Tendência temporal dos casos de HIV/aids no estado de Minas Gerais, 2007 a 2016

Tendência temporal dos casos de HIV/aids no estado de Minas Gerais, 2007 a 2016

Autores:

Sybelle de Souza Castro,
Lúcia Marina Scatena,
Alfredo Miranzi,
Almir Miranzi Neto,
Altacílio Aparecido Nunes

ARTIGO ORIGINAL

Epidemiologia e Serviços de Saúde

versão impressa ISSN 1679-4974versão On-line ISSN 2237-9622

Epidemiol. Serv. Saúde vol.29 no.1 Brasília 2020 Epub 23-Mar-2020

http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742020000100016

Resumen

Objetivo:

analizar la tendencia temporal de los coeficientes de incidencia, detección y mortalidad por el Virus de la Inmunodeficiencia Humana (VIH) y Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida (Sida) en el estado de Minas Gerais, entre 2007-2016.

Métodos:

estudio de las series temporales de casos notificados del Sistema de Información de Agravamientos de Notificación (Sinan) por la regresión de Prais-Winsten. Se utilizó estadística descriptiva y análisis de series temporales.

Resultados:

había 35.349 casos y predominio de contaminación por vía sexual (81,7%), en heterosexuales (50,3%) y homosexuales (22,8%). Aumentó la tendencia de la incidencia de sida y detección de VIH +, con variación anual del 1,6% y del 60,3% (p <0,05), respectivamente. La mortalidad fue estacionaria. Aumentaron las notificaciones por el criterio de VIH +.

Conclusión:

el aumento de la tendencia de detección de VIH +, indica que la estrategia para identificación de portadores se ha mostrado apropiada, pero la incidencia de sida continua creciente.

Palabras clave: Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida; VIH; Estudios de Series Temporales; Notificación

Introdução

A síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) é um importante problema de saúde pública, considerando-se a gravidade, o caráter pandêmico, a discriminação e os custos altos requeridos para a prevenção e o tratamento. Com o aumento da sobrevida e da qualidade de vida,1 bem como a implantação de políticas públicas que asseguram a testagem e o tratamento,2,3 a doença passou a ser considerada uma condição crônica, com implicações epidemiológicas e desafios para a saúde pública mundial.4,5 Os países enfrentam desafios para aumentar a equidade social e o acesso aos testes diagnósticos para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV),6 e as taxas de incidência possuem variabilidade substancial.

Dos 35 mil casos novos de infecções por HIV que ocorrem por ano no Brasil, 40% são diagnosticados tardiamente.3 Para alterar essa realidade, implantou-se no país a notificação compulsória de pessoas infectadas, por meio da Portaria nº 1.271, de junho de 2014.7 Este registro auxilia a política de oferecimento do tratamento com antirretrovirais a partir do diagnóstico do HIV, independentemente da contagem de CD4 e do estágio da doença.8 Ademais, intensificaram-se as campanhas publicitárias para que a população faça o exame laboratorial. No entanto, a testagem precoce ainda é um desafio nacional.

O diagnóstico precoce contribui para a redução da morbimortalidade, assim como a adesão à terapia antirretroviral (TARV). Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/aids (2017),9 desde o início da epidemia foram registrados 882.810 casos de HIV/aids no país até julho de 2017, sendo 65,3% em homens, com concentração na região Sudeste (52,3%). A partir do início dos anos de 2000, houve diminuição da população que nunca realizou testagem e aumento da adesão ao tratamento.

Desde o ano de 2009, houve redução dos casos de aids em mulheres e aumento nos homens, especialmente naqueles entre 13 e 19 anos e na categoria de homens que fazem sexo com homens (HSH). Também foi observado aumento de 30% na taxa de detecção em gestantes, de 2004 a 2014. Várias transformações no perfil epidemiológico da doença foram verificadas desde o seu surgimento, incluindo-se a transmissão pelo vírus sem caráter restritivo aos grupos de risco, expandindo-se assim a possibilidade da infecção a todas as pessoas.10

Atualizar os conhecimentos sobre a dinâmica epidemiológica em várias regiões, em diversas culturas, com especificidades nas políticas públicas e acesso aos serviços de saúde voltados às pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), contribui para o desvelamento do comportamento regional da doença, com vista à melhoria das estratégias de prevenção e controle. O acesso aos meios de diagnóstico e tratamento, a adesão à terapia antirretroviral e a forma de contágio/transmissão podem ter especificidades regionais.2,9

A tendência temporal das taxas de incidência, detecção e mortalidade por HIV/aids serve para avaliação das estratégias de prevenção e controle da infecção nas diversas regiões do país. Dessa forma, o propósito deste estudo é analisar a tendência temporal das taxas de incidência, de detecção e de mortalidade por HIV/aids no estado de Minas Gerais, de 2007 a 2016.

