Transplante Autólogo de Células-Tronco Adultas para Tratamento da Cardiomiopatia Dilatada Idiopática

Transplante Autólogo de Células-Tronco Adultas para Tratamento da Cardiomiopatia Dilatada Idiopática

Autores:

Ricardo João Westphal,
Ronaldo Rocha Loures Bueno,
Paulo Bezerra de Araújo Galvão,
José Zanis Neto,
Juliano Mendes Souza,
Ênio Eduardo Guérios,
Alexandra Cristina Senegaglia,
Paulo Roberto Brofman,
Ricardo Pasquini,
Claudio Leinig Pereira da Cunha

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.103 no.6 São Paulo dez. 2014 Epub 04-Nov-2014

https://doi.org/10.5935/abc.20140164

RESUMO

Fundamento:

Pacientes portadores de cardiomiopatia dilatada idiopática apresentam alta morbimortalidade, mesmo em tratamento clínico otimizado. A infusão autóloga de células-tronco adultas da medula óssea mostrou resultados clínicos preliminares promissores nesses pacientes.

Objetivo:

Determinar a eficácia do transplante autólogo de células-tronco adultas da medula óssea sobre as funções sistólica e diastólica, e o grau de insuficiência mitral em pacientes portadores de cardiomiopatia dilatada idiopática em classes funcionais NYHA II e III.

Métodos:

Infundiram-se 4,54 x 108 ± 0,89 x 108 células-tronco adultas da medula óssea nas artérias coronárias de 24 pacientes com cardiomiopatia dilatada idiopática em classes funcionais NYHA II e III. Após 3 meses, 6 meses e 1 ano, avaliaram-se as mudanças de classe funcional, das funções ventricular esquerda sistólica e diastólica, e do grau da insuficiência mitral.

Resultados:

No seguimento, seis (25%) pacientes melhoraram sua classe funcional e oito (33,3%) mantiveram sua classe funcional inicial. A fração de ejeção ventricular esquerda aumentou 8,9%, 9,7% e 13,6%, após 3 e 6 meses e 1 ano (p = 0,024; p = 0,017 e p = 0,018), respectivamente. A função diastólica ventricular esquerda e o grau de insuficiência mitral não demonstraram mudanças significativas. Dois pacientes (8,3%) receberam cardioversor e ressincronizador implantável. Ocorreram quatro (16,6%) mortes súbitas e quatro (16,6%) mortes por insuficiência cardíaca terminal. A sobrevida média desses oitos pacientes foi de 2,6 anos.

Conclusão:

A infusão intracoronariana de células-tronco adultas da medula óssea em pacientes com cardiomiopatia dilatada idiopática promoveu melhora ou estabilização da classe funcional, e melhora da fração de ejeção ventricular esquerda em expressivo número de pacientes, sugerindo eficácia dessa intervenção. Não se observaram mudanças significativas na função diastólica ventricular esquerda e nem no grau de insuficiência mitral.

Palavras-Chave: Cardiomiopatia Dilatada; Células-Tronco; Transplante Autólogo

ABSTRACT

Background:

Morbimortality in patients with dilated idiopathic cardiomyopathy is high, even under optimal medical treatment. Autologous infusion of bone marrow adult stem cells has shown promising preliminary results in these patients.

Objective:

Determine the effectiveness of autologous transplantation of bone marrow adult stem cells on systolic and diastolic left ventricular function, and on the degree of mitral regurgitation in patients with dilated idiopathic cardiomyopathy in functional classes NYHA II and III.

Methods:

We administered 4,54 x 108 ± 0,89 x 108 bone marrow adult stem cells into the coronary arteries of 24 patients with dilated idiopathic cardiomyopathy in functional classes NYHA II and III. Changes in functional class, systolic and diastolic left ventricular function and degree of mitral regurgitation were assessed after 3 months, 6 months and 1 year.

Results:

During follow-up, six patients (25%) improved functional class and eight (33.3%) kept stable. Left ventricular ejection fraction improved 8.9%, 9.7% e 13.6%, after 3, 6 and 12 months (p = 0.024; 0.017 and 0.018), respectively. There were no significant changes neither in diastolic left ventricular function nor in mitral regurgitation degree. A combined cardiac resynchronization and implantable cardioversion defibrillation was implanted in two patients (8.3%). Four patients (16.6%) had sudden death and four patients died due to terminal cardiac failure. Average survival of these eight patients was 2.6 years.

