Utilização de adoçantes no Brasil: uma abordagem a partir de um inquérito domiciliar

Utilização de adoçantes no Brasil: uma abordagem a partir de um inquérito domiciliar

Autores:

Paulo Sérgio Dourado Arrais,
Marisa Perdigão de Negreiros Vianna,
Anamaria Vargas Zaccolo,
Luzia Izabel Mesquita Moreira,
Patrícia Maria Pontes Thé,
Ana Rosa Pinto Quidute,
Andréia Turmina Fontanella,
Tatiane da Silva Dal Pizzol,
Noemia Urruth Leão Tavares,
Maria Auxiliadora Oliveira,
Vera Lucia Luiza,
Luiz Roberto Ramos,
Mareni Rocha Farias,
Andréa Dâmaso Bertoldi,
Sotero Serrate Mengue

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311Xversão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.35 no.11 Rio de Janeiro 2019 Epub 31-Out-2019

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00010719

Abstract:

The objective was to estimate the prevalence of artificial sweetener use by the adult Brazilian population and users’ characteristics. Analysis of data from the Brazilian National Survey on Access, Utilization, and Promotion of Rational Use of Medicines (PNAUM, 2014), a nationwide population-based survey. The target outcome was self-reported use of sweeteners by Brazilians 20 years and older. The independent variables were sex, age, major geographic region of Brazil, schooling in complete years, and economic status according to the Brazilian Economic Classification Criterion of the Brazilian Association of Research Companies (ABEP). The health condition indicators were: self-reported noncommunicable diseases (NCDs), number of NCDs, and body mass index (BMI). Prevalence of sweetener use in the Brazilian adult population was 13.4% (95%CI: 12.5-14.3), and it was higher in females and in persons 60 years or older, in the Northeast and Southeast, among individuals from economic classes A and B, and among obese individuals. Persons with chronic diseases (especially diabetes) showed the highest prevalence of use of sweeteners, and their use increased with the number of reported comorbidities. Prevalence of use of artificial sweeteners was 13.4% and was associated with sociodemographic and health characteristics.

Keywords: Sweetening; Socioeconomic Factors; Health Surveys

Resumen:

El objetivo fue estimar la prevalencia del uso de edulcorantes por parte de la población adulta brasileña y las características de los usuarios. Análisis de datos de la Encuesta Nacional de Acceso, Utilización y Promoción del Uso Racional de Medicamentos (PNAUM, 2014), una encuesta nacional de base poblacional. El resultado de interés fue el uso autoinformado de edulcorantes entre brasileños con 20 años o más. Las variables analizadas fueron: sexo, edad (años completados), región de Brasil, escolaridad (años completados), así como la clasificación económica según el Criterio Clasificación Económica Brasil de la Asociación Brasileña de Empresas de Investigación (ABEP). Los indicadores de las condiciones de salud fueron: informe de enfermedades crónicas (DCNT), número de DCNT e índice de masa corporal (IMC). La prevalencia del uso de edulcorantes en la población adulta brasileña fue de un 13,4% (IC95%: 12,5-14,3), siendo mayor entre las personas de sexo femenino y en el grupo con 60 años o más, en las regiones Nordeste y Sudeste, entre personas de clase económica A/B y entre individuos obesos. Las personas con enfermedades crónicas (en especial diabetes) fueron las que mostraron una mayor prevalencia de uso de edulcorantes, siendo el uso mayor, cuanto mayor fuera el número de comorbilidades informadas. Conclusiones: la prevalencia de uso de edulcorantes fue de un 13,4% y se mostró asociada a características sociodemográficas y de salud.

Palabras-clave: Edulcorantes; Factores Socioeconómicos; Encuestas Epidemiológicas

Introdução

A preferência pelo sabor doce inicia-se com o nascimento, persiste por toda a vida e pode ter relação com a obesidade, diabetes mellitus tipo II, resistência a insulina, síndrome metabólica, hipertensão arterial, doenças coronarianas, entre outras associadas ao consumo excessivo dos carboidratos 1.

Os adoçantes dietéticos, ou adoçantes de mesa, como definido na regulamentação brasileira 2, são alternativas ao uso do açúcar refinado 3. Eles conferem sabor doce aos alimentos e possuem baixa ou nenhuma caloria. Os adoçantes são usados principalmente por portadores de diabetes mellitus e obesidade, visando ao controle da ingesta calórica 3,4.

Embora usados para o controle glicêmico e auxílio na prevenção e tratamento de morbidades, estudos abordam efeitos nocivos do seu consumo em longo prazo, tais como aumento de peso corporal, risco cardiometabólico, carcinogenicidade e potencial desenvolvimento de resistência a glicose 5.

Considerando a ausência de estudos de abrangência nacional, foram utilizados dados da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), desenvolvida pelo Ministério da Saúde, para estimar a prevalência do uso de adoçantes pela população adulta brasileira e analisar sua distribuição segundo características dos usuários.

