Treinamento Aeróbico Contínuo de Intensidade Moderada Melhora a Contratilidade do Cardiomiócito em Camundongos com Nocaute para o Receptor Β1-Adrenérgico

Treinamento Aeróbico Contínuo de Intensidade Moderada Melhora a Contratilidade do Cardiomiócito em Camundongos com Nocaute para o Receptor Β1-Adrenérgico

Autores:

Aurora Corrêa Rodrigues,
Antônio José Natali,
Daise Nunes Queiroz da Cunha,
Alexandre Jayme Lopes Dantas Costa,
Anselmo Gomes de Moura,
Miguel Araújo Carneiro-Júnior,
Leonardo Bonato Félix,
Patrícia Chakur Brum,
Thales Nicolau Prímola-Gomes

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.110 no.3 São Paulo mar. 2018 Epub 19-Fev-2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180025

Resumo

Fundamento:

A falta de receptores β1-adrenérgicos (β1-AR) cardíacos afeta negativamente a regulação de inotropismo e lusitropismo cardíacos, levando, no longo prazo, a insuficiência cardíaca (IC). Recomenda-se exercício aeróbico contínuo de intensidade moderada (EACM) como adjuvante no tratamento de pacientes com IC.

Objetivo:

Testar os efeitos do EACM nas propriedades contráteis de miócitos do ventrículo esquerdo (VE) de camundongos com nocaute para o receptor β1-adrenérgico (β1ARKO).

Método:

Camundongos machos com 4 a 5 meses de idade, wild-type (WT) e β1ARKO foram divididos em grupos: WT controle (WTc) e treinado (WTt); e β1ARKO controle (β1ARKOc) e treinado (β1ARKOt). Os grupos treinados foram submetidos a regime de EACM (60 min/dia; 60% da velocidade máxima, 5 dias/semana) em esteira rolante, por 8 semanas. Adotou-se P ≤ 0,05 como nível de significância em todas as comparações.

Resultados:

Os animais β1ARKO (β1ARKOc + β1ARKOt) correram uma distância maior do que os animais WT (WTc + WTt) (p < 0,05). Os camundongos β1ARKO apresentaram maiores pesos corporal (PC), do coração (PCo) e do ventrículo esquerdo (PVE), assim como PCo/PC e PVE/PC do que os camundongos WT. Entretanto, o EACM não afetou tais parâmetros. Os miócitos do VE de camundongos β1ARKO apresentaram maiores (p < 0,05) amplitude e velocidades de contração e relaxamento do que os dos camundongos WT. Além disso, o EACM aumentou (p < 0,05) a amplitude e as velocidades de contração e relaxamento nos camundongos β1ARKO.

Conclusão:

O EACM melhora a contratilidade do miócito do VE de camundongos β1ARKO. Tal achado confirma o valor terapêutico desse tipo de treinamento físico para o tratamento de doenças cardíacas envolvendo dessensibilização ou redução de β1-AR.

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca; Exercício; Contração Miocárdica; Miócitos Cardíacos; Antagonistas de Receptores Adrenérgicos beta 1; Camundongos

Abstract

Background:

The lack of cardiac β1-adrenergic receptors (β1-AR) negatively affects the regulation of both cardiac inotropy and lusitropy, leading, in the long term, to heart failure (HF). Moderate-intensity aerobic exercise (MCAE) is recommended as an adjunctive therapy for patients with HF.

Objective:

We tested the effects of MCAE on the contractile properties of left ventricular (LV) myocytes from β1 adrenergic receptor knockout (β1ARKO) mice.

Methods:

Four- to five-month-old male wild type (WT) and β1ARKO mice were divided into groups: WT control (WTc) and trained (WTt); and β1ARKO control (β1ARKOc) and trained (β1ARKOt). Animals from trained groups were submitted to a MCAE regimen (60 min/day; 60% of maximal speed, 5 days/week) on a treadmill, for 8 weeks. P ≤ 0.05 was considered significant in all comparisons.

Results:

The β1ARKO and exercised mice exhibited a higher (p < 0.05) running capacity than WT and sedentary ones, respectively. The β1ARKO mice showed higher body (BW), heart (HW) and left ventricle (LVW) weights, as well as the HW/BW and LVW/BW than WT mice. However, the MCAE did not affect these parameters. Left ventricular myocytes from β1ARKO mice showed increased (p < 0.05) amplitude and velocities of contraction and relaxation than those from WT. In addition, MCAE increased (p < 0.05) amplitude and velocities of contraction and relaxation in β1ARKO mice.

