Uso de preservativos na última relação sexual entre universitários: quantos usam e quem são?

Uso de preservativos na última relação sexual entre universitários: quantos usam e quem são?

Autores:

Laísa Rodrigues Moreira,
Samuel Carvalho Dumith,
Simone dos Santos Paludo

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.4 Rio de Janeiro abr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018234.16492016

Introdução

Questões como transmissão e infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DST's) e vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) são preocupantes quando se trata de saúde sexual e reprodutiva das populações. A Organização Mundial da Saúde1 estima que a cada ano haja 500 milhões de novos casos de DST's curáveis. Em 2013 o número de novas infecções pelo HIV em âmbito mundial contabilizou em cerca de 2,1 milhões2. Dados globais apontam que em torno de um terço da carga global de doenças em mulheres em idade reprodutiva seja atribuído à complicações relacionadas à saúde sexual e reprodutiva3.

No Brasil, a principal estratégia preventiva da Política Nacional de Enfrentamento da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é o uso de preservativos, porém, tem-se observado uma tendência de declínio no uso de preservativos, em especial entre os jovens, apesar de representarem o segmento populacional com maior proporção de uso4. A população de universitários é constituída em sua maior parte por jovens com vida sexual ativa os quais constituem um dos grupos vulneráveis a desfechos negativos para a saúde sexual e reprodutiva5.

A entrada para a universidade possibilita a muitos adolescentes, jovens e adultos, a formação profissional ao mesmo tempo em que permite a transição para um mundo ainda desconhecido e repleto de novas experiências, inclusive experiências sexuais. Há universitários que migram de outros municípios, vindo a morar sozinhos e a adotar novos comportamentos. Embora universitários tenham alto grau de escolaridade, por vezes, o conhecimento sobre DST's/Aids e questões relacionadas à saúde reprodutiva é ainda incipiente6. Somado a isso, há universitários que desconhecem seu status sorológico7. É possível que universitários que não percebem os riscos a que estão expostos possam negligenciar a importância de comportamentos protetivos como o uso de preservativos8. Isso faz com que estejam vulneráveis ao HIV/Aids e outras DST's, além da ocorrência de gravidez indesejada e aborto, como demonstrado em estudos com essa população911.

O Rio Grande do Sul aparece no topo do ranking que considera a primeira contagem de CD4, a taxa detecção de casos de Aids e a taxa de mortalidade por Aids, sendo um dos estados prioritários para ações relacionadas ao HIV/Aids12. O Município do Rio Grande, localizado no extremo sul do Brasil, está entre as quatro primeiras posições do ranking elaborado para as cidades, conforme índice composto. Entre pessoas de 15 a 49 anos de idade, foi encontrada uma prevalência de HIV/Aids de 0,6%, maior do que na população geral cuja prevalência é de 0,4%. Considerando a realidade local e as peculiaridades da população de universitários, é possível que parte dos universitários acabe tendo relações sexuais sem o uso de preservativo, o que os deixa vulneráveis a determinados desfechos.

Por outro lado, maior proporção de uso de preservativos tem sido identificada em pessoas do sexo masculino13,14, solteiras15,16, mais jovens17, com parceria casual18, que iniciaram a vida sexual mais tarde9,19 tendo usado preservativo na primeira relação20,21, entre outros fatores. Somado a isso, a adoção do uso de preservativos entre adolescentes e jovens pode sofrer influência de variáveis comportamentais e psicossociais22,23. A disponibilidade do preservativo também tem sido apontada como importante para que ocorra o uso24.

O preservativo feminino, embora menos utilizado entre os universitários em comparação ao masculino25,26, aparece como uma opção importante no contexto da prevenção do HIV e outras DST's27. No Brasil, preservativos masculinos e femininos são distribuídos de forma gratuita. No entanto, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas que monitorem o uso de preservativos entre os diferentes segmentos populacionais e os fatores que contribuem para a adoção desse comportamento protetivo, em especial nos municípios de maior risco.