Métodos

Utilizaram-se dados da PNAUM, coletados de setembro/2013 a fevereiro/2014. A PNAUM utilizou amostra probabilística, segundo faixa etária e sexo, de residentes em zonas urbanas das cinco regiões do país, incluindo as capitais, com amostragem por conglomerados em três estágios (municípios, setores censitários e domicílios). Foram entrevistadas 41.433 pessoas que representam aproximadamente 171 milhões de brasileiros. Mais informações estão disponíveis em Mengue et al. 6.

Neste artigo, são analisados os dados das pessoas com idade ≥ 20 anos (N = 32.348). A prevalência de uso de adoçantes foi calculada considerando as pessoas que responderam “sim” à seguinte pergunta: “O(a) Sr(a) faz uso de algum adoçante na sua dieta?”.

As variáveis e respectivas categorizações analisadas são apresentadas na Tabela 1. O estado nutricional foi estimado pelo índice de massa corporal (IMC), calculado com base nos dados de peso e altura referidos pelos usuários 7.

Tabela 1 Prevalência do uso de adoçantes segundo variáveis demográficas, socioeconômicas, de assistência médica e condições de saúde. Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos, Brasil, 2014 (N = 32.348). 

Características da amostra % amostra Prevalência do uso de adoçantes * IC95% Valor de p
Sexo < 0,001
Masculino 46,3 9,3 8,3-10,3
Feminino 53,7 16,9 15,9-18,0
Faixa etária (anos) < 0,001
20-39 45,3 10,3 8,8-11,9
40-59 36,0 20,3 18,6-22,1
60 18,7 29,5 27,5-31,5
Região 0,02
Norte 6,7 10,7 9,4-22,1
Nordeste 23,4 14,7 13,3-16,3
Sudeste 47,5 14,1 12,5-15,9
Sul 14,7 11,3 9,9-12,9
Centro-oeste 7,8 11,3 9,9-12,8
Escolaridade (anos) 0,144
0-8 58,3 12,8 11,8-14,0
9-11 30,6 14,2 12,9-15,5
12 11,1 13,7 12,0-15,7
Classificação econômica ** < 0,001
A/B 24,2 17,4 15,7-19,3
C 55,1 13,3 12,2-14,5
D/E 20,7 8,9 7,9-10,1
IMC < 0,001
Baixo 2,6 6,2 4,0-9,4
Normal 44,3 9,9 8,9-11,1
Sobrepeso 37,5 15,0 13,9-16,2
Obeso 15,6 22,7 20,4-25,2
Tem doença crônica < 0,001
Sim 39,7 24,2 22,8-25,8
Não 60,3 6,4 5,7-7,2
Número de doenças crônicas < 0,001
0 60,3 6,7 5,9-7,5
1 20,5 16,3 14,7-18,0
2 9,9 28,7 26,3-31,3
3+ 9,3 37,4 35,0-40,0

IC95%: intervalo de 95% de confiança IMC: índice de massa corporal.

* Percentuais ponderados pelos pesos amostrais.

** A classificação econômica foi realizada segundo o Critério Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (CCEB 2013/ABEP - http://www.abep.org/).

A análise descritiva apresenta as frequências relativas e os respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Aplicou-se teste do qui-quadrado de Pearson para avaliação da significância estatística das diferenças entre os grupos, considerando o nível de significância de 5%. As análises foram executadas com uso do pacote estatístico SPSS 18.0 (https://www.ibm.com/), empregando o conjunto de comandos CSPLAN apropriado para a análise de amostras complexas e garantindo a ponderação, de acordo com o desenho amostral.

O estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (parecer nº 398.131, de 16 de setembro de 2013).

Resultados

A prevalência do uso de adoçantes dietéticos pela população brasileira acima dos vinte anos e residente em zona urbana foi de 13,4% (IC95%: 12,5-14,3), sendo maior entre as pessoas do sexo feminino, no grupo com 60 anos ou mais, entre os residentes das regiões Nordeste e Sudeste, pertencentes à classe econômica A/B, com excesso de peso e entre aquelas que referiram uma ou mais doenças crônicas (Tabela 1).

O uso de adoçantes foi maior entre os indivíduos que referiram diabetes como única doença ou associada a outras comorbidades (Tabela 2).

Tabela 2 Prevalência do uso de adoçantes segundo as doenças crônicas declaradas e estado nutricional. Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos, Brasil, 2014 (N = 32.348).  

