Validação e aplicabilidade de um método alternativo para análise da qualidade da água e do dialisato em diálise

Validação e aplicabilidade de um método alternativo para análise da qualidade da água e do dialisato em diálise

Autores:

Gabriela Corrêa Carvalho,
Adriana Bugno,
Adriana Aparecida Buzzo Almodovar,
Fernando Pontes de Lima e Silva,
Terezinha de Jesus Andreoli Pinto

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol., ahead of print Epub 30-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-2019-0203

INTRODUÇÃO

Atualmente, pacientes com doença renal crônica podem ser submetidos a terapia renal substitutiva, tendo como opções diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante renal, dependendo do estágio e evolução da doença.1,2

A hemodiálise é um procedimento amplamente utilizado e, durante o tratamento, os pacientes são expostos a um grande volume de água. Se a água utilizada não atender aos padrões de qualidade exigidos pelos órgãos de supervisão, ela pode representar um risco para os pacientes e levar à morte.3,4

Contaminantes químicos e microbianos podem ser prejudiciais aos pacientes em tratamento hemodialítico.5 Alumínio, cloramina, fluoreto, cobre e zinco podem ser apontados como contaminantes químicos, enquanto os microrganismos mais comuns encontrados como contaminantes no sistema de água são Pseudomonas, Acinetobacter, Flavobacterium, Alcaligenes, Serratia, todas as bactérias Gram-negativas e Mycobacterium.1,6

Entre os componentes derivados das membranas bacterianas Gram-negativas, destacam-se as endotoxinas, que fazem parte do complexo lipopolissacarídeo. O complexo lipopolissacarídeo possui uma porção lipídica (lipídio A), que confere toxicidade durante a lise, a morte e a multiplicação das bactérias.7,8

As endotoxinas presentes no dialisato não podem ser retidas por uma membrana dialítica danificada, atingindo a corrente sanguínea do paciente e resultando em uma reação pirogênica pela estimulação de citocinas liberadas pelos macrófagos.9,10

Nos Estados Unidos da América, houve seis surtos de contaminação por endotoxinas entre 1973 e 1987, afetando 177 pacientes, mas nenhuma morte foi registrada.9 Em um estudo realizado em 30 centros de diálise na Alemanha, observou-se que 12,2% das amostras de água e 27,5% das amostras de dialisato apresentaram concentração de endotoxina superior a 5 EU/mL.11

No Brasil, um estudo analisando a água da diálise na cidade de São Luis/MA, constatou que 100% e 33,33% das amostras apresentaram endotoxinas no pré e pós-tratamento, respectivamente.12

Tais incidentes indicam que as unidades de hemodiálise, além de garantir água de qualidade, também devem ter um protocolo bem estabelecido de desinfecção, uma vez que o concentrado de bicarbonato, um componente da solução de diálise, é suscetível à contaminação bacteriana e elevação dos níveis de endotoxinas.1

A glicose pode estar presente na solução de diálise para controlar os níveis glicêmicos e otimizar o tratamento do diabetes, mas, como o bicarbonato, é uma fonte de carbono e sua presença pode aumentar não apenas a contaminação bacteriana, mas também a concentração de endotoxinas.13,8

A escolha de métodos analíticos sensíveis e específicos para a análise da água é essencial para obter água de qualidade e garantir a segurança do paciente.14 Desde 1980, a Farmacopeia dos Estados Unidos descreve o Teste de Lisado de Amebócito Limulus (LAL) como um método para analisar endotoxinas em produtos farmacêuticos, substituindo amplamente o uso do teste de pirogênio em coelhos. Embora com abrangência, conceitos e escopos distintos, o ensaio de endotoxina bacteriana substitui e supera as vantagens, na maioria das situações, do teste de pirogênio in vivo.7

A Farmacopeia Brasileira recomenda dois tipos de testes de determinação de endotoxinas: o teste semi-quantitativo de coagulação em gel e o teste fotométrico quantitativo, que é dividido em turbidimétrico ou cromogênico.15

Um estudo realizado por Lemgruber et al.16 determinou que o erro inerente à pipetagem interfere nos resultados do método cromogênico, o que poderia comprometer a confiabilidade. A variabilidade da técnica do analista também é um fator que pode interferir nos testes de LAL.17

