Tratamento com Resveratrol Normaliza a Função Endotelial e a Pressão Arterial em Ratas Ovariectomizadas

Tratamento com Resveratrol Normaliza a Função Endotelial e a Pressão Arterial em Ratas Ovariectomizadas

Autores:

Victor Fabricio,
Jorge Camargo Oishi,
Bruna Gabriele Biffe,
Leandro Dias Gonçalves Ruffoni,
Karina Ana da Silva,
Keico Okino Nonaka,
Gerson Jhonatan Rodrigues

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.108 no.2 São Paulo fev. 2017

https://doi.org/10.5935/abc.20170012

Resumo

Fundamentos:

Apesar de se saber que o resveratrol apresenta efeitos sobre a pressão arterial e os vasos sanguíneos, e que os fitoestrógenos podem melhorar o relaxamento/vasodilatação dependente do endotélio, não há relatos do efeito direto do resveratrol sobre a pressão arterial e a função endotelial em animais com deficiência de estrógeno (mimetizando a pressão arterial aumentada pós-menopausa).

Objetivo:

Verificar o efeito de dois diferentes períodos de tratamento preventivo com resveratrol sobre a pressão arterial e a função endotelial em ratas adultas jovens ovariectomizadas.

Métodos:

Foram utilizadas ratas Wistar com 3 meses de idade, distribuídas em 6 grupos: grupos intactas com 60 ou 90 dias, grupos ovariectomizadas com 60 ou 90 dias, grupos ovariectomizadas e tratadas com resveratrol na dose de 10mg/kg de massa corporal por dia, durante 60 ou 90 dias, sendo o número de dias em cada grupo relativo à duração do período experimental. Foi realizado um estudo de reatividade vascular em anéis da aorta abdominal, mensurada a pressão arterial sistólica e quantificada a concentração sérica de óxido nítrico (NO).

Resultados:

A ovariectomia induziu aumento da pressão arterial 60 e 90 dias após a cirurgia, enquanto a função endotelial decaiu apenas após 90 dias, e não houve diferença na concentração de NO entre os grupos. Apenas o tratamento prolongado com resveratrol (90 dias) foi capaz de melhorar a função endotelial e normalizar a pressão arterial.

Conclusão:

Nossos resultados sugerem que o tratamento por 90 dias com resveratrol é capaz de melhorar a função endotelial e diminuir a pressão sanguínea em ratas ovariectomizadas.

Palavras-chave: Pressão Arterial; Ratos Wistar; Resveratrol; Fitoestrógenos; Ovariectomia; Endotélio Vascular

Abstract

Background:

Despite knowing that resveratrol has effects on blood vessels, blood pressure and that phytostrogens can also improve the endothelium-dependent relaxation/vasodilation, there are no reports of reveratrol's direct effect on the endothelial function and blood pressure of animals with estrogen deficit (mimicking post-menopausal increased blood pressure).

Objective:

To verify the effect of two different periods of preventive treatment with resveratrol on blood pressure and endothelial function in ovariectomized young adult rats.

Methods:

3-month old female Wistar rats were used and distributed in 6 groups: intact groups with 60 or 90 days, ovariectomized groups with 60 or 90 days, and ovariectomized treated with resveratrol (10 mg/kg of body weight per day) for 60 or 90 days. The number of days in each group corresponds to the duration of the experimental period. Vascular reactivity study was performed in abdominal aortic rings, systolic blood pressure was measured and serum nitric oxide (NO) concentration was quantified.

Results:

Ovariectomy induced blood pressure increase 60 and 90 days after surgery, whereas the endothelial function decreased only 90 days after surgery, with no difference in NO concentration among the groups. Only longer treatment (90 days) with resveratrol was able to improve the endothelial function and normalize blood pressure.

Conclusion:

Our results suggest that 90 days of treatment with resveratrol is able to improve the endothelial function and decrease blood pressure in ovariectomized rats.