Métodos

Trata-se de um estudo ecológico, com abordagem analítica de séries temporais.

Utilizou-se o banco de dados anonimizado do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), fornecido pela Secretaria do Estado da Saúde de Minas Gerais (SES/MG), relativo ao período de 2007 a 2016, contendo casos notificados de HIV/aids em pessoas com idade superior a 13 anos residentes no estado.

Minas Gerais possui 853 municípios e é o segundo estado mais populoso do Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado foi 0,731 em 2010, contudo existem acentuadas desigualdades entre as regiões de Minas Gerais.11

As variáveis utilizadas no estudo foram faixa etária (13 a 19 anos, 20 a 29 anos, 30 a 39 anos, 40 a 49 anos, acima de 60 anos), sexo (masculino e feminino), cor da pele/raça (branca, parda, negra, amarela, indígena), escolaridade (analfabeto, fundamental, médio, superior), zona de residência (urbana, rural), categoria de exposição (heterossexual, bissexual, homossexual, drogas, acidente com material biológico, outros), resultado do teste laboratorial (positivo, negativo, inconclusivo), gestante (sim, não, não se aplica), critérios de definição de caso (CDC-adaptado, Rio de Janeiro/Caracas, HIV, óbito por HIV/aids),12 evolução da doença (vivo, óbito por aids, óbito por outras causas) e infecções/doenças concomitantes (citomegalovirose, isosporidiose intestinal, criptosporidiose intestinal, histoplasmose disseminada, micobacteriose disseminada, câncer cervical invasivo, salmonelose, reativação da doença de Chagas, linfoma primário do cérebro, caquexia, astenia, anemia, linfopenia, trombocitopenia, candidíase oral, encefalopatia, linfadenopatia, leucoplasia pilosa, febre maior que 38ºC por mais de um mês, diarreia por tempo igual ou superior a um mês, dermatite persistente, tosse persistente ou pneumonia, disfunção do sistema nervoso central, contagem de TCD4+<350cel/mm3, candidíase de esôfago, pneumonia por Pneumocystis jirovece, toxoplasmose cerebral, herpes simples, criptococose extrapulmonar, candidíase traqueia/brônquio/esôfago, leucoencefalopatia intestinal crônica, herpes simples mucocutâneo há mais de 1 mês, herpes zóster em <60 anos, sarcoma de Kaposi, tuberculose).

Os indicadores utilizados para o estudo foram: taxa de incidência de aids (número de casos novos por aids notificados no período e região/população >13 anos x 105), taxa de mortalidade por HIV/aids (número de óbitos por HIV/aids notificados no período e região/população >13 anos x 105) e taxa de detecção de HIV+ (nº de casos de HIV+ notificados no período e região pela população>13 anos x 105). Estes indicadores foram calculados para todos os anos do período de 2007 a 2016. Como denominadores, foram utilizadas as estimativas populacionais provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a análise de tendência temporal, foram empregados modelos de regressão linear generalizados e padronizados pelo procedimento proposto por Prais-Winsten para quantificar a variação percentual anual (APC) dos indicadores, com os respectivos intervalos de confiança de 95%. A APC positiva indica que a série foi considerada crescente; quando negativa, decrescente; e, quando não foi identificada uma diferença estatisticamente significativa, considerou-se a tendência estacionária.13 As análises foram realizadas com o software IBM SPSS Statistics, versão 20.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em 5 de junho de 2017, tendo parecer de aprovação no 2.099.176. O banco de dados foi fornecido sem variáveis que permitissem a identificação dos sujeitos da pesquisa.

