Validade e confiabilidade da versão brasileira do World Health Organization Disability Assessment Schedule em pessoas com cegueira

Validade e confiabilidade da versão brasileira do World Health Organization Disability Assessment Schedule em pessoas com cegueira

Autores:

Laís Sampaio Silveira,
Shamyr Sulyvan Castro,
Camila Ferreira Leite,
Nuno Miguel Lopes Oliveira,
Angélica Emboaba Salomão,
Karina Pereira

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.26 no.1 São Paulo jan./mar. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/17013126012019

RESUMEN

La World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS 2.0) es una herramienta desarrollada por la Organización Mundial de la Salud (OMS), la que se utiliza para medir la discapacidad y la incapacidad, basándose en el modelo de la Clasificación Internacional del Funcionamiento de la Discapacidad y de la Salud. La versión brasileña de WHODAS 2.0 fue traducida por la OMS y puesta a disposición para su uso en 2015. Este estudio pretende validar la versión brasileña de WHODAS 2.0 para uso en personas con ceguera. Participaron 56 personas con ceguera (promedio de edad: 48,4±13,6 años). Se utilizaron dos herramientas de evaluación: la versión de 36 ítems de WHODAS 2.0 y la World Health Organization Quality of Life-bref (WHOQOL-abreviado). Las propiedades psicométricas probadas fueron: consistencia interna, test-retest y validez de criterio. Hubo una buena confiabilidad test-retest (ICC≥0,63). Los valores de a de Cronbach mostraron una buena consistencia interna en la mayoría de las áreas, excepto en el subdominio de actividades escolares o de trabajo (a=0,55). La validez del criterio fue adecuada, con correlaciones moderadas entre los dominios de WHODAS 2.0 y las áreas de WHOQOL-bref. Los resultados demuestran la validez de WHODAS 2.0 para evaluar la funcionalidad de las personas con ceguera.

Palabras clave Evaluación de la Discapacidad; Estudios de Validación; Psicometría; Ceguera

INTRODUÇÃO

A deficiência visual é resultado da perda de visão causada por doença ou outros fatores, resultando em uma alteração da função visual. O termo “cegueira” não é absoluto porque os indivíduos podem ser agrupados de acordo com diferentes graus de visão residual. Este tipo de deficiência leva a limitações que podem ser incapacitantes no desempenho das tarefas do dia a dia1.

A visão é considerada o maior facilitador da integração das atividades motoras, perceptivas e mentais para os indivíduos2 e, uma vez que o sujeito tem uma privação significativa nessa função sensorial, podem ocorrer limitações funcionais. A cegueira impõe limites que exigem adaptações e, na sociedade em que vivemos, uma diferença é considerada uma desvantagem. No entanto, uma pessoa com cegueira, embora com deficiência, tem a mesma capacidade de desenvolvimento que qualquer outra pessoa, desde que lhe sejam providas as condições adequadas3.

Com a proposta de fornecer e encorajar o uso de um modelo explicativo de funcionalidade, incluindo aspectos biopsicossociais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), que identifica a deficiência como “problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, como um desvio ou perda significativa” (4. Como parte do esforço para disseminar o uso da CIF, a OMS desenvolveu uma ferramenta de avaliação genérica para medir a saúde e a deficiência em todas as culturas, denominada World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS 2.0), com base na CIF, mas abordando menos itens e, portanto, reduzindo o tempo e permitindo a flexibilização da administração sem se afastar do modelo proposto por ela5.

O WHODAS 2.0 tem sido administrado com sucesso em ambientes populacionais e clínicos em uma variedade de culturas diferentes, como pôde ser visto no estudo de Federici et al. 6. Esses autores publicaram uma revisão de literatura internacional do WHODAS, com enfoque nos estudos que avaliaram suas propriedades psicométricas, selecionando 54 estudos desde a publicação do instrumento, em 1988, até 2008. Destes, apenas oito testaram as propriedades psicométricas do instrumento.

