seria conveniente que alguns detalhes fossem observados.

Sobre a estratificação de risco, por exemplo, Caneo et al.1 agruparam pacientes em Interagency Registry for Mechanically Assisted Circulatory Support (INTERMACS) 1 e 2 na mesma categoria, o que certamente tem diferença na gravidade do choque e na resposta terapêutica.

Mais importante que a avaliação inicial, é a resposta do paciente ao tratamento. É de extrema necessidade que a criança tenha tempo hábil para a correção da disfunção de múltiplos órgãos antes da execução do transplante. Caneo et al.1 tiveram tempo médio de 19 dias para a realização do transplante no grupo submetido à assistência circulatória mecânica, mas houve paciente que foi transplantado em 6 horas! Como os autores conduzem a criança em assistência em relação à manutenção ou não na fila de transplante? Quais são as condições mínimas do receptor para a aceitação de um eventual doador nessa fase de assistência circulatória?

A alocação de recursos é limitada em nosso meio, portanto é importante utilizá-los de forma racional e para quem tem mais chance de sobrevivência. Além disso, o número de doadores é insuficiente para atender a demanda de receptores. Utilizar doador para receptor em INTERMACS 1 e 2 não seria desperdiçar um doador para outro receptor com maiores chances? Dilemas éticos certamente estão envolvidos nessa discussão.

Gostaria de congratular Caneo et al.1 por trazer tão importante experiência para a comunidade cardiológica brasileira. Finalmente, mas não menos importante, a indisponibilidade dessa tecnologia em nosso meio constitui um grave problema, que deve contar com o apoio dos órgãos competentes, a fim de que haja capacitação e racionalização de uso em centros de referência de transplante cardíaco.

REFERÊNCIAS

1 Canêo LF, Miana LA, Tanamati C, Penha JG, Shimoda MS, Azeka E, et al. Use of short-term circulatory support as a bridge in pediatric transplantation. Arq Bras Cardiol. 2015;104(1):78-84.
2 Reinhartz O, Maeda K, Reitz BA, Bernstein D, Luikart H, Rosenthal DN, et al. Changes in risk profile over time in the population of a pediatric heart transplant program. Ann Thorac Surg. 2015;100(3):989-95.
3 Zafar F, Khan MS, Bryant R, Castleberry C, Lorts A, Wilmot I, et al. Pediatric heart transplant waiting list mortality in the era of ventricular assist devices. J Heart Lung Transplant. 2015;34(1):82-8.
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