Estudos com universitários, em especial os relacionados à saúde sexual e reprodutiva, com frequência se voltam para jovens adultos. Contudo, esforços têm ocorrido para democratizar o acesso ao ensino superior, o que pode repercutir em uma mudança na configuração desse segmento populacional, inclusive no que tange à faixa etária28. Poucas informações recentes no Brasil, em particular dos últimos quatro anos, sobre o uso de preservativos na população geral29 e, em especial, representativas da população de universitários de instituições de ensino públicas têm sido identificadas. Conforme apresentado, uma série de variáveis têm sido identificadas na literatura como associadas ao uso de preservativos. Esta pesquisa é guiada por um modelo hierárquico construído a fim de testar se na população de universitários a associação entre uso de preservativos e determinadas variáveis selecionadas se mantém após o controle para possíveis confundidores, considerando o contexto universitário de forma ampla. Neste sentido, o objetivo desta pesquisa é medir a prevalência do uso de preservativo na última relação sexual e os fatores associados em estudantes de uma universidade pública do Município do Rio Grande, localizado no extremo sul do Brasil.

Métodos

Este estudo é parte de um consórcio de pesquisa, o qual teve por objetivo avaliar a saúde dos estudantes de cursos de graduação de uma universidade pública federal do extremo sul do Brasil. No ano de 2014, havia cerca de 8.000 estudantes de graduação, distribuídos em torno de 66 cursos. A população elegível incluiu universitários com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos, regularmente matriculados em cursos de graduação da universidade, no primeiro semestre do ano de 2015 e que estudavam nos dois campi situados no Município do Rio Grande/RS (Carreiros e Saúde). Rio Grande conta com aproximadamente 197 mil habitantes30.

Foi empregado delineamento transversal, com amostragem sistemática das turmas, realizada em um único estágio, a partir da listagem de todas as disciplinas oferecidas por cada curso de graduação. O sistema eletrônico da universidade (http://www.furg.br/) foi consultado a fim de obter a relação de todas as turmas. Nesta lista, constavam 2107 disciplinas ofertadas, o que correspondia ao número total de turmas. O tamanho amostral estimado para o estudo maior, a fim de contemplar as análises independentes, foi de 1.811 indivíduos. A amostra final contou com 93 turmas. Todos os alunos de cada turma sorteada foram convidados a participar da pesquisa.

Universitários com idade inferior a 18 anos e os alunos que haviam trancado a matrícula ou desistido de cursar foram retirados da contabilização geral. Os estudantes matriculados em mais de uma disciplina foram contabilizados apenas uma vez. Sendo assim, o número de universitários elegíveis foi de 1736. A pesquisa contou com um número de não respondentes de 313 alunos (18,1%), sendo 43 recusas (2,5%) e 270 perdas (15,6%). Para as análises deste artigo houve exclusão de universitários que nunca tiveram relações sexuais e dos que não tiveram relações sexuais nos 12 meses anteriores à coleta de dados.

No cálculo de tamanho amostral para prevalência foi empregada uma estimativa de prevalência de 50%, nível de confiança de 95% e margem de erro de 4 pontos percentuais. No cálculo para fatores associados, o nível de confiança foi de 95%, poder de 80%, razão de prevalências de 1,5 e proporção mínima de 15% para os grupos expostos. Em ambas as estimativas foi acrescentado 10% para perdas e recusas e 20% em função de excluir da análise as pessoas que não tiveram relações sexuais. No cálculo para fatores associados também foi acrescentado 15% para controle de confundimento. As estimativas resultantes foram multiplicadas pelo efeito de delineamento de 1,5, o qual considera o tamanho do conglomerado (n° médio de alunos em cada turma, estipulado em 20) e o coeficiente de correlação intraclasse (assumido como 0,02)31. O tamanho amostral calculado inicialmente para esta pesquisa foi de 1089 universitários.

A variável desfecho deste artigo foi operacionalizada da seguinte forma: “Você ou seu (sua) parceiro(a) utilizaram preservativo (camisinha) na sua última relação sexual (vaginal, oral ou anal)?”, com opções de resposta do tipo “(0) Não/ (1) Sim”. Há indícios de que a medida do uso de preservativo na última relação sexual possa ser utilizada como proxy para outras formas de mensurar o uso de preservativos, levando em conta o período de recordatório correspondente32. Para as análises deste estudo não houve distinção entre o tipo de preservativo utilizado na última relação sexual, podendo abranger preservativos masculinos e femininos. Ambos se mostram relevantes para a prevenção do HIV/Aids e outras DST's33. É possível que a disponibilidade do preservativo feminino juntamente com o masculino contribua mais para a diminuição do número de relações sexuais sem proteção do que quando o preservativo masculino é disponibilizado de forma isolada34.