Na tentativa de contornar as diferentes limitações metodológicas, métodos alternativos foram desenvolvidos para proporcionar um nível mais alto de qualidade dos resultados, maior sensibilidade e agilidade, permitindo que ações corretivas sejam tomadas mais precocemente.15

O método alternativo deve ter atributos como menor tempo de execução, resultados mais rápidos, automação, fácil execução, miniaturização, baixo custo e estar de acordo com os parâmetros analíticos.18 Nesse contexto, é possível chamar a atenção para o Sistema de Teste Portátil (PTS®), que adota um espectrofotômetro portátil desenvolvido para simplificar a manipulação de amostras e a preparação padrão para cada teste, seja para construção de curvas padrão ou para o teste de amostras. Quantidades precisas de reagente LAL, endotoxina e substratos cromogênicos são fixadas em um cartucho totalmente livre de pirogênio, eliminando a variabilidade da técnica. Por ser um sistema miniaturizado, pode ser transportado para o ponto de amostragem, fornecendo resultados precisos em tempo real.17

No entanto, a implementação de métodos alternativos deve ser precedida por uma cuidadosa validação.15 A palavra validar traduz o ato de documentar que um determinado procedimento seja eficaz e apropriado ao seu objetivo.19 Para que a validação seja considerada satisfatória, algumas etapas devem ser executadas com maestria, com foco na qualificação do projeto, instalação, operação e desempenho.7

No escopo do presente trabalho, características intrínsecas do equipamento e atribuições de seu fabricante levaram à qualificação do desempenho.

A qualificação de desempenho engloba evidências de que o método alternativo seja adequado para uso rotineiro, em conformidade com os critérios de validação, que são regulados por farmacopeias e organizações internacionalmente conhecidas como a Parenteral Drug Association (PDA)7. As recomendações dos critérios de validação a serem analisados dependem do tipo de análise: qualitativa, quantitativa ou identificação.15

Se for comprovado que o método alternativo é equivalente, superior ou não inferior ao padrão convencional usado, sua substituição pode ser aceita e estimulada por agências reguladoras de alguns lugares como Austrália, Europa, Japão e Estados Unidos.19

Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi validar o PTS® e avaliar sua aplicabilidade no monitoramento da água tratada para diálise e dialisato por um mês em uma unidade de diálise.

MATERIAL E MÉTODO

VALIDAÇÃO

Para validar o PTS®, a endotoxina padrão de controle (EPC) de Escherichia coli foi diluída em água com reagente LAL em cinco concentrações (0,0625, 0,125, 0,25, 0,5 e 1,0 EU/mL), que foram analisadas pelos métodos convencional e alternativo. Para a preparação das diluições de EPC, o frasco foi agitado vigorosamente antes do uso por pelo menos 3 minutos e, em seguida, as diluições em série foram realizadas, agitadas por pelo menos 30 segundos após cada diluição.15

Além disso, a EPC foi preparada na concentração de 2 λ para o controle positivo do produto (CPP) e o controle positivo da água reagente LAL (PWC).15

METODOLOGIA CONVENCIONAL

A metodologia convencional foi o método de coagulação em gel. Primeiramente, foi realizada a preparação do reagente LAL, o conteúdo do frasco foi reconstituído com água reagente LAL, de acordo com as instruções do fabricante, e armazenado em um freezer até o uso.

Um volume de 100 µL de reagente LAL foi colocado em sete tubos de ensaio apirogênicos; em cinco deles, foram adicionados 100 µL de cada diluição da amostra, em um tubo foram adicionados 100 µL de água reagente LAL para fazer o controle negativo da água do reagente LAL (NWC) e, em um sétimo tubo, foi realizada a PWC, onde 100 µL foram adicionados s uma solução formada por 100 µL de água reagente LAL mais 100 µL de EPC na concentração de 2λ (Figura 1).15

Figura 1 Representação esquemática do teste de coagulação em gel. 