Em 2015, o WHODAS 2.0 foi traduzido no Brasil por Castro e Leite7, sendo essa a versão oficial e reconhecida pela OMS. Até o momento, esta pesquisa é o primeiro estudo em que as propriedades psicométricas da versão brasileira do WHODAS 2.0 foram investigadas em um grupo específico de pessoas com cegueira.

O instrumento WHODAS 2.0 validado para pessoas com cegueira pode orientar a integração dessas pessoas em ambientes sociais, além de fornecer um instrumento confiável para avaliar a funcionalidade. Pesquisadores e clínicos podem obter medidas mais apropriadas de status funcional, consistentes com uma abordagem biopsicossocial, conforme recomendado pela OMS. Em relação à saúde pública, este estudo identificará uma ferramenta adequada e confiável para avaliar a saúde e a deficiência, o que facilitará a definição de prioridades, a análise dos resultados e a avaliação da eficácia e do desempenho dos sistemas de saúde.

O objetivo deste estudo foi analisar as propriedades psicométricas da versão brasileira do WHODAS 2.0 para uso em pessoas com cegueira.

METODOLOGIA

Esta pesquisa é caracterizada como um estudo de validação. De acordo com as diretrizes adotadas para pesquisa envolvendo seres humanos, o Comitê de Ética da Universidade Federal de Triangulo Mineiro aprovou este estudo (Parecer nº 948.994/2015). Para participar, os participantes assinaram os Termos de Consentimento, que foram lidos ou fornecidos em Braille para os leitores desta modalidade.

A coleta de dados locais foi realizada por pesquisa das instituições que trabalham com deficientes visuais dentro de 200 quilômetros da região de Triângulo Mineiro no Brasil, compreendendo as cidades de Uberaba e Uberlândia (MG) e Ribeirão Preto (SP).

Os participantes deveriam comprovar o diagnóstico de cegueira congênita ou adquirida por meio de um relatório oftalmológico. Para garantir um nível mínimo de cognição e compreensão do conteúdo dos instrumentos utilizados, o miniexame do estado mental (Meem) foi administrado8, com as seguintes adaptações para acomodar a execução por uma pessoa cega: o item que requer o desenho de um pentágono foi alterado para criar a forma geométrica com palitos de madeira; o item de leitura foi alterado para ler uma frase em Braille; e o item de nomeação por identificação visual foi alterado para identificação tátil.

As pontuações de corte dos participantes garantiriam uma maior especificidade do teste (<20 para aqueles que eram analfabetos; <25 para indivíduos com 1 a 4 anos de escolaridade; <26,5 para participantes com 5 a 8 anos de escolaridade; <28 para 9 a 11 anos de educação e <29 para participantes com mais de 11 anos de escolaridade). A implementação desses valores foi guiada por outro estudo9, e eles têm sido frequentemente utilizados em estudos epidemiológicos10)- (12.

Não foram incluídos participantes que tiveram diagnóstico médico de doenças secundárias ou distúrbios que interfiram na funcionalidade, como doenças cardiorrespiratórias, circulatórias, neurológicas, mentais e/ou auditivas, bem como aqueles com problemas ortopédicos.

Dos 110 registros médicos fornecidos pelas instituições, dados de 35 pessoas estavam desatualizados. As 75 pessoas restantes foram contatadas, das quais 19 recusaram-se a participar ou foram excluídas devido a valores de Meem abaixo do ponto de corte ou presença de doenças secundárias. Um total de 56 pessoas com cegueira fundamentada por relatório oftalmológico participaram do estudo.

Para esta pesquisa foram utilizados dois instrumentos de avaliação: WHODAS 2.0, em sua versão com 36 itens, e World Health Organization Quality of Life-Bref (WHOQOL-abreviado), ambos aplicados na forma de entrevista. Para realizar o estudo, os entrevistadores passaram por um treinamento, visando evitar possíveis divergências na aplicação do instrumento.

De acordo com o manual de aplicação do WHODAS 2.05), (13, durante a entrevista os respondentes são perguntados sobre o grau de dificuldade que experimentam ao fazer diferentes atividades. As respostas possíveis são: (1) nenhuma, (2) leve, (3) moderada, (4) grave e (5) extrema ou não consegue fazer.