As variáveis independentes foram: sexo (feminino/masculino); idade em anos completos, calculada através da data de nascimento e categorizada a posteriori (18-19, 20-24, 25-29, ≥ 30); renda familiar no mês anterior coletada em reais, a qual inclui a renda do indivíduo (categorizada em quartis); situação de relacionamento atual nas seguintes categorias: sem companheiro (solteiro, separado ou viúvo), namorando, e casado ou tem companheiro/ “vive junto”; a variável “com quem mora”, cujas categorias foram: morar sozinho, morar com a família (pais, padrasto/madrasta, parentes, filhos, cônjuge, companheiro/namorado), e morar com amigos, em pensionato ou casa do estudante; idade da primeira relação sexual, coletada em anos (categorizada como: ≤ 14, 15 a 17, ≥ 18); uso de preservativo na primeira relação sexual (não/sim), n° de parceiros sexuais no último mês, coletado como numérico discreto (categorizado como nenhum, um, dois ou mais); e tipo de parceiro sexual na última relação (parceiro fixo/parceiro casual).

Como instrumento, utilizou-se questionário autoaplicável e confidencial, composto por blocos de perguntas gerais (variáveis socioeconômicas, demográficas e sobre a vida acadêmica) e blocos de questões específicas. Ao todo foram formuladas 158 questões. As questões pertencentes ao bloco sobre práticas sexuais e uso de preservativos foram construídas com base em dois instrumentos utilizados em pesquisas com amostra de adolescentes e jovens35,36 e na literatura revisada, sendo organizadas no questionário de acordo com o período de recordatório correspondente. O instrumento foi pré-testado em estudo piloto conduzido entre estudantes de graduação da Universidade Federal de Pelotas (cidade vizinha).

A pesquisa contou com o apoio da Pró-Reitoria de Graduação da universidade. Somado a isso, ocorreu contato prévio (via e-mail, telefone ou presencial) com os professores regentes das disciplinas selecionadas para o agendamento das visitas e revisitas. A aplicação do instrumento foi padronizada e, após o preenchimento, os universitários depositavam o questionário em urna devidamente lacrada. A coleta de dados ocorreu de abril a junho de 2015. Todos os questionários foram codificados e, em seguida, tabulados no software livre EPIDATA 3.1, com dupla entrada, checagem automática de amplitude e consistência.

Foram realizadas análises estatísticas descritivas, bivariadas e multivariáveis utilizando o pacote estatístico STATA 13.137. Em um primeiro momento foi realizada análise descritiva, com descrição de frequências absolutas e relativas. Regressão de Poisson, com variância robusta, foi empregada na análise bivariada e na multivariável, gerando a razão de prevalências (RP), intervalo de confiança (IC) de 95% e valor p, obtido pelo teste de Wald. Na análise ajustada, seguimos o modelo hierárquico de análise que está exposto na Figura 1. O método de seleção de variáveis foi do tipo “backward”, no qual as variáveis de cada nível foram introduzidas em bloco, sendo mantidas para ajuste com as variáveis do nível subsequente àquelas que tiveram valor p < 0,238. Em todos os testes estatísticos foi utilizado como nível de significância estatístico valor p < 0,05 para teste bicaudal.

Figura 1 Modelo hierárquico de análise para investigação do uso de preservativos na última relação sexual entre universitários de cursos de graduação. Rio Grande, RS, 2015. 

Todos os participantes assinaram termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto geral do consórcio de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa na Área da Saúde (CEPAS)/FURG.

Resultados

Participaram da pesquisa 1423 estudantes de cursos de graduação (81,9% do total de elegíveis). Para as análises deste estudo foram excluídos 186 indivíduos que não tiveram relação no último ano, totalizando 1237 universitários. Destes, 22 (1,8%) não tinham informação para a variável desfecho, sendo analisados 1215 indivíduos.

A amostra foi constituída em sua maior parte por jovens entre 20 e 29 anos de idade (65,6%) que moravam com a família (67,3%), sendo 50,2% do sexo feminino (Tabela 1). A mediana de renda familiar foi de R$ 3.000,00 reais (Intervalo Interquartílico de R$ 1.600,00–R$ 6.000,00). A maior parte dos universitários teve a primeira relação sexual antes dos 18 anos de idade (69,3%), sendo que 14,9% da amostra total iniciou a vida sexual com idade igual ou inferior a 14 anos. A média de idade da primeira relação sexual foi de 16,5 (DP = 2,3) anos.