Resultados

De 2007 a 2016, 35.349 casos de HIV/aids foram registrados no estado de Minas Gerais. A taxa de incidência de aids passou de 12,4 casos/100 mil habitantes em 2007 para 14,0 casos/100 mil hab. em 2016, enquanto a taxa de detecção de HIV+ passou de 0,5 caso/100 mil hab., em 2007, para 27,2 casos/100 mil hab. em 2016.

A análise de séries temporais (Figura 1) revela aumento da taxa de detecção de HIV+, com variação percentual anual de 60,3% (IC95% 22,9;109,0; p=0,005). A taxa de incidência de aids também apresentou tendência crescente, com variação percentual anual de 1,6% (IC95% 0,0; 3,3; p=0,039). A taxa de mortalidade apresentou-se estacionária, com -2,5% de variação anual (IC95% -10,4; 6,1; p=0,521). O aumento do coeficiente de incidência de HIV/aids foi observado em todas as faixas etárias (Figura 2).

Figura 1 - Evolução temporal dos coeficientes de incidência de aids, detecção de HIV+ e mortalidade por HIV/aids, Minas Gerais, 2007 a 2016 

Figura 2 - Distribuição dos coeficientes de incidência/detecção de HIV/aids (por 100 mil habitantes) segundo faixa etária, Minas Gerais, 2007 a 2016 

A média de idade dos casos de HIV/aids foi de 37,3 anos (DP 11,9 anos), com mediana de 35,6 anos e intervalo interquartil de [28,1; 45,0]. Nas faixas etárias de 20 a 29 anos, de 30 a 39 anos e de 40 a 59 anos, houve maior concentração dos casos, sendo em média 30,8% em cada uma delas. A maioria dos indivíduos era do sexo masculino (n=23.982; 67,8%), de cor da pele/raça branca (n=13.921; 39,4%) ou parda (n=11.094; 31,4%), possuíam ensino fundamental (n=11.244; 31,8%) e eram moradores da zona urbana (n=32.800; 92,8% - dados não apresentados em tabela).

Houve predomínio de transmissão por via sexual em 81,7% dos casos, seguida de transmissão sanguínea por uso de drogas para 3,4% dos casos. Predominou a infecção em heterossexuais (50,3%), seguida de homossexuais (22,8%) e bissexuais (5,4%) (Tabela 1). Foram identificados com HIV/aids, por teste de triagem, 89,5% dos casos, sendo 84,1% reagentes/positivos no teste confirmatório. Salienta-se que o exame não foi realizado em 7,2% dos casos.

Tabela 1 - Distribuição dos casos de HIV/aids segundo critérios de definição de caso, evolução, gestação e categoria de exposição, Minas Gerais, 2007 a 2016 (N= 35.349) 

Critério de definição do caso N %
CDCa Adaptado 21.431 60,6
HIV+b 11.116 31,4
Rio de Janeiro/Caracas 1.979 5,6
Óbito por HIVc/aids 823 2,4
Evolução
Vivo 30.369 85,9
Óbito por aids 3.836 10,9
Ignorado 788 2,2
Óbito por outras causas 356 1,0
Gestante
Sim 541 1,5
Não 7.820 22,1
Não se aplica 25.767 72,9
Ignorado 1.221 3,5
Categoria de exposição (não excludente)
Heterossexual 17.784 50,3
Homossexual 8.051 22,8
Ignorado 6.102 17,3
Bissexual 1.918 5,4
Drogas 1.463 4,1
Perinatal 255 0,7
Outros 41 0,1
Acidente com material biológico e soroconversão 6 0,0

a) CDC: critério de definição de caso de aids adaptado do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (Centers for Disease Control and Prevention - CDC) para notificação.

b) HIV+: critério de definição de caso para notificação estar infectado pelo vírus HIV.

c) HIV: vírus da imunodeficiência humana (sigla em inglês para human immuno deficiency virus).

