Uniforme como signo de uma nova identidade de enfermeira no Brasil (1923-1931)

Uniforme como signo de uma nova identidade de enfermeira no Brasil (1923-1931)

Autores:

Maria Angélica de Almeida Peres,
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145

Esc. Anna Nery vol.18 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2014

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20140017

RESUMEN

Objetivo:

Analizar el significado del uniforme en la implantación del modelo anglo-americano de enfermería y en la construcción de una nueva identidad de la enfermera en Brasil.

Métodos:

Estudio socio-histórico. Documentos fotográficos y escritos fueron analizados según el concepto de identidad profesional de Dubar, integrado a la Teoría de Barthes, que considera el vestuario como un lenguaje abstracto.

Resultados:

El uniforme era un elemento de distinción social además de aproximar las estudiantes brasileñas y norteamericanas por la semejanza entre los vestuarios. Se construyó una imagen a partir de los mismos elementos constituyentes del uniforme, dentro de los cuales se destacó el color blanco en el vestido de enfermeras y el delantal blanco para las estudiantes y la cofia blanca para ambas.

Conclusión:

El uniforme sirvió de estrategia para la implantación y el reconocimiento del modelo anglo-americano de enfermería y para la construcción de una nueva identidad de la enfermera brasileña.

Palabras-clave: Historia de la Enfermería; Vestuario; Educación en Enfermería

INTRODUÇÃO

A imagem da enfermeira é marcada, além de outras características, pelo vestuário utilizado durante aprática da enfermagem, que foi eternizado na iconografia mundial, nos permitindo identificar o uso de acessórios como o avental, o véu e a touca. Estudos sobre uniformes fornecem elementos da construção de identidades profissionais, por meio de abordagens que vão desde as referências de pertença a um grupo ou a uma instituição até as condições de trabalho e ao desenvolvimento técnico-científico de determinadas épocas1.

No Brasil, a enfermagem religiosa foi fortalecida no século XIX, e a imagem da enfermeira com vestes características dessas instituições foi estabelecida na sociedade, com destaque para as Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Embora a criação da primeira escola de enfermagem do Brasil date de 1890, seus enfermeiros não conseguiram superar o reconhecimento que tinha a imagem das religiosas como enfermeiras, em virtude do poder atribuído a elas nos hospitais, o qual era garantido pela organização e prática da enfermagem em vários países e pela sua atuação em favor dos interesses político-financeiros das instituições2.

A efetiva entrada de um modelo de enfermagem profissional na sociedade brasileira, concorrente com o modelo religioso, ocorreu com a criação da Escola Anna Neryª (EAN), em 1923, quando o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) investiu na implantação do modelo anglo-americano de enfermagem para apoiar o desenvolvimento da recém-implantada Reforma Sanitária2.

Ao organizar a EAN, enfermeiras norte-americanas implantaram o uso de uniformes como uma das estratégias para manter a disciplina institucional, o que permitia identificar as alunas em suas diferentes etapas do curso, bem como as enfermeiras/professoras, conforme a sua área de atuação, diferenciando-as dos demais exercentes de enfermagem e caracterizando a mulher-enfermeira de elevado padrão intelectual e moral, que também se destacava pelo vestuário específico3.

Nas décadas de 1920 e 1930 existiam seis tipos de uniformes na EAN, sendo três deles para uso das alunas do curso de formação de enfermeira: uniforme do Preliminar, para as alunas que cursavam a primeira etapa do curso; uniforme Hospitalar e uniforme de Saúde Pública, ambos para as alunas que cursavam essas respectivas fases na segunda etapa do curso. As professoras e enfermeiras usavam uniforme de diplomada de acordo com a sua especialidade (Hospitalar ou Saúde Pública). Além desses, havia o uniforme de Visitadora de Saúde Pública, utilizado por essa profissional, formada em um curso emergencial, extinto em 19243.

Nesse estudo trataremos exclusivamente do uniforme Hospitalar de alunas e professoras/enfermeiras, por considerarmos que a imagem da enfermeira hospitalar se perpetuou como representativa da profissão, principalmente por ter como acessório principal a touca. Embora abolido o seu uso, a touca ainda é um símbolo de identificação da Enfermeira, presente em ilustrações (cartazes, charges, etc.) e obras de ficção (novelas, filmes, etc.) produzidas na atualidade, sendo superada apenas pela lâmpada de óleo, utilizada como símbolo mundial da Enfermagem Moderna, inaugurada por Florence Nightingale, também conhecida como a "Dama da Lâmpada"2.