Tabela 1 Descrição da amostra de 1215 universitários que tiveram relações sexuais pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à coleta de dados. Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Rio Grande/RS. 2015. 

Variável N* %
Sexo (N = 1197)
Feminino 601 50,2
Masculino 596 49,8
Faixa etária (anos) (N = 1121)
18-19 149 13,3
20-24 543 48,4
25-29 193 17,2
≥ 30 236 21,1
Renda familiar (N = 1132)
1° quartil 266 23,5
2° quartil 308 27,2
3° quartil 263 23,2
4° quartil 295 26,1
Situação de relacionamento atual (N = 1207)
Sem companheiro 434 36,0
Namorando 449 37,2
Casado ou tem companheiro/“Vive junto” 324 26,8
Com quem mora (N = 1207)
Sozinho 149 12,3
Família 812 67,3
Amigos, pensionato ou casa do estudante 246 20,4
Idade na primeira relação sexual (anos) (N = 1212)
≤ 14 181 14,9
15 a 17 659 54,4
≥ 18 372 30,7
Uso de preservativo na primeira relação sexual (N = 1211)
Não 320 26,4
Sim 891 73,6
N° de parceiros sexuais no último mês (N = 1204)
Nenhum 172 14,3
Um 942 78,2
Dois ou mais 90 7,5
Tipo de parceiro na última relação sexual (N = 1211)
Parceiro fixo 920 76,0
Parceiro casual 291 24,0
Uso de preservativo na última relação sexual (N = 1215)
Não 711 58,5
Sim 504 41,5

*O N total da amostra é 1215, porém, em função dos valores ignorados para cada variável de exposição, a soma total das categorias pode resultar em um valor inferior ao tamanho da amostra.

Percentual calculado com base no número de respondentes.

A prevalência de uso de preservativo na última relação sexual foi de 41,5% (IC95%: 38,7 - 44,3). Entre os grupos com menor prevalência estão os graduandos que não usaram preservativo na primeira relação sexual: 27,5%; e aqueles que iniciaram a vida sexual com idade igual ou inferior a 14 anos: 29,3% (Tabela 2). Universitários casados ou com companheiro compuseram pouco mais de um quarto da amostra, sendo o grupo com menor ocorrência de uso de preservativo na última relação sexual: 19,1%. Por outro lado, maior prevalência de uso de preservativo na última relação ocorreu entre os estudantes que tiveram parceiro casual na última relação (72,9%) e naqueles que não tiveram relações no último mês (o uso do preservativo foi de 72,1%), ou nos que tiveram 2 ou mais parceiros no último mês (66,7%).

Tabela 2 Prevalência (P) do uso de preservativo na última relação sexual em universitários que tiveram relações sexuais nos últimos 12 meses, conforme as variáveis analisadas (N = 1215). Rio Grande/RS. Ano de 2015. 

Variável P Análise Bruta Análise Ajustada
RP IC95% Valor p RP IC95% Valor p
Sexo < 0,001 < 0,001
Feminino 34,9 1,00 1,00
Masculino 47,9 1,37 1,20-1,58 1,42 1,23-1,65
Idade (anos) < 0,001* < 0,001*
18-19 48,9 1,58 1,23-2,04 1,65 1,27-2,14
20-24 47,2 1,52 1,24-1,88 1,55 1,24-1,93
25-29 32,1 1,04 0,78-1,3 1,01 0,75-1,36
≥ 30 30,9 1,00 1,00
Renda familiar 0,057* 0,058*
1° quartil 45,9 1,21 0,99-1,47 1,22 1,00-1,49
2° quartil 41,6 1,10 0,90-1,33 1,13 0,93-1,38
3° quartil 39,9 1,05 0,85-1,30 1,10 0,89-1,35
4° quartil 38,0 1,00 1,00
Situação de relacionamento atual < 0,001 < 0,001
Sem companheiro 64,3 3,36 2,66-4,25 3,22 2,43-4,25
Namorando 35,6 1,86 1,44-2,41 1,98 1,47-2,67
Casado ou tem companheiro/ “Vive junto” 19,1 1,00 1,00
Com quem mora < 0,001 0,120
Sozinho 45,6 1,21 0,99-1,47 0,84 0,68-1,04
Família 37,8 1,00 1,00
Amigos, pensionato ou casa do estudante 55,2 1,35 1,17-1,58 0,88 0,75-1,03
Idade na primeira relação sexual (anos) < 0,001* < 0,001*
≤ 14 29,3 1,00 1,00
15 a 17 42,0 1,44 1,13-1,83 1,34 1,06-1,70
≥ 18 46,5 1,59 1,24-2,04 1,63 1,27-2,08
Uso de preservativo na primeira relação sexual < 0,001 < 0,001
Não 27,5 1,00 1,00
Sim 46,6 1,69 1,40-2,05 1,42 1,17-1,71
N° de parceiros sexuais no último mês < 0,001 0,009
Nenhum 72,1 1,00 1,00
Um 33,2 0,46 0,40-0,52 0,78 0,66-0,92
Dois ou mais 66,7 0,92 0,78-1,10 1,00 0,82-1,22
Tipo de parceiro sexual na última relação < 0,001 0,004
Parceiro fixo 31,6 1,00 1,00
Parceiro casual 72,9 2,30 2,05-2,59 1,38 1,11-1,71