Conclusion:

Intracoronary infusion of bone marrow adult stem cells was associated with an improvement or stabilization of functional class and an improvement in left ventricular ejection fraction, suggesting the efficacy of this intervention. There were no significant changes neither in left ventricular diastolic function nor in the degree of mitral regurgitation.

Key words: Cardiomyopathy, Dilated; Stem Cells; Transplantation, Autologous

Introdução

A Cardiomiopatia Dilatada (CMPD), a mais comum das cardiomiopatias, é caracterizada pela dilatação do Ventrículo Esquerdo (VE), ou de ambos os ventrículos, hipertrofia excêntrica e disfunção sistólica1. A dilatação ventricular, sempre presente, pode ser discreta, moderada ou importante, com dimensões internas ventriculares esquerdas de até 9,0 cm, e a diminuição da contratilidade do VE também pode ocorrer em graus discreto, moderado e grave, sem e com sintomas de congestão pulmonar e/ou sistêmica. Não é incomum que a dilatação ventricular esquerda preceda sinais e sintomas de Insuficiência Cardíaca (IC). Em aproximadamente 50% dos pacientes com CMPD, a causa etiológica não pode ser identificada; nesses casos, os pacientes são classificados como tendo Cardiomiopatia Dilatada Idiopática (CMPDI)2.

O tratamento clínico otimizado diminui a morbimortalidade de portadores de CMPDI em classes funcionais II ou III da New York Heart Association(NYHA)3, e em estágio clínico C da classificação baseada na progressão da doença da American College of Cardiology/American Heart Association (AHA/ACC)4,5. No entanto, por ser uma doença grave, progressiva e com alta mortalidade, o tratamento medicamentoso apenas retarda a evolução para a classe funcional IV da NYHA em um número significativo de pacientes, levando-os precocemente ao transplante cardíaco ou ao óbito6,7. Por isso, há uma contínua necessidade de melhores e novas formas de tratamento da IC. Existem poucos trials na literatura que avaliam a eficácia do transplante de células-tronco na terapêutica de pacientes com CMPDI, mas os resultados disponíveis são promissores8.

Este estudo teve como objetivo determinar a eficácia do transplante autólogo de células-tronco adultas da medula óssea sobre as funções sistólica e diastólica do VE, e sobre o grau de Insuficiência Mitral (IM), em pacientes portadores de CMPDI em classes funcionais NYHA II e III.

Métodos

Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com protocolo BANPESQ 2005016327 e registro no CEP/HC 1001.040/2005/03. Todos os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Entre junho de 2007 e junho de 2013, estudaram-se, prospectivamente, 24 pacientes (idade média 51,4 ± 11,5 anos, 70,8% homens) portadores de CMPDI, estáveis, porém com IC em classes funcionais NYHA II e III, apesar de pelo menos 3 meses de tratamento clínico otimizado, e que foram submetidos ao transplante autólogo de Células-Tronco Adultas da Medula Óssea (CTAMO) por infusão intracoronariana.

Incluíram-se pacientes com idades entre 30 e 75 anos, cujos dopplerecocardiogramas transtorácicos demonstraram dimensão diastólica ventricular esquerda > 58 mm e Fração de Ejeção de VE (FEVE) ≤ 34% pelo método de Simpson modificado9.

Foram critérios de exclusão: presença de doenças valvares, exceto a IM ou tricúspide funcionais de grau leve a moderado; coronariografia mostrando obstrução ≥ 50% da luz de uma ou mais coronárias; sorologia positiva para doença de Chagas ou HIV; uso prévio ou corrente de quimioterápicos cardiotóxicos; uso abusivo de álcool ou drogas ilícitas; história de taquicardia ventricular sustentada; comorbidades com impacto na sobrevida em 2 anos; e pacientes com janela acústica torácica ruim.