Conclusion:

MCAE improves myocyte contractility in the left ventricle of β1ARKO mice. This is evidence to support the therapeutic value of this type of exercise training in the treatment of heart diseases involving β1-AR desensitization or reduction.

Keywords: Heart Failure; Exercise; Myocardial Contraction; Myocytes, Cardiac; Adrenergic beta 1 Receptor Antagonists; Mice

Introdução

Hiperatividade simpática crônica resultante de alteração do equilíbrio do sistema nervoso autônomo é comum em muitas doenças cardiovasculares, levando a insuficiência cardíaca (IC) e estando relacionada a maior incidência de morbimortalidade.1,2 Tal hiperatividade acompanha-se de diminuição da densidade dos receptores b-adrenérgicos (b-AR) e dessensibilização dos b-AR restantes, levando a redução da resposta cardíaca contrátil à ativação dos b-AR.3 Nesse contexto, o β1-AR, predominante no coração, é seletivamente reduzido, resultando em uma modificação da relação entre os subtipos β1 e β2,4 estando o β2-AR acentuadamente acoplado à proteína G inibitória.5 Como consequência, como o β1-AR fosforila várias proteínas reguladoras do Ca2+ envolvidas na excitação-contração do cardiomiócito,5-7 o cronotropismo, o inotropismo e o lusitropismo cardíacos acham-se comprometidos na estimulação adrenérgica.8

Treinamento físico na reabilitação cardíaca é muito importante em várias doenças cardiovasculares, incluindo IC crônica.9 Exercício aeróbico contínuo de intensidade moderada (EACM) é, atualmente, a melhor forma de exercício para aquela população, devido à sua eficácia e segurança.10 Por exemplo, o treinamento aeróbico recupera o equilíbrio autonômico de repouso em pacientes com IC ao reduzir a atividade nervosa simpática de repouso,11 restaurando o tônus parassimpático ao coração.12,13 No miocárdio, o treinamento aeróbico aumenta o volume de ejeção, e, portanto, o débito cardíaco em pacientes com IC14,15 e modelos animais de IC,8 embora alguns estudos não tenham conseguido confirmar tais benefícios.11,12 No nível celular, estudos em modelos animais de hiperatividade simpática demonstraram que o treinamento aeróbico melhora o saldo das proteínas envolvidas na mobilização do Ca2+ cardíaco isoladamente8,16 ou em combinação com betabloqueadores.17 Entretanto, se o treinamento com EACM afeta as propriedades mecânicas de miócitos isolados em um coração desprovido de β1-AR precisa ser elucidado.

Este estudo visou a testar os efeitos de um programa de EACM nas propriedades mecânicas de miócitos do ventrículo esquerdo (VE) isolados em camundongos com nocaute para o receptor β1-adrenérgico (β1ARKO). Levantamos a hipótese de que o treinamento com EACM afeta positivamente as propriedades mecânicas dos miócitos do VE de camundongos β1ARKO.

Métodos

Animais experimentais

Estudou-se uma coorte de camundongos machos com 4 a 5 meses de idade, wild-type (WT) e β1ARKO congênicos no marcador genético C57Bl6/J. Os camundongos foram mantidos em gaiolas com ciclos de claro/escuro de 12 horas, em ambiente com temperatura controlada (22ºC) e livre acesso a água e dieta padrão para roedores. Os camundongos β1ARKO e WT foram aleatoriamente designados para um dos seguintes grupos usando-se amostragem aleatória simples: WT controle (WTc), WT treinado (WTt), β1ARKO controle (β1ARKOc) e β1ARKO treinado (β1ARKOt). O tamanho da amostra foi definido por conveniência. Em todos os grupos, iniciou-se o período experimental com oito animais, mas, durante o procedimento de isolamento do cardiomiócito, alguns animais/corações foram perdidos. Assim, o número final de animais em cada grupo acha-se especificado nas figuras e tabela. O peso corporal (PC) foi medido toda semana. Os protocolos experimentais foram aprovados pelo Comitê de Ética para Uso de Animais da Universidade Federal de Viçosa (protocolo #59/2012) conforme o Manual de Cuidado e Uso de Animais de Laboratório/2011.