Doenças crônicas Prevalência da condição Prevalência do uso de adoçantes * IC95%
Hipertensão 23,7 27,3 25,6-29,2
Diabetes 6,8 60,5 57,5-63,5
Hipercolesterolemia 10,1 33,2 30,7-35,9
Excesso de peso ** 51,2 17,0 15,8-18,3
Hipertensão + diabetes 0,8 60,5 57,1-63,9
Hipertensão + excesso de peso 9,3 30,0 27,9-32,1
Hipertensão + hipercolesterolemia 1,2 37,2 34,3-40,1
Hipertensão + diabetes + excesso de peso 2,1 60,3 56,3-64,2
Diabetes + excesso de peso 0,9 59,2 55,8-62,6
Diabetes + hipercolesterolemia 0,2 60,1 55,3-64,8
Hipercolesterolemia + excesso de peso 2,0 35,6 32,6-38,6
Hipertensão + diabetes + hipercolesterolemia + excesso de peso 1,5 59,8 53,5-65,8

IC95%: intervalo de 95% de confiança.

* Percentuais ponderados pelos pesos amostrais;

** Sobrepeso + obesidade.

Discussão

O estudo possibilitou a identificação da prevalência do consumo de adoçantes no Brasil e suas características. Foi possível observar que o consumo é menor que o identificado em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil (19%) 3 e muito próximo ao encontrado nos Estados Unidos, 14,1% (EP±0,8) 8. De maneira geral, e apesar das diferenças metodológicas, os resultados não diferem muito do que foi encontrado em outros estudos, em que dentre os maiores consumidores de adoçantes estão as mulheres 3,4,8,9,10,11, os idosos 3,4,8 e os demais indivíduos com maior nível de escolaridade 3,8,11, com maior poder econômico 3,8,10,11, com excesso de peso 3,8 e portadores de diabetes e hipertensão 3,8,11.

No que diz respeito à maior prevalência de consumo entre as mulheres, esse resultado pode estar relacionado a uma maior preocupação com o controle de peso e com o cuidado da saúde, além da preocupação estética socialmente construída. Entre os idosos, o envelhecimento, o ganho de peso associado e as doenças crônicas podem ser estímulos para o consumo de adoçantes 4 e orientações para hábitos saudáveis por parte dos profissionais de saúde 12.

Com relação às maiores prevalências de uso encontradas nas regiões Nordeste e Sudeste, dados do Vigitel, 2017 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) revelaram que as maiores prevalências de hipertensão arterial e diabetes mellitus foram registradas nas capitais dos estados dessas regiões 13. Apesar de esses resultados não serem representativos das regiões como um todo, demonstram a possível influência que essas doenças crônicas possam exercer nesse consumo.

Os resultados encontrados no presente estudo também mostram que o uso de adoçantes foi maior entre os indivíduos que apresentaram diabetes mellitus isolado ou associado a hipertensão, a hipercolesterolemia e a excesso de peso. Castro & Franco 14 relataram que a prevalência no uso de adoçantes após o diagnóstico de diabetes mellitus passou de 6% a 90%.

A maior prevalência de consumo de adoçante entre aqueles com excesso de peso em relação aos eutróficos, era esperado. O estímulo à adoção de estilos de vida saudáveis, incluindo o controle de peso pode ser uma das razões para o consumo 15,16.

É importante observar que a substituição do açúcar pelo adoçante pode gerar a falsa ideia de total benefício e negligência de outras restrições e adaptações na dieta, acarretando ganho de peso com seu uso prolongado e isolado 17. O consumo de adoçantes artificiais não calóricos pode, ainda, suscitar intolerância a glicose 18.

Diversos estudos discutiram os benefícios e os riscos no uso de adoçantes em diferentes populações. Mais recentemente, revisões sistemáticas procuraram elucidar as divergências, no entanto, ainda há fragilidades nas evidências entre o consumo intenso de adoçantes e certos riscos 5,19.

Algumas limitações devem ser observadas. Não foram coletadas informações sobre a composição do adoçante utilizado, bem como sobre tempo e quantidade de uso. A pergunta sobre o uso de adoçantes não diferenciou os artificiais de naturais, como a sacarose. Também não considerou o consumo de alimentos que contenham adoçantes, como refrigerantes, sucos e sobremesas, não permitindo uma análise mais abrangente desse consumo. As informações de peso e altura, utilizadas para o cálculo do IMC, foram autorreferidas.

Este estudo preenche uma lacuna acerca do conhecimento dos hábitos de consumo dos brasileiros, que foi de aproximadamente 13%, chegando a 60% entre a população diabética e mostrando-se associado ao IMC, com predomínio entre os obesos. Apesar de muitas pessoas considerarem esse uso como uma prática saudável, é preciso estar atento aos seus possíveis riscos. Desta forma, faz-se necessário estimular as pessoas a mudanças no estilo de vida, com adoção de planos alimentares adequados na qualidade e quantidade calórica, prática de atividade física e promoção na redução do estresse diário, que são pilares insubstituíveis para a promoção de saúde.

REFERÊNCIAS

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