Foram efetuadas avaliações clínicas (anamnese, com especial atenção para a determinação da classe funcional, e exame físico, com determinação de medidas antropométricas), laboratoriais (hemograma, glicemia de jejum, creatinina, ureia, potássio, ácido úrico, colesterol, Lipoproteína de Alta Densidade-Colesterol - HDL-Colesterol, triglicerídeos, transaminases, CPK, Hormônio Estimulante da Tireoide - TSH e T4 livre), eletrocardiograma e dopplerecocardiograma nos períodos pré-transplante, aos 3 meses, 6 meses, 1 ano e, posteriormente, anuais.

Protocolo de dopplerecocardiografia

Os exames dopplerecocardiográficos completos e padronizados foram realizados ambulatorialmente no Serviço de Métodos Cardiológicos do Hospital de Clínicas da UFPR, por um único operador com nível 3 de treinamento, de acordo as diretrizes estabelecidas pelo consenso da ACC/AHA10. Utilizaram-se ecocardiógrafos Hewlett Packard, modelo Sonos® 5500, ou Philips Envisor®, (Bothell, Seattle, WA, Estados Unidos), com transdutor setorial de 2,5 MHz, nos planos recomendados, nas modalidades de modo M, bidimensional e Doppler pulsado, contínuo, colorido e tecidual, com registro simultâneo e contínuo do eletrocardiograma. Dentre as variáveis pesquisadas e detalhadas a seguir, usou-se a média de três medidas.

A função sistólica ventricular esquerda foi avaliada por meio da FEVE, calculada pelo método bidimensional, biplanar de Simpson modificado (Figura 1). Consideraram-se normais valores ≥ 55%9,11. Como parâmetro indireto da função sistólica ventricular esquerda, mediu-se, pelo modo M, a distância em milímetros entre o ponto E do ecograma valvar mitral, correspondendo à abertura inicial da valva mitral, e o septo ventricular anterior, na sua movimentação máxima posterior. Considerou-se como normal o valor máximo de 6 mm12.

Figura 1 Método de Simpson modificado para cálculo da fração de ejeção do ventrículo esquerdo. (A) Corte de 4 câmaras; (B) corte de 2 câmaras; à esquerda, diástole; à direita, sístole. 

A função diastólica ventricular esquerda foi avaliada pelas medidas das velocidades das ondas diastólicas E [VN = 60 (50-90) cm/s] e A [VN = 50 (40-90) cm/s] do fluxo diastólico mitral, da relação das ondas E/A [VN = 1,2 [0,8 -1,8)] e do tempo de desaceleração da onda E (TD - VN = 217 (178-187) ms], medido pelo intervalo entre o pico da onda E e a extrapolação da interseção da desaceleração do fluxo com a linha de base13.

Mediram-se, pelo Doppler tecidual, as velocidades das ondas da movimentação do anel mitral septal basal, sistólica S (VN = 5,97 ± 1,14 cm/s), e as diastólicas inicial e' (VN = 7,91 ± 2,16 cm/s) e final a' (VN = 5,99 ± 1,73 cm/s). Calculou-se, então, a relação entre a onda E e a onda e' (Figura 2)14. Na presença de ritmo cardíaco de fibrilação atrial, as medidas das ondas E e e' foram realizadas em três batimentos consecutivos, cujos ciclos tinham duração dentro de 10 a 20% da frequência cardíaca média.

Figura 2 Doppler tecidual com o volume de amostra posicionado no plano do anel valvar mitral, na parede septal. S: onda sistólica; e': onda da diástole precoce; a': onda da sístole atrial. 

Determinou-se o volume máximo do átrio esquerdo pelo método de Simpson, excluindo-se o apêndice atrial esquerdo e a desembocadura das veias pulmonares, e considerando-se como borda atrial inferior o plano do anel mitral (Figura 3). Esse volume foi dividido pela superfície corporal, resultando no Volume do Átrio Esquerdo Indexado (VAEI)9,15. O valor normal do VAEI é de 22 ± 6 mL/m2, mas, por sua correlação com eventos cardiovasculares, foi utilizado o valor de corte de 32 mL/m2 como limite superior do normal16-19.

Figura 3 Método de Simpson modificado para cálculo do volume atrial esquerdo. (A) Corte de 4 câmaras; (B) corte de 2 câmaras. 

