Terapia intensiva: avanços e atualizações na atuação do fisioterapeuta

Terapia intensiva: avanços e atualizações na atuação do fisioterapeuta

Autores:

Prof.ª Dr.ª Carolina Fu

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.25 no.3 São Paulo jul./set. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/00000025032018

A atuação do fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é recente e vem passando por transformações ao longo dos anos. Historicamente, o papel da fisioterapia neste campo foi tratar as complicações respiratórias advindas da internação e imobilização no leito por meio de exercícios respiratórios. Com a atuação cada vez mais presente e com resultados favoráveis, a fisioterapia foi gradativamente ganhando credibilidade e visibilidade.

Dentre as principais conquistas dos fisioterapeutas nas UTI, podemos citar o ganho de autonomia no manuseio do ventilador mecânico e o fortalecimento da parceria com a equipe multidisciplinar. Os profissionais de saúde e de assistência social proporcionam ao paciente internado melhores condições para a obtenção ou manutenção da independência funcional e, consequentemente, maior qualidade de vida durante o período de internação e após de alta. Portanto, o trabalho em equipe é fundamental.

O objetivo do fisioterapeuta na UTI é melhorar a capacidade funcional geral dos pacientes e restaurar sua independência respiratória e física, diminuindo o risco de complicações associadas à permanência no leito. Novas técnicas e recursos preparam o paciente para a respiração espontânea e para a tão almejada alta da UTI1. Como parte da assistência fisioterapêutica integral, podemos destacar a mobilização passiva precoce e a realização de exercícios ativos e ativo-assistidos. O paciente deve ser retirado do leito mesmo durante o período de intubação. A retirada da ventilação mecânica deve ser feita o mais precocemente possível, assim como a alta da UTI2.

Antes da assistência fisioterapêutica contínua na UTI, muitos pacientes retornavam ao seu cotidiano com sérios comprometimentos motores e dependentes para realizar suas atividades de vida diária. Atualmente, podemos prevenir esses agravos, que são muito prejudiciais aos pacientes, sobretudo após internação prolongada1. As UTI com disponibilidade ininterrupta de serviços de fisioterapia apresentam pacientes com menor tempo médio em ventilação mecânica e menor tempo médio de permanência na UTI, bem como menores custos totais e de pessoal, em comparação às UTI nas quais os serviços de fisioterapia estão disponíveis durante o período padrão de 12 horas ao dia2), (3.

Além da mobilização precoce, outras técnicas têm sido utilizadas com o objetivo de proporcionar maior motivação durante a fisioterapia. Uma delas é o uso de jogos eletrônicos, que auxiliam na fisioterapia motora e respiratória durante a permanência do paciente na UTI. Os jogos motivam os pacientes e auxiliam o fisioterapeuta a proporcionar uma terapia mais lúdica e prazerosa. Portanto, o paciente passa seu tempo de forma mais agradável, no ambiente relativamente hostil da UTI2), (3.

REFERÊNCIAS

1. Clini E, Ambrosino N. Early physiotherapy in the respiratory intensive care unit. Respir Med. 2005;99(9):1096-104. doi:10.1016/j.rmed.2005.02.024.
2. Hall JB. Creating the animated intensive care unit. Crit Care Med. 2010;38(10):S668-75. doi:10.1097/CCM.0b013e3181f203aa.
3. Rotta BP, Silva JM, Fu C, Goulardins JB, Pires-Neto RC, Tanaka C. Relação entre a disponibilidade de serviços de fisioterapia e custos de UTI. J Bras Pneumol. 2018;44(3):184-9. doi:10.1590/s1806-37562017000000196.
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