Os tubos foram então incubados em banho-maria por 1 hora a 37 ± 1 ° C, livres de vibrações. Após esse período, os tubos foram lidos e a reação foi considerada positiva quando um gel firme permanecesse intacto quando o tubo era invertido (180º). A reação foi considerada negativa quando não houve formação de gel ou o coágulo não manteve sua integridade quando o tubo foi invertido.15

MÉTODO ALTERNATIVO

O método alternativo foi o sistema Endosafe PTS®, com o cartucho considerado mais adequado, devido ao limite de endotoxinas permitido pela legislação para amostras de água para diálise com sensibilidade de 0,05 a 5 EU/mL.

Após a inserção do cartucho no aparelho, um volume de 25 µL de cada diluição foi pipetado e transferido para cada um dos quatro reservatórios. Cada reservatório tem um canal; em dois deles a amostra reage com o reagente LAL e um substrato cromogênico (ambos presentes no cartucho) e nos outros dois, foi realizada PPC, pois além do reagente LAL, ele contém 0,69 EU/mL de endotoxina. A densidade óptica do canal é analisada com base na curva padrão arquivada internamente.17 As análises foram realizadas por dois analistas diferentes, que analisaram os dados em triplicata (três cartuchos por diluição), totalizando seis repetições.

Os resultados foram analisados de acordo com os critérios de aceitação descritos na Tabela 1.

Tabela 1 Descrição dos parâmetros, formulários de análise e critérios de aceitação para validação de métodos microbiológicos e biológicos alternativos. 

Parâmetros Formulários de Análise Critérios de Aceitação
Exatidão Determinação da porcentagem de recuperação. A recuperação do método alternativo deve ser de 100 ± 30% maior que o convencional.
Precisão Determinação do coeficiente de variação. O coeficiente de variação deve ser menor que 30%.
Especificidade Interpretação dos resultados O método deve ser capaz de apresentar resultados positivos para os diferentes microrganismo presentes na amostra.
Limite da detecção Intepretação dos resultados, seguida pelo teste do qui-quadrado. Pelo menos 50% dos resultados positivos no método convencional devem ser positivos no método alternativo.
Limite da quantificação Interpretação dos resultados. O método alternativo deve ser capaz de determinar a mais baixa carga microbiana com precisão e exatidão.
Linearidade Cálculo do coeficiente de correlação (R2) pela análise de dados por regressão linear. O método alternativo não deve ter um R2 menor do que 0,95.
Intervalo operacional Interpretação dos resultados. Determinado com base em estudos de precisão, exatidão e linearidade.
Robustez Comparação entre replicatas do mesmo analista e entre diferentes analistas. O método alternativo deverá prover resultados reproduzíveis mesmo com alterações em condições tais como diferentes analistas e diferentes períodos.

APLICABILIDADE DE MÉTODO ALTERNATIVO

Amostras de água tratada de diálise e dialisato foram analisados quanto à presença de endotoxina bacteriana. A água foi coletada de quatro pontos diferentes no sistema: osmose reversa, canalização de drenagem no fundo do tanque de armazenamento, reutilização e circuito. O dialisato foi coletado em quatro máquinas de diálise em funcionamento, localizadas em diferentes salas do setor de hemodiálise (Figura 2).

Figura 2 Representação esquemática da água tratada para diálise e amostragem de dialisato. 

Para monitorar esta unidade por um mês, foram realizadas quatro coletas consecutivas, sendo a primeira na semana anterior à desinfecção química do sistema de água com ácido peracético a 0,2%, realizada mensalmente.

Um volume de 100 µL de reagente LAL foi adicionado aos tubos de teste pirogênicos e um volume de 100 µL de cada amostra (osmose reversa, canalização de drenagem no fundo do tanque de armazenamento, reutilização e circuito) diluído 1: 2 com água reagente LAL foi adicionado, de acordo com o cálculo da diluição máxima válida (DMV), porque a sensibilidade relatada do reagente LAL usado foi de 0,125 EU/mL e o limite de endotoxina permitido para a água tratada para diálise é de 0,25 EU/mL.21

DMV=limitedeendotoxinaλ

Onde λ é a sensibilidade do reagente LAL expressa no rótulo do frasco.15

As amostras de dialisato foram diluídas nessa mesma concentração. As análises foram realizadas em triplicata (três cartuchos por amostra). NWC e PWC também foram realizados como descrito anteriormente. Além disso, foi realizado o CPP, onde foram adicionados 100 µL de uma solução feita por 100 µL da amostra mais 100 µL de EPC na concentração de 2λ em tubos contendo 100 µL de reagente LAL.