Na primeira metade do século XX, o uniforme determinado pela EAN passou a caracterizar o modelo de enfermeira formado segundo o padrão anglo-americano, posteriormente conhecido como padrão Anna Nery2. Tal padrão teve bases no Sistema Nightingale, que profissionalizou a enfermagem no século XIX, primeiramente na Inglaterra, difundindo-se pelo restante do mundo e alavancando a organização profissional e a cientificização de uma prática de enfermagem exercida exclusivamente por mulheres, formadas por escolas de enfermeiras que funcionavam em regime de internato, com treinamento teórico-prático em hospitais4.

São vários os estudos que apontam a EAN como marco da Enfermagem Moderna no Brasil, embora tenha ocorrido tentativa anterior, que não alcançou o mesmo reconhecimento, nem teve o seu modelo difundido pelo país como se deu com a escola criada no Rio de Janeiro. Esta, de fato inaugurou a "Enfermagem Moderna" brasileira, considerando-se a essência dessa expressão universal que se opõe à enfermagem tradicional ou pré-profissional, exercida por pessoas não submetidas a treinamento formal, coerente com as regras pedagógicas e preceitos éticos presentes no Sistema Nightingale5.

Em seu primeiro currículo influenciado pelo "Standard Curriculum for Nursing Schools", elaborado em 1917 por norte-americanos e revisto pelo Relatório Goldmark em 1927, a EAN preparava Enfermeiras de Saúde Pública e Enfermeiras Hospitalares, sendo o seu Programa de Instrução "o modelo educacional que consolidou na sociedade brasileira a implantação da carreira de enfermagem"5:30. Além disso, esta Escola apoiou e promoveu a criação da primeira entidade organizativa da enfermagem e do primeiro periódico de enfermagem, construindo as bases da profissão no Brasil5.

Quando nos debruçamos sobre imagens de enfermeiras e alunas de escolas de enfermagem que tiveram suas origens no Sistema Nightingale, reparamos a semelhança entre os uniformes utilizados. Considerando que, quando tratamos de imagem individual ou grupal de pessoas, uma das características a ser considerada é o vestuário, o uso do uniforme pelas alunas e enfermeiras/professoras de escolas que seguem um mesmo sistema educacional é um importante símbolo de identidade profissional.

Sendo assim, este estudo tem como objeto o uniforme implantado na EAN como estratégia para a criação de uma nova identidade de enfermeira na sociedade brasileira, no período de 1923 a 1931. O marco inicial (1923) é a criação da EAN e o marco final (1931) é a promulgação do Decreto nº 20.109 de 1931, que normatiza o ensino nas escolas de enfermagem brasileiras pela equiparação ao modelo da EAN. O objetivo é analisar o significado do uniforme na implantação do modelo anglo-americano de enfermagem e na construção de uma nova identidade de enfermeira no Brasil.

A justificativa do estudo está na necessidade de se ampliar as pesquisas sobre o vestuário usado pela enfermagem, a fim de favorecer a compreensão da relação deste com a história da profissão no Brasil. As transformações ocorridas no vestuário da enfermagem desde os seus primórdios até os dias atuais se deram paralelamente ao seu desenvolvimento da sociedade, o que evidencia a relevância desta pesquisa para possibilitar discussões sobre a imagem e identidade profissional, temas fundamentais para a compreensão do desenvolvimento da enfermagem no país.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo sócio-histórico, cujas fontes primárias foram fotografias edocumentos escritos. Dentre as fontes de pesquisa histórica não convencionais, a fotografia vem se destacando por mostrar "um fragmento selecionado da aparência das coisas, das pessoas, dos fatos, tal como foram esteticamente congelados em um dado momento de sua existência/ocorrência"6:2. As pesquisas que partem da imagem fotográfica precisam ter os fatos nela registrados contextualizados para não se tornarem "fragmentos desconectados da memória"6:2. Neste estudo, utilizamos a fotografia como registro do uniforme de estudantes e enfermeiras, considerando o vestuário presente na imagem que foi retratada. Cientes de que a fotografia, neste estudo, é apenas o ponto de partida, uma pista para tentarmos desvendar o passado, também utilizamos documentos escritos pertencentes ao Centro de Documentação da EEAN (CDOC/EEAN), bem como artigos e livros.

Foram selecionados documentos escritos correspondentes ao período da Missão Parsons (recorte temporal deste estudo) que abordavam os uniformes usados da EEAN e seu simbolismo. A seleção de imagens teve como critérios de inclusão: ser referente ao recorte temporal do estudo e retratar estudantes e/ou enfermeiras uniformizadas. A seleção de fontes foi realizada no período de junho a novembro de 2011, no acervo do CEDOC/EEAN e nos websites das escolas de enfermagem norte-americanas, com destaque para a Escola de Enfermagem do Hospital Geral da Filadélfia, que inaugurou o Modelo Nightingale nos EUA (1873) e para a Escola de Enfermagem da Universidade de Vanderblit, localizada em Nashville/Tenessee, criada em 1909, e que recebeu financiamento da Fundação Rockefeller para implementar o Relatório Goldmark, em 1925. Foram selecionadas ao todo oito fotografias para ilustrar a análise dos dados neste estudo, sendo seis da EEAN e duas de escolas norte-americanas.