*Valor p do Teste de Wald para tendência linear. RP: Razão de prevalência. IC95%: Intervalo de confiança de 95%.

Na análise bruta, os seguintes fatores aumentaram a probabilidade de uso de preservativo na última relação sexual: ser do sexo masculino (RP:1,37; IC95%: 1,20-1,58), não ter companheiro quando a pesquisa foi realizada (RP:3,36; IC95%: 2,66-4,25), morar com amigos, em pensionato ou casa do estudante (RP: 1,35; IC95%: 1,17-1,58) em comparação aos que moravam com a família, ter usado preservativo na primeira relação (RP: 1,69; IC95%: 1,40-2,05) e ter parceiro casual na última relação (RP: 2,30; IC95%: 2,05-2,59). Entre os graduandos que demonstraram menor uso de preservativos estão aqueles que tiveram um parceiro sexual no último mês (RP: 0,46; IC95%: 0,40-0,52), em comparação aos que não tiveram parceiros no último mês (Tabela 2).

Na análise ajustada da Tabela 2, permaneceram associadas ao desfecho do uso de preservativo na última relação sexual as variáveis: sexo, situação de relacionamento, uso de preservativo na primeira relação, tipo de parceiro na última relação e número de parceiros no último mês. Tanto na análise bruta quanto na ajustada houve tendência a diminuição do uso de preservativo conforme o aumento da faixa etária (associação inversa) e quanto menor a idade de início da vida sexual (associação direta), ambos com valor p de tendência linear < 0,001. Renda familiar, teve associação inversa limítrofe na análise bruta e na ajustada, com valor p = 0,057 e p = 0,058, respectivamente. A variável “com quem mora” perdeu associação após o ajuste (p = 0,786) (Tabela 2).

Discussão

Ainda não há consenso sobre a melhor forma de medir o uso de preservativos39, sendo utilizadas diferentes medidas, cada uma delas apresentando vantagens e desvantagens. No entanto, um dos indicadores utilizados em relatórios globais para medir a prevalência do uso de preservativos é o uso de preservativos na última relação sexual24.

A prevalência de 41,5% (34,9% sexo feminino e 47,9% sexo masculino) do uso de preservativo na última relação sexual identificada foi baixa, quando comparada a estudos com jovens da população geral e pesquisas com universitários. Pesquisa conduzida entre jovens brasileiros de 15 a 24 anos da população geral de ambos os sexos encontrou ocorrência de uso de preservativo na última relação de 60%18. Entre jovens de três capitais brasileiras, de 18 a 24 anos, o uso de preservativo na última relação foi de 38,8% para o sexo feminino e 56,0% para o sexo masculino21. Para universitários do sul do Brasil, foi encontrada prevalência de 61,4%, superior à encontrada no presente estudo16. Em países como China, Canadá e Estados Unidos, a prevalência de uso de preservativo na última relação sexual entre universitários foi de 44,2%, 47,2% e 63,8%, respectivamente, variando o período de recordatório e tipo de prática sexual pesquisados9,14,40.