Representando as funções sistólica e diastólica, o índice de performance do miocárdico, ou índice de Tei, foi definido como a relação entre os tempos isovolumétricos totais (contração e relaxamento) e o tempo de ejeção ventricular esquerda (VN = 0,34 - 0,44). Ele foi calculado dividindo-se o tempo decorrido entre o fechamento e a abertura da valva mitral menos o tempo entre o início e o término do fluxo sistólico aórtico, pelo tempo de ejeção do ventrículo esquerdo (figura 4)20.

Figura 4 Método de cálculo do índice de performance do miocárdio (IPM) ou índice de Tei. ECG: eletrocardiograma; TCI: tempo de contração isovolumétrico; TRI: tempo de relaxamento isovolumétrico; TE: tempo de ejeção. 

IM foi quantificada pelo Doppler colorido, obtendo-se, por planimetria, a borda externa do jato regurgitante mitral no interior do átrio esquerdo. Avaliou-se a gravidade da IM pela relação entre a Área do Jato Regurgitante e a Área do Átrio Esquerdo (AJR/AAE): relação < 20% indicou IM discreta; entre 20 e 40%, IM moderada; e relação > 40%, IM importante (Figura 5)21.

Figura 5 Área do jato regurgitante (AJR) em relação à área do átrio esquerdo (AAE) em um caso de insuficiência mitral importante (AJR/AAE > 40%). 

Técnica de coleta da medula óssea

A coleta da medula óssea foi realizada no centro cirúrgico do Hospital de Clínicas da UFPR. Coletaram-se 30 mL de sangue periférico para obtenção de soro autólogo. A medula óssea foi coletada por meio de múltiplas punções (20) de ambas as cristas ilíacas posteriores, sempre em pontos distintos. Em média, aspirou-se cerca de 5 mL em cada punção, a fim de reduzir a contaminação da medula com sangue periférico, totalizando aproximadamente 100 mL da medula óssea. O material coletado foi homogeneizado com o meio RPMI, acrescido de 200 UI/mL de penicilina e de 100 µg/mL de estreptomicina, além de 350 unidades de heparina sódica, mantendo-se a proporção de 1/2 da medula óssea e 1/2 do meio. Os frascos com a medula óssea foram encaminhados para processamento celular. A porcentagem de células viáveis foi determinada pela homogeneização de 0,5 mL da suspensão celular com 0,1 mL de uma solução de azul de Tripan 0,4%, seguida da contagem de um mínimo de 100 células em câmara de Neubauer. As CTAMO foram aplicadas nos pacientes no mesmo dia de sua coleta.

Técnica de implante intracoronariano de células-tronco

Por meio da técnica de Seldinger, realizou-se, primeiramente, uma coronariografia, para reconfirmação de ausência de lesões coronarianas e descrição das artérias coronárias. Seguiu-se com infusão de células-tronco autólogas nas artérias coronárias, a uma velocidade de 1 mL/minuto, através de um cateter de infusão (AMICATH) posicionado sequencialmente, com o auxílio de um fio-guia 0,014", no início do ramo descendente anterior (pelo qual infundiram-se 10 mL da solução), do ramo circunflexo (5 mL) e da coronária direita (5 mL).

Análise estatística

Os resultados de variáveis quantitativas foram descritos por médias ± desvios padrão. Variáveis qualitativas foram descritas por frequências e percentuais. A condição de normalidade das variáveis foi analisada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Para cada uma das variáveis avaliadas, a comparação de cada momento de avaliação pós-transplante com o momento pré-transplante foi feita usando-se o teste t de Student para amostras pareadas. Considerando-se os primeiros quatro períodos de avaliação (pré-transplante, 3 meses, 6 meses e 1 ano após o transplante), para cada variável, foi realizada uma análise de perfil (profile), avaliando-se a homogeneidade da evolução dos pacientes ao longo do período de 1 ano. Para a descrição do tempo de sobrevida dos pacientes após o transplante, foi apresentada uma curva de Kaplan-Meier. Valores de p < 0,05 indicaram significância estatística. Os dados foram analisados com o programa computacional Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0.