Protocolo de treinamento físico e teste de esforço em esteira rolante

O EACM foi realizado em esteira rolante motorizada (Insight Equipamentos Científicos, Brasil), 5 dias/semana (segunda a sexta-feira), 60 min/dia, por 8 semanas. Ao longo da primeira semana, a duração e a velocidade do exercício foram progressivamente aumentadas de 10 minutos e 10% da velocidade máxima até 60 minutos e 60% da velocidade máxima obtida durante teste de esforço em esteira rolante. Ao final da quarta semana de treinamento aeróbico, repetiu-se o teste de esforço em esteira rolante para reajuste da velocidade da corrida. Essa intensidade foi mantida durante o resto do período de treinamento. Os animais dos grupos não treinados foram manipulados diariamente e submetidos a curto período de exercício leve (5 min, inclinação de 0%, 5 m/min, 3 dias/semana) durante o período de treinamento. A capacidade de exercício estimada pela distância total corrida foi avaliada usando-se um protocolo de exercício em esteira rolante para camundongos (Panlab/Harvard Apparatus, Espanha), como já descrito.18 Resumidamente, após adaptação em esteira rolante por uma semana (10 min/dia, inclinação de 0%, 0,3 km/h), os camundongos foram colocados na faixa de exercício para aclimatação por pelo menos 30 minutos. O teste de esforço em esteira rolante começou com 6 m/min e nenhuma inclinação, aumentando 3 m/min a cada 3 minutos até a fadiga, que foi definida como a interrupção do teste porque os animais não conseguiam mais acompanhar a velocidade da esteira rolante. O teste de esforço em esteira rolante foi realizado nos grupos WTc, WTt, β1ARKOc e β1ARKOt antes e depois do período de treinamento físico.

Isolamento do cardiomiócito

Após 48 horas da última sessão de treinamento físico, os camundongos foram pesados e sacrificados por decapitação, sendo seus corações removidos rapidamente. Os miócitos do VE foram enzimaticamente isolados como descrito.19 Resumidamente, os corações foram montados em um sistema Langendorff e perfundidos com solução HEPES-Tyrode sem cálcio por 6 minutos com a seguinte composição (em mM): 130 NaCl, 1,43 MgCl2, 5,4 KCl, 0,4 NaH2PO4, 0,75 CaCl2, 25 HEPES, 22 glicose, 0,01 µg/ml insulina, 0,1 EGTA, pH 7,4, a 37ºC. Em seguida, os corações foram perfundidos por 7-10 minutos com uma solução contendo 1 mg/ml de colagenase tipo II (Worthington, EUA) e CaCl2 (0,8 µM). O coração digerido foi então removido do aparelho de perfusão, sendo o coração e o VE cuidadosamente pesados. O VE foi cortado em pequenos pedaços e colocado em frascos cônicos com solução contendo colagenase. As células foram dispersadas ao se agitarem os frascos por períodos de 3 minutos a 37ºC. As células isoladas foram separadas do tecido não dispersado por filtração. A suspensão de células resultante foi centrifugada e novamente suspensa em solução HEPES-Tyrode contendo CaCl2 (2,5 e 5 µM, subsequentemente). As células isoladas foram armazenadas em solução HEPES-Tyrode contendo 10 µM CaCl2 em temperatura ambiente até o uso. Estudaram-se apenas os cardiomiócitos tolerantes ao cálcio, quiescentes, em forma de bastão e com estriações transversais nítidas. Os cardiomiócitos isolados foram usados em até 2-3 horas de isolamento.

Medida da contratilidade celular

A contratilidade celular foi avaliada como já descrito.20 Resumidamente, as células isoladas foram colocadas em uma câmara com uma base de lamínula de vidro montada em uma platina de microscópio invertido (Nikon Eclipse, TS100). A câmara foi perfundida com solução HEPES-Tyrode contendo 10 µM CaCl2 a 37ºC. Contrações de 1 Hz estáveis foram provocadas com eletrodos de platina em banho (Myopacer, Field Stimulator, IonOptix) com pulsos de voltagem de 5ms e intensidade de 40 V. As células foram visualizadas em um monitor de computador com câmara NTSC (MyoCam, IonOptix) em modo de scanning parcial. A imagem foi usada para medir o encurtamento celular (nosso índice de contratilidade) em resposta à estimulação elétrica usando um detector de borda de movimento com vídeo (IonWizard, IonOptix). A imagem da célula foi obtida a 240 Hz. Calculou-se o encurtamento celular a partir do output do detector de borda usando um conversor A/D (IonOptix, Milton, MA). O encurtamento celular, expresso como porcentagem do comprimento celular em repouso, e as velocidades de encurtamento e relaxamento foram calculados.