Os tubos foram então incubados em banho-maria a 37 ± 1 °C por 1 hora, evitando-se vibrações. Após esse período, a leitura foi realizada. As amostras que apresentaram resultados positivos para 0,25 EU/mL foram submetidas a análises adicionais para verificar se os níveis de endotoxina estavam na faixa de 0,25-0,35 EU/mL ou superior a 0,5 EU/mL. Paralelamente, foram pipetadas 25 µL de cada amostra (não diluída) dos quatro reservatórios em cada um dos cartuchos PTS® (triplicado) para realizar uma comparação com o método convencional.

ANÁLISE ESTATÍSTICA

O software Minitab® 17 foi usado para análise estatística.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

VALIDAÇÃO

Uma limitação observada durante a análise foi que as réplicas da última concentração, 0,0625 EU/mL, não foram detectadas em nenhuma das réplicas porque o equipamento indicava que estava abaixo do limite de detecção; portanto, não foi utilizado na análise estatística.

LINEARIDADE

A análise de regressão linear (Figura 3) mostrou uma boa correlação entre as duas variáveis, uma vez que o R2 foi superior a 0,95, sugerindo que os resultados têm linearidade.15 Esses dados corroboram com pesquisas realizadas anteriormente, nas quais o PTS também apresentava boa linearidade.22 Uma vez que a análise de variância (ANOVA), que mede a força da evidência dos dados, foi menor que o nível de significância de 0,05, a equação linear foi confirmada.

Figura 3 Representação linear dos resultados da validação. 

PRECISÃO

A Tabela 2 mostra que os dados não estão dentro da faixa recomendada de precisão, porque a porcentagem de recuperação deve ser de 100 ± 30%.15 Ao aplicar a equação obtida por regressão linear para corrigir os dados, os valores estavam dentro do limite aceitável, exceto para a concentração de 0,125 EU/mL (tabela 3). Portanto, concentrações de 1 a 0,25 EU/mL podem ser consideradas precisas. Em estudo anterior, o PTS® apresentou resultados significativamente diferentes entre a concentração da amostra e a leitura realizada pelo equipamento, o que comprometeu a aprovação desse critério.22

Tabela 2 Distribuição dos resultados do método convencional em comparação ao método alternativo. 

Método Convencional (EU/mL) 1 0,5 0,25 0,125
Método Alternativo (EU/mL)
Taxa Média de Recuperação 39,1 35,6 37,6 48,8
Replicata 1 0,336 0,173 0,089 <0,050
Replicata 2 0,451 0,165 0,121 0,063
Replicata 3 0,365 0,185 0,092 0,061
Replicata 4 0,410 0,158 0,093 <0,050
Replicata 5 0,413 0,193 0,087 <0,050
Replicata 6 0,369 0,193 0,080 0,059
Média 0,391 0,178 0,094 0,061

Dados com "<" não foram incluídos nos cálculos da média e do desvio padrão.

Tabela 3 Resultados obtidos a partir da validação do método alternativo após correção com a equação obtida a partir de regressão linear. 

Método Convencional (EU/mL) 1 0,5 0,25 0,125
Método Alternativo (EU/mL)
Replicata 1 0,874 0,454 0,237 < 0,14
Replicata 2 1,170 0,433 0,320 0,170
Replicata 3 0,949 0,485 0,245 0,165
Replicata 4 1,065 0,415 0,248 < 0,14
Replicata 5 1,072 0,505 0,232 < 0,14
Replicata 6 0,959 0,505 0,214 0,160
Média 1,015 0,466 0,249 0,165
Taxa Média de Recuperação 101,5 93,2 99,5 132

Dados com "<" não foram incluídos nos cálculos de média e desvio padrão.

EXATIDÃO

As concentrações de 1 a 0,125 EU/mL atenderam aos critérios de exatidão, ou seja, todos os valores estavam dentro de 30% do controle (Tabela 4) 15. Estudos anteriores também relataram que o PTS® era exato.23,24

Tabela 4 Coeficiente de variação os dados de validação corrigidos pela equação da reta obtida pela regressão linear. 