Resultados

Na avaliação clínica inicial, dez pacientes (41,7%) pertenciam à classe funcional II e 14 (58,3%) à classe funcional III da NYHA. A FEVE média era de 27,08 ± 5,12% (17 a 34%). O eletrocardiograma basal de cinco pacientes (20,8%) não apresentava alterações da condução elétrica; quatro pacientes (16,6%) tinham distúrbio da condução do ramo esquerdo; e 15 pacientes (62,5%) apresentavam bloqueio do ramo esquerdo.

Injetou-se uma média de 4,54 x 108 ± 0,89 x 108 (2,11 x 108 - 5,06 x 108) CTAMO com viabilidade de 93,04% nas artérias coronárias. Não ocorreram complicações relacionadas à aspiração de conteúdo da medula óssea e nem à infusão intracoronariana das CTAMO. Também não ocorreram alterações clínicas e nem eletrocardiográficas sugestivas de isquemia miocárdica decorrente dos procedimentos.

Na evolução tardia após a infusão de CTAMO, seis pacientes (25%) apresentaram melhora da classe funcional NYHA III para II, e oito pacientes (33%) permaneceram estáveis na mesma classe funcional, sem complicações. Cinco pacientes (20,8%) apresentaram complicações clínicas com piora da classe funcional: um por disfunção renal no pós-operatório de colecistectomia, um por broncopneumonia e derrame pleural, e um por ritmo de fibrilação atrial aguda revertida por cardioversão elétrica. Os outros dois pacientes (8,3%) receberam terapia de ressincronização cardíaca, um por piora da IC, e o outro por taquicardia ventricular não sustentada e sustentada. Com manejo clínico, quatro desses pacientes retornaram à sua classe funcional inicial e um paciente melhorou em um grau sua classe funcional.

Durante o período de acompanhamento, ocorreram oito (33,3%) mortes, sendo que quatro (16,6%) pacientes tiveram morte súbita cardíaca, e quatro (16,6%) por IC terminal. A Figura 6 apresenta o gráfico da curva de sobrevida de Kaplan-Meier da amostra estudada.

Figura 6 Curva de sobrevida de Kaplan-Meier para a amostra estudada. 

Quanto aos parâmetros ecocardiográficos, observou-se melhora contínua e significativa da FEVE no seguimento clínico, em comparação com os índices pré-transplante, tendo ocorrido aumento médio de 8,9%, 9,7% e 13,6% após 3 meses, 6 meses e 1 ano, respectivamente (todos com p < 0,05). Isso ocorreu às custas de uma diminuição significativa do volume sistólico final do VE, sem ter havido alteração significativa no volume diastólico final. A distância entre o ponto E e o septo ventricular no modo M, teve uma diminuição significativa nos primeiros 3 meses de evolução, permanecendo estável no seguimento tardio. O TD apresentou, por sua vez, um aumento significativo no acompanhamento de 3 meses, retornando, então, aos níveis basais e permanecendo estável na evolução. Os demais parâmetros pesquisados (VAEI, AJR/AAE, relação E/A, relação E/e' e índice de Tei) não apresentaram variação estatisticamente significativa nas comparações entre os valores pré-transplante e os vários estágios da evolução tardia (Tabela 1).

Tabela 1 Evolução das variáveis ecocardiográficas estudadas no basal e no seguimento tardio 