As questões são divididas em seis domínios. O domínio 1 (cognição) pergunta questões sobre comunicação e atividades de raciocínio. O domínio 2 (mobilidade) discute atividades como ficar em pé, se movimentar dentro de casa, sair de casa e caminhar longa distância. O domínio 3 (autocuidado) pergunta sobre tomar banho, se vestir, comer e ficar sozinho. O domínio 4 (relações interpessoais) avalia as dificuldades que podem ser encontradas com relação a outras pessoas. Nesse contexto, “pessoas” podem ser aquelas com quem o respondente é íntimo ou conhece bem (por exemplo, esposo ou companheiro, familiares ou amigos próximos), ou aquelas que o respondente não conhece (por exemplo, estranhos). O domínio 5 (atividades de vida) inclui questões sobre dificuldades nas atividades cotidianas. Por fim, o domínio 6 (participação) representa uma mudança na linha de questionamento usada nos primeiros cinco domínios. Aqui, eles estão reportando não as suas limitações de atividades, mas em vez disso as restrições que eles experimentam por causa de pessoas, leis e outros aspectos da sociedade em que se encontram5.

Dois cartões-resposta são usados na modalidade administrada por entrevistadores. O propósito dos cartões-resposta é oferecer uma dica ou lembrete visual ao respondente sobre informações importantes enquanto se responde às perguntas5.

O cartão-resposta nº 1 oferece informações acerca de condições de saúde (doenças, enfermidades, lesões, problemas mentais ou emocionais, problemas com álcool ou drogas) e do que considera ser dificuldades (esforço aumentado, desconforto ou dor, lentidão, alterações no modo de fazer a atividade). Neste momento, o avaliador comenta para o respondente que deve considerar o período dos últimos 30 dias antes da entrevista. Como a população deste estudo é composta por pessoas com cegueira, reforço verbal foi utilizado para substituir este cartão.

O cartão-resposta nº 2 oferece uma escala de resposta para ser usada para a maioria das perguntas. Deve-se ler em voz alta o número e a palavra correspondente. Os respondentes podem apontar sua resposta na escala ou oferecer resposta verbal, embora o último seja preferível. Para os cegos foi adaptado um cartão de informação tátil (lixa d’água de diferentes gramaturas) e/ou cartão em Braille na substituição do original (Figura 1). O esquema adaptado do cartão-resposta nº 2 foi confeccionado com base na experiência sensorial de um cego, que, a partir do estudo-piloto, elegeu diferentes gramaturas, garantindo que elas se diferenciavam de forma gradual.

Figura 1 Cartão-resposta nº 2 adaptado 

O WHOQOL-abreviado foi desenvolvido pelo grupo Qualidade de Vida da OMS devido à necessidade de um instrumento que demandasse menos tempo que o WHOQOL-100 para sua aplicação, mantendo características psicométricas satisfatórias para medida de qualidade de vida12.

O WHOQOL-abreviado é constituído por 26 questões, sendo duas questões gerais de qualidade de vida e as demais 24 divididas em quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Foi validada para o Brasil em 200012.

Todas as questões são apresentadas em forma de escala Likert de cinco pontos: quanto mais próximo de 1, pior a qualidade de vida, e quanto mais próximo de 5, melhor a qualidade de vida, com exceção dos itens q3 (dor física), q4 (tratamento) e q26 (sentimentos negativos), com pontuação inversa14.

Segundo o manual do WHODAS, os conceitos de qualidade de vida (WHOQOL) e funcionalidade (WHODAS) são inter-relacionados. O instrumento que afere funcionalidade trabalha com a performance objetiva do sujeito em determinado domínio de vida, enquanto o WHOQOL trabalha com a aferição subjetiva do bem-estar (avaliação subjetiva da satisfação em um dado domínio da vida) (5), (13. Idealmente, os mesmos domínios deveriam ser usados em ambos os instrumentos, entretanto, enquanto um verifica o que a pessoa “faz” em um determinado domínio da vida (WHODAS), o outro trabalha com o que a pessoa sente naquele domínio (WHOQOL). Segundo o descrito, pode-se perceber que o WHOQOL seria o melhor instrumento até o momento para a validação de critério.