Estatística

Os dados foram submetidos aos testes de normalidade de Shapiro-Wilk ou Kolmogorov-Smirnov, quando apropriado. Usou-se o teste t pareado para comparar o PC inicial e final em cada grupo. As comparações entre os grupos dos valores de PC, de peso do coração (PCo), de peso do VE (PVE) e das razões entre esses pesos, assim como da contração celular, foram feitas usando ANOVA de duas vias seguida de teste de Tukey com o programa SigmaPlot®, versão 12.5 (Systat Software, San Jose, CA). Os dados são apresentados como média ± desvio-padrão. Adotou-se o nível de significância estatística de 5%. Os números de camundongos, corações e miócitos usados são apresentados nas figuras e tabela.

Resultados

A Tabela 1 mostra o PC e o PVE. O PC inicial dos animais β1ARKO foi mais alto do que os dos respectivos animais WT controle. Como esperado, o PC final de cada grupo foi mais alto do que os respectivos PC iniciais. O PC final foi mais alto (p < 0,05) nos camundongos β1ARKO (β1ARKOc + β1ARKOt) em comparação ao dos WT (WTc + WTt). Entretanto, o PC final não foi afetado (p > 0,05) pelo EACM. Da mesma forma, o PCo foi mais alto nos camundongos β1ARKO do que nos WT, mas não se observou nenhum efeito do EACM (p > 0,05). Com relação ao PVE, camundongos β1ARKO apresentaram valores mais altos do que os WT; entretanto, não se observou qualquer efeito do EACM (p>0,05). Quanto às razões, camundongos β1ARKO exibiram uma razão entre PCo e PC mais alta do que camundongos WT. Entretanto, isso não foi afetado pelo EACM (p > 0,05). A razão entre PVE e PC foi mais alta em camundongos β1ARKO do que em camundongos WT, mas sem efeito do EACM.

Tabela 1 Pesos corporal e do ventrículo esquerdo em camundongos WT e β1ARKO 

WTc (n = 7) WTt (n = 6) β1ARKOc (n = 7) β1ARKOt (n = 6)
PC inicial, g 27,43 ± 2,46 26,50 ± 2,45 33,86 ± 2,46 32,67 ± 2,23
PC final, g 29,86 ± 2,64* 28,67 ± 2,64* 37,14 ± 2,64* 34,33 ± 2,55*
PCo, mg 231,00 ± 37,57 226,00 ± 37,48 302,00 ± 37,57 317,00 ± 37,48
PVE, mg 146,00 ± 20,82 141,00 ± 20,82 184,00 ± 20,82 194,00 ± 20,82
PCo/PC, mg/g 7,73 ± 0,85 7,86 ± 0,86 8,12 ± 0,85 9,22 ± 0,86
PVE/PC, mg/g 4,89 ± 0,48 4,94 ± 0,49 4,96 ± 0,48 5,66 ± 0,49

Valores expressos como médias ± DP; WTc: wild-type controle; WTt: wild-type treinado; β1ARKOc: nocaute para β1-AR controle; β1ARKOt: nocaute para β1-AR treinado; PC: peso corporal; PCo: peso do coração; PVE: peso do ventrículo esquerdo; N: número de animais;

*p < 0,05 vs. PC inicial dentro do mesmo grupo. Diferenças estatísticas foram determinadas por teste t pareado.

A Figura 1 mostra a capacidade física. Os animais β1ARKO (β1ARKOc + β1ARKOt) correram uma distância maior do que os animais WT (WTc + WTt). Além disso, os animais treinados correram uma distância maior do que seus respectivos controles.

Figura 1 Distância total corrida. Valores expressos em médias ± desvio-padrão de oito camundongos em cada grupo. *p < 0,05 vs. grupo WTc; §p < 0,05 vs. grupo WTt; #p < 0,05 vs. grupo β1ARKOc. 