Variável Pré (n = 23) 3 meses (n = 23) 6 meses (n = 23) 1 ano (n = 22) 2 anos (n = 13) 3 anos (n = 9)
FEVE (%) 26,91 ± 5,16 29,30 ± 6,04* 29,57 ± 6,54* 30,41 ± 7,85* 33,54 ± 8,14* 36,11 ± 10,06*
VSF (mL) 212,65 ± 68,34 200,48 ± 77,61* 191,91 ± 78,46* 201,36 ± 82,37* 179,62 ± 96,08* 160,44 ± 93,03*
VDF (mL) 288,48 ± 80,60 278,39 ± 88,26 267,61 ± 89,04* 283,23 ± 91,70 260,23 ± 115,55 237,67 ± 102,4*
VS (mL) 75,87 ± 19,95 77,87 ± 17,67 75,87 ± 18,54 82,00 ± 19,46 80.31 ± 22,91 77,22 ± 14,74
E-SV (mm) 25,48 ± 5,36 24,57 ± 4,90* 24,70 ± 6,14 25,05 ± 5,39 26,69 ± 5,59 22,78 ± 7,63
VAEI (mL) 59,17 ± 17,42 54,26 ± 20,74 54,22 ± 22,51 57,23 ± 20,42 60,69 ± 27,52 50,44 ± 22,37
E/A 1,44 ± 0,66 1,37 ± 0,99 1,43 ± 1,04 1,71 ± 1,13 1,34 ± 0,94 1,06 ± 0,75§
TD (ms) 203,26 ± 48,02 243,81 ± 101,98* 205,91 ± 79,32 213,45 ± 83,025 214,69 ± 55,14 223,11 ± 87,19
E/e' 12,83 ± 4,76 12,13 ± 3,79 12,74 ± 4,49 13,59 ± 4,81 11,69 ± 3,68 12,11 ± 3,44
Índice de Tei 0,93 ± 0,25 0,86 ± 0,27 0,87 ± 0,36 0,84 ± 0,33 0,98 ± 0,31 0,92 ± 0,32
ARM/AAE 26,34 ± 11,85 26,00 ± 9,70 26,33 ± 10,94 30,06 ± 12,75 22,72 ± 7,81 26,24 ± 11,56

FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; VSF: volume sistólico final; VDF: volume diastólico final; VS: volume sistólico; E-SV: distância entre o ponto E e o septo ventricular no modo M; VAEI: volume do átrio esquerdo indexado; E/A: relação entre as velocidades das ondas E e A do fluxo diastólico mitral; TD: tempo de desaceleração da onda E; E/e': relação da onda E do fluxo diastólico mitral e a onda e' da movimentação do anel mitral septal basal; ARM/AAE: relação entre a área de regurgitação mitral e a área do átrio esquerdo.

*p < 0,05 na comparação com os valores pré;

n = 21, pois um paciente evoluiu com fibrilação atrial não revertida;

n = 12;

§n = 8.

Discussão

O benefício das células-tronco no tratamento de doenças cardiovasculares está relacionado à possível neovascularização e à formação de tecido miocárdico, em razão da capacidade de essas células adquirirem características de outras linhagens celulares, como miócitos, células da musculatura lisa vascular e células endoteliais22,23. Além disso, as CTAMO injetadas nas coronárias podem contribuir indiretamente para a regeneração cardíaca, ao liberarem diversos peptídeos que exercem uma ação parácrina sobre o miocárdio e células progenitoras cardíacas residentes24,25.

Estudos clínicos e experimentais26-33 sugeriram benefícios da terapia com células-tronco em CMPD, isquêmica e chagásica, principalmente decorrente de uma redução na fibrose e do aumento na vasculatura, mas sem evidência concreta de transdiferenciação das células-tronco em cardiomiócitos. Mostraram, entretanto, melhora significativa da classe funcional e da função sistólica ventricular esquerda avaliadas pela FEVE. Seth e cols.8 realizaram implantação intracoronariana de células-tronco em pacientes com CMPD, obtendo melhora na classe funcional e um significante aumento na FEVE de 5,4% no grupo tratado, num seguimento de 6 meses. Vrtovec e cols.28 realizaram transplante intracoronariano de células-tronco CD34 em 28 pacientes com CMPDI, com grupo controle, guiado por alteração contrátil mais acentuada pela cintilografia. Após 1 ano, os pacientes apresentaram um aumento na FEVE de 25,5 ± 7,5% para 30,1 ± 6,7 % (p = 0,03), aumento da distância no teste de caminhada de 6 minutos e diminuição do nível do peptídeo natriurético NT-proBNP, além de potencial aumento da sobrevida - resultado este que se manteve no acompanhamento de 5 anos29. Vilas-Boas e cols.33 realizaram implante de células-tronco com 28 pacientes com IC chagásica e demonstraram aumento da FEVE de 20,1 ± 6,8% (basal) para 28,3 ± 7,9% (p < 0,03) 6 meses após a intervenção. Na nossa amostra, observou-se ter havido uma melhora ou estabilização da classe funcional em expressivo número dos pacientes e uma melhora evolutiva significativa da FEVE, em comparação com os valores basais pré-transplante, com um aumento médio da FEVE, respectivamente, de 8,9%, 9,7% e 13,6%, após 3, 6 meses e 1 ano, mantendo-se dessa forma até aos 3 anos. Confirmando achados da literatura8, tal aumento se deu por uma redução do VSF e uma estabilidade do VDF e VS.