Considerando a cronologia das fontes primárias e o contexto sócio-histórico das escolas que foram selecionadas, os uniformes foram descritos e estabelecidos os seguintes critérios para análise: tipo (hospitalar), modelo, acessórios e cor. As fotografias foram trabalhadas como registro de imagens que apresentam dados sobre o vestuário da época e os documentos forneceram informações complementares como cores e outros detalhes não percebidos na imagem.

A análise dos dados foi subsidiada pelo conceito de identidade profissional de Claude Dubar7, integrando a teoria de Roland Barthes8 de que o vestuário é uma linguagem abstrata, cujos aspectos práticos e simbólicos são indissociáveis e nos remetem ao indivíduo e à sociedade que o produziu8. A questão de construção de uma identidade é amplamente discutida no campo das ciências, sendo que muitos autores concordam que a aquisição da identidade é um processo contínuo que sofre mudanças através dos tempos7:2. A identidade profissional é coletiva e não se constrói apenas com a escolha de um ofício ou com a aquisição de um diploma, pois se articula com a identidade individual, em uma transação ao mesmo tempo "interna" e "externa", estabelecida entre o indivíduo e as instituições com as quais interage7. A construção da identidade do enfermeiro se dá na relação do ser consigo e com o outro, na qual o outro diz e reafirma quem é o ser enfermeiro, constituindo-se em seu espelho, e isso em duplo sentido9.

Quanto aos aspectos éticos, os direitos autorais das imagens utilizadas são garantidos em suas referências, respeitando-se as orientações dos seus deentores, após contato por e-mail com os acervos que as guardam. Por não se tratar de estudo com seres humanos, o projeto não se enquadra nas normas da Resolução 196/96, não necessitando de aprovação em Comitê de Ética e Pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O modelo anglo-americano de enfermagem, sua indumentária e a chegada de uma nova identidade de enfermeira ao Brasil

O modelo anglo-americano de enfermagem tem suas origens no Sistema Nightingale2, que chegou aos EUA em 1873 com a criação da Escola de Treinamento de Enfermeiras do Hospital de Bellevue, atual Hospital Geral da Filadélfia. Alice Fisher, enfermeira formada pela Escola de Enfermeiras de São Thomas em Londres, foi uma das responsáveis pela adequação do Sistema Nightingale nesta escola, em 188510. No início de seu funcionamento, a Escola de Bellevue não tinha uniforme, mas ainda na década de 1880 foi implantado o uso de broche para enfermeiras diplomadas e tecido de listras azuis e brancas para o uniforme de aluna, cujo modelo ficava a critério das mesmas. A definição de um modelo de uniforme nesta escola, juntamente com a obrigatoriedade do uso da touca, ocorreu no início do século XX10.

Considerando que o vestuário é sempre implicitamente concebido como o significante particular de um significado geral que lhe é exterior,como a época, o país ou a classe social8, a normatização do uniforme na escola de Bellevue mostra que nos EUA houve a preocupação em definir a imagem das estudantes e diplomadas por meio do vestuário, o que permitiria a identificação do grupo com a competência técnica e os valores morais que orientavam a prática de enfermagem através dos símbolos,das insígnias, dos uniformes e dos juramentos incorporados da tradição nightingaleana nas escolas norte-americanas.

Foi ainda no século XIX que:

enfermeiras inglesas e norte-americanas decidiram firmar o Sistema Nightingale com sua vertente vocacional, reconheceram e incorporaram a vertente associativa e assumiram como terceira vertente a filosofia feminista. Nos Estados Unidos e Canadá, o Sistema Nightingale, além das divisões enfermagem hospitalar, domiciliar e distrital, ganhou sentido com essas três vertentes referidas5:27-28.

O bacharelado em enfermagem foi inaugurado nos EUA, na Universidade de Minnesota, em 1909, cujo programa fazia parte da Escola de Medicina, com duração de três anos. Foi o início do movimento para a educação de enfermagem alçar o sistema de ensino superior10. Em 1910, havia aproximadamente mil escolas de enfermagem em funcionamento nos EUA, cuja finalidade era prover assistência, por meio do trabalho das estudantes, e preparar enfermeiras para a comunidade. A priorização do treinamento em serviço, em detrimento da capacitação intelectual das estudantes, levou à necessidade de transformação do modelo de ensino10.