As propriedades contráteis de um único miócito de VE são mostradas na Figura 2. Os miócitos de camundongos β1ARKO (β1ARKOc + β1ARKOt) apresentaram maior amplitude de encurtamento do que os dos WT (WTc + WTt). A amplitude de encurtamento dos miócitos de camundongos β1ARKOt foi maior do que a dos β1ARKOc e WTt, e a amplitude de encurtamento dos miócitos de camundongos WTc foi maior do que a dos WTt (Figura 2A). Com relação ao tempo de contração, os miócitos de camundongos β1ARKOc exibiram maior velocidade de encurtamento do que os de camundongos WTc. Além disso, os miócitos de camundongos β1ARKOt apresentaram maior velocidade de encurtamento do que os de camundongos β1ARKOc e WTt (Figura 2B). Quanto à velocidade de relaxamento, os miócitos de camundongos β1ARKOc mostraram valores maiores do que os de WTc. Além disso, os miócitos de camundongos β1ARKOt apresentaram maior velocidade de relaxamento do que os de camundongos β1ARKOc e WTt (Figura 2C).

Figura 2 Contratilidade celular. A) Encurtamento. B) Velocidade de encurtamento. C) Velocidade de relaxamento. WTc, wild-type controle (n = 7; N = 14-39 células de cada camundongo); WTt, wild-type treinado (n = 6; N = 8-27 células de cada camundongo); β1ARKOc, nocaute para β1-AR controle (n = 7; N = 24-31 células de cada camundongo); β1ARKOt, nocaute para β1-AR treinado (n = 6; N = 17-29 células de cada camundongo). Valores expressos como média ± desvio-padrão. *p < 0,05 vs. grupo WTc; §p < 0,05 vs. grupo WTt; #p < 0,05 vs. grupo β1ARKOc. 

Discussão

Este estudo testou os efeitos do EACM nas propriedades mecânicas dos miócitos do VE de camundongos β1ARKO. O principal achado foi que o EACM aumentou a amplitude de encurtamento e as velocidades de encurtamento e relaxamento nos miócitos de camundongos β1ARKO.

Os PCs inicial e final foram mais altos em camundongos β1ARKO do que nos WT. Resultados semelhantes foram relatados.21 A ativação de b-AR no tecido adiposo leva à produção de adenosina monofosfato cíclico (AMPc), que ativa a proteína quinase A (PKA) e estimula a lipólise. Embora o β3-AR seja o receptor predominante no tecido adiposo de roedores, os camundongos com superexpressão de β1-AR exibem aumento da atividade lipolítica de adipócitos.22 Portanto, camundongos β1ARKO podem apresentar diminuição da lipólise, que influenciaria a quantidade de gordura corporal e, consequentemente, o PC.23 Entretanto, no nosso estudo, o EACM não afetou o PC final. Quanto ao PCo, camundongos β1ARKO apresentaram corações e VEs mais pesados do que os camundongos WT, assim como razões entre PCo e PC e entre PVE e PC mais altas. Entretanto, no nosso estudo, o EACM não modificou esses parâmetros cardíacos. Hipertrofia cardíaca induzida por exercício em camundongos WT já foi demonstrada;24-26 entretanto, em camundongos β1ARKO, até onde sabemos, não há relato.

Observamos que os camundongos treinados (WTt e β1ARKOt) correram uma maior distância total do que seus respectivos controles (WTc e β1ARKOc). Esse aumento induzido por EACM pode estar associado a adaptações cardiovasculares, que são características conhecidas do treinamento aeróbico.27 Estudos prévios usando o mesmo protocolo de treinamento aeróbico relataram maior capacidade de exercício em animais treinados.8,17 Especificamente, os grupos β1ARKO correram uma distância total maior do que os grupos WT. Sabe-se que a ativação simpática durante exercício aeróbico promove glicogenólise pela via dos b-AR.28,29 Provavelmente, os camundongos β1ARKO têm mecanismos compensatórios no músculo esquelético, como vias de sinalização adrenérgica β2 e α1 modificadas, que poderiam melhorar glicogenólise, gliconeogênese, captação de glicose independente de insulina e lipólise no músculo esquelético.30 Tais mecanismos compensatórios podem ter levado à melhora no desempenho do exercício nos camundongos β1ARKO. Entretanto, ainda que esse não seja o foco deste estudo, investigações adicionais são necessárias para testar a hipótese de que camundongos β1ARKO melhoram seu desempenho do exercício quando se alteram as vias de sinalização adrenérgica β2 e α1.

