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Trombose Intraventricular Maciça em uma Mulher Jovem com Cardiomiopatia Dilatada Idiopática

Trombose Intraventricular Maciça em uma Mulher Jovem com Cardiomiopatia Dilatada Idiopática

Autores:

Natalia Lorenzo,
Jorge A. Restrepo,
Maria Cruz Aguilera,
Daniel Rodriguez,
Rio Aguilar

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.105 no.6 São Paulo dez. 2015

https://doi.org/10.5935/abc.20150131

Uma mulher de 36 anos de idade, sem antecedentes médicos ou familiares dignos de nota, foi admitida no hospital em choque cardiogênico. A ecocardiografia transtorácica (ETT) revelou dilatação e disfunção biventricular graves. Várias massas móveis compatíveis com trombos estavam anexadas ao ápice e se projetavam para o ventrículo esquerdo (VE) além do nível médio-ventricular (Figura 1A-D. Visão multiplanar (A). 2- Visão de duas câmaras com (B) e sem (C) Sonovue®. Visão de eixo curto (D)). Foram identificadas regiões hipoecogênicas internas sugestivas de tecido em coliquação secundário à lise do coágulo (seta). O angiograma coronário foi normal. A ressonância magnética cardíaca não forneceu mais informações. Foi iniciada a administração de inotrópicos e heparina não-fracionada. Fibrinólise sistêmica foi descartada devido ao alto risco de fragmentação do trombo. A paciente também foi rejeitada para a cirurgia, considerando o risco perioperatório elevado devido ao choque cardiogênico. Cinco dias após a admissão, ocorreu um derrame maciço na artéria cerebral média esquerda (Figura 1E [*]). Ele se estabeleceu em 30 minutos, antes que qualquer estratégia de reperfusão fosse possível. A paciente foi liberada de tratamentos adicionais e morreu uma semana depois.

Qualquer condição com disfunção sistólica severa do VE aumenta a probabilidade de formação de trombo intraventricular. A incidência de embolização sistêmica é baixa; no entanto, aumenta em casos de trombos grandes, altamente móveis e protuberantes. Abordagem terapêutica nesse cenário é controversa. É geralmente aceito que a anticoagulação deve ser o tratamento inicial na maioria dos casos, mas não existem recomendações específicas sobre a trombólise ou trombectomia.

A ETT é a técnica padrão-ouro para o diagnóstico e estratificação de risco embólico, uma vez que permite uma avaliação precisa da morfologia, da mobilidade e ponto de ligação do coágulo.