A padronização do ensino de enfermagem nos EUA e Canadá tem como marco a elaboração do Currículo-Padrão para Escolas de Enfermagem, pela Liga Nacional de Educação em Enfermagem, que resultou na publicação do Relatório Goldmark, em 1923. Entre as recomendações deste relatório estavam a necessidade do curso secundário para admissão nas escolas de enfermagem e a inserção de escolas de enfermagem nas universidades4.

Antes mesmo da padronização do ensino de enfermagem, observamos o uso de uniformes nas escolas de enfermagem norte-americanas,e, embora cada instituição tivesse a liberdade de escolha dos seus componentes, é evidente a existência de padrões na configuração da indumentária de estudantes e diplomadas. A estrutura do vestuário pode ser concebida em traje e idumentária, sendo o primeiro correspondente a uma estrutura individual, em que cada um determina o que vai vestir, e a segunda, a uma estrutura institucional, social, independente do indivíduo. A significação do vestuário cresce à medida que se passa do traje à indumentária. Dessa forma, "o traje é debilmente significativo, exprime mais do que notifica; a indumentária, ao contrário, é fortemente significante, constitui uma relação intelectual, notificadora, entre o usuário e seu grupo8:273.

O modelo anglo-americano de enfermagem, no início do século XX, representava a transformação adaptativa do Sistema Nightingale, de acordo com a evolução dos tempos que influenciara no mundo e, em especial nos EUA, questões como o papel social da mulher, as políticas de ensino, as práticas de saúde e a moda, em que pese aqui o seu papel social. Logo, esse modelo já transmitia o ideal norte-americano de enfermagem, presente também nos uniformes determinados nas instituições de ensino.

A importação do modelo anglo-americano de enfermagem pelo Brasil foi viabilizada pelo DNSP, que promoveu uma Reforma Sanitária, desenvolvida entre os anos de 1920 e 1924. Nesse momento, o campo sanitário revelava-se uma arena de interesses que envolviam investimentos nas profissões voltadas para o campo da saúde pública, e,dessa forma, foi providenciada a vinda de uma Missão de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento da Enfermagem no Brasilb, composta por enfermeiras norte-americanas, a fim de criar um Serviço de Enfermeiras de Saúde Pública e uma Escola de Enfermeiras2,11. Em tal contexto histórico, o tema da identidade em construção se achava presente também no âmbito das profissões da saúde, tanto que a Fundação Rockefeller viria a financiar a ida de médicos sanitaristas e de enfermeiras para se especializarem nos EUA11.

O início do funcionamento do Serviço de Enfermeiras do DNSP, antes mesmo da formação da primeira turma da EAN, pode ser entendido como o primeiro movimento na construção da identidade de enfermeira que se pretendia inserir na sociedade, quando concordamos que o trabalho está no centro dos processos de construção e reconstrução das formas identitárias, porque é no trabalho que o indivíduo adquire o reconhecimento financeiro e simbólico de sua atividade nas sociedades salariais; por meio dele ascende à autonomia e à cidadania7. Além disso, a presença dessas enfermeiras em uma prática profissional diferenciada da prática existente até então na postura, nos saberes e na conduta, destacou uma nova imagem de enfermeira, que tinha em seu uniforme o primeiro sinal de identificação.

Logo, o modelo implantado pelas norte-americanas, ao determinar a necessidade de formação escolar para enfermeiras, segundo critérios técnicos, influenciou a transformação na formação de recursos humanos nesse período, quando ocorre a expansão do papel da mulher na sociedade brasileira11, e criou também uma outra identidade social de enfermeira, na medida em que "em um dado sistema social, a posição social, a riqueza, o status e/ou prestígio dependem do nível de formação, da situação de emprego e das posições no mundo do trabalho"7:1.

Uniforme hospitalar de estudantes e enfermeiras como signo do modelo anglo-americano de enfermagem

A formação profissional de enfermeiros no Brasil já existia desde 1890, com a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, e desde 1916 com a Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira2. No início do século XX, a mídia mostrava a imagem pública da enfermeira na figura de uma mulher vestida de branco, caracterizando-a profissionalmente a partir de elementos constituintes de seu vestuário, relacionados à instituição a qual pertencia, como, por exemplo, a presença de véu com cruz na região frontal da cabeça e braçal como parte integrante do uniforme da Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha12. A substituição da enfermagem pré-profissional religiosa pela enfermagem profissional laica no Brasil foi um processo que se estendeu pela primeira e segunda metade do século XX e teve como principal estratégia a divulgação da imagem da enfermeira laica diplomada, devidamente uniformizada2,12.