Concentração de endotoxina (EU/mL) 1 0.5 0.25 0.125
Método Alternativo (EU/mL)
Média 1,015 0,466 0,249 0,165
Desvio padrão 0,107 0,038 0,037 0,005
Coeficiente de variação (%) 10,55 8,17 14,65 3,12

ESPECIFICIDADE

Para esses critérios, apenas concentrações exatas foram usadas. Após a correção dos dados, o limite de sensibilidade do cartucho de 0,050 EU/mL passou para 0,14 EU/mL. O método alternativo em estudo foi caracterizado por apresentar resultados positivos em concentrações superiores à sua sensibilidade (1,0; 0,5; 0,25 EU/mL). Esses resultados coletivamente levam à confirmação da especificidade do método (Tabela 3).15

LIMITE DE DETECÇÃO

Os dados da Tabela 3 mostram que a concentração de 0,125 EU/mL foi a menor que apresentou 50% de resultados positivos, sendo, portanto, o limite de detecção do método alternativo em estudo. A Farmacopeia Brasileira recomenda o teste do qui-quadrado para avaliar a não inferioridade em relação ao método tradicional; no entanto, devido ao pequeno tamanho da amostra, esse teste não pôde ser aplicado.15,25

LIMITE DE QUANTIFICAÇÃO

Com base nos resultados da precisão e exatidão, o limite de quantificação do método alternativo em estudo foi de 0,25 EU/mL.15

FAIXA OPERACIONAL

Com base nos resultados de precisão, exatidão e linearidade, a faixa operacional do método alternativo é de 0,25 a 1,0 EU/mL.15

ROBUSTEZ

Pela proximidade dos desvios padrão dos dois analistas (Tabela 5) e considerando que ambos os coeficientes de variação estavam acima de 0,95 (Figura 4), pode-se dizer que o método alternativo forneceu resultados reproduzíveis, confirmando sua robustez.20

Tabela 5 Distribuição dos dados dos métodos convencional e alternativo por dia e analistas. 

Método Convencional (EU / mL) Analista 1 Analista 2
Método alternativo (EU / mL) 1 0,5 0,25 0,125 1 0,5 0,25 0,125
Dia 1 0,874 0,454 0,237 <0,14 1,065 0,415 0,248 <0,14
Dia 2 1,170 0,433 0,320 0,170 1,072 0,505 0,232 <0,14
Dia 3 0,949 0,485 0,245 0,165 0,959 0,505 0,214 0,160
Média 0,998 0,457 0,267 0,168 1,032 0,475 0,231 0,160
Desvio padrão 0,154 0,026 0,046 0,004 0,063 0,052 0,017 -

Dados com “<” não foram incluídos nos cálculos de média e desvio padrão; cálculos com “-“não foram feitos.

Figura 4 Comparação das médias de PTS® obtidas pelos dois analistas. 

O PTS® foi validado para amostras livres de endotoxinas ou com níveis de 0,25 a 1,0. EU/mL, portanto, é considerado eficaz e adequado para monitorar a água tratada com diálise e o dialisato.15,19

APLICABILIDADE DE MÉTODO ALTERNATIVO

A Tabela 6 mostra os resultados médios das análises realizadas pelos métodos convencional e alternativo em amostras de água tratada para diálise. Todos os resultados, independentemente do método utilizado, estão de acordo com a legislação vigente, ou seja, abaixo de 0,25 EU/mL.21 Esses achados estão de acordo com um estudo realizado em Curitiba/PR, cujo objetivo era avaliar a qualidade da água de seis centros de diálise por 12 meses, em que 85% das amostras de água tratada para diálise estavam em conformidade com a legislação vigente.26

Tabela 6 Comparação das médias do nível de endotoxina pelo método convencional e alternativo das amostras de água tratada para diálise e dialisato. 