A maioria das notificações tinha como critério de definição de notificação para HIV/aids o critério do Centers for Disease Control and Prevention adaptado para o Brasil (CDC Adaptado), com 60,6% dos casos, porém com diminuição gradativa após o ano de 2014, sendo substituído pelo critério de notificação ser HIV+. Por seu turno, as notificações pelo critério HIV+ totalizaram 31,4% dos casos e aumentaram no período, passando de 3,8%, em 2007, para 65,1% em 2016. Verificou-se redução de 54,7% de casos notificados pelo critério Rio de Janeiro/Caracas. O critério de notificação de óbito relacionado à aids totalizou 827 casos (2,3%), significando ter a declaração de óbito relacionada à aids ou HIV+ e causa da morte associada à imunodeficiência, sem classificação por outro critério após investigação. Quanto à evolução, estavam vivos no momento da notificação 30.369 casos (85,9%). Apenas 1,5% dos casos eram gestantes (Tabelas 1 e 2).

Tabela 2 - Distribuição proporcional dos casos de HIV/aids segundo critério de definição de caso por ano, Minas Gerais, 2007 a 2016 

Ano CDC Adaptadoa HIV+b Rio de Janeiro/Caracasc Critério óbito
N % N % N % N %
2007 1.702 81,9 78 3,7 196 9,4 103 5,0
2008 1.848 83,7 89 4,0 167 7,6 103 4,7
2009 2.133 89,0 47 2,0 151 6,3 65 2,7
2010 2.017 87,3 89 3,8 128 5,5 76 3,3
2011 2.349 86,9 99 3,7 164 6,1 91 3,4
2012 2.365 84,1 183 6,5 192 6,8 72 2,6
2013 2.231 74,1 571 19,0 157 5,2 53 1,8
2014 2.269 49,9 2.010 44,2 211 4,6 60 1,3
2015 2.407 39,7 3.252 53,6 305 5,0 100 1,6
2016 2.110 29,2 4.698 65,1 308 4,3 100 1,4
Total 21.431 60,6 11.116 31,5 1.979 5,6 823 2,3

a) CDC Adaptado: critério de definição de caso de aids adaptado do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (Centers for Disease Control and Prevention - CDC) para notificação.

b) HIV+: critério de definição de caso para notificação estar infectado pelo vírus HIV.

c) Rio de Janeiro/Caracas: definição de caso para notificação segundo o critério Rio de Janeiro/Caracas.

A infecções mais frequentes nos casos de aids definidos pelo critério de CDC Adaptado foram: contagem de linfócitosTCD4+<350 cel/mm3 (14,8%), candidíase de esôfago (10,4%), pneumonia por Pneumocystis jiroveci (6,8%), toxoplasmose cerebral (5,8%) e herpes simples mucocutâneo há mais de um mês (2,6%) (Tabela 3).

Tabela 3 - Distribuição dos casos notificados de HIV/aids segundo os critérios CDC Adaptadoa e Rio de Janeiro/Caracas, Minas Gerais, 2007 a 2016 

Critério Rio de Janeiro/Caracas* N %
Caquexia com perda de peso >10 9.996 28,3
Astenia >1 mês 8.469 24,0
Anemia e/ou linfopeniae/ou trombocitopenia 6.071 17,2
Candidíase oral ou lecoplasia pilosa 5.996 17,0
Febre >38ºC por tempo >1 mês 5.348 15,1
Diarreia por tempo igual ou superior a 1 mês 5.115 14,5
Dermatite persistente 4.126 11,7
Tosse persistente ou qualquer pneumonia 3.160 8,9
Linfadenopatia >1cm, >2 sítios extrainguinais por tempo >1 mês 3.038 8,6
Disfunção do sistema nervoso central 2.385 6,7
Herpes zóster em indivíduos <60 anos 1.694 4,8
Tuberculose pulmonar cavitária ou não especificada 1.364 3,9
Tuberculose disseminada/extrapulmonar/não cavitária 924 2,6
Sarcoma de Kaposi 402 1,1
Critério CDC Adaptadoa,b
Contagem de linfócitos TCD4+ menor que 350cel./mm3 5.225 14,8
Candidíase de esôfago 3.667 10,4
Pneumonia por Pneumocystis carinii 2.412 6,8
Toxoplasmose cerebral 2.038 5,8
Herpes simples mucocutâneo (>1mês) 933 2,6
Criptococose extrapulmonar 425 1,2
Citomegalovirose (exceto fígado, baço ou linfonodos) 345 1,0
Candidíase de traqueia, brônquio ou esôfago 263 0,7
Leucoencefalopatia multifocal progressiva 228 0,6
Linfoma não Hodgkin e outros linfomas 192 0,5
Isosporidiose intestinal crônica (>1mês) 151 0,4
Criptosporidiose intestinal crônica (>1 mês) 150 0,4
Histosplasmose disseminada 126 04
Micobacteriose disseminada (exceto tuberculose e hanseníase) 98 0,3
Câncer cervical invasivo 69 0,2
Salmonelose (septicemia recorrente não tifoide) 53 0,1
Reativação da doença de Chagas 45 0,1
Linfoma primário do cérebro 41 0,1