A configuração de uma nova identidade profissional de enfermeira no Brasil teve em seu processo constitutivo a valorização da disciplina, das tradições, dos emblemas, dos rituais e dos uniformes3,13. O uso oficial do uniforme na EAN foi parte importante da estratégia de se implantar uma nova identidade profissional, sendo utilizado como um símbolo, uma vez que a linguagem das roupas, embora sendo uma linguagem nãoverbal, apresenta as mesmas funções da linguagem verbal, transmitindo informações8. No caso da EAN, no período do estudo, a principal informação era a de que as estudantes e diplomadas eram capazes de reproduzir o modelo de suas precursoras, o que também era transmitido pelo uniforme, forte instrumento de proclamação de uma identidade14, como vemos nas imagens de estudantes uniformizadas no Brasil e nos EUA, na década de 1920.

As imagens evidenciam as seguintes semelhanças entre os uniformes das estudantes: touca branca lisa, avental branco sobre vestido de mangas curtas, com punhos e colarinhos brancos, meias e sapatos fechados brancos. Na EAN, sabemos que o vestido era de finas listras azuis e brancas3, mas o fato de as fotos serem em preto e branco não nos permite confirmar a cor do tecido dos vestidos.

Nesta pesquisa identificamos que, em muitas escolas norte-americanas, as cores do uniforme eram azul e branco, incluindo a Escola de Bellevue, primeira criada com base no Sistema Nightingale. Na descrição dos uniformes da Escola de Enfermagem do Hospital Batista da Carolina do Norte, no período de 1923 a 1943, estes são representados romanticamente como uma sombra azul e branca, costurados com verdadeira dignidade; de 1944 a 1968, o vestido era azul marinho com punhos e gola brancos e seu último modelo, usado de 1969 a 1974, de finas listras azuis e brancas15. Sendo assim, podemos afirmar que, tradicionalmente, as cores azul e branco eram também uma característica simbólica do uniforme das alunas de enfermagem nos EUA.

Embora nas imagens o modelo da touca pareça semelhante, temos aí uma diferença entre os uniformes das alunas norte-americanas e brasileiras: a touca usada na EAN era em formato de bico e a da Escola de Vanderblit,em formato arredondado. O modelo de touca arredondado começou a ser utilizado na EAN em 1932, durante a gestão de Rachel Haddock Lobo como diretora, retornando, em 1940, para o modelo de bico3.

Complementando o uniforme, a EAN exigia cabelos presos em rede, unhas curtas e limpas e o uso de um relógio com ponteiro de segundos, sendo proibido o uso de maquiagem e esmalte de unhas3. Na foto das estudantes americanas não se observa o uso de rede, mas sim cabelos curtos, em um corte usado na década de 1920, que tinha relação com a libertação da mulher, após a segunda guerra mundial, quando iniciou uma transformação do seu papel social, manifestada em mudanças como o uso de cabelos curtos, de saias mais curtas e de calças compridas14.

Além disso, as mulheres modernas procuraram adaptar-se às oportunidades apresentadas, inclusive ocupando espaços antes reservados aos homens, preenchendo vagas de emprego como balconista, secretária e telefonista, funções que lhes proporcionaram independência econômica e a oportunidade de trajar-se fora dos padrões ditados pela vida no lar14. Nesse sentido, a enfermagem moderna apresentava-se como mais uma oportunidade de profissionalização feminina, abraçada pelas norte-americanas que elevaram o status profissional com a organização de classe e a criação de cursos de pós-graduação em enfermagem, nas primeiras décadas do século XX.

A ilustração 1 mostra que o uso do uniforme não se restringe à exigência sobre o vestuário, também abrange a postura assumida pelo grupo uniformizado, o que podemos observar na obediência das estudantes à mesma regra da etiqueta feminina para sentar: pernas ou pés cruzados. Logo, o uniforme é um potente aliado na moldagem de comportamentos. Ao vestir o uniforme, os trabalhadores incorporam uma persona que os move a agir conforme expectativas sociais, com atuação pautada no comprometimento corporativo, que também funciona como um instrumento ideológico para moldar ações (físicas e mentais) e introduzir novos hábitos e postura16.

Ilustração 1 EAN, turma 1925 (CEDOC/EEAN, Àlbum de Clara Kieninger)Estudantes da Escola de Enfermagem da Universidade de Vanderblit, 1925 (1920s: Photo & Events | Celebrating 100 Years | Vanderbilt School of Nursing. In: http://www.nursing.vanderbilt.edu/centennial/timeline/images/1920_1025studentnurses.jpg) 

Na ilustração a seguir, podemos identificar as professoras e sua especialidade a partir do uniforme, que evidencia a distinção hierárquica, em que pese o fato de não estarmos considerando o arranjo fotográfico, uma vez que não nos propusemos a esse tipo de análise.