Amostragem Método Nível de Endotoxina (UE/mL)
Água tratada para diálise Dialisato
Osmose Tanque Reuso Loop Maq. 1 Maq. 2 Maq. 3 Maq. 4
1 Convencional <0,25 <0,25 <0,25 <0,25 < 0,25 < 0,25 < 0,25 < 0,25
Alternativo <0,14 <0,14 0,140 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14
2 Convencional <0,25 <0,25 <0,25 <0,25 < 0,25 0,35> <0,5 < 0,25 < 0,25
Alternativo <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 0,17 0,230 <0,14
3 Convencional <0,25 <0,25 <0,25 <0,25 >0,5 < 0,25 < 0,25 >0,5
Alternativo <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 24,784 <0,14 <0,14 0,974
4 Convencional <0,25 <0,25 <0,25 <0,25 < 0,25 < 0,25 < 0,25 >0,5
Alternativo <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 <0,14 1,165

maq. = máquina.

Ao analisar amostras de dialisato (Tabela 6), houve uma limitação para determinar se os resultados estão de acordo com a legislação atual dos Requisitos de Boas Práticas Operacionais para Serviços de Diálise, pois determina apenas que as amostras de dialisato devem ser coletadas mensalmente para contagem de placas heterotróficas, sem especificar a análise de endotoxinas.21

Embora a Resolução do Colegiado de Diretores (RCD) no 11 de 2014 não mencione a concentração máxima permitida de endotoxina, este estudo utilizou para fins de análise o conceito de dialisato como sendo o resultado da diluição, em proporções apropriadas, do concentrado polieletrolítico para hemodiálise em água tratada para diálise.21

A RCD nº 8, de 2 de janeiro de 2001, fornece boas práticas de fabricação para o concentrado de hemodiálise polieletrolítica e determina que a concentração máxima de endotoxina permitida é de 0,5 EU/mL até a data de vencimento estabelecida pelo fabricante.27 Portanto, uma previsão para um limite máximo de endotoxina de 0,75 EU/mL (0,5 + 0,25 EU/mL) pode ser presumido.

Desconsiderando a proporção entre água e concentrado polieletrolítico, a RCD no 11 de 2014 afirma que a bactéria heterotrófica máxima permitida para o dialisato é de 200 UFC/mL. Aparentemente, essa é a soma da concentração máxima permitida para água tratada para diálise, 100 UFC/mL, e para o concentrado polieletrolítico, 100 UFC/mL, expresso na RCD no 8 de 2001.21,27

Considerando esse limite, três amostras estariam fora do limite de especificação. No entanto, não houve relato de reação pirogênica, possivelmente porque o dialisato foi coletado na mangueira que transporta água para o dialisador de polissulfona, que pode reter endotoxinas.28 Esses dados corroboram com pesquisas anteriores comparando dois tipos de membrana de dialisato, polissulfona e polietersulfona. Os autores concluíram que ambos são eficazes na prevenção da passagem de endotoxinas possivelmente presentes no dialisado.29

Devido ao seu potencial, os autores testaram membranas feitas de polissulfona de diferentes marcas e observaram que existe uma diferença de permeabilidade entre elas, justificando a avaliação de desempenho pelos fabricantes.30 O reprocessamento dos dialisadores pode comprometer a qualidade da membrana e alterar sua permeabilidade.9

Um estudo realizado em 30 centros de diálise na Alemanha analisou a concentração de endotoxina em amostras de água tratada para diálise e dialisato, que variaram de 0 a 95 EU/mL e 0 a 487 EU/mL, respectivamente. Os autores estavam preocupados com os altos níveis, propondo uma regulamentação mais rigorosa. O artigo, no entanto, não se refere à reutilização de dialisadores.11

No Brasil, na cidade de Ponta Grossa/PR, foi realizado um levantamento para determinar a qualidade da água e do dialisato de 62 amostras coletadas no sistema de hemodiálise de novembro de 2003 a abril de 2004: a presença de endotoxina foi observada apenas nas amostras que precederam a osmose reversa.31

Em um estudo realizado na Lituânia, foram analisadas amostras de água tratada para diálise e dialisato quanto à presença de endotoxina; 86% das amostras de água tratada para diálise e 92% das amostras de dialisato apresentaram níveis de endotoxina abaixo de 0,25 EU/mL, seguindo a Farmacopeia Europeia e as Diretrizes de Melhores Práticas Europeias para fluido de diálise puro. O estudo também relata que essas porcentagens poderiam ser maiores se o monitoramento dos níveis de endotoxina fosse feito com mais frequência.32