Validação

As variáveis dos escores (total e por domínio) de ambas as ferramentas (WHODAS e WHOQOL-abreviado) foram utilizadas no processo de validação. Os dados foram analisados usando o software Stata versão 13. Na Tabela 1 são apresentadas informações sobre as propriedades psicométricas examinadas neste estudo.

Tabela 1 Propriedades psicométricas estudadas, objetivos, testes e valores de referência 

Propriedade psicométrica Objetivo Testes Valores de referência
Consistência interna Averiguar se os diversos itens que se propõe a medir o mesmo construto geral produzem resultados semelhantes. Alfa de Cronbach α entre: 0,70 e 0,90 adequada consistência interna; >0,95 itens redundantes14
Confiabilidade teste reteste Verificar estabilidade do instrumento em duas aferições realizadas em períodos diferentes. Coeficiente de correlação intraclasse e teste de correlação de Spearman Coeficiente entre:
1,0 e 0,81 excelente;
0,80 e 0,61 muito boa;
Confiabilidade interavaliadores Constatar se as medidas ou observações efetuadas por avaliadores diferentes são concordantes se mantidas as mesmas condições. 0,60 e 0,41 boa;
0,40 e 0,21 razoável;
0,20 e 0,00 pobre confiabilidade15
Validade de critério convergente Verificar a relação que o instrumento a ser validado tem com outro instrumento. Coeficiente de correlação Coeficiente:
a partir de 0,70 forte/alta;
Validade de critério divergente Averiguar a não correlação do conteúdo do instrumento a ser validado com domínios ou campos não correlatos de outros instrumentos. 0,40 a 0,69 moderada;
0,39 a 0,10 fraca/baixa Associação16

Na validade do critério, o valor de r está sempre entre −1 e +1, com r=0, correspondente a nenhuma associação. Os valores negativos de r indicam associações inversas, enquanto os valores positivos indicam associações diretamente proporcionais. Quanto maior o valor de r (positivo ou negativo), mais forte é a associação17.

Os métodos para validar a consistência interna e a validade do critério dependem de uma única aplicação do instrumento no grupo estudado. No entanto, para teste-reteste existe a necessidade de duas avaliações. Portanto, o WHODAS 2.0 foi administrado duas vezes entre os participantes, com um intervalo de sete dias entre cada administração e usando o mesmo avaliador para a coleta de dados.

O intervalo de tempo entre as duas medidas foi determinado com base em um estudo realizado em 2003 por Üstün17, um dos colaboradores na criação do WHODAS 2.0, que utilizou sete dias entre as avaliações. Na primeira avaliação, todos os instrumentos de avaliação foram administrados: Meem, WHODAS 2.0 e WHOQOL-abreviado. A data de avaliação subsequente foi agendada na primeira reunião com cada participante. A coleta de dados ocorreu de junho a novembro de 2015.

As validações convergentes e divergentes foram testadas pelo uso do coeficiente de correlação de Spearman. Como hipótese a priori, consideramos ter uma relação convergente os domínios da mobilidade do WHODAS 2.0 e domínio físico do WHOQOL-abreviado; relações interpessoais (WHODAS 2.0) e domínio psicológico (WHOQOL-abreviado); e entre as pontuações totais de ambas as ferramentas. Como relação divergente, consideramos o domínio cognitivo do WHODAS 2.0 com o domínio de relações sociais, bem como o domínio do meio ambiente do WHOQOL-abreviado.

RESULTADOS

Características da amostra

Participaram do estudo 56 pessoas, com idade média de 48,4 (±13,6) anos, sendo 62,5% do sexo masculino. A maioria dos participantes é solteira (42,9%) seguida por pessoas com união estável (37,5%), divorciadas (12,5%) e viúvas (7,1%).