O parâmetro ecocardiográfico E-SV apresentou discreta diminuição entre os períodos pré e 3 meses, mas permaneceu estável no seguimento, e na comparação entre os períodos pré e 6 meses, e pré e 1 ano. Sabe-se que esse parâmetro aumenta com a diminuição da fração de ejeção, possivelmente pelo efeito do remodelamento da cavidade ventricular, com aumento dos diâmetros, principalmente o anteroposterior, e dos volumes ventriculares. Porém, neste estudo, não observamos aumento, provavelmente devido à presença de bloqueio do ramo esquerdo, distúrbio da condução intraventricular e dissincronia intraventricular presentes em 19 (79,2%) dos 24 pacientes9.

A relação E/A das ondas diastólicas do fluxo mitral, o tempo de desaceleração da onda E do fluxo diastólico mitral precoce, a relação E/e' e o VAEI pela superfície corporal são todos índices ecocardiográficos que avaliam a função diastólica do VE. Não ocorreram mudanças significativas sustentadas dessas variáveis, refletindo mudanças evolutivas não significativas na função diastólica da população estudada.

Não houve também variação significativa do índice de Tei. Nos pacientes com CMPDI, esse índice, que reflete o desempenho sistólico e diastólico ventricular esquerdo, apresenta valor prognóstico independente quando apresenta piora evolutiva, o que não aconteceu neste estudo.

A avaliação semiquantitativa da gravidade da IM não apresentou significância estatística nas comparações da avaliação pré-transplante e nas avaliações posteriores até 3 anos. A IM leve a moderada, no período pré-transplante, em nenhum momento atingiu o grau moderado a grave ou grave, interpretando-se como uma não piora do remodelamento ventricular esquerdo, que, por dilatação do anel mitral, é a causa do refluxo mitral na CMPDI.

A análise conjunta desses índices permite inferir que, na média, nossos pacientes apresentaram uma disfunção diastólica de grau III, denominada de padrão restritivo reversível. Esses resultados, acrescentados ao índice de Tei, corroboram a gravidade das disfunções diastólica e sistólica da população estudada, bem como sua alta mortalidade, demonstrada na curva de sobrevida de Kaplan-Meier, com sobrevida média de 2,6 anos para os oito pacientes que morreram.

A CMPDI é o substrato principal da morte súbita cardíaca. O risco absoluto de morte súbita aumenta com a deterioração da função cardíaca, mas a relação entre as mortes súbitas e não súbitas está inversamente relacionada com a extensão do dano funcional, ou seja, a mortalidade é menor, mas a probabilidade de morte súbita é maior entre os pacientes com cardiomiopatia em melhor classe funcional (I e II). A taxa de óbito observada na nossa pesquisa foi semelhante à obtida por Vrtovec e cols29. Esses autores demonstraram uma taxa de óbito global de 25% (48% por IC e 52% por morte súbita cardíaca) 5 anos após transplante intracoronariano de células-tronco, porém inferior no grupo que recebeu células-tronco (14% vs. 35%; p = 0,01). O mesmo ocorreu com as mortes por falência cardíaca (5% vs. 18%; p = 0,03), mas não com a morte súbita cardíaca (9% vs. 16%; p = 0,39)29.

As limitações deste estudo residiram na ausência de grupo controle apenas em tratamento clínico otimizado, da falta de biópsia endomiocárdica prévia para descartar outras possíveis causas de CMPD, e no fato de a análise dos parâmetros ecocardiográficos ter sido realizada por um único operador qualificado.

Conclusão

Este estudo demonstrou que pacientes com cardiomiopatia dilatada submetidos a implante intracoronariano de células-tronco autólogas apresentam uma melhora ou permanência da classe funcional da New York Heart Association, bem como significativa melhora da função sistólica ventricular esquerda pelo aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Pode, por isso, ser um estímulo para a pesquisa adicional da aplicação de células-tronco na cardiomiopatia dilatada idiopática.

REFERÊNCIAS

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