Klein et al.,33 após a realização de um estudo em 51 centros de diálise nos Estados Unidos, destacaram a necessidade de monitoramento regular dos níveis de endotoxina no dialisato, o que está de acordo com um estudo realizado na Alemanha, onde os autores chamam a atenção para a importância do monitoramento, porque os níveis de endotoxina no dialisato eram mais altos do que na água tratada para diálise.11

No Brasil, existem programas de monitoramento da água de diálise em alguns estados como São Paulo e Rio de Janeiro, mas eles monitoram apenas a qualidade da água tratada em diálise.34,35 Por outro lado, o trabalho realizado no Estado da Bahia para propor um programa de monitoramento, também incluiu monitoramento de dialisato, mas apenas no nível de bactérias heterotróficas.36 Embora importantes, essas iniciativas falham em abordar um aspecto importante da segurança do paciente.

As informações acima mencionadas foram obtidas pelo método convencional e permitem definir aspectos de risco para o paciente.26 Além da elaboração e implementação de regulamentos mais rígidos, recomenda-se o uso de métodos que proporcionem resultados mais rápidos com maior sensibilidade, entre outras características promissoras.

Ao comparar os resultados dos dois métodos, todas as amostras negativas no método convencional também foram negativas no alternativo, mas uma das quatro amostras positivas no método convencional foi negativa no método alternativo (Tabela 7). Paralelamente, os dados da Tabela 7 foram avaliados pelo Teste Exato de Fisher, mostrando uma associação significativa entre os métodos analisados.

Tabela 7 Comparação das medias positiva e negative de cada método. 

Método Alternativo
Positivo Negativo Total
Método convencional Positivo 3 1 4
Negativo 0 28 28
Total 3 29 32

De acordo com os dados presentes, Gee et al.37 observaram concordância total dos resultados negativos nos dois métodos. No entanto, quando os resultados foram positivos no método convencional, independentemente da diluição da amostra, os resultados obtidos no PTS® foram menores, considerando os limites qualitativos (convencionais) e efetivamente quantificados (PTS®). O autor também relata que os testes quantitativos e qualitativos devem considerar uma margem de erro dupla devido à natureza biológica das endotoxinas presentes na amostra e no reagente LAL; características intrínsecas devido a diferentes analistas, laboratórios, insumos usados e amostras aumentam a variabilidade e, portanto, é comum que amostras positivas divirjam nos resultados. A Food and Drug Administration (FDA) e a Farmacopeia dos EUA admitem essa limitação e, portanto, fornecem uma faixa aceitável de recuperação em ensaios cinéticos de 50 a 200%.37

De acordo com o fabricante do PTS®, para que um teste seja considerado válido, o canal de reação do cartucho e os coeficientes de variação do canal PPC em que a amostra é analisada devem ser inferiores a 25% (pico, com uma quantidade conhecida de endotoxina, 0,69 EU/mL mais amostra). Outro parâmetro a considerar é a porcentagem de recuperação de pico, que deve ser de 50 a 200%.17 Para todos os testes realizados no presente trabalho, os requisitos do fabricante do PTS® foram atendidos, conforme mostrado na Tabela 8. Portanto, pode ser considerado que os dados de validação e aplicabilidade estão de acordo com esses três parâmetros.

Tabela 8 Critérios de aceitação pelo fabricante e os respectivos valores de validação e aplicabilidade 

Critérios e Aceitação Dados de Aceitação Dados de Aplicabilidade
Maior valor Menor valor Valor mais alto Valor mais baixo
Coeficiente de variação dos canais de amostra 0,0 % 10,5 % 0,0 % 21,6 %
Coeficiente de variação dos canais do controle positivo do produto 0,0 % 14,3 % 0,0 % 18,3 %
Pico do spike 184 % 96 % 53% 175 %

Segundo Williams (2001) apud Fukumori23, a recuperação do pico dentro do critério de aceitação indica que a análise não está apresentando interferência no produto. Isso sugere que a água tratada para diálise e o dialisato não interferiram na análise da endotoxina. Entretanto, os fabricantes do reagente do método de coagulação em gel apontam que amostras com altas concentrações iônicas devem ser analisadas cuidadosamente, pois pode ocorrer agregação de lipopolissacarídeos, causando um falso negativo38. Essa interferência potencial não foi evidente no presente estudo.