No aspecto relacionado à profissão, 66% dos participantes eram aposentados, 5% estudantes e 29% se enquadraram na opção “outro”, que envolvia pessoas que exercem alguma profissão (remunerada ou voluntária), e ainda, pensionistas, do lar, entre outras.

A Tabela 2 mostra a caracterização da amostra segundo o diagnóstico de cegueira, com predomínio de etiologia adquirida (80%).

Tabela 2 Caracterização da amostra segundo a etiologia 

Etiologia n (%) Congênita Adquirida
Retinose pigmentar 13 (23%) 0 13
Glaucoma 10 (18%) 2 8
Descolamento de retina 5 (9%) 0 5
Atrofia do nervo óptico 4 (7%) 1 3
Malformação congênita 4 (7%) 4 0
Não soube informar 4 (7%) 1 3
Lesão/trauma 3 (5%) 0 3
Câncer 3 (5%) 0 3
Retinopatia diabética 3 (5%) 0 3
Toxoplasmose 2 (4%) 0 2
Iatrogenia 2 (4%) 1 1
Retinopatia da prematuridade 2 (4%) 2 0
Ceratocone 1 (2%) 0 1
Total 56 (100%) 11 (20%) 45 (80%)

Validação do WHODAS 2.0

As médias e desvios-padrão (DP) dos domínios do WHODAS 2.0 foram: para cognição, 26,51 (±21,42); para mobilidade, 21,98 (±23,50); para autocuidado, 10,0 (±18,68); para relações interpessoais, 19,94 (±20,88); para atividades de vida doméstica, 5,86 (±12,71) e em escola/trabalho, 26,78 (±28,29); para participação, 31,91 (±19,72); e no total, 22,05 (±14,66). Os valores para os domínios do WHOQOL-abreviado foram: para os domínio físico, 65,30 (±17,46); para o psicológico, 68,15 (±16,05); para social, 67,11 (±20,43); para ambiental, 58,14 (±15,61); e total 64,68 (±13,47). O Meem demonstrou 25,12 (±3,75).

As respostas para as 36 questões foram verificadas estatisticamente em cada um dos domínios e organizadas em tabelas. A Tabela 3 mostra os resultados para a consistência interna (CI) e a confiabilidade teste-reteste.

Tabela 3 Distribuição dos coeficientes de validação segundo domínios do WHODAS 2.0 

CI Teste-Reteste
WHODAS 2.0 n α de Cronbach CCI (IC 95%) R
Cognição 56 0,78 0,59 (0,32-0,87) 0,75*
Mobilidade 55 0,73 0,78 (0,58-0,99) 0,90*
Autocuidado 51 0,79 0,85 (0,65-0,99) 0,79*
Relações interpessoais 52 0,65 0,73 (0,47-0,98) 0,76*
Atividades domésticas 55 0,87 0,63 (0,31-0,95) 0,73*
Atividades escolares ou do trabalho 18 0,22 0,50 (0,02-0,98) 0,93*
Participação 55 0,74 0,63 (0,40-0,86) 0,85*
Total 16 0,88 0,73 (0,54-0,92) 0,90*

*: p<0,05; n: número de pessoas que responderam a todas as perguntas de cada domínio; n total: número de pessoas que responderam a todas as perguntas do WHODAS 2.0; CI: consistência interna; CCI: coeficiente de correlação intraclasse; IC 95%: intervalo de confiança de 95%; r: coeficiente de correlação de Spearman.

No teste de consistência interna, o coeficiente a de Cronbach para cada domínio variou de 0,22 a 0,87. Para a pontuação total, o a de Cronbach foi de 0,88. Esses valores sugerem que a escala possui consistência interna adequada para a maioria dos objetivos de pesquisa.