Tendo em vista a alta escolaridade e os diferenciais da população de universitários, chama a atenção o fato de a prevalência encontrada ter sido baixa. Diversas questões, além do conhecimento sobre HIV/Aids e outras DST's e da percepção de risco, podem estar implicadas na adoção ou não desse comportamento protetivo entre universitários. Conforme mencionado, universitários vivenciam uma série de novas experiências tanto relacionadas ao próprio desenvolvimento quanto ao contexto em que estão inseridos. É importante que estratégias preventivas voltadas para esta população contemplem a diversificação presente no contexto universitário. A disponibilidade de preservativos masculinos e femininos, além de informações sobre a forma correta de utilizá-los, também aparecem como estratégias interessantes. No contexto da universidade se produz e multiplica uma série de conhecimentos relevantes que podem contribuir para o emprego de ações que resultem em melhorias para a saúde da população.

Associação entre sexo e uso de preservativos tem sido demonstrada em diversos estudos, com menor proporção de relações sexuais protegidas entre o sexo feminino13,14,18,21. Fatores biológicos e sociais podem deixar as mulheres mais vulneráveis ao HIV/Aids e outras DST's em comparação aos homens41,42. É preocupante que mulheres ainda hoje continuem tendo dificuldades de assumir postura assertiva em decisões sobre saúde sexual e reprodutiva, como o uso de preservativos. Esforços para promover mudanças nesse sentido vêm sendo realizados, o que passa pelo empoderamento para tomada de decisão e luta pela igualdade de gênero42, tendo em vista que há uma série de barreiras a serem enfrentadas. Por outro lado, a prevalência de uso de preservativos na última relação sexual entre homens também foi baixa. É importante que tanto homens quanto mulheres saibam utilizar estratégias de negociação adequadas, que aumentem a probabilidade de uso do preservativo43.

Diferentes relações estabelecidas podem influenciar a adoção do uso de preservativos. Universitários envolvidos em relações de namoro, casamento ou coabitação constituíram a maior parte da amostra, o que difere de estudo em que predominaram universitários não envolvidos nessas relações25. É possível que a diferença de proporção de uso de preservativos entre universitários que namoram e aqueles casados ou com companheiro, ocorra em função das peculiaridades existentes nessas relações, inclusive no que tange à negociação para a adoção de comportamentos protetivos. A inclusão da categoria namoro se mostrou importante no contexto universitário ao apontar tais diferenças em um recorte amplo dessa população.

Conforme os relacionamentos se tornam mais estáveis, há indivíduos que substituem o preservativo por outros métodos contraceptivos, como a pílula anticoncepcional25,44. Contraceptivos hormonais aparecem como o segundo método contraceptivo mais utilizado entre graduandos de universidades do Brasil, sendo que o preservativo é o primeiro26,4547. Com parceiros considerados estáveis, por vezes, o foco passa a ser a prevenção da gravidez46. Essa troca acaba deixando os indivíduos mais vulneráveis ao HIV e outras DST's, do que aqueles que continuam adotando esse método. Por outro lado, graduandos sem companheiro apresentaram maior probabilidade de utilizar preservativo na última relação sexual em comparação aos com companheiro, o que também foi visto em outras pesquisas com universitários14,16,40.

Ter relação sexual monogâmica com parceiro não-infectado aparece como efetivo para proteção contra doenças de transmissão sexual, porém há a possibilidade de universitários estarem infectados e não saber disso, o que poderá acarretar na transmissão para o parceiro48. Além do mais, há a possibilidade de ocorrência de relações sexuais extraconjugais sem o uso de preservativo49. Atualmente intervenções combinadas têm se mostrado efetivas e pesquisas apontam novas formas de prevenção que podem ser utilizados por casais sorodiscordantes29. Contudo, o preservativo é um método de baixo custo e que tem fundamental importância na luta contra HIV/Aids e outras DST's, além de ter se mostrado o método contraceptivo preferido entre universitários nos estudos já citados26,4547.

A tendência a quanto maior a idade dos universitários menor o uso de preservativo na última relação sexual também foi identificada em dois estudos recentes com universitários, um conduzido na Etiópia e o outro no Canadá8,14. É possível que o fato de pessoas com 30 anos ou mais apresentarem menor proporção de uso de preservativo, se comparado aos mais jovens, seja explicado em parte pela preferência de uso de outros métodos contraceptivos ou até mesmo por estarem envolvidas em relacionamentos estáveis tendo a crença de que o preservativo não seria importante, conforme já discutido. Por vezes, estudos com universitários negligenciam a investigação do uso de preservativos em universitários em idade adulta média ou tardia. Isso cria uma lacuna no que tange ao conhecimento e direcionamento das ações para esse grupo. Muitas vezes as ações preventivas são direcionadas apenas para o início da vida sexual, em especial para adolescentes e jovens. No entanto, parece necessário que essas ações sejam realizadas de forma contínua e abrangente. Ao planejar uma intervenção no contexto universitário seria importante adotar abordagens que contemplem as diferentes faixas etárias e etapas do desenvolvimento.