Keywords: Blood Pressure; Rats, Wistar; Resveratrol; Phytoestrogens; Ovariectomy; Endothelium, Vascular

Introdução

O endotélio é uma monocamada de tecido localizada no interior dos vasos sanguíneos e pode ter funções endócrinas e parácrinas, regulando a função vascular através da liberação de fatores tróficos e vasoativos que controlam o tônus vascular e até mesmo a inflamação da parede vascular.1 A disfunção endotelial caracteriza-se principalmente pela diminuição, direta ou indireta, da biodisponibilidade de óxido nítrico (NO).2

A liberação de NO pelo endotélio é modulada por vários fatores, incluindo o estrógeno. Este hormônio é capaz de aumentar a biodisponibilidade e a produção de NO através de fatores genômicos e não genômicos, entre os quais podemos mencionar a ação sobre o receptor α estrogênico (ERα) e a redução do estresse oxidativo.3,4 Assim, a redução deste hormônio, que é observada após a menopausa, pode levar à disfunção endotelial, com consequente aumento da pressão arterial.

A fim de reduzir alguns efeitos negativos da deficiência estrogênica, geralmente se indica a terapia de reposição hormonal (TRH). No entanto, estudos indicam que este tratamento pode estar associado a eventos cardiovasculares adversos, aumento do risco de desenvolvimento de câncer de mama e trombose venosa profunda em mulheres com predisposição para estas doenças.3,5,6

Numa tentativa de encontrar alternativas à TRH com menos efeitos colaterais, o resveratrol (3,4,5'-trihidroxiestilbeno) tem mostrado efeito promissor devido à sua semelhança com o dietilestilbestrol (um estrógeno sintético), podendo ser considerado um fitoestrógeno. Além disso, o resveratrol pode exercer sua ação sobre os receptores de estrógeno, podendo ser considerado um modulador seletivo do receptor de estrógeno (MSRE).7-9

Apesar de se saber que há relatos na literatura tanto dos fitoestrógenos quanto dos MSRE como melhoradores agudos do relaxamento/vasodilatação endotélio-dependente4 e que há estudos mostrando o efeito do resveratrol sobre a pressão arterial e os vasos sanguíneos,10,11 não há muitos relatos de seu efeito direto sobre a função endotelial e a pressão arterial em animais com com deficiência isolada de estrógenos. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar o efeito de dois diferentes protocolos de tratamento preventivo com resveratrol sobre a pressão arterial e a função endotelial em ratas jovens ovariectomizadas.

Métodos

Animais e tratamentos

O protocolo experimental foi realizado de acordo com as diretrizes do Colégio Brasileiro para Experimentos em Animais (COBEA), tendo sido aprovado pelo comitê de ética da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2-043/2013).

Sessenta ratas Wistar (Rattus norvegicus albinis) (90 dias de vida no início do experimento) foram abrigadas sob ciclos claro-escuro (14h/10h das 18:00 às 8:00 horas) e temperatura (22 ± 2 °C) controlados, recebendo dieta padrão à vontade durante 60 ou 90 dias.

Os animais foram randomicamente distribuídos em seis grupos experimentais: intactas - 60 dias (INT 60); ovariectomizadas - 60 dias (OVX 60); ovariectomizadas + resveratrol - 60 dias (OVX + RES 60); intactas - 90 dias (INT 90); ovariectomizadas - 90 dias (OVX 90); e ovariectomizadas + resveratrol - 90 dias (OVX + RES 90), sendo que o número de dias em cada grupo representou a duração do período experimental. Os animais dos grupos intactas não receberam nenhuma intervenção; as ratas dos grupos ovariectomizadas foram ovariectomizadas e tratadas com soro fisiológico a 0,9% (0,1 mL/100 g de peso corporal por dia) por gavagem até o fim do período experimental; e as dos grupos ovariectomizadas + resveratrol foram ovariectomizadas e tratadas diariamente com uma solução de resveratrol a 10mg/kg de peso corporal por dia (solubilizado em etanol e diluído em água destilada, com a concentração final de etanol a 5%), igualmente por gavagem, durante 60 ou 90 dias. Ao final do período experimental, as ratas foram anestesiadas com isoflurano e submetidos a eutanásia por decapitação, sendo coletados sangue e a aorta para análise.