a) CDC Adaptado: critério de definição de caso de aids adaptado do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (Centers for Disease Control and Prevention - CDC) para notificação.

b) Critérios não mutuamente excludentes.

O critério Rio de Janeiro/Caracas definiu 5,6% dos casos de aids, sendo mais frequentes: caquexia (28,3%), astenia há mais de um mês (24,0%), anemia e/ou linfopenia e/ou trombocitopenia (17,2%), candidíase oral ou leucoplasia pilosa (17,0%), febre maior que 38ºC por tempo superior que um mês (15,13%), diarreia por tempo igual ou maior a um mês (14,5%) e dermatite persistente (11,7%) (Tabela 3).

Discussão

O número de PVHA aumentou no estado de Minas Gerais e houve acréscimo das taxas de incidência de aids e de detecção do HIV+, o que indica que a estratégia de identificação dos soropositivos e de fortalecimento do sistema de vigilância epidemiológica tem obtido êxito no estado. Corroborando, houve redução da proporção de notificações pelo critério do CDC Adaptado e Rio de Janeiro/Caracas, estabilização dos óbitos relacionados à aids e aumento das notificações por HIV+.

A aids é tratada como uma doença crônica, e países que proporcionam acesso à TARV apresentaram melhora na qualidade e expectativa de vida. Desde 2013, o Brasil adotou a distribuição gratuita dos antirretrovirais às PVHA,14,15 sendo perceptíveis os efeitos na redução de internações, mortalidade, transmissão vertical e infecções oportunistas.4,16 Abordar a aids como uma doença crônica pode ter reflexo na diminuição do receio das pessoas de se submeterem à testagem, fazendo com que haja aumento gradativo, como apontado neste estudo, após a obrigatoriedade da notificação dos casos de HIV+. Salienta-se que a notificação não se restringe a casos novos identificados, pois os serviços de saúde podem registrar os casos HIV+ identificados anteriormente à compulsoriedade da notificação.

Segundo Greco15 e Maksud et al.,14 a disponibilização da terapia antirretroviral, independentemente do número de linfócitos TCD4, deve ser avaliada com parcimônia.16,14 Para PVHA com CD4 acima de 500, presumivelmente assintomático, poderá haver a necessidade de esquemas prematuros de 2ª e 3ª linhas; contrapondo-se a este fato, diminuiu-se em 53,0% o risco de doença grave ou morte em pacientes com tratamento precoce em comparação com os tardios.16

Desde o início da epidemia no Brasil, o país responde com produção local e distribuição de preservativos e antirretrovirais, defesa dos direitos humanos, redes laboratoriais e serviços especializados.3,16 Entre os desafios para o monitoramento e controle da epidemia estão o aumento do acesso a testes de diagnóstico5 - pois aproximadamente metade de todas as PVHA não sabem do status sorológico - e a eliminação da discriminação relacionada com a infecção por HIV.6

Não utilizar preservativo em todas as relações sexuais é uma realidade observada em vários países. As ofertas de novas tecnologias de prevenção devem ser encaradas como métodos auxiliares para reduzir a incidência do HIV, pois alguns aspectos dessas estratégias ainda não puderam ser bem avaliados, como é o caso da medicalização da prevenção, que pode acarretar práticas sexuais inseguras e potenciais efeitos adversos em longo prazo.14

Em Minas Gerais, houve tendência estacionária dos óbitos. A estabilização dos óbitos pode estar relacionada à utilização da TARV, que ocasiona maior longevidade e óbitos não atribuídos ao HIV. No estado, o Sinan recebe a atualização quando os indivíduos portadores de HIV passam para a condição de doentes por aids ou vão a óbito relacionado à infecção, o que contribui para a maior sensibilidade do sistema em relação aos óbitos.