Graduandos que iniciaram a vida sexual mais cedo tiveram maior probabilidade de não usar preservativo na última relação. O início da vida sexual aparece como um marco importante para o desenvolvimento humano46. É necessário que as características desenvolvimentais sejam respeitadas para que os indivíduos possam fazer escolhas que contribuam para a saúde sexual e reprodutiva. Iniciação sexual sem cuidado pode ter ocorrido em função da pouca idade e, como foi mostrado, a maior parte dos universitários teve a primeira relação sexual antes dos 18 anos de idade (69,3%), sendo que 14,9% da amostra total iniciou a vida sexual com idade igual ou inferior a 14 anos. Além disso, a primeira relação com frequência acontece com pessoas conhecidas (em relações de namoro, por exemplo)21, fato que pode aumentar o risco e diminuir a proteção. Como o delineamento deste estudo foi transversal, podemos apenas apontar a existência dessa associação, mas não definir causalidade, pois há critérios específicos para isso50. O uso de preservativo desde a primeira relação sexual também é fundamental, pois, de acordo com o que nossos dados mostraram, houve associação estatisticamente significativa entre uso na primeira e na última relação.

O uso de preservativo na primeira e na última relação sexual tem se mostrado associados em diferentes estudos, sendo relacionado a hábitos sexuais saudáveis20,21 e ao estabelecimento de padrão de uso de preservativos51. Embora o delineamento e o instrumento utilizados não permitam generalizações longitudinais, é possível que a continuidade no uso de preservativo seja explicada em parte pelas consequências positivas que isso possa trazer. A adoção de comportamentos pode ser moldada pelas experiências que ocorrem ao longo da vida. Se um indivíduo adotou determinado comportamento e o mesmo foi de alguma forma reforçado é provável que se mantenha52. Entender o que faz com que o uso de preservativos se mantenha ou seja extinto traria ganhos para as práticas em saúde. Por outro lado, é também necessário prestar atenção às pessoas que não utilizaram preservativo na primeira relação sexual e seguem adotando esse comportamento. Isso implica na investigação dos determinantes do não uso a fim de atuar no fortalecimento das ações preventivas. Relações com pessoa considerada confiável e não falar sobre contracepção antes da primeira relação sexual21 podem contribuir nessa questão.

A prevalência de uso de preservativo na primeira relação sexual (73,6%) foi alta em comparação à observada entre indivíduos de áreas urbanas do Brasil, entre 16 e 19 anos de idade, cuja ocorrência foi de 47,8% em 1998 e 65,6% em 200553. Por outro lado, foi próxima aos 71,4% encontrados em outro estudo com universitários16. O fato de a proporção de uso de preservativo na primeira relação sexual ter sido quase o dobro da identificada na última relação sexual pode ser explicado em parte por questões já discutidas, como o estabelecimento de relacionamentos mais estáveis, cujo foco passe a ser a prevenção de gravidez e não mais as DST's e HIV/Aids, e a preferência por outros métodos contraceptivos. Muitas campanhas sobre uso de preservativos focam nas relações casuais e talvez não atinjam o grupo com relacionamento estável. A presença do preservativo nessas relações pode ter uma representação social negativa, representando até mesmo a possibilidade de relações extraconjugais. Embora este estudo não tenha investigado a diferença de idade entre os parceiros, é possível que essa variável contribua para explicar a diferença de proporção, em especial para as variáveis idade e sexo. É presumível que indivíduos cujo parceiro não possua o hábito de utilizar preservativos encontrem dificuldades de negociação.

Quanto ao número de parceiros sexuais no último mês, chama atenção que dos universitários que tiveram um parceiro sexual (78,2% da amostra), apenas 33,2% utilizaram preservativo na última relação sexual. Considerando que 64% dos universitários disseram ter companheiro, percentual inferior aos que responderam ter tido um parceiro sexual no último mês, é possível que alguns universitários tenham se relacionado sem o uso de preservativos independente do status de relacionamento. Somado a isso, dos que tiveram dois ou mais parceiros, 33,3% não utilizaram preservativo na última relação sexual, estando vulneráveis aos desfechos já citados.