Pressão arterial

A pressão arterial sistólica (PAS) foi medida por pletismografia de cauda com manguito (modelo Power Lab 8/35, AD Instruments, Pty Ltd, Colorado Springs, CO) com os animais não anestesiados, conforme descrito anteriormente por Rodrigues et al.,12 dois dias antes de os animais serem mortos por decapitação ao final de cada período experimental. A média de quatro medidas sucessivas foi considerada como a média da pressão arterial sistólica de cada animal.

Estudos da reatividade vascular

As aortas torácicas foram isoladas, sendo removido o tecido conjuntivo nelas aderido, e colocadas em solução de Krebs, como descrito anteriormente.13 As aortas foram cuidadosamente dissecadas e montadas em anéis (≅4 mm de extensão), sendo colocadas em câmaras de banho (5 mL) contendo solução de Krebs à 37 °C (NaCl 130mM, KCl 47 mM, KH2PO4 1,2 mM, CaCl 1,6; MgSO4 1,2mM; NaHCO3 14,9 mM; glicose 5,5 mM) continuamente borbulhada com 95% de O2 e 5% de CO2, pH 7,4, em miógrafo isométrico Mulvany-Halpern (modelo 610 DMT-USA, Marietta, GA), com registro através de um sistema de aquisição de dados PowerLab8/SP (AD Instruments Pty Ltd., Colorado Springs, Colorado). Os anéis aórticos foram submetidos a uma tensão de 1,5g, que foi reajustada a cada 15 minutos durante um período de equilíbrio de 60 minutos antes de ser adicionada a droga especificada. Os experimentos foram realizados em anéis aórticos com endotélio intacto e também em anéis aórticos desprovidos de endotélio. A integridade endotelial foi avaliada através do grau de relaxamento induzido por acetilcolina (Acl) a 1µmol/L na presença de tônus ccontrátil induzido por fenilefrina (0.1µM). Considerava-se que o anel possuía endotélio intacto se o relaxamento com acetilcolina fosse maior que 80%. Em aortas desprovidas de endotélio, o relaxamento com Acl foi menor que 5%. Após o teste de integridade endotelial, os anéis aórticos foram pré-contraídos com fenilefrina (0,1µM). Após o platô de contração ser atingido, curvas concentração-efeito foram construídas para acetilcolina (0,1nM a 0,1mM) em anéis aórticos com endotélio intacto, ou para o nitroprussiato de sódio (NPS) em anéis aórticos sem endotélio. A potência (pD2 ) e o efeito relaxante máximo (EM) foram mensurados

Nitrito e Nitrato Séricos (NOX)

Foram obtidos os níveis de óxido nítrico sérico através da medida das concentrações séricas de seus produtos finais estáveis nitrito (NO2 -) e nitrato (NO3 -), coletivamente conhecidos como NOX. O método de quimioluminescência de NO/ozônio foi realizado através do aparelho NO Analizer 280i (Sievers, Boulder, CO, EUA). A concentração de NOX foi corrigida pelo fator obtido pelo quociente entre o NOX medido e as concentrações esperadas de nitrato de sódio (5, 10, 25, 50 e 100 µM), que fornecessem uma curva padrão.14

Análise estatística

Foi verificada a distribuição normal das váriaveis estudadas (todas quantitativas e contínuas) através do teste de Kolmogorov-Smirnof.

As diferenças das médias entre os grupos em cada período experimental foram comparadas através da análise de variância de uma via (ANOVA). Quando havia significância, foi usada a análise de Newman-Keul post hoc, sendo o nível de significância estatística estabelecido a p<0,05 (Software Statistica 7.0, StatSoft. Inc, Tulsa, EUA).

Drogas e substâncias químicas

A acetilcolina, fenilefrina e nitroprussiato de sódio foram adquiridas de Sigma-Alddrich (St Louis, MO, EUA). O resveratrol foi adquirido de Cayman Chemical (Ann Arbor, MI, EUA).