A confiabilidade teste-reteste foi considerada boa (CCI≥0,63) na maioria das áreas, exceto o domínio cognitivo (CCI=0,59) e o subdomínio da escola ou atividades de trabalho (CCI=0,50), que também demonstrou um maior intervalo de confiança (0,02 a 0,98). O intervalo de confiança com ampla variação reforça a baixa significância da confiabilidade nesse domínio. O CCI analisa a igualdade entre as respostas e, como a escala possui cinco alternativas, os coeficientes de correlação de Spearman foram calculados para examinar a relação entre os domínios dos instrumentos. A análise verificou alta confiabilidade em todas as áreas do WHODAS 2.0 (≥0,73).

Na Tabela 4, apresentando os resultados para a validade do critério convergente e divergente, foram examinadas as correlações entre as áreas do WHODAS 2.0 com áreas do WHOQOL-abreviado.

Tabela 4 Distribuição dos coeficientes de correlação entre os domínios do WHODAS 2.0 e do WHOQOL 

WHODAS 2.0 - Domínios
1 2 3 4 5.1 5.2 6 Total
WHOQOL
DF -0,44* -0,60* -0,33* -0,43* -0,40* -0,01 -0,53* -0,62*
DP -0,28* -0,30* -0,24 -0,48* -0,33* -0,02 -0,43* -0,47*
DS -0,18 0,03 -0,16 -0,22 -0,34* -0,06 -0,24 -0,25
DA -0,29* -0,24 -0,18 -0,29* -0,27* -0,16 -0,34* -0,40*
Total -0,37* -0,34* -0,32* -0,48* -0,45* -0,09 -0,49 -0,56*

*: p<0,05; em negrito: correlação moderada/significativa; Domínios WHODAS 2.0: (1) cognição, (2) mobilidade, (3) autocuidado, (4) relações interpessoais, (5.1) atividades domésticas, (5.2) atividades escolares ou do trabalho, (6) participação; DF: domínio físico; DP: domínio psicológico; DS: domínio social; DA: domínio ambiental.

Os valores negativos de r foram demonstrados na maioria das associações. Isso ocorreu porque o WHODAS 2.0 e o WHOQOL-abreviado têm pontuação reversa. Os coeficientes obtidos indicaram que não houve forte correlação entre os instrumentos. Em relação à validade convergente, o domínio “mobilidade” do WHODAS 2.0 mostrou uma correlação significativa moderada (r=−0,60) com o domínio “saúde física” do WHOQOL-abreviado. Da mesma forma, houve uma correlação moderada e significativa (r=−0,47) entre o domínio “relações interpessoais” e o domínio “saúde psicológica”. O domínio “saúde física” do WHOQOL-abreviado demonstrou correlações principalmente moderadas com os domínios do WHODAS 2.0, com exceção do subdomínio “trabalho ou atividade escolar”, o que não foi significativo.

Para uma validade divergente, não houve correlação significativa entre o domínio “cognição” do WHODAS 2.0 e o domínio “relações sociais” do WHOQOL-abreviado (r=−0,18) ou entre o domínio “mobilidade” do WHODAS 2.0 com as “relações sociais” e “ambiente” do WHOQOL-abreviado (r=−0.02 e r=−0,24, respectivamente). Como um número reduzido de pessoas respondeu ao domínio relacionado ao trabalho, não houve relação significativa com nenhum item do WHOQOL-abreviado.

DISCUSSÃO

O instrumento apresentou consistência interna adequada em cinco dos seis domínios, com exceção do domínio relacionado ao trabalho, algo que pode ser explicado pelo baixo número de respondentes a essas questões.

Devido ao perfil populacional do estudo de pessoas com deficiências visuais que eram principalmente aposentados (66%), os itens relacionados ao trabalho não eram aplicáveis. Nabais et al.18 mencionam que a dificuldade de colocação no mercado de trabalho, enfrentada por um número significativo de brasileiros com deficiências visuais, é agravada pela crença infundada de que a deficiência afeta todas as funções de um indivíduo. Além disso, desconhecer as muitas atividades possíveis de serem realizadas pela pessoa com deficiência visual pode resultar em medo de problemas de integração com o grupo de trabalho ou a ocorrência de acidentes, bem como preocupações sobre o custo de ajustes e aquisição de equipamentos especiais. Outro fator citado pelos autores é baixa qualificação profissional da maioria dessas pessoas, causada pela falta de treinamento profissional para deficientes e dificuldade em acessar cursos existentes18.