Estudo realizado de 1997 a 2012, com registros de internações hospitalares, de 31 hospitais do interior do estado de São Paulo, após a introdução da TARV, observou que 54,5% das hospitalizações de PVHA foram por doenças infecciosas, especialmente infecções oportunistas definidoras de aids (32,7%), e que os homens morrem 42% mais que as mulheres internadas e possuem maior média de dias de internação (11,2 dias), indicando efeito limitado do uso de antirretrovirais na redução da ocorrência de infecções oportunistas, o que pode ser atribuído também a baixa adesão à terapia medicamentosa.17 Ressalta-se que o período de 1997 a 2012 é anterior à notificação obrigatória de HIV e à distribuição da TARV a todos os casos HIV+ independentemente do nível de CD4, o que pode ter influenciado a frequência e a gravidade de infecções oportunistas atribuídas à aids e a hospitalizações. Novos estudos sobre o perfil das internações e da adesão à terapia medicamentosa devem ser realizados após a inclusão do HIV+ como notificação compulsória, para avaliação de custo-benefício e impacto da estratégia governamental do uso de antirretrovirais para todos os casos soropositivos para o HIV e das profilaxias pré-exposição. No presente estudo, não foi possível avaliar formalmente as condições antes e após a inserção da notificação obrigatória do HIV+, uma vez que o período pré-inserção foi de oito anos, comparado a apenas três anos no período pós-inserção.

Verificou-se maior proporção de homens entre os casos notificados (67,8%), o que também foi observado em vários relatos na literatura.18-20 Estudo realizado com mulheres em 2003/2004, em capitais e municípios de grande porte, verificou baixa procura para a testagem sorológica espontaneamente (12,7%); a maioria procurou depois de estar com sintomas de aids (24,6%), ter o cônjuge doente (24,7%) ou saber na realização do pré-natal (19,5%),21 o que pode contribuir para a maior proporção de casos identificados no sexo masculino. Tais achados, no entanto, não sugerem, com base na literatura brasileira e internacional, que a menor procura espontânea por testagem sorológica entre as mulheres possa representar uma mudança no perfil epidemiológico da doença.

No presente estudo, predominou o modo de transmissão sexual e em heterossexuais. Estudo realizado no Rio Grande do Norte, entre 1980 e 2013, com 4.666 casos de aids, constatou que a categoria de exposição mais frequente ocorreu entre heterossexuais, no sexo masculino (66,6%), resultados semelhantes aos do presente estudo.22 Pesquisa realizada em Anápolis/GO, entre 2009 e 2013, observou que 61,3% eram heterossexuais, 24,5% homossexuais e que o modo de transmissão sexual ocorreu para 61,3%,23 percentual inferior ao do presente estudo. Contudo, Grangeiro et al.15 apontam que no Brasil, entre 2004 e 2013, voltou a crescer o número de casos em homossexuais e diminuir em heterossexuais, fato também verificado em estudo de Kundro et al.5 em um hospital em Buenos Aires, entre 2002 e 2014.5

A média de idade foi de 37,3 anos, com predomínio de infecção em adultos de 20 a 59 anos. Média semelhante foi observada por Silva et al.23 em estudo realizado num município de Goiânia, e por Silva et al.22 em estudo realizado no Rio Grande do Norte.

Neste estudo, houve predomínio de indivíduos de cor/raça branca, seguida da parda, e com ensino fundamental. Estudo realizado em municípios da macrorregião de saúde de Belo Horizonte entre 1986 e 2010, com idosos com aids, utilizando dados do Sinan, também verificou percentuais relevantes em cor/raça branca (26,2%), seguida de parda (19,5%).24 Outro estudo realizado no Rio Grande do Norte encontrou maior prevalência de aids em indivíduos pardos e de baixa escolaridade.22 A cor da pele/raça ea escolaridade são determinantes sociais de saúde. Historicamente, indivíduos pardos e com baixa escolaridade possuem menos acesso aos serviços de saúde e à educação, o que, de modo direto, relaciona-se às informações sobre as formas de transmissão das doenças e meios de prevenção.25,26