Resultados

Na Tabela 1, pode-se observar que 60 dias de ovariectomia não alteraram o relaxamento vascular endotélio dependente e independente dos anéis aórticos, sendo que a suplementação com reverastrol não teve nenhum efeito no grupo OVX. O efeito relaxante máximo (EM) não se alterou nos anéis aórticos com ou sem endotélio para todos os grupos. Além disso, 90 dias após a ovariectomia, observou-se uma queda na potência de relaxamento à acetilcolina (pD2 OVX 90: 6,99 ± 0,10) em comparação com os animais intactos (pD2 INT 90: 7,51 ± 0,07, p<0,05). A suplementação com resveratrol por 90 dias foi capaz de aumentar o pD2 (pD2: OVX+RES: 7,50 ± 0,15, p <0,05) trazendo-o ao nível dos do grupo de intactas, normalizando a função endotelial. Em anéis aórticos desprovidos de endotélio, não foram observadas mudanças no efeito de relaxamento independente de endotélio em valores de pD2 para todos os grupos. Não houve mudança no EM 90 dias após a ovariectomia ou suplementação com resveratrol no relaxamento endotélio dependente ou independente induzido por acetilcolina ou nitroprussiato de sódio, respectivamente.

Tabela 1 Valores de potência (pD2) e efeito relaxante máximo (EM) para relaxamento induzido por acetilcolina e nitroprussiato de sódio em anéis aórticos com (E+) ou sem (E-) endotélio dos grupos intacta (INT), ovariectomizada (OVX) e ovariectomizada + resveratrol (OVX + RES) nos dois períodos experimentais. Os valores são expressos como média ± DP. As comparações foram feitas através de ANOVA de uma via seguida de teste de Newman-Keuls post-hoc. *p<0,05 comparado com o grupo INT 60; +p<0,05 comparado com o grupo INT 90; # p< 0,05 comparado com o grupo OVX 90 

Relaxamento induzido por acetilcolina (E+) e nitroprussiato de sódio (E-)
60 DIAS INT 60 OVX 60 OVX+ RES 60
pD2 E+ 7,69 ± 0,15 7,43 ± 0,18 7,63 ± 0,16
EM E+ 94,28 ± 4,80 84,66 ± 4,93 89,00 ± 4,43
pD2 E- 8,55 ± 0,09 8,51 ± 0,11 8,56 ± 0,09
EM E- 105,40 ± 2,12 103,30 ± 2,17 105,50 ± 2,71
90 DIAS INT 90 OVX 90 OVX+ RES 90
pD2 E+ 7,51 ± 0,07 7,00 ± 0,10+ 7,50 ± 0,15#
EM E+ 86,18 ± 4,32 85,50 ± 2,45 81,67 ± 3,61
pD2 E- 8,45 ± 0,02 8,45 ± 0,02 8,43 ± 0,01
EM E- 105,70 ± 2,62 105,20 ± 1,76 102,20 ± 4,21

Na tabela 2, podemos observar que a ovariectomia induziu a um aumento na pressão arterial sistólica (PAS) 60 e 90 dias após a cirurgia. O tratamento com resveratrol por 60 dias não preveniu o aumento na pressão arterial. No entanto, o tratamento com resveratrol por 90 dias preveniu esse aumento, e normalizou a pressão arterial. Ainda, não foram observadas diferenças na concentração de NO sérica (Figuras 1 e 2) em ambos os períodos de tratamento (60 e 90 dias).

Tabela 2 Pressão arterial sistólica (PAS) e concentração sérica de óxido nítrico (NO) nos grupos intacta (INT), ovariectomizada (OVX) e ovariectomizada + resveratrol (OVX + RES) nos dois períodos experimentais. Os valores são expressos como média ±DP. As comparações foram feitas por ANOVA de uma via seguida de teste de Newman-Keuls post-hoc. p<0,05 comparado com o grupo INT 60; +p<0,05 comparado com o grupo INT 90; # p< 0,05 comparado com o grupo OVX 90 

60 DIAS INT 60 OVX 60 OVX+ RES 60
PAS (mmHg) 120,39 ± 4,58 138,16 ± 5,42* 135,18 ± 5,42*
NO (uM) 33,91 ± 8,55 28,51 ± 7,47 30,42 ± 9,68
90 DIAS INT 90 OVX 90 OVX+ RES 90
PAS (mmHg) 123,92 ± 4,98 145,21 ± 9,79+ 123,33 ± 3,66#
NO (uM) 30,96 ± 5,17 31,26 ± 9,06 30,61 ± 10,38

Figura 1 Concentração de óxido nítrico sérico em µ M nos grupos intacta - 60 dias (INT 60), ovariectomizada - 60 dias (OVX 60) e ovariectomizada + resveratrol - 60 dias (OVX + RES 60). Os valores são apresentados como média ±DP. As comparações foram feitas com ANOVA de uma via seguida de teste de Newman-Keuls post-hoc. Não foram observadas diferenças entre os grupos. 