É importante ressaltar que, no Brasil, existe a Lei da Previdência Social19, que concede o benefício da aposentadoria por invalidez com o objetivo de substituir a remuneração do empregado que está incapacitado total e definitivamente para o exercício de qualquer atividade que lhe garanta sobrevivência.

Assim, para o Brasil, o fato de a maioria das pessoas com cegueira serem aposentadas é uma realidade justificada, uma vez que a deficiência está incluída nas condições da lei de aposentadoria por invalidez e, portanto, é um direito dessas pessoas. Esta informação justifica a baixa consistência interna obtida no subdomínio WHODAS 2.0 da escola ou atividades de trabalho.

Os resultados indicam boa confiabilidade teste-reteste para uso do WHODAS 2.0 nesta população. Esses achados são consistentes com outros estudos usando este método de validação em outras populações20)- (24.

Da mesma forma, a validade do critério foi adequada com correlações moderadas entre áreas relacionadas no WHODAS 2.0 e WHOQOL-abreviado, sugerindo que os instrumentos, embora correlacionados, são complementares em seu uso para diferentes fins. Uma forte correlação seria esperada se fossem instrumentos com domínios idênticos, no entanto, não existe outro instrumento validado que avalie domínios semelhantes ao WHODAS 2.0, o que justifica a escolha do instrumento WHOQOL-abreviado para validação convergente e divergente.

O manual WHODAS 2.0 menciona que existe uma relação entre esses instrumentos. No entanto, enquanto o WHODAS 2.0 avalia a funcionalidade, o WHOQOL-abreviado avalia medidas subjetivas de bem-estar. Idealmente, as mesmas áreas de vida devem ser avaliadas por ambos os instrumentos. Como as construções dos dois instrumentos analisados foram correlacionadas, mas não idênticas, as correlações moderadas seriam, de fato, esperadas e, na verdade, foram obtidas na maioria das análises realizadas.

Os resultados sugerem que o instrumento WHODAS 2.0 é válido para avaliar a funcionalidade das pessoas com cegueira e, devido à baixa consistência interna demonstrada no domínio da escola e das atividades de trabalho, sugerimos cautela ao usar este item ou a sua omissão na avaliação. O mesmo foi sugerido por alguns estudos que validaram o WHODAS 2.0 em outras línguas para pessoas com artrite reumatóide25, doenças crônicas26, osteoartrite do joelho22, esquizofrenia24, acidente vascular cerebral27, lesão medular28 e câncer de mama29.

Uma possível limitação desta pesquisa diz respeito ao tamanho reduzido da amostra, abaixo de n=100, valor recomendado pelas normas para verificação das variáveis psicométricas30), (31.

No entanto, deve notar-se que o segmento populacional estudado tem uma baixa frequência na população geral, a partir da qual são extraídas amostras em grande escala. A prevalência estimada de cegueira no Brasil pela OMS é de 1,98%32), (33, que inclui uma amostragem mais robusta. Vale ressaltar que mesmo com um pequeno tamanho de amostra, este estudo verificou a validação do WHODAS 2.0 como uma ferramenta para uso em pessoas com cegueira. Sugerimos que estudos com amostras maiores sejam realizados.

A relevância e importância de nossa pesquisa devem ser observadas na medida em que fornece maiores evidências para a segurança e validade do uso do WHODAS 2.0, uma vez que quatro propriedades psicométricas foram testadas, diferindo dos recentes estudos de validação WHODAS 2.0 que testaram, em sua maioria, duas ou três propriedades22), (24)- (29), (34)- (40, além da inovação de validar o uso do WHODAS 2.0 para pessoas com cegueira.

CONCLUSÃO

Em conclusão, o teste das propriedades psicométricas - consistência interna, confiabilidade teste-reteste, validade do critério convergente e validade do critério divergente - confirmou que a versão brasileira do WHODAS 2.0 é válida e confiável para medir características de pessoas com cegueira.

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