Ilustração 2 EAN, Classe 1925 (CEDOC/EEAN/Rituais/Foto: 1020001.2Imagem 5: Nurse School graduates, Eastern Maine General Hospital, 1922 (Eastern Maine Medical Center-Item 16251) 

As imagens nos permitem ver um grupo de alunas usando o mesmo uniforme e as professoras com o uniforme de diplomada. As semelhanças entre os uniformes das diplomadas estão no vestido branco, com gola em formato v, abotoado na frente e touca branca. Novamente está no modelo da touca a diferença dos uniformes usados no Brasil e nos EUA; em ambos os casos, a touca é o elemento de distinção entre diplomadas e estudantes: no caso da EAN, a touca da diplomada tem um friso escuro, enquanto a touca da estudante é totalmente branca; na escola norte-americana, a touca da diplomada tem formato arredondado enquanto a das alunas tem formato de bico.

As imagens de alunas de enfermagem e enfermeiras registradas em diferentes épocas e em todo o mundo mostram uma grande variação do modelo da touca usada com o uniforme de estudantes e de diplomadas. Nos EUA, a touca era usada para distinguir uma escola de enfermagem da outra, através do seu formato e da largura, quantidade e cor das listras15. Tanto na EAN como nas escola norte-americanas, nas décadas de 1920-1930, não encontramos variação da cor da touca: todas eram brancas. Nas que tinham friso, este era em cor escura que, no Brasil, podemos afirmar que era azul marinho3.

Na ilustração 3, repara-se a ausência de avental no uniforme das diplomadas, cujos principais elementos simbólicos são a cor branca e a touca. O avental tem como principal função a proteção e, na história do vestuário, caracterizava simbolicamente o trabalho doméstico como o de criado e jardineiro1. A retirada do avental do uniforme da enfermeira ao se diplomar visava demonstrar a figura de uma profissional preparada para suas funções, ou seja, o avental era parte do vestuário de aprendizes, que tinham como função auxiliar enfermeiras durante o estágio em hospitais.

Ilustração 3 EAN, classe 1925 (CDOC/EEAN-Álbum de Clara Kieninger, p.12) 

Já a cor branca na roupa da enfermeira hospitalar tem relação com as questões higiênicas e as descobertas que levaram à antissepsia e permitiram a substituição do tecido escuro, usado nos hábitos das religiosas, pelo tecido claro. Dessa forma, foi se introduzindo no espaço hospitalar, juntamente como as condutas higiênicas, a noção de limpeza através de um vestuário claro, que podia ser mais rapidamente identificado como limpo. Essa passagem do tecido escuro para o tecido branco no uniforme da enfermagem marca também seu processo de laicização1:81. Por outro lado, novas concepções higiênicas fez nascer o uniforme somente para o trabalho, tanto que na EAN havia um vestuário para se guardar o avental quando a aluna não estivesse em campo prático3.

O avental usado na EAN era branco, do comprimento do vestido, cintura marcada, peito em decote v e alças cruzadas nas costas. Além da proteção higiênica, o avental protegia a forma da mulher que o usava, sendo largo da cintura para baixo, adquirindo também uma função de moralidade.

Em um registro da visita de estudantes da primeira turma da EAN ao Hospital Geral da Filadélfia, em 1925, aparece, além das brasileiras, uma enfermeira e estudantes de diferentes fases da Training School for Nurses of Philadelphia General Hospital (PGH) uniformizadas. Interessa-nos destacar as estudantes com uniforme hospitalar, e, dentre elas, é possível identificar cinco estudantes da EAN sentadas na primeira fila. A distinção está no modelo da touca das estudantes: arredondada para o PGH e de bico para a EAN; na cor das meias e dos sapatos: pretos para o PGH e brancos para a EAN; pelo comprimento da manga do vestido: longas para o PGH e curtas para a EAN. Também vemos o uso de broche pelas brasileiras.

Ilustração 4 Visita das Pioneiras ao Hospital Geral da Philadélfia - 1925Banco de Fotos/Eventos/ Foto: 4.31.1363.1 

Os elementos de distinção observados nos uniformes das alunas da EAN e do PGH também o eram entre as próprias escolas de enfermagem norte-americanas, sendo comum cada uma ter seu modelo de touca e seu broche com a insígnia institucional correspondente, entre outras diferenças como variações de cor nos elementos que o constituem. No entanto, a imagem simbólica de estudantes e enfermeiras é reconhecida pelas características comuns dos uniformes, como o avental e a touca brancos. A semelhança das imagens das estudantes de enfermagem brasileiras e norte-americanas evidencia o papel do uniforme na construção da imagem de estudante e de enfermeira implantada pela Missão Parsons na EAN, seguindo o modelo das escolas dos EUA.