Bambauer et al.11 diluíram amostras de dialisato, que possuíam bicarbonato em sua composição, a fim de evitar interferências causadas pela presença desse componente nos ensaios de LAL. Os autores também apontaram que os dialisatos compostos por diferentes tipos de concentrado polieletrolítico não influenciaram estatisticamente nos resultados dos testes.

Em um estudo que analisou a interferência da solução salina por concentrados de hemodiálise na determinação de endotoxina usando LAL, os autores concluíram que o método de coagulação em gel pode ser satisfatoriamente utilizado para a análise de fluidos em hemodiálise. O estudo também relata que o teste cromogênico compendial, por exigir mais tempo, teve seu uso limitado a situações específicas, exigindo diluições adicionais da amostra.39 Como o PTS® realiza análises em um tempo reduzido de 15 minutos, a limitação do método cromogênico compendial poderia ser evitada no presente estudo, apesar de as amostras não terem sido diluídas.

Uma pesquisa que realizou a validação do PTS® considerou como critérios aceitáveis o coeficiente de variação dos canais 1 e 3, o coeficiente de variação dos canais 2 e 4 e a porcentagem de recuperação de picos, concluindo que o PTS® pode substituir o método de coagulação em gel.23 Os outros critérios de validação descritos por compêndios oficiais e organizações internacionais, não foram aplicados pelo autor.15,19,20

Estudo semelhante, que considerou os mesmos três critérios, analisou amostras de produtos biofarmacêuticos e água para produtos injetáveis, concluindo que ambos apresentaram resultados negativos quando analisados pelo PTS® e pelo método de coagulação em gel. Os autores enfatizaram o fato de o PTS® ser um sistema miniaturizado, reduzindo o volume de amostra usado no teste e minimizando a manipulação de analistas e o risco de contaminação exógena. Eles também apontam que o PTS® forneceu resultados em 15 minutos enquanto o método de coagulação em gel levou 1h.40 Nesta comparação, os autores não enfatizaram o tempo de preparação da amostra e do reagente, nem mesmo para o número da amostra e as repetições.

No presente estudo, o tempo de preparação das amostras e reagentes no método convencional foi de cerca de 45 minutos, enquanto no PTS® foi de 15 minutos. Durante os 15 minutos de PTS®, foram realizadas a manipulação da amostra e do cartucho, bem como a inserção dos dados no dispositivo, uma vez que não houve necessidade de preparação do reagente, o que justifica o menor tempo nesta etapa.

A análise levou 60 minutos no método convencional e, em média, 15 minutos no PTS®. Observou-se que quanto maior o nível de endotoxina presente na amostra, menor o tempo de análise do dispositivo.

Durante o estudo de aplicabilidade, 8 amostras foram analisadas em triplicata por dia; portanto, o tempo total gasto no método convencional foi de 115 min, enquanto no PTS® foi de 60 min por amostra, perfazendo um total de 480 min para analisar as 8 amostras em triplicata. Portanto, em relação ao tempo de análise, o PTS® foi rápido no que diz respeito ao monitoramento in loco, envolvendo a análise de algumas amostras. Enquanto em laboratório, com muitas amostras, o PTS® pode consumir muito tempo.

O monitoramento da qualidade da água tratada para diálise e dialisato é de fundamental importância para a qualidade e segurança do tratamento. Portanto, a legislação atual determina que análises mensais de endotoxinas sejam feitas no dialisato, semelhante à determinação da contagem de bactérias heterotróficas no dialisato.

No entanto, os compêndios oficiais descrevem métodos de teste de rotina que exigem alto tempo de análise e alto nível de manipulação pelo analista. O presente estudo mostrou que o PTS®, como método alternativo automatizado, é adequado em relação ao tempo de análise ao lidar com análises in loco e em tempo real. No entanto, para laboratórios que realizam várias análises diárias, consome mais tempo que o método convencional. Dados os resultados da validação e as concentrações escolhidas para o estudo e de acordo com o tipo de amostra analisado, o PTS® foi adequado para amostras que se espera estarem ausentes de endotoxinas ou dentro da faixa operacional de 0,25 a 1 EU/mL.

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