Importante considerar como limitação deste estudo o viés de recordatório. Para minimizá-lo levamos para a análise apenas pessoas que tiveram pelo menos uma relação sexual nos 12 meses anteriores à participação na pesquisa. Outros períodos de recordatório, como 1, 3 e 6 meses, também têm sido utilizados na literatura, e ainda não há consenso sobre a melhor forma de medir o uso de preservativos29,39.

O desfecho medido indica a prevalência do uso de preservativo na última relação sexual e sua variação entre os grupos de determinadas variáveis. Porém, é importante deixar claro que o mesmo não mede a continuidade, nem a frequência do uso de preservativos, devendo os resultados serem interpretados com cautela. Para isso precisaríamos de outras medidas, às quais não foram o objetivo do estudo. Possivelmente ao estudar o uso consistente a prevalência seria menor. Logo, ao medirmos apenas o uso de preservativo na última relação sexual, a prevalência de uso pode estar sendo superestimada, podendo a diferença encontrada ser menor do que a diferença real ou até mesmo não ser identificada uma diferença que exista.

Outra limitação a ser citada é a taxa de perdas do consórcio (270 universitários, equivalente a 15,6% do total de elegíveis), pois os não-respondentes podem distinguir de alguma forma dos participantes50. O índice de perdas foi menor do que o de um estudo conduzido com universitários de capitais do Brasil54. O percentual de questões deixadas em branco, em especial para as variáveis idade (7,7%) e renda (6,8%) também merece ser apontado. Essa pode ser uma limitação da forma de aplicação utilizada, a qual também trouxe vantagens que serão mencionadas em seguida. Caso não tivessem ocorrido essas perdas o poder estatístico seria maior, o estudo ganharia em precisão, e possivelmente modificaria a medida de efeito, além disso, as estimativas de uso poderiam ser diferentes, seja maior ou menor.

O período de recordatório para o número de parceiros sexuais foi curto, permitindo noção geral dos participantes que costumam se relacionar com múltiplos parceiros. Por se tratar de um tema que por vezes é considerado tabu, é possível que graduandos tenham dado respostas socialmente esperadas. Isso pode ter superestimado a prevalência de uso de preservativos. Porém, o fato de utilizarmos como instrumento um questionário autoaplicável e, após o preenchimento, o mesmo ser depositado em uma urna devidamente lacrada pode ter contribuído para minimizar a interferência dessa questão. Os dados encontrados neste estudo não podem ser extrapolados para todo o país, mas é possível que se apliquem a universidades federais gaúchas.

Proporcionamos um panorama atual sobre o uso de preservativos na última relação sexual na universidade estudada e detalhamento teórico acerca dos fatores associados ao mesmo. A pesquisa contribuiu para a identificação de grupos mais expostos e menos expostos ao uso. É possível que promover o uso de preservativos entre universitários passe pela disponibilidade do preservativo, empoderamento dos indivíduos para a tomada de decisão sobre a própria saúde sexual e reprodutiva, educação sexual contínua e abrangente, prezando por relações sexuais protegidas, além de ação contra o mito da invulnerabilidade ao HIV e outras DST's entre universitários de diferentes faixas etárias. Sobre o processo de tomada de decisão em relação ao uso de preservativos, mostramos que o tipo de relação que os universitários estabelecem com os parceiros pode influenciar na adoção ou não desse comportamento protetivo. Somado a isso, investigamos diferentes faixas etárias, entre outros fatores que podem contribuir para a ampliação do foco dos estudos e intervenções nesse contexto.

Por fim, foi demonstrado que universitários do sexo masculino, com maior idade de início da vida sexual, que usaram preservativo na primeira relação sexual, indivíduos mais jovens, sem companheiro e com parceiro casual na última relação sexual apresentaram proporção significativamente maior de uso de preservativos na última relação sexual. Quatro em cada dez universitários utilizaram preservativo na última relação sexual. Conhecer os fatores associados ao uso de preservativos é importante para traçar ações e programas que monitorem o uso de preservativos e ajudem a adoção de comportamentos protetivos.

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