Sendo assim, por serem elementos padronizados por autoridades externas, os uniformes podem constituir-se como recurso estratégico na formação da imagem profissional e da identidade do indivíduo16. Enquanto estiveram em Missão no Brasil, as enfermeiras norte-americanas lutaram para construir a imagem de uma enfermeira que desse visibilidade à profissão pelo seu preparo e sua conduta13.

Além disso, o processo de formação da EAN somava saberes práticos, profissionais, de organização e teóricos que, ao serem associados, constituem identidades profissionais e sociais, construídas por meio de processos de socialização cada vez mais diversificados7. Logo, é possível considerar o uniforme, com suas características padronizadas e obrigatórias, como um elemento que faz parte da construção da identidade profissional, uma vez que o vestuário é fundamental na construção da imagem dos indivíduos8.

A touca como símbolo da enfermagem moderna

A cerimônia de recepção de toucas, que também ocorria nas escolas norte-americanas, foi instituída na EAN desde a primeira turma. Constituía-se em um rito de passagem da fase preliminar do curso para a fase profissionalizante e efetiva integração ao corpo discente. Tinha por objetivo reforçar a identidade profissional, associada ao modelo que ora se implantava, por meio da exaltação de elementos constituintes do uniforme, correspondentes à fase profissionalizante que a estudante iria cursar. Nessa cerimônia, as estudantes que iriam para a fase hospitalar apresentavam-se, pela primeira vez, usando o avental branco sobre o vestido do uniforme para receber a touca e, assim,completar o uniforme hospitalar. Já as estudantes que iriam cursar a fase de saúde pública se apresentavam com o uniforme correspondente a esta fase para receber suas braçadeirasc.

Esse rito visava inculcar nas estudantes a identidade profissional que deveria ser desenhada durante a formação, associando-a ao uniforme que usavam pela primeira vez, como vemos nas palavras da diretora da EAN, Clara Louise Kieninger, em seu discurso proferido na cerimônia de recepção de toucas da primeira turma, em que ressalta o valor simbólico do uniforme: "vosso uniforme mostra ao mundo que pertenceis ao grupo restrito de indivíduos que acolhem aos irmãos em perigo de vida"17:1. Ao se referir àtouca, a diretora associa o seu uso ao comprometimento com os ideais da profissão: "E agora que cada uma está usando a touca,nunca deveis esquecer que estais designadas a trabalhar sobre a vida e a morte das criaturas de Deus e que sempre estejais prontas para qualquer chamado de vossa vocação"17:1.

Ao destacarem a nobreza do trabalho da enfermeira pela sua natureza de cuidar do ser humano que sofre, enfatizando que o trabalho a que serão designadas pertence a um grupo restrito, as palavras da diretora levam a uma projeção do trabalho da enfermeira a ser exercido pelas estudantes futuramente. As modalidades de construção de uma identidade profissional se constituem, não somente de uma identidade no trabalho, mas,sobretudo, de uma projeção de si no futuro, da antecipação de uma trajetória de emprego e da elaboração de uma lógica de aprendizagem, ou melhor, de formação7.

Na cerimônia de recepção de toucas somavam-se elementos importantes para a construção de uma identidade profissional, como o uso do uniforme e a exaltação a seus elementos, em especial a touca, que era colocada na cabeça das alunas em um ritual preparado com diversos elementos simbólicos, como a proclamação de juramento e a lâmpada da enfermagem acesa, em que as alunas acendiam suas velas individuais, na presença do corpo discente e docente da EAN, de autoridades externas e convidados3,14.

Ilustração 5 Recepção de Toucas - Classe 1929 CDOC/EEAN - Banco de fotos/Rituais/Foto: 1.04.0005.1Imagem 10 - Recepção de Toucas - Classe 1931 CDOC/EEAN - Banco de fotos/fotos/Rituais/Foto:1.06.0009.1 

O vestuário não se restringe à manifestação artística ou ornamental, seu uso demonstra a necessidade de manifestar um significado;dessa forma, vai além dos aspectos estético e funcional, tendo uma dupla origem que é ao mesmo tempo simbólica e instrumental8.

Para as estudantes,o significado da touca usada no uniforme da enfermeira era o do compromisso e da responsabilidade assumidos por quem a usava, neste caso, em atingir o padrão proposto pelas enfermeiras norte-americanas, o que se observa nas palavras de Ethel Parsons durante a primeira cerimônia de recepção de toucas, realizada na EAN:

Nós, as enfermeiras da América do Norte, que fomos convidadas pelo vosso governo para trazer-nos o benefício da experiência e educação que recebemos das nossas enfermeiras antecessoras, só estaremos convosco por algum tempo [...] Conservai-vos a altura dos mais elevados ideais das nobres e sublimes qualidades da mulher e da profissão de enfermeira, e, dentro de dois anos, quando tiverdes completado o vosso curso, nós, as enfermeiras de outras nações, vos acolheremos nas nossas fileiras, e assim seremos unidas pelo mesmo vínculo [...]18:60.

