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Tratografia

Tratografia

Autores:

Lídia Mayumi Nagae,
Marco da Cunha Pinho,
Marcelo Buarque de Gusmão Funari

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.8 no.2 São Paulo abr./jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082010ai1112

A tratografia é uma nova técnica de ressonância magnética que permite o mapeamento e, portanto, a avaliação de diferentes tratos da substância branca do sistema nervoso central. Para sua obtenção, adquire-se uma sequência denominada imagem por tensores de difusão (do inglês, diffusion tensor imaging) em um equipamento comum de ressonância magnética de 1,5 ou 3 Tesla, de forma independente ou associada às imagens convencionais do estudo(13).

Figura 1 Trato corticoespinhal 

Faz-se um pós-processamento das imagens adquiridas, podendo-se utilizar diversos softwares, alguns deles disponíveis online gratuitamente. A mesma aquisição de imagens permite ainda o cálculo de parâmetros quantitativos, como a anisotropia fracionada (AF) e o CDA (coeficiente aparente de difusão, do inglês, apparent diffusion coefficient), que interferem na integridade da substância branca, além de prover diversos mapas, como o de cores, identificando a orientação dos diversos tratos da substância branca.

Algumas das aplicações clínicas mais comuns são: o estudo de tratos da substância branca e sua relação topográfica com tumores e infartos; o estudo da fisiopatologia de lesões da substância branca, como a esclerose múltipla e a esclerose lateral amiotrófica; paralisia cerebral; epilepsia.

A figura 1 mostra na primeira linha a reconstrução tridimensional dos tratos corticoespinhais em um paciente normal (azul à direita e rosa à esquerda) desde o córtex motor até o braço posterior da cápsula interna. Na segunda linha, há imagens de mapas de cores em três níveis, mostrando a identificação de diferentes tratos da substância branca, delimitados pelas diferentes orientações da difusão da água no cérebro. A codificação de cores demonstra as fibras com orientação laterolateral em vermelho, a orientação anteroposterior em verde e a craniocaudal em azul.

REFERÊNCIAS

1. Mori S, Barker PB. Diffusion magnetic resonance imaging: its principle and applications. Anat Rec. 1999;257(3):102-9.
2. Mori S, van Zijl PC. Fiber tracking: principles and strategies – a technical review. NMR Biomed. 2002;15(7-8):468–80.
3. Nagae LM, Hoon AH Jr, Stashinko E, Lin D, Zhang W, Levey E, et al. Diffusion tensor imaging in children with periventricular leukomalacia: variability of injuries to white matter tracts. AJNR Am J Neuroradiol; 2007;28(7):1213-22.