Figura 2 Concentração de óxido nítrico sérico em µ M nos grupos intacta - 90 dias (INT 90), ovariectomizada - 90 dias (OVX 90) e ovariectomizada + resveratrol - 90 dias (OVX + RES 90). Os valores são expressos como média±DP. As comparações foram feitas através de ANOVA de uma via seguida de teste de Newman-Keuls post-hoc. Não foram observadas diferenças entre os grupos. 

Discussão

O principal achado deste estudo foi que o tratamento com resveratrol durante 90 dias preveniu alterações na pressão arterial e na função endotelial induzidas por deficiência estrogênica. Neste período experimental, verificamos que a ovariectomia foi eficaz em induzir disfunção endotelial e aumento de pressão arterial. A deficiência estrogênica por 60 dias não foi suficiente para induzir mudanças na função endotelial em anéis aórticos de ratos; no entanto, este período foi capaz de aumentar o valor de pressão arterial, sendo que o tratamento com resveratrol não modificou a função endotelial nem a pressão arterial.

O aumento na pressão arterial decorrente de ovariectomia e subsequente redução da pressão no grupo tratado com resveratrol no protocolo experimental de 90 dias já havia sido anteriormente observado por Patki et al,15 que trataram ratas Wistar ovariectomizadas com pó de uva congelada (no qual um dos componentes é o resveratrol). Ainda assim, os autores sugerem que o efeito da ovariectomia na pressão arterial seja induzido pelo aumento do estresse oxidativo desencadeado pelo déficit de estrógeno e que o efeito do pó de uva congelada possa estar relacionado a seu grande efeito antioxidante,15 característica que também foi verificada com o resveratrol.16

A diminuição do relaxamento dependente do endotélio em anéis aórticos e seu consequente aumento com o tratamento com resveratrol no protocolo experimental de 90 dias também foi encontrado por Mizutani et al.10 em ratas ovariectomizadas espontaneamente hipertensas com predisposição a AVC, dieteticamente suplementadas com resveratrol (5mg/kg de peso corporal). Entretanto, esses autores indicam que o efeito da substância sobre o endotélio se dá através da biodisponibilidade aumentada de NO, como relatado por outros estudos,17,18 o que não foi confirmado em nosso estudo.

Um resultado interessante foi que apenas o tratamento prolongado com resveratrol (90 dias) foi capaz de melhorar a função endotelial e normalizar a pressão arterial. Sessenta dias após a cirurgia, não se verificou disfunção endotelial, nem foi induzida nenhuma melhora com o resveratrol. Assim, nossos resultados sugerem que a melhora na função endotelial induzida pelo resveratrol normaliza a pressão arterial em ratas OVX através de um mecanismo independente de NO.

Vanhoute et al.4 mostram que além do NO há outros fatores endoteliais que podem induzir vasodilatação, incluindo o fator hiperpolarizante derivado de endotélio. Além disso, Dolinsky et al.11 sugeriram que o efeito do resveratrol sobre a pressão arterial pode ser diferente de acordo com o modelo experimental usado, e essas diferenças poderiam ser decorrentes dos mecanismos distintos de hipertensão em desenvolvimento. Considerando-se que há uma escassez de estudos avaliando o efeito da deficiência de estrógeno sobre a pressão arterial e a função endotelial em modelos animais jovens/adultos, os resultados deste estudo apresentam uma importante contribuição sobre o resveratrol como tratamento preventivo de efeitos cardiovasculares pós-menopausa.

Conclusão

Nossos resultados sugerem que o tratamento com resveratrol por 90 dias (10 mg/kg de peso corporal por dia) é capaz de normalizar a função endotelial e a pressão arterial de ratas ovariectomizadas através de um mecanismo independente de NO.

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