No estado de Minas Gerais, 1,5% dos casos eram gestantes, e, entre 2007 e 2016, houve aumento de 240% dos casos. De acordo com o Boletim epidemiológico mineiro,8 entre 2010 e 2015 foram notificados 1.977 casos de gestantes e observou-se uma discreta diminuição dos casos no período, o que diverge do que se verificou no presente estudo. Ressalte-se que muitas mulheres descobrem a infecção pelo HIV no momento da gravidez, ao realizarem os exames do pré-natal; destaca-se aqui a importância do diagnóstico precoce e de equipe capacitada para apoio a essas mulheres. Salienta-se que as gestantes possuem uma ficha de notificação específica (Gestante HIV+), o que gera outro banco de dados no Sinan.

As desigualdades de gênero interferem na epidemia do HIV/aids e são expressas também na dinâmica das práticas dos serviços de saúde, que desvinculam a oferta da contracepção e a prevenção do HIV, apresentando falhas no aconselhamento pré e pós-testagem sorológica. A falta de autonomia sexual das mulheres é traduzida na dinâmica das relações interpessoais e nas práticas dos serviços de saúde, nem sempre capacitados a fornecer os meios para que a mulher usufrua de sua sexualidade com minimização dos riscos.27,28

Com a diminuição do uso de drogas injetáveis, espera-se a redução gradativa dessa forma de transmissão da doença. Todavia, entre as transmissões sanguíneas, aquelas devidas ao uso de drogas (3,4%) foram as mais frequentes, fato verificado também em estudo realizado em Buenos Aires entre 2002 e 2014 (2,0%).5 Estudo realizado com uma coorte asiática de PVHA,entre 2003 e 2012, verificou maior probabilidade de diagnóstico tardio em usuários de drogas, no sexo masculino e em heterossexuais.29

Os agravos mais comuns diagnosticados no momento da notificação de aids foram contagem de linfócitos TCD4+ <350cel/mm3, candidíase, pneumonia, toxoplasmose cerebral e herpes para o critério de CDC Adaptado, e caquexia, astenia, anemia/linfopenia/trombocitopenia, candidíase, febre, diarreia e dermatite persistente para o critério Rio de Janeiro/Caracas. As proporções foram menores do que as observadas em estudo realizado em uma cidade de Goiás, onde 58,9% apresentavam alguma doença oportunista, sendo candidíase (20,4%), sífilis (15,1%) e herpes zóster (14,1%) as mais frequentes.23 Estudo realizado na Nigéria, entre 2005 e 2010, observou, especialmente entre os homens, maior prevalência de doenças e agravos em estágios avançados da doença.30

Como limitações deste estudo, sinaliza-se a utilização de base de dados secundária, com informações limitadas à ficha de notificação; o período curto analisado para a tendência temporal, em virtude de o Sinan não estar disponível para tabulação no período anterior a 2007; e o período de apenas três anos subsequentes após a notificação obrigatória de HIV+.

Conclui-se que houve aumento da taxa de incidência de aids e de detecção de HIV em todas as faixas etárias. Isso indica que as estratégias de prevenção da doença devem ser repensadas, uma vez que continua crescente o número de pessoas infectadas. Apesar do aumento da detecção de portadores de HIV, ainda permanece alto o número de pessoas que desconhecem a condição sorológica e que poderiam ser beneficiadas pela TARV, o que possibilitaria cargas virais muito baixas, contribuindo para a redução da transmissão do vírus na população. Nesse sentido, há que se rever as campanhas educativas sobre os modos de transmissão e prevenção do vírus, e se incluírem aspectos relacionados ao tratamento e à terapia antirretroviral, bem como se reforçar o uso de preservativos.

Por outro lado, a tendência estacionária da mortalidade por aids sugere que a instituição da TARV pode favorecer a redução dos óbitos pela doença. Contudo, a medicalização da prevenção deve ser mais bem avaliada em longo prazo quanto ao custo-benefício e à efetividade. O perfil médio de idade, sexo, via de transmissão e categoria de exposição está dentro da média nacional, o que facilita o enfoque na assistência e prevenção.

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