Ao analisarmos tal discurso, podemos identificar a cerimônia de recepção de toucas como estratégia para realizar a construção de uma identidade profissional e, portanto, social, quando os indivíduos devem entrar em relações de trabalho, participar de uma forma ou de outra em atividades coletivas de organização e intervir no jogo de atores8.

Para a formação de um novo modelo profissional, a valorização da touca, acessório presente do uniforme de estudante e de enfermeira, teve papel decisivo, uma vez que o uniforme das enfermeiras deveria ressaltar suas qualidades, construindo assim sua imagem social, que foi oficialmente reconhecida como a imagem da enfermeira padrão no Brasil, em consequência do Decreto de 1931.

A imagem da enfermeira Anna Nery passou a ter na touca seu sinal de distinção, de reconhecimento profissional de um grupo devidamente preparado e diplomado para exercer a enfermagem, seja em atividades de ensino, assistencial ou de supervisão. Sendo a imagem o registro do que vemos ou acreditamos ver, seu significado está relacionado com a interpretação que cada indivíduo pode fazer de acordo com seus esquemas imaginários. A imagem, como representação do real, eleva-se à categoria de signo, que quando se torna uma convenção passa a ser um símbolo17.

CONCLUSÃO

Algumas limitações permearam o desenvolvimento do estudo como a falta de acesso a todos os documentos das escolas norte-americanas de interesse para a pesquisa na íntegra, uma vez que esta pesquisa não contou com financiamento e, por isso, priorizou os documentos de acesso gratuito. Por outro lado, a riqueza de documentos do CEDOC/EEAN e de publicações sobre os uniformes nas escolas norte-americanas permitiu a realização do estudo.

Nesta pesquisa, focalizamos exclusivamente o uniforme hospitalar de estudantes e enfermeiras brasileiras e norte-americanas, o que nos permitiu observar que elementos como a cor branca, o avental e a touca foram elevados a signos da profissão, nas primeiras décadas do século XX, substituindo a imagem da enfermeira usando o hábito religioso.

A implantação do modelo anglo-americano de enfermagem por enfermeiras norte-americanas buscou elevar o status da profissão na sociedade brasileira, e, dentre as estratégias para a construção de uma nova identidade profissional de enfermeira, destacou-se o uso de uniforme. A importância do uniforme nessa construção foi evidenciada neste estudo, reafirmando seu papel já descrito por sociólogos, que o consideram um elemento que possibilita o conhecimento de regras e valores associados às roupas e à seus acessórios, bem como às ocasiões e formas de uso, uma vez que os uniformes têm como característica a regulamentação oficial de um grupo, como ocorre não somente em grupos profissionais, mas também em grupos escolares, religiosos, hospitalares e outros.

A semelhança entre os uniformes de brasileiras e norte-americanas reforçou a ideia de que houve a intenção de se transpor, guardadas asdevidas proporções, o modelo de enfermeira dos EUA para o Brasil. As imagens de estudantes e enfermeiras uniformizadas, divulgadas pelo DNSP, um órgão de abrangência nacional, e pela EAN, que mantinha rituais dedicados à valorização do uniforme, como a Cerimônia de Recepção de Toucas, fez nascer e reconhecer um novo modelo de ensino e de assistência de enfermagem na sociedade.

A Cerimônia de Recepção de Toucas pode ser entendida como um rito de passagem e de institucionalização, momento ao qual se conferia status de pré-formatura, em quea identidade profissional se completaria com o uso do uniforme. A exaltação da touca, com atribuição de significados vocacionais e identitários ao seu uso, reproduzia um mecanismo utilizado desde a antiguidade, através do qual as categorias e princípios culturais são codificados e manifestados, funcionando como demonstração de uma mudança, como um instrumento de dominação e compromisso institucional e/ou social.

O estudo demonstrou que os uniformes implantados na EAN pela Missão Parsons influenciou de forma positiva a implantação de um novo modelo de enfermagem e a formação de uma identidade profissional de enfermeira no Brasil, por servir como elemento de distinção social e hierárquica, bem como por aproximar as estudantes eenfermeiras brasileiras e norte-americanas pela semelhança de seus uniformes, ou seja, pela imagem construída a partir dos mesmos elementos simbólicos de seus vestuários.

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