Embora os miócitos dos camundongos β1ARKO tivessem maior amplitude de encurtamento do que os dos camundongos WT, um efeito de fator independente, os miócitos do VE dos grupos β1ARKOc e WTc apresentaram propriedades contráteis similares. Embora o β1-AR seja o subtipo predominante de receptor adrenérgico expresso no coração em termos de densidade e modulação da contração cardíaca,31,32 sua deleção teve pouco impacto na função cardíaca de repouso, mas apresentou efeitos significativos na função cardíaca após estimulação b-agonista.33 Outros estudos não observaram alterações na contratilidade do cardiomiócito quando da perda de β1-AR34 ou β1/2-AR em condições basais.35 Portanto, a semelhança entre os grupos β1ARKOc e WTc sugere que os β1-AR tenham pouco impacto nas propriedades contráteis de cardiomiócitos em condições basais.

É importante notar que o programa de EACM aumentou a amplitude de encurtamento dos miócitos do VE de camundongos β1ARKO. O EACM pode ter desencadeado dois mecanismos compensatórios no coração dos camundongos β1ARKO. Primeiro, um aumento na sinalização α1-AR é comum em situações de dessensibilização β1-AR quando a redução da sinalização β1-adrenérgica é compensada por uma elevação na via de sinalização α1-adrenérgica, que poderia ajudar a preservar a função cardíaca.36 Ainda que não avaliado aqui, um aumento da responsividade inotrópica dos cardiomiócitos de ratos através de estimulação α1-AR foi descoberto como uma adaptação ao treinamento aeróbico.37,38 Além disso, o potencial papel terapêutico de α1-AR para manter a função cardíaca normal, especialmente em termos de comprometimento da via de sinalização β1-adrenérgica, foi proposto em estudos prévios.37-40 Segundo, o EACM pode ter reduzido a responsividade dos β2-AR nos miócitos de camundongos β1ARKO. Quando há redução da ligação de β2-AR com a proteína Gi, o efeito inibitório do receptor para a ativação da adenilato ciclase também é reduzido,5 aumentando a produção de AMPc e a fosforilação das proteínas envolvidas na excitação-contração do cardiomiócito.6

Os tempos de contração e relaxamento do miócito do VE de camundongos β1ARKO foram também melhorados pelo EACM, indicando melhores funções sistólica e diastólica. As proteínas reguladoras do Ca2+ modulam as propriedades mecânicas do cardiomiócito. Enquanto a contração mais rápida do miócito está associada com maior densidade ou atividade dos canais de Ca2+ tipo L e RyR2, relaxamento mais rápido depende do aumento de atividade e/ou densidade de SERCA2a, PLB e NCX.6 Ainda que não medido no presente estudo, o EACM pode ter melhorado o saldo das proteínas envolvidas na mobilização do Ca2+ cardíaco em camundongos β1ARKO. Tais adaptações foram demonstradas anteriormente em um modelo diferente para hiperatividade simpática.8,16 Além disso, treinamento físico de resistência pode ter reduzido a razão b/a-MHC,20 que ajudaria a explicar o aumento das velocidades de contração e relaxamento dos miócitos do VE.

Recentemente, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) surgiu como um método que traz significativos benefícios para a função cardíaca. Por exemplo, camundongos submetidos ao HIIT apresentaram maior função contrátil do cardiomiócito ao aumentar a expressão e a atividade das proteínas reguladoras do ciclo do cálcio, em comparação àqueles submetidos ao EACM.41-43 É, portanto, possível que cardiomiócitos de camundongos β1ARKO sejam mais responsivos ao HIIT. No presente estudo, entretanto, escolhemos o EACM, pois seus efeitos sobre a contratilidade de cardiomiócito isolado em camundongos β1ARKO não são conhecidos. Acreditamos que estudos futuros usando HIIT obterão achados interessantes nesse modelo animal.

Este estudo tem limitações. Primeiro, usamos camundongos com nocaute global e podem ter ocorrido alterações sistêmicas que confundam os efeitos do exercício; tais resultados, portanto, têm que ser interpretados com cautela. Segundo, embora os animais WTt tenham melhorado sua capacidade de exercício, inesperadamente seus miócitos do VE apresentaram menor encurtamento do que os dos camundongos WTc. Tal achado é intrigante, e, infelizmente, não podemos explicá-lo.

Conclusão

O treinamento com EACM melhora a contratilidade do miócito do VE de camundongos β1ARKO. Tal achado tem potenciais implicações clínicas e confirma o valor terapêutico desse tipo de treinamento físico para o tratamento de doenças cardíacas envolvendo dessensibilização ou redução de β1-AR.

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